domingo, 3 de janeiro de 2016

FRANÇA: QUANDO OS SOCIALISTAS SE TORNAM ARAUTOS DA ORDEM NACIONAL E DO PURO SANGUE

1 – O Primeiro-Ministro francês, Manuel Valls, anunciou, no passado dia 23, numa conferência de Imprensa, dada no Palácio do Eliseu, que o Presidente da República, François Hollande, tenciona propor legislação que revisa a Constituição, segundo a qual será retirada a nacionalidade francesa aos binacionais, de origem estrangeira, mesmo aos que tenham nascido em França, condenados por «crimes contra a vida da nação».











Um binacional contra a binacionalidade

No mesmo pacote legislativo, está a proposta de inscrever o «estado de emergência» na mesma Constituição.

Estes propósitos foram reafirmados por Hollande na sua mensagem de fim do ano em 31 de Dezembro.

O estado de emergência permite aos representantes policiais e judiciais estatais efectuarem buscas, prisões domiciliárias e dissoluções de associações sem permissão da autoridade judicial, apenas com o pretexto de simples suspeita de ameaça para a segurança pública.

O que tem de grave tal legislação, quando a França está envolvida, este ano, em graves casos de atentados mortíferos no seu território?, questionarão os adeptos da ordem estabelecida e da segurança.

A questão é que a França não está a ser atacada, essencialmente, do exterior, mas sim envolvida numa profunda crise interna, económica, política e social, cujos tentáculos se estendem à sua ambição imperialista.

Porque não se interrogam as pessoas sobre o que, realmente, se passa em França, quando dezenas e dezenas de seus cidadãos, nascidos, criados e com vivência da forma de vida do país, agem, sangrentamente, contra o mesmo e contra o modelo burguês político existente?

A taxa de desemprego oficial em França subiu para os 10,6% em Julho de 2015, e, a taxa de desemprego entre jovens está nos 25%, enquadramento etário este onde se situa uma parte significativa dos cidadãos franceses «binacionais».

A economia de França está em estagnação.

A dívida pública atingiu os 100%, sendo que, na realidade, a grande maioria corresponde a dívida privada, que foi incorporada naquela, por  pressão do capital financeiro.

Esta é a realidade: o actual regime político francês, representado, no presente, pela fracção da grande burguesia que se acolita no PS gaulês, depende, sem qualquer contestação de relevo, do grande capital financeiro especulador.

O que está a conduzir, de maneira evidente, desde a anterior governação dos chamados republicanos gaulistas, de Nicolas Sarkozy, a outra fracção política da grande burguesia que alterna no poder, a um continuo empobrecimento do Estado a favor dos bancos.

Sarkozy injectou nos grandes bancos franceses, directa ou indirectamente, uma verba fabulosa de 360 mil milhões de euros para «salvar» o sistema financeiro.

Apesar desta injecção, os bancos continuam em crise, atravessados por fraudes, desvios de dinheiro, colocação de investimentos em processos especulativos.

Esta «ajuda» estatal reflectiu-se num enorme esbulho fiscal sobre os trabalhadores, cujos sectores mais desprotegidos, os habitantes dos subúrbios, são os mais afectados. Empurrados, em suma, para a marginalidade, por inexistência de uma alternativa revolucionária de poder.

2 – Do alto da pose, pretensamente, majestática de François Hollande, após os atentados em Paris de 13 de Novembro, sustentando que iria combater o «terrorismo», o que, para tal, iria propor a inclusão do «estado de emergência» no texto constitucional e recorrer à repressão dos «binacionais» ligados ao mesmo, está a mera hipocrisia.

Além de bombardear a Síria, unilateralmente, sem autorização das autoridades legítimas do país, o chamado Estado Islâmico.

(Ironia das ironias, uma entidade em que a França republicana actual foi uma das *potências* ocidentais fomentadoras e financiadoras!).

Os mesmos homens «de Estado» que, em 2012, sustentavam, através das palavras do Ministro dos Negócios Estrangeiros francês, Laurent Fabius, que a Frente Al Nusra, o ramo sírio da Al Qaeda, em parceria com o EI naquele país, estava a fazer «um bom trabalho» oposicionista na Síria face ao regime de Assad, batem, agora, no peito, com todo o descaramento, a sua militância guerreira contra os então *moderados* jihadistas.

French President Francois Hollande (R) and Foreign Minister Laurent Fabius (2nd-R) meet with Saudi Defence Minister Prince Mohammed bin Salman bin Abdul Aziz al-Saud (2nd-L) at the Elysee Palace in Paris on June 24, 2015. AFP PHOTO / POOL / REMY DE LA MAUVINIERE

French President Francois Hollande (R) and Foreign Minister Laurent Fabius (2nd-R) meet with Saudi Defence Minister Prince Mohammed bin Salman bin Abdul Aziz al-Saud (2nd-L) at the Elysee Palace in Paris on June 24, 

Quando em Janeiro de 2015 um comando do EI atacou o jornal satírico «Charlie Hebdo» o regime de Hollande olhou, olimpicamente, para o lado, com umas pequenas barafustes, e continuou a apoiar os «moderados» oposicionistas a Bashar Assad, moderados estes que treinava, aliás, como seus +guerrilheiros+.

