terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

SÓ UMA GRANDE CRISE NA EUROPA E EUA PODE DAR RUPTURAS NO ACTUAL SISTEMA








1 - Com o eclodir da crise financeira e económica de 2008, o que ficou visível, em termos de economia política, é que os poderes económicos que dominaram e formaram a sociedade capitalista que criou a chamada "Grande Depressão" e a enquadrou, políticamente, nos anos 20 e 30 do século passado, através de regime ditatoriais, com ou sem formas parlamentares (mas no fundo todos mantiveram parlamentos, ainda que formais, incluindo os dos EUA), são, novamente, os mesmos poderes que estiveram na origem da actual crise e estão a reorganizar essa mesma vida societária, sob a sua batuta.

Esses poderes, para se equilibrar no seu centro de poder que é, em primeiro lugar, os Estados Unidos e a União Europeia, estão a "distrair", neste momento, o centro da turbulência, procurando afastar todo o séquito de presidentes, reis, ministros, generais, magistrados, dos seus "territórios de interesses nacionais" para que se reformem governos, sistemas bancários, sinecuras militares, de modo a reaparecer como verdadeiros poderosos, que até ajudaram a fazer implantar a democracia no mundo!!!


Mas, perante uma crise desta envergadura, justamente, no centro dos poderes económicos e produtivos mundiais de primeiro plano, o que temos de analisar é a razão porque se está, nessas regiões, a desenrolar uma resistência menos tenaz e demolidora das classes assalariadas.


(Este interregno deve levar-nos a meditar e analisar, com espírito crítico, precisamente o que de complexo se interligou, nestas décadas todas, que, apesar de fases profundas de movimentações revolucionárias, de agitação social em larga escala, porque veio ao de cima o carácter mais retrógrado da burguesia capitalista, cujo pico saliente é o desenvolvimento da crise actual, inciada em 2008, que está a levar ao maior rectrocesso económico e político entre os sectores mais explorados da sociedade).


Temos de reconhecer que estamos, na realidade, a sentir - com tal crise, que não está ater uma resposta à altura - de forma aguda o que significa um retrocesso revolucionário de grandes dimensões em todo o Continente Europeu e nos Estados Unidos, desde os anos 60, e que esta derrota está intimamente ligada ao desaparecimento do espírito revolucionário, o que, em termos práticos, teremos de associar à não existência de um partido com um programa revolucionário mundial desde há 80 anos, mas essencialmente europeu.


E isto porque foi, pois, no continente europeu que, apesar de tudo, se deram as maiores movimentações e convulsões progressistas e, em certos casos, mesmos de cariz revolucionário, como sucedeu em Portugal em 1974/75, em França em 1968, e, em grande medida toda a agitação efervescente de Itália dos anos 60/70. E, noutras circunstâncias, todo o período de distúrbios que percorreram o leste europeu desde os anos 50 até aos anos 90.


2- Ora, este retrocesso revolucionário - melhor dizendo, esta derrota - dos partidos revolucionários que estiveram na frente das batalhas dezenas de anos antes da segunda grande guerra, não se pode explicar pela má liderança de um homem, nem pela má gestão partidária de uns outros quantos, nem da parónia pessoal de um outro qualquer em quem acreditávamos, acriticamente, como se fosse o lider do proletariado revolucionário internacional.


Apesar de toda a fase de inexistência de um partido revolucionário, nacional, europeu ou mundial, durante toda a época que vai desde o surgimento do fascismo e do nazismo na Europa e na América, o que é certo é que, em certas épocas históricas, como na Alemanha dos anos 20/30, ou na Europa após a II Grande Guerra, e em anos posteriores em França, por exemplo, o triunfo do movimento revolucionário esteve mais perto de acontecer, mesmo quando se pensava que as épocas ditatoriais estavam mais cimentadas do que nunca.


Foram períodos históricos terríveis, porque se pensava que as subversões eram impensáveis. Que se instituia a ideia - ou se procurava lançar pela massacragem sistemática da propaganda nazi-fascista ou democrata ditatorial norte-americana do mckartismo - que toda e qualquer Revolução era um acção de fanatismo, de seres abjectos e sem qualificação.


