quarta-feira, 9 de novembro de 2011

A CONFISSÃO DE UM LACAIO DOS CAPITALISTAS ESPECULADORES









1 - Medite-se sobre estas afirmações (Não são minhas, estão escritas nas páginas da imprensa. Foram proferidas hoje):

O presidente do Eurogrupo, Jean-Claude Juncker, reconheceu hoje que a Europa (sejamos precisos - os responsáveis políticos europeus!!!) subestimou o problema da Grécia, e também em parte de Portugal e Irlanda, e que esperaram que os mercados fizessem o trabalho de castigar os países com derrapagens.

Isto é de uma gravidade extrema.

É a confissão pura e simples da irresponsabilidade política e, mais grave, a confissão verdadeira de que os dirigentes políticos são governados - são cães servis - dos agiotas especuladores capitalistas, chamados mercados.

O senhor Juncker, que já foi ministro do seu país, comissário e agora presidente do Eurogrupo (uma espécie de Ministro das Finanças da UE), lançou para a praça pública o verdadeiro papel que a Comissão Europeia desempenha: nós - nas palavras dele - damos, conscientemente, rédea solta aos capitalistas financeiros especuladores. Eles é que vão dominar e impor as suas condições, através de "castigos".

Quais são os castigos: os roubos dos salários e prestações sociais das classes trabalhadoras.

Juncker vai mais longe com a sua confissão:

Quem domina a Comissão Europeia e as instituições políticas da União Europeia (desde os governos nacionais aos parlamentos e outras entidades, como as bolsas) não são os seus deputados ou seus membros dos executivos, mas sim um sector do poder capitalista instituído: OS BANQUEIROS ESPECULADORES, apelidados de mercados.

Tudo o resto é paisagem. Tudo o resto foi afastado dos poderes de decisões, incluindo a burguesia produtiva industrial, a pequena burguesia, o campesinato.


2 - Arrogantemente, os principais banqueiros especuladores portugueses, através da sua Associação, dirigiram-se à Comissão Europeia para que esta trave as chamadas medidas de recapitalização da banca.


O governo português roubou 12 mil milhões de euros ao povo português para injectar na banca portuguesa, que dava lucro atrás de lucro meses atrás, e agora de repente, sustenta estar sem dinheiro e quer mais "empréstimos", mas sem regulação, nem intervenção estatal na sua gestão.


Querem dinheiro, e com ele fazer o que lhe apetecer, incluindo enviando para "paraísos fiscais", sem qualquer controlo, nem pagamento.

Tendo colocado o Estado português - e por tabela os outros Estados europeus - os banqueiros da Europa, e particularmente de Portugal - nas lonas, submetendo-os aos seus ditames, eles agora pretendem que o próprio Estado injecte novamente capital, sem qualquer custo para eles.

Perderam toda a chamada discrição de antigamente, sentem-se senhores verdadeiros do poder e agem como ditadores, querem prosseguir na bancarrota, para arrecadarem mais dinheiro, com mais especulação.


Esperemos que a evolução societária avance na sua consciência política e se caminhe para uma explosão que faça estraçalhar toda esta corja e os partidos que os sustentam.








OS CAPITALISTAS ESPECULADORES DOS EUA ESTÃO A DESTRUIR A UNIÃO EUROPEIA














1 - Jim O´Neill, o traficante mor do capital norte-americano, Presidente do Conselho de Administração do banco de especulação financeira norte-americana, Goldman Sachs, liderado pelos capitalistas judeus, onde a Igreja Católica Vaticana mantém uma grossa fatia de acções, debita "bitaites" sobre a situação da zona euro, como se a crise europeia fosse "obra" que estivesse a leste da quase falência do superbanco que lidera.

Refere o vigarista norte-americano, que recebe uma grossa maquia como administrador de uma instituição, a quem o Estado injectou, há três anos, milhões e milhões de dólares, e que fez esvair, pouco depois, algures, para vários off-shores, que Portugal, Irlanda, Finlândia e a Grécia podem sair da zona euro.

E, como especulador dá orientações para desmembrar a política monetarista europeia: Assinala ele que pode haver "a ideia" - e de quem é a ideia ? - de uma integração orçamental a nível europeu liderada pela Alemanha e se tal "cenário" for posto em prática - e porque ele está preocupado com esta hipótese? - pode levar alguns países da zona euro, nomeadamente Portugal, Irlanda, Finlândia e Grécia, a ponderar abandonar a moeda única.

"Os alemães querem uma maior unidade orçamental e uma fiscalização central mais apertada, com a ideia de um ministro das Finanças [europeu]. É difícil ver todos os países a querer viver com isso", explicou em entrevista ao Sunday Telegraph.




(E o que é o grupo Telegraph? Justamente de capitalistas britânicos refinados do ramo imobiliário: os Barclays).

Deixemos de nos concentrar na entrevista e viremo-nos para o papel e a função que o Goldman Sachs realiza na desagregação do sistema económico e social da União Europeia.

Citemos o jornal francês Le Monde, a este respeito:

"Acusado de ter ajudado a Grécia a camuflar o estado real das suas finanças públicas e de especular sobre a dívida daquele país, o grande banco comercial norte-americano dispõe de uma rede sólida de conselheiros aos quais os responsáveis europeus dão ouvidos.

Petros Christodoulou finge que não liga aos cumprimentos. Desde a adolescência que este primeiro aluno da turma está habituado a ouvir dizer o melhor possível da sua pessoa.


Nomeado, em 19 de Fevereiro, director do organismo de gestão da dívida pública grega, está hoje na primeira fila. Acontece que este antigo director de activos do National Bank of Greece (NBG) está no centro do inquérito, anunciado em 25 de Fevereiro pelo Banco Central dos Estados Unidos (Fed), sobre os contratos relativos à dívida grega que ligam o banco comercial americano Goldman Sachs e outras empresas ao Governo de Atenas.

Aquele estabelecimento de Nova Iorque foi pago como conselheiro bancário do Governo grego, ao mesmo tempo que especulava sobre a dívida do país. O banco emissor norte-americano está interessado no papel desempenhado por Petros Christodoulou, que, no início de 2009, supervisionou, ao lado do Goldman Sachs, a criação da sociedade britânica Titlos para transferir a dívida orçamental da Grécia para o NBG. Antes de trabalhar para este último, o interessado tinha sido funcionário do… Goldman Sachs.

"Governo Sachs"

Este caso é esclarecedor quanto ao poder da rede de influências europeia do Goldman Sachs, sedimentada desde 1985. Esta trama apertada, simultâneamente subterrânea e pública, tem intermediários e fiéis que, graças às suas agendas de contactos, abrem as portas dos gabinetes governamentais. Estes conselheiros, recrutados com extremo cuidado e a preço de ouro, conhecem todas as subtilezas dos corredores do poder no seio da União Europeia. Têm a confiança dos decisores, aos quais podem telefonar directamente nos momentos de crise.

Quem são esses membros da vertente europeia do "governo Sachs", como há quem chame àquele banco, devido ao seu poder de influência em Washington?


O elo de ligação principal é Peter Sutherland, presidente do Goldman Sachs International, a filial europeia com sede em Londres. Este antigo Comissário Europeu da Concorrência e antigo presidente da BP é o homem fundamental, no que diz respeito aos Vinte Sete e à Rússia.


Em França, o banco beneficia do apoio de Charles de Croisset, antigo presidente do Crédit Commercial de France (CCF), que sucedeu a Jacques Mayoux, inspector da Inspecção-Geral de Finanças e antigo patrão da Société Générale.