Não conheciam a Presidência da República francesa, os seus serviços secretos, a sua polícia, os principais integrantes desses *moderados* em França, que eles, aliás, alimentavam e financiavam?.

Seria possível a tais *terroristas* organizarem-se, em extensão e quase à luz do dia, em território francês, sem que os serviços de segurança não os tenham referenciado?.

Ora, o «estado de emergência», legalizado na Constituição, com o beneplácito dos *partidos da ordem* - PS, Republicanos gaullistas e Frente Nacional – será uma arma utilizada por aqueles para reprimir os protestos reivindicativos dos trabalhadores e explorados.
Serão eles –os explorados - que irão por em causa o actual regime francês, que é o suporte legal do grande capital financeiro especulador.

3 – Quando o PS de François Hollande subiu ao poder prometeu que iria integrar os imigrantes e fazer com que conseguissem o direito de voto pleno na sociedade francesa.

Em Dezembro de 2014, o empertigado Hollande afirmava, ainda com a máscara dos palhaços ricos, na inauguração do Museu da História da Imigração em França, que «o suceso da integração determinará o nosso destino nacional».

(Este museu que deveria ter sido inaugurado, há oito anos, no consulado do outro parceiro dos «partidos da ordem»Nicolas Sarkozy, foi protelado, precisamente, quando o filhos de judeus imigrantes húngaros que ascendeu à chefia de Estado gaulês, virou a casaca e se juntou à Frente Nacional na condenação da invasão de *estrangeiros*).

Hollande adiantou, na sua cara de pose imperial, vociferante:  “Sempre há demagogos. Os estrangeiros têm sido sistematicamente acusados dos mesmos males. A novidade é a penetração dessas teses num contexto de crise interminável e de globalização”.

Este propósito solene deixou de estar, agora, na cena política dos chamados socialistas franceses.

Antes de partirem para a aventura imperialista na Síria, procurando esconder os problemas reais da vida societária francesa, os dirigentes socialistas franceses, cúmplices integrantes da «ordem nacional» da fascista Frente Nacional, atiram-se contra os *binacionais*, tal como o fazem há muito os antigos republicanos gaullistas de Sarkozy e desde o seu início o partido dos le Pen.

Precisamente, quando são divulgados e desclassificados os documentos políticos e judiciais do governo fascista de Vichy, curiosamente autorizados pelo primeiro-ministro Manuel Valls, regime esse que instituiu a separação entre francês de sangue e imigrante.

E em que  o ministro da Justiça do governo de Vichy, Raphaël Alibert, fazia gala de declarar que “os estrangeiros não devem esquecer que a qualidade de ser francês é um mérito”.

Até agora apenas a Frente Nacional ousava atacar, aberta e ferozmente, a existência da binacionalidade. Ou a política do *puro sangue*.

Os arautos do +socialismo democrático+ transformam a ideia fascista em realidade.

Com a conivência da Ministra da Justiça, Christiane Taubira, uma negra nascida na Guiana francesa, que foi militante independentista daquele país, e até dias atrás, contrária a institucionalização do estado de emergência e da separação de nacionalidades no interior do país.

Os apologistas da Revolução francesa das palavras de ordem de Liberdade, Igualdade e Fraternidade e da Declaração Universal dos Direitos do Homem bandearam-se, perante a perspectiva de uma possível revolta popular, para os lados da contra-revolução.


Mas sempre com o ar solene imperial.

sábado, 26 de dezembro de 2015

PAPA FRANCISCO: «AS ATROZES ACÇÕES TERRORISTAS» DOS OUTROS

1 –  Comovente, exclamam, embevecidos os crentes de seita, sobre as declarações do papa católico Francisco inseridas na sua mensagem de Natal, dia 25, que denunciou «as atrozes acções terroristas» e «a destruição do património histórico e cultural de povos inteiros».

Escusado será dizer que este coro é ampliado pelos grandes meios de comunicação social do chamado Ocidente, incluindo os piedosos portugueses.

O mesmo Francisco que lançou, na mesma ocasião, um apelo a favor das pessoas que fogem da miséria e dos conflitos e pediu, santeiramente, «abundantes benções para todos aqueles, quer sejam cidadãos e Estados, se empenham com generosidade a socorrer e acolher os numerosos migrantes e refugiados (...), ajudando-os a se integrar».

Claro que nesta ajuda desinteressada não contempla o Estado da Santa Sé, nem o dinheiro de um poço sem fundo que mergulha no sistema financeiro controlado pelo Vaticano. 

