sábado, 13 de novembro de 2010

CIMEIRA DA NATO: "MAIOR CAPACIDADE EXPEDICIONÁRIA"





Lisboa vai ser palco, a 19 e 20 deste mês, de uma Cimeira da NATO, que os seus promotores sustentam vir a ser “histórica”, pois, através do que se apelida poder vir a ser uma parceria, nela vai estar presente o Chefe de Estado da Grande Rússia, Dmitri Medvedev.

Para ser discutido, além dos negócios que estão na ordem do dia na política internacional – não é por acaso que nesta reunião vai estar presente o director-geral do FMI -, o “primordial”, nas palavras do secretário-geral da instituição, um antigo primeiro-ministro dinamarquês, de nome Andres Gogh Rasmussen, será a definição teórica – e essencialmente prática – de “um novo conceito estratégico” para a NATO.

Este “conceito” está contido, para apreciação, e a notícia proveio da Agência France Presse, naquilo já foi distribuído como “um primeira versão, com uma dezena de páginas” aos embaixadores dos países membros em Bruxelas (sede da instituição). E depois, analisadas pelos ministros encarregues das pastas militares.

Uma versão mais completa e que tenha já em conta as observações dos aliados será depois submetida aos chefes de Estado e de Governo na cimeira de Lisboa.

Em Abril de 2009, - continuamos a seguir a AFP -, os dirigentes da NATO, reunidos em Estrasburgo (França) e Kehl (Alemanha), decidiram promover uma revisão do «conceito estratégico» tendo em vista as «ameaças actuais» e «os riscos do futuro».

Entre as ameaças a considerar, Rasmussen apontou os mísseis balísticos, a proliferação de armas de destruição maciça e os ataques contra redes informáticas.
Num relatório de 46 páginas intitulado NATO 2020: uma segurança firme, um compromisso dinâmico, entregue a 17 de Maio, um grupo de 12 peritos, presidido pela antiga secretária de Estado norte-americana Madeleine Albright, (reparem na personalidade), formulou várias sugestões para o novo conceito estratégico.

Um dos pontos principais do relatório, que inspirou Rasmussen, foi a transformação da NATO, a partir das lições a tirar do Afeganistão, numa organização “com maior capacidade expedicionária”. (sublinhado meu).

A Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN – sigla francesa – NATO – sigla inglesa) nasceu como uma organização militar de intervenção, fomentada, em 1949, pelos Estados Unidos da América, para garantir o que Washington chamava “a defesa do eixo Atlântico Norte”, enquadrando o Canadá, seu vizinho, e subordinando os países da Europa Ocidental à política norte-americana de “conter o avanço do comunismo”, que, objectivamente, situava numa zona fora desse território: A URSS e os países do Leste europeu, que ficaram sob a tutela daquela.

(De registar que o Pacto de Varsóvia, somente foi criado em 1955, quando a NATO tentava imiscuir-se nessa região).

Mas, relevemos, a NATO formou-se, primeiramente, para suster, com urgência, a possibilidade de levantamentos revolucionários de cariz socialista em toda a zona de maior desenvolvimento económico e político no mundo que era, justamente, a Europa.

Com o final da guerra, e após a imposição de “blocos”, realizados em Teerão, Ialta e Potsdam, que as potências ganhadoras da II Grande Guerra – Os EUA e a antiga URSS/ a Inglaterra e a França não contavam para o efeito – desenharam, o que estava em “jogo”, para o capitalismo ocidental, monopolizado, na altura, por Washington, eram as eventuais mudanças de regimes na Europa Ocidental, em particular, Grécia, França, Itália e Alemanha.

Ora, a preocupação principal da NATO, nessa fase inicial - 1949-1955 – foi, pois, a de evitar que os Partidos Comunistas da Grécia, França, Itália e Alemanha tomassem o poder.

O germe embrionário dessa “preocupação”, que começou ainda na fase decadente da II Guerra, e que ditou a formação posterior da aliança militar, teve como primeiro objectivo a Grécia, quando já se estabelecera um “pacto de não agressão” com a URSS stalinista.

Entre 1944 e 1946, os guerrilheiros da resistência grega tiveram na mão, praticamente, o poder no país, mas a Inglaterra, com o apoio dos EUA, procurou impor o governo no exílio pró-monárquico, como legítimo. Os britânicos controlavam apenas, militarmente, as cidades de Atenas e Salónica, o resto estava nas mãos dos “partizans”, liderados pelo PCG. Em Fevereiro de 1945, por intervenção de Stáline, que pressionou os comunistas a assinarem um tratado (Pacto de Varkiza), os monárquicos comprometeram-se a efectuar eleições, sob a supervisão dos…aliados ocidentais. O referendo foi ganho, claro, pelos monárquicos em 1946.

Os guerrilheiros, defraudados, reiniciaram o conflito, a partir da Macedónia e do Épiro, e começavam a reocupar o terreno. O governo monárquico, sem base social de apoio, permitiu a intervenção militar dos britânicos, que não conseguiu controlar a situação, tendo recorrido ao apoio castrense dos EUA. Foi um apoio maciço, não só em armas, mas igualmente em dinheiro. A URSS optou pela “neutralidade”, deixando, deste modo, cair os “partizans”.
(Esta neutralidade não era inocente: além dos pactos assumidos com Churcill e Roosevelt, Stáline não se queria confrontar com Partidos Comunistas instalados no poder em Estados de capitalismo desenvolvido. Mas isso é outra questão).

A segunda intervenção deu-se em Itália. Também aqui, com a cumplicidade da URSS. O PCI, que foi o motor da resistência interna ao fascismo de Mussolini e à ocupação nazi de Hitler, era, em 1944, a principal força armada oposicionista.

Por pressão da União Soviética, Palmiro Togliatti, secretário-geral do PCI, forçou o desarmamento dos “partizanos”, que não o queriam, em troca de ser aceite pelos aliados ocidentais num governo de “ampla unidade nacional”.
Deram-lhe o cargo de Ministro da Justiça num governo provisório. Caminhava-se para o final da II Grande Guerra. Depois no governo do general Pietro Badoglio, foi Ministro sem Pasta, em 1945, num executivo do recém-formado.

O Partido Democrata-Cristã, fomentado pela Igreja Católica e pelos EUA, liderado pelo católico Alcide De Gaspari ocupou, seguidamente, o poder, em aliança com os comunistas. Togliatti ascendeu a vice-primeiro-ministro.

Contra a opinião do seu partido, Togliatti, com o assentimento da liderança do Kremlin, decidiu incluir o Tratado Latrão na Constituição da nova República italiana. Nas eleições gerais de 1946, o PCI obteve perto de 28 por cento votos. Era a segunda força do país. Em 1947, foi aberta uma crise política para afastar os ministros indicados pelo PCI, mas em 1948, já com a República instaurada, aquele partido sobe para 31 %.

As forças internas e externas organizam um atentado contra Togliatt, que ficou gravemente ferido. De imediato, a principal central sindical, a Confederação Geral do Trabalho convocou uma greve geral. O PCI estava em ascensão e admitia-se a tomada do poder. Foi, novamente, Togliatti que pediu aos seus apoiantes para baixarem os braços.

