terça-feira, 12 de abril de 2011

PEDOFÍLIA: ELES ESTÃO AÍ....










Os indiciados do caso Casa Pia, pedófilos sem pejo de o negar - um pedófilo nunca assume que o é - que se encavalitam no aparelho de Estado e nas suas mercadorias e sinecuras, como bancos e outros, estão de regresso, depois de travessias no deserto, pensando que "tudo já terminou".


Sem qualquer marca de vergonha, são chamados pelos seus pares entranhados no poder político para ocuparem cargos políticos em futuras gestão do país. Utilizam aventais e outros que tais para mascarar a sua criminalidade, usam a arrogância do poder que pensam deter para lançar campanhas de descrédito sobre as suas criminosas actividades, que, certamente, de uma maneira ou de outra, possivelmente, mais encoberta continuam a praticar. Só que a memória não tem esquecimento!!!. Eles existem. Foram indiciados, e por artimanhas e pequenos ou grandes poderes, "limpos de cadastro".


Só que este se mantém. Porque há muito gente que sabe que foram eles. Quem anda na lufa lufa do jornalismo sabe, perfeitamente, quem são. Provar, no sentido jurídico do termo, é difícil, mas existem dados mais que trocados que apontam numa direcção. Os principais autores no início do processo Casa Pia afirmaram aos jornalistas quem eram alguns dos implicados e sustentaram que tinham documentos compremetedores.


Quando o caso chegou ao ponto da ameaça directa, retiraram-se ordeiramente e deram o dito pelo não dito. O primeiro caso foi conhecido ainda nos 70 do século XX, mas no meio jornalístico já se citavam outros casos mesmo antes do 25 de Abril.


O General Eanes, então Presidente ds República, e a ex-secretário de Estado Teresa Costa Macedo souberam, perfeitamente, do sucedido em 1980.


Caso abafado.


O "estouro" surge, por acaso, em 2002, numa reportagem da jornalista Felícia Cabrita, no jornal Expresso. Ficou a meio.


A Cabrita, um antigo aluno da Casa Pia confessou ter sido violado como menor na instituição. Os principais implicados nessas violações de menores eram figuras públicas e um ex-funcionário da Casa Pia, Carlos Silvino, mais conhecido como Bibi.


Da investigação, as autoridades policiais admitiram que, pelo menos, 100 rapazes e raparigas da Casa Pia nessa altura, teriam sido molestados. Foram citados um rol de personalidades - portuguesas e estrangeiras. Da política, das finanças e da Igreja Católica. Após triagens, cirurgicamente realizadas, a Procuradoria- Geral da República, indiciou: Carlos Silvino, funcionário da Casa Pia e antigo aluno da instituição. Herman José e Carlos Cruz, duas figuras mediáticas da televisão portuguesa.

(Herman saiu porque a sua homossexualidade foi provada, apenas, com jovens com mais de 14 anos. Oportuno, não é verdade?)


Embaixador Jorge Ritto, já referenciado, no estrangeiro, quando efectuou missões diplomáticas, como pedófilo.


O arqueólogo Francisco Alves e o médico da zona do Restelo, com algumas ligações à Casa Pia, Ferreira Diniz. (Convém referir que este médico prestou cuidados a muitas crianças da zona bem do Restelo...).


O ex-Ministro da Segurança Social e actual deputado do Partido Socialista, Paulo Pedroso.


//Situemo-nos em Pedroso, porque o seu caso foi dos mais incisivos como montagem de uma extrema pressão política a alto nível para o ilibar. Foi apresentado como suspeito de 15 casos de abusos contra menores, com datas precisas entre 1999 e 2000. Ora, por pressão de altas figuras do Estado. Jorge Sampaio (Chefe de Estado) a Ferro Rodrigues (secretário-geral do PS), passando por António Costa (actual Presidente da Câmara de Lisboa) puseram *a cabeça no cepo* reclamando a sua inocência e levantado um tese de cabala. Não esquecer o papel do irmão de Pedroso, que na altura era Desembargador de Tribunal de segunda instância (não se sabe como mas isso é outra coisa).


O que sucedeu: arquivamento do processo. Pedroso garimpa e coloca o Estado em Trubunal (2008), pedindo uma indemnização. Um Tribunal de primeira instância ainda deu sentença de que o Estado deveria pagar 100 mil euros a Paulo Pedroso, por ter sido preso por erro nas causações pedófilas.


