sábado, 12 de março de 2011

LÍBIA: UMA CARTA FORA DO BARALHO DA ESTRATÉGIA NEO-COLONIAL EUA/UE















Os meios de comunicação social ocidentais dão notícias atrás de notícias da Líbia (esquerda), mas esquecem-se de mostrar como actuam os tanques ocidentais ao serviço do regime da Arábia Saudita para reprimir manifestações (direita)





1 - Os males, que presentemente, o chamado mundo ocidental está a causar no Magrebe e no Médio-Oriente diferencia-se, em parte, do que aconteceu anteriormente com a colonização forçada de toda aquela região pouco depois, e nas dezenas de anos subsequntes, à Conferência de Berlim em 1815, onde os povos locais foram invadidos e trucidados, principalmente, pelas patas despóticos dos apetites coloniais europeus.

2- Todas as repartições arbitrárias de territórios, as rapinas desenfreadas das matérias-primas, as guerras civis fomentadas, tiveram
um traço distintivo das dominações coloniais inglesas e francesas, principalmente, e em menor escala na Líbia, com a colonização italiana.

3 - Todavia, todas estas acções pretendiam, melhor dizendo, fazia-se propagandear na altura, que se actuava para conseguir uma transformação societária, tirando os povos árabes e muçulmanos da barbárie. Claro que essa piedosa pretensão trouxe, em parte uma desarticulação dos regimes medievais que existiam, então, desde Marrocos até ao Irão.


Mas, essa intervenção não trouxe, na realidade, um desejo de criar algo de novo, de fomentar o desenvolvimento social e económico de novos países que se foram formando, nem a melhoria real das classes exploradas.

4 - Embora as intervenções consideradas subversivas para os regimes despóticos de barbárie dos clãs e tribos tivessem produzido um safanão e, em muitos territórios, vieram a mudar, realmente, os regimes de monárquicos para republicanos, o que em si se pode considerar que houve neles revoluções, o certo é que o papel interventor das antigas potências coloniais se transferiu para o controlo total - ou em parceria - com os novos regimes nascentes, que não evoluiram, regrediram, sempre servindo os apetites coloniais das velas potências europeias, e, de maneira particular após a II Grande Guerra tornando-se aliados, mais ou menos permanentes das verdadeiras potências ganhadoras dessa guerra, a antiga União Soviética e os EUA.

Toda a agitação nacionalista dos anos 50 que percorreu o chamado mundo árabe tinha no bojo um desejo profundo de mudança que os povos da região queriam empreender para afastar o jugo do peso colonialista anterior. Quer os EUA, quer a ex-URSS, impulsionaram essa mudança, é certo, mas faziam-no tendo em mente a conquista de interesses próprios, mesquinhos, para os seus objectivos estratégicos.

Em parte conseguiram-no. Em particular, os EUA, depois do colapso da URSS, que manietaram, praticamente, os principais países produtores de petróleo, encimando-os de regimes o mais retrógrados possíveis, como o caso do Irão, da Arábia Saudita, do Egipto pós Nasser, da Jordânia, do Iraque, da Tunísia, da Argélia e de Marrocos, entre outros.

Mas, apesar de terem introduzido o capitalismo nas relações sociais de produção, não criaram, nem ajudaram a criar um novo tipo de vida que trouxesse uma verdadeira melhoria para aqueles povos oprimidos.

5 - Pelo contrário, fomentaram guerras de uma crueldade terrível, como foi o caso do conflito sangrento que causou mais de um milhão de mortos, nos anos 80, entre o Iraque e o Irão, e ainda nos anos 80 e 90, provocando um cerco crescente - e armado - à Líbia, que procurava diversificar o seu comércio de petróleo, vendendo a várias potências, evitando o controlo asfixiante dos magnates petrolíferos norte-americanos.

6 - Defenderam, ao mesmo tempo, os regime tirânicos em toda a região desde a medieval Arábia Saudita à chamada liberal egipcia, sob o domínio brutal do clã Mubarak. Fizeram tudo por criar forte Exércitos nesses países sob a sua batuta, controlados por assessores do Exército ou da CIA, como esteios de retaguarda para eventuais descalabros dos regimes que mantiveram até à última.

7 - No entanto face ao incremento de um nacionalismo pan-árabe, agrupado sob a bandeira de um certo fanatismo religioso, que começava a impor-se em camadas crescentes de jovens, e não só, que surgia, todavia, como forma de política externa de anti-americanismo e anti-imperialismo, os estrategas de Washington - em especial os lobbies do capital financeiro especulativo onde predominam os judeus - com a cumplicidade dos dirigentes da União Europeia, foram apoiando certos sectores, organizados em partidos e em organizações não governamentais, sem programas definidos, mas alicerçados num movimento de "afastamento" dos "velhos déspostas" para fazer com que algo mudasse para que tudo pudesse continuar na mesma.

