sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

4 DE FEVEREIRO: AS LOAS ACTUAIS DOS NACIONALISTAS AOS REGIMES CAPITALISTAS *ULTRAMARINOS*




O Presidente da República do antigo regime, almirante Américo Tomás, numa vista "guiada" às antigas colónias








Três imagens de Angola nos últimos 30 anos: o remeço da circulação do caminho de ferro de Benguela; o Huambo actual e durante a guerra civil








1 - No próximo dia 4 de Fevereiro, vão comemorar-se 51 anos do que se convencionou chamar início da guerra colonial nas antigos território ultramarinos portugueses.


Curiosamente, são poucas, hoje, as vozes, pelo menos à boca cheia, que vociferam contra a entrega "sem vergonha" das antigas províncias ultramarinas, contra a "descolonização desastrada", contra esses "vende-pátrias", como fazia, ainda há poucos meses, esse estadista bem comportado e arregimentado pelos esconsos lugares de depravação, como é o caso do actual Ministro dos Negócios Estrangeiros.


Os escuriços de algumas dezenas de anos atrás são, agora, os verdadeiros desbravadores da acumulação primitiva que a era capitalista fez penetrar, verdadeiramente, nos últimos 20 anos, logo transformaram-se, finalmente, em parceiros.


Na realidade, aqueles arautos de antanho, que não é, aliás, de muito antanho, descobriram agora que o seu nacionalismo de pacotilha, se esborou, porque os que alcançaram a independência e são hoje os impulsionadores dos novos regimes capitalistas naqueles novos países, ensinaram-lhe, em pouco tempo, - e eles aprenderam também - que a presença colonial, não era somente posse de terras e de dinheiro, mesmo até introdução de algumas máquinas e outros meios produtivos, mas, essencialmente, uma "artimanha económica" que é a introdução do salariado, em larga escala no espaço nacional.

Com efeito, a passagem da ordem económica feudal ou quase feudal, que existia nas ex-colónias, em 1974, numas mais, noutras menos (Angola estava a ser um cadinho nessa transformação, mas fora a guerra o seu motor!) , para a ordem económica capitalista, que, actualmente, está a ser dominante nas antigas colónias está a ser obra, pela violência (a corrupção, o despotismo, a intervenção brutal do poder de Estado), da nova classe capitalista, que emergiu nos destroços dos laivos de um pseudo-socialismo, que não era, nada mais, nada menos, que da iniciação do presente "liberalismo económico", mas então germinava sob a forma de capitalismo de Estado.


Ou seja, a força, que os tais "nacionalistas" do Império defendiam e praticavam no período anterior ao 25 de Abril, sem conseguirem subverter o sistema económico, porque nunca conseguiram descortinar o que era necessário para pôr em marcha um novo modo de produção, foi feito, em marchas forçadas, desde os anos 90 por essas novas classes. 


E fizeram-no, realmente, pela força. 


Ora, esta está a ser o verdadeiro motor transformador da velha sociedade feudal-gentílica nessas colónias. 


O que significa, para a economia política, que essa força, colocada na verdadeira concepção de transformação social, é um agente económico. 


Até os "nacionalistas de pacotilha" do velho Império aplaudem, agora, com as garras de velhas raposas cheirosas de negócios fáceis.
  
2 - Os dirigentes de Lisboa do colonialismo português do anterior regime nunca tiveram uma perspectiva de transformar as sociedades dessas colónias.


Para eles, esses territórios africanos eram uma coutada, que servia, primeiro, como área de retirada de recursos naturais, e em lugar secundário, como processo de escoamento de algumas matérias transformadas, bem como lugares de degredo, e de uma colonização incipiente, baseada na formação de comunidades brancas auto-suficientes, que viviam ou sobreviviam, essencialmente, com o seu próprio trabalho, e uma exploração desenfreada, sem dó, nem piedade, em regime de escravatura dos autóctones negros, que deu origem as primeiras grandes revoltas.


Alguns colonos capitalistas, que procuraram modificar este estado de coisas, nunca se sentiram apoiados pela chamada "Metrópole" para empreender essa via, que, aliás, era vista e sentida, em Lisboa como "atitudes autonomistas e até separatistas". 


E reprimidos, normalmente, com afastamentos para fora da colónia, ou até com prisões.





A baía de Luanda na actualidade


3 - Mas, seria o colonialismo português um conceito e uma prática apenas dos velhos mentores e defensores do Regime do Estado Novo? 


Em escalas diferentes, por vezes até com argumentações diversificadas, monárquicos, situacionistas pró- Estado Novo, oposicionistas republicanos, socialistas e até o PCP estiveram irmanados, praticamente, até ao início da revolta colonial (e ela não começou, realmente, com a questão angolana, mas com o chamado Estado da Índia, nos anos 50 do século XX, na defesa do Portugal "pluricontinental").


A "extrema-esquerda da República", como se intitulava o grupo da revista "Seara Nova", onde pontificavam António Sérgio, Jaime Cortesão, Aquilino Ribeiro, entre outros,  mantiveram, desde a sua fundação até, pelo menos, a segunda metade do século XX uma linha constante e consistente de defesa da política colonial.


Já na década de 60, em plena guerra em desenvolvimento, os antigos republicanos, muito próximos do velho socialismo social-democrata, como Cunhal Leal, oposicionista de Salazar, defendia na sua obra "Coisas do Tempo Presente - o colonialismo dos anti-colonialistas: "É preferível, mil vezes preferível, o nosso colonialismo, honrado e progressivo, ao colonialismo de certos anti-colonialistas, em especial aos da Rússia, com os seus campos de concentração e de trabalho forçado e com milhões de vítimas, e ao dos Estados Unidos da América, com o seu colonialismo interno".


