terça-feira, 8 de março de 2016

O *SOCIALISMO* DE SANDERS É PRENÚNCIO DO COLAPSO DO CAPITALISMO DE WALL STREET?


1 - As nuvens de uma crise económica, política e social de envergadura pairam sobre o actual sistema capitalista mundial, dos Estados Unidos à China, passando pela União Europeia (UE).

A ameaça da actual crise não está isolada da crise financeira-económica de 2007/08, provocada pelo capital financeiro a partir dos Estados Unidos da América, que procurou fazê-la  recair, essencialmente, sobre a UE.

No passado mês de Março, os sinais premonitórios vieram, novamente, do sistema financeiro ocidental.

No principio do mês, o alerta veio de dois grandes bancos, um do Reino Unido, o Royal Bank of Scotland (RBS), o outro dos Estados Unidos da América, JP Morgan.

Ambos admitem uma perspectiva sombria para a economia mundial, com um cenário "semelhante a 2008".

Os dois grandes bancos recomendaram aos investidores capitalistas que façam rapidamente a venda das suas acções.

O Royal Bank of Scotland (RBS), inclusive, encorajou os investidores a desfazer-se de tudo, excepto títulos de dívida (bonds) de alta qualidade.

Já o JP Morgan coloca de lado mesmo o mercado de acções e, pela primeira vez em sete anos, recomenda aos seus clientes vender acções «a qualquer sinal de turbulência».

O RBS, por seu turno, sustenta mesmo que se vai estar perante em «ano bastante devastador».

Alguns dias depois, a presidente do FED (o banco central norte-americano), Janet Yellen, afirmou-se preocupada com o cenário da economia mundial, em particular, a norte-americana, que está, praticamente, estagnada.

Ao depor perante o Congresso dos Estados Unidos, Yellen alertou que a queda nas bolsas mundiais deve tornar mais lento o processo de alta dos juros americanos. A declaração acentua as suspeitas de crise nos mercados globais.

Esses mercados mundiais, na perspectiva do capitalismo norte-americano, perderam cerca 12 biliões de dólares em valor comercial desde o início do ano. Os grandes bancos admitem mesmo o risco de uma recessão económica nos Estados Unidos. (A actual +viragem+ dos políticos republicanos candidatos presidenciais para um processo de fascização do regime norte-americano está em sintonia com esta realidade: o capital financeiro procura a salvação no poder político).


2 – A crise capitalista económica-financeira de 2007/08 teve particularidades que, na actualidade, atingem maiores proporções, pois o seu processo produtivo está em fase de ruptura com as relações de produção que indiciam uma inversão no incremento das forças produtivas que já não se enquadram nos limites de um sistema social capitalista.

Nestes quase 10 anos de crise contínua, que se agrava, ocorreram, no entanto, situações novas que se devem assinalar.

Mas, permanece uma *obsessão* que os Estados Unidos da América sobre o aprisionamento e controlo da União Europeia.

Em 2008, foi um ataque directo ao sistema financeiro, e, particularmente ao enfraquecimento do euro como moeda de troca mundial alternativa ao dólar.

Na actualidade, assiste-se a uma conjugação económico-social de procura, novamente, de enfraquecimento da unidade da UE: um fluxo migratório descontrolado fomentado (e em sintonia) pelo aliado ocidental dos EUA/NATO, a Turquia, a ameaça da saída da União do Reino Unido, aliado preferencial norte-americano (a razão principal é manutenção - sem interferência do Eurogrupo - da City londrina, parceira de peito da Wall Street), e ataques concertados do lado norte-americano à indústria automóvel e ao grande banco  Deustche Bank, ambos alemães, a pretexto de ilegalidades.


Tal como em 2007/2008, a razão principal está no euro como moeda alternativa ao dólar (euro este que resistiu e, apesar das incertitudes presentes parece resistir e restabelecer-se, ainda que lentamente) e no imenso mercado europeu – a UE continua a ser a principal potência comercial, que atrai novos países ao seu território -Bósnia-Herzegovina, Turquia, Macedónia, Montenegro e Sérvia).

/A UE só avançará na sua caminhada para um grande espaço político se restabelecer a cooperação harmónica interna e se separar, militarmente, dos EUA/.

3 – Reflictamos sobre as situações novas surgidas desde o início da crise de 2007/8.

Fortaleceram-se potências e grupos de potências face à hegemonia norte-americana: a China evoluiu no seu processo produtivo, adquiriu o estatuto de potência comercial e incrementou grandemente o seu arsenal castrense; a Rússia, apesar da crise petrolífera, transformou-se em potência militar capaz de influenciar, no Mundo, a geo-estratégia em confronto, sem peias, com os Estados Unidos; através da parceria estratégica económica e financeira russo-chinesa, impulsionou-se a formação dos chamados BRICS (Building Better Global Economic´s), que junta ainda a Índia, Brasil e África do Sul, economias que procuram forjar uma moeda de troca fora da influência do dólar.