Na França, igualmente as forças guerrilheiras da Resistência, lideradas pelo PCF, tornaram-se a principal base armada da oposição (teriam perto de 170 mil homens armados- Charles Tillon).
Maurice Thorez, com a conivência da URSS, mandou desarmar os “partizans”, que lhe eram afectos para participar num governo de aliança. É Ministro da Administração Pública. Chegará a ser vice-primeiro-ministro e o PCF o primeiro partido eleitoral de França, com quase 30 por cento dos votos. Mas, em 1947, uma crise forjada afasta-o do governo, bem como aos restantes ministros indicados por aquele partido.

A chamada Guerra Fria inicia-se, justamente, nesta data, e apoia-se na *doutrina Truman*, que preconizou a luta contra” a expansão soviética”.

Embora não existisse, nesta altura, formalmente, uma estrutura militar que fizesse frente “ao avanço da URSS”, tanto os EUA, como a Grã-Bretanha, através dos seus serviços secretos, CIA e MI6, respectivamente, organizaram “forças para-militares” para impedirem os PC`s ocidentais de chegarem ao poder.

A mais conhecida foi a chamada Operação Gládio, uma acção que percorreu, praticamente, todos os Estados europeus, desde Portugal até Grécia, que estabelecia a organização de “combatentes secretos”, com armamento e dinheiro, capazes de suportar uma eventual invasão do Pacto de Varsóvia, bem como a “subversão interna”.

Na sua origem, estaria Allen Dulles, um dos fundadores dos serviços secretos norte-americanos, que viveu muitos anos na Europa, com estada prolongada na Suíça, ainda no tempo do nazismo alemão.

Gladio foi, inicialmente, dirigida pelo Comité Clandestino para a Europa Ocidental (Clandestine Comitee for Western Europe - CCWC), fundado em 1948. Após a criação da NATO em 1949, aquele foi integrado no Comité de Planeamento Clandestino (Clandestine Planning Comitee - CPC), fundado em 1951 e dirigido pelo SHAPE - (Supreme Headquarters Allied Powers Europe), transferido para a Bélgica, após a saída da França do Comité Militar da instituição. (A operação Gladio francesa permaneceu).

Entre 1949 e 1991, a NATO e o Pacto de Varsóvia co-existirem numa “entente” armada, que se multiplicou em actos, mais ou menos sórdidos, mais ou menos clandestinos, mais ou menos violentos, nos dois lados da Europa, mas, essencialmente, na intromissão nos assuntos internos de todos continentes, desde a América do Sul à Ásia, passando pela Oceania.

Foi um jogo de concorrência, entre blocos militares e económicos, que engrenavam na força. E essa força estava centrada no desenvolvimento, cada vez mais sofisticado, das Forças Armadas, ou seja, na evolução de todos as formas de dissuasão, que convencionais, quer ultra-sofisticadas, e neste campo, principalmente em torno do armamento nuclear e espacial. Ora, para implantar essa força é necessária riqueza, e em primeiro, lugar dinheiro.

Para conseguir essa acumulação de riqueza é preciso, além do mais, uma grande produção económica, que consiga satisfazer os apetites militares, por um lado, mas também, e por outro, uma competição mercantil capaz de ultrapassar o concorrente.
E neste campo, os EUA e os seus aliados, em especial a Europa, suplantaram, o outro lado, a URSS (e o seu campo económico privilegiado, o COMECON).

Deste ponto de vista, na nossa opinião, pode ser analisado uma das principais razões da desintegração da antiga União Soviética.

Mas, não só: o militarismo, que dominou as duas principais potências, e, em menor grau, os seus espaços territoriais geo-estratégicos, trouxe para os dois principais Estados em concorrência o “vírus” da sua decadência. Quer de um lado, quer de outro, a organização militar adquiriu, de maneira evidente, quase a finalidade da existência daqueles Estados (os complexos industriais-militares e os seus representantes castrenses, financeiros, empresariais, forjaram um poder de decisão sem qualquer contestação).
Tal facto, produziu despesa crescente, trouxe descalabros financeiros. Claro que a primeira “vítima” foi o Pacto de Varsóvia.

A desintegração deste trouxe, momentaneamente, a vitória para o bloco NATO, e de maneira evidente para os EUA, que se intitularam a única superpotência e “senhores do Mundo”.
Tornaram a instituição em arma de força crescente. Forçaram, e actuaram unilateralmente, mesmo juntos dos seus aliados, para um avanço crescente para Leste (anos 90) e conseguiram-no.
Hoje a NATO comporta a Albânia, Alemanha (apenas República Federal da Alemanha, antes da reunificação alemã), Bélgica, Canadá, Croácia, Dinamarca, Espanha, os Estados Unidos da América, a França, a Grécia, os Países Baixos, Islândia, Itália, Luxemburgo, Noruega, Portugal, Reino Unido, Turquia, Hungria, Polónia, República Checa, Bulgária, Estónia, Letónia, Lituânia, Roménia, Eslováquia e a Eslovénia.

Todavia, o desenvolvimento capitalista que os EUA impuseram à Europa ocidental produziu nos diferentes países que a compõem uma alerta de submissão.
Para obstar, à supremacia económica norte-americana, que determinava a esses Estados, não só a sua orientação económica, mas também política, um grupo pequeno, desde os anos 50, impulsionou a unidade económica dessa mesma Europa, que chegando aos anos 90 do século passado, se transformou, na realidade, na primeira potência económica do Mundo, conquistando, para o seu lado, os outros países de Leste, e evoluindo depois para a unidade política.

É essa Europa (a União Europeia), que está, hoje, no centro do furação, recebendo ataques de todos os lados para a fragmentar, contando com os agentes internos. E que procura uma unidade militar para se emancipar da tutela norte-americana. A luta surda, mas fratricida, percorre o interior da NATO entre europeus e norte-americanos.

É também, nesta altura, e por causa disso tudo, que a NATO se encontra numa encruzilhada, que se reflecte na busca de “uma estratégia” que não a destrua de imediato: como arma capitalista, todos esses Estados sentem que estão ameaçados, pois sentem a ameaça crescente da subversão dos povos, que pretendem constituir a sua própria soberania.

Daí, a invenção de uma “luta contra o terrorismo”, uma luta, aparentemente, abstracta, que não assenta num objectivo fixo territorial, mas que, na realidade, é a manutenção do militarismo para destroçar as lutas e reivindicações das classes assalariadas e dos povos que não se querem deixar dominar.

Por outro, é a necessidade do capitalismo ocidental em crise, em particular dos EUA, de avançarem para acções e, até guerras, locais, regionais de invasão e conquista.

A tal política “expedicionária” que o documento reflecte, mas que as experiências no terreno – Iraque, Afeganistão, Paquistão, Somália, etc -têm demonstrado ser um fracasso total.

Em grande parte, o descalabro financeiro de 2008 esteve ligado aos gastos monstruosos dos últimos 10 anos “nas expedições militares”. E mais grave para promotores capitalistas desta investida: as massas populares adquiriram uma certa consciência de que esse dispêndio não pode continuar e não se mostram dispostas a suportar com os encargos.

Por detrás, desta crise – financeira, económica, militar – está um espectro, que percorre esta Cimeira da NATO: podem chegar épocas de Revoluções.


segunda-feira, 8 de novembro de 2010

ACABARAM AS REVOLUÇÕES (1)







A revolução é, hoje, um direito universal



















Em 25 de Outubro de 1917, deu-se, na Grande Rússia, uma tomada de poder por um Partido que se reclamava do Socialismo, no meio de uma sociedade em efervescência revolucionária, que se agudizou em Fevereiro desse mesmo ano, com o derrube do sistema imperial absolutista, personificado no czarismo.