O PCP, nascido em 1921, esteve em vias de incluir no seu primeiro programa o desprezo total pelo movimento anti-colonial, preconizando o informe inicial do Comité Central "a venda" das colónias aos ingleses. 


Só a intervenção forçada do delegado da IC, Humbert Droz, levou aquele organismo a abandonar a sua pretensão.


Praticamente, ate à segunda metade dos anos 50, a questão colonial esteve arredada do programa partidário daquele partido.


No I Congresso, segundo o jornal Avante de Novembro de 1943, o informe do seu principal dirigente, um jovem estudante em ascensão chamado Álvaro Cunhal, que usava um pseudónimo (Duarte) estava, justamente, intitulado, "Unidade da Nação Portuguesa na Luta pelo Pão, pela Liberdade e pela Independência". 


Defendia Cunhal que o PCP deveria encabeçar uma "luta nacional contra o fascismo", enquadrando este "nacional" os territórios do Minho a Timor-Leste.


Em 1946, o PCP efectua o seu II Congresso, sendo o relator o mesmo Álvaro Cunhal, agora personalidade mais solidificada na liderança daquele partido, sublinhando que o seu papel é o de "unir e reconciliar", sustentando ainda que deveria ser formado um "Conselho Nacional na amplitude do Movimento de Unidade Nacional", incluindo "republicanos, monárquicos, militares, anarco-sindicalistas, nacional-sindicalistas". 


E assinala o "Avante" que se referiu "à unidade com os católicos como o passo mais decisivo que falta dar na criação dum amplo movimento de unidade nacional".


Toda esta política táctica, insere-a Álvaro Cunhal no projecto de uma "unidade da Nação para a conquista da Democracia". 


Destacou que a luta contra "a opressão colonial" apenas deveria ser defendida uma "outra política" na gestão corrente das possessões do Ultramar.


Este projecto de "Unidade da Nação" está subjacente na questão de Goa, ocorrida em 1947, quando movimentos separatistas surgem naquela antiga colónia. 


O Jornal "Avante" culpa "O Salazarismo" de afastar "Goa de Portugal". 


Vejamos o argumento rebuscado em toda a sua sequência: "pela sua política antidemocrática e de opressão colonial, o governo salazarista está cavando um irremediável abismo entre Portugal e os povos coloniais".


Curioso é o elogio do mesmo jornal à morte de Paiva Couceiro, um monárquico convicto e colonialista ferrenho, com notícia central de primeira página. 


Eis o título "PAIVA COUCEIRO; inimigo do fascismo", e corpo central da notícia: "As ideias e a acção de Paiva Couceiro nada tinham que ver com as nossas, de comunistas. Mas um ponto comum nos unia: a luta pela defesa da independência e liberdade de Portugal, a luta contra o governo fascista de traição aos interesses do povo e da nação portuguesa". (sublinhando meu). 


Hoje sabe-se que, desde 1952, havia divergências entre a orientação da direcção do PCP e os "jovens coloniais" que nele militavam ou estavam próximos ( o angolano Lúcio Lara e a moçambicana Noémia de Sousa chegaram a participar em reuniões da cúpula daquele partido).


Estas divergências devem ter contribuído para que, em 1957, apenas no seu V Congresso, o PCP tivesse inserido no seu programa o direito à independência das colónias portuguesas.


Mas, o rumo da sua política estava centrado na busca da unidade nacional. 


De certo modo, a grande clarificação dá-se com o início da própria guerra, onde a questão colonial se tornou um dos pontos centrais das divergência surgidas em 1961 no Comité Executivo e levaram à primeira grande cisão "pela esquerda".


É também a guerra, já na parte final, que obriga o recém formado Partido Socialista, em 1973, a defender idêntica posição, precisamente, num comunicado conjunto com o PCP.



quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

UM CERTO COMUNISTA ESPADA...





1 - Nos idos anos de 1974, seu final, ou, em 1975, conheci um jovem, que os seus "bajuladores" e seguidores, que enxameavam, como papagueadores letrados, os grupos marxistas-leninistas, que vieram, a constituir, primeiro, a União Democrático Popular (UDP) e, mais tarde, o PC(R), Partido Comunista (Reconstruído) -  o mentor daquela que nasceu depois (mas isso é outra História...) -, chamava-de João Carlos Espada, e era erigido, nos seus 19 anos, como um dos suprassumos teóricos do partido nascente.


Consideravam-se, esses papagueadores, altos oficiais-generais, armados em pretensos ilustrados letrados, frequentadores de universidades, julgando-se sabedores do "marxismo" empacotado em manuais, construídos na antiga URSS pelos promotores do stalinismo, com os títulos sonantes de "marxismo-leninismo".


Quando perguntei de onde vinha o rapaz, disseram-me que "tivera de passar à clandestinidade, pelo papel que desempenhou no movimento associativo estudantil liceal", e se tornara num dos dirigentes do marxismo-leninismo em Portugal. Ri-me para dentro...


O Espada foi, realmente, um dos impulsionadores carreiristas na nova estrutura que se formava, e era um dos "teóricos" em ascensão, para a qual contribuiu a influência do brasileiro, seu padrinho, Diógenes Arruda, já falecido, o número dois da principal organização marxista-leninista, fora do poder, do mundo ocidental, o Partido Comunista do Brasil (PC do B), que hoje integra o governo de Dilma Roussef, como participou no de Lula da Silva. 