E tudo começou na Tunísia. Como por encanto, os movimentos quase espontâneos surgiram à luz do dia, porque era preciso destapar a panela de pressão, e de uma penada, deitar pela borda fora o antigo aliado Ben Ali, mas fazendo aparecer o Exército, como intermediário, que fora forjado por Washington, para que ele viesse a controlar o poder, já que a rebelião da juventude somente tinha um programa concreto: afastar o tirano. O regime esse ficou.

8 - O mesmo sucedeu no Egipto. Corre-se com Mubarak, mas entrega-se, em golpe de Estado, o poder aos seus corifeus, todos eles obdientes a Washington.

9 - A fase seguinte era a Líbia. Também aqui havia descontamento entre a juventude, também, aqui havia um velho désposta. Foi delineada uma estratégia que teria o começo na região mais longínquia da capital, a cidade de Bengazi, (dois mil quilómetros) pouco favorável a Kadafi, e situada muito perto do Egipto, de onde seriam enviadas "missões humanitárias" egipcias formadas pelao novo regime imposto pelos militares pró-americanos, que certamente transportaram armas para os rebeldes.

O regime líbio pareceu tremer. Mas aqui os jovens não puderam contar com o Exército, cuja formação provinha das estruturas montadas pela antiga União Soviética, que, apesar dos esforços de americanos, franceses, ingleses, russos e até chineses, não se colocaram em massa contra o actual lider Kadafi. Este tem conseguido resistir.

10 - A táctica ocidental engendra agora um pretexto, procurando a ajuda de uma entidade sem legitimidade nenhuma, a Liga Árabe, que tem à frente, precisamente, um antigo ministro dos Negócios Estrangeiros de MubaraK, Amr Mussa, e é manipualda essencialmente pelas monarquias do golfo.

Procuram-se pretextos para uma invasão. Que até será fácil.

Mas como se mantem no terreno um exército invasor colonial, que os líbios certamente irão menosprezar e combater? Além do mais quem dará o grosso das tropas para realizar uma operação de tão grande nevregadura?


Os Estados Unidos tem, por um lado, o grosso dos seus Exércitos atolados no Iraque e no Afeganistão, com perdas imensas, e por outro lado, não podem abrandar a defesa das frágeis monarquias do golfo, que estão assoladas por problemas internos e na mira de Teerão.

Um dilema.

Até porque agora que alguns dos principais grupos de oposição da Líbia, entre eles, a Frente Nacional pela Salvação da Líbia (NFSL na sigla em inglês), criada em 1981, é um braço da CIA, que a organizou e financia; o outro grupo de destaque é a União Constitucional Líbia (LCU), aliada à NFSL, também financiada pela CIA e dirigida por Muhamad as-Senussi, que pretende restaurar a monarquia e assumir o trono.

11 - Finalmente, porque não se fala na imprensa ocidental nas repressões terriveis que estão a acontecer na Arábia Saudita às manifestações contra a decrépita e corrupta monarquia, que só se mantem no poder, porque é sustentada pelos Estados Unidos?
Os levantamentos no mundo árabe, se a Líbia resistir, podem levar a novos enfrentamentos em todo o Magrebe e o Médio-Oriente. Esperemos para ver.

sexta-feira, 11 de março de 2011

EUA: APESAR DE TUDO OS ASSALARIADOS MOVEM-SE




Estamos a olhar para a crise europeia e não descortinamos como vai a evolução económica e social na potência imperialista dominante. Desprezamos o facto de ver a arrogância imperial de Washington na costa africana e em especial na Líbia como estando isolado do contexto interno crítico nos Estados Unidos da América.

De facto, as contradições capitalistas estão a agudizar-se no mundo e as repartições geo-estratégicas e a colonização fiorçada de países em busca de matérias-primas não estão separadas das crises económicas e sociais que percorrem as duas principais potências económicas mundiais - EUA e a UE - que, apesar de uma aliança de ocasião, estão em concorrência ferroz.

E acima de tudo, porque estão feridas por crises profundas no seu sistema financeiro e produtivo interno.

Os EUA estão em crise interna persistente e alastrativa. Os seus principais meios de comunicação social desviam, propositadamente, o debate do que se passa no país, mas, claro não podem escamoteá-lo completamente.

O jornal por execelência do Capital finaceiro especulativo de Nova Iorque, o Wall Street Journal, que, quinta-feira, em artigo assinado por Jon Hilserath e Justin Lahart, mostram as "reais feridas" do sistema. Dizem abertamente: "a inflacção acelera" e está efectuar-se uma "lenta recuperação da economia norte-americana", que pode ser retardada ou mesmo desacelarada se os preços aumentaram, tal como estão a efectuar-se, em especial, "a alta dos alimentos e do petróleo", que afecta essencialmente o consumidor - e por tabela toda a cadeia de comércio e indústria.

Admitem, baseando-se em estatísticas, que o preços dos principais alimentos possam subir este ano entre os 2 a 2,5 por cento, o que já não acontece há uma dezena de anos, bem com o vestuário que podem subir mais de 3 por cento.

