quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

OS MAIORES CRIMES CONTRA A HUMANIDADE DESTE SÉCULO FORAM PRATICADOS PELOS EUA

1 - Quando se assiste a declarações de assassinos, como o conselheiro de Segurança Nacional do governo de Barack Obama, a afirmar que a repressão que se assiste, actualmente, na Ucrânia, "é totalmente escandalosa" e que as acções deste tipo "não têm mais lugar no século XXI", verificamos que os indigentes serventuários do jornalismo ocidental, e particular, os chamados jornalistas criados dos grupos económicos do capital financeiro, como o "New York Times" ou o "Washington Post", ou toda a rede de televisões do regime, CNN, NBC, CBS ou FOX, silenciam o que, realmente, os nazis que ocupam os postos chave da Administração, Forças Armadas e corpos legislativos norte-americanos, fizeram, realmente, de criminoso neste século.

Os Estados Unidos da América são, justamente, neste século os sucessores dos criminosos nazis, claro que noutras condições, da laia de Adolf Hitler. 

(O actual Presidente dos EUA é um criminoso de guerra, e como tal deve ser julgado).




Crianças afegãs mortas em ataque aéreo dos EUA em Kunar/foto Público


É responsável por assinar ordens secretas para matar oponentes da orientação imperial norte-americana, sob o argumento humanista de "luta contra o terrorismo"; organiza acções militares encobertas para destabilizar regimes e Estados que não se submetem à vassalagem do capital norte-americano; mantém campos de concentração e prisões secretas em diferentes partes do mundo, com cumplicidades várias que vão dos ignominiosos democratas europeus aos mais atrozes carrascos dos países árabes, como o rei da Arábia Saudita ou da Jordânia.

São os Estados Unidos os grandes fomentadores da destruição de Estados estabelecidos, como a Líbia ou o Iraque, para os aniquilar - sim aniquilar, sem dó, nem piedade, meticulosamente planeado, tal como Hitler planeou a entrada na Polónia, ou a ocupação da então Checoslováquia e a Áustria, para sacar, única e exclusivamente as suas riquezas naturais e o considerava "o seu espaço vital".

Deixemo-mos, pois, de rodriguinhos e façamos as denúncias mundiais.

A questão na Ucrânia é grave, não por causa de democracia, mas porque existem apetites imperiais dos Estados Unidos, em primeiro lugar, para disputar a supremacia à Rússia, mas, em segundo lugar, para meter ao barulho a própria Europa e tentar desarticular aquela..

Os poltrões da comunicação social europeia ainda não perceberam que uma explosão guerreira na Ucrânia se pode estender, em pouco tempo, por toda a Europa. 

E esse é um objectivo de Washington, e do seu sinistro centro financeiro do lobby judeu de Wall Street, que está emaranhado na maior crise financeira e económica da sua História, com grandes cidades na falência, o empobrecimento lento, mas constante da sua população, o militarismo a corromper, financeiramente, a sua própria economia.

Mas, eles, que atiçam os fogos, estão longe - e depois, tal como na I e II Grandes Guerras aparecem para "investir na reconstrução" e ocuparem, na realidade, militarmente essa Europa destroçada.

Mas, pode vir o argumento: os ucranianos querem juntar-se à União Europeia. 

Certo. Até pode ser essa a vontade. 

Então, porque não propor um referendo para que isso se cumpra, ou, em caso, ainda que, fora de uma verdadeira democracia participativa dos cidadãos, discutir e aprovar tal projecto no Parlamento local?.

Política e praticamente, também gostaria de ver a Ucrânia aderir, em paz, a UE. 

Mas tal orientação tem de ser conduzida pelo próprio povo - ou povos - que constituem a Ucrânia, sem interferência de criminosos, como Obama, Hollande (esse sabujo cúmplice de Mitterrand, agora na órbita do capital financeiro norte-americano) e Barroso.

Sim, porque eles são criminosos. 

E estão a fomentar a divisão europeia e, em consequência, a preparar a fragmentação através da guerra.

2 - Vamos aos factos. Aos profundos crimes contra a Humanidade.

Em 2001, o governo dos Estados Unidos da América, liderado pelos Republicanos, e sob a chefia de George W. Bush iniciou uma intervenção directa no Afeganistão, a pretexto de um vago "combate ao terrorismo". 

