sexta-feira, 19 de novembro de 2010

A EUROPA ESTÀ À MERCÊ DOS BANQUEIROS











A Europa estás nas mãos dos banqueiros internacionais...












A sofreguidão com a União Europeia pretende “ajudar” a Irlanda tem uma marca horripilante dos canibais representantes do capital financeiro.


Os abutres Ângela Merkel, Durão Barroso, Trichet, entre outros, estão a grasnar em nome dos banqueiros: É preciso “emprestar” – os seja impôr – aos irlandeses para que os banqueiros consigam sacar o mais rapidamente possível o dinheiro que fizeram circular e que se esboroou com a especulação financeira.


Há três anos, a Irlanda era considerada o modelo de economia em desenvolvimento. O actual Presidente da República, Cavaco Silva, a então líder do PSD Manuela Ferreira Leite e o pavão Sócrates, que se guindou a Primeiro-Ministro de Portugal, com o apoio de toda a cáfila da banca portuguesa, idolatravam esse modelo.


Até 2008, o mercado imobiliário na Irlanda subiu espectacularmente, o capital de risco era injectado um a seguir ao outro, em negócios de duvidosa utilidade e até legalidade. Os bancos utilizaram o país para as mais monstruosas trasacções financeiras especulativas. De repente, o caos: o trigre irlandês era de papel.


Os responsáveis refugiaram-se no silêncio, entraram as medidas de “salvação nacional” que atingiram as classes assalariadas para salvar …o sistema bancário. Foi pouco.

Querem mais as hienas de Bruxelas, do Luxemburgo, de Washington, de Berlim, de Londres; os respeitáveis banqueiros forçam que os seus representantes comissários e Banco Central Europeu imponha um “empréstimo” à Irlanda da ordem dos 100 mil milhões de euros para arrecadar …o dinheiro que roubaram aos irlandeses.


Sem qualquer pudismo. Quem o diz, as agências do capital especulativo norte-americano, como a Dow Jones e a respeitável BBC.

A Irlanda é um “grande parceiro comercial do Reino Unido” , sobre a qual “os bancos britânicos têm elevada exposição”. E serão – no caso dos governantes aceitarem - os maiores beneficiados pelo empréstimo.


A rapina em torno da economia irlandesa é o exemplo flagrante, que demonstra que, desde o final da II Grande Guerra, o chamado mundo ocidental está à mercê da ganância do capital financeiro.


Já não se movimentam na sua habitual discrição de bastidores, agora afirmam-no para conseguirem tudo o que pretendem: “Nós dominamos o Mundo”.


A burocracia de Bruxelas, actualmente, não passa de um joguete que legisla e governa em nome dos banqueiros.


Essa questão do equílibrio orçamental repetido até à exaustão com os casos irlandês, português, espanhol e, até, italiano, na gestão dos actuais governantes europeus nada mais interessa que o "compromisso" de satisfazer esses tiranetes das finanças internacionais. Não é a defesa do posto de trabalho, nem o incremento da produção. (Já repararam que o país com o maior défie do Mundo é o governado actualmente pela Administrção Obama?)


O fantasma da bancarrota de Estado, para buscar mais dinheiro aos que trabalham, não passa de mais um expediente para se se ponham em prática novas políticas especulativas, visando mais enrequecimento.


Veja-se o caso português: os bancos privados estão, aparentemente, de pantanas, mas foram buscar o dinheiro ao Estado e aos BCE a 1%, e agora, emprestam a 5 e 6 %, e ao fim de três meses, não têem pejo de afirmar, publicamente, que ganham 4 milhões de euros por dia.


Os assalariados tem de saber o caminho a escolher para derrubar este estado de coisas. Basta nacionalizar o sistema bancário, sem indemnização, e a especulação acaba em três tempos.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

"NÃO SE PODE DERROTAR UMA IDEIA"











Os negócios não produtivos estão a minar os regimes ocidentais
















"Não acredito que alguém possa derrotar uma ideia, é algo que precisamos combater, quando for necessário, mas, na sua forma mais branda: qual a razão porque eles (os talibãs- nota minha) não podem adoptar essa filosofia de vida?".

Esta frase é do general inglês David Richard, que comandou as tropas da NATO no Afeganistão, no decorrer de uma entrevista, datada de 14 deste mês, à emissora britânica BBC.

A frase refere-se aos talibãs, e, em certa medida, uma confissão de derrota militar, e, uma busca do seu sucedâneo, a negociação com o inimigo, que ele pretende trazer, na sua ideologia, para a “forma mais branda”.

Esta realidade, nas suas contradições, percorre a política dos aliados dos Estados Unidos na actualidade, mas, principalmente, a classe dirigente norte-americana em Washington.

O retrato está espelhado em várias personalidades, que, embora pertencendo à mesma classe, apresentam versões diferenciadas, não divergentes do assunto.

O representante da Administração de Barack Obama para o Afeganistão e Paquistão, Richard Holbrooke, antigo secretário de Estado-Adjunto de Bill Clinton, anunciou, segunda-feira, - logo muito antes de qualquer decisão da Cimeira da NATO em Lisboa, a 19 e 20 deste mês – que, nesta reunião, será discutido “o processo de transferência” da segurança afegã para o governo de Cabul até 2014.

(Esta tirada de Holbrooke merecia uma gargalhada, pois o governo de Hamid Karzai não representa nada, nem ninguém no interior do país, a não ser os interesses norte-americanos. Se houver retirada, pura e simplesmente, Karzai desaparece do mapa).
Então, Holbrooke explicou: “Temos uma estratégia de transferência de responsabilidade, não uma estratégia de retirada”.

Ou seja, queremos fugir, mas não o iremos fazer, mas vamos nesse caminho.

Holbrooke, que é membro influente do “lobby judaico” no interior do complexo financeiro e industrial-militar dos EUA, admite, para sustentar essa estratégia, que terá de aliciar um sector importante dos talibãs, ou seja, tentar uma repartição de poder em Cabul.

Karzai percebeu de imediato esta visão e exigiu que as tropas norte-americanas no terreno “abrandem” a actuação musculada. Ele quer negociar com os inimigos armados.
Ele sabe que os EUA o estão a deixar sozinho e procura, imediatamente, outras alternativas para se manter, negociando até com o Irão.

Resposta rápida de um outro sector da Administração Obama. A voz de uma “guerreira experimentada nos tiros”, a senhora Clinton, secretária de Estado: é preciso intensificar as operações militares.

"A utilização de operações dirigidas, baseadas em informações, e precisas, contra alvos importantes entre os insurgentes e os seus aliados, é um elemento-chave" do esforço dos aliados no Afeganistão, declarou a chefe da diplomacia dos Estados Unidos.


Então porquê esta hesitação, este jogo de palavras, esta pequena clivagem, na “nomenklatura” de Washington?

Porque, em causa está justamente, por um lado, a despesa da guerra, por outro, as receitas e interesses geo-estratégicos dos EUA com a ocupação do Afeganistão. Daí a necessidade de uma escolha.