2 – Estarrecedor é o lado negro dos negócios terrenos armamentistas do Papado romano, lado esse que os santeiros vaticanistas, embrulhados na metafísica da religião boazinha, procuram fazer esquecer nas mentes dos +pecadores+, mas não deixam de engordar, sorrateiramente, à custa das «atrozes acções terroristas».

Os aviões de guerra da Finmeccamica

Desde os finais dos anos 50 do século passado, o Vaticano é o accionista de referência do grupo Finmeccanica, um mega-empreendimento industrial do armamento italiano, que se expande por todo o mundo. (Ver Nino Lo Bello, o empório do Vaticano, 1968).

Hoje, o grupo Finmeccanica enquadra os ramos da aeronautica /Alenia Aermacchi, ATR (50%), SuperJet International (51%), Eurofighter GmbH (21%)/; helicópteros /AgustaWestland, NHIndustries (32%), HeliVert (50%), Jiangxi Changhe-Agusta Helicopter (40%), Libyan Italian Advanced Technology (25%)/; espaço / Telespazio (67%), Thales Alenia Space (33%),NGL Prime (30%)/; defesa e segurança, /DRS Technologies, Selex ES, Eurotech/; sistemas de defesa /Oto MelaraWhitehead Sistemi Subacquei, EuroTorp,MBDA (25%), Eurosam (33%), EuroSysNav (50%)/; transporte e construção/  AnsaldoBreda, Ansaldo STS (40%), BredaMenarinibus), FATA/.

A empresa tem escritórios em mais de 100 países.

É a terceira maior holding europeia de material militar, logo após a BAE Systems, do Reino Unido e Airbus, da França.


Esses interesses pela indústria do armamento atravessam o Atlântico e estão nos Estados Unidos da América, onde a estrutura accionista das empresas Boeing, Lochheed, Douglas e Curtis Wright tem uma percentagem significativa da Santa Sé (Ver Avro Manhattan, em *The Vatican Billions*).




terça-feira, 22 de dezembro de 2015

BANIF: PORQUE NÃO A NACIONALIZAÇÃO OU A FALÊNCIA?

1 – Nos últimos dias, *a salvação* do banco BANIF está na ordem do dia da comunicação social portuguesa.

O actual primeiro-ministro, António Costa, em declarações  solenes de pose, na noite de segunda-feira, afirmou mesmo, no final de uma reunião entre os seus ministros e, eventualmente, banqueiros (não sabemos com que se encontrou, pois não explicou): salvar a actividade do BANIF exigiu o avanço de mais de 2,25 mil milhões de euros, dos quais 1,76 mil milhões chegam directamente pelo Estado, o que vai elevar para 2,4 milhões de euros a factura passada aos contribuintes (DN 20 Dez).

Mas qual a pressa em *salvar* o BANIF?.

O *interesse público*, preconizado pelo actual governo?.

Balelas.

A questão é, pois, a *salvação* do capital financeiro. Não só português, mas acima de tudo europeu.

E não venham com argumentos do «mal menor» e das restrições provindas de Bruxelas.

Lá, como cá, o que se deve por em causa é o domínio do lumpen grande capital financeiro especulador. 

2 – O que este processo de «salvação» bancária veio mostrar à saciedade, ao longo destes últimos anos, é que o domínio do poder político está nas mãos de um sector específico da grande burguesia: a financeira.

E o actual governo se realmente estivesse interessado em colocar em marcha uma verdadeira política de esquerda, não submissa ao capitalismo de Bruxelas, colocaria apenas uma de duas hipóteses: ou nacionalizava o BANIF e, em seguida, o Novo Banco, ou deixava que o primeiro ficasse entregue ao seu destino, sem recapitalização, o que levaria aquele capitalismo a inverter toda a sua arrogância perante o Estado.

E colocaria os tiranetes de Bruxelas no seu devido lugar.

Certo. Mas quem emprestaria depois o dinheiro? Questionariam os habituais propagandistas do poder capitalista.

O actual governo, se quisesse comportar-se como anti-capitalista, com os próprios partidos ditos de «esquerda» que o suportam, tinham a seu favor a força dada pelo capital político que ganharam: teriam de actuar, pois, em posição de força e, se assim fizessem, obrigariam a burguesia financeira, para sobreviver no mínimo, a reforçar os bancos públicos, e deste modo, a reforçar o controlo estatal de todo o sistema bancário.

Como não vão fazer isso, terão de se submeter aos ditames do poder dominante. 

O défice publico vai aumentar, os impostos e taxas sobre os trabalhadores vão crescer.

E se tal ocorrer o sonho de um «governo de esquerda» transformar-se num pesadelo semelhante ao da Grécia actual.




sábado, 19 de dezembro de 2015

FRANÇA: A FRENTE NACIONAL É UM PARTIDO CAPITALISTA, NÃO UM ABCESSO EM DEMOCRACIA

1 – As cabeças bem pensantes da Europa ficaram sideradas com a possibilidade de o partido fascista francês Front Nationale (FN) vir a ser a formação dominante em vários governos regionais daquele país, após os resultados eleitorais do passado domingo.

