Confesso que não conhecia, e na realidade nem conheço, a jornalista norte-americana Helen Thomas, de 89 anos, que até, ha meia-dúzia de dias, era a decana dos correspondentes que fazia a cobertura jornalistica junto da Casa Branca, a sede da Presidência da República dos Estados Unidos da América.
Helen Thomas, que, como jornalista, apenas parece ser conhecida pelo seu trabalho no "ramo político institucional" da reportagem das conferência de imprensa dos Presidentes dos EUA, viu-se afastada da carreira profissional, não por qualquer acto de crítica pessoal ou política denegridora ou difamatória da imagem dos diferentes Chefes de Estado norte-americano, ou por acção anti-patriótica, mas, simplesmente, porque criticou a política israelita no Médio-Oriente.
Pelas informações concordantes, quer da imprensa portuguesa, quer da norte-americana, tudo teria começado quando Helen Thomas respondeu a uma pergunta de um rabi judeu (padre judaico), de nome David Nesemnoff, que também tem um blog, que se encontrava, como convidado na Casa Branca do Presidente Obama para celebrar a Herança Judaica-Americana. A pergunta foi se ela tinha alguma coisa a dizer aos habitantes do Estado de Israel. Ela teria respondido: "Lembrem-se que essas pessoas vivem sob uma ocupação; aquela é a terra deles, não é a Alemanha ou a Polónia". E acrescentou o seu comentário: "Os judeus deviam ir para a terra deles", precisando que "a terra deles" é "a Alemanha, a Polónia, a América e todos os outros lugares..."
O citado rabi colocou esta pequena entrevista no seu blog e no You Tube, e de repente, e de um momento para outro, surgiram as críticas mais ásperas contra a jornalista, apelidando-a de anti-semita, sugerindo o seu afastamento de correspondente e preconizando o seu despedimento.
"Chocantes", "infelizes", "repulsivos", "fanáticos", "indefensáveis", "odiosos", "ultrajantes", foram alguns dos comentários feitos, quer pelos principais jronais do país, quer por camaradas de profissão, quer pelos políticos de topo dos EUA, quer pelo próprio Presidente norte-americano.
Ou seja, conforme assinalam diferentes fontes o poderoso lobby judaico deseado nos EUA, através do AIPAC (America Israel Public Affairs Comitte) actuou para afastar a jornalista, que, por caso, é descendente de país libaneses cristãos.
Analisando as declarações feitas por Helen, pode dizer-se que são inverdades, caluniosas para com os judeus? É ou não verdade que o Estado de Israel ocupa a Palestina? É ou não verdade que o Estado de Israel foi uma criação artificial das potências ganhadoras da II Grande Guerra?
É ou não verdade que os colonos israelitas que ocuparam o território que era da Palestina em 1947 eram na sua maioria cidadãos da Europa, afastando os seus residentes ancestrais daquelas terras? E a pergunta mais pertinente já agora: "É ou não verdade que o Estado de Israel é um problema no Médio-Oriente, que até agora não contribuiu para uma solução que o possa salvaguardar num futuro próximo de uma destruição, que se está a tornar cada vez mais evidente?
Se esta questão não for resolvida nos próximos anos, na realidade, os judeus, naturais da Europa e EUA e os seus descendentes, estabelecidos no actual Estado de Israel, irão ter de regressar aos países onde nasceram.
A retaliação sobre Helen Thomas, por muito incómodas que as suas declarações possam ter sido para os agentes do sionismo internacional, presentes nos EUA, foi um acto censório, imoral, mesmo criminoso.
Além de altamente criticável a posição assumida por Barack Obama, que tornou suas as objecções do lobby judeu, criticável é também a submissão dos camaradas jornalistas de Helen face à rotulagem que os lobbistas sionistas colocaram em Thomas. Até porque, dias antes, quando completou 89 anos, aquela profissional era considerada pelos seus pares como umas das "lendas" e "heroina". Só se podem chamar, no mínimo, puro cinismo.
Obsceno foi o papel desempenhado pelo seu agente e pela empresa que a contratara nos últimos anos.
Transcrevo o jornal Públoco: "Thomas primeiro viu o seu agente literário denunciar o contrato que tinha com ela e, no dia seguinte, a Hearst Newspapers, conglomerado para quem contribuía com uma coluna semanal há dez anos, forçar a sua demissão".
Algo vai mal nos reinos das democrcais ocidentais!
A terminar, cito do mesmo jornal alguns dados intercalados sobre a sua vida e profissão:
"Helen nasceu no Kentucky, filha de dois imigrantes de origem libanesa - o seu apelido Thomas é o anglicismo do nome original do pai, Antonious. A família mudou-se para o Michigan, onde Helen foi educada na igreja grega ortodoxa. Frequentou a Wayne University e licenciou-se em Inglês em 1942.
Após uma breve passagem pelo jornal Washington Daily News (que já não existe), Helen Thomas ingressou na agência United Press Internacional (UPI) em 1943. Começou a trabalhar no serviço radiofónico, mas logo mudou para o serviço noticioso: em Washington, foi cobrindo todas as agências e departamentos federais antes de se mudar para a Casa Branca.