A Rússia czarista tinha-se ingerido nos negócios políticos da Europa, com toda a arrogância imperial, entrando na I Grande Guerra, mas com a fraqueza de uma incipiente evolução económica e política, que se manifestou, de maneira eloquente, no planeamento e apoio logístico dos Exércitos e na avidez com que destroçou a vida de milhões de seres humanos.

Este facto trouxe uma crise de tal envergadura, que patrocinou uma revolta imensa de milhões de camponeses e operários, mas principalmente aqueles, que armados, aderiram, com entusiasmo, aos programas de ruptura revolucionária da ordem estabelecida.

Assim caiu o suporte político de um regime, que era a monarquia absolutista, em Fevereiro de 1917, (mas que estava já impulsionado, economicamente, pelas mãos da burguesia capitalista), no meio de uma Revolução, que naquela altura, não apresentava um programa claro de novo poder, nem se desenhava ainda, na maioria dos operários e camponeses armados, uma maturidade que se inclinasse para uma Revolução Socialista, cujas ideias germinavam, no entanto, já com intensidade, no seio do operariado das grandes cidades e estava a penetrar nas massas camponeses, que constituíam o grosso dos soldados armados na frente de combate.

Os monárquicos liberais e a nova burguesia capitalista pró-republicana em ascensão conseguiram instituir um Parlamento multipartidário e formar um governo provisório, sediado em Petrogrado, mas o poder real tornou-se bicéfalo, pois ao lado dessas instituições, surgiu uma nova forma de poder urbano sustentado em comités populares armados, que se intitularam sovietes com destaque para o de Petrogado, enquadrado por forças sociais e políticas, que se reclamavam do poder socialista.

Havia, na realidade, ainda um remanescente político memorial, entre os intelectuais e operários mais esclarecidos, do poder dos sovietes, criados em 1905, por ocasião de uma tentativa falhada de Revolução.

O incremento económico e social russo não apresentava, nesta altura, - Fevereiro/Março de 1917 -, uma perspectiva de uma Revolução Socialista, porque os operários, ainda que atingissem o número de alguns milhões, não tinham aderido, massivamente, a esse ideal.

Todavia, o governo provisório, que procurava estabelecer-se como poder, através de um acto eleitoral, pondo em marcha um processo e proposta da realização de eleições constituintes da um Parlamento – a Duma, continuou a política czarista de prosseguimento da guerra, razão primeira que motivou a queda de Nicolau II, com o completo desastre económico que mergulhara o país, desde 1914.

Pretendiam, mesmo, desarmar os soldados, operários e na sua maioria camponeses, que agora se organizavam, em torno dos Sovietes, nas principais cidades – Moscovo, Petrogrado, Odessa, entre outras, enviando-os para as frentes.

A propaganda e a organização dos partidos revolucionários, em especial os bolcheviques, com algumas reivindicações que foram bandeiras já na Revolução de Fevereiro, como o fim da guerra, um novo Exército com os oficiais eleitos democraticamente, jornada de 8 horas e a distribuição da terra na posse dos latifundiários monárquicos, fizeram com que uma massa substancial desses soldados aderisse ao poder do principal Soviete, o de Petrogrado.

De Fevereiro a Novembro, o movimento revolucionário liderado pelos sovietes, onde predominavam os socialistas revolucionários e figuras proeminentes da anterior Revolução de 1905, começou a pender para o lado dos bolcheviques.

O impasse na guerra continuava e a degradação da vida do operariado e do campesinato acelerava-se. Os donos das fábricas abandonavam as empresas, os despedimentos ultrapassavam as centenas de milhares. A fome era uma realidade.

Na madrugada de 25 de Outubro, massas populares armadas, lideradas por bolcheviques e com apoio de socialistas revolucionários e anarquistas, cercaram Petrogrado e controlaram o Palácio Táuride, onde se sediavam o governo provisório e o comité executivo do soviete da capital.

Foram presos alguns membros do governo provisório - outros fugiram -, e convocada, para a tarde desse dia, uma sessão extraordinária do Soviete. Contra a opinião da sua direcção, aquele determinou que o poder de governo ficasse todo ele no Conselho de Comissários do Povo, encimado por Vladmir Lénin.

Apesar de resistências internas, entre alguns dos partidos que estiveram no apoio à Revolução de Outubro, os bolcheviques vieram a consolidar o poder, decretando medidas de cariz abertamente socialista: controlo operário em empresas com cinco ou mais trabalhadores, nacionalização das grandes empresas, declaração dos direitos nacionais dos diferentes povos, permitindo a auto-gestão de territórios como a Finlândia, a Geórgia e a Arménia; confisco a favor do novo Estado das grandes propriedades agrícolas, nas mãos de aristocratas e da Igreja Ortodoxa Russa; separação da Igreja do Estado.

E, uma proposta imediata de paz com a Alemanha, que foi assinada em Março de 1918 – Tratado de Brest Litovski -, em que a Grande Rússia perdia a favor daquela uma grande parte do território que estivera até então sob o domínio do czar: Finlândia, Países bálticos (Estônia, Letônia e Lituânia), Polónia, Bielorússia e Ucrânia, bem como de alguns distritos turcos e georgianos antes sob seu domínio.

Depois da Comuna de Paris de 1871, e na sua esteira em reivindicações revolucionárias, proclamava-se na Europa uma Revolução Social.

Tal como a Comuna, a Revolução soviética colocou, na ordem do dia, uma realidade, que 46 anos antes, fora quase efémera: que uma revolução socialista pode materializar-se, ainda orientada por uma minoria.

Mas, ao contrário dos processos revolucionários ocorridos antes da Comuna, em que a grande massa popular não era parte activa (ou então seguia sem intervir) na substituição de um poder antigo por um novo poder, mas aceitava passivamente a orientação da minoria militante, que organizava a estrutura estatal de acordo com os seus interesses e a sua visão de sociedade, na Rússia de 1917 surgia uma nova ideia de Estado, em choque frontal com a dominação classista minoritária.

A governação começou a ser efectuada no interesse da grande maioria, que via nas reivindicações, que começavam a ser postas em prática o sentido real das suas necessidades e dos seus desejos.

Era revolução maioritária, contra a dominação feudal, primeiro, e nos meses seguintes, adquire feição anti-capitalista. Transformaram as suas reivindicações em programas revolucionários, que eram propagandeados em todas as movimentações sociais que se deram entre a derrota da Comuna e esse terramoto político que estava a transformar a Rússia ultra-conservadora.

Ora, tal situação aconteceu, precisamente, num país, que era o maior da Europa e se estendia pela imensidão da Ásia, e onde viviam cerca de metade dos habitantes do mesmo território europeu. Serviu, na realidade, de imediato e nas décadas seguintes de farol orientador para todo o Mundo.

Muitas das reivindicações do novo poder, como a jornada de oito horas, melhoria da condição feminina, salário igual para trabalho igual, entre outras, foram transformadas em bandeiras de luta por toda a parte.

Pela primeira vez, a burguesia mundial via-se confrontada com uma Revolução Social, que surgia perante o mundo, num imenso território, com reivindicações que interessavam às classes trabalhadoras de todo o Mundo.

E, pela primeira vez, também, via-se ameaçada com a perspectiva de uma avalanche revolucionária internacional.

