domingo, 22 de maio de 2016

BRASIL, ALÉM DO GOLPE -QUEM PERMITIU O AFASTAMENTO DE DILMA ROUSSEF?

1 – A Presidente eleita do Brasil, Dilma Roussef, foi afastada, temporariamente, do cargo que ocupa, através de um acto de destituição empreendido pelo Presidente da Câmara dos Deputados do país, entretanto afastado, Eduardo Cunha.

Roussef foi suspensa com a alegação de ter praticado «um crime de responsabilidade» na gestão do Orçamento de Estado, ou seja, concretamente, na aplicação administrativa das verbas públicas.

A acção, que começou na Câmara dos Deputados, foi levada em seguida para o Senado, o órgão eleito com capacidade jurídico-política para decidir sobre a destituição, primeiro temporária, depois definitiva. 

Entre a suspensão temporária e a eventual definitiva passam seis meses, sendo que nesse período o vice-Presidente exerce o cargo de Chefe de Estado, com um governo interino.

Então o que permitiu, em poucos meses, após a reeleição de Dilma Roussef, com amplo apoio popular, ser afastada pelos próprios órgãos parlamentares, sendo que a maioria a apoiava?

O Partido dos Trabalhadores (PT), sob cuja sigla foram eleitos Lula da Silva e Dilma Roussef,  surgiu no rescaldo da ditadura militar que governou o Brasil desde 1964. Foi fundado em 1980 e legalizado em 1982.


O PT agrupou, no seu início, uma base sindical operária aguerrida, que se formou nas grandes greves dos centros industriais a partir dos anos da década de 70 do século passado, entre os quais o próprio Lula da Silva, e, activistas ligados aos grupos de guerrilha urbana, ex-presos políticos e exilados, entre os quais Dilma Roussef, José Dirceu e José Genoino, bem como «católicos progressistas» provenientes da Teologia da Libertação e ainda intelectuais e artistas de renome no país.

O desbravar do movimento sindical classista durante a ditadura militar teve no seu bojo e cresceu como crítica prática ao sindicalismo reformista praticado pelos partidos comunistas existentes, o PCB (Partido Comunista Brasileiro) e o PC do B (Partido Comunista do Brasil), um de orientação pró-soviética, outro pró-maoista, levando à formação de uma nova central sindical, a CUT, despejada dos vícios do +entrismo+ nos sindicatos oficiais.

O nascimento do PT também se alimentou da crítica ao que classificou ser o reformismo dos velhos partidos, provindos das orientações da III Internacional, os mesmo PCB e PC do B.

Todavia, o seu programa ficou restringido a uma moldagem de *esquerda* dentro do novo regime parlamentar saído dos escombros da ditadura militar.

O PT assume-se como adepto do chamado +socialismo democrático+. Dentro da democracia.

2 – Foi com a governação do PT que se abriu caminho a alguns benefícios que favoreceram os sectores populares e as classes trabalhadoras, desde a instituição de um salário mínimo, desde a energia (Luz para Todos),  habitação social (Minha Casa, Minha Vida), cultura, ambiente, saúde, entre outros sectores.

Mas, enquanto se distribuíam umas +migalhas+ pelos mais pobres, os governos petistas entregaram, no entanto, a gestão financeira do Estado aos representantes do grande capital financeiro, que iam ocupando, paulatinamente, os bancos públicos, incluindo o Banco Central, bem como os ministérios das Finanças, Economia e Planeamento.

Pensavam que esta *cedência* apaziguasse os apetites das classes capitalistas.

Lula da Silva, como Presidente, escolheu Henriques Meyrelles, hoje Ministro das Finanças de Marcelo Temer, como Presidente do Banco Central do Brasil. 

Este, como banqueiro nas administrações de bancos nos EUA, durante 20 anos, assumiu inclusive a Presidência do Conselho de Administração do potentado Global Banking do FleetBoston Financial. (Meyrelles é, ainda, hoje presidente do Conselho de Administração da J&F, dona do Banco Original, JBS, Vigor, entre outras empresas. É também membro do Conselho de Administração da Azul Linhas Aéreas).

Lula da Silva e Dilma fizeram ascender a cargos de ministros com a responsabilidade da economia homens ligados ao sistema financeiro, como Guido Mantega (ministro da da Fazenda, Finanças, em Portugal, ministro do Planeamento, Orçamento e Gestão do Governo), Joaquim Levy (Ministro das Finanças, que esteve no FMI, Banco Interamericano de Desenvolvimento e BRADESCO) e Nelson Barbosa, também nas Finanças que sempre conviveu com os bancos (Banco do Brasil 2009-2013 e Membro do Conselho de Administração da Vale S.A. 2011-13). E ainda passou pelo Banco Central do Brasil (1994-97) e Banco Nacional de Desenvolvimento Económico e Social.