Foi depois da eleição de John F. Kennedy que Helen foi nomeada correspondente na Casa Branca. Ela cobrira a campanha do jovem e promissor político do Massachusetts, que um dia comentou que "Helen podia ser uma óptima rapariga, se largasse o bloco e a caneta".
No ambicionado posto de correspondente da Casa Branca, Thomas cobriu nove administrações e construiu uma sólida reputação como uma das jornalistas mais acutilantes, corajosas, perseverantes e competitivas de Washington. Casou com um dos seus concorrentes, o jornalista Doug Cornell da Associated Press, mas só quando ele se reformou.
Ao longo dos anos, quebrou barreiras em nome das mulheres no jornalismo: foi a primeira a ser admitida e, posteriormente, a presidir à Associação dos Correspondentes da Casa Branca; foi a primeira a integrar uma direcção do National Press Club e a primeira a entrar no selecto Gridiron Club de Washington.
Demitiu-se da UPI em Maio de 2000, 57 anos depois de ter assinado contrato e no dia seguinte ao anúncio da aquisição da agência pela News World Communications Inc., a subsidiária para os media da Unification Church fundada pelo líder religioso coreano Sun Myung Moon (e que detinha, entre outros títulos, o jornal conservador Washington Times). Na altura, equacionou a reforma, mas a oferta da Hearst manteve-a no activo.
Enquanto foi a principal correspondente da UPI na Casa Branca, Thomas tinha o direito de fazer a primeira e a segunda perguntas nas conferências de imprensa (segundo a tradição, os jornalistas de agência têm precedência sobre os seus colegas, e a veterania no posto determina quem é o primeiro a usar a palavra).
Como colunista, Helen Thomas já não gozava o mesmo privilégio, mas, num sinal da deferência com que era tratada pelos restantes membros do corpo de correspondentes da Casa Branca, continuou a sentar-se na primeira fila da sala de imprensa. E a fazer perguntas incómodas.
"Na última conferência de imprensa do Presidente Barack Obama, convocada para responder à pressão política relacionada com o derrame de petróleo no golfo do México, Helen Thomas desviou a narrativa para um dos seus temas predilectos. "Senhor Presidente, quando vamos retirar as tropas do Afeganistão? Qual é a desculpa para continuarmos a matar e a morrer lá? E não me venha com aquele "bushismo" de que estamos a lutar contra os terroristas lá para não ter que lutar com eles aqui."
Os oito anos de Administração George W. Bush foram conturbados e particularmente difíceis para a veterana, que raras vezes teve oportunidade de interpelar directamente o Presidente ou os seus porta-vozes. Os vários assessores que passaram pela Casa Branca consideravam as questões - e, já agora, o estilo - de Thomas extemporâneas e ofensivas.
"Tivemos temporariamente de suspender o jornalismo nesta sessão para vos trazer um minuto de campanha eleitoral", ironizou Ari Fleischer depois de uma pergunta de Helen Thomas em 2003. "Muito obrigado por nos lembrar a posição oficial do Hezbollah", comentou Tony Snow, quando ela o questionou sobre a guerra do Líbano em 2006. "Acho lamentável que utilize a sua posição privilegiada, que os seus colegas gentilmente lhe concedem, para fazer perguntas tão absurdas", criticou Dana Perino um ano mais tarde.
A jornalista nunca escondeu o seu diferendo ideológico com a clique do Presidente George W. Bush e a sua oposição às políticas da Administração. "Sou uma liberal. Nasci liberal e serei liberal até morrer", confessou, numa entrevista em 2006. "Tive de me autocensurar durante mais de 50 anos, mas agora posso acordar e pensar: com quem é que estou furiosa hoje de manhã?", escreveu na sua biografia Thanks for the Memories, Mr. President.
Liberta do seu compromisso com a independência e objectividade, a colunista tornou-se uma das maiores críticas das guerras do Afeganistão e principalmente do Iraque. Mas além do Presidente, Helen foi também impiedosa para com os seus camaradas. Há quatro anos, publicou o seu quarto livro sobre a imprensa na Casa Branca, intitulado Watchdogs of Democracy?: The Waning Washington Press Corps and How It Has Failed the Public, uma crítica ácida ao comportamento "resignado" dos seus colegas perante as razões invocadas pela Administração para invadir o Iraque.
A sua oposição a Bush concedeu-lhe um estatuto icónico entre os liberais, mas Helen Thomas era igualmente inconveniente para os presidentes democratas: acusou Bill Clinton de desrespeitar o cargo e perguntou-lhe o que é que ele ainda fazia na Casa Branca depois do escândalo Lewinsky."
domingo, 13 de junho de 2010
HELEN THOMAS
O texto sobre Helen Thomas, que erradamente, aparece como mensagem anterior, não corresponde a um artigo da minha autoria. Estava em fase de pesquisa sobre esta jornalista, que não conhecia, e possivelmente, carreguei em qualquer tecla e saiu para a linha. Peço, por isso, desculpa.
Irei rectificar mais tarde, com a minha posição, após completar as informações.
Irei rectificar mais tarde, com a minha posição, após completar as informações.