A Segunda Instância não concordou e no Supremo Tribunal a condenação foi mais taxativa: a prisão preventiva de Paulo Pedroso esteve bem determinada, por haver «fortes e consistentes indícios» da prática de abusos sexuais de jovens da Casa Pia por parte daquele antigo Ministro e que era «bastante provável» nessa altura que viesse a ser condenado em julgamento.


O mesmo Tribunal sublinhou que «a prova produzida evidencia» que figuras responsáveis do PS fizeram uma série de «diligências» que perturbavam o processo e pressionariam as testemunhas//.


Uma delas foi Ferro Rodrigues. Ora em 2003, o jornal Expresso referia, baseado num relatório policial, que quatro menores situavam o então secretário-greal em locais onde teriam havidos actos de molestação de crianças. Houve acusações de Ferro Rodrigues contra os jovens e inclusive formulação de processos judicias. O tribunal não considerou tais fundamentos e arquivou o processo por "falta de provas".


Mas, o que é certo é que Ferro Rodrigues se afasta de Portugal e recebe uma sinecura como embaixador de Portugal junto da OCDE. Está agora de regresso.


Muitas manobras foram realizadas para que não houvesse julgamento, mas ele teve lugar em 2010.


E dele saiu o seguinte: Carlos Silvino : 18 anos de Prisão Efectiva; Carlos Cruz: 7 anos de Prisão; Manuel Abrantes: 5 anos e 9 meses de prisão; Jorge Ritto: 6 anos e 8 meses de prisão; Ferreira Diniz: 7 Anos de Prisão; Hugo Marçal: 6 anos e 2 meses de prisão; Gertrudes Nunes: Absolvida.


Os advogados dos condenados recorreram para a II Instância.

Começa, então, uma nova fase organizada para desacreditar todo o julgamento.

Aparece de repente um trabalho de um tal Carlos Tomás, que se afirma jornalista "por conta própria" autor de um livro, que rubrica em conjunto com Marluce, associada e ex-mulher de Carlos Cruz, que teria pago 15 mil euros a uma das testemunhas mais relevantes do processo para alterar a sua versão dos acontecimentos, informação entretanto negada pelos visados.

Ora, depois este mesmo Tomás entrevista Carlos Silvino, cujo texto aparece, sem mais nem menos, na revista "Focus", onde o funcionário pedófilo nega agora o que disse no processo.

Curiosamente, o jornal Expresso aparece com uma outra entrevista, que foi paga, -- aí este mercenarismo sem qualquer pejo de ética dos chamados grandes órgãos de comunicação social --a sustentar o mesmo argumento. E manipulação das manipulações, o jornal a exigir que as declarações deveriam ser alvo de nova investigação policial.


Os pedófilos da alta roda estão novamente aí. E têm guarida nos grandes meios de comunicação social.


segunda-feira, 4 de abril de 2011

ELEIÇÕES/DÍVIDA: OU SE MUDA DE POLÍTICA OU TUDO FICA NA MESMA ATÉ À BANCARROTA














1 - Os chamados partidos responsáveis do poder dominante actual em Portugal - o PS, PSD e CDS - estiveram na governação do país desde o primeiro governo constitucional de 1976. Foram eles que orientaram a execução prática da política de Estado até ao momento presente. É um facto. É uma realidade. Não a podem escamotear por mais que o façam. São, portanto, responsáveis. Ponto final.




2 - Claro que sofreram os efeitos de uma crise financeira internacional, que, aparentemente, não se iniciou em Portugal. Teve o epicentro no modelo financeiro especulativo capitalista dos Estados Unidos da América. É um facto. É uma realidade. Não se pode escamotear. Ponto final.




3 - Mas, a realidade que, também, não se pode escamotear, é que tanto os governos do PS, do PS/PSD, do PSD ou PSD7CDS seguiram esse modelo económico, concientemente, e contra a opinião de quem os criticava. Eles permitiram, com toda a sobranceria e irresponsabilidade, o domínio económico e político do Capital financeiro especulativo do mais puro arrivismo e desclassificação. Eles consentiram, com toda a naturalidade e clarividência, serem os lacaios dos maiores vigaristas financeiros que se estabeleceram em Wall Street, incensando-os, bem como os seus seguidores em Portugal.




4 - Não podem afirmar ou sustentar que não podiam fugir à crise. Não quiseram. Optaram por uma via de governação deliberada. Eles foram os cordeiros executantes da política dessas grande burguesia capitalista. Permitiam fazer barbaridades sobre o povo, barbaridades estas que atingem a criminalidade.




