terça-feira, 13 de março de 2012

GOVERNO: HENRIQUE GOMES, O ELO MAIS FRACO DA ESPECULAÇÃO



1 - Escrevíamos, no texto anterior, que a actual gestão do aparelho de Estado português (governo, Presidência da República, governador do Banco de Portugal) se convertera e institucionalizara como instituição política de um regime transformado em estrutura societária da especulação bancária e bolsista para explorar os valores patrimoniais nacionais portugueses produtores de riqueza.


A demissão anunciada à socapa do Secretário de Estado da Energia, Henrique Gomes, vem colocar na "ORDEM DO DIA", precisamente,  o que afirmávamos. 


Denunciou o demissionário, ainda que centrado apenas num conglomerado produtivo, a EDP, a empresa que até há pouco tempo era pública, mas foi transaccionada para satisfazer os interessados da alta finança portuguesa e estrangeira, à custa da exploração do Estado, e, essencialmente, dos contribuintes, a quem são roubados salários e pensões, e retirados direitos sociais.


Henrique Gomes não fez isto, porque seja um arauto da defesa dos interesses das classes trabalhadoras, longe disso, ele pensava que podia representar os interesses da produção industrial, ou seja da burguesia industrial, preconizando apoios noutros sectores produtores energéticos. 


Claro, que, secundariamente, punha em causa a rapinagem, a vampiragem que as alta burguesia ligada à especulação e à finança suga do trabalhador português.


Tal como afirmávamos, o Ministro da Economia percebeu, a tempo, o puxão de orelhas do seu Primeiro-Ministro: Quem está em primeiro lugar é  a banca e a especulação financeira. Álvaro Santos Pereira atirou pela borda fora o seu adjunto.


Trocou-o por uma pseudo-regulador do sistema eléctrico, Artur Trindade.


Ele irá cumprir, fielmente, os ditames dos especuladores:  
nós somos os dominadores da coisa pública.


Claro que Henrique Gomes não explicou porque saiu. Fica-se pela velha frase "motivos pessoais e familiares".


Mas, a imprensa foi buscar um discurso, que ele proferiu, há pouco dias, no Instituto Superior de Economia e Gestão (ISEG), que criticava, precisamente, os dominantes económicos do regime.


Cito o comentário a TVI, que divulgou o documento, que o Primeiro-Ministro não queria que se conhecesse.

"Henrique Gomes saiu, mas deixou um discurso que acabou por não ser proferido, a que TVI teve acesso em exclusivo.


O discurso não foi lido em voz alta, mas a mensagem é bem audível. Sobretudo para os produtores de energia.

Henrique Gomes garante que é preciso «eliminar as rendas excessivas do sector e os lucros excessivos». Em suma, é um «sector protegido». No documento, Henrique Gomes sai em defesa dos consumidores, sobrecarregados, com custos excessivos.

E dá números. Em 2010, afirma, a factura da electricidade já era superior às despesas das famílias com educação e aproximava-se dos gastos com a saúde.

Escreve o ex-secretário de Estado que «as rendas excessivas desviam da economia e das famílias recursos que ascendem a cerca de 3500 milhões de euros até 2020, o que representa uma renda anual de 370 milhões de euros».

Mas as piores notícias estão já perto do final do discurso. 


Se o Estado continuar a pagar mais do que deve e se o consumo de energia continuar a cair os preços da electricidade, em 2013, poderão subir cerca de 26 por cento.

Mas se a opção for colocar parte deste aumento no défice tarifário o agravamento, ainda assim, nunca seria inferior a 11 por cento.

O discurso torna ainda mais evidente o braço de ferro que Henrique Gomes travava com os produtores de energia: EDP à cabeça.

Henrique Gomes pediu um estudo a peritos da Universidade de Cambridge que concluía que, entre outras empresas do sector, a EDP recebia rendas excessivas do Estado.

Mas um dia depois de a TVI ter divulgado, em exclusivo, o estudo já António Mexia, (o homem forte da especulação financeira na EDP; explicação minha), o criticava fortemente e até já sabia que seria ignorado pelo Governo. «O estudo tem erros grosseiros», disse Mexia.

O documento que respondia a uma das exigências da troica, avaliou os custos das rendas que o Estado paga aos produtores de electricidade. E o objectivo seria o corte dessas rendas em 2 mil 500 milhões de euros.

Mas não foi o primeiro embate com a eléctrica. Em Outubro, o secretário de Estado da Energia propôs aplicar uma taxa adicional à EDP que aliviava os bolsos dos consumidores.