Pateticamente, o primeiro-ministro francês, Manuel Valls, acenou com o espantalho da guerra civil no caso de vitória do FN, como se essa ilustre personagem – e a direcção do seu partido - se fosse colocar na primeira linha de combate contra o avanço eleitoral da Front Nationale.

Os políticos instalados nos diferentes países da União Europeia sabem – e muito bem – que o incremento do fascismo, que está a medrar por via eleitoral, não é produto de um *acidente* que está a ocorrer em França, mas instalou-se no próprio aparelho de Estado dos mesmos países, com a própria cumplicidade de senhores *socialistas*, como Manuel Valls.

Meses atrás, na Polónia, um partido abertamente fascista, anti-europeista, fervorosamente fanático reaccionário católico e xenófobo, como «Lei e Justiça», do discípulo do falecido Papa João Paulo II (convém não esquecer este facto) o ex-primeiro-ministro Jarosław Kaczyński, ganhou as eleições legislativas, com maioria absoluta, sem qualquer contestações institucional de envergadura.  Nem do senhor Valls.

A liderança do Partido Lei e Justiça

Aliás, além do citado, a vida política polaca é, ainda, dominada por vários partidos reaccionários católicos capitalistas, que procuram tornar clandestina qualquer formação política que se intitule anti-capitalista.
Igualmente, na Finlândia, é um partido fascista que lidera o governo os «Verdadeiros Finlandeses», em aliança com os capitalistas conservadores.

Na Letónia, também o partido fascista «Aliança Nacional» faz parte da coligação com dois partidos conservadores «Unidade» e «União dos Verdes e dos Agricultores».

2 – A questão que se põe é esta: aparecem os partidos fascistas do nada, para serem +mauzinhos+?

Os partidos surgem da sociedade e representam interesses classistas ou de fracções de classes da mesma.

Desde que o capitalismo ganhou foros de cidadania plena, com a grande industrialização mundial depois da I Grande Guerra, que se estendeu, principalmente, para a América do Norte, as crises que o acompanha tornaram-se cada vez mais frequentes, mas também, nas últimas décadas, em tempos sempre mais curtos. E acima de tudo, elas são mais profundas.

No estertor final da I Grande Guerra, confrontado com a vitória da Revolução Soviética em Outubro de 1917, o capitalismo enfrentava um novo modelo de sociedade, que a vingar e a estender-se, à parte europeia mais industrial e produtiva, o poderia destruir rapidamente.

E agiu, rapidamente, em duas direcções:

O financiamento de uma coligação armada poderosa, que destruiu, em grande parte, a estrutura produtiva incipiente do novo país nascente, que se veio a chamar União Soviética;

o apoio financeiro classista e incitamento à formação de partidos e formações políticas abertamente reaccionárias em países, como Alemanha, França, Espanha, Itália, Portugal, Hungria e Roménia.


Partido Nacional Socialistas dos Trabalhadores Alemães em 1922

Os partidos fascistas não se apresentam perante as sociedades como formações adeptas abertas de uma intervenção violenta a favor do capitalismo.

Pelo contrário, em palavras até se dizem anti-capitalistas.

Com propostas de intervenção política diferenciada, por vezes, aparentemente incoerentes, mas assentes em objectivos precisos: impedir o ascenso do «socialismo e comunismo», formar «Estados fortes», «acabar com a luta de classes», militarizar a sociedade.

Assim sucedeu com o partido fascista de Mussolini, ou o partido nazi de Hitler, ou com a falange espanhola, que alçou Franco ao poder.

3 – Historicamente, desde as primeiras décadas do século passado, o ascenso dos partidos fascistas está ligado às profundas crises que o capitalismo atravessa.

Enquanto o desenvolvimento capitalista flue, normalmente, nas suas transações de mercado, levando a uma expansão sem sobressaltos, a sua gestão política é assegurada, com sucesso, por entidades partidárias «socialistas», «sociais democratas» ou mesmo «conservadoras democratas».

É, pois, nos períodos de estagnação capitalista, em alturas que a possibilidade de se abrir vias de mudanças políticas profundas, mesmo revolucionárias, que o capital usa as suas entidades políticas extremas para conseguir manter o seu domínio.

Não se coíbe, portanto, para tal, de fomentar a militarização da sociedade, como sucedeu com a Alemanha nazi, a Itália fascista ou o Japão monárquico-medieval de 1939.

Hoje, a situação torna-se mais grave para o sistema capitalista.

As forças produtivas que se agigantaram nas últimas décadas estão em fase de travagem pelas relações de produção existentes.

A crise financeira de 2007, iniciada nos Estados Unidos da América, veio mostrar qual profunda era a crise económica e social mundial nos dias de hoje. É problema que se alonga pela Europa, pela Rússia, China, Brasil.

Perpassa pelos diferentes continente, onde a capacidade de mercadejar está em concorrência inaudita entre potências: umas que se afundam, caso dos EUA, outras que pretendem ocupar o seu lugar, como Rússia e a China.