Terão de ser penalizados e julgados pela sua acção política. Não só em Portugal, mas igualmente nos EUA e na UE. Os governos destes países ou conjunto de países foram os "braços" políticos dessa grande burguesia capitalista desclassificada e venal, ávida de um lucro fácil, sem qualquer pejo de desbaratar os tesouros públicos ou as finanças do Estado.


5 - Situemo-nos, primeiro em Portugal. Desde os finais dos anos 70, mas de maneira evidente, sustentada e defendida até aos dentes, quer por PS, primeiro, mas, essencialmente, pelo PSD, com Cavaco Silva em Primeiro-Ministro, fez-se uma mudança radical na econonia, tendo como eixo o dominío do capital financeiro. Foi um regabofe com as privatizações. Tudo virado para a entrega a esse capital. As empresas públicas, que representaram mais de 50 por cento do PIB, ou foram estranguladas ou privatizadas para entregra os homens do Capital. Os sectores produtivos industriais nacionais foram neutralizados a favor de empresas de capital estrangeiro dominado pela finança europeia e internacional. Outro sector produtivo esssencial para a vida populacional do país, a agricultura, em lugar de ser modernizada ou reorientada para uma produção nacional mais efectiva foi, pura e simplesmente, desmantelada. O mesmo aconteceu com a pesca e com os transportes marítimos, para não falar na construção e reparação naval. As empresas de serviços quase inúteis de capital estrangeiro saltiraram por todo o país, liberalizado o sector do trabalho e baixando os salários, com o argumento de impor a competividade face à "concorrência" estrangeira. Balelas. A economia produtiva portuguesa desde 2000 está praticamente estagnada.




Houve melhorias sociais reais, mas estão asentes em pés de barro. Dependem e dependiam da entrada de capitais. A realidade é que, depois dos investimentos iniciais da UE, começou a verificar-se que havia penúria financeira. Não tinha sido estabelecida uma harmonia económica no desenvolvimento do país. Ora, na perspectiva de uma crise, a míngua financeira dos cofres do Estado foi colocada e está nas mãos do grande Capital.




6 - Perante uma crise da envergadura da actual, será impossível levar a gestão do Estado a reganhar e impulsionar a produção nacional, sem reconduzir o Orçamento estatal a uma posição de equilíbrio entre a despesa e a receita do mesmo. E como fazer isto? Sem ferir os interesses estabelecidos dominantes, sem ir aos bolsos do capital financeiro especulativo? É impossivel, continuando a governação do Estado a seguir as mesmas regras. O interesse desse Capital é manter o défice, fazer aumentar a dívida publica, para aumentar a especulação. É o que está a acontecer. Ou se muda esta política (na economia, na sociedade), ou se aumenta a política de austeridade para os de baixo para satisfazer o apetite constante do Capital financeira por lucros, sem baixar as suas condições de vida e existência. Esta é a questão de fundo. Esta é a questão que estará frente a frente nas próximas eleições legislativas portuguesas. Mas irá estar na frente da batalha política e eleitoral em toda a Europa.




Existe uma alternativa de poder? Existe. É acabar radicalmente com a especulação financeira. Acabar com o poder dessa alta burguesia, que está a levar o Estado à bancarrota. Pode fazer-se frente. Pode. Veja-se o caso da pequena Islândia, que curiosamente desapareceu dos notíciários da grande imprensa. Não pagaram a especulação, mudaram de política e prenderam a maioria dos vigaristas especuladores.




7 - É a questão da dívida , do equilíbrio orçamental um problema dos países periféricos da União Europeia? Não. É uma questão global. Atinge os próprios EUA. O desequilíbrio entre receita e despesa é monumental nos Estados Unidos.


Segundo os dados publicados pelo Departamento do Tesouro (Ministério das Finanças) dos EUA (http://www.treas.gov), valores relativos a Fevereiro passado, a dívida pública total, aumentou 19%, de 17.422 para 20.713 mil milhões de dólares!


Se fizermos uma comparação interpretativa entre as taxas de juro implícitas de 2006 com estes dados mais recentes, referentes a Janeiro 2011 sobre a dívida verdadeira, ou seja, se verificarmos o custo dos juros da dívida actual à taxa de de juro de 2006, os EUA terão de pagar 913 mil milhões de dólares/ano.