As provas de força, de violência militar prolongada, de operações constantes, não são artifícios de vontade, mas sim questões de economia, logo de dinheiro.


As guerras do Iraque e do Afeganistão custaram aos EUA mais de 1,1 biliões de dólares, valor este só superado pelas despesas efectuadas por aquele país na II Grande Guerra, mas aqui envolveram mais de 30 milhões de homens, o que não acontece presentemente. Estes números foram referidos pelo jornal New York Times.
Em termos de custos por soldado, aquelas guerras estão a ser as mais caras de sempre, segundo economistas que estudaram, comparativamente, os Orçamentos de Defesa. Estima-se o custo anual actual atinge os 1,1 milhões de dólares por cada soldado no Afeganistão, quando atingia os 67 mil/ano na II Guerra e os 132 mil no Vietname.

A guerra para os EUA – não só do Afeganistão e Iraque, mas toda a panóplia de conflitos, onde se envolveram, desde o Iémen à Somália, passando pelo Médio-Oriente (são eles que pagam generosamente a Israel) e por África - movimenta uma teia burocrática, de serviços e consultadorias, que envolve uma população de cerca 900 mil pessoas no país, incluindo 1271 departamento públicos “ligados à luta anti-terrorismo” e 1971 empresas privadas de segurança. “Um dos sectores mais activos da economia neste momento”, nas palavras de um responsável.

Ora, tudo isto representa dinheiro, que sai do bolso do contribuinte.

Não seria uma situação grave, se este dinheiro fosse obtido, provindo da produção económica. Ou seja, se o sector produtivo interno estivesse a ser dinamizado, mas não, os despedimentos industriais aumentam.

O dinheiro, em circulação no sistema financeiro internacional, nomeadamente, dos EUA, vem da especulação financeira, dos negócios da droga e branqueamento de capitais.

Ora, aqui está um busílis da questão: na recente crise financeira mundial, que começou, precisamente, nos EUA, cerca de 240 mil milhões de euros, provenientes de actividades ilícitas (droga e outras) foram incorporados, legamente, no sistema financeiro. Os dados são da ONU, que registou: “O dinheiro, agora, faz parte do sistema oficial e foi efectivamente limpo”.

Ora, nesta fatia, está a produção, distribuição e venda de ópio, cuja produção provêm, em mais de 90 por cento, do Afeganistão.

É a ONU que reconhece: o cultivo da papoila do ópio no Afeganistão “cresceu brutalemente” desde que o país foi ocupado pelos EUA. Desde 2006, o crescimento é enorme: mais de 60 por cento.

A propaganda ocidental culpa os talibãs deste facto, mas, não são os guerrilheiros islâmicos que controlam o terreno e as rotas, são as tropas da NATO, em especial as norte-americanas, mais de 100 mil homens e outras são mil em “paramilitares” de empresas privadas. Tudo rigorosamente, controlado.

Entre 2001 e 2006, o gabinete de Drogas e Crime das Nações Unidas (UNODC), com sede em Viena, calculou que a colheita, neste período (convém localizar que a primeira data é da ocupação norte-americana, e os cinco anos seguintes são da responsabilidade dos EUA, através do seu agente escolhido Hamid Karzai, o crescimento foi de 33 vezes superior.

O UNDOC calcula que, em 2006, só para a economia afegã – precise-se senhores da guerra ao serviço da NATO – o tráfico de ópio rendeu 2,7 mil milhões de dólares. Este dinheiro entra na circulação bancária, através da autorização que é dada pela potência ocupante.

"A heroína afegã vende-se no mercado internacional de narcóticos a um preço 100 vezes superior do que o que os agricultores obtêm pelo ópio vendido no terreno". (Departamento de Estado dos EUA citado pela Voice of America (VOA), 27 de Fevereiro de 2004).

Façam-se as contas e atingem-se valores astronómicos: a heroína afegã renderá, anualmente, valores que podem ultrapassar os 200 mil milhões de dólares.


Segundo a ONU, o movimento comercial dos opiácios renderá aos seus controladores entre 400 a 500 mil milhões de dólares.

Ora, o tráfico de droga, ainda segundo a ONU, é o terceiro produto comercial de maior valor, a seguir ao petróleo e à venda de armas.

Estes dois sectores estão ligados ao domínio económico, mas, essencialmente, às relações geo-estratégicas para permitir que os produtos sejam vendidos sob o controlo norte-americano em concorrência com outras potências que disputam os mesmos espaços.

Ora, o sistema financeiro mundial, onde pontifica os magnates norte-americanos, em especial o “lobby” judeu e o Vaticano, é o principal beneficiário deste comércio. E, por tabela, o controlo territorial onde se produzem e vendem essas mercadorias.

Para manter este estado de coisas, é necessário a força e a violência, mas estas são, elas próprias realidades, económicas.

Não estão a dar produção económica no interior dos Estados Unidos, mas essencialmente, sectores não produtivos. Mais Forças Armadas, mais sistema militar, sem contra-partidas internas, minam os próprios regimes.

Obrigam, pelo incremento do aparato castrense a mais concorrência, ou seja mais despesas improdutivas, fazendo crescer os sintomas de crise financeira.

Esta evolução está a fazer decair o desenvolvimento económico das principais potências ocidentais. Se aumentarem as contradições, o poder político entrará, necessariamente, em rota de colisão com o incremento que as forças produtivas impõem, e, a acontecer, esse poder terá os dias contados.










domingo, 14 de novembro de 2010

EUA E A TORTURA: A BARBÁRIE NO SÉCULO XXI
















Toda a cadeia de comando dos EUA participou nas torturas no Médio-Oriente


















Há dias, um site de nome "WikiLeads" divulgou um conjunto de documentos internos do Pentágono, a sede do Ministério da Defesa dos Estados Unidos, que revelam que as Forças Armadas do Iraque, ocupantes do Iraque, realiza, sistemática e com autorização superiores, actos indiscriminados de tortura, assassinatos em massa.

Digo autorização superior, porque como fui combatente, sei por experiência própria, que nenhum soldado se atreve a torturar qualquer prisioneiro, se não tiver um assentimento formal, ou tácito, para o fazer. E, essas ordens, na maior parte dos casos, nunca é escrita, ou sequer gravada.

(Eu tenho na minha posse um documento da PIDE/DGS, com o rótulo de secreto, a sancionar um plano de assassinato do antigo líder do PAIGC Amilcar Cabral, preparado por uma delegação de uma das ex-colónias portuguesas, e enviado para o director-geral da antiga polícia política do regime de Oliveira Salazar, em que Silva Pais recomenda, pelo seu próprio punho: comuniquei, particularmente, ao chefe de da subdelegação que estes assuntos não podem ser objecto de correspondência oficial. Ou não se dizem ou não se fazem).
Até hoje, também, ninguém da Administração norte-americana desmentiu ou negou o que foi divulgado pelo site Wikileads. Apenas tentaram denegrir ou perseguir os seus promotores.