Ora, tudo isto sucede dentro de um quadro económico extremamente preocupante e explosivo: os índices de desemprego são astronómicos e cada vez mais permanente.

A técnica e a ciência que se desenvolvem estão a fazer-se com menos emprego, cada vez menos, e mais degradante.

As sociedades estão em crise continuada de superprodução, sem escoamento mercantil.

O capitalismo está a ter a percepção que a encruzilhada não está a desaparecer.

4 – Voltemos à Frente Nacional.

Como vai ganhando espaço político?: Afirma-se em luta contra o sistema existente, embora, como lhe convém, seja ambígua sobre a forma real de poder que pretende.

Adopta um vago «nacionalismo», explora as contradições entre trabalhadores que já trabalham e aqueles +estrangeiros+ que procuram melhoria da sua vida.



São firmemente contra o «socialismo» e o «comunismo» que procura identificar com o capitalismo de Estado da antiga era soviética russa e o da actual República chinesa.

Mas, acima de tudo, propagandeiam a necessidade de *solidariedade nacional*, a favor de impostos baixos.

A FN diz-se ainda favorável à simplificação fiscal, e, afirma mesmo defender impostos para mais ricos, entre outros itens.

Ou seja, aparentemente, se isoladas do seu contexto de poder, poderiam ser subscritas por um partido de revolução.

A questão está, pois, aqui: não existem partidos a propor um poder revolucionário, mas a defender a vacuidade de uma democracia dentro do actual sistema.




domingo, 13 de dezembro de 2015

SÍRIA: LUTA CONTRA O TERRORISMO OU PELA NOVA REPARTIÇÃO DO MÉDIO-ORIENTE?

1 – O Médio-Oriente está a ferro e fogo.
Nunca uma região fora da Europa, teve até agora uma tal concentração de poder de fogo em actividade permanente.

Fala-se em liberdade. Em luta contra o terrorismo. Em defesa do *mundo ocidental*, em jihad islâmica, em luta *contra os cruzados* cristãos.

Tudo muito retórico, muito palavroso, mas esquece-se o que, realmente, está em jogo:
As riquezas naturais, ou seja, a economia.


A partir do início deste século, com a decadência económica e política dos Estados Unidos da América, pondo em causa sua a supremacia imperial, com o surgimento de potências emergentes concorrenciais, nomeadamente a Rússia e China, exacerbaram-se contradições.

Ainda como superpotência militar única, os EUA, desprezando e aviltando os direitos e interesses dos povos, impuseram a lei da violência desabrida, desde o Iraque ao Afeganistão, passando pelo Paquistão, o Sudão e Iémen.

Desprezaram fronteiras, interesses nacionais, os aerópagos internacionais, como a ONU, transformaram a NATO, em força castrense de confronto permanente com a Rússia, desde a desagregação da antiga Jugoslávia e a integração forçada, na órbita daquela estrutura, dos antigos países do Leste, saídos do Pacto de Varsóvia, o que levou Moscovo a desencadear uma militarização desenfreada.

2 – A violência constante sobre os povos muçulmanos, a exploração continuada das riquezas dos seus países, fizeram desabrochar sentimentos nacionais, e mesmo libertadores, que não foram organizados em torno de concepções de progresso, mesmo revolucionárias.

Para tal óbice esteve o facto de uma grande parte dos sistemas políticos existentes em alguns países do Médio-Oriente se pautarem, então, por programas de poder reaccionário que diziam ser de *socialismo* pan-árabe.

Nesse sentido, a ânsia de libertação foi acolhida pelos apologistas do wahadismo, o islamismo pretensamente asceta e puro das convições dos *tempos do profeta* Maomé, que a Árabia Saudita financia e protege.

E que começou a ser posto em prática no Afeganistão com a Al-Qaeda, apoiada e enquadrada pelos EUA, que organizaram as forças militares dos enaltecidos +muajadins+, como «combatentes da liberdade», em luta contra os *infiéis ateus* dos tempos da União Soviética.

A destruição da URSS provocou uma desarticulação produtiva interna e também política (14 novos Estados separam-se) naquela antiga União estatal, com o consequente enfraquecimento da sua tecnologia militar.

Com esta situação criada, os EUA arrogaram-se em potência «líder mundial», procurado tornar-se suserano, sem contestação, da nova geopolítica.

Segundo o Comando da Frota dos EUA no Pacífico, 49 navios de superfície, seis submarinos, mais de 200 aeronaves e 25.000 tropas dos 22 países participaram do exercício neste ano.

Olharam com supremacia dominadora para os diferentes Estados, desprezaram, ainda mais, o mais tímido assomo de erguer a cabeça em torno das nacionalidades humilhadas. 

Espezinharam-na mesmo.

Dez anos depois do fim da URSS, uma nova liderança do país iniciou um processo de restauração económica e reforço da sua indústria castrense. Com uma visão, também, de restauração do antigo império.