Quer queirarmos quer não, este aumento vertiginoso, que não tem correspondido um real aumento produtivo interno naquele país, os EUA poderão estar na véspera de uma nova crise financeira, e, em termos práticos, pode afirmar-se que a potência militar está a utilizar o incremento do complexo militar-industrial, com exportações massivas de armas, e fomento de formas de neo-colonialismo, para mascar - ou atrasar momentaneamente - um espectro de bancarrota.


O poder executivo em Washington está atolado com a pressão dos banqueiros de Wall Street para efectuar novos contratos favoráveis à banca, o que, em termos práticos, irá aumentar a especulação sobre os países vassalos para sacar mais dinheiro para cumprir o pagamento dos juros sempre crescentes do seu próprio país.


Como vai evoluir toda esta situação? Não há receitas acabadas. Mas a principal é colocar toda a enregia em travar o poder do capital especulativo.


Há movimentações em todo o Mundo. Há tentativas de desacreditar tudo o que possa ser um embrião de novas formas de poder. Pode dar resultados imediatos.


Mas também forjar explosões sociais.


E elas podem caminhar da periferia para o centro. Como estarão a UE e os EUA daqui a um ano?





sexta-feira, 25 de março de 2011

QUEM É A RESPONSABILIDADE DE ESTARMOS À RASCA?


De diferentes origens, enviaram-me este texto do escritor moçambicano Mia Couto, acompanhado de um assentimento "Concordo".


Eu discordo. É um texto de puro moralismo de um senhor que é hoje escritor badalado e foi comissário político do regime actualmente no poder em Moçambique, co-responsável da situação actual. Dirão alguns: está afastado. Certo, mas, quando se é um homem político, que se pretende interveniente, não se pode deixar de explicar a sua mudança.


Vou transcrever o texto e apor a minha posição. A memória é importante para debater sobre o presente e o futuro.