Helen Thomas, 89 anos, é a decana do jornalismo político dos EUA, trabalhando ainda hoje para a outrora todo-poderosa embora ainda influente Hearst News Service (seu fundador, William Randolph Hearst, foi o personagem que inspirou Orson Welles no filme Cidadão Kane). Thomas dera uma entrevista para um portal sionista de direita (de pouca envergadura, o RabbiLIVE.com - com chamada de capa) afirmando que os israelenses deveriam deixar a Palestina e voltar para casa. O tema gerou controvérsias e logo a veterana repórter, com quase cinco décadas à frente do Escritório Central da United Press International (UPI), teve que se retratar publicamente e cancelar compromissos e palestras em escola de segundo grau! (vejam o link no Washington Post).
Helen Thomas e quando se fala sem pensar o que nunca se deve dizer
A abordagem que tracei acima é quase consensual, seria algo de almanaque, bastando recordar cifras, datas e acontecimentos. Mas, de tão óbvio, não aparece (a não ser na chamada mídia alternativa) e quando ocorre na Mídia Corporativa (uma das modalidades de corporations), resulta em constrangimento e demissão. No filme Leões e Cordeiros (Lions for Lambs, dirigido por Robert Redford, 2007), a atriz Meryl Streep interpreta uma veterana jornalista que cansada das meias verdades e dos discursos de encomenda (matérias plantadas pelas infindáveis sub-comissões de defesa e inteligência do Congresso dos EUA), entra em crise e discute com o editor de um suposto jornal (seria o legendário Washington Post?; eu entendo que sim apesar de ainda ser seu leitor). O editor do veículo lhe diz com todas as letras que as questões de segurança nacional são irretocáveis e a reação de uma crítica sua seria absurda, desproporcional a capacidade da imprensa (como "4º Poder") defender-se. Por fim, lhe chama às contas com o próprio passado, e pede que reconsidere publicar ou rebelar-se contra as informações "exclusivas" que um jovem senador republicano (interpretado por Tom Cruise) a teria transmitido na base do fontismo (off the Record). Este personagem por sinal é um ex-operador de forças especiais dos EUA e está participando de operações secretas nas montanhas do Afeganistão, plantando comandos isolados, transitando por terreno inóspito e partindo de hipóteses de conflito absurda (uma possível aliança wahabita afegã com o governo integrista xiita do Irã!!!). Meryl Streep se cala, mas ao contrário dela, outra veterana repórter, não ficcional, mas real, existente. Helen Thomas, a mais antiga repórter na cobertura da Casa Branca, se afasta do trabalho por pressões do maior lobby do mundo.
O lobby a que me refiro é o conhecidíssimo AIPAC (American Israel Public Affairs Committee - Comitê de Relações Públicas Israelense-Americano). Este "partido" semi-formal, tem mais de 7000 funcionários a tempo completo, bancou (impôs) a indicação de Hillary Clinton para secretária de Estado (equivalente no Brasil a ministro das Relações Exteriores) e opera como braço semi-institucional da força política do sionismo de direita. Seu braço operacional mais midiático e agressivo é a ADL (Anti Defamation League - Liga Anti Defamação) tendo como um de seus alvos prediletos ao anarquista judeu (militante, lingüista e professor livre-docente do MIT) Noam Chomsky. Nesta semana o alvo conjunto foi outro, atingindo a lenda do jornalismo, por sinal de origem árabe-estadunidense.
Helen Thomas, 89 anos, é a decana do jornalismo político dos EUA, trabalhando ainda hoje para a outrora todo-poderosa embora ainda influente Hearst News Service (seu fundador, William Randolph Hearst, foi o personagem que inspirou Orson Welles no filme Cidadão Kane). Thomas dera uma entrevista para um portal sionista de direita (de pouca envergadura, o RabbiLIVE.com - com chamada de capa) afirmando que os israelenses deveriam deixar a Palestina e voltar para casa. O tema gerou controvérsias e logo a veterana repórter, com quase cinco décadas à frente do Escritório Central da United Press International (UPI), teve que se retratar publicamente e cancelar compromissos e palestras em escola de segundo grau! (vejam o link no Washington Post).
Vejamos o link do vídeo editorializado, postado no Youtube e reparemos com atenção na força da internet: 1.221.639 pessoas assistiram-no. A postagem no portal de audiovisual é do dia 03 de junho de 2010 (e eu o vi pela primeira vez na noite de 07 de junho, um dia antes de começar a fazer este texto), vindo a atingir uma escalada viral de absurdas proporções. O tempo de duração da gravação é de 1’03’’ (um minuto e três segundos) e este registro pleno de informalidade, mas contendo palavras contundentes e estúpidas de uma pessoa enraivecida, resulta no encerramento da carreira de quem acompanhara todas as administrações na Casa Branca desde a posse de John F. Kennedy em 1960.
A debandada para se desmarcar de Helen Thomas foi imediata. Ela perdeu o contrato (cancelado de forma unilateral) com o escritório de Assessoria de Imprensa que lhe prestava serviços (Nine Speakers) e comunica a sua aposentadoria antecipada - dado que a Hearst Corporation não vai arriscar, ou não deve arriscar seus contratos e anunciantes diante da pressão contra a sua estrela, autora de uma declaração anti-sionista. Segunda, dia 07 de junho, foi o fim da carreira profissional da mais antiga correspondente política na Casa Branca em atividade. Mas, o bombardeio continua (via Fox News e centenas de sites pró-republicanos, democratas conservadores, sionistas de direita e etc.).