Ou seja, eram, realmente, representantes da grande burguesia financeira que dirigiam a administração do Estado, que, além do mais controlavam, e controlam, a opinião pública, através dos grandes meios de comunicação social, e determinam a estratégia do poder judicial.

Contou essa grande burguesia, na sua ânsia de enriquecimento, com uma chusma de dirigentes do próprio PT, alguns com passado de resistência à ditadura, mas que se prostituíram e participaram nas mais repugnantes fraudes, acompanhando o poder bancário num roubo descarado da riqueza do Estado, entrando, deste modo, no círculo dos crápulas e dos mafiosos que começaram a inundar todas as esferas do governo, do parlamento e do poder judicial.

3 – O ascenso ao poder político no Brasil de um partido com uma base operária e aureolado por um estatuto de progresso democrático revolucionário não desbravou caminho para uma mudança radical do regime político.

Nem trouxe conquistas reais para a emancipação das classes trabalhadoras.

A mudança política dentro do regime brasileiro com a subida do PT ao poder há 12 anos não conduziu, portanto, a um avanço revolucionário.



Pelo contrário, a submissão ao grande capital que a aquele partido permitiu, levou a que se formasse dentro mesmo do governo, e, essencialmente, nos organismos parlamentares (Câmara dos Deputados e Senado) uma forte corrente de cariz contra-revolucionária, abençoada pelo capital financeiro, em particular o de Wall Street.

O retrocesso político no Brasil, mas não só, igualmente noutros países, como a Venezuela, foi aprofundado, precisamente, devido à recessão económica mundial, que alastra desde 2007/2008.

Ora, esta recessão foi, justamente, provocada pela grande burguesia financeira internacional, que, no entanto, não teve uma resposta classista revolucionária que a responsabilizasse e pusesse em causa o seu domínio sobre a sociedade.

Todo o amortecimento da revolta foi conseguido pela existência no poder de partidos que se intitulavam de esquerda, como o PS francês, o Partido Democrático italiano, o PSOE espanhol, o PS português, o chavismo na Venezuela, ou o petismo no Brasil.

A continuidade sob umas «cores de esquerda».

Esta é a realidade: sem uma perspectiva de uma mudança revolucionária, sem a existência de um partido com esse programa, as classes trabalhadoras aceitam entregar o poder a quem lhes aparenta uma representação de mudança.

Desde os começos deste século, sabendo-se vulnerável, essa grande burguesia financeira fez-se governar sob uma perspectiva +vermelha+, apoiou, tacitamente, a chegada ao poder desses partidos ditos de esquerda.

Constatou, desse modo, que a governação capitalista poderia prosseguir, sem que os de baixo entrassem na via revolucionária.

4 – A fase actual da evolução do poder a nível mundial passa por um período de avanço conservador contra-revolucionário, e, a grande burguesia financeira, acossada por uma crise profundíssima que coloca em causa a própria existência do regime capitalista, procura, desesperadamente, sobreviver exercendo o poder por métodos nazi-fascistas.

Os movimentos populares, que se levantam desde a  França até ao Brasil, contra a subversão reaccionária, são indícios de que os retrocessos conduzidos pelos partidos ditos de esquerda, que defendiam uma mudança radical dentro do actual sistema político, não abrandaram a chama de uma ruptura radical com o capitalismo.

A capacidade de influir nesse movimento para uma etapa mais avançada depende da capacidade dos seus líderes de se libertarem da influência programática dominante de que é possível derrotar o capitalismo dentro da democracia.

A constituição de um partido revolucionário, principalmente, a nível europeu, pode ser o caminho mais consistente para recuperar e levar as energias existentes entre as classes populares, para ultrapassar o rasto de derrotas sucessivas no seu seio desde o século XIX.


quarta-feira, 11 de maio de 2016

O PODER MILITAR DE WASHINGTON ESTÁ A SER POSTO EM CAUSA

1 – Um frenesim de exercícios militares junto das fronteiras da Rússia e das águas territoriais da China, supervisionados pelos Estados Unidos da América, tem sido mostrado ao Mundo desde meados o ano passado.

Ao mesmo tempo, impulsionaram-se, na América do Sul, movimentos que destabilizaram alguns dos principais governos de países (Brasil, Argentina e Venezuela) que, de uma maneira ou de outra, estavam a tentar fortalecer, entre si, uma parceria de comércio livre dentro das fronteiras do espaço geopolítico daquela região do Globo.

Claro que, à superfície, esses movimentos continham, em grande parte, indícios de descontentamento popular e enquadravam, tanto na Venezuela, como na Argentina, actos eleitorais legais. A questão foi (e é) que o movimento político está centrado no exterior.

Paralelamente, surge um movimento diplomático vincadamente *imperialista* do Presidente dos Estados Unidos da América, Barack Obama, pressionando as assinaturas de *Parcerias/Tratados de Comércio e Investimento*, sob a liderança de Washington.