No Reino Unido, o Goldman conta com Lorde Griffiths, que foi conselheiro da antiga primeira-ministra Margaret Thatcher, e, na Alemanha, com Otmar Issing, antigo membro da Comissão Executiva do Bundesbank e antigo economista principal do Banco Central Europeu (BCE).

Goldman funciona no mundo real

Para já não falar da série de "antigos colaboradores", catapultados para as esferas dirigentes e com os quais o banco pode contar para mover os seus peões. O mais conhecido é Mario Draghi, que foi vice-presidente para a Europa entre 2001 e 2006 e é actualmente governador do Banco de Itália e patrão do grupo de reguladores, o Conselho de Estabilidade Financeira. (
AGORA, PRESIDENTE DO BANCO CENTRAL EUROPEU).

Contudo, não esperem encontrar antigos diplomatas refinados nos corredores vetustos do Goldman Sachs International: o banco recorre a ex-financeiros e economistas, altos quadros de bancos centrais e altos funcionários das organizações económicas internacionais. Considera que os embaixadores na reforma são figuras decorativas simpáticas que não têm contactos ao mais alto nível e não percebem nada do mundo dos negócios. O Goldman funciona no mundo real.

Para o Goldman Sachs, uma das vantagens desta rede é a possibilidade de avançar sob disfarce. Assim, no Financial Times de 15 de Fevereiro, Omar Issing assina um texto hostil à operação de salvamento da Grécia pela União Europeia. O interessado assina o artigo, sem especificar que é conselheiro internacional do Goldman Sachs desde 2006 – nem que o departamento de negócios do banco, que especulou contra a moeda única, tem tudo a perder com uma intervenção europeia".

Verifiquem ainda alguns dos gabirús da política e economia (o contrário também é verdadeiro), ligados à Goldman:

Hank Paulson, antigo secretário de Estado do Tesouro dos EUA
Saiu da liderança do Goldman Sachs para ser secretário de Estado do Tesouro durante a administração Bush. Paulson delineou o programa de ajuda à banca durante a crise financeira de 2008, que também resgatou o Goldman.

Mark Carney, governador do Banco Central do Canadá
O actual governador do banco central do Canadá passou 30 anos no Goldman.Foi responsável pelas áreas relacionadas com risco soberana e foi o homem com a tarefa de delinear a estratégia do banco durante a crise russa de 1998.

Romano Prodi, antigo presidente da comissão europeia
O antigo presidente da Comissão e ex-primeiro-ministro italiano esteve no Goldman nos anos 90. A ligação valeu-lhe críticas da Oposição quando rebentou um escândalo a envolver o Goldman e uma empresa italiana.

Robert Zoellick, presidente do Banco Mundial
O actual presidente do Banco Mundial foi director-geral do Goldman. Antes de se juntar ao banco tinha trabalhado no Departamento do Tesouro norte-americano. Lidera o Banco Mundial desde Julho de 2007.

Robert Rubin, antigo Secretário de Estado do Tesouro dos EUA
Robert Rubin teve cargos de topo na administração do Goldman. Após 26 anos no banco foi escolhido por Bill Clinton como secretário de Estado do Tesouro. Após passar pelo Governo, trabalhou no Citigroup.

Ducan Niederauer, presidente da NYSE Euronext
O presidente da NYSE Euronext, Duncan Niederauer, que detém as bolsas de Nova Iorque e de Paris, Bruxelas, Amesterdão e Lisboa, foi responsável do Goldman pela área da execução de ordens dadas sobre títulos financeiros.

Mark Patterson, Chefe de Ganibete do Secretário do Tesouro dos EUA
Mark Patterson é o chefe de gabinete do actual secretário do Tesouro dos EUA, Timothy Geithner. Antes de se juntar ao governo estava registado como lóbista, intercedendo para defender os interesses do Goldman.

Ora este Goldman Sachs, que está, agora, à beira da falência, e socorremo-nos da própria imprensa económica capitalista portuguesa, neste caso o Jornal de Negócios de 6 de Julho passado "foi o banco que contraiu a maior dívida numa linha de financiamento criada pela Reserva Federal durante o pico da crise financeira. Os detalhes da operação foram, até hoje, mantidos em segredo.

Entre 7 de Março e 30 de Dezembro de 2008, a Reserva Federal conduziu leilões de dívida denominados "acordos de recompra de tranche simples" para fornecer liquidez ao sistema financeiro norte-americano durante o ano da crise internacional.

As iniciativas de financiamento de curto prazo ocorreram, ao longo de 2008, com uma frequência de quase uma por semana e os montantes das emissões foram de 15 ou 20 mil milhões de dólares. A maturidade dos empréstimos foi de 23 ou 28 dias.

Os detalhes destas operações foram mantidos em segredo pela Reserva Federal e divulgados hoje, no âmbito de um pedido da Bloomberg, no âmbito da Lei de Liberdade de Informação ("Freedom of Information Act").

O Goldman Sachs tomou o empréstimo mais avultado das várias acções de financiamento. No dia 7 de Dezembro, o banco financiou-se em 15 mil milhões de dólares numa linha de financiamento a 28 dias em que pagou uma taxa de 1,16% implícita no preço de compra e subsequente venda dos títulos.

No mesmo dia, o banco financiou-se em cinco mil milhões de dólares através do mesmo mecanismo. Mas a taxa implícita nesta operação foi já de 1,25%.

As taxas de juro variavam de operação para operação. O juro mais baixo pago nesta linha de financiamento foi numa operação em que o Goldman Sachs contraiu um empréstimo de 200 milhões de dólares".

Ora, este dinheiro foi utilizado para fazer empréstimos a juros avultados ao próprio país e a outros paises, como a Grécia.

Pura agiotagem. Feita com a conivência dos judeus Ben Bernanke, presidente da Reserva Federal norte-americana e Timothy Geithner, secretário do Tesouro dos EUA, e, naturalmente, a assinatura e cumplicidade activa do Presidente Barack Obama.




2 -Os bancos portugueses precisam de se capitalizar em 7.804 milhões de euros para atingir o novo rácio de capital de 9 por cento, segundo cálculos da European Banking Authority (EBA)

Há mais de um ano que os bancos portugueses vivem suportados pelo Banco Central Europeu (BCE).

Ora, seguindo as orientação do capital internacional, o Executivo pretende injectar oito mil milhões de euros na Banca em 2012, com o objectivo de promover a recapitalização dos bancos, noticia o Diário Económico.

O Orçamento de Estado para 2012 (OE 2012) apresentado pelo Governo refere que, em 2012, será injectado na Banca portuguesa até oito mil milhões de euros para promover a sua recapitalização e fomentar a economia.

Claro que os banqueiros especuladores portugueses somente aceitam esta capitalização, se não houver interferência na gestão dos respectivos bancos. E é essa a ideia do governo portugueses.

Recorrer a medidas de austeridade para financiar, praticamente a fundo perdido, o sistema bancário capitalista português. Certamente, isso irá acontecer.

Ora, os bancos portugueses estão já a ser beneficiados a custos praticamente zero, sendo o juro máximo de 1%. Uma roubalheira. Pois, já estão descapitalizados. Para onde foi o dinheiro que receberam?

Aqui aparece, novamente, a Goldman Sachs nas manobras especulativas através dos seus homens de mão e dos respectivos bancos interessados, que não são nacionais, mas filiais de estabelecimentos bancários internacionais, como o BPI, o BES, o BANIF, e a própria Caixa Geral de Depósitos (embora esta contenha uma forte participação nacional).