Mas a taxa não avançou. E já nessa altura o secretário de Estado terá ameaçado bater com a porta.

Em jeito de acto final, recentemente, em entrevista ao Jornal de Negócios acusava a EDP de ter excessivo poder de mercado e de influência".





 




Presidente executivos mais bem pagos 

Empresa

Valor mensal (euros)

Média da empresa (euros)
EDP
221 675 
2608
Portugal Telecom
107 559
1022
Galp Energia
102 929
2062
Semapa
91 960
1551
Cimpor
84 725
1388




2 - Esta demissão traz para primeiro plano a chamada política de privatizações, que envolve transportes (terrestres, marítimos e aéreos), bem como o sector de controlo aero-portuário e a televisão pública, além de outras empresas, incluindo a maior financeira, ainda em poder do Estado, a Caixa Geral de Depósitos e às Águas.

Os abutres da alta burguesia financeira estão à espera de abocanhar, por preços irrisórios, os sectores mais importantes da capacidade produtiva do país.



Este vampirismo avassalador está, todavia, a tornou insuportável a vida das classes laboriosas e mesmo da pequena burguesia. 


É natural que este açambarcamento sem qualquer pejo de moralidade pública seja um abrir de olhos para movimentações e actos de rebeldia que os detentores do poder não possam vir a controlar.





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segunda-feira, 12 de março de 2012

QREN: A GOVERNAÇÃO SOMENTE SERVE A BANCA



1 - Quando se analisam as divergências surgidas no interior do governo sobre o controlo dos fundos comunitários, (O QREN, quadro comunitário de Referência Estratégia Nacionla,  para o periodo 2007/2013, representam um investimentos europeu da ordem dos 21,5 mil milhões de euros), tendo como pano de fundo os Ministérios das Finanças e Economia, não nos devemos, essencialmente, centrar numa luta de galos em torno apenas de um controlo de um poleiro económico para a distribuição de subsídios.


Temos de determinar um percurso social em que o país entrou, definitivamente, depois de se terem sido feitos todos os ajustamentos económicos e políticos desde o 25 de Novembro de 1975, com a vitória da contra-revolução.

O avanço revolucionário que se deu em Portugal no dia 26 de Abril de 1974 (repito 26 de Abril) ao surgir um caudal de reivindicações populares, que abriu caminho a certas conquistas.

Todavia não consolidou, nem edificou uma revolução, pelo contrário, com as hesitações, as contradições no interior da classe política que se enredara, nas suas diferentes fracções, no poder, as próprias ilusões de práticas e ideias políticas por vezes sustentadas em relações sócio-económicas que não atingiram agudizações que pudessem extremar as contradições classistas para um claro campo revolucionário, fez com que os adeptos da contra-revolução afastassem, com demasiada facilidade, o progresso que se queria criar, em nome da uma falsa estabilidade governativa, enquadrada por uma democracia formal dita representativa.

Depois de uma fase de décadas de instalação do poder capitalista integral em Portugal, em sintonia com o capitalismo liberal, instalação esta sempre propagandeada em nome da democracia, da Constituição de 1976, adaptada, lentamente, ao novo sistema, mas mantendo no seu preâmbulo “um projecto de constituição do socialismo”, com o actual governo foi referendado o domínio total da alta burguesia financeira.

Ora, o episódio, que está subjacente às querelas pelo controlo dos dinheiros do QREN, tem, acima de tudo, a razão de ser de quem realmente domina e governa o país. Não é este ou aquele ministro em particular. E, isto é que devemos analisar e sobre ele meditar. 


Depois da ascensão do actual governo ao poder executivo, verificamos um facto novo, que começava a tomar forma, na fase final da governação Sócrates, a finança nacional foi, desde a fase pré-eleitoral após a queda socrática, a preocupação central dos próceres de Passos Coelho. 


Mais do que tomar as rédeas ao incremento da produção nacional, o centro político está "enfronhado" no aproveitamento de todos os dinheiros públicos - mesmo aqueles que roubam descaradamente aos trabalhadores - para satisfazer os apetites da burguesia financeira especulativa.


E ao atribuir o poder último de decisão sobre a distribuição dos dinheiros comunitários ao Ministério das Finanças, o Primeiro-Ministro, Passos Coelho, fez questão de colocar a razão central da sua política económica no eixo da sua actividade executiva: em primeiro lugar, estão os banqueiros e a alta finança especulativa. Tanto Coelho, como Gaspar, são os expoentes firmes governamentais daqueles.