Teve o apoio directo das oligarquias político-financeiras do Reino Unido, Espanha e Portugal, mas também da França e Canadá.

Os bombardeamentos de cidades e aldeias foram intensos, os massacres de civis e mesmo de prisioneiros das milícias talibãs, que dominavam o Afeganistão foi imensa.

(Fontes oficiais admitem que tivessem morrido ou sido capturados, nos primeiros meses da invasão, cerca de 38 mil afegãos, que os EUA e os aliados internos consideraram talibãs. 

Uma parte substancial foi transportado em condições inumanas, após interrogatórios feroz, para Guantánamo e prisões secretas espalhadas por vários países, onde se praticaram autênticos massacres nazis).

Segundo documentos oficiais norte-americanos divulgados pela Wikileaks, de Julian Assange, as mortes civis ascendem a centenas de milhares.

Valores reais não existem.

As organizações ditas humanitárias fazem uma previsão de que haja um milhão e meio de pessoas no Afeganistão actual que passem fome; e que 7,5 milhões se encontrem em estado de grande pobreza.

Os Estados Unidos e os países da NATO que os apoiam, oficialmente, têm no Afeganistão destacados mais de 150 mil soldados, com um corpo inútil de um Exército afegão de 100 mil homens pagos pelos EUA. 

Além do mais admite-se que Washingtom sustente naquele país um Exército para-militar de mais de 40 mil mercenários.

Entre os ocupantes e o Exército fantoche afegão contavam-se, até há pouco tempo, perto de 14 mil mortos, sendo que cerca de 1.600 são norte-americanos. 

Os feridos - grande feridos - aproximam-se dos 20 mil.

E o que é um crime de proporcões gigantescas contra a Humanidade. É a CIA norte-americana que controla toda a produção e comércio mundial de ópio do Afeganistão.


EIS OS PRINCIPAIS CRIMINOSOS


3 - A 20 de Março de 2003, cumprindo um plano elaborado há anos, pelo grupo de extrema-direita, gerido pelos chamados neo-conservadores - políticos e intelectuais judeus que enquadraram, teórica e politicamente, os centros decisores dos Estados Unidos (a Administração, o Congresso e a Câmara dos Representantes e a hierarquia dirigente do complexo industrial militar) que dominava a política norte-americana, desde os anos 90 do século passado, as Forças Armadas norte-americanas invadiram o Iraque.

Contaram com os criminosos dirigentes do Reino Unido (Tony Blair), Espanha (José Maria Aznar) e, secundariamente de Portugal (Durão Barroso) para "apoiar" o argumento "humanitário" para fazer marchar as hordas guerreiras.

Eis o argumento. O Iraque de Saddam Hussein estava a desenvolver, rapidamente, um arsenal enorme de armas de destruição maciça, com particular ênfase, em armamento nuclear.

(Na realidade, Saddam Hussein estava a procurar uma moeda alternativa ao petrodólar para fugir ao controlo financeiro da sua produção petrolífera e tentava diversificar a sua produção por outras companhias petrolíferas, que não as chamadas "sete irmãs" - Esso, Texaco, Socony e Socal, a Shell e a Amoco, interligadas aos grandes bancos de Wall Street e em grande parte ao Vaticano.

Além do mais, o Iraque era um centro geo-estratégico essencial "espaço vital" para enfrentar o Irão em crescendo e obstaculizar o incremento no sector - crude e gás - da Rússia e da China, controlando, a prazo toda a zona do Cáspio, o maior território mundial de jazidas de gás).  

Uma pesquisa, feita em 2007, pela organização internacional Opinion Research Business (ORB) fez uma estimativa, baseada em dados cruzados de diferentes fontes, desde oficiais norte-americanas, a oficias iraquianas e organizações ditas não governamentais no terreno, que desde a invasão e ocupação houve mais de 1.220.000 mortes violentas devidas à guerra no Iraque.

Até hoje não foi encontrada nenhuma das grandes armas de destruição maciça. 

E os criminosos de guerra passeiam-se pelo mundo a sacar dinheiro.




Os Estados Unidos - e a cálifa de criminosos 

apoiantes, como o actual secretário-geral da 

NATO, que era primeiro-ministro dinamarquês 

na altura da invasão (entre 2001 e 2009) e dos 

grandes massacres, Anders Fogh Rasmussem, 

capitularam em 15 de Dezembro de 2011, 

anunciando, apenas formalmente, que saiam do 

terreno e entregavam o comando a tropas do 

actual regime de Bagdad.