Na actual fase da crise do sistema capitalista, o que é novo e mostra o seu aprofundamento, ele está a atingir não só as economias ditas +ocidentais+, mas igualmente as emergentes dos BRICS.

E todos essas potências estão dominadas por um militarismo concorrencial exacerbado, que as leva a desviar dinheiro, crescentemente, para os seus complexos industriais castrenses, contribuindo, deste modo, para a bancarrota geral.

4 – É nos Estados Unidos da América, ameaçados pela possível recessão imediata, pela estagnação continuada do seu processo produtivo industrial, pelo desemprego profundo e pela falência de grandes cidades da indústria, como Detroit, que surge, pela primeira vez, na sua História, um programa de um candidato presidencial do regime, de uma ala do Partido Democrático, que admite a possibilidade de haver uma *revolução política* e instituir no país um modelo +socialista+ (claro que numa versão social-democrata) de governação.


O colapso económico-financeiro norte-americano também surge, por outro, indiciário na candidatura presidencial republicana, especialmente, em torno de Donald Trump e Ted Cruz, que preconizam uma fascização do sistema político em defesa declarada de Wall Street.

É, precisamente, na questão de alternativa face ao agudizar da crise económica e social que se coloca a questão que se poderá colocar: que novo sistema político irá surgir?

Existe no Mundo, mas de maneira evidente na Europa, berço das grandes revoluções socialistas, uma corrente política e social que preconiza uma *mudança* face aos regimes representantes do capital financeiro.

Mas, esta corrente, que se agrupa em partidos, tipo Bloco de Esquerda, PCP (Portugal), Podemos (Espanha), Syriza (Grécia), Partido de Esquerda (França), a Esquerda (Alemanha), Sinn Féin (Reino Unido e Irlanda) e Partido da Esquerda (Suécia) circunscrevem os seus programas políticos na arena da Democracia, ou seja são uma *ala esquerda* dos regimes instítuidos.

Se houver um colapso do actual sistema capitalista, e, irromperem processos revolucionários – e eles irão aparecer de uma maneira ou de outra – o seu sucesso será inserto, se não forem apresentados, com clareza, programas revolucionários, que rompam com o marasmo político actual.




domingo, 7 de fevereiro de 2016

GOLDMAN SACHS DUVIDA DA EFICÁCIA DO CAPITALISMO

1 - "Se estivermos errados e as altas margens – de lucro - conseguirem manter-se nos próximos anos (particularmente quando a procura global está abaixo da média), há questões mais amplas a serem colocadas sobre a eficácia do capitalismo".

Com este parágrafo, o banco norte-americano Goldman Sachs termina um relatório, elaborado pelos seus analistas  Sumana Manohar, Hugo Scott-Gall e Megha Chaturvedi e enviado para os seus investidores e accionistas.

Esta tirada levou o editor-chefe da agência noticiosa económica Bloomberg Joseph Weisenthal a comentar que tal é coisa que nunca se viu: um banco dessa envergadura a questionar o próprio capitalismo.

Link permanente da imagem incorporada


E qual a razão deste questionamento, pondo em causa o capitalismo?.

/A especulação desenfreada do Goldman Sachs nos anos que antecederam a crise de 2007/8 fizeram com que ele fosse uma dos intervenientes principais no acirramento dessa crise, pois levou à falência do seu fundo  de cobertura de altíssimo risco Alpha Global, que teve um ano antes uma queda de 12% do seu valor e em 2008 uma outra grande quebra de 22,17%.

E, recentemente, aceitou pagar uma coima de mais de cinco mil milhões de dólares pelas suas práticas fraudulentas não só nos EUA, como na Europa/.

2 - O tema do relatório enquadra a questão das margens de lucro das grandes empresas que surgem historicamente altas nas maiores economias mundiais, em particular a dos Estados Unidos da América.

O lucro nos EUA, já depois dos impostos, duplicou dos 5% do PIB em 2000 para 10% do PIB em 2014.

Os analistas citados interrogam-se se esta situação se pode manter, considerando que existe um incremento concorrencial no mundo e o crescimento económico está estagnado ou mesmo em regressão.

Colocam então duas respostas possíveis.

Esses analistas, que referenciam de «bulls» (touros, na gíria do sector) os financeiros que sustentam que se deve continuar em alta. Esta sustentação está no pressuposto de que essas margens de lucro crescentes podem ser enquadradas por uma baixa de custos e pelo crescimento dos avanços tecnológicos.

A outra resposta está na visão dos «bears» (ursos) que consideram que haverá uma queda desses lucros, melhor dizendo uma diminuição do fosso de desigualdades, já que a concorrência fará aumentar o crescimento económico, bem como terá de se ter em contra uma pressão para incrementar as condições sociais, bem como uma supervisão mais apertada sobre a distribuição de lucros que, na sua opinião, influenciará o binómio preços/lucro. 