O curioso é que, lendo a grande imprensa do país, parece que tudo está parado, mas os Estados do Médio Oeste, onde ainda se nota um desemprego menor do que noutros mais industrializados estão em efervescência, principalmente porque as autoridades estaduais locais querem retirar o poder reivindicativo dos sindicatos, que representam centenas de milhares de funcionários públicos.

Ora, esta movimentação com centenas de milhares de pessoas nas ruas está, justamente ,ligada à tentativa de colocar os funcionários públicos a pagar a crise.

E tudo começou pelo Wisconsin, quando o governador republicano procurou "quebrar" a força da unidade sindical. Isto já em Janeiro.

De repente, 100 mil trabalhadores manisfestavam-se nas ruas. Fizeram-no todos os dias duranete um semana.

O que é certo é que o governador ainda não conseguiu aprovar a legislação anti-sindical.

A questão agravou-se entretanto, pois passou para outros Estado, onde os seus detentores políticos procuram pôr em marcha idêntica legislação.

No principio de Março, cerca de 10 mil pessoas manifestavam-se no Parlamento do Ohio, na cidade de Columbus.

Está em causa um projeto, com apoio do governador republicano John Kasich, que colocava fim à contratação colectiva para 42.000 trabalhadores do Estado, além de outros 19.500 trabalhadores da universidade estatal e do sistema de ensino. Também reduziria o direito à greve dos trabalhadores do Estado ao permitir que os grevistas sejam substituídos permanentemente, além de proibir o aumento automático de salários, o direito de atestado médico para professores e forçar os trabalhadores a pagar pelo menos 20% do valor do plano de saúde.

Lá como na Europa, o sistema capitalista está a querer sair do atoleiro em que se meteiu à custa de corte de regalias sociais dos trabalhadores de Estado.

Mas, claro que estas notícias não tem expressão nos jornais de Wall Street, como o New York Times ou o Washington Post ou na CNN ou FOX News.

terça-feira, 8 de março de 2011

A PROPÓSITO DA MANIFESTAÇÃO DO DIA 12








Quando em Portugal se forja o golpe de Estado do 25 de Novembro de 1975, e, especialmente, quando se aprova cerca de meio ano depois, a 2 de Abril de 1976, a primeira Constituição do novo regime, o que fica no centro da actividade política são os interesses dos assalariados, em especial toda uma estrutura política-legislativa, que alicerçava na evolução de um novo poder, o poder socialista, que, todavia, já não tinha um interlocutor de representação estatal que lhe correspondesse.


Quem dominava então já era a burguesia.


Cito, como exemplo flagrante, o preâmbulo dessa Constituição:

"A 25 de abril de 1974, o Movimento das Forças Armadas, coroando a longa resistência do povo português e interpretando os seus sentimentos profundos, derrubou o regime fascista.
Libertar Portugal da ditadura, da opressão e do colonialismo representou uma transformação revolucionária e o início de uma viragem histórica da sociedade portuguesa.
A Revolução restituiu aos Portugueses os direitos e liberdades fundamentais. No exercício destes direitos e liberdades, os legítimos representantes do povo reúnem-se para elaborar uma Constituição que corresponde às aspirações do país.
A Assembleia Constituinte afirma a decisão do povo português de defender a independência nacional, de garantir os direitos fundamentais dos cidadãos, de estabelecer os princípios basilares da democracia, de assegurar o primado do Estado de Direito democrático e de abrir caminho para uma sociedade socialista, no respeito da vontade do povo português, tendo em vista a construção de um país mais livre, mais justo e mais fraterno" (o sublinhado é meu).




Neste período, é lançado para o leme do aparelho de Estado, o Partido Socialista, que tendo então um programa de cariz marxista, com o slogan de socialismo, inicia um processo de retrocesso para servir os interesses da burguesia, na qual já se revia e incluia, o que exigia a revisão prática do que estava inscrito na Constituição de 1976.


Ora, efectuou, deste modo, o trabalho rafeiro do Capital, brandindo, no entanto, como cartilha, a Constituição socialista que ele sustentava ter delineado. (Pouco depois, com Mário Soares, primeiro-ministro) mete o "socialismo na gaveta" e já com Vitor Constâncio, secretário-geral, o PS abandonou o "marxismo" e hoje é defensor incondicional do capitalismo liberal, embora dizendo ser de *esquerda*).

Os partidos, que então no Parlamento e na sociedade portuguesas, o PCP e o PC(R)/UDP, procuravam defender o que restava do movimento popular e de cariz revoluconário conquistado em 1974/75, na prática, faziam-no no estrito limite da defesa legal da Constituição, ou seja dentro do novo regime democrático capitalista que se reformulava e institucionalizava rapidamente.

Quer o PCP, quer o PC(R)/UDP), representavam - e faziam a sua propaganda e actividade política em torno dessas consignas - a defesa de uma forma de capitalismo de Estado, que não se distinguia, na prática, (estavam ambos dentro do regime) do capitalismo liberal que reconstruia o aparelho de Estado, que o período revolucionário abrilista iniciara a sua destruição.