Outros grandes Estados, como a China, fizeram uma caminhada enorme no desenvolvimento produtivo económico.

Potências regionais do Médio-Oriente fortemente hostilizados pelos Estados Unidos, caso do Irão, iniciaram, pela mesma altura, uma marcha forçada na evolução económica e militar nacional.

Depois da sangrenta invasão do Iraque, quer a Rússia, quer a China, quer o Irão, tinha a perfeita noção que os EUA iriam continuar a senda do imperialismo unilateral desesperado.

(As informações que apareciam de figuras ligadas à cúpula político-militar de Washington apontavam para isso. Caso do general Wesley Clark, um ex-comandante-chefe da NATO e director do Gabinete de Estratégia e Política, que escreveu no seu livro «Winning Modern Wars» que a Administração norte-americana, após o Iraque já tinha planos para atacar mais seis países: a Síria, o Líbano, a Líbia, o Irão, a Somália e o Sudão).


Começaram a esboçar uma parceria geoestratégica, que se iniciou pela economia e prossegue, actualmente, na esfera militar, inclusive operacional.

O aparecimento, em força, do chamado Estado Islâmico na Síria e no Iraque, com as ramificações líbias, egípcias e tunisinas, e, no presente, Afeganistão, deu-se no seguimento da estagnação diante do Estado sírio das chamadas «Primaveras Árabes».

(Curiosamente, nasceu em Alepo, uma cidade síria muito próxima da fronteira turca).

A queda de regimes ditatoriais no Magreb e em certos países do Médio-Oriente teve, pois, um objectivo estratégico que envolveu uma parceria entre uma superpotência, os EUA, e uma potência regional, Arábia Saudita, que produzia a ideologia político-religiosa pan-árabe, o wahabismo, e uma outra, a Turquia, submissas, ambas, aos ditames de Washington, mas com ambições próprias.

E desenrola-se, igualmente, numa altura em que o papel dos EUA, como entidade superpoderosa, minada por um militarismo sem freio, que lhe corrói uma economia, outrora pujante, também ela atravessada pela retracção e por uma crise profunda, não pode ser desempenhado pelos seus próprios e únicos exclusivos meios de *manu militari*.

3 – Regressamos, portanto, à Síria.

A Rússia avançou pelo meio da fraqueza norte-americana e parece estar a impor-se. Está a trazer aliados, mais consequentes ou mais fluidos.

Ao que estamos a assistir é que as diferentes potências estão a estropiar e estilhaçar todos os interesses nacionais do Estados estabelecidos.

Combater o Estado Islâmico?

Uma ova. Repartir por zonas de influência. O Estado Islâmico fica, justamente, na *fatia* dos EUA.

A questão é o petróleo e o gás e a respectiva estratégica geo-política.

O terrorismo é a arma dos vários potentados – mundiais e regionais – para servir os interesses imperialistas.

Naturalmente, a pacificação do Médio-Oriente tem de ser conquistada, em primeiro lugar, pelas populações locais, mas destruindo igualmente os tiranetes internos que enxameiam esses países.

Em segundo, com o afastamento da região – ou melhor dizendo a contenção – dos apetites imperialistas estrangeiros.

Na situação actual, todavia, o desfecho terá de passar necessariamente pelo resultado do confronto que está a envolver os que pretendem, no imediato, o seu retalhamento.


Se a estratégia da parceria Rússia, Irão, e em menor grau da China, vingar, Moscovo passará a potência dirigente não só do espaço em confronto, mas também da Europa, pois a unidade em torno da NATO está a fragmentar-se desde o conflito ucraniano.

domingo, 6 de dezembro de 2015

A CARIDADEZINHA DO SENHOR ZUCKERBERG

1 –  Na passada terça-feira, o casal norte-americano Marx Zuckerberg e Priscilla, principais accionistas da empresa multinacional Google, tornou público, ao anunciar o nascimento da sua filha, que iria constituir uma organização, com as acções da sua firma, para *promover o potencial humano* e *a igualdade*.

A comunicação social norte-americana ligada a Wall Street lançou logo uma campanha de propaganda mundial, sustentando que o casal capitalista multimilionário iria despojar-se da sua enorme fortuna para *fins de caridade*.

As fontes de ressonância jornalísticas ocidentais, incluindo as portuguesas, ampliaram a dose propagandística.

Todavia esta é a mensagem que Wall Street quis manter, apesar de alguns artigos de jornais – alguns vindos em páginas secundárias – desmistificarem o embuste do grande capital.

A realidade e, vamos apenas referir um artigo saído no jornal Público esta semana: «Ao contrário do que foi noticiado um pouco por todo o mundo na terça-feira a Chan Zuckerberg não vai distribuir dinheiro por instituições de caridade, nem é ela própria uma fundação ou organização sem fins lucrativos – foi criada como uma empresa de responsabilidade limitada, e, isso diz muito sobre as anteriores más experiências de Mark Zuckerberg no mundo da filantropia e sobre a emergência de uma nova classe de jovens multimilionários nascidos no universo das empresas de tecnologia».