Agiu de imediato. Uma grande coligação global dos grandes países capitalistas foi formada para apoiar as forças internas que se opunham à Revolução, instituindo a maior campanha de terror nas zonas que aquelas controlavam, ao mesmo tempo que desenvolvia uma campanha de propaganda sem precedentes, internacionalmente, contra os objectivos e as práticas que a nova governação soviética impulsionava.

Fomentou, internamente, uma guerra civil, iniciada em Abril de 1918, armando e financiando Exércitos e milícias constituídos por antigos oficiais fiéis ao czar, ao mesmo tempo que as principais potências capitalistas, já aliadas na I Grande Guerra, norte-americanas, inglesas, francesas e japonesas, desembarcaram tanto nas regiões ocidentais ( Crimeia e Geórgia), como nas orientais (ocupação de Vladivostok e da Sibéria Oriental).

Pretendiam derrubar, a todo o custo, o novo poder que se institucionalizava na Rússia.

Queriam estabelecer “um cordão sanitário” que impedisse o alastramento das ideias subjacentes ao poder socialista do “mundo ocidental”. Foi uma guerra longa – de 1918 a 1922 - ganha pelo poder soviético.

Mas, no campo da economia, esta guerra, fomentada pela burguesia coligada dos principais países desenvolvidos, teve profundas repercussões na vida quotidiana das classes laboriosas, em especial o campesinato. Começava a notar-se algum cansaço no sentimento revolucionário dos primeiros anos. Além do mais, o governo soviético teve de confiscar parte dos cereais do campo para sustentar o esforço de guerra no geral, e, em particular o abastecimento das cidades.

Os dirigentes do Partido Bolchevique (que entretanto se veio a chamar Partido Comunista) e do novo Estado tiveram a percepção de que somente com o apoio activo e militante da Europa Ocidental, já fortemente capitalista, poderia favorecer o avanço do poder socialista na Rússia, que estava numa fase de desenvolvimento económico e social muito inferior.

Em 1919, nasce a III Internacional, cujo objectivo primeiro era o de desenvolver a formação de Partidos Comunistas, que pudessem orientar algum fermento revolucionário que estava a surgir na Europa, com o final da guerra mundial (1918).

A Revolução Alemã de 1918 e 1919, que conduziu ao derrube do imperador alemão (kaiser) e a instituição de uma República democrática, foi resultado de uma radicalização em sectores importantes das classes trabalhadoras do país, sob a orientação da Liga Spartaquista (que deu origem, mais ao Partido Comunista Alemão).

Esta Revolução foi motivada pela profunda crise económica, social e política que a Alemanha ficou com a guerra de conquista empreendida com a I Grande Guerra e influenciada, ideologicamente, pela Revolução soviética de 1917. A Alemanha começou a ser governada pelo Partido Social-Democrata, que se afastara dos ideais de Marx e Engels, nos finais dos anos 90 do século XIX, e, já posteriormente, deram o seu assentimento, antes da I Grande Guerra, à militarização do país.
Esta situação levou a uma ruptura interna, que incluiu alguns dos seus deputados, e veio a dar origem à Liga Spartaquista.

No seguimento da Revolução que afastou o Kaiser, os spartaquistas, que tinham como dirigentes principais Rosa Luxemburgo e Karl Liebknechet, ascenderam, mesmo ao poder, no Estado da Baviera, no sul da Alemanha, onde instituíram uma República Socialista, baseada na democracia dos conselhos operários.

Aboliram os latifúndios privados e criaram a auto-gestão nas fábricas e empresas. Iniciaram um movimento revolucionário, que ameaçava o Estado liberal, governado por sociais-democratas.

Estes, com apoio de milícias, muitas das quais já constituídas por radicais de direita, sufocaram, pela violência e pelo sangue, o novel Estado Socialista da Baviera e perseguiram, no país, os membros da Liga Spartaquista, assassinando Luxemburgo e Liebknechet.

Todavia, na Europa, verificava-se, em particular a partir da segunda década do século XX, que o despertar revolucionário dos sectores assalariados estava a decrescer e, começava a germinar, de maneira evidente, entre o campesinato e pequena burguesia, e inclusive, em franjas significativas do operariado, uma adesão de cariz contrário, propenso ao incremento de grupos e partidos reaccionários radicais.

Esta reacção permitiu a ascensão ao poder de Partidos fascistas e nazi, que, por vezes, com uma linguagem “socialista” e “nacionalista anti-capitalista”, veio a solidificar o domínio total, repressivo e, mesmo terrorista, da grande burguesia.

Na Europa e América do Sul, através de partidos com aquela designação ou próxima, e nos Estados Unidos, que, através de magnates destacados da banca e da indústria financiaram o partido nazi na Alemanha, e, internamente, com uma dominação absoluta do poder em torno dos dois agrupamentos partidários que constituem o cerne político da mesma dominação: O Republicano e o Democrata. E uma repressão feroz e selectiva a todos os que se opunham a esse poder, em especial os comunistas e socialistas, que tinham uma grande presença no movimento sindical e cultural do país e que, praticamente, desapareceram da cena política.

Na Rússia Soviética, principalmente, na fase mais aguda da guerra civil, o governo revolucionário tomou medidas (confisco forçado de produtos do campo, sem contrapartidas, entre outras) que, em lugar de dar ao campesinato pobre – e mesmo remediado – uma situação económica mais benéfica que se traduzisse em melhores condições de vida, afastaram – ou melhor dizendo, as tornaram passivas - essas massas populares do apoio à Revolução.

O governo soviético, por proposta de Lénin, tentou inverter via, instituiu em 1921, em NEP (Nova Política Económica), que reintroduzia a privatização da pequena propriedade: camponesa, comercial e industrial, liberalizava a política salarial e permitia a entrada de capital capitalista estrangeiro na economia do país.

Lénin apelidou esta nova formação económica de capitalismo de Estado. Foi uma via que nunca mais teve retrocesso. Aprofundou-se, posteriormente, em 1928, com a colectivização forçada já sob a liderança de José Stáline.

A Revolução socialista de 1917, à medida que os anos seguiam, não conseguia manter a via revolucionária. A Rússia soviética reformulara o antigo poder, mas apenas no seu início.

Estava “enlameada” nas contradições devido ao fraco desenvolvimento económico e social anterior.

Lutava, além do mais, contra uma burguesia capitalista europeia e norte-americana, que se fortalecia novamente, a partir dos anos 20, através de métodos terroristas é certo, mas que era mais potente, que produzia a transformações tecnológicas e científicas em “arma” de progresso.

Não conseguiu dar aos movimentos revolucionários do Ocidente capitalista o incremento capaz de impulsionar a maturidade política entre as massas populares que vacilavam.

Do ponto de vista da economia política, ao longo destes 93 anos, após 1917, o que podemos constatar, até porque se deram, no século XX, Revoluções de grande envergadura ou levantamentos revolucionários – como a chinesa de 1949, a cubana de 1959 e o Maio de 1968 em França, que fracassaram também – é que a evolução do incremento não esteve capaz, até agora, de levar à destruição da produção capitalista.

Embora o desenvolvimento contínuo dessas revoluções sociais, que se prolongam, agora já pelo século XXI, trouxe clarificações evidentes que apontam que a evolução da burguesia está a chegar a uma encruzilhada, cujos indícios de uma nova consciência social de ruptura se está a aproximar.