Defender as chamadas "conquistas de Abril" sob a instituição de uma democracia, legalizada por uma Constituição que se dizia de Abril, descaracterizada sucessivamente por revisões, que escancaravam as portas ao mais desenfreado capitalismo especulativo financeiro era um contra-senso e um desânimo para as massas populares.


Foi, pois, sob a capa dessa Constituição revista e desfigurada, que apenas se arreigava a um preâmbulo "socialista", defendida, no entanto, com unhas e dentes pelo PCP e UDP (o PC(R) desaparecera entretanto) que os representantes em ascensão da burguesia capitalista financeira prosperavam e minavam todo o aparelho de Estado.

Fora da legalidade constitucional e da defesa do regime democrático, não existia oposição revolucionária.

Progressivamente, o programa revolucionário prático de 74/75 deixou de ter qualquer razão de ser. O povo deixou de se bater, nas ruas, por ele.

Desde então, nunca mais foi colocado entre as massas populares a ideia e a prática de forjar um novo caminho de ruptura com o sistema instituido.

Pode falar-se no socialismo (e o PS, PCP e BE nele falam), mas não se apresenta uma proposta de construção do mesmo fora das baias do actual poder.

A ideia das movimentações que levaram à convocação de uma manifestação ( afinal são várias) a 12 de Março contra os efeitos brutais do capital (o desemprego, a exploração desgravada dos recibos verdes, a limitação dos salários, os ritmos de trabalho brutais) pode ser uma luz ténue que traga algo de ruptura política que pode estar na forja.


O que se essencial necessita este movimento é um programa ideológico que lance a raiz de uma nova subversão, que conduza a um amadurecimento da ideia de é necessária uma ruptura na sociedade para que haja uma reconstrução total do aparelho de Estado, com a substituição do regime capitalista.
















segunda-feira, 7 de março de 2011

LÍBIA. A NATO A ARRANJAR PRETEXTOS PARA NOVO IRAQUE





1 - O objectivo principal da movimentação anti-Kadhafi na Líbia parecia ser o descontemento popular contra a política ditatorial do coronel, que liderou uma revolução republicana em 1969, e usurpou, posteriormente, este poder, transformando a eclosão revolucionária de então em contra-revolução com laivos cada vez mais acentuados de fascização, com o apoio declarado de uma parte do mundo ocidental, especialmente europeu, que beneficiou das benesses da exploração petrolífera, em detrimento dos seus aliados norte-americanos, que procuraram sempre penetrar e desmantelar o poder líbio.

Na realidade, os meios de comunicação ocidentais - sem estarem presentes no terreno, contra todas as normas éticas do jornalismo -
fizeram questão de noticiar a existência de enormes massacres e violações constantes dos "direitos humanos" sob uma cruzada de contra-informação montada pela CIA.

2 - Havia descontentamento, é certo; havia repressão, é certo, mas também é certo que havia (e há) uma clara manipulação pró-ocidental desse descontentamento.

Inesperadamente, a cidade de Bengazi, a leste do país, não muito longe do Egipto, é alvo de movimentações populares que, aparentemente, tomam a cidade. Certos quadros militares do regime de Kadafi e certos membros da diplomacia abandonam, à última hora, o regime, rotulando-o de cobras e lagartos, como se não o conhecessem e dele fizeram parte durante dezenas de anos.

Mas, a rebeldia legítima dos explorados líbios rapidamente caiu na orientação de agentes pró-ocidentais (e acima de tudo de agentes norte-americanos integrados nas tropas egípcias, que entraram, a propósito de ajuda humanitária em Bengazi).

3 - Inesperadamente, começa a saber-se (aparentemente, pelos seus fracassos) que forças militares europeias (e não só, mas ainda não há provas concludentes) estiveram (e estão a actuar) no interior da Líbia e tiveram contactos com alguns dos "insurrectos".

Citamos dos órgãos de informação ocidentais:

"Os três militares, tripulantes de um helicóptero holandês Lynx, foram detidos durante uma operação de retirada de dois civis de Sirte, e segundo imagens da televisão líbia os soldados estão, aparentemente, em boa condição física".

Como é que um helocóptero militar holandês actua, descaradamente, numa zona considerada "rebelde"? Que estavam os "civis" a fazer entre os rebeldes? Porque havia necessidade, urgente, de os retirar, se a cidade, na versão ocidental, estava nas mãos da rebelião? Ou não estaria?.

Outra notícia, esta dos órgãos de informação ingleses:

"Sete militares da força de elite SAS e um agente secreto britânico aterraram sexta feira no deserto a sudoeste de Bengasi, alegadamente para entrarem em contacto com os rebeldes líbios. Simplesmente, os rebeldes não sabiam de nada, ouviram o helicóptero que trazia os intrusos e detiveram-nos para interrogatório. No domingo voltaram a libertá-los, mas o estrago político já não podia ser disfarçado".

Estiveram com os "rebeldes" à sua revelia? E eles libertaram-nos? Algo está mal contado.

4 - A notícia seguinte, também, provem de fonte ocidental, precisamente, da Reuters e o relato é do seu editor de assuntos intrenacionais, que, por acaso, também se encontra numa zona considerada como libertada pela rebelião.