O paradoxo geral é que no dia 05 de agosto de 2009, Barack Obama e Helen Thomas "comemoraram" juntos seu aniversário. Eis o vídeo. A repórter sempre foi tida como ousada e inconveniente (como, aliás, deveria ser todo jornalista). A vingança nessa área também foi imediata (veja o link no Democracy Now, partindo daqueles a quem essa senhora incomodou por anos a fio. Ari Fleischer, ex-secretário de Imprensa da Casa Branca durante o "magnífico" governo de George Bush Jr. recomendou que seu então empregador, Hearts Newspapers, executasse a sua demissão sumária. Já o ex-secretário da mesma função no governo de Bill Clinton, pediu a seus correligionários democratas que suspendessem as credenciais de Thomas na sede do Executivo do Império. Fim de história.
Apontando conclusões tenebrosas
O que espanta em todo esse imbróglio é a diferença e desproporção nas reações. O Estado de Israel mata a 9 (ou 19) homens, após entrar em luta corporal com eles Tomavam de assalto uma flotilha de seis navios de passageiros e carga, sem armas letais e em águas que não pertenciam ao seu país. Portanto, isso é crime de pirataria. Os assassinatos são ainda mais inexplicáveis. Não é crível que militares de forças especiais israelenses não saibam luta corpo a corpo, por mais que estejam desabituados a essa modalidade de combate. Se havia chance de ferir de forma não letal, não se usou essa capacidade, matando como exemplo. De fato, após os assassinatos, nenhum outro navio tentou furar o bloqueio, não passando até o presente momento de prudentes escaramuças sem risco de conflito. Esses são os fatos contundentes e irrefutáveis.
Já Helen Thomas, por mais capaz que seja, deveria ser condenada por suas palavras. Não creio que a mesma pense no que disse. O argumento chauvinista saído de bocas ilustradas, em geral, é fruto de ira somada com descontrole momentâneo. Não se pode querer mandar de volta as vítimas e descendentes do Holocausto. Ao mesmo tempo, não se pode perdoá-los por tudo o que fazem, alegando para o Ocidente terem esse direito porque os "árabes" querem atirá-los ao mar. A decana do jornalismo político estadunidense deu ainda mais munição para a direita sionista. Esse setor político israelense já tem armas de todos os tipos, de nucleares a midiáticas. É hoje a direita mais poderosa do mundo, considerando todas as suas versões: a direita chauvinista (do Likud, de seu racha de centro o Kadima, e os "falcões" da IDF vinculados ao Trabalhismo), integrista (com os ultra-ortodoxos do Shas) e supremacista (com o partido de Avigdor Lieberman, Israel Beitenu).
Não há argumento e ira no mundo que justifique qualquer comentário (por irônico que seja) relativizando o peso do Holocausto. Assim como não há nenhuma forma de desculpa para o Estado de Israel não se retirar completamente dos Territórios Ocupados em 1967, concedendo para o povo palestino a plenitude de sua auto-determinação política, jurídica, econômica, militar, de recursos naturais e de sua população. Enquanto isso não ocorrer, mais barcos navegarão para Gaza e comboios por terra desafiarão as fronteiras no deserto.
sábado, 12 de junho de 2010
QUAL A RAZÃO PORQUE O ESTADO SUSTENTA A IGREJA CATÓLICA?


Qual a razão para a existência de uma Universidade confessional, como instituição de ensino oficial?
O senhor, que aparece na imagem, chama-se Miguel Gouveia, é professor na Faculdade de Ciências Económicas e Empresariais da Universidade Católica, em Lisboa, e escreveu um artigo no Caderno Confidencial do passado sexta-feira, dia 11 de Junho, intitulado: "Acabem com o 14º mês na Função Pública".
E qual a razão de tão douta e sagrada sentença de um lente de Economia de uma éterea Universidade mas que é mundana, ligada precisamente às coisas terrenas, eu que pensava que o catolicismo era um assunto metafísico, ligado a uma não existência: "O Estado deveria reduzir as suas despesas, mas é raro ouvirem-se sugestões específicas de cortes. Eis uma: é necessário reduzir os salários dos funcionários, eliminando o 14 º mês permanentemente".
Pois, eu preconizo uma medida mais prática, efectiva e radical.
O Estado para reduzir despesas deveria ir sacar dinheiro à Igreja Católica, aos seus bancos, às suas empresas, aos seus investimentos, taxando tal como qualquer outra entidade, a começar pela sua Universidade Católica, que dá um lucro fabuloso. Se tal fizesse, certamente, as despesas públicas desciam drasticamente.
A religião é um assunto do foro privado e, por isso, não não deveria receber qualquer benefício material do Estado.
No caso em apreço, a Igreja Católica, que se arroga num Estado laico de ter direito a privilégios, não deveria receber subsídios estatais, nem as organizações que aquela controla deveriam ter qualquer apoio financeiro e monetário do Estado.
Ora, a UCP, que além de ser uma entidade que funciona, em primeiro lugar, como "missão da Igreja", não deveria ter um papel de instituição de ensino oficial que, na prática, exerce, ainda, por cima, com benesses dados pelo Estado, como isenção de impostos, contribuições ou taxas de Estado, embora funcione como qualquer empresa que arrecada lucros das propinas que faz pagar aos alunos.