Vejamos os homens:


António Borges, director do Departamento Europeu do FMI
O economista foi vice-presidente e director-geral do Goldman entre 2000 e 2008. Após sair do banco foi da associação que delineia a regulação dos ‘hedge funds'. Em Outubro de 2010, foi nomeado director do FMI para a Europa.

Carlos Moedas, Secretário de Estado adjunto do Primeiro Ministro.
Após acabar o MBA em Harvard, no ano 2000, o actual responsável pelo acompanhamento do programa da ‘troica' foi trabalhar para a divisão europeia de fusões e aquisições do Goldman Sachs. Saiu do banco em 2004.

António Horta Osório, presidente do Lloyds Bank
O primeiro emprego de Horta Osório após terminar o MBA no Insead foi no Goldman, centrando-se na área de ‘corporate finance'. Actualmente é presidente do banco britânico Lloyds depois de ter estado no Santander.

E ainda Miguel Frasquilho, deputado do PSD, que está encarregue no acompanhamento da troica e é quadro superior do BES e Marques Nunes, deputado do CDS, que está igualmente a fazer parte do acompanhamento da troica e é advogado de um dos maiores escritórios de advocacia do país (Morais Leitão e associados), justamente interessado nas grandes privatizações que o executivo de Passos Coelho quer fazer passar para o capital internacional.



Ora, os governos dos EUA e da União Europeia, incluindo o português, não representam nada mais, nada menos, do que uma enorme organização societária estabelecida pelos capitalistas mundiais, centrados na Wall Street e na City de Londres que pretendem repartir os Estados por áreas de concorrência bolsista para enriquecimento à custa da exploração desenfreada de quem trabalha.

Ou, se desfaz esta trama a nível internacional, com acções concertadas e imediatas ou, cairemos no empobrecimento geral da população e no retrocesso da própria sociedade.





















domingo, 6 de novembro de 2011

COM DESEMPREGO, A EMIGRAÇÃO A TODO CUSTO, DIZIA SALAZAR




«Se estamos no desemprego, temos de sair da zona de conforto e ir para além das nossas fronteiras», esta frase poderia ter sido retirada de um discurso bafiento de qualquer político salazarista ou do próprio António Salazar, o Presidente do Conselho de Ministros do "Estado Novo" nos anos 40, quando o regime discutiu, à porta fechada, a política de emigração.

E discutia-a, precisamente, porque a população desempregada crescia no país e ameaçava a própria ordem interna, com convulsões sociais.

Mas, não, a palavra não é de um político salazarista, mas de um membro do actual governo, justamente, o Secretário da Juventude e do Desporto, Alexandre Miguel Mestre.

«Se estamos no desemprego, temos de sair da zona de conforto e ir para além das nossas fronteiras», disse o governante, que falava, há uma semana, para uma plateia de representantes da comunidade portuguesa em São Paulo e jovens luso-brasileiros, citado pela Lusa.

Em 1940, António Salazar mandou organizar o chamado Congresso do Mundo Português (quem quiser consultar o tema está na Biblioteca Nacional, tem 19 volumes).

Um dos tema abordados para um grupo restrito foi, precisamente, a política de emigração. Havia desemprego e certas zonas do país começavam a ficar desertas, com o processo de industrialização que se iniciava.

Os próceres do regime estavam preocupados com as "revoluções" que poderiam surgir.

Homens, como Armindo Monteiro, antigo Ministro dos Negócios Estrangeiros, mostrava apologista de uma "emigração maciça" para o Brasil. Um banqueiro, como Fernando Emídio da Silva, afinava pelo mesmo diapasão e colocava ainda a hipótese de mandar uns quantos para o planalto central de Angola, então uma colónia despovoada de "brancos".

Oliveira Salazar, também entrou na discussão. Havia uma política oficial de "colonização interna", que se mostrou uma fracasso. Argumentava o ditador: "Mesmo que supussessemos o aproveitamento integral das terras irrigáveis e baixássemos para um hectare o lote a distribuir por família, teríamos conseguido estabelecer 150.000 famílias, e, a 4 ou 5 pessoas por família, 600 a 700 mil indivíduos. Ficaríamos longe da absorção total".

E continuava a sua argumentação: não é seguro que se conseguisse travar os problemas que estavam para vir.

Então preconizava abertamente: "O caminho" é a emigração, seja qual for o país escolhido ou a escolher.

Como os capitalistas retornam aos seus "princípios" quando a crise começa a apertar.!!!


Os democratas parlamentares tornam-se num ápice adeptos ferrenhos da ditadura.

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

OS FAUTORES DA CRISE TÊM NOME E ESTÃO EM WALL STREET






1 - A questão central da crise mundial, em particular a que nos toca de perto, a europeia, e a dos EUA e China (pois é verdade o dragão chinês sofre igualmente com a especulação do capital financeira, muito mais do que está registado na imprensa mundial, e, de suma maneira, na chinesa) é a especulação financeira que grassa, no meio das desgraças que se abatem, essencialmente, sobre as classes trabalhadoras.

///Deixemo-nos de subterfúgios: em Cannes, hoje, os responsáveis das principais autoridades ditas reguladoras do sistema bancário, enquadradas no Conselho de Estabilidade Financeira (FSP), confessam que são os principais bancos mundiais, com os EUA à cabeça, que correm o risco "sistémico", que face a sua possível bancarrota, colocarem em risco a economia mundial.

E citar, justamente, 29 dos maiores super-bancos do mundo, sendo que os principais estão sedeados nos Estados Unidos, e, na prática controlam Wall Street. Assinala-se, concretamente, o Goldman Sachs, JP Morgan e o Citigroup, entre os oito norte-americanos.

Na Europa, referem-se, por exemplo, os franceses BPCE, BNP Paribas, Crédit Agricole e a Société Générale e os alemães Deutsche Bank e o Commerzbank.

E da Ásia, o Banco da China.

Estes bancos representam um sector gigantesco em capitais, que ultrapassou os 27 biliões de dólares em 2002 para 60 biliões de dólares em 2007. Na prática, este dinheiro desapareceu.

Para onde? ///

Perante a míngua financeira dos Estados, desde os Estados Unidos (o principal Estado norte-americano, teoricamente, o mais rico, está na completa bancarrota) até à Ásia, incluindo a China, passando pela União Europeia e Rússia, aqueles estão, inteiramente, nas mãos dessa alta burguesia capitalista financeira, que se enquistou em termos que classificamos de "foras da lei" do enriquecimento amoral e marginal.

Ora, esse sistema financeiro internacional, em especial o centrado em Wall Street, pressiona o seu governo norte-americano - a administração Obama - e, de maneira evidente, a União Europeia, para que injecte dinheiro, a custo zero, ou praticamente zero, no seu capital social.

Mas não quer qualquer tipo de intervenção estatal reguladora e controladora da sua gestão, para prosseguir a sua política de emprestar esse dinheiro a custos elevados aos respectivos Estados, fomentando, deste modo, a dependência crescente daqueles do capital financeiro.

Os "pontas de lança" desta estratégia são os chamados "governos fortes", de um lado dos EUA, dos outro, a Alemanha e a França.

Entretanto, os capitalistas estão a efectuar, a exemplo do que aconteceu na crise de 2008, uma fuga organizada e constante de capitais, quer dos Estados Unidos, quer dos principais Estados da União Europeia - praticamente de todos.

Então, há um ano atrás, e isto de maneira constante nos últimos 30 anos, os grandes bancos apresentavam, anualmente, lucros fabulosos e divulgados com música e foguetes, e, agora, de repente estão "descapitalizados"?