Pessoas essas que, na opinião do poder dominante, procurava instilar no povo que a Revolução não era um direito histórico que ele conquistou ao longo das suas convulsões subversivas e mudanças de sistema político.


3- Desde chamada crise do petróleo dos inícios dos anos 70, que surgiu, precisamente, num refluxo dos surtos subversivos e revolucionários que percorreram, essencialmente, a Europa Ocidental e os Estados Unidos, teve lugar a partir dos meados dos anos 70 do século passado uma fase de ascenso económico, que foi incensado com a criação da União Económica Europeia.


Ora, deste então, o traço marcante político foi o incremento constante do sistema reaccionário em toda a Europa e na América do Norte, e o traço económico o desenvolvimento acelerado do modelo económico capitalista assente na maior especulação sem freio do capital financeiro.


Para resolver esta evolução negativa para os interesses das classes assalariadas, um novo ciclo revolucionário somente poderá criar raizes se houver uma nova crise multilateral, que ponha em marcha milhões de explorados em torno de um programa que preconize uma transformação radical económica, lance uma substancial revolucionamento da organização social.


Mas, para que isto tenha os pés assentes na terra e se movimente para um objectivo que seja transformador é necessário que sejam as massas trabalhadoras que estejam na cabeça desse movimento e ajam com preserverança e ideias precisas do que é necessário mudar, fazer rupturas.


Acreditar que o movimento espontâneo será suficiente para criar a ruptura, é cair nos velhos slogans do voluntarismo que nada de real trouxe para o avanço da humanidade.


È preciso preparação, persistência, muito trabalho de agitação, mas formado em torno de um programa de Revolução.


4 - Ora o centro desta ruptura, desta verdadeira ruptura, está na União Europeia, ela é hoje o centro produtivo mais compacto e avançado do mundo capitalista; é o espaço onde se movimentam os sectores mais conscientes das classes laboriosas; é o espaço onde se deram as experiências mais marcantes de surtos e movimentos revolucionários mais profundos e mais vigorosos.


É aqui que se deve formar, criar a base de um partido com um programa revolucionário avançado.















sábado, 12 de fevereiro de 2011

ESTAMOS NA PRIMEIRA FASE DE SEPARAR ÁGUAS




Está na altura da clarificação













1 - Um facto relevante (uma moção de censura) - embora as nossas personalidades políticas procurem menosprezar - está no centro da actividade política nacional, em geral, e, na parlamentar, em particular.

Não se pode ficar indiferente. Podem fazer-se análises, conjecturas, andar para trás e ver qual foi a evolução do Bloco de Esquerda desde as presidenciais (que eu pessoalmente discordei). Não concordo, aliás, com o programa político ideológico do BE.

Tenho, no entanto, como cidadão, de posicionar-me sobre este moção.

Fá-lo-ei.

2 - Não dou o meu assentimento total à moção do bloco, enquanto não souber o projecto político que vai assentar na argumentção prática, escrita, da sua apresentação. Escrevo, portanto, sobre o que ouvi e li do seu principal dirigente, Francisco Louçã.

3 - Acho, no entanto, que no momento presente é essencial que após a tomada de posse do Presidente da República reeleito, que frisou que a situação política é de crise e que é necessário uma mudança na actividade política, a moção do BE parece-me lapidar para essa clarificação. Ainda que se esteja a estrutura a nebulosa.

O curioso é que todos aqueles que dias atrás, sutentantavam que era necessário uma clarificação, usem agora muitos argumentos para criticar, justamente, um documento político que visa - nas palavras de Louçã - essa clarificação.

4 - Estamos na primeira fase de um acto dramático que, iniciando-se por Portugal, irá atingir todo a União Europeia. É preciso determinar e apresentar alternativas políticas - capitalistas e anti-capitalistas - sobre os poderes económicos que estão a destroçar o progresso político e económico da UE.