Porque não deixar o Estado de pagar o salário a todo e qualquer hierarca religioso que, como tal, vive, inutilmente, à custa do erário público, como capelães militares, professores, administradores de empresas públicas, entre outros cargos estatais ou públicos?
O EURO NO CONFRONTO PRINCIPAL UE/EUA


O ataque ao euro mostra que o confronto UE/EUA vai dominar o futuro próximo mundialO ataque desenfreado ao euro, fruto da actual crise financeira e comercial mundial, veio colocar, novamente, na ordem do dia a importância da constituição da União Europeia.
Colocando numa outra preocupação, que irei tratar noutro artigo, o facto de os responsáveis da União Europeia, em particular dos integrantes da zona euro, terem agido irresponsavelmente, e tal facto não está isolado das relações privilegiadas que esses responsáveis mantêm com o mundo da agiotagem internacional, centrada nos Estados Unidos da América, o objectivo deste pequeno artigo está ligado, por um lado, à importância de não abandonar a tendência de unidade europeia, e por outro, que se conjuga com o anterior, com o processo de consciencialização crescente dos assalariados no sentido de uma mudança, e, até de uma ruptura política, no maior espaço de evolução produtiva no contexto internacional.
Que não existe em nenhuma outra parte do Mundo.
Temos de estar conscientes que o ataque concentrado dos centros especulativos financeiros internacionais, que se organizam, em grande medida, nos Estados Unidos, em torno de Wall Street, sob a batuta do maior lobby da agiotagem, que é o eixo judaico/confissões cristãs, que dominam, em grande medida, o poder económico, político e legislativo daquele país, visou, no imediato e em primeiro lugar, enfraquecer a consolidação da moeda única europeia (o euro), e, em segundo lugar, a própria estruturação da unidade política de Europa.
E o ataque ao euro não se está a fazer, apenas, porque ele estava a ser grandemente valorizado nas transacções cambiais mundiais, mas acima de tudo, na actual fase de actual feroz concorrência internacional, de rearranjos geo-estratégicos e de procura crescente de matérias-primas, pelo papel crescente que a moeda europeia começa a ter em todo o ciclo de referência de circulação de mercadorias e de trocas comerciais que se estão a intensificar em todo o globo.
Historicamente, o desenvolvimento político europeu – desde o declínio do mundo feudal – tem sido percorrido, ao longo de quase quatro séculos para um incremento no sentido da sua unidade.
No final da Idade Média, com a ascensão do Renascimento, surgiram as ideiais que levaram a criação das Nações, trucidando o particularismo do pequeno condado, dominado pelo titular feudal. É, precisamente, neste período que se iniciam as grandes alianças (a maior parte das vezes baseadas em financiamentos multinacionais) que vão levaram as Nações, primeiro, Portugal, depois Espanha, Holanda e Inglaterra, na sua busca de matérias-primas, em territórios extra-europeus, lançando as bases do comércio mundial.
Aparecem, assim, esboços de desejos das burguesias europeias de formarem grandes “espaços económicos”, sustentados em concentrações dinásticas, como Portugal e Espanha, depois a formulação do Sacro Império Alemão, mais tarde, já no século XVIII, com Napoleão, a tentativa de reconstituição imperial europeia sob os auspícios das ideias da Revolução francesa, que, na prática, como reacção à arrogância imperial napoleónica, levou às grandes revoluções liberais e trouxe o estigma do republicanismo em, praticamente, todo o continente europeu.
Os efeitos negativos de imposições brutais de “conquistas de territórios”, destroçando povos, que estiveram na base das I Grande Guerra e, de maneira mais evidente, II Grande Guerra lançaram, na Europa, até porque estava na ordem do dia, no final daquela, o rearranque económico depois da destruição maciça das unidades e das próprias forças produtivas.
No lado ocidental europeu, germinou a ideia da unidade económica capitalista liberal, sob a batuta da potência ascendente e poderosa industrialmente que eram os EUA, por um lado, para contrapor a um poder crescente de capitalismo de Estado, sob a lideração da ex-URSS, que era ganhadora directa e entusiasmante dessa segunda guerra, por outro, para interligar uma perspectica de um novo tipo de capitalismo, já alicerçado em ideais nascentes do chamado ressurgimento de uma nova ideia de capitalismo fomentar o incremento da destruida indústria dos principais Estados europeus continentais, e, nesse sentido, fazer avançar com mais celeridade a circulação de mercadorias.
Essa burguesia mais esclarecida europeia de então chegara à conclusão que era por esta via que se poderia fomentar o seu poder sócio-político, não só face, ao poder de Leste, mas, a prazo, igualmente, no relacionamento mais autonomizado com os Estados Unidos.
Ora, essa primeira Comunidade do Carvão e do Aço, em termos económicos, trouxe uma revolução de envergadura na História mais recente dos povos, não só porque, por razões várias, despoletou condições históricas de um desenvolvimento acelerado económico, mas igualmente, porque forçou a uma evolução em ascenso das forças produtivas sociais.