Mas, no caso das torturas e massacres no Médio-Oriente, elas não podem ser desmentidas, porque agora sabemos, pelas declarações do próprio Presidente dos Estados Unidos na altura da invasão, que elas foram autorizadas por ele próprio, o sinistro George W. Bush, que confessa o seu crime, em memórias badaladas, como se de um acção de coragem se tratasse.

"O método de interrogatório conhecido por waterboarding (sinulação de afogamento) salvou muitas vidas britânicas", justificou a vileza o principal chefe político do Estado que se considera campeão da democracia e dos direitos humanos.

E numa confissão ainda mais sinistra e criminosa, porque encerra toda a malvadeza da equipa dirigente de Washington - fazer tortura, mas encobri-la, e logicamente desmenti-la se fosse denunciada - não tem pejo em escrever: "o procedimento foi duro, mas os especialistas-médicos - vejam a que grau atinge a crueza de um regime, até os clínicos participaram - asseguraram à CIA que não deixariam danos permanentes".

Pois claro, se os golpes de tortura fossem evidentes, desfaziam-se do cadáver!!!...

O que os documentos vieram, portanto, a revelar é que a ordem de Washington foi, rigorosamente, cumprida no Iraque, depois no Afeganistão, e naturalmente, pelas numerosas "prisões-secretas" que os "países amigos" deixaram instalar um pouco por todo o Mundo, incluindo os do eixo do Maio, como ...a Síria.

Apesar desta confissão, as boas consciências ocidentais fizeram "vários lamentos" de circunstância e permitem que este criminoso civil e de guerra continue a viver tranquilamente e seja tratado como um herói. E acrescento: não é só a "cereja no topo", e toda a vilanagem que enxameia o poder político e militar nos Estados Unidos.

Perante a enormidade deste crime, não se vêem os Garzons do Ocidente a emitirem, de imediato, mandatos de captura internacional contra estes Hitlers do século XXI!
Só hipocrisia dos direitos humanos, quando em causa estão "não ocidentais". A democracia ocidental pode efectuar as maiores barbaridades que fica impune.

Naturalmente, os povos não esquecem. Presentemente, são os povos do Médio-Oriente, mas a memória regista o que se passou ao longo de décadas na América Latina, em África e na Ásia. E, aqui, a História não deixará de fazer avivar tais factos.


sábado, 13 de novembro de 2010

CIMEIRA DA NATO: "MAIOR CAPACIDADE EXPEDICIONÁRIA"





Lisboa vai ser palco, a 19 e 20 deste mês, de uma Cimeira da NATO, que os seus promotores sustentam vir a ser “histórica”, pois, através do que se apelida poder vir a ser uma parceria, nela vai estar presente o Chefe de Estado da Grande Rússia, Dmitri Medvedev.

Para ser discutido, além dos negócios que estão na ordem do dia na política internacional – não é por acaso que nesta reunião vai estar presente o director-geral do FMI -, o “primordial”, nas palavras do secretário-geral da instituição, um antigo primeiro-ministro dinamarquês, de nome Andres Gogh Rasmussen, será a definição teórica – e essencialmente prática – de “um novo conceito estratégico” para a NATO.

Este “conceito” está contido, para apreciação, e a notícia proveio da Agência France Presse, naquilo já foi distribuído como “um primeira versão, com uma dezena de páginas” aos embaixadores dos países membros em Bruxelas (sede da instituição). E depois, analisadas pelos ministros encarregues das pastas militares.

Uma versão mais completa e que tenha já em conta as observações dos aliados será depois submetida aos chefes de Estado e de Governo na cimeira de Lisboa.

Em Abril de 2009, - continuamos a seguir a AFP -, os dirigentes da NATO, reunidos em Estrasburgo (França) e Kehl (Alemanha), decidiram promover uma revisão do «conceito estratégico» tendo em vista as «ameaças actuais» e «os riscos do futuro».

Entre as ameaças a considerar, Rasmussen apontou os mísseis balísticos, a proliferação de armas de destruição maciça e os ataques contra redes informáticas.
Num relatório de 46 páginas intitulado NATO 2020: uma segurança firme, um compromisso dinâmico, entregue a 17 de Maio, um grupo de 12 peritos, presidido pela antiga secretária de Estado norte-americana Madeleine Albright, (reparem na personalidade), formulou várias sugestões para o novo conceito estratégico.

Um dos pontos principais do relatório, que inspirou Rasmussen, foi a transformação da NATO, a partir das lições a tirar do Afeganistão, numa organização “com maior capacidade expedicionária”. (sublinhado meu).

A Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN – sigla francesa – NATO – sigla inglesa) nasceu como uma organização militar de intervenção, fomentada, em 1949, pelos Estados Unidos da América, para garantir o que Washington chamava “a defesa do eixo Atlântico Norte”, enquadrando o Canadá, seu vizinho, e subordinando os países da Europa Ocidental à política norte-americana de “conter o avanço do comunismo”, que, objectivamente, situava numa zona fora desse território: A URSS e os países do Leste europeu, que ficaram sob a tutela daquela.

(De registar que o Pacto de Varsóvia, somente foi criado em 1955, quando a NATO tentava imiscuir-se nessa região).

Mas, relevemos, a NATO formou-se, primeiramente, para suster, com urgência, a possibilidade de levantamentos revolucionários de cariz socialista em toda a zona de maior desenvolvimento económico e político no mundo que era, justamente, a Europa.

Com o final da guerra, e após a imposição de “blocos”, realizados em Teerão, Ialta e Potsdam, que as potências ganhadoras da II Grande Guerra – Os EUA e a antiga URSS/ a Inglaterra e a França não contavam para o efeito – desenharam, o que estava em “jogo”, para o capitalismo ocidental, monopolizado, na altura, por Washington, eram as eventuais mudanças de regimes na Europa Ocidental, em particular, Grécia, França, Itália e Alemanha.

Ora, a preocupação principal da NATO, nessa fase inicial - 1949-1955 – foi, pois, a de evitar que os Partidos Comunistas da Grécia, França, Itália e Alemanha tomassem o poder.

O germe embrionário dessa “preocupação”, que começou ainda na fase decadente da II Guerra, e que ditou a formação posterior da aliança militar, teve como primeiro objectivo a Grécia, quando já se estabelecera um “pacto de não agressão” com a URSS stalinista.

Entre 1944 e 1946, os guerrilheiros da resistência grega tiveram na mão, praticamente, o poder no país, mas a Inglaterra, com o apoio dos EUA, procurou impor o governo no exílio pró-monárquico, como legítimo. Os britânicos controlavam apenas, militarmente, as cidades de Atenas e Salónica, o resto estava nas mãos dos “partizans”, liderados pelo PCG. Em Fevereiro de 1945, por intervenção de Stáline, que pressionou os comunistas a assinarem um tratado (Pacto de Varkiza), os monárquicos comprometeram-se a efectuar eleições, sob a supervisão dos…aliados ocidentais. O referendo foi ganho, claro, pelos monárquicos em 1946.