Prossegue o jornal: «Ao criarem uma empresa de responsabilidade limitada, Marx e Priscilla têm muito mais margem de manobra para gerir o dinheiro ganho com as suas acções do Facebook e agora destinado à filantropia – podem investir em empresas privadas e influenciar as decisões políticas através de grupo de pressões, por exemplo, que são instrumentos fora do alcance das organizações sem fins lucrativos».

Ou seja, embolsam mais dinheiro, fugindo ao fisco e aos impostos. Tornando-se gatunos piedosos. Um embuste *generosamente* capitalista.

2 – A denúncia não é nova, todavia, mas continua a ser encoberta pelos grandes meios de comunicação social, que procuram dar a imagem *caridosa* dos bons milionários que se interessam pelo bem-estar dos explorados.

«Criticar, porquê? Eles ganham muito dinheiro, mas também destinam uma parte aos seus semelhantes», eis o tipo de argumentação usada para fazer obscurecer a verdadeira prática desses *bons samaritanos* que constituem hoje a guarda avançada do lumpen capital financeiro internacional.

Bill Gates, o senhor da Microsoft, uma das maiores empresas capitalistas multinacionais da alta tecnologia, sediada nos Estados Unidos, apareceu, nos últimos anos, endeusado como uma espécie de mecenas do *terceiro mundo*.

Aliás, dias atrás, subiu aos palcos da chamada Cimeira do Clima, onde dominam os capitalistas e os seus representantes governamentais, desde os EUA à China, passando pela UE, Rússia, China e outros, que decorre em Paris, como *estrela* de primeira grandeza como combate à poluição que está a destruir a Terra.


A realidade: Em 2007, o jornal norte-americano Los Angeles Times publicou uma reportagem considerada *explosiva*, onde sublinhava que a Fundação Gates (as fundações sem fins lucrativos !!!...) utilizava os milhões de milhões de dólares que transferia para a citada instituição de *caridade*, sem ter de pagar impostos, para investi-los em empresas, todas elas altamente poluidoras ou que semeavam doenças – com a produção de alimentos - aos camponeses do *terceiro mundo*.

Na sequência dessa reportagem, veio a saber-se por outros relatos que a fundação Gates estava a investir em multinacionais de armamento, em proliferação de prisões privadas nos EUA, e cadeias de empresas de *alimentos rápidos*, entre outros.

Em 2013, veio à luz uma denúncia, que especificava os investimentos da Fundação nas empresas petrolíferas.

Na Exxon – 662 milhões de dólares; GEO, empresa de gestão de prisões privadas 2,2 milhões de dólares.

Mas, igualmente, na Wallmart, empresa com uma desmesurada exploração de trabalho escravo –mil milhões de dólares.

Ou na multinacional agro-industrial Monsanto,que explora a produção agrícola sem freio na Etiópia, Uganda – 23 milhões.

A utilização da *caridade* para fins de engrossamento das suas contas bancárias não é exclusivo dos grandes magnates, mas também de «personalidades» do mundo do espectáculo, como o festejado cantor irlandês Bono, do grupo U-2, que regularmente aparece como apoiante das +causas populares+ em reuniões mega-capitalistas como Davos.

A sua fundação de nome ONE recebe mais de 90 por cento do dinheiro vindos de doações

3 – Mas, haverá questões que se colocarão: 
Certo é caridade. Todavia, o valor que eles destinam à saúde, à investigação à saúde em diferentes locais do planeta servem a melhoria de vida de milhares e milhares de pessoas.

A realidade é outra: a tremenda fuga aos impostos destes lumpen capitalistas ultrapassa, na realidade, os míseros valores que destinam à caridade.


A sua apropriação individual da riqueza produzida não se destina, realmente, a favorecer a luta contra a desigualdade, mas sim a semear, por caminhos cheios de mortes e destruições, mais lucros, mais exploração, mais dinheiro, que não entra nos cofres do Estado.  

quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

GOVERNO PS: PODE BAIXAR A DÍVIDA PÚBLICA SEM TAXAR OS CAPITALISTAS?

1 – O processo que antecedeu a formação do novo governo português (XX executivo constitucional), formado pelo Partido Socialista (PS), teve um cenário político digno de uma ópera bufa.

A 4 de Outubro passado, realizaram-se eleições legislativas em Portugal para formar a composição da nova Assembleia da República, de cujo conjunto de deputados sai o apoio ao futuro governo, bem como ao seu programa, sendo que a indigitação do primeiro-ministro cabe ao Chefe de Estado nos termos constitucionais.

Os resultados eleitorais deram a uma coligação constituída pelo Partido Social-Democrata (PSD) e Centro Democrático Social (CDS), denominada P´ra Frente Portugal (PAF), o maior número de votos, seguida do PS, Bloco de Esquerda (BE) e a coligação CDU, que enquadra o Partido Comunista Português (PCP), e um partido satélite daquele, chamado Partido Ecologista Os Verdes, PEV.