Onde pára esse dinheiro? Insistimos na pergunta.

Em paraísos fiscais, à espera que os governos dependentes e colocados na gestão da coisa pública, lhe faça "novos empréstimos" a custo zero, aumentando, assim, o défice do Estado, o que levará a novas restrições salariais e de serviços públicos entre os trabalhadores.

Na presente crise de todo o sistema capitalista, o que se torna evidente é que Wall Street continua em grande, sem contribuir, com um centavo, para aliviar a desigualdade que pende sobre o sector trabalhador.

Não é possível na actual situação conseguir inverter o desequilíbrio presente, em crescimento, sem colocar uma grilheta reguladora na divisão de impostos, que conduza a lançar para cima desse capital - e por extensão o capital de todo o mundo - uma fatia bastante substancial das despesas é encargos estatais e para-estatais.

(Uma pequena achega, nos Estados Unidos, nos primeiros meses de 2008, houve uma fuga de capitais do sistema financeiro que rondou os 100 mil milhões de dólares (na altura com um valor aproximado de 65 mil milhões de euros. A fonte foi a própria secretario de Tesouro dos EUA, o que quer dizer que esse valor foi muito mais elevado).

Chegados aqui temos de nos interrogar, mas quem controla todo este sistema?

Um punhado de capitalistas, que dominam a sociedade por representantes e homens de mão nos governos, administrações públicas, grandes autarquias, pelo domínio dos grandes complexos industriais-militares, pelo controlo infindável dos grandes meios de comunicação social e marketing, pela falta de maturidade política e ideológica dos sectores mais explorados dos povos, pela própria divisão que conseguem imprimir no seios das classes trabalhadoras.

Mas, entre a élite do sistema financeiro internacional está o grande capitalista judeu. Ele é, hoje, como colectivo que mexe em todas as principais instituições da principal potência política-militar actual, os EUA, uma das partes centrais do problema.

Tal como se deve resolver a questão judaica na ideologia, igualmente se deve debater e criticar, nos nossos dias, a questão judaica nas instituições financeiras capitalistas. Mas não só, embora em concorrência ideológica-religiosa, a Igreja Católica actua, em parceria harmoniosa, com os especuladores capitalistas judeus nas principais instituições financeiras mundiais. Na Europa, nos EUA e mesmo na Ásia e América Latina. E claro em Wall Street.


sexta-feira, 28 de outubro de 2011

A TRAGÉDIA E A FARSA DAS AUSTERIDADES




Um velho alemão de barbas, perseguido pelos regimes capitalistas nascentes da Europa, há mais de 150 anos, afirma, citando o filósofo teutónico Hegel, que os acontecimentos e os personagens históricos ocorriam, traços largos, por duas vezes, e, acrescentava, agora da sua autoria, :"a primeira vez como tragédia, a segunda como farsa".

No caso presente, estamos a referimo-nos à crise portuguesa dos anos 80 com a intervenção do FMI e do Banco Mundial, em que, no rescaldo do regresso do capital financeiro privado ao centro do poder, se fizeram as maiores barbaridades contra as classes trabalhadoras, em nome da austeridade e do equilíbrio orçamental.

Os acontecimentos e as personagens utilizaram a austeridade para enriquecer e fomentar a maior teia de corrupção e nepotismo no regime saído do golpe de Estado de Novembro de 1975.

Agora, com a nova intervenção do FMI/Banco Mundial e os capitalistas chefes da UE, aparece a farsa.

Verifica-se que os acontecimentos e as personagens que subiram, com a especulação, e dirigiram o espiral de roubo do erário público, no interior desse regime, colocando-o no patamar da bancarrota estão a amealhar, sempre a amealhar benesses, escondidos em legislação aprovada por eles, que procuram à pressa, desenvencilhar-se, quando são descobertos, para preparar novas patifarias.

Então onde se encontram as malfeitorais desse desclassificados, que querem intitular-se cavalheiros e pessoas de bem.

Vamos aos factos.

O actual governo decretou, desde que tomou posse, uma série de esbulhos e roubos dos salários e pensões de quem trabalha. Claro que, para o fazer, utilizou o truque da sua autoridade para o colocar dentro da legalidade: maioria no parlamento, logo aprovação automática do que pretendiam. Tudo dentro dos seus conformes, não haja dúvida.

Mas, a austeridade, à tripa forra, não entrou na sua casa. E logo, quando toma posse, sorrateiramente, o seu Primeiro-Ministro, Passos Coelho, emite, em Setembro, um despacho, com o n.º 12988/201, para que o "reino dos céus" monetário entrasse no seu edil.

Transcrevemo-lo para que conste:

"D.R. n.º 188, Série II de 2011-09-29

1 — Ao abrigo do disposto no n.º 1 do artigo 1.º do Decreto -Lei n.º 72/80, de 15 de Abril, aos membros do Governo, que não tenham residência permanente na cidade de Lisboa ou numa área circundante de 100 km, é concedida habitação por conta do Estado ou atribuído um subsídio de alojamento, a partir da data da sua tomada de posse.

2 — Verificados que estão os requisitos legais e nos termos do Decreto- -Lei n.º 72/80, de 15 de Abril, concedo, sob proposta do Ministro de Estado e das Finanças, a José Pedro Correia de Aguiar-Branco, Ministro da Defesa Nacional, a Miguel Bento Martins Costa Macedo e Silva, Ministro da Administração Interna, a José de Almeida Cesário, Secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, a Juvenal Silva Peneda, Secretário de Estado Adjunto do Ministro da Administração Interna, a Paulo Jorge Simões Júlio, Secretário de Estado da Administração Local e Reforma Administrativa, a Cecília Felgueiras de Meireles Graça, Secretária de Estado do Turismo, a José Daniel Rosas Campelo da Rocha, Secretário de Estado das Florestas e do Desenvolvimento Rural, a Marco António Ribeiro dos Santos Costa, Secretário de Estado da Solidariedade e da Segurança Social e a Vânia Carvalho Dias da Silva de Antas de Barros, Subsecretária de Estado Adjunta do Ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros,o subsídio de alojamento a que se refere o artigo 1.º do citado diploma legal, no montante de 75 % do valor das ajudas de custo estabelecidas para as remunerações base superiores ao nível remuneratório 18, com efeitos a partir da data da sua posse e pelo período de duração das respectivas funções.
20 de Setembro de 2011".

Mas, azares dos azares, um despacho fica registado e, uns "coscuvilheiros" da imprensa leram o "corpo do delito". Primeira páginas, um sururu dos diabos.

Para evitar males maiores, recuaram. Não pediram desculpa ao povo português pelo acto de gatunagem que estavam a praticar. Pelo contrário, ficaram indignados. Eles, na sua magnificência, estavam a cumprir a lei que eles próprios fizeram.

Não é que dois deles, logo dos principais governantes, justamente, nas áreas da Defesa e Segurança Interna, precisamente, Aguiar Branco e Miguel Macedo, que, dos departamentos governamentais que gerem nada percebem, são os principais sócios de empresas de advogados.

E continuam a ser - vícios públicos, negócios privados, tudo legal, não é?.

Pois, a realidade é que, como ministros, manejam valores elevadíssimos e "apetitosos" para as negociatas dos seus chefes capitalistas, que utilizam, justamente, os seus escritórios, onde lhe entregam uma parte dos ganhos que conseguem à custa das negociatas do Estado.

Não optaram pelo recuo de bom grado. Fizeram questão de frisar o recebiam "legalmente", como estipulavam os actos que os seus pares aprovaram tempos atrás para beneficiar os "servidores da República", que perdem "dinheiro quando são ministros".

