domingo, 5 de dezembro de 2010

ESPANHA: QUANDO A GREVE ASSUSTA O PODER


















Os controladores aéreos espanhóis cometeram um “crime de lesa-majestade” para com o poder político estabelecido: decretaram greve para defenderem reivindicações próprias, que passavam, essencialmente, pela defesa dos postos de trabalho, que estão ameaçados de imediato pela privatização da empresa estatal, que gere o espaço aéreo do país.



E, embora sejam muitos poucos, como assalariados, usaram uma arma que tinham ao seu dispor que é a greve, - naturalmente deveriam ter preparado, com mais argúcia, o acto que puseram em marcha, mas isso é outra coisa - e para dar impacto à sua reivindicação ultrapassaram os burocratas dirigentes sindicais das duas centrais, Comissiones Obreras (CCOO) e UGT, que são dados ao “respeito pelas instituições”, e só realizam reivindicações dentro dos “estritos limites da Constituição”. Pela leitura de uma parte de imprensa, constata-se que aquelas centrais estavam a par das reivindicações. Não foi, portanto, um acto encaminhado fora das discussões sindicais.



A greve é uma arma, que fere. Quem a vai utilizar tem de ponderar, com eficácia, a preparação. Caso contrário, não serve para nada. Tem, do outro lado, uma barricada poderosa. Mas, desse lado, se existir um governo que se reclame dos interesses dos trabalhadores, aquele deveria analisar o que a outra parte pretende com o seu protesto. É justo? É correcto?

A greve não é, para os dois lados, uma passeata. Mas, ela, para ter eficácia, tem de atingir esse outro lado da barricada. E, os controladores aéreos, porque são um sector minoritário, mas poderoso, em termos de reivindicação em força, utilizaram-na para atingir os seus objectivos. Mas, naturalmente, deveriam ter transmitido aos eventuais sectores populares atingidos, porque o faziam.


Mas, esta reivindicação espontânea, porque atingia todo o sistema económico-político, do regime capitalista espanhol, trazia um perigo de excepcional importância para toda a ordem estabelecida: desde o poder de Estado até aos compromissos das centrais sindicais oficiais, CCOO e UGT, esta umbilicalmente ligada ao governo e partido de Zapatero.


Se vingasse, ainda que nos suas mínimas pretensões, tal como foi posta em marcha, sem aviso, nem contemplação, colocou em pé de guerra toda a sociedade “respeitável” da oligarquia (económica e política) de Madrid.

Ora, o primeiro dever defensivo do governo Zapatero – e do inefável número dois Rubalcaba – foi o de pôr em marcha o Exército para “trucidar” as reivindicações pujantes de algumas centenas de trabalhadores, que ousava desafiar as prepotências do poder. Quem disse que o Exército é neutral?


E decretou o “estado de emergência”, o que aconteceu pela primeira vez desde 1975.


O regime monárquico utilizou este poder contra trabalhadores, mas não o fez quando uma parte do próprio Exército em 1981 se rebelou, de armas na mão – é verdade, de armas na mão, contra todo o poder de Estado.

/Recorda-se para que conste: Antonio Tejero Molina, então tenente coronel da Guarda Civil, encabeçou um golpe de Estado a 23 de Fevereiro de 1981 na Espanha, popularmente conhecido como "23-F". Na tarde daquele dia, entrou com 200 guardas civis no Congresso dos Deputados, que nesses momentos celebrava a sessão de investidura como presidente do governo de Leopoldo Calvo-Sotelo. Teve sequestrados os deputados até as 10 da manhã do 24 de Fevereiro de 1981, quando se entregou ao fracassar a tentativa de golpe de Estado. Neste golpe estavam implicados altos comandos das Forças Armadas, que tinham cumplicidade na própria Casa Real. Tejero foi julgado (e só ele) e apanhou …seis meses de prisão num quartel/.


Com esta dois casos, repare-se como age o poder de Estado. Com toda a repressão sobre os trabalhadores.

Ora, o que aconteceu com os controladores, não está isolado da agitação social que percorre Espanha devido às medidas anti-sociais que estão a ser implantadas pelo governo de Zapatero.
E, a acção minoritária dos controladores aéreos, que não tiveram apoio das centrais sindicais, serviram para que o governo fizesse a maior campanha de fechamento autoritário, que está a ser posto em prática em Espanha desde 1975.

E este sinal de autoritarismo deveria "fazer tocar campainhas" na consciência dos grandes meios de comunicação social. Eles, mais do que ninguém, tinham a missão de dar a versão correcta de quem entrava em greve. (É certo que uma forma de luta destas, por vezes, pode ser manipulável. A grande burguesia pode utilizar sectores de trabalhadores, para levar a água ao seu moinho, mas o que está a ocorrer, politicamente, em Espanha não é manipulação, mas repressão).
Ora, o que aconteceu até agora foi apenas cumplicidade, com o poder, da maior parte dos chamados grandes meios de comunicação social de Espanha – e não só da Europa, e, em particular de Portugal: Não deram a conhecer as razões dos controladores, e colocaram a máquina mediática lançando o labéu de “elite privilegiada” aos assalariados do controlo aéreo.


Esperemos pela repressão que se irá abater sobre esses assalariados, e verificar de que lado estão os burocratas das CCOO e UGT.




sábado, 4 de dezembro de 2010

SÁ CARNEIRO: O CAPITAL EM BUSCA DE NOVO MODELO SEBASTIANISTA



















Há 30 anos, morreu na queda de uma avioneta, em Camarate, arredores de Lisboa, o então Primeiro-Ministro de Portugal Francisco Sá Carneiro. Na aeronave seguia Amaro da Costa, que era o Ministro da Defesa, e tido como o "ideólogo" do CDS.

Era o dia 4 de Dezembro de 1980, e, em Portugal, efectuava-se o último dia de campanha eleitoral presidencial que tinha em liça, em segunda volta, dois generais: Ramalho Eanes, que se recandidatava ao cargo de Chefe de Estado, com o apoio - dividido - do PS e total do PCP, e Soares Carneiro, na altura Chefe do Estado-Maior-General das Forças Armadas, a figura escolhidada pelos dois partidos do executivo em funções, que se organizaram numa Aliança Democrática (AD).

(Refiro o PS dividido, porque Mário Soares se auto-suspendera de líder socialista e manifestara-se contra o general do 25 de Novembro, dando assim um apoio cúmplice ao outro general).

Tal como em 1980, hoje 30 anos depois, vive-se numa crise política e económica. Na época, todavia, não atingia as proporções de agora.

Mas, na ocasião, Sá Carneiro desempenhava um papel político, como agora, ao reviver-se a sua figura, 30 anos depois, se procura "endeusar" a personalidade para introduzir ideias e modelos de sociedade que estavam subjacentes às preconizadas naquele tempo.

A figura e o papel de Sá Carneiro então e a dos seus "seguidores" de hoje não podem ser desinseridas da luta política e económica que percorre a sociedade portuguesa, nem dos objectivos de poder e de representação de classe que essa personalidade desempenhou.

Quero, com isto dizer, que Sá Carneiro foi criado pelas circunstâncias que a luta classista fez brotar. Ora, o papel classista, que desempenhou e interpretou, fez elevar, para um sector da classe dominante, essa personagem a mito e herói, quando, nas contas do progresso da História, não passou de um político vulgar, que nunca esteve presente nas grandes convulsões que definem os líderes.

Sá Carneiro não entrou na política pelo lado da Democracia, pelo lado da militância em torno de um novo poder que instaurasse uma República Social. Apoiou, sim, o regime então vigente a ditadura fascista, sendo mesmo eleito seu deputado.

Quando entrou na arena parlamentar do Estado Novo, fez uma opção, porque sabia que estava em concorrência - e perseguida pelo regime - uma outra lista, que defendia ideias opostas ao programa a que ele aderiu.

Não desejava, pois, uma ruptura com o poder político nacional fascista.