(Ao registar este facto, como mais à frente irei comentar, reconheço, no entanto, que a ruptura, ocorrida no início dos anos 60, primeiro no Comité Executivo do PCP, e depois, em várias estruturas e militantes dispersos, foi uma tentativa séria de impulsionar o movimento revolucionário em Portugal, enquistado pela atrofia reaccionária que provinha da degenerescência da Revolução Soviética de 1917. 


Só que esta tentativa, do ponto de vista filosófico e de economia política, ficou pelo meio-termo, pois não extraiu lições da derrota daquela Revolução ao abraçar o "maoismo" acriticamente, sem discernir que era um versão, em projecto político, idêntica à original).


O rapaz comunista Espada ascendeu ao Secretariado do PC(R) e foi escolhido para ser o director do jornal "Voz do Povo", onde eram simples aprendizes, dedicados e calados militantes, alguns dos mais importantes profissionais que se multiplicaram, mais tarde, pelos mais importantes órgãos de comunicação social, desde as televisões até aos jornais, renegando, de uma penada, todo o seu passado de actividade revolucionária.


2- Tive contactos mais próximos como o João Carlos Espada, precisamente, quando ele era director do jornal "Voz do Povo", e eu como jornalista, responsável partidário pelo sector profissional nacionalizado e privado (jornalistas, revisores e gráficos, ligados à imprensa escrita, falada e televisiva) - e isto já nos finais dos anos 70-, fui chamado à Comissão de Agitação e Propaganda do CC, e vim a saber, de chofre, no meio de uma confusão de divergências que existiam no órgão dirigente, que o rapaz estava com "uma profunda depressão", que o impedia de efectuar as tarefas.


Com o desenrolar das conversas, percebi que o Arruda já saíra de Portugal e o Espada tinha arranjado umas divergências, defendendo uma "uma via" para a acção do PC(R) e da UDP, preconizando "a ampla unidade da esquerda". Disse para comigo, este está a arranjar um pretexto para "arrumar as botas" e entrar nos carris da "normalidade burguesa".

Ele batia, no entanto, no peito e jurava a sua fidelidade eterna ao comunismo.


Como eu estava, numa fase de "ostracização" pela organização, pois defendia que a política do PCP e do PC(R) era, em tudo semelhante, e a experiência, na minha opinião, aconselhava a de analisar todo o percurso do chamado Movimento Comunista, desde a Revolução de Outubro de 1917, pois os projectos dos PC da URSS, da China e da Albânia eram os mesmos, algo estaria errado - assim o pensava e assim o penso - desde a consolidação do regime m-l na antiga União Soviética. 


Fui afastado dos cargos e contra mim foi desencadeado um processo político pelos núcleo dirigente de então que não ficou a dever nada aos métodos da PIDE.


Tempos depois, soube que esse grupo, onde pontificava o Espada, rompera com o PC (R) e organizara um grupo chamado Movimento Comunista, e continuava a jurar a sua fidelidade aos mesmos princípios. 


Neste intermédio, faleceu, já no Brasil, Diógenes Arruda e o João Carlos Espada fez questão de ir à sede do PC (R) apresentar condolências ao partido de onde saíra, em nome dos seus ideais comunistas.


3 - Abandonei o PC (R) nos princípios dos anos 80, pouco depois de a UDP se ter aliado ao PCP, transformando-se num "satélite" daquele partido. Vingaram dentro do PC (R) as teses que Espada e outros defendiam. 


Segui a minha vida profissional e fui ler, então, com tempo e atenção, os clássicos do pensamento revolucionário. 


Na realidade, havia uma desfasamento abismal entre esse pensamento e os manuais stalinistas, erigidos em doutrina universal de um pretenso marxismo do século XX, chamado leninismo.


Entretanto, fui verificando que os papagueadores da ortodoxia iam-se instalando nos partidos "burgueses", como dirigentes e deputados de topo, banqueiros, administradores de empresas,  públicas e privadas, altos quadros das universidades e da vida social.


João Carlos Espada foi um deles. Fundou e pertenceu a um chamado Clube Liberal, uma experiência "centrista", para zarpar para novas posições ideológicas.



Hoje, João Carlos Mosqueiro Mendes Espada (nascido em 1995) é "reputado" professor universitário português.


Na sua biografia é apresentado como director do Instituto de Estudos Políticos - Universidade Católica Portuguesa, Professor Associado da Faculdade de Ciências Humanas e Professor Convidado da Faculdade de Ciências Económicas e Empresariais daquela Universidade.


É doutorado em Ciência Política na Universidade de Oxford (1990-94), onde foi orientado por Ralf Dahrendorf. Foi ainda Professor Visitante nas universidades de Brown (1994-96), Stanford (1996) e Georgetown (2000), além de Visiting Scholar no Americam Enterprise Institute dor Public Policy Reserarch (2004) e Senior Associate Member do ST Antony`s Collegge, em Oxford (2005).


- Como se refere, os nomes estão em inglês, na biografia


Foi, ainda, presidente da Associação Portuguesa de Ciência Política (2002-2006).


É consultor para os Assuntos Políticos do Presidente da República, Cavaco Silva (desde 2006), depois de ter exercido funções semelhantes junto do Presidente Mário Soares (1986-91).