Os guerrilheiros, defraudados, reiniciaram o conflito, a partir da Macedónia e do Épiro, e começavam a reocupar o terreno. O governo monárquico, sem base social de apoio, permitiu a intervenção militar dos britânicos, que não conseguiu controlar a situação, tendo recorrido ao apoio castrense dos EUA. Foi um apoio maciço, não só em armas, mas igualmente em dinheiro. A URSS optou pela “neutralidade”, deixando, deste modo, cair os “partizans”.
(Esta neutralidade não era inocente: além dos pactos assumidos com Churcill e Roosevelt, Stáline não se queria confrontar com Partidos Comunistas instalados no poder em Estados de capitalismo desenvolvido. Mas isso é outra questão).

A segunda intervenção deu-se em Itália. Também aqui, com a cumplicidade da URSS. O PCI, que foi o motor da resistência interna ao fascismo de Mussolini e à ocupação nazi de Hitler, era, em 1944, a principal força armada oposicionista.

Por pressão da União Soviética, Palmiro Togliatti, secretário-geral do PCI, forçou o desarmamento dos “partizanos”, que não o queriam, em troca de ser aceite pelos aliados ocidentais num governo de “ampla unidade nacional”.
Deram-lhe o cargo de Ministro da Justiça num governo provisório. Caminhava-se para o final da II Grande Guerra. Depois no governo do general Pietro Badoglio, foi Ministro sem Pasta, em 1945, num executivo do recém-formado.

O Partido Democrata-Cristã, fomentado pela Igreja Católica e pelos EUA, liderado pelo católico Alcide De Gaspari ocupou, seguidamente, o poder, em aliança com os comunistas. Togliatti ascendeu a vice-primeiro-ministro.

Contra a opinião do seu partido, Togliatti, com o assentimento da liderança do Kremlin, decidiu incluir o Tratado Latrão na Constituição da nova República italiana. Nas eleições gerais de 1946, o PCI obteve perto de 28 por cento votos. Era a segunda força do país. Em 1947, foi aberta uma crise política para afastar os ministros indicados pelo PCI, mas em 1948, já com a República instaurada, aquele partido sobe para 31 %.

As forças internas e externas organizam um atentado contra Togliatt, que ficou gravemente ferido. De imediato, a principal central sindical, a Confederação Geral do Trabalho convocou uma greve geral. O PCI estava em ascensão e admitia-se a tomada do poder. Foi, novamente, Togliatti que pediu aos seus apoiantes para baixarem os braços.

Na França, igualmente as forças guerrilheiras da Resistência, lideradas pelo PCF, tornaram-se a principal base armada da oposição (teriam perto de 170 mil homens armados- Charles Tillon).
Maurice Thorez, com a conivência da URSS, mandou desarmar os “partizans”, que lhe eram afectos para participar num governo de aliança. É Ministro da Administração Pública. Chegará a ser vice-primeiro-ministro e o PCF o primeiro partido eleitoral de França, com quase 30 por cento dos votos. Mas, em 1947, uma crise forjada afasta-o do governo, bem como aos restantes ministros indicados por aquele partido.

A chamada Guerra Fria inicia-se, justamente, nesta data, e apoia-se na *doutrina Truman*, que preconizou a luta contra” a expansão soviética”.

Embora não existisse, nesta altura, formalmente, uma estrutura militar que fizesse frente “ao avanço da URSS”, tanto os EUA, como a Grã-Bretanha, através dos seus serviços secretos, CIA e MI6, respectivamente, organizaram “forças para-militares” para impedirem os PC`s ocidentais de chegarem ao poder.

A mais conhecida foi a chamada Operação Gládio, uma acção que percorreu, praticamente, todos os Estados europeus, desde Portugal até Grécia, que estabelecia a organização de “combatentes secretos”, com armamento e dinheiro, capazes de suportar uma eventual invasão do Pacto de Varsóvia, bem como a “subversão interna”.

Na sua origem, estaria Allen Dulles, um dos fundadores dos serviços secretos norte-americanos, que viveu muitos anos na Europa, com estada prolongada na Suíça, ainda no tempo do nazismo alemão.

Gladio foi, inicialmente, dirigida pelo Comité Clandestino para a Europa Ocidental (Clandestine Comitee for Western Europe - CCWC), fundado em 1948. Após a criação da NATO em 1949, aquele foi integrado no Comité de Planeamento Clandestino (Clandestine Planning Comitee - CPC), fundado em 1951 e dirigido pelo SHAPE - (Supreme Headquarters Allied Powers Europe), transferido para a Bélgica, após a saída da França do Comité Militar da instituição. (A operação Gladio francesa permaneceu).

Entre 1949 e 1991, a NATO e o Pacto de Varsóvia co-existirem numa “entente” armada, que se multiplicou em actos, mais ou menos sórdidos, mais ou menos clandestinos, mais ou menos violentos, nos dois lados da Europa, mas, essencialmente, na intromissão nos assuntos internos de todos continentes, desde a América do Sul à Ásia, passando pela Oceania.

Foi um jogo de concorrência, entre blocos militares e económicos, que engrenavam na força. E essa força estava centrada no desenvolvimento, cada vez mais sofisticado, das Forças Armadas, ou seja, na evolução de todos as formas de dissuasão, que convencionais, quer ultra-sofisticadas, e neste campo, principalmente em torno do armamento nuclear e espacial. Ora, para implantar essa força é necessária riqueza, e em primeiro, lugar dinheiro.

Para conseguir essa acumulação de riqueza é preciso, além do mais, uma grande produção económica, que consiga satisfazer os apetites militares, por um lado, mas também, e por outro, uma competição mercantil capaz de ultrapassar o concorrente.
E neste campo, os EUA e os seus aliados, em especial a Europa, suplantaram, o outro lado, a URSS (e o seu campo económico privilegiado, o COMECON).

Deste ponto de vista, na nossa opinião, pode ser analisado uma das principais razões da desintegração da antiga União Soviética.

Mas, não só: o militarismo, que dominou as duas principais potências, e, em menor grau, os seus espaços territoriais geo-estratégicos, trouxe para os dois principais Estados em concorrência o “vírus” da sua decadência. Quer de um lado, quer de outro, a organização militar adquiriu, de maneira evidente, quase a finalidade da existência daqueles Estados (os complexos industriais-militares e os seus representantes castrenses, financeiros, empresariais, forjaram um poder de decisão sem qualquer contestação).
Tal facto, produziu despesa crescente, trouxe descalabros financeiros. Claro que a primeira “vítima” foi o Pacto de Varsóvia.

A desintegração deste trouxe, momentaneamente, a vitória para o bloco NATO, e de maneira evidente para os EUA, que se intitularam a única superpotência e “senhores do Mundo”.
Tornaram a instituição em arma de força crescente. Forçaram, e actuaram unilateralmente, mesmo juntos dos seus aliados, para um avanço crescente para Leste (anos 90) e conseguiram-no.
Hoje a NATO comporta a Albânia, Alemanha (apenas República Federal da Alemanha, antes da reunificação alemã), Bélgica, Canadá, Croácia, Dinamarca, Espanha, os Estados Unidos da América, a França, a Grécia, os Países Baixos, Islândia, Itália, Luxemburgo, Noruega, Portugal, Reino Unido, Turquia, Hungria, Polónia, República Checa, Bulgária, Estónia, Letónia, Lituânia, Roménia, Eslováquia e a Eslovénia.