Esta moção, que, na minha opinião, é tímida, porque, no que se conhece, não define, com clareza, o carácter revolucionario da alternativa que é necessária ser apresentada na UE, para definir a sua evolução societária futura, tem o mérito de colocar, em parte, muito sumidamente, a questão central: é necessário uma ruptura.


Os legisladores actuais representam os interesses económicos do pior conservadorismo económico que existiu há 40 anos. Eles têem de ser confrontados, do ponto de vista revolucionário, com uma nova forma de governar. Irá a moção do BE colocar o dedo na ferida?.

Esta é a falha maior que noto nesta pré-apresentação da moção.

Louça argumenta: "Esta é uma governção falhada". Eu concordo com ele. O "PS é que está de braço dado como PSD". Eu concordo com ele.


Como produzir a ruptura? Dentro dos limites da actual representação parlamentar?. Nada dará, se assim for.

Somente um programa anti-capitalista poderá separar águas, incluindo o capitalismo de Estado, preconizado pelo PCP.

5 - Estamos em crise, é certo. Todos os afirmam. A solução para a crise para ser favorável ao mundo do trabalho terá de ferir e grandemnete os interesses do Capital. Uma crise não é, propriamente, um almoço de meia dúzia de pequeno burgueses no Gambrinus. É algo de grave, de seperador de águas.


Caso contrário, haverá retrocesso revolucionário. Será um passo gigantesco, no entanto, se havendo eleições, se formar um bloco político em crescendo que defenda soluções anti-capitalistas.


Deixemo-nos da mesquinha política de afirmar que se está a fazer o jogo da direita. Não sei, o que é direita e esquerda em termos de economia política. Quem é de esquerda, o PS?

Ora, defender soluções anti-capitalistas é derrotar o PS, como actual gestor dos interesses genuinos do Capital. O PS não é um Partido de esquerda, que isso é retórica de samaritano. O PS é direita pura e dura. Quem for do PS e quiser ser de esquerda tem de derrotar o poder dos seus representantes capitalistas incrustados nos cargos de decisão, como Sócrates, Mário Soares e Almeida Santos.

Esta é, pois, a questão.





quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

EUA: OS AMIGOS DO PEITO ESTÃO A SER CHAMADOS AGORA DE DITADORES








Os amigos de peito da administração norte-americana são agora todos ditadores....Boa.



Está a findar uma faceta do drama imperial norte-americano no Magreb e Médio-Oriente, que atinge, por tabela, os zelosos e serventuários dirigentes da União Europeia.
Os poderes, que eram o centro da glorisosa luta pela democracia e da defesa do mundo ocidental, prenhe de civilização capaz de transformar o mundo, são "etiquetas" que cairam em desuso.
Apressadamente, os biltres imperiais de Washington sustentam que aqueles amigos de peito são afinal ditadores sem coração, torturadores infames, destruidores do bem-estar das suas populações.
Aquele séquito de serventuários do regime de Washington estão todos a ser escorraçados como vulgares vigaristas e criminosos, que estavam ligados ao Império norte-americano.
Não se pode imaginar, desde já, o alcance real das transformações que se estão a dar desde Marrocos até ao Paquistão, mas uma coisa é certa: está a aparecer uma derrota memorável da arrogância imperial de Washington, pois estão a perder, ainda que a situação seja indefinida, na principal frente política geo-estratégica da sua concepção de "interesse nacional" fora dos territórios norte-americanos.
Está em marcha uma convulsão revolucionária, naturalmente de cariz obscuro, indefinido.
Teremos de ver, nos próximos dias ou meses, os alcances reais destas movimentações. Estes rápidos movimentos não foram obra de um ou dois indivíduos, mas sim de manifestãções, umas mais espontâneas, outras mais solidificadas, mas todas elas trazem no bojo o descontentamento contra o modelo económico e social orientadao por Washington e em grau menor pelos seus sicários encrustados nas instituiões europeias.
Eles também estão na mira.
Vamos ver.

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

QUE AUTORIDADE TEM A UE PARA EXIGIR TRANSPARÊNCIA A OUTROS PAÍSES?