O caminho de uma nova sociedade está a ser percorrido, agora com uma clareza maior. E essa via é-nos dada pela nova revolução tecnológica que está a impor-se de forma total no Mundo que tem os germes revolucionários de uma nova economia e de um novo tipo de poder.

A fase de paz interna no seio do capitalismo internacional parece estar a chegar ao fim. Os arautos desse capitalismo sentem o chão escorregadio. Estão a engendrar crises atrás de crises, elevando a potências inacreditáveis de propaganda o medo da insegurança. Estão a armar-se despudoradamente contra o inimigo que clamam ser de modo abstracto e vago de terrorismo. Empurram Exércitos imperiais, como baratas tontas, para várias partes do Mundo, pensando que garantem, indefinidamente, a sustentação da sua ordem. Ameaçam até com novas guerras, até nucleares.

Mas, a subversão está, na realidade, a tornar-se o seu fantasma, cada vez mais real.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

QUANDO SE DESCOBRIRÁ O "SEGREDO BANCÁRIO"?

Quem são os verdadeiros homens-sem-rosto que
movimentam e escondem as fortunas no sistema
financeiro mundial?












Surgem todos os dias catadupas de informações sobre operações ultra-secretas das mais secretas e compartimentadas Forças Armadas do Mundo, como os Estados Unidos da América e Rússia, e, até da República Popular da China.

Mesmo, a aparente inatangível actividade clandestina da MOSSAD israelita cai no domínio público, através de informações provenientes do seu interior, que são "sopradas" ou levadas, por vezes, à própria imprensa do país.

Todavia, até hoje nada de substancial conseguiu ultrapassar a bandeira do segredo, pelo menos até agora: os movimentos de capitais clandestinos, onde se escondem e os nomes de que os controla.

Ou seja, a descoberta do "verdadeiro segredo bancário" e o controlo deste por Estados honestos, que nacionalizem os bancos, acabaria, de certa maneira, com a maioria das guerras, das fraudes, dos massacres, enfim das "actividades clandestinas".

Quando que se começou a determinar os contornos reais da actual crise financeira e económica mundial, o responsável máximo da ONU pelo combate ao crime, o italiano Antonio Costa, afirmou que perto de 240 mil milhões de euros em "dinheiro sujo" evitou um colapso maior do sistema.

Ou seja, legalmente, os actuais detentores do poder político no Mundo permitiram que se fizesse um monstrosuoso branqueamento de capitais para salvarem os seus regimes.

Costa acusou o sistema financeiro de ter recebido dinheiro sujo como forma de resolver os problemas de liquidez que enfrentava. “Os empréstimos interbancários foram financiados por dinheiro vindo do tráfico de droga e outras actividades ilegais”, acusou ontem em declarações ao jornal “Observer”.

Ao todo, calcula em 352 mil milhões de dólares (240 mil milhões de euros) o capital ilícito que terá entrado no sistema financeiro durante a crise.

Segundo o mesmo responsável, a ONU já viu provas de que o único “investimento líquido de capital” que foi disponibilizado a alguns bancos veio de gangues de crime organizado, algo para o qual foi alertado por agências de combate ao crime há cerca de 18 meses.

“Em muitos casos, o dinheiro da droga era a única liquidez disponível. Na segunda metade de 2008, a falta de liquidez era o maior problema do sistema bancário, logo ter liquidez em capital tornou-se um factor muito importante”, salientou ao jornal britânico.

Costa revelou que algumas das provas a que o seu departamento teve acesso mostram que muito deste dinheiro sujo foi mesmo aproveitado para salvar algumas instituições financeiras em risco devido ao congelamento dos empréstimos interbancários.

“Há alguns sinais que alguns bancos foram assim salvos”, acusa, sem pruridos, negando-se porém a nomear bancos ou países que possam estar envolvidos. “O dinheiro faz agora parte do sistema e já foi lavado”, aponta mesmo.

“Houve um momento, no ano passado, quando o sistema paralisou devido à falta de vontade dos bancos em emprestar dinheiro ao resto do sector. A progressiva reliquidação do sistema, e consequente melhoria de alguns bancos, veio tornar o problema menos sério do que chegou a ser”, referiu o "czar anticrime da ONU", conforme o “Observer” apelida Antoni Costa.

Segundo estudos da ONU, Grã-Bretanha, Suíça, Itália e Estados Unidos são ser os mercados mais utilizados para lavagens de dinheiro.

Estas declarações já têem dois anos. São gerais. Até hoje nem um único nome dessa "rede mafiosa" que controla o sistema financeiro foi denunciado pela ONU, ou pelos Estados alvos de acusação.

Para bem da sociedade, gostariamos que eles começassem a serem postados em sites da Internet. Há muita gente que sabe quem são.

Então porque ainda não foram investigados pelas "rigorosas" agências policiais, como o FBI, a Scotland ou, cá em casa, pela PJ ou Ministério Público?

O FASCISMO CRESCE NOS EUA








Uma subserviência constante dos políticos norte-americanos para com os financeiros judeus.



















"Why is Assange still alive?
October 29, 2010
I`d like to ask a simple question: Why isn't Julian Assange dead?

In case you didn't know, Assange is the Australian computer programmer behind WikiLeaks, a massive — and massively successful — effort to disclose secret or classified information. In a series of recent dumps, he unveiled thousands upon thousands of classified documents from the wars in Afghanistan and Iraq. Military and other government officials insist that WikiLeaks is doing serious damage to American national security and is going to get people killed, including brave Iraqis and Afghans who've risked their lives and the lives of their families to help us.

Even Assange agrees. He told the New Yorker earlier this year that he fully understands innocent people might die as a result of the "collateral damage" of his work and that WikiLeaks may have "blood on our hands." WikiLeaks is easily among the most significant and well-publicized breaches of American national security since the Rosenbergs gave the Soviets the bomb. ...".
Este trecho é real e está inserto na edição do passado dia 29 do jornal norte-americano "Chicago Tribune". Está assinado por um colunista judeu chamado Jonah Goldberg.
É um veredicto de pena de morte. Público. Autorizado, naturalmente pela Administração e Direcção do periódico.
É um exemplo descarado de uma "mensagem fascista" para a sociedade norte-americana. Mas também mundial, já que os autores/mentores sabem que tais escritos irão ter divulgação internacional.
É um slogan de teor idêntico aos que o regime nazi hitleriano emitiu - e após a tomada do poder colocou em prática, matando ou enclausurando em campos de concentração - em termos de "lista de morte", classificando como "anti-patriotas", todos aqueles que discordavam da política imperial de Hitler e denunciavam, na altura, a fascização crescente da sociedade alemã, em particular, e, da Europa e EUA, em geral (sim, porque, na altura da ascensão do chanceler Adolf Hitler ao poder uma parte substancial dos principais financeiros e políticos norte-americanos nutriam simpatias não disfarçadas pelo regime nazi-fascista teutónico).
O ataque a Julian Assange e ao blog Wikileaks é um ataque aos que pugnam pela liberdade de imprensa, pela democracia, contra a ocupação imperial, contra os massacres desenfreados que a administração (económico-política) norte-americana está a realizar no Médio-Oriente.
O que é curioso é que o ataque surge de um potente jornal dos EUA, controlado pelo lobby judeu norte-americano, que se organiza em torno do AIPAC.
(Tal como Hitler foi sustentado e financiado na sua ascensão ao poder pelos magnates norte-americanos de então, onde se incluiam financeiros judeus, agora, no próprio território norte-americano são os mesmos potentados, agora com uma evidência maior para os judeus, que fomentam a actividade política para tornar o regime de Washington uma "democracia musculada", como primeira via para uma ditadura terrorista).
O AIPAC, traduzindo do inglês é a "Associação norte-americana-judia de relações públicas", é um lobby é constituído por dúzias de comités de acção política pró-Israel que baseiam uma grande parte do seu apoio na comunidade judaica americana e financiam os candidatos presidenciais, dos dois partidos.
Barack Obama foi impulsionado para a Presidência em detrimento de Hillary Clinton, depois daquela associação, em assembleia-geral, lhe ter declarado expressamente o apoio.
Escolheram o programa de "Oprah Winfrey Show', do grupo Fox, pertença, em maioria, de financeiros judeus, precisamente, para lançarem Obama contra Hillary Clinton.
Contrataram, agora, Sarah Palin, ex-candidata à vice-presidência do país - uma antiga semi-analfabete governadora do Alasca, mas apologista da "democracia musculada" no país, para apresentar um programa no seu canal televisivo de maiores audiências.
Claro que não são apenas os financeiros judeus a sustentarem a progressiva fascização da sociedade, igualmente se encontram empenhados grupos de cristãos(católicos conservadores, evangélicos e mormóns) - /estes controlam completamente o Estado de Uthat, desde a segurança à economia/.