Essa mensagem está abertamente divulgada por Obama, num artigo que, recentemente, publicou no jornal *Washington Post*, onde ele sustenta, a propósito desses Tratados: «A América deve impôr as normas. A América deve decidir. Os outros países devem agir segundo as regras estabelecidas pela América e os seus aliados, e não ao contrário».

Mas, o porquê desse frenesim militar, dessa ameaçadora mensagem imperialista?

2 – A realização, a 9 de Julho de 2015, em Ufá, Rússia, da VII Cimeira dos BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), onde aqueles dirigentes deram um impulso institucional com a criação de um *Novo Banco de Desenvolvimento e do Arranjo de Reservas*, para «apoio financeiro recíproco, como um passo importante na cooperação financeira de nossos países», em concorrência directa com o FMI e o Banco Mundial.


E, principalmente, porque aqueles dirigentes deram luz verde para a utilização bilateral das suas moedas nacionais, em detrimento do padrão internacional dólar, no mercado das transações de matérias-primas.

A essa reunião dos BRICS seguiu-se uma cimeira de Chefes de Estado e de Governo dos países da União Económica Eurasiática e da Organização para Cooperação de Xangai (OCX), bem como os Chefes de Estados observadores da OCX.

Esta reunião, que enquadrava desde 2005, a China, Cazaquistão, Rússia, Tadjiquistão e Uzbequistão, decidiu alargar o grupo à Índia e ao Paquistão. E tem como observadores, entre outros, o Irão e a Bielorrússia.

Ou seja, o lançamento de uma estrutura de controlo económico e militar, fora da influência norte-americana, em toda uma região, que contem as maiores reservas de petróleo e gás, além de outras matérias-primas.

(Esses projectos tidos como estratégicos enquadram a construção de gasodutos e oleodutos, bem como uma estrutura conjunta de refinarias e complexos petroquímicos de grande complexidade).

As campainhas soaram em Washington.

Pode dizer-se, com algum menosprezo imperial, que as economias dessas regiões ainda estão em reformulação e as debilidades das suas moedas em trocas bilaterais são evidentes.

Mas, isso são nuvens propagandísticas lançadas para esconder o que germina, de novo, na geopolítica mundial.

O que é certo que é esses países já começaram a fazer trocas entre si, sem passar pela moeda intermediária, o dólar.

O Irão, logo que abrandaram as sanções, anunciou abertamente que as suas trocas de crude no mercado mundial seriam feitas por uma moeda alternativa ao dólar, neste caso o euro.

O que significa, em termos práticos, que o dólar começa a deixar de ser referência.

3 – Em política, o que parece é.

E, embora, haja sempre algo de circunstancial e imprevisto nos acontecimentos internacionais, o certo é que os dados confrontados têm um guião permanente e não surgem por acaso.

Em Março de 2015, ou seja nas vésperas no encontro de Ufá, os EUA enviaram para Riga, a capital da Letónia, forças e material militares, envolvendo-os numa missão vaga de *treino na região do Báltico*.

Estes exercícios militares, para ganharem *respeitabilidade*, são realizados, teoricamente, sob os auspícios da NATO e estendem-se à Estónia e à Lituânia.

Segundo o governo da Lituânia, a NATO irá efectuar esses treinos *em permanência*.

Entretanto, meses depois, a NATO anuncia, com a conivência do governo pró-fascista católico polaco, liderado pelo partido Lei e Justiça (PIS), supervisionado por Kaczynski, e que tem como primeira-ministra Beata Szydlolei, uma *marioneta* daquele, que serão realizados na Polónia, manobras da NATO.

Estas manobras enquadraram 40 navios de guerra, cinco mil militares, a maioria norte-americanos, de 17 países.

Os exercícios na região do Báltico continuam.

Desde finais de Março de 2015, que na região do Mar Negro, muito perto do território russo, se efectuam exercícios navais com forças da Bulgária, Roménia, Turquia, Reino Unido e França.

E estes exercícios são mais frequentes desde a anexação da Crimeia por parte da Rússia, após o golpe de Estado efectuado na Ucrânia por forças pró-ocidentais.

Exercícios militares estes que, por seu lado, também estão virados, a partir de Julho de 2015, para a intervenção da NATO na própria Ucrânia.

Desde os finais de 2015, os EUA tem tentado arregimentar a Geórgia, que faz fronteira com a Rússia, para efectuar treinos militares envolvendo forças de intervenção norte-americana naquele Estado.

Para este mês de Maio, estão programados exercícios militares conjuntos da Geórgia e dos EUA com o nome de código *Noble Partner 2016*, para terem lugar nos arredores da capital, Tbilisi.

4 – Porque será, que, de repente, na segunda metade de 2015, se multiplicaram os *confrontos legais* para substituir os dirigentes independentes de Washington na América Latina, aproveitando as eleições presidenciais e legislativas?