Passos Coelho foi linear, instrutivo e não desautorizou, ideológica e políticamente, o seu Ministro da Economia, Álvaro Santos Pereira, que, como pensador "académico" da assunção ao poder económico pela casta financeira especulativa, se vergou aos ditames do que defende. Ele entrou no governo, justamente, porque era "representante" teórico dessa fracção da grande burguesia. 
   
A questão de gestão do QREN, neste caso, é uma "particularidade" secundária das vaidades pessoais da governação de uma personalidade sobre outra. 


Naturalmente, o chefe do governo chamou Santos Pereira "à realidade": tu estás no governo para servir o domínio da finança, e é a razão de estares cá dentro, pois se fores colocado fora, também na tua vida profissional eras sofrer as agruras de uma eventual postura de rebeldia.


Certamente, o homem da academia sabe que a fracção burguesa que "estrangula" o poder Estado - os banqueiros, os especuladores bolsistas, os grandes capitalistas domésticos, estão ligados a essa especulação e às acções da bolsa - e não brinca em serviço: quer que aqueles que escolheram para gerir o aparelho de Estado, desde a Presidência da República ao governo, juntando o Banco de Portugal, sirvam para canalizar o dinheiro público (em primeiro lugar, incluindo o comunitário) para os objectivos de enriquecimento que preconizaram com o chamado cumprimento do pagamento da dívida pública (que era, na sua maioria, a dívida privada bancária tornada pública para os servir).





2 - Segundo a lei orgânica do Ministério da Economia, gerido por Santos Pereira, seria a este que deveria “assegurar a gestão estratégica e a aplicação dos fundos nacionais e comunitários afectos às políticas dos sectores tutelados, incluindo a coordenação da Comissão Ministerial de Coordenação do Quadro de Referência Estratégico Nacional”.


Ora, isto em perspectiva de economia política, deveria ser destinado a um impulso produtivo nacional, ou seja deveria dar alento à burguesia industrial, cujo representante económico prático é o Presidente da Confederação patronal CIP, António Saraiva (curiosamente, um sindicalista de origem muito próximo do PCP), mas esta burguesia não tem uma representação real na governação. 


Naturalmente, uma parte desta burguesia, ligada à especulação bancária e bolsista, será subsidiada, mas isso, porque a questão está interligada aos empréstimos que o Banco Central Europeu (BCE) está a fazer aos bancos portugueses - sempre em crescendo há quase um ano - a taxas de quase zero, que emprestam depois ao Estado a juros especulativos, e que exigem pronto pagamento. 


Daí, a necessidade de acautelar os fundos do QREN para o devido destino. 


Na prática, completamente de fora, está a pequena burguesia ligada ao comércio, incluindo a que enquadrada o sector camponês. 


O seu representante económico-social é o Presidente da Confederação do Comércio (CCP), João Vieira Lopes, que, curiosamente, foi um dos fundadores da UDP e militante estudantil, cujos pares foram homens como o antigo Ministro do Ensino Superior Mariano Gago. 


Eis a realidade dos seus lamentos e realidades: o sector do comércio e serviços está a fechar empresas a uma média de 100 por dia, desde o início do ano, e, já perdeu 40 mil postos de trabalho. Isto sem contar cim uma mancha silenciosa de pequenos industriais e comerciantes que entram em insolvência sem constarem das estatísticas, porque mão têm direito a qualquer apoio estatal.

Todavia, em Fevereiro, o financiamento aos bancos subiu mais de mil milhões de euros, segundo dados revelados pelo Banco de Portugal.


No total, os bancos portugueses já pediram ao banco central empréstimos no valor de 47,55 mil milhões de euros.


(Querem ouvir a confissão com todas a clareza: Ouçamos as palavras do antigo presidente do BCP Carlos Santos Ferreira, há cerca de dois meses.


Carlos Santos Ferreira, estimou, então, em 50 mil milhões de euros a exposição da banca ao Estado e defendeu que se o Estado pagasse as suas dívidas libertaria meios substanciais para financiar a economia.


"Acho - lança, sem pudor o banqueiro então socialista - que era efectivamente a melhor maneira de resolver a crise, em vez de andarem com essas estórias".


O que pedem então esses agiotas dos banqueiros que o Estado "aumento a liquidez dos bancos" com o dinheiro dos contribuintes? E o rapaz do BES, esse fenómeno do vampirismo especulativo, que se chama Ricardo Espírito Santo, sempre em "estreita colaboração com o governo", argumentava na mesma ocasião: se nos derem dinheiro tal "ajudava muito certamente").