A prática parlamentar deu-lhe a noção que o regime do Estado Novo estava em agonia, e que se não houvesse uma "reforma" do mesmo, o seu "meio social" poderia confrontar-se com uma Revolução. Havia indícios mais que suficientes, para os poderes económicos e políticos dominantes, que um fermento de agitação social e reivindicações operárias e populares estava a empolar e um surto de liça revolucionária poderia saltar para a sociedade portuguesa a qualquer momento.

Sectores ditos tecnocratas e liberais do regime procuravam, desde o sistema financeiro ao militar, com reflexos na Assembleia Nacional de partido único, cujos expoentes, como deputados, eram precisamente João Pedro Pinto Leite, Pinto Balsemão, Sá Carneiro, Miller Guerra e Magalhães Mota, buscar uma saída "moderada" para o atoleiro em que estava metido o regime, que não abria mão da tutela ditaturial.

Quer a velha estirpe do Estado Novo - desde Américo Tomás até Marcelo Caetano, quer a estirpe liberal, onde se situava Sá Carneiro, foram apanhados de surpresa pelo golpe de Estado de 25 de Abril.

Os primeiros passos deste golpe pareciam estar em sintonia com o pensamento de Sá Carneiro.
Iria haver um novo poder político, mas toda a argamassa económica e social do antigo Regime iria manter-se intacta.

Então ele meteu-se rapidamente na carruagem em andamento. Formou à pressa um partido político, com o grupo de deputados da chamada "Ala Liberal" da defunta Assembleia Nacional, e, organizou, lestamente, uma estrutura pelo país, alicerçada nos velhos autarcas e seguidores, menos marcados, do Estado Novo. Assim surgiu o PPD.

E, com a experiência adquirida na escola parlamentar desse mesmo Estado Novo, juntou à ala liberal militar musculada do MFA, que se abrigava em torno do general Spínola.

Mas, as massas populares consideraram o golpe de Estado de outra maneira. Festejaram-no como uma acontecimento que iria mudar radicalmente a sociedade. Viram a hipótese de formar uma outra sociedade.

Com a nova formulação do poder, logo em Maio de 1974, essa ala liberal, que tinha o general Spínola, como Presidente da República, o advogado Palma Carlos Primeiro-Minsitro e o "número" três Sá Carneiro, como Ministro sem pasta, pensaram que tinha a governação na mão, e imporia um tipo de poder, em que o grande capital pudesse medrar sem qualquer oposição.

As ruas começaram a ditar ordens, a impor reivindicações, a exigir cursos diferentes no andamento da economia, a retirar regalias a quem explorara sem qualquer rebuço durante dezenas e dezenas de anos.


Ora, nesta conjectura, Sá Carneiro assumiu a sua verdadeira face. Era necessário muscular o regime, voltar as traves-mestras económicas - e até políticas - de antanho.

Como pensava que Spínola dominava os miliares revoltosos de 25 de Abril, o minsitro sem pasta Sá Carneiro redigiu um projecto de "poder musculado", que queria pôr em prática rapidamente, através de um golpe palaciano. Como viu que o poder militar, lhe era adverso, meteu o rabo entre as pernas e saiu pela porta baixa.

Na prática, até ao 25 de Novembro de 1975 nunca mais teve influência nas decisões e movimentações políticas que tiveram lugar. Entre Fevereiro e Setembro de 1975, altura de acesa luta política, esteve fora do país, embora continuasse, como secretário-geral do PPD e tivesse sido eleito deputado à Assembleia Constituinte. No próprio dia 25 de Novembro de 1975, curiosamente, também se encontrava no estrangeiro.


Mas, depois de Novembro, já apareceu ao lado dos vitoriosos e apoiou entusiasticamente a candidatura do general Eanes, em 1976, à Presidência da República, como personalidade capaz de "congregar" todo o apoio da nova classe dirigente, que se encavalitou no poder com o golpe de Estado novembrista. Na sociedade, havia ainda resquícios da liça revolucionária, que estava avivados em torno da candidatura do coronel Otelo Saraiva de Carvalho, que estava a arregimentar centenas de milhares de populares. O antigo comandante do COPCON recolheu cerca de 20por cento dos votos expressos.

Embora a vivacidade das reivindicações populares tivessem esmorecido, os detentores do novo poder, que na altura se equilibrava entre a ala militar "moderada" liderada, ideologicamente, por Melo Antunes e, do ponto de vista castrense, por um conjunto de antigos capitães e majores, onde pontificavam Sousa e Castro, Marques Júnior, Franco Charais, Vitor Alves, Pezarat Correia, entre outros em aliança, com os antigos gonçalvistas, e o Partido Socialista, vitorioso das eleições de1975 e 1976, procuravam realizar uma "transição pacífica" para o modelo capitalista ocidental.
Sustentavam então pela voz do generaç Ramalho Eanes que se vivia numa "democracia socialista".

Todavia, começavam os reerranjos políticos dentro desse poder para impôr o domínio absoluto do Capital financeiro.
Estamos na parte final do ano de 1977. Sá Carneiro torna-se ponta de lança dos interesses mais imediatos e gananciosos desse Capital, afasta-se da liderança do PPD e abandona, mesmo o partido.

Afirmou, então, que não regressaria, sem que houvesse uma revisão da Constituição, que acabasse com a "herança socialista" e houvesse outro Chefe de Estado em funções, que defendesse as suas teses.

Fez esta "ruptura", quando sentiu que a probalidade de uma revolução estava afastada e verificou que as classes assalariadas não reagiam, fortemente, aos cortes de benefícios sociais que tinham adquirido no período pré-revolucionário de 1974-75. Calvagou mesmo certa insatisfação popular, já que havia crescimento do desemprego, cortes salariais, entre outras medidas, lançadas pelos governos de Mário Soares.

Começou um ampla campanha de propaganda em torno da sua figura. Fez nascer um áurea de "sebastianismo" à sua volta. Coliga-se com o CDS e os monárquicos na AD e ganha as eleições legislativas. É Primeiro-Ministro. Lança-se, depois, freneticamente, na escolha de um militar que se contrapusesse à figura de Eanes, que representava para ele os resquícos do "período socialista". Escolheu um general da velha estirpe salazarista, Soares Carneiro, que a nova realção de forças na estrutura castrense, fez ascender a CEMGFA.


A 7 de Dezembro de 1980, tiveram lugar as eleições presidenciais. O candidato de Sá Carneiro não venceu.

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

PT: MAIS CAPITAL ESPECULATIVO A SUGAR DIVIDENDOS












A Portugal Telecom comunicou hoje, sexta-feira, que o Income Fund of America já detém 5,03% da empresa, geridos pela Capital Research.



A Capital, uma gestora de fundos, subira, há poucas semanas, a sua posição para 10,08 por cento.
De acordo com o comunicado da empresa liderada por Zeinal Bava, o Income Fund of America (Fundo de Rendimento da América) -(IFA, na sigla inglesa) comprou, no dia 29 de Novembro, 545.319 acções da PT, elevando assim a sua posição para mais de cinco por cento.

Adicionalmente, a PT “foi informada que o IFA conferiu poderes à Capital Research and Management Company para exercer os direitos de voto correspondentes a esta participação qualificada”.



Esta, por sua vez, segundo foi conhecido no dia 25 de Novembro, passou a deter uma participação superior a 10 por cento dos direitos de voto (10,08 por cento) da PT, mas já incorporando a posição que o IFA detinha nessa data.

Na altura, a operadora de telecomunicações comunicou que “as acções correspondentes a esta participação qualificada são detidas por fundos de investimento geridos, com poderes discricionários, pela Capital Research and Management Company”.

Conhecida por ser responsável por investimentos de longo prazo, a Capital só pode exercer os seus direitos de voto, de acordo com os estatutos da operadora de telecomunicações, até dez por cento, apesar de agora gerir uma posição que rondará os 11,5 por cento.



Parece ser uma grande notícia, mas é, acima de tudo, um reforço do capital especulativo estrangeiro, não garantido, na PT. Esta entrada de capital nada mais é que a chegada, em volume crescente, à empresa portuguesa de “mais um vampiro sugador de lucros”.