A par da UE, a América Latina era, no passado, o mercado tipo *quintal* norte-americano para escoar as exportações, incluindo as militares, dos EUA.

Com o surgimento de economias em concorrência feroz com Washington, a América Latina tentou (e tenta) organizar e desenvolver a sua *armadura comercial* interna, através do MERCOSUL, e, aprendendo com  a UE, pela negativa, estruturar uma componente castrense correspondente, a UNASUL, que defenda os seus interesses.



Vejamos então o que sucedeu:

A 22 de Novembro de 2015, teve lugar a segunda volta da eleição presidencial na Argentina. Venceu o candidato Maurício Macri, um milionário com negócios fraudulentos, apoiado abertamente pela administração Obama.

A campanha eleitoral já se tinha iniciado em Agosto com a escolha *criteriosa*, segundo os padrões de Washington, de Macri, que era presidente da Câmara de Buenos Aires.

Naturalmente, a anterior gestão governamental argentina, liderada por Cristina Kirchner, como representante do capitalismo nacional,  e que apoiava o *peronista* Daniel Scioli, tinha os *pés de barro*, pois permitiu todo o tipo de corrupção e nepotismo.

Todavia, não estava sintonizada com o *império* norte-americano.

O primeiro acto político de Macri foi atacar o governo venezuelano, que estava envolvido na campanha eleitoral para as legislativas do país. Governo este que, desde os tempos de Hugo Chavez, encabeçava o poder anti-imperialista burguês na América Latina.

As eleições legislativas venezuelanas ocorreram a 6 de Dezembro de 2015, e, o partido governamental, Partido Socialista Unidos da Venezuela, é derrotado por uma frente eleitoral conservadora, igualmente apoiada pelos EUA.

O primeiro acto político foi arremeter contra o Presidente da República, Nicolas Madura, procurando levá-lo à demissão.

Curiosamente, e talvez não, inicia-se a 2 de Dezembro desse ano, o processo de destituição da actual Chefe de Estado do Brasil, Dilma Rousseff.
O processo surge em torno de uma questão processual de aplicação das leis orçamentais, em torno da gestão do governo presidencial.

Todavia, o processo foi empolado e conduzido apenas por uma via política, procurando explorar um caso bem real: um eventual combate à corrupção existente no sistema político, que atinge todos os sectores desde a Câmara dos Deputados até aos Tribunais, passando pelo Senado e mesmo ministros e ex-ministros.  A sua face mais visível é a governação do Partido dos Trabalhadores.

E entre os promotores do processo de destituição, curiosamente, estão os principais deputados representados na Câmara.

Este processo é seguido, sôfrega e atenciosamente, pela administração norte-americana. Porque em causa está o papel que o Brasil está a desempenhar na instituição do MERCOSUL e da UNASUL.

4 – Este frenesim militar pode apresentar, aparentemente, poderio. 

Os Estados Unidos da América estendem o seu *braço imperial* a mais de 180 bases e quarteis castrenses espalhados pelo Mundo.

Mas, tudo isto custa dinheiro. E o dinheiro não terá suporte contínuo se não estiver estribado na produção interna industrial.

A realidade é que o crescimento produtivo nos Estados Unidos da América estagnou.

Ora, o militarismo norte-americano para se expandir necessita de novas injecções de investimento.

O erário público começa a ficar exausto.

A Secretaria de Defesa dos EUA anunciou, que, para 2017, estão já orçamentadas  despesas militares de 583 mil milhões de dólares (537 mil milhões de euros).

Um balúrdio.

Este militarismo desenfreado terá de conduzir à falência financeira.

Como, dentro do sistema norte-americano começa a existir a noção de que a concorrência poderá colocar em causa o seu *modo de vida*, este afã pela via militar torna-se perigoso.

Ou há uma contenção mundial das despesas castrenses, ou mais cedo ou mais tarde, soarão as trombetas de guerra generalizada.

Mas, também, poderão surgir sintomas de mudança radical no actual sistema político internacional.


O tempo o vai dizer.

terça-feira, 26 de abril de 2016

A NATO ESTÁ À DERIVA E OS GENERAIS NORTE-AMERICANOS QUEREM SANGUE NA EUROPA

1 – Nunca, como agora, estão a aparecer declarações sonoras de generais norte-americanos, comandantes da NATO, falando de cátedra, sobre o *perigo russo*, ultrapassando mesmo a *diplomacia* do poder político, a que estão subordinados.  

Esses *alfaiates* do complexo militar industrial dos Estados Unidos da América procuram, nos últimos meses, afanosamente, provocar conflitos com Moscovo, desde o Mar Báltico ao Azerbeijão, com compasso de espera na Ucrânia.

