domingo, 11 de julho de 2010

EUA/RÙSSIA: QUEM ACREDITAM EM ESPIÔES QUE NÂO O SÃO?












Que caso estranho de espiões que não são espiões!!!











Os grandes meios de comunicação norte-americanos, fielmente seguidos depois por toda a imprensa ocidental, deu, há dias destaque de um anúncio do Departamento de Justiça dos Estados Unidos da América, de 10 (ou 11) cidadãos, aparentemente russos, que espiavam, há mais de 10, para a sua Pátria de naturalidade.
Num espaço de uma semana, esses espiões, apresentados como "membros dos serviços secretos" russos, foram trocados, num ápice, por três "importantes cientistas" da Rússia, presos há anos, por trabalharem para os EUA e...curiosidade das curiosidades, para o Reino Unido. Ora, um destes, no processo de troca, teria mesmo ido residir para Inglaterra.
Segundo o Departamento de Justiça, os espiões não eram bem "espiões", porque não estavam acreditados como tais, nem, ao longo deste anos, fizeram algo que pusesse em causa a segurança dos Estados Unidos.
O que intriga toda esta trama é que o FBI (ou a CIA) estava, há precisamente, 10 anos em cima do acontecimento e, de repente, decidiu actuar, porque os alegados espiões poderiam fugir.
O que - segundo o relato descuidado das autoridades - um até conseguiu fugir. Foi para o Chipre. Foi preso, mas as autoridades colocaram-no em liberdade, após um pagamento de uma caução vulgar. E desapareceu, apesar de constar, como altamente, perigoso, nos ficheiros da INTERPOL. Coisa, aliás, de pouca monta....
O que intriga em todo o relato é que "espiões russos" - logo formados em escolas especializadas - actuassem, duarnte 10 anos nos EUA, com a finalidade de se "infiltrarem na alta sociedade" e "nos serviços secretos" e não tivessem conseguido nada, mesmo nada, de relevante ao serviço de espionagem, quando sabemos que, em casos idênticos, os russos fizeram "infiltrações" profundas no interior das estruturas mais secretas e classificadas, simplesmente comprando pessoas, naturais norte-americanos, que ali trabalhavam.

E cito apenas dois casos recentes, pelas suas repercussões:
O de Aldrich Ames, um funcionário da contra-espionagem da CIA, que se vendeu aos russos, e forneceu a Moscovo, de 1985 a 1994, o nome de dezenas de agentes soviéticos que passavam informações para os EUA. Pelo menos dez deles teriam sido executados. Cumpre prisão perpétua na Pensilvânia.
E o de Robert Hanssen. Foi preso em 2001. Era agente do FBI e deu informações importante aos serviços secretos russos duarnte 22 anos. Cumpre prisão perpétua na Virgínia

Algo está mal contado. Até porque uma das alegadas espiãs faziam questão, há muito, de se considerar russa e actuar como tal. Mas, foi aceite, muito naturalmente nos EUA, como residente.
Mas isso é para uma investigação mais atenta.
A questão agora é política.
A realidade é que os EUA e a Rússia, ambos a baterem no peito glorificando eventuais amizades e parcerias, estão, na realidade, numa feroz concorrência para se colocarem na vanguarda do domínio imperial, e, principalmente, pelo controlo do sistema financeiro internacional.
Há dois anos/três anos, esteve na berra o chamado caso "Litwinenko".
E isto porque Alexander Litwinenko, um obscuro espião russo, a residir, em exílio(?) no Reino Unido, veio a morrer, aparentemente, por enevenamento. Foi um caso mediático, grave e criminoso.
Na altura, o Reino Unidos (e os EUA) fizeram um escarcéu dos demónios e acusaram o então Presidente da Rússia Vladmir Putin, que tentou por todos os meios afastar-se do centro do furação.
Hoje, o caso grave do assassinato de Litwinwenko desapareceu de cena.
Mas, actualmente, sabe-se que Litwinenko não estaria, como peão, a leste dos jogos de controlo do capital financeiro especulativo e das ligações obscuras dos magnates, muitos deles que trabalharam para o KGB, aos negócios mafiosos com o Ocidente.

quinta-feira, 8 de julho de 2010

BP: COMO SE DOMINA A RIQUEZA DO PETRÓLEO
















BP: uma ave de rapina das riquezas nacionais do petróleo





A BP - British Petroleum - adquiriu, nos últimos meses, uma projecção mundial, porque, ao proceder, sem os devidos controlos e procedimentos de segurança, à extracção de crude no golfo do México, sob a aparente autoridade da Administração norte-americana, provocou uma explosão numa sua plataforma, que levou um descontrolado derrame petrolífero, que atingiu, praticamente, todas as costas norte-americanas de região.