Todavia, o desenvolvimento capitalista que os EUA impuseram à Europa ocidental produziu nos diferentes países que a compõem uma alerta de submissão.
Para obstar, à supremacia económica norte-americana, que determinava a esses Estados, não só a sua orientação económica, mas também política, um grupo pequeno, desde os anos 50, impulsionou a unidade económica dessa mesma Europa, que chegando aos anos 90 do século passado, se transformou, na realidade, na primeira potência económica do Mundo, conquistando, para o seu lado, os outros países de Leste, e evoluindo depois para a unidade política.

É essa Europa (a União Europeia), que está, hoje, no centro do furação, recebendo ataques de todos os lados para a fragmentar, contando com os agentes internos. E que procura uma unidade militar para se emancipar da tutela norte-americana. A luta surda, mas fratricida, percorre o interior da NATO entre europeus e norte-americanos.

É também, nesta altura, e por causa disso tudo, que a NATO se encontra numa encruzilhada, que se reflecte na busca de “uma estratégia” que não a destrua de imediato: como arma capitalista, todos esses Estados sentem que estão ameaçados, pois sentem a ameaça crescente da subversão dos povos, que pretendem constituir a sua própria soberania.

Daí, a invenção de uma “luta contra o terrorismo”, uma luta, aparentemente, abstracta, que não assenta num objectivo fixo territorial, mas que, na realidade, é a manutenção do militarismo para destroçar as lutas e reivindicações das classes assalariadas e dos povos que não se querem deixar dominar.

Por outro, é a necessidade do capitalismo ocidental em crise, em particular dos EUA, de avançarem para acções e, até guerras, locais, regionais de invasão e conquista.

A tal política “expedicionária” que o documento reflecte, mas que as experiências no terreno – Iraque, Afeganistão, Paquistão, Somália, etc -têm demonstrado ser um fracasso total.

Em grande parte, o descalabro financeiro de 2008 esteve ligado aos gastos monstruosos dos últimos 10 anos “nas expedições militares”. E mais grave para promotores capitalistas desta investida: as massas populares adquiriram uma certa consciência de que esse dispêndio não pode continuar e não se mostram dispostas a suportar com os encargos.

Por detrás, desta crise – financeira, económica, militar – está um espectro, que percorre esta Cimeira da NATO: podem chegar épocas de Revoluções.


segunda-feira, 8 de novembro de 2010

ACABARAM AS REVOLUÇÕES (1)







A revolução é, hoje, um direito universal



















Em 25 de Outubro de 1917, deu-se, na Grande Rússia, uma tomada de poder por um Partido que se reclamava do Socialismo, no meio de uma sociedade em efervescência revolucionária, que se agudizou em Fevereiro desse mesmo ano, com o derrube do sistema imperial absolutista, personificado no czarismo.

A Rússia czarista tinha-se ingerido nos negócios políticos da Europa, com toda a arrogância imperial, entrando na I Grande Guerra, mas com a fraqueza de uma incipiente evolução económica e política, que se manifestou, de maneira eloquente, no planeamento e apoio logístico dos Exércitos e na avidez com que destroçou a vida de milhões de seres humanos.

Este facto trouxe uma crise de tal envergadura, que patrocinou uma revolta imensa de milhões de camponeses e operários, mas principalmente aqueles, que armados, aderiram, com entusiasmo, aos programas de ruptura revolucionária da ordem estabelecida.

Assim caiu o suporte político de um regime, que era a monarquia absolutista, em Fevereiro de 1917, (mas que estava já impulsionado, economicamente, pelas mãos da burguesia capitalista), no meio de uma Revolução, que naquela altura, não apresentava um programa claro de novo poder, nem se desenhava ainda, na maioria dos operários e camponeses armados, uma maturidade que se inclinasse para uma Revolução Socialista, cujas ideias germinavam, no entanto, já com intensidade, no seio do operariado das grandes cidades e estava a penetrar nas massas camponeses, que constituíam o grosso dos soldados armados na frente de combate.

Os monárquicos liberais e a nova burguesia capitalista pró-republicana em ascensão conseguiram instituir um Parlamento multipartidário e formar um governo provisório, sediado em Petrogrado, mas o poder real tornou-se bicéfalo, pois ao lado dessas instituições, surgiu uma nova forma de poder urbano sustentado em comités populares armados, que se intitularam sovietes com destaque para o de Petrogado, enquadrado por forças sociais e políticas, que se reclamavam do poder socialista.

Havia, na realidade, ainda um remanescente político memorial, entre os intelectuais e operários mais esclarecidos, do poder dos sovietes, criados em 1905, por ocasião de uma tentativa falhada de Revolução.

O incremento económico e social russo não apresentava, nesta altura, - Fevereiro/Março de 1917 -, uma perspectiva de uma Revolução Socialista, porque os operários, ainda que atingissem o número de alguns milhões, não tinham aderido, massivamente, a esse ideal.

Todavia, o governo provisório, que procurava estabelecer-se como poder, através de um acto eleitoral, pondo em marcha um processo e proposta da realização de eleições constituintes da um Parlamento – a Duma, continuou a política czarista de prosseguimento da guerra, razão primeira que motivou a queda de Nicolau II, com o completo desastre económico que mergulhara o país, desde 1914.

Pretendiam, mesmo, desarmar os soldados, operários e na sua maioria camponeses, que agora se organizavam, em torno dos Sovietes, nas principais cidades – Moscovo, Petrogrado, Odessa, entre outras, enviando-os para as frentes.

A propaganda e a organização dos partidos revolucionários, em especial os bolcheviques, com algumas reivindicações que foram bandeiras já na Revolução de Fevereiro, como o fim da guerra, um novo Exército com os oficiais eleitos democraticamente, jornada de 8 horas e a distribuição da terra na posse dos latifundiários monárquicos, fizeram com que uma massa substancial desses soldados aderisse ao poder do principal Soviete, o de Petrogrado.

De Fevereiro a Novembro, o movimento revolucionário liderado pelos sovietes, onde predominavam os socialistas revolucionários e figuras proeminentes da anterior Revolução de 1905, começou a pender para o lado dos bolcheviques.

O impasse na guerra continuava e a degradação da vida do operariado e do campesinato acelerava-se. Os donos das fábricas abandonavam as empresas, os despedimentos ultrapassavam as centenas de milhares. A fome era uma realidade.

Na madrugada de 25 de Outubro, massas populares armadas, lideradas por bolcheviques e com apoio de socialistas revolucionários e anarquistas, cercaram Petrogrado e controlaram o Palácio Táuride, onde se sediavam o governo provisório e o comité executivo do soviete da capital.

Foram presos alguns membros do governo provisório - outros fugiram -, e convocada, para a tarde desse dia, uma sessão extraordinária do Soviete. Contra a opinião da sua direcção, aquele determinou que o poder de governo ficasse todo ele no Conselho de Comissários do Povo, encimado por Vladmir Lénin.