Arrogante, Miguel Macedo fez questão de sublinhar que na segunda-feira iria renunciar ao subsídio de alojamento, para "não alimentar polémica" que lhe estava a arder o cu.

Mas, a sua desfaçatez está registada: «Por decisão pessoal minha, amanhã mesmo, vou formalizar a renúncia a este direito que a lei me dá», disse Miguel Macedo aos jornalistas em Figueira de Castelo Rodrigo, distrito da Guarda, à margem das comemorações do centenário da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários Figueirenses.

O governante disse que toma a decisão «por vontade pessoal», alegando que o direito ao alojamento «está há muito tempo previsto na lei».

É verdade, o tal "direito" foi criado por um senhor chamado Francisco Manuel Lumbrales de Sá Carneiro, então primeiro-ministro, e foi promulgado por um Presidente da República de ocasião, o general Ramalho Eanes, um tenente-coronel que ascendeu ao generalato quando deu um golpe de Estado em 25 de Novembro de 1975, do qual saiu um regime que pôs em marcha uma nova forma de governação, que veio a reconstituir o poder económico do Marcelismo, hoje, já plenamente assumido.

//Convém assinalar que este Sá Carneiro era sobrinho de um ministro de Salazar, também já falecido. O fundador do PPD, hoje PSD, esteve com o Marcelismo, pretendia uma abertura maior deste ao chamado capital liberal, tendo-se afastado daquele, mas sem participar, directamente, no 25 de Abril de 1974.

João Pinto da Costa Leite (Lumbrales), frequentemente referido por João Lumbrales, foi um professor universitário e político ligado ao Estado Novo, que exerceu diversos cargos de responsabilidade política nos governos liderados por António de Oliveira Salazar, entre os quais o de Ministro das Finanças (1940-1950) e o de presidente da Junta Central da Legião Portuguesa e da União Nacional. Foi o principal expoente da teoria corporativa fascista portuguesa. Era filho do 3.º conde de Lumbrales, daí ser muitas vezes referido como Lumbrales.

Depois do 25 de Novembro de 1975, Sá Carneiro foi o principal mentor civil do regresso do capital financeiro ao poder em Portugal//.

Mas o registo de benesses, não apenas o subsídio de renda de casa, que os detentores do poder político instalado engendraram para uso pessoal, é mais extenso e está espalhado por diversas disposições legais e sinecuras.

Não se conhecem todas, é verdade. Até, porque os fazedores de leis, também, as manipulam para ocultar os seus benesses, como as pensões vitalícias, que passam a ser secretas. Precisamente, porque, será impossível ter acesso aos nomes de quem delas beneficia.

Voltemos, todavia, ao que conhecemos. Está escrito e é público.

Sendo primeiro-ministro Mário Soares e Presidente da República Ramalho Eanes, os principais partidos do Parlamento - os partido deste podre regime - instituíram o estatuto remuneratório dos titulares de cargos públicos. O ano é de 1985. Já havia, então, também, medidas de austeridade. Claro que as vítimas eram as mesmas de sempre...Até um dia.

Cita-se, embora seja um pouco grande, para que conste. Claro que sofreu algumas modificações mas o essencial está lá:

"Lei n.º 4/85 de 9 de Abril


Estatuto remuneratório dos titulares de cargos políticos


TÍTULO I Remunerações dos titulares de cargos políticos



CAPÍTULO I Disposições gerais


Artigo 1.º Titulares de cargos políticos


1 - A presente lei regula o estatuto remuneratório dos titulares de cargos políticos.

2 - São titulares de cargos políticos, para efeitos da presente lei:
a) O Presidente da República;
b) Os membros do Governo;
c) Os deputados à Assembleia da República;
d) Os Representantes da República nas Regiões Autónomas;
e) Os membros do Conselho de Estado.

3 - São equiparados a titulares de cargos políticos para os efeitos da presente lei os juízes do Tribunal Constitucional.

Artigo 2.º Vencimentos e remunerações dos titulares de cargos políticos

1 - Os titulares de cargos políticos têm direito ao vencimento mensal, abonos para despesas de representação, ajudas de custo e demais abonos complementares ou extraordinários previstos na presente lei.

2 - Os titulares de cargos políticos têm direito a perceber um vencimento extraordinário de montante igual ao do correspondente vencimento mensal, nos meses de Junho e de Novembro de cada ano.

3 - Se o cargo político tiver sido exercido durante um ano por vários titulares, o vencimento extraordinário referido no número anterior será repartido por eles, proporcionalmente ao tempo em que exerceram funções, não se considerando períodos inferiores a 15 dias.

Artigo 3.º Ajudas de custo

1 - Nas suas deslocações oficiais fora de Lisboa, no País ou ao estrangeiro, o Presidente da República, o Presidente da Assembleia da República, o Primeiro-Ministro e os demais membros do Governo têm direito a ajudas de custo fixadas na lei.

2 - Os membros do Governo cujo departamento tenha sede fora de Lisboa têm direito a ajudas de custo nas suas deslocações oficiais fora da localização da sede.

3 - Os juízes do Tribunal Constitucional auferem as ajudas de custo previstas na lei.

4 - Os deputados à Assembleia da República auferem as ajudas de custo previstas no artigo 17.º.

5 - Os membros do Conselho de Estado auferem as ajudas de custo previstas no artigo 23.º, n.º 2.

Artigo 4.º Viaturas oficiais

1 - Têm direito a veículos para uso pessoal os titulares dos seguintes cargos políticos:
a) Presidente da República;
b) Presidente da Assembleia da República;
c) Primeiro-Ministro e Vice-Primeiros-Ministros;
d) Outros membros do Governo e entidades que por lei lhes estejam equiparadas;
e) Presidente do Tribunal Constitucional.

2 - Estes veículos serão distribuídos às entidades referidas no número anterior à razão de um para cada uma, à excepção das referidas nas alíneas a), b) e c), para as quais não existe tal limitação.

3 - À utilização das viaturas oficiais atribuídas pela presente lei aplica-se o disposto no Decreto-Lei n.º 50/78, de 28 de Março.

CAPÍTULO II Presidente da República

Artigo 5.º Remunerações do Presidente da República

O vencimento e os abonos mensais para despesas de representação do Presidente da República regem-se por lei especial.

Artigo 6.º Residência oficial

1 - O Presidente da República tem direito a residência oficial.
2 - A lei determina os edifícios públicos afectos ao Presidente da República para o exercício das suas funções, nomeadamente as de representação.

CAPÍTULO III Presidente da Assembleia da República

Artigo 7.º Remuneração do Presidente da Assembleia da República

1 - O Presidente da Assembleia da República percebe mensalmente um vencimento correspondente a 80% do vencimento do Presidente da República.

2 - O Presidente da Assembleia da República tem direito a um abono mensal para despesas de representação no valor de 40% do respectivo vencimento.

Artigo 8.º Residência oficial

1 - O Presidente da Assembleia da República tem direito a residência oficial.

2 - A lei determina os edifícios públicos afectos ao Presidente da Assembleia da República para o exercício das suas funções, nomeadamente as de representação.

CAPÍTULO IV Membros do Governo

Artigo 9.º Remunerações do Primeiro-Ministro

1 - O Primeiro-Ministro percebe mensalmente um vencimento correspondente a 75% do vencimento do Presidente da República.

2 - O Primeiro-Ministro tem direito a um abono mensal para despesas de representação no valor de 40% do respectivo vencimento.