A perspectiva do banco é que nos próximos dois a três anos, os «ursos» devem mostrar que estão correctos.

Se assim não suceder, o banco emite, então, a citação com que abre este artigo.


3 – O que os analistas dos bancos na sua linguagem «cifrada» querem dizer é que as desigualdades estão a aumentar. E que se caminham para um ponto de ruptura se as actuais relações produtivas da sociedade entrarem em contradição evidente explosiva com as forças produtivas materiais da mesma, terá de haver uma revolução.

O que é inédito nesta análise de um superbanco capitalista é que admitem que o capitalismo não é eterno e pode ser superado como modo de produção até aqui dominante da vida societária na terra.

Os analistas capitalistas do Goldman Sachs admitem que, se não houver um +refrescamento+ do sistema, por sua própria iniciativa, o resultado será o descalabro do mesmo.

Dão-lhe um prazo de dois a três anos.

Não prevejo um tal curto espaço para o afastamento do capitalismo como modo de produção dominante.

Na realidade, existe um «abafamento», um verdadeiro travão nas relações actuais de produção capitalistas, em que se regista um desperdício significativo, em crescendo, dos resultados dos melhoramentos material e intelectual das classes laboriosas, em que o sector principal da classe dirigente, a burguesia financeira, somente vê, à frente dos olhos, o objectivo de obter mais lucro.

A análise do Goldman Sachs assenta num pressuposto capaz de ser mensurável do ponto de vista económico, ou seja das condições económicas capitalistas, mas a sua forma política, em particular, o aumento da consciência da ideologia como superestrutura capaz de levar a cabo essa revolução e a resolução a favor dos explorados ainda não está na ordem do dia. 

Assim o penso.

Naturalmente, se as condições económicas forçarem a via da ruptura social, com maior ou menor esforço, haverá uma transformação política.

A questão será, pois, o grau de consciência social transformadora que será ditada por essa revolução e quais os países que são o principal esteio e consolidação da mesma.


domingo, 31 de janeiro de 2016

IRÃO/VATICANO: OS NEGÓCIOS NA AGENDA *ESPIRITUAL*

1 – O Papa católico romano, Francisco, recebeu, no passado dia 26, no Vaticano, em audiência, o Chefe de Estado do Irão, Hassan Rouhani.

O Presidente iraniano é, tal como o Chefe de Estado do Vaticano, um dirigente religioso no seu país, formação essa que iniciou no seminário islâmico de Semnan, tendo concluido os seus estudos no ramo no tradicional seminário de Qom.

Mas ainda no tempo do regime monárquico do Xá Pahlevi, seguiu os estudos laicos na Universidade de Teerão, tendo-se licenciado em Direito.

Mas tarde, prosseguiu esses estudos no Reino Unidos, tendo obtido o mestrado e o doutoramento em Direito Constitucional na Universidade Caledónia, em Glasgow, Escócia.

Depois da ascensão do actual regime teocrático no país, Rouhani adquiriu preponderância na estrutura do poder, sempre na sombra do *líder supremo* religioso: membro da Assembleia dos Peritos (desde 1999), do Conselho de Discernimento (desde 1991), do Conselho Supremo de Segurança Nacional (CSSN) (desde 1989) e presidente do Centro de Pesquisa Estratégica do Irão (desde 1992).

Rouhani foi eleito presidente em 15 de Junho de 2013.

Foi ainda deputado durante as cinco primeiras legislaturas do Parlamento iraniano (Majlis), tendo sido presidente da Comissão de Defesa e da Comissão de Relações Exteriores e presidente do Majlis.

No governo do ex-presidente Mohammad Khatami (que o apoiou nas eleições), Hassan Rouhani foi o negociador-chefe do programa nuclear do Irão nas negociações com a União Europeia.

Antes de ser eleito Presidente, dirigia o importante Centro de Pesquisa Estratégica nacional, directamente ligado ao *líder supremo*, Ali Khamenei.


Os interesse geoeconómicos nos colóquios cordiais

2 – Qual foi a razão central da vista do clérigo Presidente Rouhani ao Papa?

A Santa Sé procurou *atirar para debaixo do tapete* os interesses materiais profanos que estiveram, realmente, na agenda dos dois Chefes de Estado.

A Sala de Imprensa da Santa Sé, em comunicado, cinicamente, referiu que "durante os cordiais colóquios foram evidenciados os valores espirituais em comum e o bom estado das relações entre a Santa Sé e a República Islâmica do Irão".

As delegações diplomáticas também abordaram a recente conclusão e aplicação do Acordo Nuclear e foi destacado que o "Irão é chamado a desempenhar um importante papel, junto com os outros países da região, para promover soluções políticas adequadas às problemáticas que afligem o Oriente Médio, contrastando a difusão do terrorismo e o tráfico de armas".

Neste sentido, foi recordada ainda "a importância do diálogo inter-religioso e a responsabilidade das comunidades religiosas na promoção da reconciliação, da tolerância e da paz".