Apesar de resistências internas, entre alguns dos partidos que estiveram no apoio à Revolução de Outubro, os bolcheviques vieram a consolidar o poder, decretando medidas de cariz abertamente socialista: controlo operário em empresas com cinco ou mais trabalhadores, nacionalização das grandes empresas, declaração dos direitos nacionais dos diferentes povos, permitindo a auto-gestão de territórios como a Finlândia, a Geórgia e a Arménia; confisco a favor do novo Estado das grandes propriedades agrícolas, nas mãos de aristocratas e da Igreja Ortodoxa Russa; separação da Igreja do Estado.

E, uma proposta imediata de paz com a Alemanha, que foi assinada em Março de 1918 – Tratado de Brest Litovski -, em que a Grande Rússia perdia a favor daquela uma grande parte do território que estivera até então sob o domínio do czar: Finlândia, Países bálticos (Estônia, Letônia e Lituânia), Polónia, Bielorússia e Ucrânia, bem como de alguns distritos turcos e georgianos antes sob seu domínio.

Depois da Comuna de Paris de 1871, e na sua esteira em reivindicações revolucionárias, proclamava-se na Europa uma Revolução Social.

Tal como a Comuna, a Revolução soviética colocou, na ordem do dia, uma realidade, que 46 anos antes, fora quase efémera: que uma revolução socialista pode materializar-se, ainda orientada por uma minoria.

Mas, ao contrário dos processos revolucionários ocorridos antes da Comuna, em que a grande massa popular não era parte activa (ou então seguia sem intervir) na substituição de um poder antigo por um novo poder, mas aceitava passivamente a orientação da minoria militante, que organizava a estrutura estatal de acordo com os seus interesses e a sua visão de sociedade, na Rússia de 1917 surgia uma nova ideia de Estado, em choque frontal com a dominação classista minoritária.

A governação começou a ser efectuada no interesse da grande maioria, que via nas reivindicações, que começavam a ser postas em prática o sentido real das suas necessidades e dos seus desejos.

Era revolução maioritária, contra a dominação feudal, primeiro, e nos meses seguintes, adquire feição anti-capitalista. Transformaram as suas reivindicações em programas revolucionários, que eram propagandeados em todas as movimentações sociais que se deram entre a derrota da Comuna e esse terramoto político que estava a transformar a Rússia ultra-conservadora.

Ora, tal situação aconteceu, precisamente, num país, que era o maior da Europa e se estendia pela imensidão da Ásia, e onde viviam cerca de metade dos habitantes do mesmo território europeu. Serviu, na realidade, de imediato e nas décadas seguintes de farol orientador para todo o Mundo.

Muitas das reivindicações do novo poder, como a jornada de oito horas, melhoria da condição feminina, salário igual para trabalho igual, entre outras, foram transformadas em bandeiras de luta por toda a parte.

Pela primeira vez, a burguesia mundial via-se confrontada com uma Revolução Social, que surgia perante o mundo, num imenso território, com reivindicações que interessavam às classes trabalhadoras de todo o Mundo.

E, pela primeira vez, também, via-se ameaçada com a perspectiva de uma avalanche revolucionária internacional.

Agiu de imediato. Uma grande coligação global dos grandes países capitalistas foi formada para apoiar as forças internas que se opunham à Revolução, instituindo a maior campanha de terror nas zonas que aquelas controlavam, ao mesmo tempo que desenvolvia uma campanha de propaganda sem precedentes, internacionalmente, contra os objectivos e as práticas que a nova governação soviética impulsionava.

Fomentou, internamente, uma guerra civil, iniciada em Abril de 1918, armando e financiando Exércitos e milícias constituídos por antigos oficiais fiéis ao czar, ao mesmo tempo que as principais potências capitalistas, já aliadas na I Grande Guerra, norte-americanas, inglesas, francesas e japonesas, desembarcaram tanto nas regiões ocidentais ( Crimeia e Geórgia), como nas orientais (ocupação de Vladivostok e da Sibéria Oriental).

Pretendiam derrubar, a todo o custo, o novo poder que se institucionalizava na Rússia.

Queriam estabelecer “um cordão sanitário” que impedisse o alastramento das ideias subjacentes ao poder socialista do “mundo ocidental”. Foi uma guerra longa – de 1918 a 1922 - ganha pelo poder soviético.

Mas, no campo da economia, esta guerra, fomentada pela burguesia coligada dos principais países desenvolvidos, teve profundas repercussões na vida quotidiana das classes laboriosas, em especial o campesinato. Começava a notar-se algum cansaço no sentimento revolucionário dos primeiros anos. Além do mais, o governo soviético teve de confiscar parte dos cereais do campo para sustentar o esforço de guerra no geral, e, em particular o abastecimento das cidades.

Os dirigentes do Partido Bolchevique (que entretanto se veio a chamar Partido Comunista) e do novo Estado tiveram a percepção de que somente com o apoio activo e militante da Europa Ocidental, já fortemente capitalista, poderia favorecer o avanço do poder socialista na Rússia, que estava numa fase de desenvolvimento económico e social muito inferior.

Em 1919, nasce a III Internacional, cujo objectivo primeiro era o de desenvolver a formação de Partidos Comunistas, que pudessem orientar algum fermento revolucionário que estava a surgir na Europa, com o final da guerra mundial (1918).

A Revolução Alemã de 1918 e 1919, que conduziu ao derrube do imperador alemão (kaiser) e a instituição de uma República democrática, foi resultado de uma radicalização em sectores importantes das classes trabalhadoras do país, sob a orientação da Liga Spartaquista (que deu origem, mais ao Partido Comunista Alemão).

Esta Revolução foi motivada pela profunda crise económica, social e política que a Alemanha ficou com a guerra de conquista empreendida com a I Grande Guerra e influenciada, ideologicamente, pela Revolução soviética de 1917. A Alemanha começou a ser governada pelo Partido Social-Democrata, que se afastara dos ideais de Marx e Engels, nos finais dos anos 90 do século XIX, e, já posteriormente, deram o seu assentimento, antes da I Grande Guerra, à militarização do país.
Esta situação levou a uma ruptura interna, que incluiu alguns dos seus deputados, e veio a dar origem à Liga Spartaquista.

No seguimento da Revolução que afastou o Kaiser, os spartaquistas, que tinham como dirigentes principais Rosa Luxemburgo e Karl Liebknechet, ascenderam, mesmo ao poder, no Estado da Baviera, no sul da Alemanha, onde instituíram uma República Socialista, baseada na democracia dos conselhos operários.

Aboliram os latifúndios privados e criaram a auto-gestão nas fábricas e empresas. Iniciaram um movimento revolucionário, que ameaçava o Estado liberal, governado por sociais-democratas.

Estes, com apoio de milícias, muitas das quais já constituídas por radicais de direita, sufocaram, pela violência e pelo sangue, o novel Estado Socialista da Baviera e perseguiram, no país, os membros da Liga Spartaquista, assassinando Luxemburgo e Liebknechet.