Quem são os principais criminosos?
























A notícia, com data de 31 de Janeiro passado, surgiu da agência Lusa, vinda de Bruxelas:

Cita-se.

"A União Europeia decidiu hoje adiar a decisão de congelar os bens e proibir a deslocação à Europa de uma série de altos responsáveis da Guiné-Bissau, mas confirmaram a suspensão da ajuda comunitária, à espera do resultado de "consultas" com Bissau.

A decisão de adiar as sanções contra o Chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas e o Chefe de Estado-Maior da Armada foi aprovada depois de uma intervenção nesse sentido do ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal, disseram à Lusa fontes comunitárias.

Luís Amado pediu o adiamento da decisão, que estava previsto ser adotada sem discussão, a pedido do representante das Nações Unidas em Bissau, de acordo com a mesma fonte".

A União Europeia (UE) mostra uma arrogância neo-colonial contra um pequeno país, impondo sanções a seus dirigentes, que acusa de participar em "lavagem de dinheiro e corrupção".

É realmente a arrogância dos cobardes contra os indefesos.

Porque não aplica a UE sanções contra os seus banqueiros ou contra os seus dirigentes que estão metidos nos maiores processos de branqueamento de capitais, de prostituição infantil, de nepotismo, como os Berlusconi, os administradores dos principais bancos, contra antigos Primeiros-Ministros do Reino Unido, como Blair, que fomentaram crimes contra a humanidade.

Em 2008, as Nações Unidas fizeram soar o alerta sobre a ameaça global do crime organizado, e instaram uma ação coordenada para chegar a seus lucros, através de medidas contra a lavagem de dinheiro e a corrupção.

E onde estão os centros de lavagem de dinheiro e corrupção?
Nos maiores bancos dos Estados Unidos e da Europa.

Quem o afirma. Refiro o nome: o italiano Antonio Maria Costa, diretor-executivo do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC), sediado em Viena. Fê-lo em plena assembleia-geral da ONU:


"O crime organizado tornou-se global, atingiu níveis macroeconômicos e representa uma séria ameaça à estabilidade, e até mesmo à soberania, dos Estados",






Segundo o dirigente da ONU, os criminosos estão usando os lucros do crime e a ameaça do uso da força para "influenciar eleições, políticos e o poder - até mesmo o militar". Onde se situam? nos países mais desenvolvidos. Os seus bancos, os seus off-shores.






Quem são os atingidos.






As palavras para o homem da ONU.

Costa disse que países vulneráveis, particularmente no oeste da África e na América Central, corriam maior risco e pediu que seu desenvolvimento e segurança sejam implementados para torná-los "menos atraentes para os parasitas do crime".

O italiano discursou por ocasião da publicação do novo relatório da UNODC, intitulado "The Globalization of Crime: A Transnational Organized Crime Threat Assessment" ('A Globalização do Crime: uma Avaliação da Ameaça do Crime Organizado Transnacional', numa tradução livre), primeiro estudo estratégico sobre a ameaça à segurança que representa o crime organizado.

O estudo demonstra que o crime organizado factura "bilhões de dólares por ano com o tráfico de drogas, armas, pessoas, recursos naturais, produtos pirateados, bem como pirataria marítima e cibernética".

Costa disse que uma luta mais eficaz contra toda essa máfia, que se acoita em bancos de grande poder exige mudança. E essa mudança pelo combate à lavagem de dinheiro e à corrupção.

Ele também sugeriu a repressão aos cúmplices do crime, "tais como os criminosos de colarinho branco - advogados, contadores, corretores de imóveis e banqueiros que encobrem e 'lavam' suas ações".

Querem foram os bancos que beneficiaram com esse branqueamento e lavagem de dinheiro.






Todos os grande bancos, que estiveram à beira da falência ou faliram mesmo a partir da crise de 2008. E onde foram injectadas grandes somas de dinheiro dos contribuintes-



Apesar deste investimento público, em 2010, só 25% dos bancos recuperou da falência da Lehman

Em Setembro de 2010, completaram-se dois anos desde a falência do grande banco do capital financeiro internacional judeun Lehman Brothers.