"Mia Couto - Geração à Rasca - A Nossa Culpa "Um dia, isto tinha de acontecer. Existe uma geração à rasca? Existe mais do que uma! Certamente! Está à rasca a geração dos pais que educaram os seus meninos numa abastança caprichosa, protegendo-os de dificuldades e escondendo-lhes as agruras da vida. Está à rasca a geração dos filhos que nunca foram ensinados a lidar com frustrações. A ironia de tudo isto é que os jovens que agora se dizem (e também estão) à rasca são os que mais tiveram tudo. Nunca nenhuma geração foi, como esta, tão privilegiada na sua infância e na sua adolescência. E nunca a sociedade exigiu tão pouco aos seus jovens como lhes tem sido exigido nos últimos anos. Deslumbradas com a melhoria significativa das condições de vida, a minha geração e as seguintes (actualmente entre os 30 e os 50 anos) vingaram-se das dificuldades em que foram criadas, no antes ou no pós 1974, e quiseram dar aos seus filhos o melhor. Ansiosos por sublimar as suas próprias frustrações, os pais investiram nos seus descendentes: proporcionaram-lhes os estudos que fazem deles a geração mais qualificada de sempre (já lá vamos...), mas também lhes deram uma vida desafogada, mimos e mordomias, entradas nos locais de diversão, cartas de condução e 1º automóvel, depósitos de combustível cheios, dinheiro no bolso para que nada lhes faltasse. Mesmo quando as expectativas de primeiro emprego saíram goradas, a família continuou presente, a garantir aos filhos cama, mesa e roupa lavada. Durante anos, acreditaram estes pais e estas mães estar a fazer o melhor; o dinheiro ia chegando para comprar (quase) tudo, quantas vezes em substituição de princípios e de uma educação para a qual não trabalho, garante do ordenado com que se compra (quase) tudo. E éramos (quase) todos felizes. Depois, veio a crise, o aumento do custo de vida, o desemprego, ... A vaquinha emagreceu, feneceu, secou. Os pais à rasca não vão a um concerto, mas os seus rebentos enchem Pavilhões Atlânticos e festivais de música e bares e discotecas onde não se entra à borla nem se consome fiado. Os pais à rasca deixaram de ir ao restaurante, para poderem continuar a pagar restaurante aos filhos, num país onde uma festa de aniversário de adolescente que se preza é no restaurante e vedada a pais. São pais que contam os cêntimos para pagar à rasca as contas da água e da luz e do resto, e que abdicam dos seus pequenos prazeres para que os filhos não prescindam da internet de banda larga a alta velocidade, nem dos qualquercoisaphones ou pads, sempre de última geração. São estes pais mesmo à rasca, que já não aguentam, que começam a ter de dizer "não". É um "não" que nunca ensinaram os filhos a ouvir, e que por isso eles não suportam, nem compreendem, porque eles têm direitos, porque eles têm necessidades, porque eles têm expectativas, porque lhes disseram que eles são muito bons e eles querem, e querem, querem o que já ninguém lhes pode dar! A sociedade colhe assim hoje os frutos do que semeou durante pelo menos duas décadas. Eis agora uma geração de pais impotentes e frustrados. Eis agora uma geração jovem altamente qualificada, que andou muito por escolas e universidades mas que estudou pouco e que aprendeu e sabe na proporção do que estudou. Uma geração que colecciona diplomas com que o país lhes alimenta o ego insuflado, mas que são uma ilusão, pois correspondem a pouco conhecimento teórico e a duvidosa capacidade operacional. Eis uma geração que vai a toda a parte, mas que não sabe estar em sítio nenhum. Uma geração que tem acesso a informação sem que isso dotada de trôpegas competências de leitura e interpretação da realidade em que se insere. Eis uma geração habituada a comunicar por abreviaturas e frustrada por não poder abreviar do mesmo modo o caminho para o sucesso. Uma geração que deseja saltar as etapas da ascensão social à mesma velocidade que queimou etapas de crescimento. Uma geração que distingue mal a diferença entre emprego e trabalho, ambicionando mais aquele do que este, num tempo em que nem um nem outro abundam. Eis uma geração que, de repente, se apercebeu que não manda no mundo como mandou nos pais e, que agora quer ditar regras à sociedade como as foi ditando à escola, alarvemente e sem maneiras. Eis uma geração tão habituada ao muito e ao supérfluo que o pouco não lhe chega e o acessório se lhe tornou indispensável. Eis uma geração consumista, insaciável e completamente desorientada. Eis uma geração preparadinha para ser arrastada, para servir de montada a quem é exímio na arte de cavalgar demagogicamente sobre o desespero alheio. Há talento e cultura e capacidade e competência e solidariedade e Claro que há. Conheço uns bons e,valentes que detêm estas capacidades-características não encaixam no retrato colectivo, pouco se identificam com os seus contemporâneos, e nem são esses que se queixam assim (embora estejam à rasca, como todos nós). Chego a ter a impressão de que, se alguns jovens mais inflamados pudessem, atirariam ao tapete os seus contemporâneos que trabalham bem, os que são empreendedores, os que conseguem bons resultados académicos, porque, que inveja!, que chatice!, são betinhos, cromos que só estorvam os outros (como se viu no último Prós e Contras) e, oh, injustiça!, já estão a ser capazes de abarbatar bons ordenados e a subir na vida. E nós, os mais velhos, estaremos em vias de ser caçados à entrada dos nossos locais de trabalho, para deixarmos livres os invejados lugares a que alguns acham ter direito e, que pelos vistos - e a acreditar no que ultimamente ouvimos de algumas almas - ocupamos injusta, imerecida e indevidamente?!!! Novos e velhos, todos estamos à rasca. Apesar do tom desta minha prosa, o que eu tenho mesmo é pena destes jovens. Tudo o que atrás escrevi serve apenas para demonstrar a minha firme convicção de que a culpa não é deles. A culpa de tudo isto é nossa, que não soubemos formar nem educar, nem fazer melhor, mas é uma culpa que morre solteira, porque é de todos, e a sociedade não consegue, não quer, não pode assumi-la. Curiosamente, não é desta culpa maior que os jovens agora nos acusam. Haverá mais triste prova do nosso falhanço?"



Mia Couto termina com uma pergunta patética "Haverá mais triste prova do nosso falhanço?".


É uma manobra airosa de evitar responder ao que está realmente em causa: o sistema económico e social capitalista.


Pela descrição de Couto, tudo o que está a suceder aparece do nada, parece uma hecatombe etérea, que destroi a vida das pessoas, como se de um feitiço se tratasse.


Ora, a culpa "não é nossa", do assalariado. É uma ilusão mascarar que a razão do que está verdadeiramente a suceder não é o desejo de melhorar o bem-estar material e social de pais e filhos, não é da educação pessoal ou social, dada com maior ou menor rigor, mas o poder autêntico que está a subverter o caminho conquistado para uma nova sociedade.