É editor da revista quadrimestral Nova Cidadania (desde 2007).


É colunista em vários jornais.


(Realmente muito ocupado!!!)

4 - Traçado o roteiro, vamos à polémica e razão deste artigo.


No dia 23 de Janeiro de 2012, nas páginas do jornal "Público", João Carlos Espada defende que a reforma laboral (que o recente acordo firmado entre o Governo e o patronato, com a conivência oportuna e sempre presente, em casos idênticos, da liderança da UGT, veio *legalizar*) "é um passo importante na direcção de mais e melhores empregos para o maior número de pessoas".

 Esse acordo sentencia Espada: 

"É, em minha opinião, um acordo notável que abre caminho à superação de um dos principais entraves ao crescimento económico.

Neste aspecto, merece particular elogio a atitude da UGT: não fez caso da retórica comunista da CGTP e assinou o acordo. E fez muito bem, porque uma legislação laboral rígida não serve os trabalhadores.

Este talvez seja o ponto que urge clarificar. Mesmo vozes moderadas vieram dizer que o acordo é muito desequilibrado a favor do patronato. Mas esse é um equívoco intelectual que vale a pena discutir.

Em clima de concorrência, o interesse de uma empresa é basicamente comum a trabalhadores e accionistas".

Quando era apologista de Marx e de Engels, e eles hoje mantêm toda a sua actualidade, aqueles filósofos e pensadores  alemães, argumentando contra os que davam loas ao "interesse" comum entre assalariados e accionistas,  Espada esgrimiria que as relações entre preços e salários são dominadas pelo lucro ou Capital. 

Logo, não existe qualquer tipo de interesse entre sectores antagónicos. Eles estão, na empresa, tal como dois exércitos em campo de batalha, e Karl Marx enfatizava: "a questão resolve-se com a ascensão do poder de um ou de outro combatente".

Ora, agora, citando o ponto de vista de Frederic Engels, este frente-a-frente tem como ponto comum a violência - mesmo que não seja mortal. 

Ora, é violência dos assalariados que faz aumentar o valor dos salários e baixar o dos lucros: neste sentido, essa violência e´, também ela, um factor económico.

Temos, pois, que com o acordo, quem venceu, violentamente, foi o patronato, e uma mudança de situação só será possível, se a força assalariada, fizer inverter a situação "no campo da batalha".

E, se tal acontecer, então o novo "acordo é que será notável".


terça-feira, 24 de janeiro de 2012

EUA: A VORAGEM MILITARISTA E A SUA DESTRUIÇÃO




1 - Os Estados Unidos da América pensam e agem, como se mandassem no mundo: engendram e inventam, cada vez mais armas de destruição maciça, mas consideram que só eles podem utilizar as armas, pois, para eles, o mundo é uma coutada dos seus magnatas.





O militarismo entranhou-se na sociedade norte-americana











Podem pensá-lo, podem até sustentar, com argumentos históricos , que a humanidade - onde eles surgiram há apenas 200 anos!!! - necessita de meios e métodos animalescos para sair dos tempos da bruma barbárica, que é a actual, na cabeça distorcida do capitalismo financeiro dos lumpen judeus que o manipulam. 

O que eles manifestam hoje - o seu poder militar, que é real - já não representa o capitalismo de há 30 anos. 

Nos dias de agora, deu-se uma evolução económica internacional, e os centros de poder estão a reorganizar-se.

Os EUA estão a opor-se a esta evolução económica, com a percepção falaciosa que detêm a supremacia total no poder castrense. 

É um engano. 

Este poder é, em termos económicos, apenas puro militarismo, e este ao apoderar-se do domínio do próprio Estado, carcome as suas entranhas e é parte activa na sua destruição. A produção industrial interna passou para plano secundário, o que é sintoma de grave doença em economia.

E, a parte mais substancial deste desnorte está ligada a uma questão que foge aos interesses da oligarquia ianque: a supremacia produtiva económica, que julgavam ser da sua exclusiva preponderância, está a implantar-se em várias partes do mundo, como forma concorrencial imparável, com um sistema financeiro débil, implantado nos Estados Unidos. 

2 - O Irão, a Líbia, a Síria, ou a Coreia do Norte, porque não "vibram" pelo sistema norte-americano, não podem construir arsenais nucleares, mas os EUA podem ampliá-lo, sofisticá-lo, e, até utilizá-lo, em qualquer parte do mundo, onde, em nome da doutrina imperial nazi do "espaço vital" nacional, tal é considerado como justo e endeusado pela cáfila de vassalos europeus e outros de igual calibre.

Para memória futura, que convém não esquecer, na presente conjuntura, os EUA foram o único país, no Mundo, até agora, que lançou bombas atómicas sobre população civil de um país, neste caso, o Japão, com o cínico argumento de acabar uma guerra. 

Aconteceu, em 1945, em Nagasáqui e Hiroshima, num Japão moribundo. Mais de 400.ooo mortos e muitos mais milhares de civis feridos e estropiados. 

Somente, porque em causa estava o seu conceito de "espaço vital" face à então União Soviética.

Em 2009, com parangonas da grande imprensa norte-americana, controlada pelo capital financeiro de Wall Street, o governo de Washington (eles chamam-lhe Administração), divulgaram - com fortes títulos, e pela primeira vez -  o tamanho, do que diziam ser,  o seu arsenal nuclear: 5.113 ogivas operacionalmente mobilizadas, mantidas na reserva activa ou armazenadas de forma inactiva.