E dois anos depois, mantem-se na Europa, nomeadamente na banca, uma fraca perspectiva de recuperação, onde apenas um em cada quatro bancos apresenta um saldo positivo neste período.






Para onde foi o dinheiro dos contribuintes? Para o bolso dos especuladores.

Dois anos depois, só 13 dos 53 bancos europeus que compõem o índice da Bloomberg para o sector anularam as perdas registadas desde a falência do histórico norte-americano.

A 15 de Setembro de 2008, o Lehman Brothers declarava falência, naquela que foi a primeira peça de dominó a cair de uma construção que até hoje não levantou.

É que a falência da Lehman lançou o caos sobre o sistema financeiro mundial, um cenário que rapidamente se propagou à economia real e originou uma das mais profundas recessões que o mundo desenvolvido conheceu.

É neste cenário que dos 53 bancos que figuram do índice da Bloomberg para a banca, só 13 recuperaram das perdas desde a falência do histórico Lehman Brothers.

Com os melhores desempenhos surge o britânico Experian, que ganha 60% desde 15 de Setembro de 2008, seguido pelo britânico Standard Charter (58%) e do francês Natixis (58%).

A fechar o ‘top 5' dos que melhor recuperaram desde a queda da Lehman está o norueguês DNB Nor ASA e o também britânico IG Group.

Das instituições financeiras que compõem o índice da Bloomberg para a banca europeia, os dois portugueses, BCP e BES, estão entre os 20 piores.

É que o banco liderado por Carlos Santos Ferreira ainda perde 47% desde 15 de Setembro de 2008, em 44º lugar, enquanto a instituição dirigida por Ricardo Salgado acumula um saldo negativo de perto de 30%, no 35º lugar da tabela.

Nos últimos lugares da tabela estão sobretudo bancos gregos e alemães.

O Bank of Ireland tomba 77% desde 15 de Setembro de 2008, enquanto o Royal Bank of Scotland perde mais de 76%. Já os gregos National Bank of Greece e Alpha Bank e os alemães Dexia e Commerzbank derrapam mais de 59% desde a falência da Lehman, registos a que não estão alheios a recente crise de dívida que abalou a Europa.

Ao contrário do que muitos pensam, a crise financeira só começou, vai se acentuar a partir de novembro e durante 2009.






Estamos, portanto, a começar 2010.

Nesta altura era um banco alemão ameaçado de falência e salvo, in extremis, pela chanceler Angela Merkel. Trata-se do banco Hypo Real Estate.






Então a Merkel, piedosa, criticava os outros, por investiverem dinheiro dos contribuintes. Ela fez o mesmo. Mas mantém a arrogância, apesar de fazer a mesma prática do governo irlandês e do próprio português.






Os governos europeus, especialmente, aqueles que defendiam com unhas e dentes o neo-liberalismo, todo o poder aos mercados, encolhem as garras e dizem agora que, para salvar o sistema - o deles naturalmente - é necessário recorrer aos créditos públicos.

Então, Merkel aceitou em desembolsar 35 mil milhões de euros, mas a crise dos bancos alemães não se solucionará com essa ninharia. Esse total inicial é mero analgésico para a crise, pois se fala em um zero a mais para se salvar os bancos alemães da falência, 350 bilhões de euros.

Estamos agora já com 2010 a andar pelos meses adentro e a situação é tão catastrófica entre os banqueiros europeus como nos EUA. Neste intervalo, o maior banco suíço, o UBS quase faliu, embora num clima de discreção típico suíço. Esse banco parece ter sido salvo, foi recapitalizado, mas muitos outros estão na corda bamba.

Depois de várias falências bancárias de outro lado do Atlântico, chegou então a hora da verdade para os bancos europeus. Em poucos dias, isto no ano passado, dois dos maiores bancos do Benelux, o Fortis e o Dexia, tiveram de ser parcialmente nacionalizados para evitar uma entrada em falência. O conjunto dos activos do Fortis e da Dexia representam cerca de 1.500 mil milhiões de euros, ou seja, 3 vezes os activos do Lehman Brothers.