Claro que o Exército derrotado dos EUA/NATO 

não saiu, totalmente, do Iraque, uma parte está 

aquartelado em zonas estratégicas, dando 

apoio aos fantoches governamentais, outra 

parte, saiu pela porta baixa para o Kuwait.

Referimos, para que conste, as reportagens 

feitas por jornais no Iraque sobre, uma parte 

mínima do que lá se passou. Esta é retirada do 

jornal on-line UOL


"Relatos de massacre no Iraque 

Michael S. Schmidt
Em Bagdá (Iraque)

Um a um, os fuzileiros navais sentaram-se, juraram dizer a verdade e começaram a conceder entrevistas secretas, discutindo um dos episódios mais horríveis da época norte-americana no Iraque: 

o massacre de civis iraquianos pelos fuzileiros navais na cidade de Haditha em 2005.

"Quero dizer, quer tenha sido um resultado de nossa acção ou de outra acção, você sabe, descobrir 20 corpos, com as gargantas cortadas, você sabe, sem cabeça, 20 corpos aqui, 20 corpos ali", disse o coronel Thomas Cariker, comandante na província de Anbar na época, aos investigadores enquanto descrevia o caos no Iraque. 

Às vezes, disse ele, as mortes eram causadas por "ataques de granadas nos postos de vigilância, você sabe, com morte de civis."

As 400 páginas de interrogatórios, que eram considerados segredos de guerra, deveriam ter sido destruídas à medida que os últimos soldados norte-americanos se preparam para deixar o Iraque. 

Não o foram. Alguém deixou esse material. Foram descobertas juntamente com muitos outros documentos confidenciais, incluindo mapas militares mostrando as rotas de helicóptero e localização de radares, por um repórter do The New York Times num depósito de lixo nas cercanias de Bagdad. 

Um soldado estava usando os documentos como combustível para acender uma fogueira e fazer um jantar de carpa fumada.

Os documentos – muitos marcados com o carimbo de secretos – fazem parte da própria investigação militar interna e confirmam a maior parte do que aconteceu em Haditha, uma cidade no rio Eufrates onde os fuzileiros navais mataram, pelo menos, 24 iraquianos, incluindo um homem de 76 anos numa cadeira de rodas, mulheres e crianças, algumas ainda de colo.

Haditha se tornou um momento definitivo da guerra, ajudando a consolidar uma desconfiança perene dos iraquianos em relação aos Estados Unidos e um ressentimento pelo facto nenhum fuzileiro naval nunca ter sido processado. 

Esta é uma das principais razões pela qual as tropas de combate dos EUA estão indo embora no fim de semana.

Mas os relatos são tão terríveis, pois revelam o stress extraordinário dos soldados que foram enviados para o país, as suas frustrações e os seus encontros frequentemente dolorosos com uma população que eles não entendiam. 

Nas suas próprias palavras, o relatório documenta a natureza desumanizante da guerra, onde os fuzileiros navais passaram a considerar 20 civis mortos não como algo "incomum", mas como rotina.

Civis iraquianos eram mortos o tempo todo. 

O major-general Steve Johnson, comandante das forças norte-americanas na província de Anbar, em seu próprio testemunho, descreveu isso como "o custo de fazer negócios".

O stress do combate deixou alguns soldados paralisados, consta nos depoimentos. 

Soldados, traumatizados com o aumento da violência e se sentindo constantemente cercados, ficaram cada vez mais nervosos, matando mais e mais civis em encontros acidentais. 

Outros ficaram tão insensíveis e acostumados às mortes que atiravam deliberadamente em civis iraquianos enquanto seus camaradas tiravam fotos, e eram enviados os tribunais. 

Os corpos se empilhavam numa época em que a guerra foi horrivelmente errada.

Acusações foram retiradas contra seis dos fuzileiros envolvidos no episódio de Haditha, outro foi inocentado e o último caso contra um fuzileiro naval deve ir a julgamento no ano que vem.

Essa impunidade por fim envenenou qualquer oportunidade de as forças norte-americanas continuarem no Iraque, porque os iraquianos não as deixariam ficar sem que se sujeitassem às leis e tribunais iraquianos, uma condição que a Casa Branca não poderia aceitar.