3 - O regime que nos governa, e de maneira evidente a conjugação estatal actual (governo de Passos Coelho, Presidente da República e Governador do Banco de Portugal) tornou-se uma comunidade política que funciona como uma sociedade accionista para gerir a riqueza do país, repartindo os dividendos entre as banca e a "enxurrada" de sequazes políticos que vivem à custa de uma repartição minoritário do bolo.


E os especuladores financeiros e banqueiros forjam a sua manipulação política, em torno de uma propaganda barata e requentada de que em primeiro lugar está a salvação dos Bancos. 


E essa propaganda lança o veneno propagandístico de que o Estado só sobreviverá se conseguir obter o crédito desse mesmos bancos. E, para finalizar, sustenta, com o apoio da grande informação, que são esses bancos salvadores que irão reanimar a economia, e relançar a indústria e o comércio, através do crédito que empocham ao Estado.


Se não se quebrar esta via, que levará à bancarrota, se não se impuser que a administração estatal tem de estabelecer o equilíbrio orçamental, indo buscar o dinheiro aos interesses dominantes, essencialmente à alta burguesia financeira, virando a agulha para impulsionar a produção nacional com os encargos retirados da parasitagem que suga os proventos do Estado, as condições das classes laboriosas continuarão a degradar-se.
   







quarta-feira, 7 de março de 2012

HÁ CRISE NA EUROPA E NÃO NOS EUA? ENTÃO COMO É PAUL KRUGMAN




1- Nos finais de Fevereiro passado, esteve em Portugal o norte-americano Paul Krugman, sendo honrado e lisonjeado pela saloiice política e económica portuguesa, desde o antigo Presidente da República Jorge Sampaio até ao destravado antigo ministro da Economia de Cavaco Silva, Braga de Macedo de seu nome. Três universidades (três) -  Clássica de Lisboa, Técnica de Lisboa e Nova de Lisboa - fizeram-lhe, em conjunto, uma homenagem solene, dando-lhe o título "honoris causa".


O senhor Krugman é economista de profissão, foi-lhe atribuído um Prémio Nobel pela sua investigação da economia capitalista (é preciso referir isto!) em 2008. 


Escreve livros livros, e é actualmente professor de Economia e Assuntos Internacionais na Universidade Princeton (considerada famosa porque forma os quadros de topo do regime norte-americano).


É, também, colunista do jornal The New York Times.


Para que fique tudo muito claro, o jornal em questão é um dos mais influentes (pela escrita e pela propriedade do influente lobby judaico norte-americano.

Krugman é apresentado pelos liberais portugueses, estilo PS e PSD, como "homem de esquerda", porque criticou, durante uns tempos, a política externa de Georege W. Bush, mas esquecem-se de referir que ele foi um dos chamados "Neo-cons" que fomentou a "nova política económica" de Ronal Reagan, de quem foi consultor muito próximo (entre 1982 e 1983), fazendo parte do seu restrito conselho de economistas.

De referir desde já que este economista pertence ao corpo económico internacional, grupo dos 30. É licenciado pelo Instituto de Tecnologia de Massachusetts (enquadrado na Universidade de Yale), instituto este que tem como promotor e patrocinador, entre outros, a Agência Central de Informações, CIA.



2 - Curiosamente, como economista norte-americano e 

mentor da sua actual orientação económico-financeira, 

este académico "esqueceu-se", na sua visita a Portugal, 

de analisar e dissertar sobre a evolução sócio-

económico-política do seu país, iniciador da maior crise 

financeira mundial, que começou a ser engendrada 

quando ele, precisamente, fazia parte da administração 

de Washington.


Foi justamente com administração Reagan, que foi o 

organizado o "cadinho" da desindustrialização

produtiva acelerada dos Estados Unidos (com a 

consequente queda dos lucros das empresas industriais 

e o aumento desenfreado dos lucros especulativos 

financeiros) e o "fermento" da maior especulação 

financeira, cujos resultados hoje assistimos.








O que ele preconiza para a Europa? Precisamente, 


o que as administrações chamadas neo-liberais 


dos Estados Unidos puseram em prática no país, 


conduzindo-o à situação que, aliás, ele, meses 


atrás fazia ressaltar, como política errada, em 


artigo que publicou.