Um exemplo. Estas foram proferidas, há cerca de dois meses, na Geórgia, uma zona de crise, pelo general Philip Breedlove, que, então, ocupava os cargos simultâneos de comandante das Forças norte-americanas na Europa e Supremo das Forças Aliadas da NATO na Europa (SACEUR):
*Estamos a assistir a um ressurgimento de uma Rússia agressiva, que, voluntariamente, escolheu ser um adversário e representa uma ameaça agressiva e de longo prazo para os Estados Unidos e os nossos aliados e parceiros europeus*.

Mas, agressiva para os EUA…na Europa? Será que a fronteira norte-americana começa em Portugal?


2 - Mas o que representa, verdadeiramente, a NATO na actualidade?

Qual a razão de declarações cada vez mais agressivas de generais norte-americanos?

A NATO – Tratado da Organização do Atlântico Norte -, criada em 1949, pelos Estados Unidos da América *e os seus aliados* de peito, Inglaterra, Alemanha, e França, portanto muito antes de existir a chamada *cortina de ferro* e de ser instituída uma aliança militar sobre a liderança da antiga União Soviética com os países *seus satélites* chamada *Pacto de Varsóvia* em 1955.

Nasceu, desta maneira, como instrumento de poder imperial dos Estados Unidos para *amarrar*  os europeus ao seu controlo económico que começou a ser instituído com o *plano Marshall*.

Wall Street sabia que a recuperação económica da Europa ocidental seria superior e mais rápida face à recuperação da parte leste e da própria ex-URSS, onde o desenvolvimento do capitalismo estava em fase inferior e a destruição produtiva desses espaços atingia percentagens muito superiores do que do lado ocidental.

O empréstimo estatal de Washington, sob a supervisão do sistema financeiro e em seu benefício, foi algo como 13 mil milhões de euros, a partir de 1947 (uma valoração superior actual superior a 140 mil milhões de euros).

Era uma batalha, contra o tempo, de salvação do capitalismo financeiro ocidental, o que foi conseguido.

Na realidade, o crescimento da Europa ocidental nas duas décadas seguintes foi significativo, como foi arrasador o fluxo de exportações norte-americanas para o mesmo espaço geográfico (cerca de 80 % dos produtos entrados), mas mais arrasador foi a exportação bélica, o que representou a *asfixia* de Washington sobre a capacidade europeia de impor a sua própria política externa e a política de defesa.

O primeiro objectivo de Washington foi o de enxamear a Europa ocidental de bases e estruturas controladas pelas Forças Armadas norte-americanas. Ou seja, ocupação efectiva de territórios. Transformá-los em protectorados.



No continente europeu, devem existir mais de 100 mil soldados dos EUA, cerca de 40 mil só na Alemanha. As suas bases estendem-se desde Portugal até à Turquia, passando pela Inglaterra, Grécia, Itália, Dinamarca, Islândia, Noruega, Holanda e Luxemburgo.

E desde a queda da URSS, à Polónia, Hungria, Roménia, Bulgária, Albânia e Kosovo.

Embora a *ajuda* do plano Marshall fosse aproveitada pela burguesia desenvolmentista europeia para levar avante o seu projecto de criar um espaço europeu, através da cooperação económica primeiro, esse espaço está cerceado pela sua incapacidade de forjar uma diplomacia e Forças Armadas únicas.

De certo modo e em certo sentido, essa burguesia avançou, tirando lições dos esforços anteriores (napoleónicos, prussianos e hitlerianos) de rasgar para essa via, de maneira unilateral, brutal, desprezando os direitos nacionais e soberanos dos povos.

Para que se tivesse implantado a CEE, e, depois introduzido a UE, contaram com a cumplicidade dos sectores mais conscientes das classes laboriosas. E isto porque se instituíram, ao mesmo tempo, uma panóplia de direitos para todos os diferentes povos e nações da Europa.

A CEE nasceu, realmente, de uma nova tentativa de desbravar o espaço económico sem fronteiras (circulação de mercadorias e de pessoas), agora em harmonia internacional.


Esse espaço – económico e político – é essencial à emancipação política das próprias classes trabalhadoras.

Estas terão, agora, a tarefa de criar a sua própria estrutura própria com as suas reivindicações específicas.

A NATO é, hoje, um entrave a esse caminho, é, na realidade, um escolho mantido por Washington para desarticular o nascimento de União Europeia independente, dentro de uma harmonia possível, e, englobar um território maior, talvez dentro de duas décadas, com a própria Federação Russa.

Ou seja, o maior mercado comercial do Mundo.

(O capitalismo centrado em Washington tem consciência que foi – e será – na Europa que surgiram as maiores convulsões revolucionárias que deram a perspectiva de um novo rumo societário para o Mundo.

Essas convulsões deram-se sempre na esteira do avanço da burguesia na sociedade europeia, com o ascenso, primeiro, do capitalismo industrial na Inglaterra e depois em França; depois com a sua extensão à Alemanha e à Itália, nos finais do século XIX. Mais tarde, com a sua penetração na Rússia czarista).