Ao nível dos grandes bancos mundiais, os mais enfraquecidos foram sem grande surpresa os bancos de investimento americanos, como a Morgan Stanley, a Goldman Sachs e a Merrill Lynch. Seguem a Wachova e o Citigroup, maior banco americano.






Esses bancos situam-se a níveis implícitos de risco, comparáveis com vários dos nossos vizinhos espanhóis de dimensão média, como o Banco Pastor, o Banco Popular ou o Bankinter que estiveram nomeadamente expostos à crise imobiliária espanhola.






E quem salvou, em parte estes bancos especuladores? a injecção de dinheiro em catadulpa da droga e da lavagem do dinheiro.

Que autoridade tem a UE para castigar gente de palmo e meio.



Já foi preso algum dirigente europeu? Algum banqueiro criminoso europeu?.



sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

BARRETO: QUANDO O HOMEM DA CRISE DIZ MAL DELA

Sempre, sempre, no lado politicamente correcto do actual regime


O antigo ministro socialista do I Governo Constitucional António Barreto, co-responsável pela situação em que esteve o País em 1976, e, naturalmente, pelo rumo seguinte, saltitante por vários partidos, grupos e associações políticas ao longo dos anos, gratificatemente sustentado em várias sinecuras que lhe deu o actual regime, como seu mentor, com grandes trombetas, anuncia, agora, que o mesmo é "um regime bloqueado".

Fê-lo, naturalmente, em entrevista a um jornal do capital "Diário Económico", declarando do alto da sua áurea, que os pares lhe impuseram de "cientista social":
esta crise é pior do que a 1976.

/Antes de analisar o que diz, vamos referenciar o personagem. Em 1963, estudante de Direito, saiu do país e refugiou-se na Suíça. Em termos práticos, fugiu à tropa. Nada de grave. É um direito. Com o título de exilado por se afirmar contrário ao salazarismo, mas sem realizar qualquer actividade digna de oposicionista político, licenciou-se em Sociologia em Berna, em 1968, e andou a viver à custa da ONU até 1974.

Convém esclarecer: foi miliante do PCP entre 1963 e 1970. Afastou-se. Não sei porquê. Depois, organizou, na Suíça, um grupo de teóricos de opereta, encobertos em torno da revista "Polémica", ao lado de sumidades do actual regime como Medeiros Ferreira e Eurico de Figueiredo.


Quando aterrou em Lisboa, logo após o 25 de Abril, ainda no aeroporto, perguntou, dizem uns a brincar, outros a sério: Quem é o partido que está a dar?

Saltou, então, para o PS, partido, então, sem quadros, mas cheio de curiosidades por "intelectuais" da estirpe de Barreto.


No VI Governo provisório, de coligação PS, PSD e PCP, já era, em nome do "numerário" de Mário Soares, Secretário de Estado do Comércio Externo. Depois foi deputado Constituinte pelos socialistas.


Com o I Governo Constitucional, este "cientista social" é catapultado para Ministro do Comércio e, pouco depois, Ministro da Agricultura e Pescas, com uma oirientação precisa liquidar a Reforma Agrária e dar cabo do que restava da pesca como riqueza do país.


Cumpriu a tarefa de regime, embora o PS de então não lhe tenha engrandecido a personalidade.


Mudou a agulha da bússola e vemo-lo, como intelectual da nova orientação que o poder vai adquirindo com a ascensão da burguesia financeira especulativa, com Sá Carneiro no poder, apoiar a Aliança Democrática, liderada por aquele, encavalitando-se no grupo de enorme projecção intelectual apelidado de "Movimento de Reformadores", onde estavan atambém o inefável Medeiros Ferreira.


Como a AD não o glorificou, estudou o regresso ao PS como deputado entre 1987 e 1991. (Deve ter reforma, justamente merecida!!!).