Mas vejamos a receita de Krugman para a Europa:




Para sair da crise é preciso que os 


salários desçam, nos próximos cinco 


anos, 20% face à Alemanha, 


defende.
Paul Krugman fez esta afirmação, em entrevista ao 

jornal francês 'Le Monde', sustentando que esta 

pode ser uma forma de ajudar a Europa a sair da 

crise. "Para restaurar a competitividade na Europa 

ter-se-ia que, em cinco anos, baixar salários nos 

países menos competitivos em 20% em relação à 

Alemanha", defendeu o economista norte-

americano.


Esta não é a primeira vez que o Nobel da Economia 

defende cortes de salários. Há pouco mais de um 

ano Krugman disse que nos países periféricos da 

Europa, tais como Portugal e Espanha, precisam de 

baixar salários entre 20 a 30% face aos da 

Alemanha.


Em entrevista ao Le Monde, o economista afirmou 

ainda que "com um alguma inflação, o ajuste será 

mais fácil. O Nobel da Economia defendeu assim 

"um aumento de 4% nos preços pode trazer alguma 

da flexibilidade necessária à economia europeia".


O economista sabe que, estando o poder político, 

na dependência, como está da grande burguesia 

financeira, não pode, nem está interessado em 

fomentar o incremento económico, porque, 




acima de tudo, não o pode fazer, com uma 


crescente penúria financeira.


Não há caminho de recuperação económica, com 


um aumento do desequilíbrio constante salarial. 




Quer isto dizer, em termos práticos, que a 


administração estatal, por muito que o 


propagandeie, não está virada para recuperar o seu 


Orçamento, porque, em primeiro lugar, coloca, não  


a evolução da produção nacional, mas a satisfação 


dos pagamentos especulativos dos empréstimos 


bancários.




Ora, estes empréstimos a preços de quase zero 


foram feitos de antemão pelo governo e Banco 


Central Europeu, que, mais tarde, os retoma a 


juros incomportáveis, incluindo ao próprio 


governo. 




Tudo o que consegue, como receita, vai para pagar 


a dívida aos bancos, que eles transformaram em 


dívida pública. 




Ora, a dança do restabelecimento do défice, nesta 


condições, é uma fonte de enriquecimento para a 


especulação financeira. E de empobrecimento das 


classes trabalhadoras, através de cortes de 


impostos e de aumento de impostos.




Para quebrar esta "pescadinha de rabo na boca" 


somente há uma receita: ir buscar uma 


importante fatia das despesas públicas 


aos lucros legais e "clandestinos" da 


burguesia financeira especulativa.




3 - Paul Krugman veio à Europa, preconizar ideias para 


a União Europeia, justamente, quando esta ultrapassou 


a crise em torno do euro. No fundo deu-se um reforço 


da moeda europeia, embora a sua estabilização e 


incremento esteja ligada, num futuro próximo, a 


institucionalização de métodos de governação unitária


democrática e de incremento real da produção.




No fundo, veio atacar a unidade monetária 


europeia, aparentemente, tentando isolar a 


Alemanha do resto dos países europeus. 


Mas, esquece-se de referir que o seu país caminha 


para a bancarrota, e pode inclusive pôr em causa a 


sua unidade política, com a orientação económica 


que domina a governação norte-americana.




É o próprio Krugman, como se pode ver pelo 


gráfico abaixo citado, da sua autoria sobre a 


evolução do PIB norte-americano




Krugman tem perfeita noção que o défice do Estado norte-americano - com o incremento da dívida pública - está a ser utilizado para a especulação - e não para a produção - e é, e continua a ser, a fonte central de enriquecimento da alta burguesia financeira. 


A dívida pública dos Estados Unidos está em um excesso de de 13,5 biliões de dólares e continua a crescer a uma taxa de cerca de 3,93 mil milhões de dólares por dia.


Não existe recuperação real nos Estados Unidos - e é o próprio Krugman que o admite em artigo recente, 26 de Agosto de 2011, com o título "Reconhecendo a ausência de recuperação ", cujo trecho passo a seguir: 


"Um aspecto positivo do discurso de Bernake (presidente do FED) - estou tentando ser optimista – é o facto de, pela primeira vez, ele ter mais ou menos reconhecido que não estamos de maneira nenhuma testemunhando uma recuperação:


“Mas, independentemente destes desenvolvimentos mais positivos, tornou-se claro que a recuperação após a crise tem sido muito menos robusta do que o esperado. Com as mais recentes revisões abrangentes à contabilidade nacional e também com as mais recentes estimativas de crescimento para a primeira metade  deste ano, aprendemos que a recessão foi ainda mais profunda – e a recuperação, ainda mais fraca – do que tínhamos pensado; de facto, a produção agregada nos Estados Unidos ainda não regressou ao nível alcançado antes da crise. É importante o dado de que o crescimento económico tem apresentado em geral um ritmo insuficiente para produzir reduções sustentáveis no desemprego, que tem ultimamente pairado um pouco acima dos 9%.”.