"Forças leais ao líder líbio Muamar Khadafi estão nesta segunda-feira avançando em território dominado por rebeldes, realizando ataques aéreos e terrestres em áreas a leste da capital, Trípoli.

"A cidade de Bin Jawad foi tomada pelas tropas do governo, o que forçou o recuo dos rebeldes para Ras Lanuf, a cerca de 50 km a leste.

Ras Lanuf, que havia sido tomada pelos rebeldes na noite de sexta-feira, sofreu bombardeios aéreos. Há relatos de que o ataque produziu vítimas, inclusive fatais.

“A escala dos confrontos em Ras Lanuf pode ser pequena, mas têm grande importância para o futuro da Líbia e, possivelmente, para o restante do Oriente Médio”, disse o editor de assuntos internacional da BBC, John Simpson, que está em Ras Lanuf.

Aqui, está o busilis da questão: houve, a par de um protesto popular, fomentado ou não, mas enquadrado pelos ocidentais, uma intervenção directa na Líbia, e agora que parece que o movimento popular perdeu força e há, pelo menos, alguma inversão da relação de forças, começam a surgir as notícias verdadeiras:

A NATO JÁ TEM UM PLANO PARA INTERVIR NA LíBIA. JÁ ORGANIZADO HÁ MUITO TEMPO.




PORQUE JÁ ESTÁ PREPARADO E AGORA QUER LEGALIZA-LO ATRAVÉS DE UMA INTERVENÇÃO ARMADA, SOB A ÉGIDE DA ONU.




TUDO ISTO CHEIRA A IRAQUE EM FORMATO MAIS SOFISTICADO.

Reparemos na notícia de origem ocidental.

"Dois navios de guerra norte-americanos aproximam-se da costa líbia, um novo indício da pressão exercida pelos EUA para afastar o coronel Khadafi, apesar de Washington afastar de momento uma intervenção militar.

"O USS Kearsarge e o USS Ponce já entraram no Canal do Suez, provenientes do Mar Vermelho, segundo avança a Reuters.

«Estamos a deslocar elementos para os aproximar da Líbia», disse uma fonte da defesa norte-americana à AFP.

Entretanto, o Senado norte-americano aprovou na terça-feira uma resolução simbólica em que condena a repressão na Líbia e pede à comunidade internacional para considerar a instauração de uma zona de exclusão aérea sobre este país. .

Notícias mais frescas das centrais de contra-informação ocidentais:

"A NATO aumentou a pressão internacional sobre o ditador líbio, Muammar Kadhafi. O secretário-geral da Aliança, Anders Fogh Rasmussen, exigiu uma transição rumo à democracia e advertiu que pode haver reacção militar se Kadhafi continuar a usar a força para conter a revolta popular.
«Se Kadhafi e as suas forças militares continuarem a atacar sistematicamente a população, não posso imaginar que a comunidade internacional fique a olhar», disse Rasmussen, acrescentando: «Muita gente pelo mundo se verá tentada a dizer: façamos algo para deter este massacre».

Rasmussen ressaltou, contudo, que a aliança não tem prevista nenhuma acção militar e só agirá se for solicitada e contar com um mandato apropriado da ONU (Organização das Nações Unidas).

«A NATO não tem intenção de intervir, mas como organização de segurança a nossa obrigação é fazer um planeamento prudente para qualquer eventualidade», explicou Rasmussen numa conferência de imprensa.

Outra opção é aplicar uma zona de exclusão aérea sobre a Líbia, ideia que alguns países tentam levar adiante para impedir que a Força Aérea leal a Kadhafi bombardeie a população.

Rasmussen afirmou que essa acção requer um «amplo leque de recursos militares» e lembrou que a resolução sobre a Líbia aprovada por enquanto pelo Conselho de Segurança da ONU não prevê o uso da força.

Mais cedo, o Ministério de Relações Exteriores francês afirmou que a Liga Árabe é favorável à criação da zona de exclusão aérea na Líbia. O apoio da Liga, sempre muito resistente a qualquer tipo de intervenção, pode acabar com as reservas de alguns dos países membros do Conselho na hora de adoptar a medida.

5 - Com que direito se arroga a NATO, uma estrutura que nunca foi refrenrendada em qualquer país, incluindo Portugal, onde surgiu sob a batuta da ditadura salazarista, de se imiscuir nos assuntos de outros países, situação esta que já provocou, EM PASSADO RECENTE, verdadeiras carnificinas e crimes de guerra.

Teremos nós, cidadãos, o direito de considerar a NATO uma organização terrorista e criminosa? Eu penso que sim. Se outros houver, então, também teremos o dever de intervir contra ela.

Porque estão caladas as forças políticas anti-NATO?

terça-feira, 1 de março de 2011

LÍBIA: O IMPERIALISMO PREPARA UM NOVO IRAQUE




1 - Existe um envolvimento crescente dos Estados Unidos da América e de Israel - e por cumplicidades, cobardias e fraquezas evidentes das eleites diorigentes dos países europeus - nas recentes movimentações ocorridas em alguns países do Magrebe.