Segundo os dados divulgados pelo Pentágono, o arsenal nuclear do país chegou a 31.225 ogivas no ano de 1967, e desde então foi reduzido em 84 por cento.

Pura mentira. Apenas manobra propagandística.

Primeiro, não sabemos o que se passa, realmente, de forma independente, com a quantidade e a qualidade do arsenal norte-americano. A Administração não permite que tal seja verificado.

Segundo,  documentos oficiais norte-americanos, divulgados pelo portal Wikileaks, em 2010, referem, expressamente, a trapaça dos militaristas de Washingtion.

Retiramos do que foi divulgado:

"Documentos diplomáticos norte-americanos transmitidos pelo site WikiLeaks nesta semana revelaram que os Estados Unidos ainda mantêm um arsenal de armas nucleares tácticas da época da Guerra Fria na Europa, além de sua localização detalhada. 

A NATO (Organização do Tratado do Atlântico Norte) condenou a divulgação como "irresponsável e perigosa", mas não confirmou directamente a existência das armas.

"Segundo os telegramas diplomáticos, a maioria das bombas nucleares tácticas dos EUA estão na Bélgica, Alemanha, Holanda e Turquia. 

"Apesar da suspeita sempre ter existido, a NATO e outros governos se recusavam a confirmar formalmente a existência das armas. 

A lista inclui ainda a Itália e o Reino Unido, países não citados nos documentos do WikiLeaks.

As armas nucleares tácticas, ou não estratégicas, são normalmente de curto-alcance e incluem mísseis terra-terra com alcance de menos de 500 km e armas lançadas do ar ou do mar com alcance de menos de 600 km. 

"As armas estratégicas compreendem bombas com potencial para destruição em massa. 

"Especialistas ressaltam que as armas tácticas podem ser mais perigosas que as estratégicas, já que são menores e mais vulneráveis a roubo".
O arsenal nuclear dos EUA é desconhecido

3 - Quem empola todos os anos o seu Orçamento castrense não está em pensar em desarmamento, mas em guerra e violência.

Quem mantém e procura alargar a sua presença militar em várias partes do Mundo, com milhares de bases e grupo de combate móveis sediados, normalmente, em unidades navais, não pretende acabar com o militarismo. Pelo contrário, fomenta-o e procura, até impô-lo a outros Estados. É, precisamente, o caso dos EUA:

Vamos, portanto, falar em economia.

O orçamento da defesa dos EUA foi estimado para o ano de 2009 como sendo de 786 mil milhões de dólares, incluindo, nestes, as despesas militares propriamente ditas, a chamada defesa anti-terrorismo, logística, recursos humanos e espionagem. 

Os gastos com as forças armadas foram estimados em 583 mil milhões.
   
No ano fiscal de 2010 , o Orçamento base do Departamento de Defesa era de  533,8 mil milhões. 

Com o acréscimo das chamadas "operações  ultramarinas", este valor subiu para 663,8 mil milhões.

Quando o orçamento foi aprovado atingia  o valor de 680 mil milhões.

Ao fazer uma apreciação mais detalhada do Orçamento, verificou-se que haviam verbas dotadas à defesa mas contabilizadas fora do Departamento de Defesa. Foram avaliadas entre os 216 e 361 mil milhões como despesas adicionais.

Elevou-se assim o total das despesas com a Defesa para valores que se situam entre os 880 mil milhões e 1,03 biliões de dólares no ano fiscal de 2010.






Orçamentos oficiais da Defesa dos EUA, sem contabilização de outros departamentos





Deste modo, temos de constatar, sem grandes resistências, que uma despesa castrense deste teor, além de colocar os EUA, como o maior fomentador da corrida armamentista, como o único país a açambarcar, em gastos castrenses, a quase totalidade dos restantes países. 


Ora, estes acréscimos não são para fabricar simples espingardas...

As Forças Armadas norte-americanas começaram a tornar-se, desde há cerca de 50 anos, como o objectivo principal do próprio Estado. 

Podem sofrer desastres tremendos, como sucedeu no Vietname e, em grau menor, na Coreia, e nos dias de hoje no Iraque e no Afeganistão. 

Mas, a voragem militarista penetrou em todos os poros da sociedade: somente existe nos tempos actuais para incrementar o poder militar. 

Ora, este militarismo está a devorar os Estados Unidos. É, quer queiramos, quer não, um sintoma da sua própria decadência.

Os seus economistas estão a tomar atenção a esta vertente.

Cito o caso do economista Robert DeGrasse Jr, que escreveu o livro a "Máquina da Guerra": “Sem que muita gente desse conta, criou-se nos Estados Unidos o que eu apelido de ‘classe guerreira’, formada por milhões de famílias economicamente dependentes dos gastos do governo com armas.“

E a terminar as palavras de outro catedrático: "A máquina de guerra americana cresceu tanto que está dominando a economia, influenciando a sociedade e, certamente, moldando a maneira como a actual geração de americanos encara a vida", escreveu Joseph Nye Jr., professor da Universidade Harvard e autor do livro The Paradox of American Power (O Paradoxo do Poder Americano). 


domingo, 8 de janeiro de 2012

MAÇONARIA: UM LONGO BRAÇO QUE A IGREJA TAMBÉM ABRAÇA







1 - As recentes denúncias da existência, no interior do Estado português, de estruturas organizadas, de índole secreto-conspirativa civil, sob o nome de lojas maçónicas, ou de feição religiosa católica, com o nome de Opus Dei,  Ordem de Malta, Carismáticos,  Jesuítas (Papa Negro),  entre outros, deveriam "alertaram-nos" para o que, realmente, está a ser feito, em termos práticos, na subversão do próprio Estado.