Pois é. Costumo ilustrar a ausência da recuperação através da proporção entre população e postos de trabalho, mas há uma representação alternativa: a proporção entre o PIB real e a estimativa de potencial elaborada pela Comissão Orçamental do Congresso (que representa um nível de actividade consistente com a inflação estável, e não o máximo absoluto que a economia seria capaz de produzir)".. 


A escrita é, naturalmente de Krugman, que cita o seu confrade capitalista financeiro judeu Ben Bernake.


Quer isto dizer que a situação económica dos Estados Unidos é grave, talvez, esteja num curso evolutivo muito mais negativo que a europeia.


Já perceberam porque o judeu Krugman se esquece de falar do seus país? 


Porque é necessário continuar a atacar e tentar destruir a União Europeia.


Mas há mais:  Novas estatística dos EUA, entretanto tornadas públicas nos últimos meses sobre o mercado de trabalho no país mostra a total estagnação da maior economia do mundo. 


O nível de desemprego oficial é de mais de 9%, sendo que 40% dos desempregados estão em estado desesperado, mais de seis meses sem trabalho. 


São mais de 14 milhões de desempregados. 


Desde de 2008, mais de oito milhões de trabalhadores ficaram sem emprego nos Estados Unidos.


Muitos analistas económicos norte-americanos, mas não só, têm referido, em comparação, que "o incremento" económico dos EUA nos últimos anos - eles assinalam cinco anos - equivale ao crescimento minórico da economia japonesa quando a "bolha financeira" saltou nos final da década de 80 do século passado.


Os EUA estão em campanha eleitoral e a administração Obama tem feito espalhafato em torno de uma pretensa estagnação do avanço do desemprego.


Não é o que sustentam os dados.


Nas últimas décadas, o desemprego aumentou sempre.


Situemos nos tempo do general Eisenhover, ano de 1958: 


85% dos homens activos estavam empregados. 


Actualmente, esta percentagem desceu para 64%. 


Juntamente com o desemprego, a produção também está em um nível bastante baixo. 


(A produção nacional dos Estados Unidos caiu em 10 anos - 2001 a 2009 - 5,1%. 


Apesar deste dados, que Krugman conhece, e que ele reconhece que não existe recuperação, o seu centro de preocupação é a Europa. É, mesmo, de economista honesto!).


Apesar do crack financeiro do seu país e da produção estagnada, os dinheiro públicos estão a ser transferidos para o capital financeiro especulativo. O Lehman Brothers ja anuncia com trombetas que não está na bancarrota. Claro recebeu fundos estatais a custo zero.


Mas qual é a realidade da economia concreta dos EUA?


Segundo um estudo da agência Lombard Street Research, o custo do trabalho na indústria norte-americana desceu 2% em 2009 e 2,8% em 2010, resultado dos cortes  nos direitos das classes trabalhadoras e despedimentos em massa.


Mas os grandes bancos continuam de vento em popa. Recebem injecção de dinheiro público quase de borla.


Desemprego a ultrapassar os 14 milhões, produção estagnada, recessão na prática, a situação real dos EUA é de caminho directo para a recessão.


Todavia, a realidade para os poderosos é outra: existe mais dinheiro nos cofres de empresários e especuladores.


Na última década, o rendimento médio de uma família norte-americana média caiu 3,6% entre 2001 e 2009.


No mesmo período os salários não subiram e a inflação cresceu.


Então como é Paul Krugman?



segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

SÍRIA: HÁ JORNALISMO INDEPENDENTE NOS GRANDES MEIOS DE COMUNICAÇÃO?




1 - Vou falar do chamado "jornalismo de guerra", a propósito da morte de jornalistas que trabalhavam para grandes jornais ocidentais na Síria, e, para tal farei uma "espécie" de declarações de interesses, atendendo a dois pontos:


a) Fui jornalista profissional e estive em países que estavam em guerra; visitei outros, como turista há menos de dois anos, a maior parte dos quais no Magreb e Médio-Oriente, sendo nesta última região, a Síria, (passei, nomeadamente, pela cidade de Homs e visitei um antigo forte medieval das cruzadas, chamado Krak de Chevaliers, tudo isto situado muito perto do Líbano, de onde se avista todo o vale de Homs), durante cerca de três semanas.


b) Fui combatente colonial na Guiné durante dois anos, Janeiro de 1970 a Dezembro de 1971, como membro de uma unidade de força especial da Marinha, percorrendo, praticamente, todo aquele território operacional. 