Além da movimentação popular, o que está a ocorrer na Líbia traz a mão evidente dos serviços secretos norte-americanos na evolução dos acontecimentos.

Os actos de rebelião realizados pelos jovens desempregados em todos os países, onde se deram mudanças de governos - Tunísia e Egipto, aqueles ficaram sempre refens do Exército, que é uma instituição criada pelas ditaduras militares então existentes, montada e corrompida pelos norte-americanos.

2 - Ora, na Líbia, as revoltas que se deram não tiveram a repercussão esperada, porque a estrutura policial-militar não estava estribada na ossatura do aparelho imperial de Washigton. Os rebeldes estão a lutar sem um programa, e não conseguiram um interlocutor momentâneo para lhe entregar o poder.

O curioso é que o centro da contestação na Líbia se radica, até agora, principalmente, em Bengazi, uma cidade distante dois mil quilómetros da capital, sem a pujança económica daquela, e situada muito próximo do Egipto, cuja liderança militar, a propósito de auxílio à população, tem entrado na região, estabelecendo um comité militar, praticamente desconhecido.

3 - Para completar a mistificação, os Estados Unidos da América, que não têm um domínio da produção petrolífera no país - Khadafi jogou até agora com a diversificação dos centros de produção por vários países - ameaça com a intervenção militar, levando vários navios para junto da costa libia, tal como o fez há cerca de 15 anos, o então Presidente norte-americano Bill Clinton.

Está em jogo mais uma intervenção brutal do imperialismo norte-americano e dos lacaios europeus, com a subserviente Rússia, nos assuntos internos de um país.

4 - É mais um crime contra a humanidade e os povos que os EUA estão a montar, usando com o pretexto estafado da defesa dos direitos humanos (o que não fez no Egipto, nem em Israel).

5 - O curioso é que aqueles que se reclamam de esquerda estão calados, por cobardia, por não denunciarem uma situação - intervenção nos assuntos internos de um país - porque esse país é governado por um ditador. Uma questão é a governação interna do país; outra é a intervenção externa. Tem de se decidir.

Deixemo-nos de hipocrisias. Quem tem de derrubar esse ditador são os revoltosos internos da Líbia e não os imperialistas que somente pretendem controlar as riquezas do país.

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

BE: CLARIFICAR A QUESTÂO DO PODER








1 - A apresentação de uma moção de censura ao governo do PS, liderado por José Sócrates, por parte da estrutura dirigente do Bloco de Esquerda (BE), trouxe divergências internas, que se tornaram públicas, e o centro dessas divergências é, no fundo, a questão do poder.

Os críticos (internos e externos) da moção sustentam que a mesma é inútil, porque não vai mudar nada, os seus defensores internos, entre os quais os principais dirigentes argumentam que, no momento presente, é necessário uma clarificação sobre a política prática que está a ser seguida pelo PS, liderado por José Sócrates, em cumplicdade com o PSD e o CDS/PP.


Um dos críticos da actual moção a ser apresentada no Parlamentro no dia 12, Daniel Oliveira, argumenta que o objectivo desta fase de luta política é uma "clarificação interna" dentro do Bloco de Esquerda que seria liderada por um quadro de terceira linha da antiga UDP Luís Fazenda, hoje figura proeminente do BE, acusação que todavia não explicita.

Será errado fazer clarificações nas situações internas e na vida política nacional e internacional por parte do BE - e de qualquer outro partido?


Claro que tal decisão cabe aos seus militantes e filiados. Todavia, porque o BE propagandeia que é da "esquerda socialista" portuguesa e que se auto-considera como a "alternativa" na via socialista, eu, porque, no geral, pretendo tal viragem, sinto-me no dever de imiscuir no campo político e ideológico (e não partidário, naturalmente) de tal partido.


Eu considero que, mais do que nunca, qué é necessária "clarificação" e, tendo lido os seus principais princípios teóricos e programáticos verifico que a questão central do BE é, justamente, a necessidade de uma abordagem sincera sobre o programa teórico e prático socialista face ao actual regime que nos governa, que está na ordem do dia.


O único texto programático que eu consegui obter sobre o BE é o seu programa eleitoral às últimas eleições legislativas, porque, apesar das pesquisas efectuadas, apenas encontrei o seu programa eleitoral de 2009, onde se podem buscar resquícios daquilo que pretendem...como "esquerda de confiança". O que francamente, do ponto da ciência política materialista, não sei o que isso significa.


Como igualmente não sei do ponto de vista da mesma ciência política, o que é esquerda ou direita.


O que sei - isso sim - é que a clarificação política passa, essencialmente, pela separação entre o que é política capitalista e anti-capitalista, pois o que está em causa no país e no mundo capitalista mais avançado, onde nos integramos, é essa linha divisória do incremento do progresso.