Convem referir que no golfo do México estão instaladas 4.000 plataformas ligadas, essencialmente, aos grandes grupos petrolíferos internacionais.

Mas, a BP, embora, teoricamente, seja britânica, é uma multinacional gigantesca, que se entrosa em todos os grandes interesses financeiros especulativos mundiais, onde predominam capitais ligados, desde a interesses norte-americanos, aos financeiros judeus (dentro e fora do país) e ao Vaticano.
Não é por acaso que um dos seus accionistas é um empresa de fundos especulativos de pensões, aparentemente, sedeada em Singapura, que se chama Government of Singapore Investments Corp (GIC).
A BP não é apenas uma grande empresa, é uma corporação capitalista, com um passado criminoso e de agiotagem.
Curiosamente, a BP surge ligada a toda a turbulência no Médio-Oriente, praticamente, desde a sua criação. E, de maneira particular, nos últimos 60 anos, a toda a destabilização produzida na Pérsia, hoje Irão. Pode referir-se mesmo, que a empresa nasceu naquele país. Chamou-se então Anglo-Iranian.

Os primórdios têm de ser buscados aos interesses imperiais europeus, e neste caso, britânicos, quando, após a Conferência de Berlim, mandataram aventureios, através de Sociedades de Geografia, para "investigarem" os potenciais interesses "civilizadores" do Grande Médio-Oriente, África e Àsia.
Foi na sequência desta orientação que um aventureio de nome Willian Knoz D`Arcy, no princípio do século XX, veio a infiltrar-se na corte do Xá da Pérsia, "comprando-o" com uma generosa oferta para fazer pesquisa de minerais no território.
Claro que o aventureiro não "civilizou" a Pérsia, pois nem sequer uma estrada construiu, como prometera, mas arriscou na pesquisa de crude. Esteve para abandonar o projecto, até que já no final da década primeira do século passado, no sudeste persa, encontrou um poço. Foi, digamos assim , a primiera grande descoberta de crude no Médio-Oriente.
Com esta descoberta, os apetites imperiais britânicos, mas não só, das restantes potências europeias, nomeadamente a Alemanha, aguçaram-se na região.
Mas, claro era a bafienta Albion que ditava o poder, e, nos seus departamentos financeiros e militares começaram a esboçar-se os traços de fronteira em toda a região, para servir, dividindo, os seus interesses.
Um pequeno pormenor para apimentar. O que foi mais tarde primeiro-ministro inglês Winston Churchill veio dar uma mão à projecção da empresa nascente, pois como Lorde do Almirantado fez uma parceria - onde o dinheiro por fora não esteve ausente -para abastecimento da Armada imperial. Ora, estávamos em guerra (1914-18). Com o interesse estratégico, o governo inglês tornou-se o principal accionista da multinacional.
Com facto do petróleo se tornar importante fonte de energia, os britânicos, logo após a I Grande Guerra, empenharam com armas, diplomacia e serviços secretos na região, minando o poder turco (Império Otomano) e dando azo às ideiais independentistas dos sultões locais. Mas, colocando-lhe sempre a rédea curta. Até que eles perceberam que estavam a ser enganados e tinham a arma económica do petróleo nas suas mãos, se o quisessem.
As outras multacionais ocidentais do petróleo começaram, então, a dividir os lucros.
Foi a então Pérsia, a que levou, numa primeira ocasião, a sua pretensão de controlar a sua riqueza nacional.
A BP controlava nos anos 50 o Xá da Pérsia, mas os tecnocrats e letrados emergentes, que se organizaram em torno de um candidato a primeiro-ministro, que o veio a ser, de nome Mohamed Mossadegh, após ganharem eleições parlamentares, nacionalizaram o petróleo.
Aí, levantaram-se as augustas democracia ocidentais. Crime de lesa-majestade. Nacionalizar os interesses capitalistas, ainda por cima em zonas de "interesses estratégicos nacionais" era um crime inimaginável.
A Inglaterra e os Estados Unidos da América juntaram-se, com especial relevância para CIA, e elaboraram um golpe de Estado, com o apoio do Xá Reza Pallevi, e derrubaram o governo de Mossadegh. As petrolíferas pagaram esse esforço e a BP ficou a controlar, novamente, a riqueza do país.
Claro que este serviço levou à repartição dos interesses. Os associados da BP, as chamadas "cinco irmãs" dos EUA, ficaram com cerca de 40 por cento do crude iraniano.