Todavia, a coligação PAF não conseguiu a maioria absoluta de votos na Assembleia.
O PS entabulou negociações com o BE e o PCP e o PEV para estabelecer um acordo imediato de governação, sendo que esses quatro partidos assinaram documentos para o fim a que se propuseram. Tornaram-se, deste modo, a formação maioritária parlamentar constitucional.

2 – Porque, então, todo o frenesim patético, mas ameaçador, do Presidente da República, dos dois partidos afastados do poder, do patronato, dos economistas do regime, de alguns dirigentes e deputados do próprio PS, bem como um secretário-geral de uma organização que se diz sindical, a UGT, sobre um novo arranjo governamental que se realizou dentro do sistema parlamentar e dentro das suas regras constitucionais?

Com o regime saído do 25 de Novembro de 1975, e, de maneira evidente a partir da privatização da banca e dos seguros, a grande burguesia financeira iniciou um processo de restabelecimento do seu domínio.

O primeiro impulso foi dado pela submissão dos governos do PS, em coligação com o CDS e depois com o PSD, sob a liderança de Mário Soares, aos ditames dessa grande burguesia financeira.

O domínio total foi forjado pelos governos do PSD, com Cavaco Silva primeiro-ministro e alicerçado, em crescendo, com os executivos de António Guterres, Durão Barroso, Santana Lopes, José Sócrates.

O governo de Passos Coelho e Paulo Portas foi o representante mais acirrado da vassalagem ao sistema financeiro de toda a estrutura produtiva do país.


Esta governação teve o condão de colocar na oposição todos os sectores da burguesia não dominante que foram totalmente marginalizados.

E que, em grande medida, engrossaram, ao longo dos quatro anos, o coro de manifestações e protestos organizados pelas classes trabalhadoras.

A grande burguesia financeira enquistou-se de tal maneira no poder político que, nestes últimos quatro anos, todos os processos de privatização foram entregues, de mão beijada, a esse capital, bem como o Estado retirou grande parte da riqueza nacional para recapitalizar os bancos (em 2012, o então ministro Gaspar anunciou os valores de 1.650 milhões para CGD, três mil milhões para BCP, 1,5 mil milhões para BPI); os *incentivos* fiscais às empresas ultrapassaram os mil milhões de euros. (Só em 2013, o executivo gastou 1,042 mil milhões. Diário Económico, 06/11/2014).

Dois bancos falidos, BPN e BPP, custaram ao Estado – logo aos portugueses trabalhadores – 2,7 mil milhões de euros (Tribunal de Contas) e 450 milhões de euros, respectivamente.

O Jornal de Negócios noticiava, em 17/09/2015 que cada português pagou cerca de 2.000 euros para *salvar os bancos*.

Ora, a nova maioria parlamentar, que sustenta o governo de António Costa, representa uma mudança na relação de forças entre um sector da grande burguesia que o PS representa e facções da média e pequena burguesia (BE e PCP), em parceria amorfa com as classes trabalhadoras, que pretendem impor pequenas reformas do sistema financeiro e fiscal que atingem ainda sem grande efeito, mas se consolidadas, uma parte da fonte da riqueza actual da grande burguesia financeira. Por exemplo, o financiamento da segurança social.

E, acima de tudo, porque esse rearranjo de governação poderá ter implicações na luta política em toda a União Europeia.

3 – Ao romper com a política dita de austeridade dos executivos submissos ao capital financeiro, o governo PS vai-se confrontar com a realidade política.

Para não ficar amarrado à austeridade que diz repudiar, com um peso crescente do défice público, o executivo de António Costa terá ir buscar dinheiro ao lado do capital.

Mas, como o poderá fazer, se, desde a sua indigitação como primeiro-ministro faz malabarismos para agradar à grande burguesia interna, e, principalmente europeia, através dos seus representantes políticos nas instituições da UE?



O equilíbrio das contas públicas passa por evitar a subida das dívidas do Estado e isso somente se pode fazer, no momento presente, pela taxação das classes ricas.

Todo o que sucedeu, ao longo destes anos, foi, exactamente, o contrário: os explorados foram taxados e mais taxados de impostos e roubados até ao tutano nos seus salários e pensões.

Ora, para restringir o endividamento crescente do Estado ter-se-á de limitar o papel da especulação bolsista, os lucros fabulosos dos bancos e das grandes empresas capitalistas, a restrição do aparelho supérfluo estatal (institutos, despesas militares e paramilitares, administrações de serviços e empresas públicos, etc).

Ora, esta orientação não poderá ser eficaz, se ficar isolada de uma idêntica perspectiva para a UE.

Significa isto que se terá de procurar aliados e estender a luta política a todo o espaço europeu. Ou seja atingir ali os interesses dominantes.