Se se consultar as informações oficiais norte-americanas, respeitantes aos riscos de investimento em tal fundo, assinala-se nomeadamente que “o preço das acções e o retorno varia. Portanto, você pode perder dinheiro”.



Ou seja, o movimento monetário, não é, produtivo, mas simplesmente especulativo. E acrescentam: “os investimentos não são seguros pela FDIC (Federal Deposito Insurance Corporation, em português: Agência Federal de Garantia de Depósitos Bancários), nem são depósitos ou garantidos por um banco ou qualquer outra entidade).


Para que se possa avaliar, quem especula com o dinheiro de uma empresa nacional, repare-se nos principais parceiros da firma norte-americana, segundo a informação oficial da empresa detentora da gestão do Fundo:

1. Merck 2.2% 6. Royal Dutch Shell 1.4%
2. Verizon 2.1% 7. Chevron 1.4%
3. Bristol-Myers Squibb 1.7% 8. McDonald's 1.2%
4. Home Depot 1.6% 9. Philip Morris International 1.2%
5. Waste Management 1.5% 10. DuPont 1.2%

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

WIKILEAKS: QUEM DEU OS DOCUMENTOS?

1- Este texto é curto, e apenas pretende introduzir a discussão.

De onde vieram os documentos que foram divulgados pelo Wikileaks?

Diz-se que seriam de um soldado, com alguma apetência para entrar em sítios esquisitos. Pode ser.

Mas, eu, como sou muito desconfiado, coloco dúvidas.

Para se conseguir reunir tal informação somente alguém - ou grupo organizado - altamente colocado (s) na hieraquia dos serviços secretos dos Estados Unidos, ou então alguém (ou alguens) que, de fora, tenha acesso ou domine a própria estrutura política e militar daquele país.

E aí, somente, um outro país poderia ser: Israel.

Nos últimos 25 anos, todos os altos dirigentes de importância da Administração norte-americana são (ou eram) judeus e eles somente tem uma pátria: O capital sionista, que neste momento se alberga, como Estado, no território que foi da Palestina até 1948.

2 - Tive a curiosidade de ler os documentos de imprensa saídos, via Wikileaks: Iraque, Afeganistão e agora política externa.

O que retirei é que o papel de Israel em todas as áreas divulgadas, na prática, não aparecem. Ora, grande parte da política externa norte-americana no Médio-Oriente está hoje concentrada na defesa de Israel.

Então, porque será que a documentação não foi transmitida?

O PRÓXIMO HITLER PODE SER UMA MULHER














1 - A declaração que vou fazer pode parecer uma provocação, mas ela é, pura e simplesmente, uma constatação: uma mulher pode ser proximamente a figura política de Adolf Hitler.

Estou, neste caso, concreto a falar da secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton. De liberal na juventude, ela hoje é a personalidade radical que orienta a política externa, abertamente imperial dos Estados Unidos, e porque este país se encontra em fase decadente na sua economia, está a procurar, em termos políticos, fascizar a sua actividade como Nação, forçando a guerra abertas (por enquanto locais e regionais) cada vez mais prolongada e sangrentas, com invasões, ocupações, intromissões, descaradas e bestiais, nos assuntos internos dos países.

No fundo, tal como Hitler preconizou na sua ascensão ao poder que o seu objectivo era o "restabelecimento" da grandeza da Alemanha e, para isso, era preciso ir "procurar espaço vital" noutras regiões. Este espaço vital era, justamente, a ocupação ou invasão para dominar as matérias-primas essenciais (minerais, alimentares ou humanas) para a manutenção da "superioridade" da raça ariana.

Ora, a política actual dos EUA - visível há 30 anos, mas de maneira claramente evidente agora, até pela divulgação dos documentos *secretos* da sua acção no Iraque, Afeganistão e da sua própria diplomacia - tem, precisamente, esse mesmo objectivo: procurar "espaço vital" que sirva "os interesses nacionais" norte-americanos.

E a personalidade agressiva e incisiva da aplicação dessa política está concentrada nas mãos de Hillary Clinton. Ela, não tem pejo, em fomentar uma guerra de grandes dimensões.

Os documentos secretos e confidenciais da Administração norte-americana, divulgados pelo site "Wilileaks" revelam, sem qualquer imagem metafórica, que a actual secretária de Estado, Hillary Clinton, autorizou espionagem contra embaixadores e funcionários de topo da Organização das Nações Unidas (ONU), incluindo o secretário-geral da entidade, o sul-coreano Ban Ki-Moon, bem como de todas as Nações que lhe possam ser concorrentes no futuro, mesmo que agora sejam aliados, como a França, a Alemanha e o Reino Unido.

E essa espionagem não é para verificar se fulano dorme com a mulher do outro. É para combater toda e qualquer política que vá contra a a prática imperial de Washington.

Claro que quando digo que uma mulher pode ser o próximo Hitler, estou a fazê-lo porque a Clinton está, nitidamente, a preparar-se para suceder a Barack Obama.

Mas, também posso afirmar que o próximo Hitler pode ser um negro/mulato, como Obama, que persegue idêntica orientação política.

Ou seja, a fascização de um país, tanto pode fazer-se em nome da "supremacia da raça" ariana, como o fez o austríaco Hitler, em nome do Capital alemão, como em "nome dos interesses nacionais" de um país, na sua hegemonia capitalista, o podem vir a efectuar os inquilinos de Casa Branca de Washington, musculando o poder democrático, sejam eles a branca Clinton, o mulato de origem africana Obama ou outro candidato de origem sul-americana.

2 - Em segundo plano, mas devo registá-lo: a ascensão da mulher na carreira numa sociedade desigual não torna a mulher mais humana, mais igual.

Quando chega a esse lugar pode-se compará-la, normalmente, isso sim ao que de pior fazem os homens no exercício do poder, seja económico, político ou social.

A questão da igualdade de sexos no emprego é uma conquista; a questão de ascensão em cargos de responsabilidade política em submissão ao Capital pode representar, para a mulher, um retrocesso em termos ideológicos e morais.

As evidências estão, na realidade da vida: as Golda Meir, Margareth Tatcher, Indira Ghandi, Dilma Roussef e, naturalmente, Hillary Clinton.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

SISTEMA FINANCEIRO MUNDIAL: OS ASSASSINOS ECONÓMICOS








A crise financeira mundial de 2008 veio mostrar à evidência que quem domina, neste momento, o poder político mundial não são os eleitos parlamentares/governos ou presidenciais, no caso de o sistema ser parlamentar ou presidencialista, tipo ocidental, ou não eleitos ou escolhidos por vias de partido único, com um sistema de capitalismo de Estado, como a China ou Cuba, mas os grandes banqueiros e capitalistas financeiros internacionais.


Mesmo com a crise em andamento, sabendo-se que os fautores da mesma foram esses grandes banqueiros, especialmente os que se concentram nos Estados Unidos da América (com predominância gritante dos judeus), Reino Unido, China ou Vaticano, eles é que continuam a gerir a mesma a seu favor, impondo os ditames do crédito e empréstimo de Estado, as regras dos seus Orçamentos, o tipo de repartição de impostos, a regulamentação das legislações internas dos países nos domínios laborais, prestações sociais, entre outras.

Foram eles que levaram a falência uma parte substancial do seu sistema bancário e financeiro, mas obrigaram os diferentes governos a fazerem a “cobertura monetária necessária” para garantirem que os lucros desses mesmos bancos se mantivessem, mesmo que o Estado se tornasse, na prática, o seu detentor.

Apesar de tudo isto, dos crimes que cometem diariamente, provocando falências fraudulentas, desvios incomensuráveis de dinheiro público e dos contribuintes, esses grandes capitalistas financeiros privados mantêm-se no comando dos grandes bancos, inclusive daqueles que recorreram à ajuda estatal, permanecem, incólumes, no domínio das principais Bolsas mundiais, com destaque para Wall Street, na administração dos grandes complexos industriais-militares, nos principais sectores de transportes, mineração, petróleo, grandes riquezas agrícolas e agro-industriais.