Até à Revolução do Irão de 1976, que veio meses depois a dar o poder ao "mullás" nacionalistas, organizados em torno do aitolá Khomeini.

A LIBERDADE DE IMPRENSA DO LOBBY JUDEU NORTE-AMERICANO....
















O texto, retirado do jornal Público, provem dos EUA e merece quase um parágrafo, mas é grave, gravíssimo. É um crime horrendo de liberdade de imprensa na democracia do democrata Obama.
Convém referir, assinalar e denunciar que a CNN é um órgão de informação controlado pela alra finança organizada em torno do lobby judeu norte-americano (AIPAC).
Para que conste. Espero, se houver algum jornalista profissional digno, que obrigue o seu director a protestar contra este estado de coisas. Para já aqui fica o registo.

Eis o texto, com o respectivo título:

Redactora-chefe da CNN despedida por comentário no Twitter
Publicado, no jornal O Público, em 08 de Julho de 2010 Actualizado há 3 horas

Num comentário no Twitter, Octavia Nasr, que trabalhou para a CNN durante 20 anos, disse que respeitava Mohammed Hussein Fadlallah, um clérigo libanês mentor do Hezbollah, e foi despedida como consequência disso. Fadlallah morreu no domingo em Beirut e foi qualificado como terrorista pelos Estados Unidos da América.

A CNN lamentou o sucedido pedindo publicamente desculpas por qualquer ofensa que poderia ter causado e garantiu que o comentário não era consistente com os critérios editoriais do canal. A redactora-chefe terá portanto passado os limites num “erro de critério”, que a CNN prometeu resolver de modo correspondente.

Nasr contestou a polémica numa entrada num dos blogues da CNN: “A reacção ao meu “tweet” foi imediata, esmagadora e uma boa lição de que 140 caracteres [limite máximo por cada entrada no Twitter] não devem ser usados para comentar temas controversos ou delicados, especialmente os que tenham a ver com o Médio Oriente. Foi um erro de juízo escrever um comentário tão simplista e sinto muito que se tenha transmitido a ideia de que apoiava o trabalho em vida de Fadlallah. Não é o caso, absolutamente.”

terça-feira, 6 de julho de 2010

A CENSURA NOS EUA E OS VENTOS DE GUERRA



















Todo o golfo Pérsico e todo o golfo de Omão pode ficar em chamas.