E esse escolho, presentemente, é visível desde a entrada forçada, eivada de *nacionalismos* e com o financiamento do lado norte-americano dos países do leste, antigos integrantes do Pacto de Varsóvia na estrutura da Aliança, totalmente dominada pelos Estados Unidos da América.

3 – Com os novos rearranjos geo-estratégicos e geo-políticos, criados com o aparecimento de novos centros capitalistas em concorrência directa com os EUA, em particular, a Rússia e a China, o papel da NATO tornou-se obsoleto.


Numa escala menor, o Brasil, com o MERCOSUR, a Índia e a África do Sul, associados àquelas nos BRIC´S.

As crises do Médio-Oriente trouxeram, de maneira mais visível e aguçada, a impotência da NATO e da sua cabeça política, Washington, e financeira, Wall Street.

Esse obsoletismo político-militar faz vir ao de cima as ameaças dos generais, que, no fundo, são as ameaças do complexo industrial-militar, ou seja, gritos de agonia de um militarismo que contra a marcha da História pretende continuar actuante. 

São, pois, perigosas, porque estão centrados no desespero de um modelo político-económico que está a entrar em colapso, ainda com poder castrense extraordinário.

Justamente porque são gritos de desespero de um sector do grande capital financeiro que sente o chão a fugir-lhe dos pés, e isto porque a UE não quer contribuir para o financiamento da NATO.

Desde os atentados do Charlie Hebdo em Paris, a França, que se considerou atacada de fora pelo *terrorismo internacional*, nem sequer fez um esgar para se dirigir à NATO, como organismo de *defesa colectiva*.

A Alemanha, e por tabela a UE, na recente crise dos refugiados, opinou que a Aliança Atlântica actuasse como *guarda costeira* no Mediterrâneo.

4 – A gravidade da questão é que, na crise geral do capitalismo, a concorrência inter-imperialista está provocar um incremento desmesurado do militarismo nos próprios EUA, na Rússia, na China, o que provoca um aprofundamento crescente da crise financeira internacional.

Curiosamente na UE, são os governantes dos países do leste que mais pressionam para que aquela enverede pelo apoio à política de Washington dentro da NATO. Com o dedo apontado ao *monstro* russo.

Mas, os países mais evoluídos economicamente, como a Alemanha e a França, estão mais preocupados em reatar os *laços comerciais* com Moscovo.

Quem quer lançar gasolina para o fogo neste momento ao território europeu?: 

Apenas os EUA, e, depois colocar-se de fora para vir recolher os *proventos* quando a Europa novamente estiver reduzida a cinzas.

Só que, no presente, os ventos da guerra atingirão todo o planeta.

A tecnologia castrense para alcançar a destruição não precisa de grande deslocamento de forças.


Vamos esperar para ver como reage a UE ao que se está a passar no Médio-Oriente.

domingo, 10 de abril de 2016

EUA: UM FUTURO COM ESPECTRO DE GUERRA CIVIL

1 – Quando o candidato presidencial norte-americano Donald Trump afirma que os Estados Unidos da América estão em recessão, tal divulgação, alicerçada nas propostas do capitalista, enquadra já uma promessa de futuro:

A sua eventual ascensão ao poder político será feita, com mão de ferro, em defesa do capitalismo puro e duro, alicerçado na supremacia da finança norte-americana.


E a mensagem política traz uma *armadura militar*: vai haver guerra contra todos os explorados do Capital, desde os naturais integrados até aos migrantes documentados e indocumentados.

Pode parecer estranho, mas a alternativa política dentro do actual regime norte-americano, construído, desde as primeiras décadas do século XX sobre a luta ideológica contínua contra o «comunismo soviético», abominando tudo o que cheirasse a revolução, está num senador desse próprio regime, Bernie Sanders, que defende uma *revolução política* e que essa deva nascer da implantação do *socialismo democrático*.

2 – O combate ideológico e político de Sanders centra-se sobre o domínio avassalador de Wall Street, ou seja o grande capital financeiro especulador sobre a própria sociedade norte-americana, em que o senador de Vermont engloba a própria antiga secretária de Estado Hillary Clinton, sua comparte partidária na liça.

Nesta perspectiva, Sanders apresenta-se como o representante da *oposição* burguesa – industrial, camponesa e, em grande medida, a pequena burguesia (intelectuais, artistas, certas profissões liberais) – afastada, na realidade, de qualquer representação no aparelho governativo e legislativo do Estado norte-americano.


Apesar da manobra da grande burguesia financeira, de há 10 anos, de alçarem uma personalidade como Barack Obama, proveniente, por nascimento, de um pai negro, a Presidente, o certo é que ele era – é – um membro destacado de um grupo escritório de advogados, que servia e serve a facção financeira dominante da grande burguesia.