Enfim, ocupam, através de representantes políticos, como é o caso dos EUA, do Reino Unido, França, Alemanha ou Itália, os próprios governos, ou são, como na China, os gestores diligentes do sistema económico capitalista, sob a orientação perfeitamente controlado do próprio Estado.

A crise financeira de 2008, que começou nos Estados Unidos da América, que é o maior país devedor do mundo, ao tornar-se, de repente, internacional, deitou para a luz do dia uma realidade que, estava, para a maioria das pessoas, apenas camuflada: os governos ocidentais não eram, nem mais, nem menos, do que os elos de uma imensa teia accionista capitalista, que estavam a exaurir os tesouros públicos e a explorar, fortemente, os interesses nacionais de cada Estado.

Na realidade, a especulação financeira sobrepunha-se, em toda a parte, em particular no centro do sistema financeiro mundial, a Wall Street, a uma organizada e equilibrada evolução das produções nacionais. Desde o imobiliário até à deslocalização desordenada e fraudulenta de empresas, passando pela própria planificação das necessidades de transporte e telecomunicações, tudo estava assente na ânsia do enriquecimento rápido e ilícito, ao branqueamento de capitais, ao controlo das enormes redes de tráfico de influências e droga.
Ao detectar-se os casos mais gritantes é gigantescos de fraudes, cujos primeiros indícios vão, precisamente, para Itália e o Vaticano, ainda nos anos 70, depois no ENRON, e mais tarde no Lehman Brotheres e outros (Madoff e companhia) se notava que o florescimento de uma nova classe de grande burguesia capitalista financeira estava assente no enquistamento de pessoas desprovidas de qualquer tipo de princípio ético.

Ora, quando havia gente que pensava, ingenuamente, que, com o aparecimento à luz do dia, de maneira tão evidente, do papel dessa especulação mais desagravada, iria haver uma inversão imediata, PACÍFICA, da orientação. Enganaram-se. Eles não saem de cena pelo próprio pé.

Quando no próprio centro político do capital financeiro, Nova Iorque, se levantaram algumas vozes, incluindo prémios Nobel da Economia, como Joseph Stiplitz, pedindo o controlo dos grandes bancos em bancarrota, os grandes financeiros bateram de imediato os pés e exigiram à Administração de Obama que injectasse o dinheiro que fosse necessário para “salvar a banca” `a custa de imposição de novos impostos e de restrições em prestações sociais.

E assim aconteceu. Milhares de milhões de dólares foram injectados no sistema bancário e financeiro à custa da receita do Estado. Meses depois, os bancos falidos, como o Lehman estava a dizer que tinham lucros e estavam a dividi-los pelos seus accionistas e administradores. Um verdadeiro escândalo.

Socorremo-nos de um relatório divulgado em Setembro deste ano pelo Federal Deposito Insurance Corporation (FDIC), em português Agéncia Federal de Garantia de Depósitos Bancários: os lucros dos bancos norte-americanos (claro grandes bancos) regressaram aos valores de pouco antes da crise no segundo trinestre de 2010.

Vejamos os resultados: os cerca de 7.800 bancos controlados pela FDIC tiveram uma receita de 21,6 mil milhões de dólares em três meses (Junho), tendo em atenção os valores comparados de um prejuízo de 4,4 mil milhões no segundo trimestre de 2009.

Foi o maior lucro trimestral dos bancos desde o 3/0 trimestre de 2007, quando o mercado do crédito das hipotecas subprime iniciou o processo de colapso financeiro.
Ora, este lucro proveio, em grande parte dos bancos que beneficiaram da injecção de dinheiro público começado pela Administração Bush e continuada na de Obama.

O relatório assinala, todavia, um aumento de falência de bancos pequenos.

O curioso, segundo o relatório, é que o aumento dos lucros dos grandes bancos (mesmo dos apoiados) deu-se quando se verificava uma diminuição acentuada da produção nos EUA e um aumento também acentuado do desemprego. O que quer dizer que os lucros estão ligados, novammente, a métodos especulativos duvidosos.

Centremo-nos numa realidade: Quem realizou, melhor dizendo, quem orientou a política de injecção de dinheiro público nos grandes bancos em bancarrota ?.
Nada mais nada menos, membros provenientes de Wall Street, todos do lobby judeu, como o Henry Paulson, Secretário de Estado do Tesouro de Bush, antigo Presidente Executivo do Goldman Sachs, e Timothy Geithmer, Secretário de Tesouro de Obama e ex-Presidente da Federal Reserve de Nova Iorque. Sob a supervisão de outro judeu Bem Bernanke (de seu nome verdadeiro Benjamim Shalon Bernanke).

Quem foram os principais beneficiários? Aquisição do Bear Stearns e do Washington Mutual pelo JPMorgan Chase, do Merrill Lynch pelo Bank of America e do Wachovia pelo Wells Fargo. Ou seja na prática deu-se uma concentração bancária que ficou na posse do lobby de Wall Street.

Enquanto se efectuava esta operação, com dinheiro dos contribuintes, o Banco Central (AFederal Reserve) permaneceu com uma taxa de juro de quase zero por cento, o que permitiu que esses bancos recorressem a dinheiro quase de graça, que emprestaram depois ao próprio governo a taxas mais elevada. Tudo só lucro…à custa do contribuinte, que depois terá de levar com empréstimos ainda a preços mais elevados.

Esses bancos, além de regressarem (e continuarem) com a especulação, começaram a pagar de imediato, prémios exorbitantes aos seus administradores e retiveram, na sua posse, sem qualquer esforço, um valor avaliados em um bilião de dólares.

Uma parte substancial do acréscimo de lucros desses grandes bancos veio da redução das suas reservas, o que aumenta o risco de futuras crises.

Os valores são da FDIC: grandes bancos cortaram no trimestre em apreço sacaram perto de 11,8 mil milhões de dólares que eram destinados às reservas de capital.

E assim recomeçou de imediato o processo especulativo, com os índices principais a entraram na jogada.

Ora, aqui está o busílis da questão: A quem interessa pois o aumento da dívida pública? Pura e simplesmente, a quem controla o sistema financeiro, e aos seus representantes nos governos. A história do défice público é a história do objectivo prinicipal dos especuladores, a sua principal fonte de riqueza. Interessa-lhe sacar dinheiro a quem está em baixo, cada vez mais, para no ano seguinte repetir a dose de que tudo está mal. Tem de haver mais restrições.

Mas, o capital financeiro não é beliscado.

Como se arma a teia então? Através do controlo da comunicação social e da emissão de informação viciada, através de empresas que controla, sejam de rating, sejam de analistas ditos conceituados.

A melhor estória para explicar tudo isto é aquela que é contada por quem esteve por dentro.
Nesse sentido, irei citar um livro de um homem que viveu a trama criminosa do capital especulativo.

O livro chama-se “Confissões de um Assassino Económico”, e o seu autor é John Perkins.
Retirei a sinopse do mesmo da Wikipédia, que transcrevo a seguir e depois uma entrevista que ele deu à jornalista Amy Goodman, essa mesma a que viveu o massacre de Santa Cruz em Timor.

Vamos, portanto, primeiro à Wikipédia:

“Confissões de um Assassino Econômico (em inglês, Confessions of an Economic Hit Man) é uma autobiografia escrita por John Perkins e originalmente publicada em 2004. Conta a história de sua carreira como consultor da empresa Chas. T. Main, cargo para o qual teria sido recrutado por um membro da Agência de Segurança Nacional norte-americana, NSA. O seu trabalho consistia em actuar como um assassino económico.

Assassinos económicos, de acordo com o autor, são profissionais altamente remunerados cujo trabalho é lesar países à volta do mundo em golpes de biliões de dólares.
Os assassinos económicos actuariam manipulando recursos financeiros do Banco Mundial, da Agência Americana para o Desenvolvimento Internacional (USAID), além de outras organizações internacionais e norte-americanas.