Por detrás de uma cortina de silêncio, os Estados Unidos da América tem reforçado a sua capacidade bélica na zona do golfo Pérsico. Navios norte-americanos, que enquadravam um porta-aviões nuclear, acompanhado de embarcações israelitas, navegam desde o Mediterrâneo para aquela região, com travessia pelo Mar Vermelho.
Cuisosamente, os grandes meios de comunicação, desde a CNN à cadeia de televisão FOX nada noticiam desta perigosa movimentação.
Nem noticiam o que se está a acontecer na zona do golfo do México, onde está a desenrolar uma catástrofe ambiental de efeitos imprevisível não só para as zonas ribeirinhas dos Estados federais que bordejam aquele mar interior, nem, provavelmente, de maior envergadura o que está a atingir o Oceano Atlântico.
O que é de denunciar e destacar nestas duas formas de censura é que ela está a ser planeada e organizada pela própria Administração norte-americana e por toda a imprensa nacional, que tem as maiores ligações aos grupos económicos que dominam o sector petrolífero, sector este em parceria com o ´sistiema financeiro do país. As autoridades policiais chegam a entregar os fotógrafos e jornalistas independentes à própria...segurança da BP, a empresa que cometeu todo este crime ambiental.
Isto é, portanto, um alerta. E o alerta serve para descrever um processo apelidado de democrático de asfixia fascizante daquele país, e por tabela, por servilismo, dos grandes meios de comunicação mundiais, incluindo os portugueses.
Mas voltemos ao grande Médio-Oriente, até porque em alguns dos países que o enquadram estão tropas portuguesas. Que ninguém minimamente inteligente sabe da real razão de lá estarem, a não ser para prestar vassalagem ao papel imperial dos EUA. E, digamo-lo, com toda precisão, esses soldados apenas lá se encontram por mero acto de ganhar mais uns tostões, ou seja, puro mercenarismo.
Concentremo-nos então no Afeganistão. Invadiram-no - e digo invadiram-no e não foram só os EUA, foram todos os países ligados à NATO, fazendo-o com maior ou menor aparato militar - para quê? Para acabar com o terrorismo. E como o fizeram? Utilizando o mais feroz terrorismo de Estado, destruindo, pura e simplesmente, um país.
Sejamos justos e certeiros, desde 2001, não puseram de pé nada que se assemelhe a Estado democrático, não fomentaram a econonia nacional afegã. Estão lá simplesmente como ocupantes e gastadores de dinheiro e fomentadores de corridas ao armamento.
Estamos a ser injustos? Não, quem faz a denúncia da agiotagem, do nepotismo, das atrocidades, são os próprios parlamentares dos EUA.
Cito da imprensa de ontem:
"Pelo menos 4,2 bilhões de dólares em espécie foram retirados do Afeganistão pelo aeroporto de Cabul nos últimos três anos e meio, informa a imprensa britânica, o que provoca novas preocupações sobre a corrupção em consequência da guerra no Afeganistão".

"Uma congressista americana bloqueou, na semana passada, bilhões de dólares em ajuda ao Afeganistão depois de ter acesso a um relatório que demonstrou que três bilhões de dólares deixaram o país em três anos".

"Uma reportagem publicada nesta terça-feira pelo jornal britânico The Times informa, no entanto, uma quantia ainda maior, com base em uma carta enviada pelo ministro das Finanças afegão, Omar Zakhilwal, à representante americana Nita Lowey, que pediu a suspensão da ajuda".

"A nossa contabilidade indica que 4,2 bilhões de dólares foram transferidos através do Aeroporto Internacional de Cabul, apenas nos últimos três anos e meio", escreveu Zakhilwal.

"A quantia pode ser inclusive maior", acrescenta a carta.

"No texto, com data de 30 de junho, dois dias depois da indignada Nita Lowey ter bloqueado a ajuda, o ministro das Finanças afegão também pediu a cooperação do governo dos Estados Unidos para determinar a origem do dinheiro".
O caricato: o ministro, que denuncia a fuga do dinheiro público, essencialmente, dos contrinuintes dos dadores, não sabe a sua origem.
Eu respondo: somente com a permissão das autoridades afegãs e do ISAF é que poderia ser feita esta transferência. Ou seja, os fomentadores da ocupação roubam os seus próprios contribuintes.
E claro os soldados, desanimados, que ficam a conhecer toda esta agiotagem organizada, morrem que nem tordos. A população está contra eles, não os apoiará, nem eles se sentem, com qualquer determinação, de prosseguirem uma guerra que só serve para encher os bolsos de uns quantos.

E agora a realidade: A força internacional da Otan anunciou, ontem, a morte de três soldados na segunda-feira no Afeganistão, o que eleva para 334 o número de militares estrangeiros mortos no país em 2010, ano este que deve ser o ano mais letal em quase nove anos de guerra.

O que quase não é noticiado é que já estão no Afeganistão perto de 130 mil soldados do ISAF (mais 100 mil "assessores" civis) e, se não houver uma derrota militar ou um levantamento das tropas, os agiotas e seus representantes políticos e castrenses, não abandonarão uma "causa" que é um "maná" de encher os bolsos.
Mas, os EUA sabem, também, que estão com as calças na mão.
Há nove anos, dispararam centenas de mísseis sobre o Afeganistão, mataram milhares de pessoas, abominaram o regime dos talibãs, chamando-lhe tudo o que de pior pode haver no Mundo.
Agora, já estão a dar a volta ao texto.