Claro esteve em cargos de sacagem de dinheiro do Estado, entretanto: membro do Conselho de Administração do Instituto Nacional de Estatística e Presidente do Conselho de Administração da Fundação Francisco Manuel dos Santos.


Um rapaz de respeito não haja dúvida para...dissertar sobre a crise/.


Sobre as eleições, esperava uma mudança no sentido forçar um regime de um homem providencial.


As suas palavras são claras, mas enroladas numa esclerose estúpida de quem sustenta afirmar o contrário:


" Mas caímos sempre no mesmo com este regime que não é semi-presidencial nem coisa nenhuma. Qualquer futuro Presidente da República sabe que dependerá do Parlamento, dos partidos, sabe que não tem poderes e gostava de ter mais... Assim, tiveram cautela e falaram genericamente do desenvolvimento de Portugal!".


Ele parece não ter percebido, ou não quis tornar público o seu douto pensamento, que o processo eleitoral se embrulhou numa forma de negação do que a nova burguesia em ascensão desde os meados dos anos 80 do século passado quer estabelecer como regime: a restauração de um poder ditatorial.


O desenvolvimento económico do regime, desde os meados dos anos 80, finais do governo do Bloco Central de Soares e Mota Pinto e começo do período cavaquista, modificaram, grandemente, todas as relações sociais, e em particular do campesinato da pequena propriedade, que, praticamente, deixou de ter poder existencial e económico, e, portanto, eleitoral. A classe média é, hoje, um sector que se aproxima dos interesses sócio-económicos das classes assalariadas, claro que com laivos de conservadorismo mental e político.


Toda esta amálgama, com receio de um hetacombe política, foi, em 23 de Janeiro, a base do voto eleitoral de Cavaco Silva, mas fê-lo, de certa maneira, como protesto para uma mudança das suas condições de existência.


Foi um grito - pelo voto - contra uma má governação, mas não acredita cegamente na política cavaquista, que não pretende mudar em nada a situação do país. Apenas as moscas.


Essa amálgama está na expectativa, pode cair nos braços de um populismo de extrema direita, mas também se pode associar a uma base ofensiva contra o regime, que está escondida, latente, sob o aparente amorfismo dos abstencionistas, dos votos brancos e nulos e até dos candidatos "contra o regime".


Com Cavaco, para uma liderança a favor dos arrivistas desclassificados da nova burguesia da especulação e do dinheiro fácil, estão os banqueiros e a chusma de empresários que vociferando contra o Estado, querem viver `*a custa dele sob a sua batuta política.


Mas os "Exércitos" não estão a seguir os generais.


Quem lhes apresentar um programa de ruptura, quem canalizar a energia que está submersa, saberá abrir as portas a uma nova via. Poderá surgir de repente, mas também, e assim o penso, terá de levar o seu tempo a preparar uma nova estrutura mental. Vamos a ver como vai incidir a propaganda política de ruptura de regime dos próximos meses.

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

CASA PIA: O MONSTRO ESTÁ A SAIR DA CAVERNA






Curioso não é?

De repente, quando se aproxima uma sentença no Tribunal de Relação de Lisboa, apontando para a condenação dos únicos arguidos que foram levados a Tribunal no caso da rede pedófila da Casa Pia, aparece o homem, Bibi, o motorista que era amigo de Abrantes o Provedor, e o tratava por tu, a desmentir o que disse em Juizo.

Curioso não é? A curiosidade é só uma:
a rede pedófila existe, é maior do que se pensa e tem ramificações nas altas esferas muito mais do que se pensa.

É um polvo.

Aparece um "funcionário" de Carlos Cruz chamado Carlos Tomás e consegue, de uma penada, uma entrevista numa revista que está hoje nas lonas chamada FOCUS, sem ouvir as partes. Só Carlos Silvino a dizer que mentiu.

E - história de cowboys - que acusou os arguidos do processo Casa Pia por estar sob efeito de medicação, induzido pela Polícia e pelo próprio advogado José Maria Martins.

Alega também que foi por pena dos rapazes que "levaram porrada" durante os interrogatórios policiais. Está tudo numa entrevista que Bibi deu a um chamado "free.lance" chamado Carlos Tomás, que escreveu publicada na última edição da revista "Focus".