Não resultou essa manobra face à crise existente aprofundada desde 2007/08.

O fosso entre governantes e governados aumentou nos EUA.

O ascenso revolucionário que impregnou a Europa na segunda metade do século XIX e primeiras décadas do século XX, que trouxe vitórias às classes trabalhadoras em todo o Mundo, desde a redução do horário de trabalho, os contratos colectivos, as seguranças sociais, o próprio direito de voto alargado impulsionou, todavia, uma enorme onda contra-revolucionária, cujo expoente desde a II Grande Guerra, se situou, precisamente, nos Estados Unidos.

Apesar do descalabro dessa onda, a partir dos finais do século passado, tal facto não viu crescer uma nova estrutura político-partidária, coesa e internacional,  com uma nova capacidade programática revolucionária.

3 – Os Estados Unidos da América, a alma mater do poder contra-revolucionário mundial durante décadas, estão, agora, acantonados sob a ameaça de uma possível implosão da sua sociedade.

Então, ainda que com reservas, admitem toda a argamassa ideológica e política de uma *sociedade socialista*.

Mas – sublinhamos – sob o manto diáfano da social-democracia.

Os Estados Unidos da América, como Nação independente, têm, historicamente, um passado recente.

Embora apresentem uma unidade política, na realidade, não tem o cimento de uma centralização definida desde os seus primórdios.

Os acontecimentos históricos marcantes na sua vivência estão assinalados por conflitos de envergadura, e, ainda hoje, problemáticos, porque fazem vir ao de cima clivagens na sua sociedade, como é o caso da guerra civil norte-americana (1861-85).

Uma guerra sangrenta que levou à morte de mais de 750 mil norte-americanos envolvidos nos combates e número não determinado de civis.



Ainda hoje em muitos locais públicos do sul dos Estados Unidos se usam bandeiras da Confederação secessionista.


Esta guerra civil provocou o incremento da grande burguesia industrial e impulsionou em poucas décadas o ascenso do capitalismo norte-americano à cidadania mundial, e, acima de tudo, internamente, à coesão como Estado territorial.

Na realidade, foram abertas estradas rodoviárias de norte a sul e de leste a oeste, e ferroviárias, que colocavam homens e produtos de costa a costa. Desenvolveram-se as comunicações, com os telégrafos; inundaram-se as grandes cidades com fábricas, estaleiros e navios, a agricultura elevou-se a agro-indústria. 

A indústria de guerra contribuiu para todo este ascenso. Rapidamente, abriram caminho ao extraordinário desenvolvimento do capital financeiro.

A actual fase recessiva desse capitalismo, ameaçado pela falência e pela ruptura entre forças produtivas e relações de produção, está a fazer vir ao de cima as clivagens sociais que estiveram na origem do nascimento do *milagre* norte-americano.

Claro que a sociedade norte-americana evoluiu muito desde a luta contra a escravatura, mas os resquícios permanecem – norte com sul, brancos contra negros e hispânicos, regiões de alta tecnologia industrial contra cidades decadentes da *velha indústria*, cidades contra campos.

Este fantasma está latente nas candidaturas principais dos republicanos, desde Trump a Marco Rubio ou Ted Cruz. Acirradas por muito ódio.

Do outro lado, é Sanders, que sustenta que é preciso uma *revolução*.

No ar, fica a ideia de guerra civil…se o regime claudicar.

Os resultados das escolhas da candidaturas presidenciais ir-nos-ão apontar o futuro que está reservado aos Estados Unidos.

Esse futuro parece bem sombrio.


terça-feira, 29 de março de 2016

REFLEXÕES SOBRE UMA CRISE MUNDIAL QUE QUER UMA SOLUÇÃO

1 – O que está a suceder, nos últimos meses, na Síria e também no Iraque, deve ser analisado e interpretado em ligação com a evolução dos acontecimentos mundiais desde a crise financeira e económica capitalista desde 2007/2008.

Em meados de 2015, a Síria estava no limiar da fragmentação total, destruída pela cupidez norte-americana que não teve pejo em lançar o caos no país para substituir o actual regime por governos *fantoches* formados por diferentes facções de *combatentes da liberdade* jihadistas que lhes permitiriam, através de *feudos* menores, rapinar e controlar as riquezas minerais, em especial o petróleo e o gás para as multinacionais petrolíferas, ligadas ao capital de Wall Street.


O Iraque, onde os Estados Unidos da América foram o invasor e ocupante em nome da sua *liberdade* e dos seus * direitos humanos*, destruidor do país desde 2003, ficou destroçado, ensanguentado, desarticulado, entregue, em grande parte do território, aos jihadistas wahbadistas, enquadrados, militarmente, por antigos quadros militares do regime de Saddam Hussein, tranvestidos, agora, de apologistas do EI.