Cito a imprensa, em letras muito pequenas:

"O representante da Casa Branca para o Afeganistão e Paquistão, Richard Holbrooke, terá uma missão bastante delicada e incompreensível nesta terça-feira , dia 6 de Julho, na sede da ONU (Organização das Nações Unidas) em Nova York.
"O diplomata dos Estados Unidos reuniu-se com funcionários afegãos para pedir à instituição que retire de sua lista de terroristas vários membros moderados do grupo fundamentalista".
O que é isto? Quem são os moderados na organização talibã, se esta está na mó de cima, com as armas na mão a fazer mossa e da grande nos contigentes da NATO?

Voltemo-nos para outro país do Médio-Oriente que foi diabolizado pelos Estados Unidos da América, o Iraque.
O actual Presidente, o democrata Barack Obama, afirmava que Agosto o grosso do contigente dos EUA estaria de saída, porque o país estaria pacificado nessa altura.
Mentira. Continuam as operações militares e os EUA ainda têm no terreno cerca de 140 mil soldados (e mais 120 mil "assessores" civis) e os chefes militares sustentam que no mês de Agosto não se poderá efectuar a redução para 50 mil, porque a guerra com o terrorismo continua.
Até porque não existe, há mais de seis meses, qualquer tipo, ainda que fantoche, de governo no Iraque.
Houve eleições, que os próprios candidatos pró-americanos afirmam ter sido fraudulentas. Já enviaram o vice-Presidente Joe Biden em missões de "aconselhamento" aos "representantes" escolhidos por Washington para serem o futuro governo, mas estes não se entendem, porque querem participar, com mais lucro, na divisão da venda do petróleo.
Então, os "crânios" da estratégia política começam a ver que as coisas estão mal.
Começam a colocar de fora os generais que montaram a "pacificação" do país.
Assim, e cito novamente a imprensa. Novamente em notícia muito curta.
"O general Ray Odierno, comandante das forças norte-americanas no Iraque, deixará o cargo no Outono, depois de ter desempenhado um papel central neste conflito, para ocupar novas funções, anunciou na segunda feira um porta voz do Pentágono".

Continuamos no Médio-Oriente e chegamos ao Irão.
Aqui a pora torce o rabo, pois este país está a tornar-se cada vez mais influente nas decisões políticas e económicas da região, porque não depende dos EUA. Pelo contrário, embora emergente, está a tornar-se concorrente e, acima de tudo, modelo de que se pode fazer frente ao poder imperial, mesmo com forças ainda inferiores.
Perdendo força noutras zonas, sabendo que uma potência regional está a ganhar peso, os magnates de Washington começam a preparar a população, provavelmente, para mais uma aventura, atravês da sua imprensa.

E cito:

"A ameaça calamitosa do Irão é largamente reconhecida como a crise política mais séria da administração Obama.
"O Congresso dos EUA acaba de ratificar as sanções contra o Irão, com medidas ainda mais severas contra as empresas do país.
"A administração Obama tem expandido rapidamente a sua capacidade ofensiva na ilha de Diego Garcia, território da Grã Bretanha, que expulsou a população do local para que os EUA pudessem erguer a grande base militar que usa para atacar o Oriente Médio e a Ásia Central.
"A Marinha informa que foi determinado que fosse enviado para a ilha um submarino equipado com mísseis teleguiados de potência nuclear e com mísseis Tomahawk, os quais podem carregar ogivasa. Cada um desses submarinos é referenciado como tendo poder de fogo de uma esquadra de guerra".

Ainda a propósito, desta ocupação da base de Diego Garcia, um outro jornal explica:

"De acordo com um documento descritivo de carga obtido pelo Sunday Herald (Glasgow), o equipamento militar que Obama despachou inclui 387 “bunker busters” [bombas destruidoras de bunkers] usadas para atacar estruturas subterrâneas fortificadas.
"Os preparativos para esses *ataques maciços de bunker busters*, as mais poderosas bombas no pequeno arsenal de armas nucleares, foram iniciados na administração Bush, mas, durante um período, ficaram adormecidos. Ao tomar posse, Obama, imediatamente, acelerou os planos, e eles devem ser desenvolvidos por vários anos ainda, visando especificamente o Irão".