E, se se deu uma força acrescida à burguesia europeia no cenário mundial, fez também, mais do que em outra parte do globo crescer e enquadrar a organização mais consciente dos assalariados, como um bloco, forçando no espaço de cerca de 30 anos, a criação dos mais avançados direitos sociais daqueles.
E, levando igualmente, à consciencialização crescente dos seus sectores mais avançados, claro que ainda sem uma noção enraizada de uma alternativa política, de que estão a adquirir um espaço crescente, em unidade, dentro dessa nova sociedade, desde sindical a política e mesmo partidária.
Tendo todos estes dados em atenção, a questão europeia, na minha opinião, não se pode ser discutida apenas em torno de um mero negativismo do ponto de vista institucional.
Na realidade, há erros grosseiros no domínio das liberdades, da institucionalização da democracia, na sua organização económica.
Certo, tudo é verdade, como são graves as políticas de apoio directo à especulação financeira e à agiotagem económica e social, mas a clarividência política dos sectores mais conscientes, deve concentrar-se no que é essencial para o futuro.
A União Europeia agigantou-se nos últimos 20 anos, mas particularmente nos últimos 10.
Adquiriu uma importância enorme na Europa, mas essencialmente no Mundo, o incremento do seu mercado (interno) e a constituição da sua moeda (o euro).
A sua estrutura produtiva concentrou-se. Uma certa harmonia no desenvolvimento económico, sem a necessidade de utilizar a violência, está a servir de modelo para tudo o que esta em crescimento ao redor e na dependência dos EUA. E não só.
A União Europeia começou a ter um papel acrescido em todo o enquadramento do comércio internacional.
Na presente crise internacional, os seus representantes políticos portaram-se mal. Hesitaram.
Mas, isso também sucedeu não só porque se assistiu um ataque sem precedentes do seu principal concorrente, os EUA, mas, porque, os dóceis dirigentes da UE estão com receio que uma onde crescente de reivindicações e luta dos assalariados e outros sectores sociais prejudicados pela crise irrompam na cena europeia e os coloquem entre a espada e a parede.
E daí a sua cobardia, que é calculada, em enfrentarem a centro da especulação financeira do outro lado.
Se em termos concorrenciais, há uma luta de vida ou de morte; em termos, de despertar de uma nova consciência dos explorados leva-os a contemporizar com os mesmos, porque podem, a médio prazo, de necessitar deles.
Além do mais, a UE, como organização política está incompleta, o que lhe limita a capacidade de impor a sua própria e única diplomacia.
Pode ser que aqui, face ao ataque aos direitos sociais e políticos dos assalariados, se abra uma brecha para, num futuro possivelmente não muito longínquo, novos passos sejam dados em condições mais vantajosas para quem começa a avançar para as ruas com o espectro de um fantasma.
quarta-feira, 9 de junho de 2010
ELEIÇÕES PRESIDENCIAIS: HAVERÁ POSSIBILIDADE DE MUDANÇA?

Uma sintonia perfeita de poderes a favor de uma minoria


Irá haver mudanças na vida política e social com os resultados das próximas eleições presidenciais?
Eu penso que sim, mas, somente, se o resultado eleitoral do candidato vencedor colocar em causa o domínio, hoje absoluto, do poder da especulação financeira.
Ate agora a conjugação dos três diferentes poderes - o presidencial, o executivo e o legislativo -, dentro do actual regime, leva-os a serem o suporte de uma única estrutura societária dominante e avassaladora: o domínio dos banqueiros, dos especuladores financeiros e bolsistas, dos senhores das grandes empresas de monopólio ou oligopólio, tais como as telecomunicações, as redes de distruição alimentar, de explorações poderosas da construção civil e de explorações/transformações florestais, que na maior parte das vezes se entrecuzam com os interesses bancários e bolsistas.
Com a formação do primeiro executivo de Sócrates e a ascensão de Cavaco Silva à Presidência da República, esse domínio, que se iniciara nos finais dos anos 70, com a chamada reestruturação bancária, a partir dos primeiro-governo do PS, liderado por Mário Soares, atingiu o seu climax: os banqueiros tiveram o desplante de vir para a praça pública e afirmar, arrogamente, que eles eram o motor de toda a sociedade.
E, a melhor argumentação para cimentar esta constatação é verificar, pois, quais são as recentes medidas aprovadas na Assembleia da República para "combater a crise" e quais os verdadeiros lesados: impostos e limitações salariais e de pensões para os mais desfavorecidos, mãos largas para os imensos lucros dos capitalistas e dos seus homens de mão nas empresas.
E que permitiu tal desequilíbrio, ou quem permitiu que tivesse aplicação prática: o "arco legislativo" que sustenta a gestão governamental (PS e PSD), o próprio governo de Sócrates e a tutelagem institucional do Chefe de Estado.
Com esta "cabeça de regime" (embora aparentemente tricéfala) temos, na prática, o domínio absoluto do grande capital no seu esplendor.
Ora, foi esse sector do capital financeiro especulador - e com o apoio directo ou interessado nos seus negócios, os empresários atrás citados, porque interligados nos conselhos de administração, no regime de sociedades, ou até no investimento dirigido - que fomentou e fez medrar a actual crescente dívida pública, desde os idos finais dos anos 80 (onde pontificava no governo Cavaco Silva e era Presidente da República Mário Soares).