No fundo, parecia que o rumo traçado pelos EUA para o controlo económico e geopolítico da região com o retalhamento dos países produtores petrolíferos iria dar novo alento aos objectivos norte-americanos de retomar a sua supremacia sobre as outras potências.

Ora, em poucos meses, a Rússia intervém directamente na Síria, e, indirectamente, no Iraque, em parceria militar com o Irão e o Hezbolá libanês, e, as debilidades económicas e castrenses norte-americanas vêem ao de cima. Um sinal de decadência evidente do sistema capitalista norte-americano, e, por tabela dos seus congéneres ocidentais.

E a Rússia fortaleceu-se, militar e economicamente.

2 – De certo modo e em certo sentido, é esse o sentimento que existe nas classes dirigentes em Washington. O capitalismo financeiro sediado em Wall Street está a perder o controlo sobre o seu sistema político.

E, no âmbito geoestratégico, o controlo da sua ponta de lança militar-imperial, a NATO.

A «cavalgada sem freio» em direcção ao Magreb, Próximo e Médio-Oriente da chamada *aliança ocidental* por terras do Afeganistão, Iraque, Síria, Líbia, Somália, Sudão, está em banho-maria, mesmo em retrocesso, com os +aliados+ europeus dos Estados Unidos, em retirada, deixando o seu parceiro, a gesticular sobre a falta de empenhamento daqueles.

Na realidade, mesmo na Europa, sendo mais precisos na União Europeia (UE), os governos deram como tarefa à NATO, nesta longa crise de refugiados que a percorre, a *fiscalização*... das águas costeiras no Mediterrâneo.


Nem se fala, nem é pedida, na vaga de atentados que atinge vários membros europeus da NATO, a *solidariedade* desta instituição.

A obsessão dos EUA é a Europa. Mas, a UE já não olha para Washington.

Aqueles procuram, por todos os meios, segurá-la firmemente nos braços da sua dependência do capital financeiro de Wall Street.

Por isso, brandem, através de ponta de lanças estribados em declarações de generais, senadores, ou mesmo de candidatos às próximas eleições presidenciais norte-americanas, o «perigo» que vem da Rússia. 

Falam mesmo, com palavras evasivas, em possível «invasão» iminente dos Exércitos de Moscovo.

E isto, porque, uma realidade nasceu e proliferou, apesar de tudo, com a Comunidade Económica Europeia: a necessidade de maiores territórios para o alargamento comercial em espaços maiores, sem entraves alfandegários e fronteiriços.

E o complemento desse alargamento passará por território russo.  

Eis, portanto, o busílis da questão.

(A ameaça de cessão do Reino Unido da UE – a quinta coluna dos EUA - e o fluxo descontrolado de refugiados deve ser enquadrado neste problema).

O avanço da CEE para UE é, simultaneamente, do interesse das suas burguesias, mas também das classes trabalhadoras.

Porque será essa grande Europa, que é historicamente o centro das grandes transformações sociais e revolucionárias, que em caso de novas convulsões, poderá contribuir para lançar os germes de uma nova sociedade.

3 – A evolução do capitalismo financeiro está a bater num muro, em que o outro lado já não tem a continuidade no modelo específico ocidental. 

O capitalismo financeiro atingiu dimensões mundiais com vários centros de decisão. 

Em concorrência feroz de interpares. 

Estes novos centros também estão a patinhar com muros e sem caminho estabelecido.

A UE, apesar da crise, permanece, com o euro a servir de farol para as novas transacções mundiais.

Os BRIC´s procura lançar a sua moeda como unidade de troca e de financiamento transnacional à revelia do dólar e de Wall Street.



Existe desorientação real nas superestruturas capitalistas. Porque as suas economias estão em derrapagens, sem se ver uma luz ao fundo túnel.

Na actual fase da evolução societária, existem condições materiais para uma ruptura de onde pode vir a surgir uma nova sociedade.

São factos indicativos evidentes desde a crise económico-financeira do capitalismo de 2007/2008, que permanece e se tem aprofundado desde então: Será escusado tentar esconder estes factos – as forças produtivas materiais societárias estão em contradição com as actuais relações de produção existentes
  
Estamos em época, mais ou menos prolongada, de revolução social?

Apontamos para isso, e, esses indícios vem justamente do centro capitalismo internacional, por excelência, os EUA.

Esse indício vem, precisamente, da sua superestrutura política.

A campanha eleitoral presidencial naquele país centra-se, a nível de ideias, entre o candidato republicano Donald Trump que defende a fascização do poder estabelecido e o candidato Bernie Sanders, que preconiza *a salvação* do mesmo através do *socialismo*, ou seja de um poder de compromisso classista chamado *social-democracia*.

Como vai ser essa ruptura política ou asfixiamento por métodos violentos, os próximos tempos o vão determinar.

A questão principal para uma nova sociedade vai depender do papel prático que as classes trabalhadoras vão desempenhar nos próximos anos.