Ora, viramo-nos agora para o golfo Pérsico.
E vejamos, através, da recortes de imprensa, que o plano de efectuar um bloqueio naval às costas iranianas não é de hoje, nem tem como objectivo principal o facto de o Irão de produzir material nuclear, já que, apesar de tal capacidade, o país teve uma atitude mais ou menos pacífica ao longo dos anos na região, embora, naturalmente, apoie grupos em várias zonas e países, mas sim o controlo das suas riquezas naturais.
Na realidade é o único país dessa zona petrolífera que controla a produção da sua riqueza petrolífera.

Sabe-se que a concentração naval, que existe desde praticamente a invasão do Iraque foi planeada com o objectivo de puderem ser utilizados ataques aéreos.
O planeamento dos ataques aéreos do Irão começou em meados de 2004, de acordo com a formulação do CONPLAN 8022, do início desse mesmo ano.
Em Maio de 2004, foi formulada a Directiva Presidencial de Segurança Nacional NSPD 35, intitulada Nuclear Weapons Deployment Authorization.
No principio deste ano, em notícias curtas, soube-se que, e cito:

"Os Estados Unidos estão a acelerar a colocação de sistemas antimísseis no Golfo para fazer frente a um eventual ataque iraniano, revelou sábado o New York Times (NYT)".
"O diário (que é propriedade do lobby financeiro judaico norte-americano), que cita responsáveis militares e da administração do presidente norte-americano Barack Obama, indica que Washington colocou navios especializados ao largo das costas iranianas bem como intercetores de mísseis em quatro países: Qatar, Emirados Árabes Unidos, Bahrein e Kuwait.
Omã também foi contactado, mas nenhum míssil antimíssil foi instalado neste país, indicou o jornal".

"Segundo o NYT, os países árabes são cada vez mais propensos a acolher equipamentos de defesa norte-americanos por recearem as ambições e capacidades militares do Irão.
“O nosso primeiro objetivo é dissuadir os iranianos” de atacarem os seus vizinhos, declarou um alto funcionário citado pelo jornal".

Convém refrir que tipo de navios norte.americanos estão, em permanência, no golfo Pércio.

"A Quinta Esquadra da US Navy tem o seu QG no Estado do Bahrein, no golfo. Este QG é responsável pela vigilância por meio de patrulhas do Golfo Pérsico, do Mar da Arábia, do Canal de Suez, assim como de certas partes do Oceano Índico.
"Actualmente, esta frota inclui uma flotilha de porta-aviões e dois porta-helicópteros. A sua dimensão atingiu um máximo de cinco porta-aviões e de seis porta-helicópteros durante a invasão do Iraque.
A esquadra tem como navio-almirante o USS Enterprise (CVN-65), o primeiro porta-aviões a propulsão nuclear construído em 1961, o qual participou, dia 2 deste mês (Novembro de 2007), num exercício naval no Golfo Pérsico.

O que tem acontecido, realmente, em termos de armamento no Médio-Oriente:
Cito:

"O Médio Oriente é o destino de cerca de 20 por cento das armas transaccionadas no Mundo. Registou um aumento de 22 por cento nas importações.
"Uma análise mais apurada mostra que o principal cliente na região, quarto a nível mundial, foram os Emirados Árabes Unidos, com 33 por cento, seguidos de Israel, com 20, e Egipto, com 13.
"O Irão surge num discreto vigésimo nono lugar ( sublinhando meu), mas foi o segundo maior cliente da China, tendo-lhe comprado, segundo dados complementares divulgados pela agência AP, mais de mil mísseis terra-ar e terra-mar e meia centena de veículos de combate.
O que é certo é que o Irão não tem mostrado uma preocupação exagerada pela presença norte-americana. Pelo contrário, tem redobrado as manobras militares mesmo junto às formações norte-americanas, de tal modo que um avião se atreveu a fotografar a baixa altitude um dos porta-aviões da esquadra.