O articulista do "Chicago Tribune" sublinha, citando, naturalmente, os mentores do complexo industrial-militar dos EUA, que "responsáveis da estrutura militar e outros insistem que o site está fazendo um prejuízo grave para a segurança nacional americana e levará a morte pessoas, incluindo bravos iraquianos e afegãos (ou seja, em linguagem vulgar, os bufos), que já arriscaram as suas vidas e as vidas de suas famílias para nos ajudar".
E porque estão preocupados esses "responsáveis"? Porque são, justamente, os responsáveis por massacres e actos de tortura em larga escala de cidadãos iraquianos e afegãos civis, depois de ocuparem militarmente as suas terras.
Ou seja, são criminosos de guerra.
Estaremos a ser exagerados com o papel desempenhado na política interna e externa norte-americana por uma minoria de pessoas organizadas?

Eles são discretos e não aparecem nas primeiras páginas. Agem na calada, mas repare-se quem aparece, em força, nas suas iniciativas. Conhece-se muito pouco do que fazem, mas, por vezes, sai uma pequena reportagem na imprensa.
Cito-vos esta, saida no jornal "Washington Post", em Abril de 2003.
Assinou a peça Mike Allen (que também foi correspondente da revista "Time" na Casa Branca), que referiu que na assembleia-geral do AIPAC estavam presentes "metade" dos membros do Senado, 90 membros da Câmara de Representantes e 13 funcionários superiores do governo, incluindo o então Chefe de Pessoal da Casa Branca, Andrew Card.
Allen escreveu ainda que o "AIPAC citou, em tom de festa, um por um das centenas de dignitários, sendo que cada um recebeu fortes aplausos" dos membros presentes.

sábado, 30 de outubro de 2010

ACABARAM AS REVOLUCÕES?




Todo o século XX foi sacudido por revoluções, que apesar de não vingarem, deram origem a novos movimentos subservivos.









Entre a Revolução russa de 1917 e os dias de hoje passaram-se 93 anos, percorridos por numerosas tomadas de poder sob os princípios programáticos daquela, outros tantos movimentos revolucionários ou subversivos, onde "o farol" apontava para Moscovo, assistiu-se ao desmembramento estatal da União de Repúblicas que se constituiram em torno do lema do "socialismo soviético". Arrastam-se, actualmente, sob as ruínas "teóricas" reformuladas desse mesmo "socialismo", os poderes de Estado da China, Coreia do Norte, Vietname e Cuba.


Detractores e apoiantes actuais destes últimos poderes afadigam-se, à sua maneira, com a negação ou assentimento acrítico, a denegrir o que, realmente, de revolucionário existiu, e, a depurtar, conscientemente, pelo lado da negação, que os avanços civilizacionais do século passado se forjaram quando se deram rupturas, ainda que momentâneas, nas relações sociais, e, pelo lado do apoio acrítico, a fazer obscurecer o que, na realidade, o Estado existente nesses países, e que foi formado, após as Revoluções que tiveram lugar, não representam um poder novo, revolucionário.

Naturalmente, uma abordagem deste tema num blog terá ser necessariamente sintético, mas para que possa contribuir para um debate, iremos fazê-lo em "forma de folhetim". Deste modo, neste primeiro texto, colocaremos as linhas principais do nosso pensamento. Seguir-se-ão outros, à medida que se concluam as pesquisas que empreendemos.

1- Em economia política, como nas chamadas ciências sociais, onde situo a História, não podemos afirmar que as verdades permanecem para sempre, nem podemos sustentar, na evolução societária, que os regimes foram sempre os mesmos, e continuarão a ser até aos finais dos tempos, porque na História dos Homens, e isso está perfeitamente comprovado, existiram fases diferenciadas de relações sociais, que trouxeram para as sociedades humanas formas de poderes evolucionistas, que, em momentos precisos, conduziram a rupturas radicais do desenvolvimento interno civilizacional.

Ou seja, as mudanças das sociedades estiveram assentes em revoluções, que, ao seguirem o seu trajecto, ao empreenderem a sua marcha, adquiriram carácter contra-revolucionário, por se modicarem as condições económicas, sociais e políticas, as relações produtivas tomaram novas formas que impulsionaram os homens, na sua situação social, para empreenderem novas transformações.


2 - As Revoluções deram-se, muitas vezes, em situações sociais que não correspondiam ao desenvolvimento económico necessário e a uma maturidade das forças sociais capazes de seguirem "a minoria esclarecida" que tomava o poder, e essa força, que era revolucionária, afastava-se dos reais interesses das grandes massas populacionais, que se tornavam, ou apáticas, ou começavam a seguir os programas dos partidos ou forças mais moderadas.

Na maior parte das vezes, essa "minoria esclarecida", quando conquistava o poder, a prazo, adquiria uma feição claramente contra-revolucionária e ditatorial, embora continuasse a brandir os slogans e consignas da sua primeira fase, claramente revolucionária, de ascensão ao poder;

3 - Se analisarmos, com honestidade e impregnados da capacidade racional da ciência, verificamos que num processo de ruptura civilizacional, esses retrocessos ou derrotas nas Revoluções não representaram o destroçar permanente e definitivo de um novo caminho revolucionário.
O que, na realidade, era trucidado nesses retrocessos foi o lastro social em fase pré-revolucionária, que ainda não estava em condições imanentes para se radicalizar, para ultrapassar o atraso de consciência e material dos grupos sociais, que, embora sendo, potencialmente, os autores desejosos de um novo regime, se retraem e abrem caminho aos arautos da contra-revolução.
Ou seja, em determinadas condições, uma Revolução, que poderia ser a referência para progressos revolucionários mais avançados e alargados, retrocede em contra-revolução e dá armas ao inimigo para atacar e desmoralizar todos aqueles que colocavam as maiores esperanças nessa via revolucionária.

4 - Uma derrota no domínio das ideias pode, durante um período mais ou menos prolongado, ser um entrave à formação de novas forças revolucionárias, a formulação de novos programas de poder subservivo, impedindo o surgimento de partidos verdadeiramente revolucionários.