Tudo muito pacífico e religioso...

Todavia, por *debaixo do tapete* está a realidade da vida. O mundo profano, material.

Esse é o que conta para as duas entidades.

Para o Irão, o Vaticano é avaliado como «grande empresa» capitalista, fortemente enraizada na União Europeia e nas Américas, que serve os objectivos da sua reconstrução económica e da sua necessidade de recuperar o terreno da actividade comercial prioritária.

Para o Vaticano, o Irão, como provável grande potência regional, é um terreno para a aumentar a força económica do potentado da Santa Sé.

Na realidade, a Santa Sé é «um dos maiores titulares de acções do mundo» -*O empório do Vaticano* -, um valor que se desconhece na sua tenebrosa extensão.

Polvo este escondido dos seus crentes, já que «o Vaticano tem investimentos nas Bolsas de todo o Mundo», número que o jornal +Economist+, nos anos anos 60 do século passado referenciava, por baixo, só para Itália, em «cerca de 1/15 do número total das acções nas dez Bolsas italianas».

Realmente, o alcance do poder económico da Santa Sé é avassalador e está encoberto em numerosas «companhias de fachada» desde bancos, seguros, empresas industriais e comerciais, estabelecimentos de ensino e saúde, complexos armamentistas.

No caso específico de Itália, os interesses vaticanistas estendem-se desde os grandes bancos (Intesa Sanpaolo, Nazionale del  Lavoro, Unicredit, Popolare, Ambrosiano, entre outros) ao petróleo (ENI) e ao armamento (Finmecanica).




A Itália é, precisamente,  o país que tem a maior capacidade de refinação de petróleo da Europa.

Mas, o Vaticano, também pode ser intermediário, neste fase de «costas voltadas» entre Washington e Teerão, para os negócios com os Estados Unidos da América, pois o papado romano está perfeitamente integrado no +tecido financeiro e económico+ norte-americano, desde a banca ao complexo industrial militar.

Ora, o Irão necessita de relançar e expandir o comércio do petróleo, bem como da logística para a recuperação da sua indústria petrolífera.

Bem como para se impor como potência regional de modernizar, rapidamente, o seu arsenal militar.

Naturalmente, para se poder impulsionar o comércio, sem entraves, no Médio-Oriente, terá de haver *soluções políticas* na região.

Mas, tal desiderato só se consegue essencialmente com acordos em torno de força económica e não com os «cordiais colóquios» acerca dos «valores espirituais em comum e o bom estado das relações entre a Santa Sé e a República Islâmica do Irão».

3 - Sob o manto diáfano da religião, a Igreja Católica está a penetrar, totalmente, na esfera do capitalismo mundial.

E, a sua aceitação planetária está ligada, justamente, ao papel que desempenha, actualmente, nos negócios mundiais. Caso contrário, os dignitários governamentais nem sequer lhe davam um olhar. 

A crise do capitalismo contribuirá também para a crise do catolicismo romano, que abandonará o manto pio, para se tornar no seu cão de guarda mais acirrado. O tempo o dirá.





quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

O CAPITALISMO EM CRISE, AS CLASSES TRABALHADORAS AMORFAS

1 –  O capitalismo mundial juntou-se, há dias, em Davos, Suíça, para discutir, precisamente, a crise que o está a atravessar e, acima de tudo, a enredar sem solução para esse sistema dentro da evolução societária actual.

Ao contrário de outros grandes conclaves capitalistas encenados naquela cidade, este está ensombrado pela realidade da vida: o reinado dos banqueiros parece estar em plano inclinado.
World Economic Forum - Davos

A crise geral financeira de 2007/08, iniciada nos Estados Unidos da América, está aí para durar. Parece aprofundar-se, na realidade, já em 2016.

Está situação apresenta dois aspectos que se entrelaçam: a crise financeira em si, que se prolonga até hoje, e, na sua subsequência, uma crise geral do comércio e da indústria.

A grande burguesia capitalista mundial reunida em Davos fez constar que tem como seu principal objectivo lançar uma «quarta revolução industrial», mas frisou que esta irá fazer aumentar o desemprego, de imediato, em mais cinco milhões de pessoas.

Em suma, está a dar-se uma contradição evidente, que se alarga, entre as forças produtivas existentes e as relações de produção capitalista que estão a começar a entrar em derrapagem, para não dizer colapso.

2 – Dois dias antes de começar o Forum Económico Mundial, em Davos – o super conclave capitalista -, uma piedosa «organização não-governamental» chamada Oxfam revelava que *62 pessoas possuem tanto capital como a metade mais pobre da população mundial*.

E acrescentava: há cinco anos, a riqueza de 388 pessoas estava equiparada a essa metade. De acordo com a mesma entidade, a riqueza acumulada por 1% da população mundial, entre os mais ricos, superou a dos 99% restantes, em 2015, um ano mais cedo do que se previa.