E que, enquanto não se exigir, com todas as letras e sem superfúgios, a abolição desse poder - do Capital - e das suas relações sociais em que ele está assente, as lamentações piedosas de pessoas, como Mia Couto, surgem como discursos moralistas sem qualquer valor.


Aqui sim, a culpa é nossa. Porque baixamos as defesas para levar a verdadeira educação política aos seio dos nossos filhos, prepará-los para luta sem contemplações contra o sistema que nos coloca à rasca.


Porque para muitos, com o colapso do sistema social soviético, consideraram que em causa estava o socialismo, e não admitiram que esse sistema era somente uma forma autoritária de capitalismo, fomentado pelo Estado, que se dizia socialista, e, então, optaram pela via mais fácil de continuar a actividade humana e política, sustentando que o capitalismo poderia vir a ser transformado em "democrático e socialista".


Abandonaram a via de refazer toda a opção pela abolição do sistema capitalista "concorrente" mais desenvolvido e acutilante, o capitalismo liberal dominando pelo sistema financeiro internacional.


Isso, sim, aconteceu. Houve derrota revolucionária. Houve retrocesso ideológico.


Não foi transmitido aos filhos, porque era mais duro, mais ameaçador para os pequenos burgueses, que se intitulavam revolucionários, e entraram na ilusão de que seria possivel "viver melhor" entrando na gestão e cumplicidade do próprio sistema que os engolfinhava e fazia definhar o avanço para o progresso da humanidade.


Foram muitos, realmente, os que ficaram encerrados na mesquinhez e tacanhez de que o capitalismo se podia humanizar, e agora lançam as lamúrias quando se coloca na ordem do dia a opção pelo enfrentamento duro, pela necessidade de uma ruptura política e social, que poderá ser violenta.


É fácil deitar a culpa para cima dos baixo, e não se aponta o dedo a quem é, verdadeiramente, responsável.



MERKEL ESTÁ A MAIS NUMA UE SEM LIDERANÇAS ARROGANTES





A chanceler (primeira-ministra) alemã, Angela Merkel, intromete-te descaradamente na vida politica interna de Portugal, dos seus actos políticos parlamentares, e todos os partidos nacionais calam-se, como se tratasse de um patrão ditatorial a actuar sob a sua empresa.


A primeira-ministra alemã exige que os partidos portugueses que rejeitaram o PEC IV, em decisão soberana da Assembleia da República portuguesa, apresentem "outras medidas que cumpram os objectivos fixados".


Com que autoridade se arroga a chefe do governo alemão para usar esta linguagem?


Aí de ti, português, se permites que sejas governado por arrogantes dirigentes que pretendem seguir o trilho dos arrogantes ditadores germânicos, como Hitler, de que Merkel é representante, como líder do Partido mais conservador da Europa, que, tal como a velha direita alemã, abriu caminho aos calamitosos partidos nazis, que submergiram a Europa e a arrastaram para a guerra!!!


Os partidos portugueses recusaram o PEC IV, como medida preventiva contra a especulação capitalista escandalosa, que tem centros dinamizadores como a Alemanha e os Estados Unidos da América, irmanados em serem, a nível mundial, os braços executivos de um sistema finnaceiro que somente tem levados os países e povos da Europa e dos EUA para a bancarrota, para a pobreza, para o retrocesso económico.


Merkel, como representante política dessa faccção da burguesia capitalista, está a mais num governo harmónico e integrado de uma União Europeia, que se pretende como modelo de uma unificação federal, sem supremacias políticas ou territoriais.


E isto tem de se lançado à sua cara, sem mais delongas, nem cumplicidades.

quarta-feira, 23 de março de 2011

CRISE PORTUGUESA: QUE PROGRAMA DE RUPTURA?




A crise política portuguesa, forçada e organizada com a demissão do primeiro-ministro do PS José Sócrates, abriu uma porta de clarificação.

Pode vir a transformar-se numa hetacombe para o capitalismo financeiro, que, apesar de ver satisfeitas as suas revindicações, exigia sempre mais, com a evolução da dívida pública, que apenas interessava directamente aos grupos políticos e económicos que gravitavam e gravitam à volta de quem governa e quem dirige a política de Estado.

Mas também se pode transformar num reforço, ainda que momentàneo é certo, mas não deixa de o ser, na realidade, da dominação do capital financeiro, que se alberga, neste momento, na tutela do actual Chefe de Estado, Cavaco Silva, e deseja um governo que lhe seja mais fiel, dirigido por esse "empregado" do BES, que é Pedro Passos Coelho.