Não é um fenómeno novo, nem na História de Portugal, nem na História Mundial.


Quando sublinho subversão do próprio Estado, não estou a falar em avanço civilizacional, mas em retrocesso político, económico e social.


Os filisteus que se constituem em promotores e defensores deste tipo de estruturas, e defendem o seu secretismo a todo o custo, em nome da defesa da liberdade de organização, estão a ser, isso mesmo, filisteus, mas, acima de tudo, cínicos e apologistas do obscurantismo "político", embora erijam a sua participação nessas organizações em nome do bem, da filantropia e do progresso da humanidade.


Não é que seja crime formar tais entidades, o crime está em constituí-las para prosseguir fins mafiosos para benefício próprio, objectivo este enquadrado em teias de influências perniciosas, de conquistas capciosas de mordomias, lugares de supremacia social e económica ilegais e irregulares, em detrimento de um harmonioso estatuto de carreiras e hierarquias de progresso, formação de *núcleos* de poder fechados e reaccionários.


Na realidade, certas instituições, em determinada época histórica, tiveram um papel que serviram para incrementar um salto societário, - e como tal eram atacadas pelos poderes vigentes, daí a sua salvaguarda clandestina ou fechada, como aconteceu, justamente, com a maçonaria, nos séculos XVII, XVIII e XIX, mas a sua missão, na actualidade, é retrógrada, porque se mantêm para perpetuar o modelo de sistema económico e político, que ajudaram a desabrochar e implantar, mas, que, no presente, está contra o progresso da civilização. 


De igual modo, o cristianismo foi um perigoso partido subversivo - que actuou clandestinamente em certa época - há quase 1.900 anos, quando alastrou por todo o Império romano, pondo em causa que o poder do Imperador fosse a única vontade e inquestionável.


Cumpriu, todavia, o seu papel histórico, como fonte de progresso, ao atingir o próprio poder, e se ter tornado, ele próprio como religião de Estado e estrutura máxima de governo, um instrumento de retrocesso, em tudo o que ficou depois do desmembramento imperial.





2 - A questão é que estas instituições e estruturas no presente não desempenham um papel retrógrado apenas no domínio da ideologia, e isso não trazia mal ao mundo, mas, essencialmente, constituem formas organizativas que visam, na prática, fazer regredir o caminho da modernidade pela acção nefasta da repressão económica e política. 


Quer as entidades maçónicas, quer as instituições de "clan" religioso (católico ou de outras confissões) estruturam-se para obterem o domínio da economia, da sociedade, da política, do próprio Estado. 


Merecem ser investigadas e escrutinadas pelo Estado, que se diz democrático. 


Aquele não pode emitir apenas juízos de valor de lamento, mas devassá-las como "organismos infecciosos" que o estão a minar.


Quer as instituições de poder judicial, quer legislativo do Estado tem a obrigação de as inquirir e verificar a extensão dos prejuízos que estão a causar. 


Até porque, na realidade, quer as civis, quer os "clans" religiosos, se intercruzam nos prosseguimentos de um objectivo comum.





3 - Como atrás referi este "modelo" português de subversão reaccionária é uma importação - em termos nacionais, naturalmente, sem as implicações económicas e políticas, de outra grandeza - do que sucedeu em Itália, há 30 anos, e, em grande medida em toda a Europa, EUA, e América Latina, porque as ramificações investigadas apontaram para isso. 


No caso concreto, estou a referenciar, justamente, o que foi descoberto no início dos anos 80, com a Loja Maçónica Propaganda Due (Propaganda Dois).


A P-2 era uma ramificação da Loja P-1, ambas pertencentes ao Grande Oriente de Itália (GOI).


A imagem inicial da P-2 (que os seus promotores pretendiam divulgar como tal) era a de uma pacata estrutura, que se dedicava a promover obras de caridade e de filantropia. 


Medrou, alastrou e imiscuiu-se em todas as esferas da vida social de Itália, até 1981, dentro desta obscena retórica de honestidade. 


E, continuou, noutras condições, até aos dias de hoje. (Alguns dos maçons da P-2 estão no centro do poder económico e político, como Silvio Berlusconi).


Embora já houvessem certos indícios de que a P-2 actuava fora do âmbito estritamente filantrópico e cultural desde os anos 60, o certo é que as pequenas notícias - nos anos 70 escreveu-se que encobria o tráfico de armas, por exemplo - eram dissipadas pela força do poder da própria Loja sobre os meios de comunicação social. 


Somente, em 1981, se tornou foco de notícias, imparável, pela evidência, quando se deu a incriminação do banqueiro ítalo-norte-americano Michele Síndona nas negociatas ilegais e corruptas do Banco Ambrosiano, a principal instituição bancária comercial de Itália, pertença exclusiva da Igreja Católica Romana, sediada no Vaticano.


(Sindona era, então, um dos dirigentes principais da P-2. 


Foi preso dos Estados Unidos da América, quando fez falir fraudulentamente a instituição bancária que liderava, o Franklim Bank, e se descobriu que o mesmo era um "entreposto" para fazer branqueamento de dinheiro da Máfia, a que ele, também, pertencia).