O capitalismo, na sua fase actual, já não representa qualquer resquício de actividade progressista e, muito menos, revolucionária e as suas formas de poder sejam elas quais forem (ditaduras, parlamentos controlados ou não) são entraves ao real desenvolvimento democrático do exercício popular de gestão da coisa pública.

2 - Ora, no meu ponto de vista, o BE nunca se pronunciou, de maneira clarividente, sem ambiguidades, face a essa questão. Se há uma corrente que empurra os principasis dirigentes para a exigência de clarificação, estes acenasm com a obscuridade.


Quem está do lado de uma política anti-capitalista, tem de o defender num programa teórico e prático, sem tibiezas, face à situação actual.


Então quais os principais princípios gerais que devem nortear um programa revolucionário de poder na presente situação?


Toda a experiência histórica, desde há 150 anos, quando o capitalismo percorreu diferentes estádios, conseguiu inclusivé subverter revoluções vitoriosas, e atingiu nos nossos dias um incremento monumental, que o leva a entrar em colapso por uma desorientação no âmago da sua estrutura, tendo, então, precisamente as experiências práticas falhadas de revoluções que se transformaram em contra-revoluções, dizia eu, toda essa experiência balizou um princípio que não foi ultrapassado e continua vigente: as classes laboriosas, quando se coloca a tarefa da tomada do poder, não podem assumir o papel gestor na máquina de Estado, que entretanto pode vir a ser por elas tomada, e geri-lo dentro da sua perspectiva capitalista, mais ou menos reformada, para atingir fins claramenre capitalistas.


E este dado objectivo tem de ser assumido como programa, e tornar-se separador na economia, na política e na ideologia.


Claro que temos de considerar que as condições políticas, económicas, sociais e até culturais sofreram modificações brutais neste século e meio. Naturalmente, ter-se-á de ter em conta as transformações que se deram, a evolução que o mundo sofreu.


Mas, a questão do poder separador mantem-se e continua actual. Dentro do regime democrático que governa os principais países, o capitalismo reproduz-se, quer queiramos, quer não. E esta questão não diz respeito a Portugal apenas, mas a toda a Europa e, mesmo a todo o Mundo.


3- Apesar de terem havido revoluções nestas dezenas de anos, desde a Comuna de Paris até ao período pós 25 de Abril em Portugal, onde se chegou a sustentar que teriam sido implantados regime socialistas, o certo é que neles não foram postas em marcha as transformações radicais que os programas socialistas defendiam então. E o principal objectivo transformador nunca teve conexão prática com a sociedade.


Ou seja, a apropriação dos meios de produção pela sociedade nunca existiu, nem na antiga União Soviética, nem na China, nem na semi-revolução que houve em Portugal, mesmo com nacionalizações.


Foram minorias que se apropriaram do poder e o geriram de acordo com os interesses dessa minoria, mesmo que jurassem a pés juntos que o faziam no interesse geral.


Em Portugal, a gestão bancaria nacionalizada, desde Vasco Gonçalves até à sua desnacionalização completa, esteve sempre nas mãos da burguesia capitalista, através de seus representantes, mesmo que, em certas fases, houvesse um arremedo, sem efeito, de controlo operário.


Ora, esta questão torna-se central na elaboração de um programa separador de águas entre o capitalismo e anti-capitalismo.


E a este respeito, o BE não tem uma linha definida, nem orientadora, porque não existe.


4 - A questão da dívida pública é, no momento actual, um dos aspectos centrais da actividade política portuguesa. Apesar de todas as restrições impostas aos assalariados e, em particular, aos trabalhadores da Administração Pública, a ruptura financeira paira como ameaça por parte dos chmados "mercados", ou seja o capital financeiro especulativo.


Não se pode dissociar a inversão da produção nacional sem colocar em primeiro plano a implantação de uma administração de Estado ao serviço do incremento dessa mesma produção.


Ou seja, em termos práticos, se quisermos fazer um restabelecimento equlibrado do Orçamento de Estado, terá se haver uma sintonia perfeita entre produção nacional e administração estatal. Equilibrar significa restringir gastos públicos superfluos, procurar impostos onde eles estão encobertos e não pagos, mexer em toda a superestrutura da classe que domina. O poder de Estado, no fundo, terá de actuar contra o poder do Capital.


Ora, o Capital - o seu sistema financeiro especulativo - está mais que interessado em tirar dividendos da dívida pública. Eles querem empréstimos a baixíssimo preço para emprestar ao Estado e ao contribuintes a valores de lucro altamentes rentáveis.


E já estão a "ameaçar": se houver sacagem de lucros dos bancos, haverá crise política no seio da classe dominante.


Ora, neste aspecto, coloca-se uma medida prática de política anticapitalista que os partidos que se definem como socialistas têm de tomar uma posição inequívoca.


Como actuar contra a especulação financeira sem hesitações, colocando o Capital em sentido?


Só existe uma política prática: atacar o poder do Capital, através de impostos altamente taxantes ou indo para a própria nacionalização dos principais bancos.