Todavia, na Europa, verificava-se, em particular a partir da segunda década do século XX, que o despertar revolucionário dos sectores assalariados estava a decrescer e, começava a germinar, de maneira evidente, entre o campesinato e pequena burguesia, e inclusive, em franjas significativas do operariado, uma adesão de cariz contrário, propenso ao incremento de grupos e partidos reaccionários radicais.

Esta reacção permitiu a ascensão ao poder de Partidos fascistas e nazi, que, por vezes, com uma linguagem “socialista” e “nacionalista anti-capitalista”, veio a solidificar o domínio total, repressivo e, mesmo terrorista, da grande burguesia.

Na Europa e América do Sul, através de partidos com aquela designação ou próxima, e nos Estados Unidos, que, através de magnates destacados da banca e da indústria financiaram o partido nazi na Alemanha, e, internamente, com uma dominação absoluta do poder em torno dos dois agrupamentos partidários que constituem o cerne político da mesma dominação: O Republicano e o Democrata. E uma repressão feroz e selectiva a todos os que se opunham a esse poder, em especial os comunistas e socialistas, que tinham uma grande presença no movimento sindical e cultural do país e que, praticamente, desapareceram da cena política.

Na Rússia Soviética, principalmente, na fase mais aguda da guerra civil, o governo revolucionário tomou medidas (confisco forçado de produtos do campo, sem contrapartidas, entre outras) que, em lugar de dar ao campesinato pobre – e mesmo remediado – uma situação económica mais benéfica que se traduzisse em melhores condições de vida, afastaram – ou melhor dizendo, as tornaram passivas - essas massas populares do apoio à Revolução.

O governo soviético, por proposta de Lénin, tentou inverter via, instituiu em 1921, em NEP (Nova Política Económica), que reintroduzia a privatização da pequena propriedade: camponesa, comercial e industrial, liberalizava a política salarial e permitia a entrada de capital capitalista estrangeiro na economia do país.

Lénin apelidou esta nova formação económica de capitalismo de Estado. Foi uma via que nunca mais teve retrocesso. Aprofundou-se, posteriormente, em 1928, com a colectivização forçada já sob a liderança de José Stáline.

A Revolução socialista de 1917, à medida que os anos seguiam, não conseguia manter a via revolucionária. A Rússia soviética reformulara o antigo poder, mas apenas no seu início.

Estava “enlameada” nas contradições devido ao fraco desenvolvimento económico e social anterior.

Lutava, além do mais, contra uma burguesia capitalista europeia e norte-americana, que se fortalecia novamente, a partir dos anos 20, através de métodos terroristas é certo, mas que era mais potente, que produzia a transformações tecnológicas e científicas em “arma” de progresso.

Não conseguiu dar aos movimentos revolucionários do Ocidente capitalista o incremento capaz de impulsionar a maturidade política entre as massas populares que vacilavam.

Do ponto de vista da economia política, ao longo destes 93 anos, após 1917, o que podemos constatar, até porque se deram, no século XX, Revoluções de grande envergadura ou levantamentos revolucionários – como a chinesa de 1949, a cubana de 1959 e o Maio de 1968 em França, que fracassaram também – é que a evolução do incremento não esteve capaz, até agora, de levar à destruição da produção capitalista.

Embora o desenvolvimento contínuo dessas revoluções sociais, que se prolongam, agora já pelo século XXI, trouxe clarificações evidentes que apontam que a evolução da burguesia está a chegar a uma encruzilhada, cujos indícios de uma nova consciência social de ruptura se está a aproximar.

O caminho de uma nova sociedade está a ser percorrido, agora com uma clareza maior. E essa via é-nos dada pela nova revolução tecnológica que está a impor-se de forma total no Mundo que tem os germes revolucionários de uma nova economia e de um novo tipo de poder.

A fase de paz interna no seio do capitalismo internacional parece estar a chegar ao fim. Os arautos desse capitalismo sentem o chão escorregadio. Estão a engendrar crises atrás de crises, elevando a potências inacreditáveis de propaganda o medo da insegurança. Estão a armar-se despudoradamente contra o inimigo que clamam ser de modo abstracto e vago de terrorismo. Empurram Exércitos imperiais, como baratas tontas, para várias partes do Mundo, pensando que garantem, indefinidamente, a sustentação da sua ordem. Ameaçam até com novas guerras, até nucleares.

Mas, a subversão está, na realidade, a tornar-se o seu fantasma, cada vez mais real.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

QUANDO SE DESCOBRIRÁ O "SEGREDO BANCÁRIO"?

Quem são os verdadeiros homens-sem-rosto que
movimentam e escondem as fortunas no sistema
financeiro mundial?












Surgem todos os dias catadupas de informações sobre operações ultra-secretas das mais secretas e compartimentadas Forças Armadas do Mundo, como os Estados Unidos da América e Rússia, e, até da República Popular da China.

Mesmo, a aparente inatangível actividade clandestina da MOSSAD israelita cai no domínio público, através de informações provenientes do seu interior, que são "sopradas" ou levadas, por vezes, à própria imprensa do país.

Todavia, até hoje nada de substancial conseguiu ultrapassar a bandeira do segredo, pelo menos até agora: os movimentos de capitais clandestinos, onde se escondem e os nomes de que os controla.

Ou seja, a descoberta do "verdadeiro segredo bancário" e o controlo deste por Estados honestos, que nacionalizem os bancos, acabaria, de certa maneira, com a maioria das guerras, das fraudes, dos massacres, enfim das "actividades clandestinas".

Quando que se começou a determinar os contornos reais da actual crise financeira e económica mundial, o responsável máximo da ONU pelo combate ao crime, o italiano Antonio Costa, afirmou que perto de 240 mil milhões de euros em "dinheiro sujo" evitou um colapso maior do sistema.

Ou seja, legalmente, os actuais detentores do poder político no Mundo permitiram que se fizesse um monstrosuoso branqueamento de capitais para salvarem os seus regimes.

Costa acusou o sistema financeiro de ter recebido dinheiro sujo como forma de resolver os problemas de liquidez que enfrentava. “Os empréstimos interbancários foram financiados por dinheiro vindo do tráfico de droga e outras actividades ilegais”, acusou ontem em declarações ao jornal “Observer”.

Ao todo, calcula em 352 mil milhões de dólares (240 mil milhões de euros) o capital ilícito que terá entrado no sistema financeiro durante a crise.

Segundo o mesmo responsável, a ONU já viu provas de que o único “investimento líquido de capital” que foi disponibilizado a alguns bancos veio de gangues de crime organizado, algo para o qual foi alertado por agências de combate ao crime há cerca de 18 meses.

“Em muitos casos, o dinheiro da droga era a única liquidez disponível. Na segunda metade de 2008, a falta de liquidez era o maior problema do sistema bancário, logo ter liquidez em capital tornou-se um factor muito importante”, salientou ao jornal britânico.