Com a míngua financeira dos Estados capitalistas, estes estão na mão dos chamados grandes *empréstimos* da grande burguesia financeira, cada vez mais concentrada e reduzida, que, deste modo, amordaça, crescentemente, através da usura dos juros, os mesmos Estados.



E isto quando esses mesmos Estados os capitalizavam com pseudo empréstimos a custo zero, ou seja os enchem de dinheiro público...para benefício privado!!!

Ora, será impossível fazer inverter esta desigualdade e acabar com o *reinado*, desenfreado, do capital financeiro sem atingir profundamente os interesses económicos e políticos dos regime e sistema dominantes.

Ou seja, em termos práticos, o controlo estatal dos bancos, sob um novo poder político, a desarticulação completa da especulação bolsista, o desmembramento da ligação entre o capital financeiro e o poder de Estado, nomeadamente o seu campo legislativo, judicial, militar e o da propaganda, através dos seus principais meios de comunicação social.

No que diz respeito a nível estatal nacional, o desequilíbrio aprofundado nas últimas décadas a favor dos interesses do capital financeiro provocou uma recessão continuada que contribuiu para um empobrecimento generalizado das classes trabalhadoras.

Deste ponto de vista, para acabar com esta vergonhosa barganha do Capital, não poderá haver um equilíbrio interno societário, ou seja, um equilíbrio entre as despesas e despesas públicas de cada Estado da Europa à China, passando pelos Estados Unidos da América à Rússia, se não houver um claro golpe nos interesses da grande burguesia financeira, desde os lucros, à especulação, aos impostos.

3 –  Uma interrogação se coloca: Porque será que um descalabro tal da grande burguesia e um ataque de uma envergadura descomunal aos direitos dos explorados não levou o mau-estar e o descontentamento existente para uma revolta generalizada?

Depois da vaga revolucionária que percorreu uma grande parte da Europa, com especial destaque na França, nos finais dos anos 60 do século passado e depois de toda uma série de revoluções nacionais, iniciadas com movimentos de libertação nacional, em África e Ásia, nos anos 60 e terminadas com a tomada do poder em meados dos anos 70, o período que se seguiu, até ao final desse século, transformou-se numa fase de contra-revolução, ligada ao grande desenvolvimento da produção capitalista, com um magistral salto na inovação técnica e científica.

Todavia, o incremento da produção capitalista tornou-se num moinho de usura nas mãos do grande capital financeiro.

Foi este que veio a transformar-se na fracção dominante dos diferentes regimes burgueses: controlaram, paulatinamente, o poderes político (chefias de Estado, governos e parlamentos), judicial (grandes firmas de advogados, juízes e procuradores) e militar (escolhas dos chefes e controlo da oficialagem, mercenarização dos Exércitos), desde as bolsas, aos bancos, seguros, grandes negócios castrenses, empresas de ponta das telecomunicações, distribuição alimentar, turismo, grandes propriedades agrícolas, saúde (privatização, indústria farmacêutica, tecnologia hospitalar).

Colocada, nos finais dos anos 60, então sob a perspectiva de poder haver uma ruptura, a burguesia, empoleirada no ascenso industrial e comercial, abriu os olhos e através dos partidos sociais-democratas realizou uma aliança declarada com os partidos conservadores, populares e democratas cristãos, para promover a chamada *revolução pelo emagrecimento do Estado*, ou seja a privatização a favor do capital financeiro.

(Convém recordar que contou, em períodos delicados com o apoio dos maiores Partidos Comunistas europeus de então, que, directa ou indirectamente, participaram nos governos. Casos do francês (PCF), italiano (PCI) e espanhol (PCE)

O exemplo do PCF é paradigmático, (pode-se juntar o PCI de Togliatti, que serviu a ascensão da +falecida+ Democracia Cristã ao avassalamento do Estado italiano), pois foi ele que, logo após a II Grande Guerra, com Thorez, que permitiu a consolidação do +gaulismo+, que hoje se reproduz em Sarkosy.




Na realidade, o PCF esteve no governo com Mitterand em 1981. Foi um ministro daquele partido Jean-Claude Gayssot (Transportes) que controlou a privatização da Air France.

Em 1997, voltou ao governo de maioria PS, sob a chefia de Lionel Jospin, executivo este que deu o seu assentimento ao bombardeamento da ex-Jugoslávia).

Depois da II Grande Guerra, as classes trabalhadoras, em particular os seus sectores mais avançados e conscientes, abandonaram, progressivamente, a sua perspectiva de efectuar uma transformação revolucionária da sociedade.

Obscurecido – e depois mesmo estigmatizado - o programa radical socialista, após a derrota da Revolução Soviética, e a sua contínua caminhada para a contra-revolução, essas classes caíram, lenta, mas seguramente, para colocarem, na sua intervenção política prática, como objectivo de poder, a sua adaptação a um «programa de esquerda dentro da democracia».