Através de empréstimos, eles canalizariam verbas de países para grandes corporações e famílias abastadas que controlam grandes fontes de recursos naturais.

Perkins afirma que seus instrumentos de trabalho incluem relatórios financeiros adulterados, resultados eleitorais fraudulentos, extorsão, sexo e assassinato. Um assassino económico seria um empregado do imperialismo nos tempos da globalização.

De acordo com o livro, o objectivo final dos assassinos económicos era o de convencer lideranças políticas e financeiras de países em desenvolvimento a contrair elevados empréstimos de instituições como o Banco Mundial e a USAID, com o objectivo de construir obras de infra-estrutura em seus países.

Os recursos dos empréstimos, porém, retornariam aos Estados Unidos, pois as empresas encarregadas das obras seriam invariavelmente norte-americanas.
Os países beneficiados se veriam asfixiados com os pagamentos dos juros e as amortizações do principal dos empréstimos. Sendo assim, tais países se veriam obrigados a se subordinar à pressão política dos Estados Unidos em diversos temas.
No epílogo da edição de 2006, o autor rebate a oferta de perdão da dívida dos países do Terceiro Mundo por parte das nações do G8.
Perkins alega que a proposta impõe diversas condições, dentre as quais a privatização dos serviços de saúde, educação, provimento de electricidade, de água e outros serviços públicos.

Segundo o autor, a proposta obriga ainda os países beneficiados a acabar com quaisquer subsídios às empresas locais e o fim de qualquer barreira ao comércio internacional, sem qualquer contrapartida por parte das nações do G8, que poderão continuar subsidiando suas empresas e impondo restrições, salvaguardas e tributos ao comércio internacional.
ENTREVISTA
«Estamos a falar com John Perkins, um ex-membro respeitado da comunidade de negócios na banca internacional.
No livro " Confissões de um Assassino Económico" ( Confessions of an Economic Hit Man ) ele descreve como, enquanto profissional altamente bem pago, ajudou os Estados Unidos a defraudar em triliões de dólares países pobres do globo inteiro, emprestando-lhes mais dinheiro do que aquilo que eles podiam alguma vez pagar para depois se apossar das suas economias. [inclui reprodução sem correcções]»

«John Perkins descreve-se a si próprio como um ex-assassino económico – um profissional altamente remunerado que defraudou em triliões de dólares países do mundo inteiro. »

«Há 20 anos que Perkins começou a escrever um livro com o título inicial de "Consciência de um Assassino Económico" (Conscience of an Economic Hit Man).»

«Perkins escreve, “Estava para dedicar este livro aos presidentes de dois países, homens que haviam sido seus clientes, que eu respeitava e considerava serem espíritos idênticos – Jaime Roldós, presidente do Equador, e Omar Torrijos, presidente do Panamá. Ambos morreram há pouco tempo em explosões aéreas. A morte deles não foi acidental. Foram assassinados porque se opuseram àquela fraternidade dos dirigentes das grandes companhias, do governo e da banca, cujo objectivo é o império global. Nós, os Assassinos Económicos não conseguimos persuadir Roldós e Torrijos, e o outro tipo de homens de golpe, os chacais sancionados pela CIA, que estavam sempre por trás de nós, entraram em acção.»

«John Perkins continua: “Eu fui convencido a deixar de escrever este livro. Recomecei-o mais de quatro vezes durante os vinte anos seguintes. Em todas as ocasiões, a minha decisão de voltar a começar foi influenciada pelos acontecimentos mundiais da época; a invasão do Panamá em 1980, a primeira guerra do Golfo, a Somália e a revolta de Osama Bin Laden. No entanto, as ameaças ou os subornos acabaram sempre por me convencer a parar”.»

«Mas finalmente Perkins publicou agora a sua história. O livro intitula-se Confessions of an Economic Hit Man. John Perkins está connosco aqui nos nossos estúdios de Firehouse. Ele trabalhou de 1971 a 1981 na firma internacional de consultoria de Chas T. Main onde era um “assassino económico”, como se descreve a si próprio. É o autor do recente livro Confessions of an Economic Hit Man.»


AMY GOODMAN: John Perkins está connosco aqui no nosso estúdio Firehouse. Bem-vindos ao programa Democracy Now!

JOHN PERKINS: Obrigado, Amy. É óptimo estar aqui.

AMY GOODMAN: É bom tê-lo aqui connosco. Vamos, explique-nos esta expressão, “assassino económico” (economic hit man), e.h.m., como lhe chama.

JOHN PERKINS: Basicamente aquilo para que somos treinados e aquilo a que o nosso trabalho se destina é construir o império americano. Provocar... criar situações em que a maior parte possível dos recursos convirjam para este país, para as nossas companhias, e para o nosso governo e, na verdade, temos sido muito bem sucedidos. Construímos o maior império da história do mundo. Isto tem vindo a ser feito durante os últimos 50 anos desde a II Guerra Mundial, de facto com muito pouco poder militar. Só em ocasiões muito raras como no Iraque é que os militares aparecem como último recurso. Este império, ao invés de qualquer outro na história universal, foi construído principalmente através da manipulação económica, através da burla, através da fraude, através da atracção das pessoas para o nosso modo de vida, através dos assassinos económicos. Eu tomei parte nisso em grande medida.

AMY GOODMAN: Como é que se tornou num deles? Para quem trabalhou?

JOHN PERKINS: Bem, inicialmente fui contratado quando estava na business school, nos finais dos anos sessenta, pela National Security Agency, a maior mas menos bem conhecida organização de espionagem; mas por fim trabalhei em empresas privadas. O primeiro verdadeiro assassino económico surgiu nos princípios dos anos 50, Kermit Roosevelt, neto de Teddy, que derrubou o governo do Irão, um governo democraticamente eleito, o governo de Mossadegh que tinha sido a pessoa do ano da revista Time; e foi tão bem sucedido em fazer isso sem derramamento de sangue... bem, houve algum derramamento de sangue, mas não houve intervenção militar, apenas se gastaram milhões de dólares e substituiu-se Mossadegh pelo Xá do Irão. Nessa altura, percebemos que esta ideia de assassino económico era muitíssimo boa. Não tínhamos que nos preocupar com a ameaça de guerra com a Rússia se o conseguíssemos fazer desta maneira. O problema era que desta forma Roosevelt passava a ser um agente da CIA. Ele era um funcionário do governo. Se fosse apanhado, ficávamos metidos num grande sarilho. Ia ser muito constrangedor. Por isso, nessa altura, a decisão foi utilizar organizações como a CIA e a NSA para recrutar potenciais homens de golpe económico como eu e depois colocá-los a trabalhar em companhias privadas de consultoria, empresas de engenharia, companhias de construção para que, se fôssemos apanhados, não pudesse haver ligação com o governo.

AMY GOODMAN: Bom. Fale-nos da companhia onde trabalhava.

JOHN PERKINS: Bem, a companhia onde trabalhava era uma companhia chamada Chas. T. Main em Boston, Massachusetts. Éramos cerca de 2 000 empregados, e eu fui nomeado economista chefe. Acabei por ter cinquenta pessoas a trabalhar para mim. Mas o meu verdadeiro trabalho era fazer negócios. Ou seja, conceder empréstimos a outros países, empréstimos gigantescos, muito maiores do que aquilo que eles algum dia podiam pagar. Uma das condições do empréstimo... digamos, mil milhões de dólares para um país como a Indonésia ou o Equador... e depois esse país tinha que pagar noventa por cento desse empréstimo a uma companhia americana, ou companhias americanas, para construir infra-estruturas – uma Halliburton ou uma Bechtel. Estas eram as maiores. Depois essas companhias iam para lá e construíam um sistema de electricidade ou portos ou auto-estradas que basicamente serviam apenas algumas das mais ricas famílias desses países. Em última análise, a gente pobre desses países ficava afogada nesta espantosa dívida que nunca poderia pagar. Hoje, um país como o Equador deve mais de cinquenta por cento do seu orçamento nacional só para pagar a sua dívida. E claro que não consegue fazê-lo. Por isso, temo-los literalmente em cima dum barril. Assim, quando queremos mais petróleo, vamos ao Equador e dizemos, “Olhem, vocês não conseguem pagar a vossa dívida, portanto, dêem às nossas companhias petrolíferas as florestas tropicais do Amazonas, que estão repletas de petróleo.” E hoje chegamos lá e destruímos as florestas tropicais do Amazonas, forçando o Equador a entregá-las porque acumularam toda essa dívida. Assim, fazemos estes grandes empréstimos, a maior parte deles volta para os Estados Unidos, o país fica com a dívida mais imensos juros e, na prática, tornam-se nossos criados, nossos escravos. É um império. Não há dúvidas quanto a isto. É um império monstruoso. Tem sido extremamente bem sucedido.