Nesta altura, estiveram, naquela antiga colónia, jornalistas, incluindo estrangeiros, mas nunca, mesmo nunca, estiveram nos locais de combate efectivo. 


Por duas razões, nós não os deixávamos, e eles não faziam questão de "caminhar no mato". Falavam com as tropas nos quartéis. Quando muito davam uma "voltinha" em redor do arame farpado.


Eu sei que isto mudou um pouco, mas nas frentes de batalha mais "quentes" nenhum comandante gosta de ser visto a realizar o que lhe mandam fazer. A não ser que o "jornalista" esteja em perfeita sintonia com o que se vai efectuar. Concorda, portanto.


2 -  Na Síria, os jornalistas ocidentais entraram no país, com as tropas que fizeram incursões, a partir do Líbano e da Turquia. Entraram, pois, com um dos sectores que estão em confronto. Estão a relatar o que se passa nesse sector, do ponto de vista dos chamados "insurgentes". 


Quem está na guerra, dá e leva, e os jornalistas que estão em acção na região de Homs fazem-no com o apoio dos seus "patrões" dos grandes meios de comunicação social, como foram os casos da jornalista norte-americana Marie Colvin, que trabalhava para o "Sunday Times", do vigarista Murdoch, e Remi Ochlik, fotógrafo do "Paris Match", que recebeu um prémio por imagens captadas na Líbia.


Aldel Hakim Belhaj é o líder histórico da Al Qaeda na Líbia e governador militar de Trípoli - agora é o chefe do Exército Livre Sírio


Onde morreram estes jornalistas?  Segundo a agência britânica Reuters, "numa casa utilizada como centro de imprensa e por militantes anti-regime".


Estavam, justamente, à mão de semear.


Relataram, até agora, os jornalistas da grande imprensa ocidental, nomeadamente norte-americana, britânica e francesa, o que se está a passar na Síria? 


Não. Escreveram a partir das suas fontes, que, aparentemente, os deveriam, proteger. Eles tinham um "campo de informação" escolhido à partida, pelos seus chefes em Londres, Washington ou Paris. 


Quem lê o que o jornalista (ou, muitas vezes, pseudo-jornalistas) deve questionar-se sobre as fontes de informação. 


Eu questiono-me: Se o número de mortos, diários, em Homs, que as agências ocidentais transmitem, a partir de um Observatório sedeado em ...Londres, for de cerca de 40 pessoas, então a cidade já deveria ter perdido mais de 10 por cento da população, em meses de combates, e estaria, praticamente, inactiva face ao elevado número de feridos.


O que é estranho é que não descortino informações das grandes agências internacionais, provenientes de Damasco, ou de Aleppo.


Não estou a por em causa a existência de censura do regime de Damasco, pois ela existe. 


Nem estou a dar apoio directo ao regime de Assad. É um regime idêntico ao da Arábia Saudita. Preciso, aliás, esta afirmação. Não é idêntico. 


É laico formalmente, e não teocrático e fanático com o dos oligarcas esbanjadores Sauds sauditas. Não está é, completamente, alinhado com Washington e capangas de Londres e Paris, embora tivesse servido de "cadeia de retaguarda" dos prisioneiros de Guantánamo dos torturadores norte-americanos.


Pertence a outra aliança geo-estratégica no Médio-Oriente. Apenas isso.


Afirmo que há descontentamento interno. Certo. 


Mas interrogo-me sobre a capacidade militar dos "insurgentes" civis - fardados a rigor com camuflados do deserto made in USA, aliás como na Líbia.


No fundo, quero sublinhar: não acredito nos jornalistas dos grandes meios ocidentais, que estão a acompanhar os "insurgentes" em Homs, com notícias repassadas por Londres (o tal Observatório) e Washington. Os seus patrões não gastam dinheiro nestas guerras, se eles não estiverem a ser veículos de propaganda dos seus interesses.





Às vezes, contam-se as verdades, nos jornais de segundo plano, como o caso do espanhol ABC, que é monárquico. 