Carlos Tomás, o responsável pela entrevista a "Bibi", escreveu em 2004 "Carlos Cruz -As Grades do Sofrimento", em coautoria com a ex-mulher do ex-apresentador, Marluce. Este é um livro que acompanha Carlos Cruz e a sua família ao longo do caso Casa Pia , mostrando uma visão crítica à forma como o processo judicial foi conduzido.

Só agora, depois de Carlos Silvino, o Bibi, ser ter reunido com o polvo, à volta de Cruz, Abrantes e outros - certamente - estiveram outros, possivelmente de um patamar superior em poder e dinheiro, e tudo surgiu então.

Esta é a primeira entrevista de Carlos Silvino desde a sua condenação a 18 anos de prisão efectiva, proferida no dia 3 de setembro de 2010.

O antigo motorista da instituição garante ter mentido à Polícia, ao Ministério Público e ao Tribunal e diz que os condenados estão "todos inocentes".

Um alerta: Tudo isto surge, logo após as eleições presidenciais.

Tirem as conclusões que quiserem, mas no processo Casa Pia havia muitos mais pedófilos, eles continuam a ocupar as posições que já ocupavam. Meteram as garras para dentro, agora estão a tentar tirá-las para fora.

O monstro está a colocar-se em movimento.

COM PAPAS E BOLOS SE ENGANAM OS TOLOS


Última hora: Cavaco Silva e a mulher estão a viver do Rendimento Social de Inserção.


A Presidência da República fez uma divulgação em grande de um comunicado inserido no portal oficial do Palácio de Belém: CAVACO SILVA PRESCINDE DO SEU VENCIMENTO COMO PR.

E porque fez isto? Fê-lo de livre vontade?


Não, porque, durante a campanha eleitoral para a Presidência da República, que terminou a 21, foi acusado de acumular vencimentos atrás de vencimentos, juntando sinecuras do facto de ser político (ex-PM), com duas reformas e ainda o vencimento do cargo de Chefe de Estado. Um pecúlio que o anti-político Cavaco Silva juntou, justamente, por ser político e que arrecadava e juntava, qual formiguinha calada, ultrapassando os 17 mil euros - ou seja, no dinheiro antigo, quase quatro mil contos...

E tinha a lata de, em plena campanha, dizer, no fundo, que estava mal pago, porque "sustentava" a mulher, antiga professora universitária, que marido o dizia, somente recebia a "miséria" de 800 euros, porque só trabalhou meia dúzias de anos.


Agora, segundo o comunivado, Cavaco Silva decidiu prescindir do salário que recebe por ocupar o cargo de Presidente da República, no valor ilíquido de 6 526 93 euros mensais, a partir de Janeiro deste ano.

O actual Presidente fica, no entanto, a receber duas pensões, cujo montante total atinge os dez mil euros por mês.

"Nos termos da legislação aprovada pela Assembleia da República, o Presidente da República decidiu prescindir, a partir de 1 de Janeiro de 2011, do seu vencimento, no montante ilíquido de 6 523 93 euros", refere um comunicado divulgado no portal oficial da Presidência da República.

A decisão de Cavaco Silva foi tomada depois de ter sido aprovada, no Parlamento, uma lei que põe fim à acumulação de pensões com vencimentos do Estado a partir de Janeiro deste ano.

Cavaco Silva fica a receber, desta forma, apenas as suas duas pensões, a de professor catedrático na Universidade Nova de Lisboa e a de reformado do Banco de Portugal, cujo valor total supera os dez mil euros mensais.

Coitado, porque não optou pelo ordenado mais baixo de Presidente, ficando assim a contribuir para o pagamento da crise que percorre o país, que ele ajudou a desenvolver e a ramificar-se?

Resposta: Porque é amigo dos pobres e, assim, recebe pelo valor mais alto que pode sacar do Estado: Ou seja cerca de DOIS MIL CONTOS, pelo dinheiro antigo.

Grande patriota. Não é?