Visão esta ainda mais estreita, porque se encerra nas fronteiras nacionais, enquanto a grande burguesia se expande e actua, cada vez mais, ao mesmo tempo e em todo o globo

Situação aquela que perdura nos dias de hoje.
   

domingo, 17 de janeiro de 2016

UMA TRAGÉDIA PODE ABALAR A EUROPA, ATRAVÉS DA ALEMANHA E FRANÇA

1 –  Curioso, parece que o *filme* da lenta fascização da França e da Alemanha volta a ressurgir naqueles países.

Tal como nos anos 20 e 30 do século passado, no meio de uma crise económica, política e social de uma envergadura descomunal, cujo poder dominante é exercido pelo capital financeiro, este utiliza as armas mais díspares para, através dos seus partidos e forças *nacionalistas*, e, com a cumplicidade de forças policiais e militares, tentar manter o seu domínio por meios ditatoriais.












O atentado ao *Charlie Hebdo*: a segurança em França não existiu

2 – No dia 13 de Novembro do ano passado, ocorreram ataques de membros do Exército Islâmico (EI), estabelecidos e perfeitamente enquadrados em França (mas também na Bélgica, Alemanha, e noutros países da União Europeia e da NATO).

Os ataques deram-se no centro de Paris e nos arredores (Saint-Denis), com a utilização de suicidas, que fizeram detonar artefactos, dispararam, quase militarmente, com espingardas-metralhadoras, e tinham organizado planos de fugas para os sobreviventes, o que sucedeu, estranhamente, atravessando vários Estados.

Morreram mais de 120 pessoas e cerca de 350 ficaram feridas.

Um clamor apareceu e, nele se entronizou em bicos de pés o débil Chefe de Estado francês, impondo, de imediato, o estado de emergência, limitando as liberdades e ameaçando com legislação *purista* de corte da nacionalidade gaulesa sobre os chamados binacionais, mesmo que nascidos no país, que sejam considerados como implicados +em actos de terrorismo+.

O estado de emergência – que se pretende legalizá-lo, permanentemente, na Constituição, admite detenções e investigações arbitrárias sem decisão judicial, restringe – e impede mesmo – o direito de manifestação e protesto, bem como o de circulação, se necessário, se colocarem em causa +a ordem pública+.

Quais foram os primeiros resultados práticos visíveis deste estado de emergência?

Mais de 200 manifestantes detidos por participarem numa acção a favor de medidas práticas para a cimeira do clima que decorreu em Paris.

E os resultados das detenções de *suspeitos* de casos de *terrorismo* islâmico, quantos casos tiveram seguimento?



Emergência, apenas para muscular Paris

Muito pouco. Tenho a impressão que não ultrapassam um dedo de uma mão. 

Não se sabe nada, porque não existem, sequer até agora, processos judiciais.

O que é estranho, até porque já deveria ter havido um *roteiro* organizado, com pés e cabeça, para +combater o Estado Islâmico+, nos bancos, nos negócios de armas, no contrabando de petróleo, nos financiamentos a partir de Estados.

Na realidade, a 15 e 16 de Janeiro de 2015, houve duas acções armadas sangrentas e, mais tarde, reivindicadas por aquele em Paris e arredores (Charlie Hebdo e um supermercado judeu), onde o ilustre Hollande já vociferou – só em palavras – que havia um +ataque organizado+ contra a França.

Então porque não foram fichados e presos todos aqueles que os serviços secretos sabiam que estavam prontos a agir?

A questão é que parte do EI (via Frente Al Nusra) é – ou era, até há pouco tempo – pessoal amigo do governo francês, que a promovia (talvez continue a fazê-lo) como +resistência moderada+ a Bashar al Assad, chefe de Estado da Síria.

Afinal quem é o verdadeiro inimigo do actual regime francês?

Uma eventual explosão das classes laboriosas do país face ao aprofundamento da crise económica do capitalismo.

Nesse sentido, aí está a reserva *política* de ataque que pode ser conduzida pela Frente Nacional.

Ora, nada melhor que aplainar o caminho dando-lhe as bandeiras ideológicas práticas: a emergência, a *pureza* nacional, a segurança *nas fronteiras da pátria*. Ou seja, o PS francês deu como alternativas as bandeiras fascistas da FN...

3 – Actualmente, tal como nos anos 60/70 do século passado, o patronato alemão está interessado em receber mão-de-obra barata, através de migrantes.

A situação de hoje é um pouco diferente da vaga migratória do século passado. Neste período, a Alemanha recebera milhões e milhões dólares norte-americanos para refazer a economia capitalista.

Recorreu a um processo de recrutamento, entre o legal e ilegal, do chamado +trabalhador-convidado+ em que a mão-de-obra mercadejada era trazida de forma *orientada* e lenta, embora sem grande instrução. Assim, foram arrebanhados turcos (cerca de três milhões), jugoslavos, portugueses, espanhóis e italianos, principalmente.