O que se soube depois sobre o papel dessa Loja proveio de investigações judiciais e jornalísticas e da comissão de investigação parlamentar italiana, que foi liderada pela deputada Tina Anselmi, da Democracia Cristã.


A principal conclusão desta ultima comissão é que a Loja P-2 actuava "secretamente" para actual sobre os negócios e a política do país para destruir a ordem constitucional existente e impor um regime musculado de poder, em que a segurança e a militarização teriam supremacia. 


Este programa constava de um documento da Loja, na posse de Lício Gelli, o seu venerável e impulsionador, intitulado "Piano di Rinascita Democrática" (Plano de Renascimento Democrático), cujas intenções precisas eram: criação de uma nova elite política e económica para levar a Itália na direcção de uma nova forma de democracia, mais autoritária e anti-comunista.


Ora, Sindona era conselheiro económico do Papa Paulo VI e outro dos mais influentes banqueiros do Vaticano, o conde Umberto Ortolani, que foi Grão-Mestre da Ordem de Malta, era o número dois da P-2. 


O Grão-Mestre desta Loja chamava-se Licio Gelli e tinha íntimas ligações de negócios  com Roberto Calvi, Presidente do Conselho de Administração do Banco Ambrosiano, que era, igualmente um dos quatro líderes da mesma  instituição maçónica.


A loja, que seria diminuta no início dos anos 60, veio a atingir uma dimensão, que as investigações consideraram "foram do comum" pela composição e papel desempenhado pelos membros: 


Em Março de 1981, na magnífico palacete de Gelli, em Arezzo, foi descoberto, pela polícia, um dossiê com cerca de mil nomes - mais precisamente, 953 nomes, divididos por 17 "irmandades", cada qual com um líder.


(Segundo a investigação, outros mil membros não foram decifrados).


Da lista divulgada - a outra nunca foi conhecida publicamente -  estavam inscritos três membros do executivo então no poder (primeiro-ministro Arnaldo Forlani, que se demitiu), incluindo o da Justiça Adolfo Sarti.


Foram referenciados, no relatório parlamentar, vários ex-primeiro-ministros, o mais conhecido Giullio Andreotti, ainda vivo e condenado a 24 anos de prisão, que não cumpre, por ter sido, inesperadamente, nomeado, em 1992, senador vitalício, 43 parlamentares, 54 altos funcionários da Administração Central do Estado, 183 oficiais - 38 generais e almirantes - das Forças Armadas (Marinha, Exército e Força Aérea, incluindo o Chefe do Estado-Maoir General almirante Giovanni Torrisi), 19 juízes, dezenas de advogados, magistrados do Ministério Público, oficiais dos "carabiniere", comandantes da Polícia, os mais importantes banqueiros, proprietários de jornais e responsáveis da televisão, bem como editores e jornalistas, incluindo o director do jornal Il Corriere Della Sera, 58 professores universitários, líderes dos principais partidos do poder (Democracia Cristã, Socialista, Social Democrata e os directores-gerais das três principais estruturas de serviços secretos do país. 


Constavam igualmente altos hierarcas da Igreja, como os cardeais Jean Villot, Agostino Casarolli e o arcebispo Paul Markincus.


A P-2, aparentemente, foi desmantelada, digo aparentemente, porque muitos dos seus inscritos continuam, nos dias de hoje, a ter papel preponderante nos negócios e na vida política de Itália. 


Bem como os negócios do Vaticano correm de plena feição no interior do Estado italiano e no mundo.


O filho do proprietário do Banco Sicula Antonio D`Ali Jr (Antonio D`Ali, pai, destacado membro da P-2), que constava da lista é hoje senador, eleito pelas lista da Forza Italia, 


O general Vito Micelli, director dos SIOS, serviços secretos militares em 1069, e depois director do SID, entre 1970 e 1974 - que foi preso em 1975, acusado de "conspiração contra o Estado" - tornou-se depois dirigente do MSI (partido fascista italiano).


Angelo Rizzoli é hoje produtor de cinema.


Franco Colombo, que era correspondente da RAI em Paris, é agora - ou foi até há pouco tempo - vice-presente do Conselho de Administração da sociedade que gere o túnel do Monte Branco.


Giancarlo Elio Valori é agora Presidente da Associação Industrial de Roma.


Fabrizio Cicchitto, que pertenceu ao PSI, está agora na Forza Italia.


Antonio Martino foi ministro de um dos governos de Silvio Berlusconi.


Muitos poderiam ser citados, como o príncipe Victor Emmanuel, o primogénito do falecido rei Humberto,  ou Massimo de Carolis, que sendo dirigente da  Democracia Cristã, se tornou membro da Forza Italia e foi até, há pouco tempo atrás, por indicação de Berlusconi, Presidente da Câmara de Milão.


Mas, o que tenho de relevar - e baseio-me no mesmo relatório - é que a P-2 tinha ramificações profundas internacionais, nomeadamente nos governos da América do Sul, e ligações profundas à CIA.


Cito alguns dos antigos responsáveis políticos sul-americanos e homens de negócios da América e Austrália:


Raúl Alberto Lastiri, Presidente da Argentina de 13 de Julho de 1973 ate 12 de Outubro de 1973;


Emilio Massera, com Orlando Ramón Agosti, de 1976 ate 1978 foi parte Junta Militar em Buenos Aires, liderada por Jorge Rafael Videla;


José López Rega, Ministro das Obras Sociais no governo de Péron e fundador da Aliança Anticomunista da Argentina. ("Triple A");


Alberto Vignes, ministro argentino;


Almirante Argentino Carlos Alberto Corti;


Randolph K. Stone, Los Angeles, USA;


Dott. Hatz Olah, Melbourne, Austrália;


Roberto(Bob)Patino.