E, esta atrofia teórica do capital revolucionário pode ser mais prolongada quando as condições económicas se modificam de tal maneira, que subvertem todas as relações sociais e classistas, necesitando de estudos e análises mais apuradas para relançar as orientações de luta e de amadurecimento das consciências políticas.

O que exige, portanto, também uma ruptura teórica sobre a concepção ainda hoje dominante do que é um programa revolucionário.
















quinta-feira, 28 de outubro de 2010

PORQUE CHEGAMOS AO ESTADO ACTUAL?














Quem permitiu o regreso do dominio do sistema financeiro?





O actual Presidente da República, Cavaco Silva, formalizou, esta semana, a sua recandidatura ao cargo e apresentou uma panóplia de "respeitáveis senhores" nas suas comissões de honra e mandatários. Apresentou-se como o campeão da "estabilidade política" e o lider incontestado do actual regime. Pode, na realidade, vir a ser reeleito. Os mais avisados dirão, interrogando-se: "Como é possível que uma Nação se renda assim aos pés de um homem que está no cerne de toda a crise económica, social e política da actualidade?".

Ele não admite que se possa dizer que não existe alternativa. E, para que este pressuposto vingue conta que tenha a seu favor toda a máquina de propaganada da chamada "sociedade civil", que é a base de apoio do Estado português da actualidade. A culpa não é, pois, de um homem só.

A questão que se tem de colocar é a de que porque, ao longo destes anos todos, não houve uma clara demarcação ídeológica e política com o actual regime vigente.




A questão vem de longe.

E tudo isto começou, precisamente, nos inícios deste regime, na constituição do I governo provisório. No 25 de Abril de 1974, que foi um golpe de Estado, até ao 25 de Novembro de 1975, que resultou doutro golpe de Estado, houve realmente um período que evolucionou e que se pode considerar como uma época pré-revolucionária.




Mas, não passou disso, porque o acto operacional que serviria para impulsionar uma verdadeira mudança de regime, que seria a constituição de um novo poder, foi marcado, sucessivamente, pela constituição de governos que se diziam provisórios.




E como tal tudo o que se fazia ou proclamava era necessáriamente provisório.

Todos aqueles que participaram nesse 25 de Abril: desde os liberais da defunta Assembleia Nacional, (Sá Carneiro, Balsemão, Magalhães Mota), oposicionistas liberais monárquicos, estilo Teles Ribeiro, sociais-democratas socialistas, liderados por Mário Soares, aos que se reclamavam do comunismo, como Álvaro Cunhal e os promotores e mentores do MES, como Jorge Sampaio e Cravinho, o seu objectivo central foi fazer parte desses governos provisórios, com maiores ou menores participações, maiores ou menores intrigas.

Mesmo aqueles que preconizavam uma Revolução, ficaram sempre atados aos objectivos centrais do programa político daqueles que fizeram o golpe de Estado de 25 de Abril, que se centrava na criação de uma República democrática de regime parlamentar e o término da guerra colonial.

E essa teia de compromissos, que enredaram todos os que defendiam o chamado programa do MFA, levou a uma capitulação prática dos que pensavam em constituir um novo poder saido de um movimento revolucionário.




No fundo, no rescaldo do 25 de Novembro, todos entraram no redil do poder democrático que se começava a estabelecer e que as primeiras eleições legislativas, após instalação da Assembleia Constituinte, de certa maneira, sufragara.

Claro que o período entre 25 de Abril de 1974 e 25 de Novembro de 1975, não foi uniforme, nem rectilíneo. A partir de 11 de Março de 1975, rebentou um conflito de certa envergadura entre as classes trabalhadoras e os defensores dos diferentes governos provisórios. O Exército desmembrou-se e uma parte apoiou esse movimento pré-insurrecional. Parecia, em pleno Verão de 1975, que um poder revolucionário poderia vir a existir. Começou a falar-se em socialismo. Os partidos, desde o liderado por Sá Carneiro até ao chefiado por Àlvaro Cunhal, davam loas a um "regime a caminho do socialismo". Claro que cada um divagava sobre o conceito do seu socialismo.

Como a classe dominante que sustentou o anterior regime claudicou e para sobreviver se infiltrou, silenciando-se momentaneamente, em alguns dos partidos que faziam parte dos governos provisórios, não podia refrear violentamente o movimento popular que conquistara, nas ruas, o estatuto de cidadania.




Face ao clamor dos de baixo, embora já dominada pelos partidos "centristas", a Assembleia Constituinte, que fora criada para estabelecer uma nova Constituição, não teve outro remédio senão a de colocar, no papel, que a República Portuguesa iria "a caminho do socialismo".

A partir de 1976, essa foi a baliza ideológica e política que determinou a argamassa que permitiu, pacificamente, a criação do actual regime.




Nos primeiros anos, a democratização foi o objectivo central da governação, com o alargamento da massa de privilegiados (políticos e económicos, mas principalmente os primeiros) da nova classe política em detrimento do poder asfixiante do pequeno grupo estrito de financeiros e banqueiros que sobressaira no anterior regime.

A partir de 1978, com as perspectivas de uma adesão rápida à CEE todas as reivindicações e conquistas das classes trabalhadoras começaram a ser postas em causa em nome dos chamadaos "interesses nacionais". As respostas de rua dessas classes eram sempre canalizadas e organizadas pelo rigoroso respeito pela Constituição de 1976. Nada de formas mais avançadas ou radicais. Institucionalizou-se o conformismo perante a ameaça de umas vagas perspectivas de bancarrota.

As velhas forças económicas e sociais começaram a ganhar força, impulsionando, essencialmente, os chamados partidos do "bloco central", em especial o PPD, que se transformara em PSD. E, perante a falta de resposta, a maioria do povo começou a dar-lhes apoio.

É nesta fase, meados dos anos 80 do século passado, que tem um papel destacado o PSD, liderado por Cavaco Silva. Foi ele o "motor" do início do domínio do capital financeiro, agora interlaçado com uma panóplia de arrivistas que enriqueceram, sem qualquer pejo de ética ou honradez, com a mais desenfreada especulação financeira. E uma parte substancial deles nasceram e formaram-se dentro da governação e sob a alçada do actual Chefe de Estado.

Sem qualquer espécie de vergonha, desde os finais da década de 80, começaram a formar-se fortunas descomunais à custa de crises sucessivas, que o sistema financeiro fomentava, para arrecadar mais lucros, despejando as classes assalariadas de todos os direitos que a própria Constituição de 76 preconizara.

Aquelas classes deixaram de contar para nada, a não ser para serem alvos de rapinas contínuas em salários, pensões, subvenções sociais, direitos laborais.

O actual Presidente da República não se pode esquivar à responsabilidade de uma situação trágica que criou para o País. Ele lançou a economia portuguesa no marasmo com que chegou à actualidade. Teve um vassalo subserviente no PS, que, como parceiro privilegiado das benesses deste regime, se prontificou a pôr em marcha as políticas que deram o resultado que todos conhecemos. O Partido Socialismo foi o servidor fiel que transformou o actual regime num poder de caricatura.