Actualmente, o patronato alemão está interessado em receber mão-de-obra barata, através de migrantes do Médio-Oriente, tal como sucedeu nos anos 60/70 do século passado com os migrantes turcos, e, em menor escala, portugueses, italianos e espanhóis.

Estes refugiados só existem com apoio turco

Não é por puras balofas razões humanitárias que o governo de Merkell abriu, numa primeira fase, as portas à migração.

O objectivo era, justamente, a entrada de migrantes, essencialmente, letrados, para acolher mão-de-obra barata que fizesse concorrência ao nível dos trabalhadores locais e organizados sindicalmente na sociedade alemã.

Só que a Turquia, acossada por um fluxo enorme de refugiados provindo dos conflitos – Síria e Iraque - em que fomentou, e fomenta, juntamente com os seus parceiros da NATO, aproveitou a oportunidade, para organizar através de redes, para canalizar uma mole indiferenciada de pessoas, que incluía, jovens, mulheres, crianças e até idosos, para os remeter maciçamente com a indicação, perfeitamente orientada, repito, perfeitamente orientada, para que seguissem para a Alemanha e países nórdicos.

E, com esse fluxo desordenado, que, curiosamente, partiu (e continua a partir) sempre da Turquia, servia (e serve) os objectivos de Erdogan de pressionar a UE, aflita, para *conter* essa movimentação a troco de choruda compensação financeira.

Ao mesmo tempo, pressionar a Alemanha para *facilitar* a aproximação à UE sem condições.

Ora, a Alemanha poderia receber esses migrantes, em condições normais de evolução capitalista da sua economia, o caso é que, nos últimos dois anos, deu-se uma regressão no tecido produtivo do país, que entrou em estagnação.

Aqui o patronato alemão entrou em parafuso, perante a avalanche, que não consegue fazer entrar na cadeia produtiva, até porque os migrantes são, em grande parte mulheres, crianças e homens, sem instrução e dificuldade de adaptação.

Pressiona, então agora, a sua chanceler para conter, e até fazer retroceder parte dos migrantes, e, ao mesmo tempo esse mesmo patronato fomenta, com o apoio de forças de serviços secretos e de segurança, e, através dos grupos fascistas, o confronto e a xenofobia, esperando o endurecimento político do regime.

Reflictamos sobre os acontecimentos de fim de ano em Colónia.
Esta foto colocada na net como sendo de Colónia é uma manipualção: Trata-se de uma agressão ocorrida em Londres à modelo Danielle Lloyd, 

Na realidade, começaram, noticiosamente, a 4 de Janeiro (quem deu a notícia aos jornais?), empolados três dias depois, com dimensão nacional, e, curiosamente, apesar da sua aparente dimensão e gravidade.

Desapareceu, nos últimos dias, quase por encanto, dos noticiários dos grandes meios de comunicação social.

Um relato sucinto: a 4 de Janeiro, em certa imprensa alemã, surgem notícias de que junto à estação ferroviária de Colónia, Alemanha, se produziram desacatos, onde teriam havido roubos, alguns casos de assédio a mulheres, com apalpões, e, um ou dois casos de violações (ou tentativas).

Noticiou-se então que teriam sido um centenas os eventuais criminosos, uma parte, minoritária, de indivíduos com a «aparência» de norte-africanos e árabes.

Do primeiro relatório policial, referia-se que os agentes, destacados para o local, conseguiram dissolver a concentração, levá-los para o interior da estação, onde os teria abandonado à sua sorte. Sem qualquer detenção ou contenção.

O sucedido ter-se-ia dado depois do abandono da polícia.

Após 4 de Janeiro, os casos de eventual assédio sexual crescem exponencialmente, e, fica-se a saber que acontecimentos idênticos tiveram lugar em outros cidades alemãs em diferentes Estados regionais.

Cito as interrogações sobre estes acontecimentos feitos, no passado dia 10 pela rádio pública alemã Deustche Welle.

*O que se sabe sobre os crimes na passagem de ano em Colónia?

Mais de uma semana depois dos assédios sexuais contra mulheres na noite de passada passagem de ano, em Colônia, muitas questões continuam sem resposta.

Confira o que se sabe até o momento e quais perguntas seguem em aberto.

O que se sabe

– Segundo a polícia, os criminosos saíram de um grupo de cerca de mil homens que se concentrava em frente à estação central de Colónia, ao lado da Catedral.

– Segundo o presidente regional do sindicato da polícia, Arnold Plickert, já na noite de passagem de ano, os agentes abordaram e pediram os documentos a mais de 70 pessoas. Destas, quatro foram detidas, 11 foram mantidas sob custódia e houve o registo de 34 ocorrências. 

Segundo ele, várias pessoas abordadas apresentaram comprovantes de registo do Departamento de Migração, que são concedidos a pessoas que pedem asilo. "Isso mostra que havia refugiados entre elas", disse. Ele não soube responder por que as pessoas foram abordadas pela polícia.