O capital financeiro português- mas também internacional - rejubilará se houver uma vitória clara do PSD (e também do CDS) nas próximas eleições legislativas ( ou então de uma vitória tangencial de Sócrates, que obrigue a um governo abrangente do capitalismo que governa realmente o país).

O que se pretende instituir na Europa capitalista liberal (UE) - e Portuagl será uma lebre no processo - é a estruturação de um poder de Estado de uma República aparentemente democrática, que siga o modelo norte-americano,de constituição rotativista de uma governçaõ, orientada por dois partidos que se revezam no poder, fazendo da política uma "bolsa sacadora" para o negócio mais especulativo e marginal de ganhos sem olhar a meios, repartindo o "bolo" quer nas empresas estatais, quer nos poderes legislativos e executivos, desde o sistema bancário até ao município mais banal.

Ora, essa porta de clarificação, que se iniciou com a moção de censura do Bloco de Esquerda (BE), pode não vir a servir de nada, se debaixo de uma crise política e económica de envergadura, não se produzir uma mudança de relações de forças, que cause mossa à mediocridade criada pela burguesia rotativa desde há 25 anos.


Exige, pois, também uma clarificação ideológica entre os que se dizem anticapitalistas, que para o serem realmente tem de apresentar um programa que o seja, que demarque a queda pacífica do arrogante José Sócrates, com uma alternativa que ponha em marcha os princípios de um processo revolucionário, não só nas relações de forças partidárias, mas também na destruição de uma máquina de Estado que tem recebido apenas o incremento do Capital.


Se tal pretensão não for alcançada, haverá uma derrota, e os representantes do Capital financeiro especulativo serão atirados, com mais supremacia, como heróis, para o topo da organização e dominação do Estado.


A responsabilidade está, pois, nas mãos dos que se dizem anticapitalistas.




sábado, 19 de março de 2011

O NOVO COLONIALISMO COM O CAPITAL EM DECADÊNCIA: NOVA ERA DE REVOLUÇÕES?

















As barbaridades coloniais, que o chamado Ocidente capitalista está a procurar restabelecer no Magrebe e Médio-Oriente, com a cumplicidade activa das capiatlistas Rússia e China, com o ataque planeado e executado hoje na Líbia, vão provocar uma reacção mais profunda e sangrenta não só na região, mas praticamente em todo o Mundo.
Não está a suceder apenas um complô entre as ditaduras capitalista ocidentais (EUA, França, Itália e Grâ-Bretanha), mas também com todo o despostimo monárquico da Arábia Saudita e das monarquias do Golfo e a perniciosa actividade do sistema financeiro e político judaico internacional.
Está a fomentar-se, sim, um novo tipo de confronto de classes internacionais das potências capitalistas, poderosas militarmente, mas decadentes em termos produtivos e económicos, com sistemas capitalistas emergentes em todo o Magrebe e Médio-Oriente, que faz entrar em maior convulsão todo o sistema capitalista internacional, descarnado por uma crise financeira e económica, que não consegue ter ainda uma luz ao fundo do túnel.
Os ataques, revoltas, e intervenções unilaterais, que tem a chancela da ONU, já não são apenas para destruir formações medievais despóticas, mas sim para destruir incipientes paises capitalistas árabes, centralizados e com poderes ditatoriais concentrados no Exército, que procuram uma via independente, sem a tutela do sistema financeiro internacional pró-judaico, para entrar na vida da nova sociedade do capitalismo.
Não é, pois, propriamente o desmantelamento do velho mundo barbárico medieval muçulmano, mas sim a tentativa de imposição de novas formas coloniais de domínio de países e povos, para rapina das matérias-primas.
Quem cria revoluções, e depois as procura jugular com pretextos mesquinhos de interesses próprios de rapinas das matérias-primas, quem utiliza a força da violência, quando as suas economias estão em franco retrocesso, - e a violência é uma força económica, que para garantir a sua sobrevivência necessita de injeccção de mais capital - teremos, dentro de meses, um espiral de novos movimentos revolucionários.
Espero que eles ganhem espaço na Europa, em particular na União Europeia.
Pode ser que, em breve, estaremos a verificar revolucionamentos mais brutais nessa mesma Europa e, quiçá, nos Estados Unidos.
Olhemos para a economia nos próximos meses.






PÀSCOA CRISTÂ: UMA HISTÓRIA SEM CONSISTÊNCIA HISTÓRICA COEVA






A religião cristã está quase a comemorar a época da Páscoa, uma tradição mitológica, que, também, é venerada pelos judeus.