AMY GOODMAN: Estamos a conversar com John Perkins, autor de Confessions of an Economic Hit Man. Você diz que, por causa de subornos e por outras razões, deixou de escrever este livro durante muito tempo. O que é que quer dizer com isso? Quem tentou suborná-lo ou quem... que subornos é que aceitou?

JOHN PERKINS: Bem, nos anos noventa aceitei um suborno de meio milhão de dólares para não escrever o livro.

AMY GOODMAN: De quem?

JOHN PERKINS: De uma das maiores companhias de construção civil.

AMY GOODMAN: Qual delas?

JOHN PERKINS: Legalmente falando, não era... a Stoner-Webster. Legalmente falando não foi um suborno, foi... um pagamento por eu ser consultor. Foi tudo muito legal. Mas no fundo eu não fazia nada. Era um entendimento, como expliquei nas Confessions of an Economic Hit Man, que estava... para mim estava... estava implícito, quando aceitei este dinheiro como consultor, que eu não teria muito trabalho, mas não podia escrever quaisquer livros sobre o assunto, pois eles tinham conhecimento que eu estava a escrever este livro, a que nessa altura eu chamava 'Conscience of an Economic Hit Man'. E devo dizer-lhe, Amy, que é uma história extraordinária do ponto de vista de ... É quase à James Bond, na verdade. E eu quero dizer...

AMY GOODMAN: Bem, de facto é como se lê o livro.

JOHN PERKINS: Pois, era mesmo, não era? Quando a National Security Agency me contratou, fizeram-me testes num detector de mentiras durante um dia inteiro. Descobriram todos os meus pontos fracos e seduziram-me imediatamente. Utilizaram as drogas mais fortes da nossa cultura, o sexo, o poder e o dinheiro para me dominarem. Eu venho duma família muito antiga de New England, calvinista, mergulhada em valores morais espantosamente fortes. Sabe, eu acho que de uma forma genérica sou uma boa pessoa e penso que a minha história mostra verdadeiramente como este sistema e estas poderosas drogas do sexo, do dinheiro e do poder podem seduzir as pessoas, porque eu fui mesmo seduzido. E se eu não tivesse vivido esta vida de assassino económico, acho que teria passado um mau bocado só de pensar que havia quem fizesse estas coisas. E foi por isso que escrevi este livro, porque o nosso país precisa mesmo de perceber, se as pessoas desta nação percebessem o que é a nossa política internacional, o que é a ajuda internacional, como trabalham as nossas empresas, para onde vai o dinheiro dos nossos impostos, tenho a certeza de que exigiriam uma mudança.

AMY GOODMAN: No seu livro, fala de como ajudou a implementar um esquema secreto para recambiar para a economia americana milhares de milhões de dólares dos petrodólares da Arábia Saudita, e para posteriormente cimentar a estreita relação entre a Casa de Saud e as sucessivas administrações dos Estados Unidos. Explique isto.

JOHN PERKINS: Sim, foi uma época fascinante. Lembro-me bem, você é que devia ser demasiado jovem para se lembrar, mas eu lembro-me bem de como, no princípio dos anos setenta. a OPEP exercia o poder que tinha e cortou o fornecimento de petróleo. Os nossos carros faziam fila nos postos de gasolina. O país estava com medo de se encontrar noutra crise de colapso-depressão tipo 1929; e isto era inaceitável. Então, eles – o Departamento do Tesouro, contrataram-me a mim e a outros homens de golpe económico. Fomos para a Arábia Saudita. Nós...

AMY GOODMAN: Vocês intitulavam-se mesmo assassinos económicos... e.h.m.'s?

JOHN PERKINS: Sim, era um termo cifrado com que nos tratávamos a nós próprios. Oficialmente, eu era um economista chefe. Tratávamo-nos a nós próprios e.h.m.'s. Era cifrado. Era como se, ninguém ia acreditar em nós se disséssemos isto, não acha? E então, fomos para a Arábia Saudita no princípio dos anos setenta. Sabíamos que a Arábia Saudita era a chave para eliminar a nossa dependência, ou para controlar a situação. E trabalhámos nesse negócio segundo o qual a Casa Real de Saud concordava em enviar a maior parte dos seus petrodólares para os Estados Unidos e investi-los nas acções do governo dos Estados Unidos. O Departamento do Tesouro utilizava os juros destas acções para contratar companhias americanas para a construção de novas cidades na Arábia Saudita, de novas infra-estruturas... o que cumprimos. E a Casa de Saud concordava em manter o preço do petróleo dentro de limites aceitáveis para nós, o que eles têm feito durante todos estes anos, e nós concordávamos em manter a Casa de Saud no poder enquanto eles cumprissem isso, o que cumprimos, e que é uma das principais razões por que entrámos em guerra com o Iraque. E no Iraque tentámos implementar a mesma política que tinha sido tão bem sucedida na Arábia Saudita, mas Saddam Hussein não foi na conversa. Quando os homens de golpe económico falham neste cenário, o passo seguinte são os chacais, como lhes chamamos. Os chacais são pessoas sancionadas pela CIA que chegam e tentam fomentar um golpe ou uma revolução. Se isso não resultar, passam aos assassinatos ou tentam fazê-lo. No caso do Iraque, não conseguiram chegar até Saddam Hussein. Ele tinha... Os guarda costas eram bons demais. Ele tinha duplos. Não conseguiram chegar até ele. Então, quando os homens de golpe económico e os chacais falham, a terceira linha de defesa, a linha de defesa seguinte são os nossos rapazes e raparigas que são enviados para morrer e para matar, que é sem dúvida o que estamos a fazer no Iraque.

AMY GOODMAN: Pode explicar como é que Torrijos morreu?

JOHN PERKINS: Omar Torrijos, o presidente do Panamá. Omar Torrijos tinha assinado o Tratado do Canal com o Carter muito... e, sabe, passou no congresso por apenas um voto. Era uma questão altamente polémica. Mas depois Torrijos seguiu em frente e negociou com o Japão a construção de um canal ao nível do mar. Os japoneses queriam financiar e construir no Panamá um canal ao nível do mar. Torrijos conversou com eles sobre isto, o que muito aborreceu a Corporation Bechtel, cujo presidente era George Schultz e o advogado sénior era Casper Weinberger. Quando Carter foi corrido (e esta é uma história interessante... como é que isso aconteceu na realidade), quando ele perdeu as eleições, e entrou Reagan e Schultz veio da Bechtel para secretário de Estado, e Weinberger veio da Betchel para secretário da Defesa, estavam todos muito irritados com Torrijos... tentaram convencê-lo a renegociar o Tratado do Canal e a não falar com os japoneses. Ele recusou obstinadamente. Era um homem de princípios. Tinha os seus problemas, mas era um homem de princípios. Era um homem extraordinário, Torrijos. E então, morreu numa explosão do avião, que foi provocada por um gravador com explosivos lá dentro, que... eu estava lá. Tinha estado a trabalhar com ele. Eu sabia que nós, os assassinos económicos, havíamos falhado. Eu sabia que os chacais estavam a cercá-lo e, logo a seguir, o avião explodiu com uma bomba dentro de um gravador. Não tenho a menor dúvida que foi com a sanção da CIA e mais... a maior parte dos investigadores da América latina chegaram à mesma conclusão. Claro, nunca se ouviu falar de tal coisa no nosso país.