Em Maio, a imprensa ocidental relatava:
"A Marinha do Irão iniciará na próxima quarta-feira uma nova série de manobras bélicas no Golfo Pérsico e no Mar de Omã, em plena escalada da tensão política com os Estados Unidos.

E mais adiante:

"Os novos exercícios militares ocorrerão apenas 10 dias depois de a Guarda Revolucionária do Irão, corpo de elite das Forças de Segurança do país, realizar exercícios semelhantes na mesma região".
Os navios do Irão não parecem de grande envergadura, mas todos eles estão equipados com misseis, bem como toda a costa fronteira onde fica a sede da esquadra nos EUA.
Dizem os especialistas que os misseis iranianos podem destruir toda a frota. Talvez seja exagerado, mas que uma grande parte pode ser atingida poderá ser verdade, se os mísseis tiveram o alcance e a precisão que a imprensa assinala.
Então a tensão pode transformar-se em guerra.
E essa é gravidade. Porque ela, depois alastrará não só para Leste, mas também para o Mediterrâneo.

segunda-feira, 5 de julho de 2010

DEFENDER OS INTERESSES ESTRATÉGICOS, COM QUE PODER?












Que poder para cercear os apetites do capital?










O recente processo de veto do governo português, através de um complicado processo de controlo de um sector estratégico nacional, mas, oficialmente, privado, com uma "golden-share", veio colocar na ordem do dia a questão programática do poder.


Não estamos aqui a polemizar sobre as questões de defesa do interesse nacional, violadas pelos capitalistas (pois eles são isso mesmo capitalistas, o lucro é a sua pátria e a luz orientadora da sua accção), nem sequer o acto propagandístico do governo, como corajoso, pois ele - não este, mas um anterior, de que o actual é o sucessor ajuramentado - foi o fomentador do interesse privado no domínio do interesse empresarial estratégico.

A questão que se tem de analisar, do ponto de vista dos interesses dos assalariados, é como se pode, em teoria e na prática, obrigar os capitalistas a cederem ao seu desejo de imporem os seus ditames nos negócios de um Estado, que seja realmente favorável à maioria trabalhadora.

A estreiteza da chamada esquerda actual é que ela não se diferencia, ideológica e políticamente, uma da outra. Toda ela está, servilmente, concentrada na defesa do actual regime. Seja sob a forma de capitalismo liberal ou de capitalismo estatal.

O regime actual é desfavorável, ou pode vir a ser, ao poder do capital especulativo?

Foi o actual regime que concedeu e está a fomentar o poder do capital especulativo, dos agiotas bolsistas, dos banqueiros sem rei, nem roque, dos chamados empreendedores que vivem à custa de chorudos concursos e contratos que sacam mundos e fundos do erário público.

Por outro lado, foi do capitalismo de Estado que foi incubado o capitalismo liberal que pupula em todos os regimes do Leste europeu ou chinês.

Como se pode defender "os interesses estratégicos nacionais ou europeus" sem uma transformação desses poderes de Estado?

Qual a razão porque alguém que se intitula defensor das classes trabalhadoras, sustenta que o actual regime parlamentar pode cercear o poder dominante dos capitalistas?

Somente se poderá reclamar da esquerda, na minha opinião, quem disser, abertamente, que um novo poder de Estado terá de ser criado.

E, este poder não deve ficar restrito a Portugal, mas ser lançado, como programa de nova formação estatal em toda a União Europeia.

E esse poder terá, inevitalmente, de transformar toda a estrutura económica, social e política, não só de Portugal, mas igualmente dessa Europa, onde estamos inseridos e organizados.

Esse poder terá, necessariamente, de controlar, em primeiro lugar, o Banco de Portugal, e este actuar, sem qualquer rebuço, sobre todo o sistema bancário. Mas, sua eficácia verdadeiramente transformadora estará conseguida se houver o controlo do Banco Central Europeu.

É utópico, dirão muitos. Certo. Admito-o. Mas eu considero de uma limitação extrema, e até uma falta de visão de futuro, a ideia de que o actual sistema democrático europeu possa ser transformado por dentro apenas com mais democracia e respeito pelos direitos humanos.