Tais medidas têm de ser anunciadas, sem tibiezas, ou meias palavras. E o BE ainda não as anunciou.













quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

O CENTRO DO FURAÇÃO DEVE SER A UNIÃO EUROPEIA

motim na Grécia





Cem mil gregos saíram às ruas de Atenas em protesto contra as medidas de austeridade decretadas pelo governo, num dia de greve geral de 24 horas. A manifestação ficou marcada por violentos confrontos com a polícia. Pelo menos sete pessoas ficaram feridas e quatro foram detidas.

De acordo com a Reuters, a polícia lançou gás lacrimogéneo e balas de borracha contra jovens manifestantes que ripostaram com pedras retiradas das calçadas e com cocktails molotov.

As imagens mostram polícias e fotógrafos com a roupa em chamas, num cenário caótico. A polícia refere que entre os feridos estão dois agentes e um jornalista.

A greve, que afectou tanto o sector público com o privado, levou ao encerramento de escolas e serviços, paralisações dos transportes públicos e ao cancelamento de muitos voos.

Esta é a maior manifestação desde Dezembro de 2008, um mês marcado por intensos protestos que se prolongaram durante semanas.


Esta é a notícia sucinta do que aconteceu hoje na Grécia, que, em grande medida, teve as mesmas medidas repressivas que as adoptadas no Magrebe e no Médio-Oriente, cujos policiais ou membros do Exército utilizaram, exactamente, os mesmos modelos de armas que fazem parte do arsenal da civilizada força armada da democrática União Europeia.


As razões que fazem estremecer o Magrebe ou Médio-Oriente são as mesmas que ocorreram na Europa nos últimos meses, e, tiveram um pico mais agressivo hoje em território helénico: a crise da especulação financeira capitalista ocidental de 2008, que se iniciou no centro tirânico do poder do grande Capital fiianceiro especulativo. - o Wall Street norte-americano.


A falência financeira criminosa dos magnates judeus e dos evangélicos brancos e negros, incrustados em numerosas pseudo seitas cristãs e quejandas, como o budismo do Dalai Lama, que são máquinas de branqueamento de capitais de Nova Iorque, Chicago, Las Vegas ou Boston, com a imensa fuga dos capitais dos contribuintes para paraisos fiscais e para manter o poderio do imenso complexo industrial-militar do imperialismo norte-americano por todo o Mundo colocou, ao longos últimos 30 anos, com a estruturação do actual modelo económico prevalecente em toda a economia internacional, todo o sistema político dos Estados Unidos, da União Europeia, mas também, por tabela e seguidismo, a Rússia, a China, a Índia, e os Estados então democráticos dos "reinos" do petróleo na dependência directa da agiotagem capitalista financeira especulativa.


Aqui reside, no momento presente, toda a raiz de uma crise.
Essa grande burguesia capitalista sabe que, a prazo, vai estar, novamente, de calças na mão, com novos surtos de miséria extrema do mesmo sistema. Como este sistema não está estribado no incremento da produção nacional dos principais países, será muito difícil restabelecer o equilíbrio das finanças públicas, ou seja manter na balança da "justiça" orçamental um equilíbrio saudável entre a despesa e a receita do (s) Estados (s), em particular daqueles mais desenvolvidos.


Para suprir esta relação desfavorável, o capital finnaceiro vai restringir, novamente, e de maneira crescente os gastos sociais públicos, sem mexer nos lucros do Capital. Este vai pedir, crescentemente, mais encargos a retirar do bolso dos contribuintes líquidos, que são, na realidade, as classes laboriosas e os pensionistas.


O sistema financeiro especulativo, que foi o modelo dominante que provocou a crise, na realidade não foi beliscado ainda em qualquer movimento de protesto que esteve e está a percorrer o mundo - em especial no Magrebe e no Médio-Oriente - tem o seu principal receio de que possa haver um descalabro, principalmente, com os movimentos de massas que atravessam ou possam vir a atravessar os países europeus, que são aqueles que têm uma maior experiência de luta de classes, e onde a luta popular produziu revoluções que deram rupturas totais ou parciais no passado e levantaram o espectro de verdadeiras revoluções transformadoras da sociedade.


Por isso, é que se verifica hoje que as grandes reportagens de imprensa continuam a centrar-se no que ocorre ma Líbia ou no Egipto com os cínicos políticos e capitalistas ocidentais a pedir a condenação das repressões naqueles países, mas nada dizem sobre os métodos terroristas que estão a levar a cabo, quer na União Europeia, que nos Estados Unidos, na repressão a tudo o que seja, ou possa ser, um esboço de uma grande movimento subversivo popular.


Por isso, os dirigentes revolucionários ou progressistas mais conscientes deve dar mais importância, política e organizacional, ao que se passa na UE, do que o que está a ocorrer na periferia.


Ainda não percebi porque não se preconiza uma acção colectiva multinacional em toda a União Europeia.

Vejam a resposta de um grego dado a uma reportagem da Reuteres:

«Chegámos ao nosso limite», disse Yannis Tsourounakis, um manifestante de 60 anos, que disse ter três filhos e estar desempregado. «O nosso futuro é um pesadelo se não banirmos estas políticas».