Artigo 10.º Residência oficial

1 - O Primeiro-Ministro tem direito a residência oficial.

2 - A lei determina os edifícios públicos afectos ao Primeiro-Ministro para o exercício das suas funções, nomeadamente as de representação.

Artigo 11.º Remunerações dos Vice-Primeiros-Ministros

1 - Os Vice-Primeiros-Ministros percebem mensalmente um vencimento correspondente a 70% do vencimento do Presidente da República.

2 - Os Vice-Primeiros-Ministros têm direito a um abono mensal para despesas de representação no valor de 40% do respectivo vencimento.

Artigo 12.º Remunerações dos ministros

1 - Os ministros percebem mensalmente um vencimento correspondente a 65% do vencimento do Presidente da República.

2 - Os ministros têm direito a um abono mensal para despesas de representação no valor de 40% do respectivo vencimento.

Artigo 13.º Remunerações dos secretários de Estado

1 - Os secretários de Estado percebem mensalmente um vencimento correspondente a 60% do vencimento do Presidente da República.

2 - Os secretários de Estado têm direito a um abono mensal para despesas de representação no valor de 35% do respectivo vencimento.

Artigo 14.º Remunerações dos subsecretários de Estado

1 - Os subsecretários de Estado percebem mensalmente um vencimento correspondente a 55% do vencimento do Presidente da República.

2 - Os subsecretários de Estado têm direito a um abono mensal para despesas de representação no valor de 25% do respectivo vencimento.

CAPÍTULO V Juízes do Tribunal Constitucional

Artigo 15.º Remuneração dos juízes do Tribunal Constitucional

1 - Os juízes do Tribunal Constitucional usufruem vencimento e regalias iguais aos dos juízes do Supremo Tribunal de Justiça.

2 - O Presidente do Tribunal Constitucional tem direito a um abono para despesas de representação igual ao do Presidente do Supremo Tribunal de Justiça.

CAPÍTULO VI Deputados à Assembleia da República

Artigo 16.º Remunerações dos deputados

1 - Os deputados percebem mensalmente um vencimento correspondente a 50% do vencimento do Presidente da República.

2 - Os Vice-Presidentes da Assembleia da República e os membros do Conselho de Administração têm direito a um abono mensal para despesas de representação no montante de 25% do respectivo vencimento.

3 - Os presidentes dos grupos parlamentares e os secretários da Mesa têm direito a um abono mensal para despesas de representação no montante de 20% do respectivo vencimento.

4 - Os vice-presidentes dos grupos parlamentares que tenham um mínimo de 20 deputados têm direito a um abono para despesas de representação no montante de 15% do respectivo vencimento, havendo lugar à atribuição de idêntico abono por cada vice-presidente correspondente a mais de 20 deputados ou fracção superior a 10.

5 - Os presidentes das comissões parlamentares permanentes e os vice-secretários da Mesa têm direito a um abono mensal para despesas de representação no montante de 15% do respectivo vencimento.

6 - Os restantes deputados não referidos nos números anteriores têm direito a um abono mensal para despesas de representação no montante de 10% do respectivo vencimento desde que declarem no registo de interesses que não exercem regularmente qualquer actividade económica, remunerada ou de natureza liberal.

Artigo 17.º Ajudas de custo

1 - Os deputados que residam fora dos concelhos de Lisboa, Oeiras, Cascais, Loures, Sintra, Vila Franca de Xira, Almada, Seixal, Barreiro, Amadora e Odivelas têm direito à ajuda de custo fixada para os membros do Governo, abonada por cada dia de presença em reunião plenária, de comissões ou em outras reuniões convocadas pelo Presidente da Assembleia da República e mais dois dias por semana.

2 - Os deputados que residam nos concelhos de Lisboa, Oeiras, Cascais, Loures, Sintra, Vila Franca de Xira, Almada, Seixal, Barreiro, Amadora e Odivelas têm direito a um terço da ajuda de custo fixada no número anterior.

3 - Os deputados residentes em círculo diferente daquele por que foram eleitos têm direito, durante o funcionamento efectivo da Assembleia da República, a ajudas de custo, até dois dias por semana, nas deslocações que, para o exercício das suas funções, efectuem ao círculo por onde foram eleitos.

4 - Os deputados que, em missão da Assembleia, se desloquem para fora de Lisboa, no País ou no estrangeiro, têm direito às ajudas de custo fixadas para os membros do Governo.

Artigo 20.º Regime fiscal

As remunerações e os subsídios percebidos pelos titulares de cargos abrangidos pela presente lei estão sujeitos ao regime fiscal aplicável aos funcionários públicos.

CAPÍTULO VII Representantes da República nas Regiões Autónomas

Artigo 21.º Remunerações dos Representantes da República nas Regiões Autónomas

1 - Os Representantes da República nas Regiões Autónomas percebem mensalmente um vencimento correspondente a 65% do vencimento do Presidente da República.

2 - Os Representantes da República nas Regiões Autónomas têm direito a um abono mensal para despesas de representação no valor de 40% do respectivo vencimento.

Artigo 22.º Residência oficial

Os Representantes da República nas Regiões Autónomas têm direito a residência oficial.

CAPÍTULO VIII Membros do Conselho de Estado

Artigo 23.º Reembolso de despesas dos membros do Conselho de Estado

1 - Os membros do Conselho de Estado têm direito ao reembolso das despesas de transporte, público ou privado, que realizem no exercício ou por causa das suas funções.

2 - Os membros do Conselho de Estado têm ainda direito às ajudas de custo fixadas para os membros do Governo, abonadas pelo dia ou dias seguidos de presença em reunião do Conselho.

3 - O disposto neste artigo só é aplicável aos membros do Conselho de Estado designados pelo Presidente da República ou eleitos pela Assembleia da República.

TÍTULO II Subvenções dos titulares de cargos políticos

TÍTULO III Disposições finais e transitórias
Artigo 32.º

Nenhum deputado pode auferir outros direitos ou regalias de natureza patrimonial além dos previstos nesta lei".



Como se pode verificar os titulares de cargos políticos e equiparados recem, além dos salários, despesas de representação, ajudas de custa (basta ir a Setúbal em *viagem oficial* e empocha um dia de ajuda, que pode ronda os 1.400 a 1.000 euros). E, naturalmente, de cartão de crédito. E, certamente, creditar ao Estado os almoços, que forem tidos "em serviço".

Austeridade atinge-os? se cortarem nos salários, aumentam as ajudas de custo. Uma mão cobre a outra. Até quando?

Dois pequenos àpartes:

a) O antigo Primeiro-Ministro Santana Lopes insurge-se hoje numa crónica semanal, que publica (quanto recebe por tal?) no jornal "Sol" quanto aos perigos de "uma vaga persecutória" contra os benefícios que os titulares e ex-titulares de cargos políticos deste regime recebem. Prega, mesmo, contra "o moralismo".






Para não dizer que está a defender as sinecuras, sustenta que afirma há muito, que até pediu a "suspensão" das pensões, mas só suspensão...porque assim que decretarem o fim da crise, pode tudo voltar ao mesmo. O que é importante é que os "iluminados" devem receber o "reino dos céus". E não o inferno do subsídio de desemprego ou salário mínimo.

Claro que Santana pode estar a receber uma subvenção vitalícia e ser calhar já estará em condições de receber uma pensão por ter ocupado não sei quantos anos o cargo de deputado. Aqui são suposições, mas como não sei, posso pensar em tudo.

Mas, o que não consigo descortinar no seu artigo é uma mínima insurgência contra o roubo que está a ser cometido contra quem trabalha.