Costa revelou que algumas das provas a que o seu departamento teve acesso mostram que muito deste dinheiro sujo foi mesmo aproveitado para salvar algumas instituições financeiras em risco devido ao congelamento dos empréstimos interbancários.

“Há alguns sinais que alguns bancos foram assim salvos”, acusa, sem pruridos, negando-se porém a nomear bancos ou países que possam estar envolvidos. “O dinheiro faz agora parte do sistema e já foi lavado”, aponta mesmo.

“Houve um momento, no ano passado, quando o sistema paralisou devido à falta de vontade dos bancos em emprestar dinheiro ao resto do sector. A progressiva reliquidação do sistema, e consequente melhoria de alguns bancos, veio tornar o problema menos sério do que chegou a ser”, referiu o "czar anticrime da ONU", conforme o “Observer” apelida Antoni Costa.

Segundo estudos da ONU, Grã-Bretanha, Suíça, Itália e Estados Unidos são ser os mercados mais utilizados para lavagens de dinheiro.

Estas declarações já têem dois anos. São gerais. Até hoje nem um único nome dessa "rede mafiosa" que controla o sistema financeiro foi denunciado pela ONU, ou pelos Estados alvos de acusação.

Para bem da sociedade, gostariamos que eles começassem a serem postados em sites da Internet. Há muita gente que sabe quem são.

Então porque ainda não foram investigados pelas "rigorosas" agências policiais, como o FBI, a Scotland ou, cá em casa, pela PJ ou Ministério Público?

O FASCISMO CRESCE NOS EUA








Uma subserviência constante dos políticos norte-americanos para com os financeiros judeus.



















"Why is Assange still alive?
October 29, 2010
I`d like to ask a simple question: Why isn't Julian Assange dead?

In case you didn't know, Assange is the Australian computer programmer behind WikiLeaks, a massive — and massively successful — effort to disclose secret or classified information. In a series of recent dumps, he unveiled thousands upon thousands of classified documents from the wars in Afghanistan and Iraq. Military and other government officials insist that WikiLeaks is doing serious damage to American national security and is going to get people killed, including brave Iraqis and Afghans who've risked their lives and the lives of their families to help us.

Even Assange agrees. He told the New Yorker earlier this year that he fully understands innocent people might die as a result of the "collateral damage" of his work and that WikiLeaks may have "blood on our hands." WikiLeaks is easily among the most significant and well-publicized breaches of American national security since the Rosenbergs gave the Soviets the bomb. ...".
Este trecho é real e está inserto na edição do passado dia 29 do jornal norte-americano "Chicago Tribune". Está assinado por um colunista judeu chamado Jonah Goldberg.
É um veredicto de pena de morte. Público. Autorizado, naturalmente pela Administração e Direcção do periódico.
É um exemplo descarado de uma "mensagem fascista" para a sociedade norte-americana. Mas também mundial, já que os autores/mentores sabem que tais escritos irão ter divulgação internacional.
É um slogan de teor idêntico aos que o regime nazi hitleriano emitiu - e após a tomada do poder colocou em prática, matando ou enclausurando em campos de concentração - em termos de "lista de morte", classificando como "anti-patriotas", todos aqueles que discordavam da política imperial de Hitler e denunciavam, na altura, a fascização crescente da sociedade alemã, em particular, e, da Europa e EUA, em geral (sim, porque, na altura da ascensão do chanceler Adolf Hitler ao poder uma parte substancial dos principais financeiros e políticos norte-americanos nutriam simpatias não disfarçadas pelo regime nazi-fascista teutónico).
O ataque a Julian Assange e ao blog Wikileaks é um ataque aos que pugnam pela liberdade de imprensa, pela democracia, contra a ocupação imperial, contra os massacres desenfreados que a administração (económico-política) norte-americana está a realizar no Médio-Oriente.
O que é curioso é que o ataque surge de um potente jornal dos EUA, controlado pelo lobby judeu norte-americano, que se organiza em torno do AIPAC.
(Tal como Hitler foi sustentado e financiado na sua ascensão ao poder pelos magnates norte-americanos de então, onde se incluiam financeiros judeus, agora, no próprio território norte-americano são os mesmos potentados, agora com uma evidência maior para os judeus, que fomentam a actividade política para tornar o regime de Washington uma "democracia musculada", como primeira via para uma ditadura terrorista).
O AIPAC, traduzindo do inglês é a "Associação norte-americana-judia de relações públicas", é um lobby é constituído por dúzias de comités de acção política pró-Israel que baseiam uma grande parte do seu apoio na comunidade judaica americana e financiam os candidatos presidenciais, dos dois partidos.
Barack Obama foi impulsionado para a Presidência em detrimento de Hillary Clinton, depois daquela associação, em assembleia-geral, lhe ter declarado expressamente o apoio.
Escolheram o programa de "Oprah Winfrey Show', do grupo Fox, pertença, em maioria, de financeiros judeus, precisamente, para lançarem Obama contra Hillary Clinton.
Contrataram, agora, Sarah Palin, ex-candidata à vice-presidência do país - uma antiga semi-analfabete governadora do Alasca, mas apologista da "democracia musculada" no país, para apresentar um programa no seu canal televisivo de maiores audiências.
Claro que não são apenas os financeiros judeus a sustentarem a progressiva fascização da sociedade, igualmente se encontram empenhados grupos de cristãos(católicos conservadores, evangélicos e mormóns) - /estes controlam completamente o Estado de Uthat, desde a segurança à economia/.

O articulista do "Chicago Tribune" sublinha, citando, naturalmente, os mentores do complexo industrial-militar dos EUA, que "responsáveis da estrutura militar e outros insistem que o site está fazendo um prejuízo grave para a segurança nacional americana e levará a morte pessoas, incluindo bravos iraquianos e afegãos (ou seja, em linguagem vulgar, os bufos), que já arriscaram as suas vidas e as vidas de suas famílias para nos ajudar".
E porque estão preocupados esses "responsáveis"? Porque são, justamente, os responsáveis por massacres e actos de tortura em larga escala de cidadãos iraquianos e afegãos civis, depois de ocuparem militarmente as suas terras.
Ou seja, são criminosos de guerra.
Estaremos a ser exagerados com o papel desempenhado na política interna e externa norte-americana por uma minoria de pessoas organizadas?

Eles são discretos e não aparecem nas primeiras páginas. Agem na calada, mas repare-se quem aparece, em força, nas suas iniciativas. Conhece-se muito pouco do que fazem, mas, por vezes, sai uma pequena reportagem na imprensa.
Cito-vos esta, saida no jornal "Washington Post", em Abril de 2003.
Assinou a peça Mike Allen (que também foi correspondente da revista "Time" na Casa Branca), que referiu que na assembleia-geral do AIPAC estavam presentes "metade" dos membros do Senado, 90 membros da Câmara de Representantes e 13 funcionários superiores do governo, incluindo o então Chefe de Pessoal da Casa Branca, Andrew Card.
Allen escreveu ainda que o "AIPAC citou, em tom de festa, um por um das centenas de dignitários, sendo que cada um recebeu fortes aplausos" dos membros presentes.