Foi, portanto, com esse domínio especulativo que se incrementaram os gastos públicos: obras faraónicas sem planeamento, concursos públicos controlados e sempre derrapantes, contratos de fornecimentos de muitos milhões esburacados à queima-roupa e na impunidade por burlas, vigarices, subornos, agiotagens monumentais. E tudo isto foi, meticulosamente, administrado pelos governos PS ou PSD ou em coligação, que se alernavam, justificado, depois, por actos legislativos sinistros que os mesmos senhores aprovavam com a maiores das desfaçatez. Promulgados pelos Chefes de Estado ate aos dias de hoje.
E, durante estes quase 30 anos, sempre a assanharem-se contra os aumentos de salários, restringiram as pensões, impuseram impostos restritivos apenas para um lado, o do salariato.
Nunca, mas nunca, esses senhores do "arco do poder" procuraram fazer pagar uma parte importante dos gastos públicos as esses sectores da banca, da especulação bolsista e financeira.
(Na realidade, legalizaram off-shores, fecharam os olhos a supervisões de especulações bancárias e bolsistas, favoreceram movimentações de dinheiro público em situações de risco e obscuridade, na maior das impunidades, entre outras malfeitorias)
Na realidade, o incremento das despesas públicas era a sua maior e mais "produtiva" fonte desse rendimento. Cada dificuldade com a dívida pública, proporcionava-lhe a possibilidade de novos empréstimos. E estes empréstimos iam, precisamente, para novas operações de burla, de agiotagem, de favorecimentos pessoais e comerciais específicos dentro de um círculo determinado.
Nesta quadratura, não havia canalização de capitais para investimentos produtivos, para incremento de sectores industriais e pós-industriais que levantassem uma melhoria real da sociedade e dos assalariados.
Levaram, na realidade, e viu-se com a actual crise, o país quase à bancarrota. Mas, apesar desta evidência, o "arco do poder" tudo faz e tudo fez para manter as alavancas do seu domínio, da exploração da riqueza nacional de Portugal.
Ora, até agora, nos candidatos e pré-candidatos à Presidência da República ainda não descortinei um programa ou um esboço de projecto que aponte para uma modificação real (e digo real) destes estado de coisas.
Claro não podemos deixar de afirmar que existe na sociedade um conflito latente, que pressupõe um desejo de mudança, mas se não houver uma orientação para romper com o actual "status quo", se essa orientação não for debatida e apresentada com clareza, não havera alternativa, e, se os candidatos em presença não apontarem para uma nova solução, quem sairão debilitados serão aqueles que sustentam que se pode introduzir "uma nova política", mas não passam disto.
Esta não surge do céu, ou tem um programa, uma alternativa de poder, ou continuaremos na comédia/tragédia actual.
Aprofundarei mais tarde o assunto.
terça-feira, 8 de junho de 2010
PENSÕES DE REFORMA: OS VAMPIROS ESTÃO AÍ


Eles têm reformas de luxo, mas têm direito a elas, porque trabalharam no duro. E continuam a trabalhar... e a arrecadar. Pobrezinhos!Os agiotas da Comissão Europeia, onde pontifica um senhor chamado Durão Barroso, que foi primeiro-ministro de Portugal, estão a emitir orientações (melhor dizendo directivas) para os seus pares dos governos-membros, sustentando que se preparem para “sacar” mais dinheiro dos pensionistas dos respectivos países.
Para que conste, o burocrata da Comissão, que preconizou tal, chama-se Olli Rehn, e é o comissário europeu dos Assuntos Económicos e Monetários. Não é, pois, um paspalho qualquer.
Ele afirmou-o com todas as letras, embora, agora, haja muita gente a fazer ruído para dizer que não é bem assim.
Significa isto, em termos práticos, que os representantes dos especuladores e agiotas financeiros europeus estão dispostos nos próximos anos a admitir que vai existir um novo aumento do défice público, que, para servir a sede de enriquecimento da grande burguesia financeira especuladora, colocam já em marcha uma plano de novo roubo descarado dos “descamisados”.
Naturalmente, o PSD cá em Portugal já definiu essa posição. O PS argumenta, em abstracto, para se defender nesta fase, fará a mesma coisa, mas só em absoluta necessidade.
Falemos então de pensões de reforma.
Elas foram instituídas para servirem de apoio aos assalariados, aos produtores, que, a troco de um desconto do seu salário, ao longo de uma vida comprida de trabalho estipulada legalmente, receberiam uma subvenção vitalícia, após cessação do vínculo ao local de trabalho, que, em princípio, é apenas uma.
Claro que este enquadramento foi, de imediato, deturpado, pois os serventuários do poder político e económico, incluindo os patrões e os seus representantes directos, os administradores e similares, instituíram sistemas de benefícios próprios à custa da segurança social geral.
Ou seja, recebem pensões por meia dúzia de anos ao serviço de uma instituição política ou económica, estatal ou para-estatal, acumulando com salários astronómicos em actividades privadas ou públicas, onde nem sequer deveriam estar.
Há dois anos, cerca de quatro mil destes beneficiários de bens dos outros sacavam mais de 200 milhões de euros só da Caixa Geral de Aposentações.