AMY GOODMAN: Então, onde... quando é que se deu a sua mudança?

JOHN PERKINS: Sempre senti um sentimento de culpa, mas deixei-me seduzir. O poder destas drogas, o sexo, o poder e o dinheiro, era forte demais para mim. E, claro, eu estava a fazer coisas para as quais tinha sido estimulado com pancadinhas nas costas. Eu era economista chefe. Eu estava a fazer coisas de que Robert McNamara gostava e por aí fora.

AMY GOODMAN: Até que ponto era a sua relação de trabalho com o Banco Mundial?

JOHN PERKINS: Muito, muito próxima com o Banco Mundial. O Banco Mundial fornece a maior parte do dinheiro que é utilizado pelos assassinos económicos, ele e o FMI. Mas, quando houve o atentado de 11 de Setembro, senti um choque. Percebi que tinha que contar a história porque aquilo que aconteceu no 11 de Setembro é o resultado directo do que os assassinos económicos têm vindo a fazer. E a única maneira de nos virmos a sentir outra vez em segurança neste país e de nos virmos a sentir bem connosco próprios é utilizarmos estes sistemas que implementámos para criar uma mudança positiva em todo o mundo. Estou convencido que podemos fazer isso. Acho que é possível dar a volta ao Banco Mundial e a outras instituições para fazerem aquilo a que originalmente se destinavam, ajudar a reconstruir partes devastadas do mundo. Ajudar… ajudar verdadeiramente as pessoas pobres. Há vinte e quatro mil pessoas a morrer de fome todos os dias. Nós podemos alterar isso.

AMY GOODMAN: John Perkins, quero agradecer-lhe imenso por ter estado connosco. O livro de John Perkins intitula-se Confessions of an Economic Hit Man. “
________________________________________

[*] Entrevista a John Perkins realizada em 09/Nov/2004 no programa 'Democracy Now'.
Tradução de Margarida Ferreira

terça-feira, 30 de novembro de 2010

NAZISTAS EM ASCENSÃO NA EUROPA: QUEM OS APOIA?










Os novos nazis tem apoio dos "velhos" sistemas financeiros internacionais



















Nos últimos 10 anos, começaram a florescer, quase por encanto, na Europa grupos de extrema-direita, alguns conotados abertamente com a ideologia nacional-socialista, que vingou na Alemanha nos anos 30, alcançando resultados significativos em termos eleitorais.


O primeiro caso relevante foi o do partido francês Frente Nacional, liderado pelo antigo legionário Le Pen, que, em 2002, foi à segunda volta das eleições francesas, competindo com o então líder da direita conservadora Jacques Chirac, este vencedor, apenas, porque o PS e PCF apelaram ao voto no ex-presidente da Câmara de Paris.

Ora, Le Pen, cujo partido nasceu, como grupúsculo sem significado, em 1972, surge com riqueza súbita, em 1977, que, segundo ele, foi uma doação de “um simpatizante”.


Ganhou, rapidamente, espaço na grande comunicação social, que, generosamente, lhe deu as páginas para a sua propaganda, e, mereceu a cumplicidade benevolente da direita no fomento das suas diatribes racistas e xenófobas, sem qualquer tipo de repressão judicial.

Pouco tempo depois, o caso mais alarmante ocorreu na Áustria. O Partido da Liberdade, abertamente nazi, colheu 27% dos votos, sendo o segundo partido mais votado do país (atrás apenas dos social-democratas), ficando a ser, nesta altura, o maior resultado eleitoral de um partido nazi-fascista na Europa desde a Segunda Guerra Mundial.

Em seguida, os olhares viraram para a Suíça. O SVP, partido da mesma ideologia, alcançou cerca de 20% dos votos.

Desde então, a lista de partidos nazis a ascenderem, quase pulando, do nada, sem dinheiro, para uma certa expressão eleitoral com o peso de finanças avultadas, que, aparentemente, não se sabe de onde, foi-se (e está) multiplicando.
No começo do ano passado, a DVU (União do Povo Alemão) recolheu 13% da votação no acto eleitoral legislativo do Estado estado de Saxônia-Anhalt, que fica em território que pertenceu à ex-Alemanha Oriental.

Recentemente, o partido nazi dos “Democratas da Suécia" entrou no Parlamento em Estocolmo.
Os exemplos expandem-se no continente europeu. Dinamarca, Holanda, França, Suíça, Áustria, Hungria, Itália e Bélgica são os países em questão.

O Partido Popular da Dinamarca (DVP) é considerado o modelo para o Sverigedemokraterna. Foi subindo, com todo o apoio cúmplice do poder conservador e social-democrata dinamarquês, e a sua líder Pia Kjasgaard tem uma calorosa recepção nos meios de comunicação locais.

Na Holanda, o Partido pela Liberdade (PVV) foi a terceira maior força do último acto eleitoral para o Parlamento.

Na Aústria, a direita nazi ganhou mais poder em 2008. O partido,que foi de Haider – este faleceu num desastre entretanto - é, agora, o mais poderoso do país, com o apoio de 17,5% dos eleitores, juntamente com a liga BZÖ – formada por dissidentes do FPÖ, representa um total 28% dos votos naquelas eleições.
Com maioria de dois terços, a Liga dos Jovens Democratas (FIDESZ) está à frente do governo da Hungria desde as eleições de Abril de 2010. O chefe de partido e Primeiro-Ministro Viktor Orban está abertamente com as posições alinhadas com um programa de cariz nazi.
O mais importante grupo pró-nazi da Itália é a Liga do Norte, de Umberto Bossi, está no Governo de Berlusconi quatro ministros.

Por seu turno, a Nova Aliança Flamenga (N-VA) de Bart de Wever tornou-se o partido político mais forte da Bélgica, alcançando 17,4% nas eleições legislativas realizadas naquele país em Junho de 2010.

O que nos prende a atenção é que estes partidos medram no seio de uma sociedade que se diz democrática, e estão a ter a sustentação cúmplice dos chamados grandes partidos do poder na Europa, os democratas-cristãos, os liberais, os conservadores, por um lado, e os sociais-democratas/socialistas, por outro, ao mesmo tempo que realizam a sua propaganda, com fortes apoios nas grandes empresas de comunicação social (imprensa escrita, rádio e televisão), com fechar de olhos de todo o aparelho de Estado às suas ilegalidades e atitudes abertamente anti-democráticas e, supressumo das encomendas, aparecem estar a nadar em dinheiro.

Forças do capital financeiro internacional, e em particular o europeu, reunem-se, frequentemente, com esses partidos, e muitos dos grandes financeiros e industriais fazem afirmações públicas ou declarações avulsas, em que preconizam "medidas drásticas" de contenção das reivindicações populações, e fazem apelos, cada vez mais insistentes, à "reformulação do poder", insistindo na centralização em "executivos de pulso" em detrimento da actividade partidária e da liberdade de expressão e políticas.

Quando o capital financeiro parecia estar no auge (2003 e 2007), já era evidente que os principais paises capitalistas (EUA, Reino Unido) apodreciam com a falta de produção própria nacional. E os principais economistas e analistas económicos do grande capital sustentavam que a crise ecómica em gestação iria alargar com um crise maior, financeira.

A Europa, desde os anos 80 do século passado, estava então a ser a potência económica em ascensão, causando fortes engulhos ao capitalismo imperial norte-americano. Ao mesmo tempo nessa Europa, ganhavam forças as reivindicações sociais e movimentações em torno da construção de uma "Europa Social" em contraponto às políticas capitalistas especulativas, apelidadas eufemisticamente de neo-liberais.

Começaram então as maiores tentativas de destabilização da unidade política dessa Europa (de fora para dentro e com os cúmplices internos do suserano norte-americano).