Eis uma pequena resenha de uma reportagem do jornalista, que também se afirma fotógrafo Daniel Iriarte, que acompanhou os "milicianos" do chamado Exército Livre Sírio 


O jornalista refere na sua reportagem, que aliás é favorável ao derrube de Assad:


O miliciano Brahim está preocupado. "Há um controlo do Exército na entrada da estrada", disse a camponesa, o que significa que as passagens de saída estão cortadas. Nós temíamos algo assim, por isso os raros repórteres estrangeiros decidiram sair da Síria, perante o risco de acabarem presos. 


Mas parece que chegamos tarde. Finalmente, quando anoitece, Brahim encontra uma solução. Arranja três automóveis que, conduzidos, sem luzes, procuram uma estrada alternativa. Após horas de espera, conseguem fazer-nos cruzar as linhas inimigas por outro local. Brahim ri-se, satisfeito: "O Exército Sírio Livre encontrou uma saída!", disse. O "comboio" conduz-nos a uma casa de campo onde nos espera outro grupo que será evacuado connosco. E então temos uma surpresa: tratam-se de três líbios que, nas suas próprias palavras, vieram não para combater, mas sim para "avaliar as necessidades dos irmãos revolucionários sírios". 


Os líbios não ocultam as suas identidades. Tratam-se de homens próximos de Abdelhakim Belhadj, actual governador militar de Trípoli e antigo jadista, ligado à  Al Qaeda .

Um deles é um velho conhecido dos repórteres que cobriram a guerra da Líbia: Mehdi al-Hatari, o antigo comandante da Brigada de Trípoli, que desempenhou um papel fundamental na tomada da capital e na queda de Khadaffi. 



O segundo, Adem Kikli, disse que trabalha para Belhadj, e está há quase duas décadas exilado em Londres.



O terceiro, Fuad, parece ser um guarda-costas. "Estamos aqui por iniciativa própria e pessoal, não por ordem de ninguém", sustenta Adem. E sublinha que Harati renunciou publicamente ao seu posto em Trípoli em 11 de outubro passado. 


Adem, além disso, afirma que esteve com outros líbios, "algumas dezenas", que se deslocaram para a Síria por sua conta para ajudar os insurgentes.

Harati, não há dúvida, é um homem de acção. O homem mudou de campo, após participação na Frota de Gaza na Primavera de 2010. "Fui ferido no assalto ao Mavi Marmara, e estive nove dias num cárcere de Tel Aviv", conta-nos. 


Em Fevereiro, Harati, que vive em Dublin e tem passaporte irlandês, despediu-se da sua mulher e filho e, junto com outros líbios exilados na Irlanda, dirigiu-se à Líbia. Ali criou a Brigada de Trípoli, um grupo de guerreiros de elite, treinados por assessores do Qatar, que combateu ferozmente na batalha final pela capital.

ABC, constatou, além disso, a sua presença em locais, como Bahrein, Sudão e Ancara, com propósitos não-esclarecidos. 



Há pouco, Harati  viu-se implicado num estranho episódio, quando, segundo seu relato, uma quadrilha de ladrões lhe assaltou a casa, roubando muitas jóias e 200.000 libras esterlinas (uns 238.000 euros). 


Harati disse à Polícia que uma grande quantidade de dinheiro lhe havia sido entregue por um agente da CIA para financiar a luta de seu grupo contra Khadaffi. 


O combatente deixou essas 200.000 libras à sua mulher, caso lhe sucedesse algo, e o resto levou-o com ele para a Líbia.

Enquanto fugíamos em direcção à fronteira, os líbios foram dando algumas dicas sobre a sua presença na Síria. 



"Se dependesse de nós, enviaríamos as armas para os sírios, já amanhã. Nós já não necessitamos mais", explica Harati. 


"Mas teriam de entrar pela Turquia, e os turcos não podem autorizar porque não há consenso dentro da NATO", sublinha. 


Já na fronteira, os três líbios dizem que regressam à  sua pátria. Pelo menos, disseram que sim.


3 - Não esqueçamos o 25 de Abril em Portugal. Quando nas sedes dos governos ocidentais, em particular de Washington, Paris, Bona e Londres, tocaram as campainhas de que poderia haver um "governo de esquerda" no país, apareceram por cá uma "chusma" de "repórteres". 


Como também entraram no país, quantidades enormes de "correspondentes" de Leste, desde a antiga URSS até Cuba, por vezes, por interpostos "exilados".


Conheci muitos, soube do que alguns estavam a fazer realmente no terreno, como Martha de la Cal, recentemente falecida