E este regabofe, este roubo dos descontos de quem trabalhou no duro, tem de ser denunciado com os seus nomes, pois eles são parte integrante consciente do descalabro que existe nas despesas públicas.
Eles são, juntamente, com os especuladores financeiros – de que aliás são, na realidade, acólitos, cúmplices ou serventuários – os vampiros que sugam o erário público.
O rol é imenso. Todavia, estes nomes são citados, porque, frequentemente, são eles os propagandistas oficiais ou oficiosos dos planos de limitações dos cortes nos salários e nas pensões de quem trabalha.
Comecemos por Eduardo Catroga, ex-ministro das Finanças de Cavaco Silva, recebe uma pensão da Caixa Geral de Aposentações de cerca de 10 mil euros mensais. Pois, apesar deste valor que recebe por ter sido, essencialmente, um burocrata económico-político, continua a acrescentar um salário como professor catedrático de uma Universidade pública, o ISEF, além dos ordenados como administrador em várias empresas privadas.
Em 2004, o ex-ministro Mira Amaral decide pedir a reforma da CGA, numa quarta-feira e no dia seguinte já tem um despacho assinado para receber uma pensão de 18.156 euros. Era administrador, há três/quatro anos, da Caixa Geral de Depósitos. Continuou (e continua) a receber rendimentos como administrador de várias empresas privadas.
Um caso ainda mais paradigmático, o de José Silva Lopes. Foi ministro das Finanças de vários governos, desde o tempo de Vasco Gonçalves e depois de Mário Soares. Esteve sempre na crista da onda: à esquerda e a direita. Que já vem do tempo de Marcelo Caetano. Nos tempos mais recentes, tem sido um dos principais arautos dos cortes salariais e das reduções de pensões.
Foi administrador da CDG entre 1969 e 1974. Governador do Banco de Portugal entre 1975 e 1980. Desde Janeiro de 2004, Presidente do Conselho de Administração do Montepio Geral, onde recebia por ano um ordenado de 400 mil euros, fora as representações e outras prebendas. Saiu, penso que em 2008, de PCA do Montepio, escrevendo aos seus colaboradores, sublinhando que o fazia aos 74 anos, porque a idade já não lhe permitia suportar tais responsabilidades.
CLARO, FICOU COM VÁRIAS REFORMAS.
Pois, logo em 2008, foi nomeado administrador da EDP renováveis, acumulando, certamente, um ordenado idêntico ao anterior. Pelo menos. Sem qualquer pudor.
O rol pode ser engrossado pelo actual Chefe de Estado que, alem de duas reformas, ainda recebe o salário de Presidente da República. Ele que é o porta-voz oficial do controlo da despesa pública…
Também se pode juntar o do candidato Manuel Alegre, embora eu não saiba quanto recebe de uma pensão da RDP, onde, praticamente, nunca foi trabalhador.
Mas, pode juntar-se o caso do actual Secretário de Estado da Protecção Civil, Vasco Franco, que se reformou aos 50 anos, com várias pensões. Ou Alberto João Jardim, que entre sálarios do cargo que exerce (Presidente do Governo Regional da Madeira) e uma reforma da função pública mete no bolso qualquer coisa com 143 mil euros.
Isto é escandaloso? Claro que é. É inadmissível, porque foram eles que engendraram esta quadratura do círculo.
E torna-se mais gritante e revoltante, porque, atendendo aos dados de 2005, cerca de 85% dos reformados recebiam pensões inferiores a um salário mínimo nacional. E aqueles senhores e outros sempre se opuseram ao aumento de pensões mais carenciadas.
Então, porque existem problemas com os Orçamentos da Segurança Social, se, pelo menos, nos anos entre 2005 e 2007, aquela teve saldos consecutivamente positivos?
Cito, para o efeito os dados de um economista Eugénio Rosa (2005: 321,9 milhões de euros; 2006: 1.077 milhões de euros; 2007-1ºTrimestre: 413,2 milhões de euros) “apesar de estar a sofrer um forte impacto negativo resultante da grave crise económica e social que o País enfrenta (entre 2001 e 2005, as despesas com o subsídio do desemprego aumentaram 107%, quando nos 5 anos anteriores – 1996/2000 – tinham subido apenas 15%; também entre 2001 e 2005, as contribuições recebidas pela Segurança Social cresceram apenas 12,4%, quando nos 5 anos anteriores – 1996/2000 – tinham aumentado 43,7%)”.
E respondo, porque os dinheiros da Segurança Social foram desviados, por um lado, para serem injectados em investimentos capitalistas, por outro, para apoios mais que obscuros em ditas reestruturações e ajudas a empresas, cujos resultados nunca foram tornados públicos. Serviram para beneficiar grupos sociais muitos restritos, como o futebol e até religiosos, bem como empregues em obscuras, e sem resultados práticos, políticas geradoras de emprego.
E poder-se-ia somar uma lista ainda maior de outras iniquidades.
Que tudo isto sirva de alerta. Pois, os sugadores da riqueza nacional dos países da União Europeia, incluindo Portugal, andam aí. E eu sou, também, pensionista.
Que tudo isto sirva de alerta. Pois, os sugadores da riqueza nacional dos países da União Europeia, incluindo Portugal, andam aí. E eu sou, também, pensionista.
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