Regressemos, então, agora, à velha Europa saída da II Grande Guerra, percorrida pela crise e, principalmente, a uma Europa dos princípios dos anos 20 em que ganha força uma ideia de ruptura com a velha ordem estabelecida com as ascensões ao poder nos finais dos anos 90 do século 19 e principios do século XX dos governos representantes do grande Capital (França, Inglaterra, Alemanha).

A Alemanha era o caso mais preocupante, pois na Baviera, em 1918, um partido de inspiração comunista, a Liga Spartaquista, tomara o poder, e esta revolta fora jugulada pela força de milícias de direita, impulsionadas ou admitidas pelo Partido Social-Democrata nacional.

Na altura, também havia numerosos grupos insignificantes de extrema-direita, mas, além de fragmentados, não tinham qualquer expressão significativa eleitoral.

A partir dos finais dos anos 20, tal muda de figura.

Em Setembro de 1930, os nacionais-socialistas, de um austríaco pouco letrado e tido como esquisito na altura, Adolfo Hitler, inesperadamente, recolhe 10 vezes mais votos do que na eleição anterior para o Parlamento da República de Weimar. Hitler aparecia com uma força para-militar de guarda-costas, carros com motorista, dinheiro a rodos para propaganda. Uma aceitação crescente entre a oficialagem que pertencera ao Exército imperial, alguns com cargos de generalato.

Não se encontrava, então, um justificação política muito plausível para tal.
Até porque estavam no poder forças coligadas da direita conservadora. Algo estava a acontecer, não não se tinha uma extensão precisa do que germinava para tal suceder tão rapidamente.

Em 1948, já no fim da guerra, apareceram informações mais esclarecedoras.

Os investigadores de História e da Política tiveram conhecimento de dois livros que tornavam público, em parte, os apoios que tiveram os hitlerianos.
Estes livros chamam-se “Liebet eure Feinde”, que significa “Amai vossos Inimigos” (Ed. Frankhauser, Neuf-Chatel, da autoria do escritor suíço Werner Zimmermann e outro livro, de Severin Reinhard, intitulado “Spanischer Sommer” ou seja, “Verão Espanhol” (Ed. Aehren).

E o que descrevem esses livros, segundo os investigadores? Que em 1933, na cidade holandesa de Amesterdão, uma editora então conhecida a Van Holkeman & Warensdorfs publicou um livro com o título “Hitlers geheime Geldquellen”, ou seja “As fontes de Dinheiro Secretas de Hitler”, de autoria de Sidney Warburg.

Este livro reproduzia o teor de três conversas que Warburg mantivera com Hitler.

Com a ascensão do líder do Partido Nazi ao poder em 1933 a edição do livro desapareceu.
Restaram dois exemplares que ficaram na posse de um antigo responsável nazi dissidente, que se exilou na Suíça, chamado Otto Strasser, que em 1936 referiu o seu conteúdo numa obra que lançou, três anos mais tarde, chamada “Finanzielle Weltgeschichte”, cuja tradução em português e ´"História Financeira Mundial".

Em síntese o que expunha Strasser, referindo-se ao livro do norte-americano.

Felix Warburg, tio de Sidney, pertencia a uma família judia de grandes finaceiros. Tinha nascido na Alemnha e fora o organizador da carreira de navegação alemã Hamburg-America Linie.

Um seu irmão, Paul M. Warburg, estava então no governo de Washington e, ao mesmo tempo, era grande accionista do Banco Kuhn, Loeb & Co., de Nova Iorque.

Sidney era filho de Paul. Ora, em Julho de 1929, cerca de um ano antes das eleições legislativas alemãs, o banco Guarantee-Trust, de Nova Iorque, pertencente ao grupo Warburg, deu instruções a Sidney para representar os interesses do sector norte-americano naquele país e que apoiasse, para o efeito, um grupo político e o seu líder que preconizassem a ideia e a prática de "uma revolução nacional" alemã.

Como foi decidido este apoio? Segundo o livro, citado pelos dois autores, o presidente do Guarantee-Trust reuniu-se, em privado, com os administradores do Banco de Reserva Federal americano, FED, Rockfeller, da Standard Oil Co., MacGlean, da Royal-Dutch Co. (Shell) e ainda administradores de outros bancos que não são mencionados.

O que preocupava o capital financeiro judeu norte-americano? O facto de, com o Tratado de Versalhes, que pós fim a guerra franco-alemã, a França, através das reparações de guerra, punha em causa, pela sua forte presença na dívida teutónica, as trocas cambiais do Reino Unido e dos EUA.

Ou seja, os financeiros judeus norte-americanos queriam ter nas mãos a Alemanha em detrimento da França.

O intermediário alemão escolhido foi Hitler. O Warburg encontrou-se, pela primeira vez, com o austríaco em Munique, que aceitou os apoios. Teria recebido, logo uma primeira tranche, de 10 milhões de dólares, via banco (judeu) Mendelsohn & Co.

Este movimento monetário teria ocorrido em 1929.

Perante a ascensão dos votos em 1930 - e com a libra e o dólar fracos face ao franco na Alemanha - e esta em clara fraqueza para pagar dívidas, a campanha hitleriano subiu de tom, mas o líder do partido nacional-socialista exigiu mais dinheiro: 500 milhões de marcos para fazer uma “revolução verdadeira”, ou 200 milhões para uma “tomada legal do poder”.

Warburg conseguiu, de imediato, mais 15 milhões de dólares via Mendelsohn & Co.e ainda do Rotterdamischer Bank, de Roterdão e da Banca Commerciale Italiana, de Roma, com cinco milhões de cada.

No livro, segundo os autores já citados, Warburg refere que viajou então para Roma, junto com Strasser, Heydt e Goering, onde teria ficado na residência de Ítalo Balbo. Depois seguiu para Génova e embarcou aqui para Nova Iorque.

A 30 de janeiro de 1933, Hitler foi chamado pelo Presidente Hindeburgo para assumir o lugar de chanceler do Reich.

Os autores escrevem que, em fevereiro de 1933, Warburg manteve o seu último contacto com Hitler, em Berlim, na Fasanenstrasse nº 28.

O livro de Warburg refere ainda que, antes da eleição de 1933, teriam sido doados a Adolf Hitler mais dois milhões de dólares através do Banco Rhenania de Düsseldorf e mais de cinco milhões através do Banca Commerciale.

Os capitalistas financeiros judeus teriam, deste modo, ajudado, fortemente, a ascensão de Hitler ao poder.

Quando Hitler lança a campanha diriguida contra os judeus na Alemanha, já nenhum dos grandes empresários e financeiros estavam no país. Refugiaram-se nos EUA.

A "arraia-miúda" judia sofreu depois as consequências. Mas, alguns importantes judeus continuaram a apoiar Hitler dentro das ...próprias Forças Armadas.

Mas as relações económicas entre a Alemanha de Hitler e os empresários norte-americanos não findaram em 1933.

O falecido filósofo de origem judia Roger Garaudy no seu livro "mitos fundacionais da política israelita", sustenta o seguinte:

"No preciso momento, quando Hitler obteve, com os seus aliados políticos, a maioria absoluta do Reichtag, recebeu uma grande ajuda financeira para o rearmamento da Alemanha, quer em dólares, libras e francos. A "Caixa Central de Propaganda" do partido de Hitler não foi apenas alimentada pelo banco alemão Schreider, mas também pelos grandes grupos norte-americanos, ingleses e franceses".

Tal foi o caso do consórcio químico americano Dupont de Nemours e do grupo inglês Imperial Chimicals Industry, que investiram na I.G. Fraveb, com a qual dividiram o mercado mundial de pólvora. E também o Banco Dillo de Nova Iorque, que subvencionou a Vereinigt Stahlwerke, o complexo alemão do aço.

Outros estão a ser subvencionados pelo Morgam ou Rockfeller, etc... Deste modo, foram cúmplices a Libra e o Dólar na conspiração que levou Hitler ao poder".
A História repete-se, agora, com a dupla figura de farsa e tragédia.