Porque um titular de um cargo político não recebe o salário mínimo, se está a exercê-lo em nome do bem público? É populismo, tal proposição?

Ele que até aceitou ser Provedor da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, mas não prescendiu de pertencer a um escritório de advogados, que, eventualmente, poderá ser solicitado para resolver casos que envolvam aquela instituição.

b) o actual Presidente da República prescindiu do seu salário (7.800 euros) como Chefe de Estado e optou pelas duas pensões estatais da ordem dos 10 mil euros.






Um boa escolha, não é. Austera? Mas certamente, acrescentada a essa opção, ainda continua a debitar as despesas de representação, as ajudas de custo e outras.






Ou estarei errado?

Ou estarei a ser populista?

domingo, 23 de outubro de 2011

VEM AÍ O OUTONO/INVERNO NORTE-AMERICANO







1 - A crise económica mundial, em particular a sua vertente petrolífera, nos finais dos anos 60, principios de 70 do século XX, com especial incidência a partir de 1973, foi o centro motor de toda uma grande movimentação reivindicativa transnacional, que se materializou, na Europa, com o afastamento do general De Gaulle da chefia de Estado francês, a queda revolucionária do fascismo em Portugal, o seu afastamento pacífico em Espanha, o derrube dos coronéis em 1974 na Grécia, entre outros.

Trouxe igualmente as derrotas monumentais aos Estados Unidos da América - e dos seus aliados ingleses, australianos e neo-zelandeses - no Vietname, Laos e Camboja.

Revoluciou, de uma maneira ou doutra, toda a América Latina, desde o Perú (Velasco Alvarado) até à Argentina (Campora e Lastiri), passando pelo Chile, de Salvador Allende.

Todavia, o relance económico capitalista que se produziu, em todo o Mundo, de maneira sucessiva, por vezes suave e quase imperceptível, após a entrada na segunda metade dos anos 70, princípios de 80 do século passado, tornou-se, pelo contrário, na chama demolidora que logrou uma crescente viragem conservadora nas orientações políticas e, esssencialmente, económicas, que vinha seguindo o capitalismo, que foi muito pouco perceptível na altura, porque pressionado, no período anterior, pelos acontecimentos de rua, permitiu, particularmente, na Europa, que caminhava para uma política de unidade económica, que trouxe alguma pujança de prosperidade, à legalização de algumas bases de benefícios sociais e políticos para as classes trabalhadoras, desde a segurança social aos contratos de trabalho.

Apesar de nos finais do século passado, se produzirem mudanças políticas, que, superficialmente, eram vistas pelos economistas liberais e sociais democratas, como sendo um processo de reviravolta, que se estava a dar na própria sociedade a nivel mundial - o que era uma falácia, ainda por cima manipuladora, estamos a referirmo-nos às quedas das ditaduras militares no Brasil (1985), Chile (1990), afastamento de Margaret Tchatcher (1990) -, a realidade é que o capitalismo, nas suas vertentes industriais e de produção nacional, estava a ser dominado e truncado pela ascensão, sem freio, de um seu sector marginal e desclassificado, onde pontificava o capital financeiro multinacional mais vil e agressivo.

Quando Margaret Tchater, no Reino Unido, e Ronald Reagan, nos Estados Unidos, ascenderam ao poder político sustentado pela tirania oligárquica parlamentar formada, no reino europeu, entre conservadores e trabalhistas, e na América do Norte, entre republicanos e conservadores, eles foram os representantes típicos, sem subterfígios e analfabetos da cáfila de banqueiors internacionais, na sua maioria judeus, que se sedeavam na City (Londres) e em Wall Street (Nova Iorque).

Foram seguidos, na mesma política, na Inglaterra, por John Major, Tony Blair e Gordon Brown, e nos Estados Unidos, George Bush (pai), Bill Clinton, Georege Bush (filho) e o actual Obama.

A colocação dos principais Estados capitalistas, inteiramente nas mãos, desse sector desclassficado da grande burguesia, os grandes financeiros, transformou, na realidade, desde há 30 anos, a política económica numa espécie de "roleta russa", que esvaziava, sem pudor, as finanças estatais a favor de empréstimos sem rei, nem roque, para se efectuar a especulação mais descarada com dinheiros públicos.

Foi, pois, desde essa data, que os desequíbrios orçamentais - não de um país, mas de todos que se interligavam na especulação financeira internacional - se acentuaram, com uma tendência crescente para obrigar a tentativas de equilíbrio entre o deve e o haver, rapando sempre do lado dos produtores assalariados (e, em menor, escala da média burguesia).

No início deste século, já era visível, e isto a partir dos EUA, quando o indice NASDAQ, ligado à alta especulação financeira na alta tecnologia e telecomunicações, com profundas ligações ao capital judeu (e em particular a Israel), estourou.



Previa-se, então, já, em termos de economia política, uma míngua financeira, que os Estados colmataram com mais impostos e mais taxas sobre os assalariados para injectar no sistema bancário e para-bancário, embora se tivesse registado, em certos sectores das classes laboriosas, uma certa melhoria salarial.

Tudo isto, apesar dos alertas, os representantes políticos da alta burguesia, então, no poder, em lugar de travar a dívida pública, optando pelo equilíbrio (dívida esta que, na realidade, era essencialmente privada, dando-lhe toda a impunidade para a injecção de dinheiro estatal à tripa forra para tapar buracos), permitiram a especulação sem limites, deixaram que a alta burguesia financeira utilizasse, sem restrições, as receitas de Estado para as jogadas e depravações monetárias e financeiras sem qualquer classificação.


Os efeitos estavam a ficar à vista ao dobrar do século, onde já se sentia o poder do dispêndio de dinheiro público, com restrições constantes dos salários e outras regalias sociais laborais. E isto, de modo evidente, na "pátria" do capitalismo puro e duro, Estados Unidos da América do Norte.

Na realidade, nos Estados Unidos, em 1990, havia 12.300 bancos, ou seja, quase o dobro do actuais, que ronda os 6.500.


Desde a crise financeira de 2008, já faliram nos EUA mais de 380 bancos comerciais.


Todos os dados são da FDIC, ou seja o organismo estatal que controla o sector.


Claro que muitos destes bancos têem capitais médios e são, na sua maioria, regionais, mas a situação é mais grave no próprio centro do financeiro.

Na prática, os "monstros" bancários como o Bank of América (injecção de 100 mil milhões de dólares) e Citigroup (injecção de 300 mil milhões de dólares foram nacionalizados ...à custa do contribuinte para não falirem.

A Administração dos EUA, e por tabela todos os Estados que se sujeitavam aos ditames económicos, políticos e ideológicos, da sua supremacia, ficaram na tutela estranguladora da alta finança internacional centrada em Wall Street, e, secundariamente na City londrina, mas intimamente ligada a ela.

Esta alta finança, sem qualquer freio e concepção estética, viveram e continuam a viver da divída norte-americana, mas também, em menor escala, da dívida europeia, União Europeia, que, nas últimas décadas, procurou efectuar um rumo próprio, ampliando o seu próprio mercado, com uma economia em cresicmento e produção própria, uma uma moeda forte, em expansão e credibilidade.

Rodeada de fraquezas, a Europa começou a ser atacada do centro financeiro em dificuldades.


Enlameada, por um lado, nas dificuldades da sua própria crise financeira e, por outro, paralisada, em parte, pelas dificuldades de falta de unidade política, de uma produção militar própria e, consequentemente, da unificação do seu Exército, como arma diplomática e de força económica castrense. Foi apanhada por uma crise de tal dimensão, que atingiu também uma componente nunca vista do ponto de vista concorrencial.