Mas esta máscara, necessariamente, terá de cair e, nessa altura, haverá que lhe exigir um pagamento duro e elevado pelos crimes que estão a efectuar.








sábado, 23 de outubro de 2010

CAVACO SILVA: O HOMEM QUE INICIOU A CRISE ACTUAL












Os apaniguados são actualmente os bem sucedidos capitalistas especuladores









Com toda a candura, o actual Presidente da República, Cavaco Silva, em véspera de anunciar a recandidatura ao cargo, prontifica-se - e naturalmente negoceia - uma entrevista-reportagem ao jornal Expresso. com direito a ser "exclusiva" e ser o frontíspicio e a mensagem cuidadosamente estudada: "sinto tristeza com a situação que vivemos".

Ele, Cavaco Silva, um santo, que tudo tem feito para evitar a crise, que nada tem a ver com ele e as políticas que defende e pôs em prática -"confesso que não esperava que estivéssemos na situação em que estamos".

Um esquecido, este Presidente da República, que subiu ao cargo em 9 de Março de 2006, prometendo favorecer "consensos alargados em torno dos grandes objectivos nacionais", que são justamente os preconizados pela governação actual do país, que segue, no enssencial, os objectivos que o actual chefe de Estado perseguiu quando foi Primeiro-Ministro deste pais, alías, o chefe do executivo de Portugal pós-25 de Abril que mais tempo tempo esteve no cargo entre 1985 e 1995. Nada mais, nada menos 10 anos seguidos.

Foi ele, aliás, o "motor político" da ascensão do capital financeiro - não só do nacional, mas essencilamente do internacional, - permitindo que aquele controlasse todo o sistema fas finanças e da produção portuguesas, contribuindo assim para o aumento da dívida pública. Foi ele, como governante, que mais contribuiu para a elevação a níveis dilatórios o próprio défice de Estado, que, ao ficar nas mãos dos grande financeiros, principalmente, internacionais, se tornou objectivo obssessivo de toda a especulaço (mais tarde, noutra mensagem, registaremos um a um os membros dos governos de Cavaco Silva, que estão agora no centro do furação do #buraco especulativo# português) que levou ao enriquecimento desenfreado dos agiotas mais descarados, que pupularam em torno do poder governativo do actual Chefe de Estado.

Ao privatizar desenfreadamente, a governação de Cavaco Silva colocou o país na dependência directa dessa alta burguesia especulativa e desenvergonhada, que, por sua vez, se entregou de bandeja aos apetites do capital financeiro especulativo internacional. Ao fazer isto, ele, Cavaco Silva, é co-responsável, mas co-responsável directo, de todo o desequilíbrio que se foi acentuando no Orçamento de Estado.

Quando se coloca a balança a pender para o lado do Capital, tirando-lhe o freio, ele vai exigir sempre mais no restabelecimento do equilíbrio do Orçamento: Querem mais juros, mais vantagens para emprestar, sem beliscar os seus lucros, logo saquem à outra parte os assalariados, os de baixo, a classes baixas e médias-médias e médias-baixas.

Vejamos exemplos:

Comecemos por aquele que é mais recente na memória: a PT.

A Portugal Telecom – uma das maiores empresas do País – foi "trabalhada" e "organizada", durante anos, para ser entregue aos grupos económicos privados.

Primeiro mexeu-se nos CTT-Correios e Telégrafos de Portugal. Estamos em 1992 - o governo era de Cavaco Silva. Estraçalhou-se, separando as telecomunicações do serviço postal. Depois juntou-se, em 1994, três empresas públicas do sector das telecomunicações: Telecom Portugal, TLP (Lisboa e Porto), TDP (Teledifusão), o que permitiu ainda o controlo de 51% da Marconi (comunicações internacionais).

Em 1995, - Cavaco preparou tudo - começou a privatização da empresa.

É uma empresa do Estado que favorece o Estado? Balelas.

A Portugal Telecom é hoje uma empresa cotada em bolsa (com um valor de capitalização bolsista de cerca de 8 mil milhões de euros), mas o Estado está na posse de cerca de 7% através da CGD. Há uma "golden share" certo, mas os lucros não são portugueses.

Mais de 75% das suas acções estão nas mãos de capital estrangeiro.

Um conjunto de grupos económicos apresentados como nacionais estão na posse do restante, com proeminência para o Grupo Espírito Santo, mas este também é dominado pelo capital estrangeiro.

Com a saída daquela empresa do controlo estatal directo – o Estado ficou, na realidade, sem receitas apreciáveis e deixou de ter a palavra determinante num sector estratégico na economia.

Toda a orientação estratégica foi remetida para a obtenção pura e simples de lucros, que na realidade são distribuidos, maioritariamente, para estrangeiros, cuja cabeça dominante no executivo é actualmente Zeinal Bava.

Quando o plano inclinado em direcção à actual situação de crise económica, social e até política se comecou a acentuar, foi, justamente, quando a política de privatizações entrou em galope.

Por volta do ano 88 do século passado, as grandes empresas públicas contribuiam com cerca de 20 por cento do PIB nacional.

Albergavam mais de 11 por cento do emprego efctivo do país. Eram decisivas nas orientações e tomadas de posição da política económica nacional.

Pois, naquele ano, o governo de Cavaco Silva fazia a primeira "transfiguração" para a privatização: as empresas nacionais transformavam-se em sociedade de capitais maioritariamente públicas, com a chusma imediata de administradores a ganharem pelo "salário do sector privado". E dai, foi um ver se te avias. Os boys começaram a sair do "subsolo" como formigas. Em 1990, oito seguradoras e 11 bancos seguiram esse caminho.

Depois a privatização a 49 por cento, mais tarde a maioria. Lembram-se do caso Roquete, com o Mário Conde no Totta-Açores?.

Saltemos para 1992: venda de 22% do capital da PETROGAL, 60% do BESCL, 100% da Rodoviária Nacional, da Rodoviária do Douro e da Mundial Confiança, 17,6% do BPA, 20% do BFB, 100% da Império, 100% do BANIF, 100% do CPP e 15% da Bonança.

Reparem que, num ápice grande parte das acções estão nas mãoes de estrangeiros. Lembram-se do BESCL, que gritavam a pleno pulmões que o controlo era português? O sucessor, o grupo BES, embora tenha um cidadão português na presidência, o seu capital estão todo hipotecado ao estrangeiro, em especial ao lobby judeu.

Seguiram-se governos PS, que se tornaram seguidores incondicionais do PSD. Depois, ascenderam governos PSD/PP. Retomou o PS.

O rumo foi o mesmo.

A crise vem, pois de longe, e o actual Presidente da República sabe disso. Ele esteve com as mãos na massa. Ele contribuiu, grandemente, para o desequilíbrio dos Orçamentos do Estado.

Quando Cavaco Silva menospreza o papel do capital internacional, que está longe, segundo ele, e só pensa em sacar do nosso, ele é o responsável directo disso. Está a tirar a água do capote.

Náo é possivel recolocar a Função Pública, ou seja a Administração Central, Regional e Local do Estado para fomentar a produção interna, nacional, digamos assim, sem conseguir que a despesa e a receita desse mesmo Estado seja equilibrada.

Ora, para se conseguir isso terá de se ferir os interesses do Grande Capital para evitar retirar o que já não se pode retirar de quem paga impostos e não pode fugir deles.

A crise vai aprofundar-se, quer queira Cavaco ou Sócrates, ou não, se não se retirar uma parte substancial dos encargos públicos de cima dos ombros dos de baixo, e ir buscá-los aos off-shores e lucros do grande Capital.

O cerne de uma nova política passa por aí.