Nos documentos estavam apensos os juramentos de obediência destes homens ao grão-mestre Gelli, com o repto de estarem prontos para responder ao apelo para as missões que estivessem indicadas.






4 - Mas, o que sobressaia dos bastidores da Loja era a eminência parda da Igreja Católica de Roma, no domínio dos negócios financeiros, económicos e políticos, em primeiro lugar, de Itália, e, em grau menos evidente, mas fundamental, de outros Estados, incluindo os próprios Estados Unidos da América.


Na realidade, todos os principais membros da Loja, incluindo os seus dirigentes, eram homens directamente ligados ao Vaticano. 


E o Vaticano dominava, conforme se verificou, o poder de Estado em Itália, praticamente, desde o fim da guerra, com a ascensão do católico Alcide De Gasperi às chefias do Estado e do governo, de 1945 a 1953. A Santa Sé apelidou-o de "Servo de Deus", e quer torná-lo "santo". 


(Um dos seus braços direitos, de que foi secretário de Estado, que veio a ser o seu verdadeiro substituto na ligação ao Papado, chamava-se (e chama-se) Giullio Andreotti).


Mas, a inquirição, ao esmiuçar o papel do Banco Ambrosiano na trama que se urdia para refazer o poder de Estado, segundo métodos pró-fascistas, verificou que, na realidade, que a Santa Sé dominava, como domina,  a actividade económica de Itália, desde o sistema financeiro - três dos cinco administradores do Banco Central, eram "acólitos" do Papado.


 E a "rede" dos principais bancos, ou pertenciam inteiramente ou mantinham "interesses consideráveis" da Santa Madre Igreja Católica Romana (Banca de San Paolo, Banca Provinciale Lombardo, Credito Bergamasco, Banca de San Geminiano e San Prospero, Nazionale dell`Agricultura, Credito e Risparmino di Roma, Popolare de Bergamo, Piemonte di Torino, Fucino di Roma, Romana, Toriness Balbis e Guglielnome, Communi Vesunian, Trento e Bolzano, del Sul, Instituto Bancario Romano, Credito Mobiliare Fiorentino, Credito Comerciale di Cremona, entre outros, alguns dos quais, na actualidade, mudaram de nome e reestruturam-se.


Assim, como controlava - e controla - a  distribuição de gás as grandes cidades italianas, as grandes empresas de construção civil, os mercados de têxteis, a metalurgia, as indústrias farmacêuticas e a energia eléctrica, entre outros ramos produtivos industriais.


Vamos voltemos ao Ambrosiano, hoje rebaptizado como Banco Ambrosiano Venneto  após a fusão com o Banco Católico do Veneto. 


De acordo com a investigação parlamentar era dirigido, directamente, pelo Instituto per la Opere di Religione (IOR), o Banco Central da Santa Sé, cuja presidência estava nas mãos do arcebispo Paulo Marcinkus, que, por seu turno, representava o Papa, na administração do Ambrosiano. Este arcebispo controlava já, sem controlo da administração, apenas reportava ao seu Chefe, uma subsidiária, forjada unicamente, para off-shores e branqueamento, o Ambrosiano Overseas, baseado em Nassau, Bahamas.


Quando o Ambrosiano entrou em turbulência, a Santa Sé deu directivas a um empresário Carlos De Benedetti, para intervir na instituição, de que se tornou vice-Presidente, quando Roberto Calvi começou a ser julgado. Benedetti, ligado à indústria automóvel, foi preso e condenado a 26 anos.


Além de Calvi, Ortolani e Marcinkus, pontificava na administração, como representante da sua filial na Argentina o almirante Carlos Guido Natal Coda, que fora o antecessor de Eduardo Massera na Junta Militar, como Chefe do Estado-Maior da Armada daquele país.


Aparentemente, o Ambrosiano actuava, em autonomia, face aos outros interesses do Vaticano. 


Só aparentemente, porque tudo estava ligado: branqueamento de capitais, financiamento ilícitos, intervenção nos assuntos internos de outros Estados.


"O ponto nevrálgico das operações bancárias no estrangeiro" do Ambrosiano, referiram os investigadores italianos, era o Banco Ambrosiano Holding, sediado no Luxemburgo, que contava, nestas operações, com o Banco Ambrosiano Overseas, o Banco Ambrosiano do Peru e o Banco Bellatrix, todos a operar na América do Sul.


A investigação determinou ainda que o camareiro do Papa Umberto Ortolani recebera a incumbência do Ambrosiano, para agir, autonomamente, através do Banco Financeiro Sudamericano (BASUFUD), como entidade "importantíssima" nos negócios do Vaticano em toda a região.


Determinou-se ainda que o Ambrosiano controlava, directamente, a Banca de Gotardo di Lugano (Suíça), o Kredietkank Sa Luxembourgoise e o Iteritalia (Luxemburgo).


Desta investigação, veio a saber-se que o Vaticano "tem investimentos nas bolsas de todo o mundo", com referência especial à intervenção muito "profunda" das finanças papais nos negócios de Wall Street, Chicago. 


Intervêm, de maneira evidente, na NYSE e NASDAQ, mas também em Los Angeles, San Francisco, Dallas, Houston, Filadéfia e Boston, em parceria estratégia com o lobby judeu.