Tornou-se, assim, o alvo a abater, em primeiro lugar, nos novos rearranjos económicos e geo-estratégicos que o mundo se modificou e transformou nas três últimas décadas.

Mas é, justamente, nos EUA onde se está a produzir o maior fosso no equilíbrio orcamental do deve e haver do Estado.


É nos Estados Unidos onde a dívida mais cresceu e onde a especulação financeira está a minar com uma rapidez estonteante os próprios fundamentos da única potência, que cresceu se desenvolveu e viveu dentro apenas do sistema capitalista puro.

Nos Estados Unidos, a dívida (pública e privada) já ultrapassa a soma astronómica dos 15 biliões de euros.

Em Washington, o Tesouro (Secretário de Estado, o judeu Geithner) já distribuiu os primeiros 250 mil milhões de dólares do "bolo" de 700 mil milhões sacados (ou a sacar) aos contrinuintes
para "recapitalizar" os bancos, em nome da restabelecimento do equilíbrio. O resultado foi, praticamente, negativo, Na realidade, serviu apenas de injecção gratuita para alimentar ainda mais a especulação financeira de Wall Street.

De certo modo e em certo sentido, o Estado norte-americano, apesar da sua riqueza, está à beira da bancarrota.


Está a procurar escamotear a real profundidade da situação, criando manobras de diversão na Europa e fomentando todo o tipo de conflitos militares e económicos nas restantes parte do globo, desde o Médio-Oriente, ao norte de África, passando, principalmente pela UE.

A discusão e a apresentação de contas no próximo Orçamento Federal no final deste mês, princípio de Novembro irão colocar os holofotes em Washington.


E os seus efeitos mais evidentes irão ter lugar no sistema bancário e financeiro do país (e, igualmente, em todo o sistema financeiro ocidental).

Vão ser "atacados" alguns dos principais bancos (nos EUA, mas também na Euuropa e até na Ásia).


Possivelmente, nos EUA, no próximo ano, desaparecerão ou falirão um valor elevado, com o consequente despedimento maciço de funcionários e uma afectação brutal de brutos, que irá trazer à tona nova manobras especulativas, altamente lesivas para as classes laboriosas. O segundo país mais afectado deverá ser o Reino Unido.


Tudo isto vai afectar, além do mais, de suma maneira, os fundos de pensões dos norte-americanos e ingleses.


2 - A actual crise pode trazer uma revolução.


Como também pode engendrar uma contra-revolução muito profunda de consequências mais gravosas que a imposta na Europa, com a ascensão, nos anos 30, do capitalismo nazi-fascista e o incremento nos Estados Unidos da América de um conservadorismo estupidificante de cariz abertamente anti-comunista e anti-democrático.


O capitalismo financeiro está a trabalhar, actualmente, nesse sentido, limitando a própria democracia parlamentar, fomentando todo o tipo de conflitos, essencialmente de carácter militar, nas mais diferentes partes do mundo, minando, inclusive, os regimes parlamentares eleitos, somente, porque não se encontram em sintonia com a política imperial de Washington.


Mas, diziamos nós, a possibilidade de uma revolução é grande também, primeiro, porque está assente nas entranhas de uma crise enorníssima mundial, que abala todo o sistema capitalista, segundo, porque começam a surgir indícios - ainda que inicipientes - de movimentos e conflitos mundiais, interligados, que apontam o capitalismo como o centro do poder a abater.


Um ponto de vista a reter, nesta análise, é o facto de os movimentos contestatários, e até subversivos estarem a ter uma adesão emocional de uma parte crescente da população, e terem como centro dos mesmos a Europa capitalista mais desenvolvida, a União Europeia. Mas, ainda não se faz sentir o pulsar revolucionário em países centrais como a França e a Alemanha.


Todavia, embora todos esses movimentos sejam de impulsionar, não partilho da visão de que possa haver uma ruptura eminente, e que se caminha para uma radicalização crescente das massas trabalhadoras.


Prevejo uma luta muito dura e muito prolongada. E acima de tudo, desejo que esta perspectiva anticapitalista, que está a irromper no panorama mundial, adquira uma unidade ideológica programática.


As classes trabalhadoras dos diferentes países estão a movimentar-se sem uma teoria unificadora, que seja, deste modo, uma verdadeira ameaça.


E não vejo que está ameaça exista - e haja até vontade de a estender aos diferentes Estados em ebulição - e que seja cimentada por um novelo compressor e organizado de massas imensas de assalariados em revolta.


A actual crise veio clarificar as relações sociais de classe que se aprofundam no mundo.


O capitalismo hoje está expandido na sua plenitude praticamente em todo o planeta, mas, para mim, falta uma grande maturidade entre as classes trabalhadoras sobre as aspirações de ruptura revolucionária.


Existem condições, mesmo no meio da democracia parlamentar actual, para fazer uma agitação consistente sobre o caminho a percorrer. Exige-se mais a fazer neste campo.


Como se exige que os diferentes grupos e organizações e mesmo pessoas individualmente debatam entre si nos seus Estados e entre Estados para dar formas de reivindicações comuns a um movimento que está ávido de entrar numa única corrente que vá desaguar ao grande mar.







quinta-feira, 20 de outubro de 2011

LÌBIA: KADHAFI FOI MORTO PELA NATO
















1 - Ainda é cedo para se fazer uma análise mais ponderada sobre o que se passou na Líbia até à morte do seu chefe de Estado Muammar Kadhafi, através de um golpe de Estado engendrado, há muito, pelo Capital, nos seus centros militares e financeiros.

Não está em causa a figura e o papel de Kadhafi nos últimos 25 anos de poder, nem a sua acção nefasta sobre a evolução da sociedade líbia.



A chamada "primavera líbia" não foi um acto espontâneo de um processo revolucionário interno.


Foi um golpe de Estado, organizado, treinado e dirigido do exterior, tendo o apoio de uma parte da antiga classe dirigente, de certos sectores da intlectualidade e mesmo dos meios urbanos.

Mas, o essencial do acontecimento histórico tem de ser buscado a uma intervenção exterior, sanguinária, e sequiosa do controlo das matérias-primas.

Iremos agora assistir aos despojos e veremos se tal acontecimento histórico foi feliz e iniciador de uma nova era.

2 - A NATO, como orgânização tirânica e assassina, esteve no centro desta mudança, e foi o executor cruminoso do falecido ditador.


Foi uma intervenção de trapaça, que escamoteia uma invasão de um país soberano, dirigido por oficiais ocidentais, disfarçados e com armamento ocidental, aliás visível nas projecções de televisão, sempre ocidentais, que nos foram dados a conhecer.

3 - Com a morte de Khadafi, naturalmente, algo irá ter de mudar, até porque o poder de Estado se fragmentou.


Todavia, o que parece ter sido derrubado não foi apenas um tirano e a sua tirania, mas sim um poder que não estava em sintonia com os ditames, em primeiro lugar, dos Estados Unidos, e em segundo lugar, com a Europa, que não se queria ver ultrapassada por Washington, que lhe quer franquear as portas ao crude para asfixiar ainda mais as tentativas de criar uma União Europeia política.

Pode ser que este período, que se vai seguir, possa ser aproveitado pela própria sociedade interna para conquistar um novo conceito e conteúdo e impulsionar uma nova forma de Estado que traga mais amargos de boca aos insolentes e assassinos democratas ocidentais.

Estaremos aqui para ver.