O cristianismo ligou esta interpretação à eventual morte da personalidade que lhe veio a servir de mentor, Jesus Cristo, que, segundo a tradição, que hoje prevalece nos documentos creditados pela Igreja Católica romana, teria ocorrido na semana da Páscoa judaica, semana esta que se celebra na Primavera, sem data precisa - uma variação estabelecida, grosso modo, entre 25 de Março e o 6 de Abril.

Não existe documentação coeva que prove quer a existência de Jesus Cristo, quer quaisquer dados da sua vida, ainda que indirectos, nem sequer de uma eventual crucificação colectiva efectuada em Jerusalém sob as ordens de Pôncio Pilatos.

Muitas dezenas de anos depois da sua provável existência, cerca do ano 100, aparecem livros, cartas e outros escritos muito diversificados, que falam dele, já com uma doutrina estabelecida, mas sob várias formas e conteúdos, por vezes contraditórios, com ressonâncias míticas e obscuras.


(O primeiro documento romano que fala da existência de cristãos é de Plínio, o Moço, do tempo do tempo do Imperador Trajano (já no século II), que sendo governador da Bitínia (Ásia Menor), escreve àquele relatando os rituais de uma nova - para ele - seita religiosa, já estruturada, que não compreendia).

A Igreja Católica Romana Ocidental, quando se tornou religião de Estado do Império Romano, sob Constantino, (século IV DC) limitou os os textos oficiais a um punhado, que chamou Evangelhos canónicos, que ficaram conhecidos pelos nomes de Mateus, Marcos, Lucas e João.

São estes, pois, para a tradição cristã sancionada pela Igreja de Roma, que confirmam e são apresentados como documentos de chancela oficial.


Todavia, mesmo os relatos oficiais cristãos, não assinalam com precisão a idade de Jesus Cristo na sua morte. Uns sustentam que ele teria 30 anos, outros 33.
Por outro, outros Evangelhos, que não são tidos como canónicos, mas provêem das mesmas épocas, chegam a afirmar que ele teria morrido com perto de 50 anos. Por exemplo o Apocalipse de S.João assinala a determinado passo que Jesus Cristo "ainda não tem cinquenta anos". Alguns dos apologistas dirigentes do cristianismo primitivo como Irineu, que escreve no II século DC, sustenta que a pregação de Cristo teria continuado até aos seus 50 anos.

Depois da descoberta e do estudo dos chamados Manuscritos do Mar Morto, encontrados num gruta do deserto na região de Qumran, verifica-se uma similitude extraordinária entre as descrições e pensamentos daqueles e os dos Evangelhos do cristianismo, o que leva a apontar que, com uma maior investigação e aprofundamento de novas pesquisas arqueológicas, se possa situar os primeiros passos do que veio a ser o cristinianismo, como estrutura religiosa posterior, possa ser uma seita muito incipiente constituida cerca de um século antes da data que, actualmente, a Igreja Católica fixou para a morte de Jesus Cristo.



Na realidade, verifica-se nos Evangelhos canónicos uma muito obscura descrição sobre a vida de Jesus Cristo e a sua própria família e o modo desprezivo como aquele a ela se refere, bem como à própria aceitação da sua figura e doutrina.

O pai de Jesus Cristo, José, é uma figura apagada, que cujas raizes anteriores são apresentadas contraditoriamente nos Evangelhos. A mãe de Cristo, Maria, Mariam ou Miriam, está, em grande medida, afastada dos mesmos Evangelhos ( surge no nascimento e depois apenas reaparece no momento da sua morte, e curiosamente, com uma personalidade semi-marginal chamada Maria Madalena, que um dos Evangelhos não canónicos, mas da mesma época -o de Filipe -, descoberto muito recentemente, a apresenta como "a mulher de Jesus". Este tem várias frases a desprezar a mãe. Em S. Marcos, ele afirma, dirigindo-se seus discípulos, como sendo a sua família: "Eis a minha mãe e os meus irmãos". Também em S.Marcos, assinala-se que "os seus" familiares o tentam fazer voltar para a sua terra, sustentando que "estava fora de si".

Finalmente, a crucificação. Uma leitura cuidada dos Evangelhos não refere explictamente que Jesus Cristo tinha sido pregado na cruz. Nos Actos dos Apóstolos, escreve-se que Cristo faleceu pendurado na *madeira* ou *lenho".