– A polícia de Colónia registou 516 ocorrências até este domingo (10/01), sendo que cerca de 40% são de assédio sexual. Há também muitos casos de furto de telemóveis, bolsas e carteiras. Duas pessoas testemunharam que teriam sido violadas.

– A polícia de Colónia afirmou que 20 suspeitos estão sob investigação. Muitos deles foram identificados, mas não foram detidos. Um marroquino de 19 anos foi detido neste sábado. Está referenciado pela polícia desde 2013. As identidades dos demais suspeitos não foram reveladas. Entre os investigados estão sobretudo homens de países do norte da África.

– A Polícia Federal, que é responsável pela segurança dentro da estação central e numa distância de até 30 metros do prédio, registou 32 ocorrências na noite de passagem de ano, incluindo ferimentos, roubos e crimes sexuais. 

A Polícia Federal afirmou ter identificado 32 suspeitos. São eles nove argelinos, oito marroquinos, cinco iranianos, quatro sírios, um iraquiano, um sérvio, um norte-americano e três alemães. Desses 32 suspeitos, 22 são requerentes de asilo.

Nenhum deles foi até o momento acusado de crimes sexuais e as acusações contra eles assinalam casos de ferimentos e furtos.

– Na sexta-feira, a polícia de Colónia prendeu dois suspeitos, de 16 e 23 anos, um deles do Marrocos e o outro da Tunísia. Os dois são requerentes de asilo e foram libertados pouco depois por falta de provas.

Três pessoas estão em prisão preventiva por suspeita de roubo durante naquela noite.

O que não se sabe

– Não se sabe quem são os criminosos e quantos são.

Até o momento há apenas suspeitos.

– Também não se sabe se há requerentes de asilo ou refugiados entre os criminosos.

Eles formam, porém, o principal grupo de suspeitos. Requerentes de asilo e pessoas que vivem ilegalmente na Alemanha estão no foco das investigações da polícia de Colónia, mas a própria polícia ressalvou que nada foi provado contra eles.

A Polícia Federal afirmou que há refugiados entre os suspeitos. Testemunhas, vítimas e polícias, falam de homens de aparência árabe ou norte-africana.

A polícia local abordou e pediu documentos a pessoas que estavam na área da estação central, e entre elas havia refugiados, mas não se sabe se as pessoas abordadas têm alguma relação com os crimes cometidos.

– Não se sabe também se os criminosos planearam ou organizaram o que aconteceu diante da estação central de Colónia. Também não se sabe se há relação entre o que aconteceu em Colónia e crimes semelhantes ocorridos em outras cidades alemãs na mesma altura.

A procuradoria de justiça de Colónia, porém, parte do princípio de que se trata de crime organizado.

O ministro da Justiça, Heiko Maas, também afirmou acreditar que haja uma relação entre os acontecimentos em várias cidades e que as agressões foram planeadas com antecedência.

O jornal Bild am Sonntag publicou que grupos de norte-africanos usaram redes sociais para chamar conterrâneos para Colónia.

Segundo informações da emissora WDR, a polícia investiga já há alguns meses grupos de criminosos formados maioritariamente por argelinos, marroquinos e tunisinos.

Esses grupos estaria a seguir para a Alemanha como refugiados. Viajariam para Istambul e, de lá, entram na Europa misturados com grupos de refugiados que vêm da Síria, do Iraque e de outros países, segundo as informações da WDR.
Fonte.AS/dpa/epd/kna*

Esta ambiguidade do poder político alemão, acompanhada de toda a trama obscura da estrutura policial, lançando suspeitas sobre a existência de um *grupo organizado*, sem identificar, que enquadrou, a nível de várias cidades do país, uma acção, onde pontificaram *árabes e norte-africanos* deu imediato alento à irrupção de manifestações fascistas.

Facto este aumentado pela grande imprensa conservadora.

Empolado, organizadamente, na net com fotografias, claramente manipuladas, de pseudo agressões, sexuais ou não, de mulheres que teriam ocorrido em Colónia na noite da passagem de ano. Le Monde 11.01.2016

4 – A velha tragédia do capitalismo financeiro alemão e francês pode avolumar-se naqueles países através da sua fascização. Por agora, apenas pela via eleitoral.

Se não se encontrar uma alternativa política revolucionária nacional e ao mesmo tempo europeia para fazer frente a essa realidade.

Não se pode esperar que a alternativa surja no *mal menor* de uma Merkell ou Holande.

A aparente luta entre, por um lado, a coligação CDU/SDP e os partidos fascistas alemães, por outro o PS/Holande e a Frente Nacional, é uma comédia entre os dois lados dos apologistas da *ordem nacional* capitalista.

Esperemos que um alento de viragem que se verifica em outros países europeus brote, no meio da crise capitalista, e estilhace a argamassa que ainda consegue manter o poder do Capital.