Depois de saber que os documentos haviam sido encontrados, o coronel Barry Johnson, porta-voz do Exército norte-americano no Iraque, disse que muitos deles continuam confidenciais e deveriam ter sido destruídos. 

"Apesar da forma inadequada como eles foram abandonados e chegaram à nossa posse, não temos liberdade para discutir informações confidenciais", sustento ele.

Muitos dos que testemunharam nas bases no Iraque ou nos Estados Unidos eram claramente responsáveis por não ter investigado uma atrocidade e podem ter tentado moldar seus testemunhos para descartar qualquer ideia de que tentaram encobrir os eventos. 

Mas os relatos também mostram a consternação dos fuzileiros navais enquanto lutavam para controlar uma terra pouco familiar e o seu povo, o que acabou se tornando em constante estado de sítio por conta dos guerilheiros que eram quase indistinguíveis dos não combatentes.

Alguns, sentindo que estavam constantemente sendo atacados, decidiram usar a força primeiro e fazer perguntas depois. 

Se os fuzileiros incendiavam um prédio, eles normalmente o derrubavam. 

Simples motoristas que se aproximavam dos pontos de fiscalização sem parar eram considerados homens-bomba.

"Quando um carro não para, ele cruza a linha de fogo, os fuzileiros entram em combate e, sim senhor, há pessoas dentro do carro que são mortas e não tem nada a ver com a coisa", testemunhou o sargento major Edward T. Sax, oficial superior do batalhão. 

Acrescentou: "tive fuzileiros que atiraram em crianças em carros e tive que lidar com eles individualmente, um a um, porque eles tinham muita dificuldade em lidar com isso."

Sax disse que perguntava aos fuzileiros responsáveis se eles sabiam que havia crianças no carro. 

Quando eles diziam que não, ele concluiam pura e simplesmente, que a culpa não era deles. 

Ele assinala que se sentia mal pelos fuzileiros que tinham atirado, dizendo que eles carregariam um fardo para a vida toda.

"Uma coisa é matar um insurgente num conflito aberto", testemunhou Sax. "Outra coisa muito diferente – e odeio dizer isso, da forma como somos criados nos Estados Unidos – é ferir uma mulher ou ferir uma criança ou, no pior caso, matar uma mulher ou matar uma criança."

Eles não conseguiam entender porque tantos iraquianos não paravam nos postos de fiscalização e especulavam que era por causa do analfabetismo ou de problemas de visão. 

"Eles não têm óculos ou coisa parecida", disse o coronel John Ledoux. "Isso de facto faz pensar, por causa de algumas coisas que eles faziam para continuar andando. Você sabe, é difícil imaginar que eles simplesmente continuavam vindo, mas às vezes eles faziam isso."

Este era o ambiente em 2005, quando os fuzileiros da Companhia K do 3º Batalhão, 1º Regimento de Fuzileiros Navais de Camp Pendleton, Califórnia, chegaram na província Anbar, onde se localiza Haditha, muitos pela segunda ou terceira vez no Iraque.

A província havia se tornado uma fortalieza para sunitas sem direitos e guerrilheiros estrangeiros que queriam expulsar os Estados Unidos do Iraque, ou simplesmente matar o máximo possível de norte-americanos. 

Das 4.483 mortes (norte-americanas) no Iraque, 1.335 aconteceram em Anbar.

Em 2004, quatro funcionários da Blackwater (empresa de mercenários ligada a Donald Rumsfeld, secretário da Defesa) foram assassinados e arrastados pelas ruas de Fallujah. Os seus corpos foram queimados e pendurados numa ponte sobre o rio Eufrates. 

Dias mais tarde, o exército norte-americano entrou em Fallujah, e o resultado foi o caos na província de Anbar durante os dois anos seguintes à medida que os norte-americanos tentavam lutar contra os insurgentes.

O stress do combate logo chegou ao máximo. 

Um membro da unidade de fuzileiros navais parou de tomar a sua medicação para transtorno obsessivo compulsivo e parou de funcionar. 

"Tivemos o episódio em que os fuzileiros se fotografaram atirando nas pessoas", testemunhou o coronel R. Kelly, dizendo que eles chamaram imediatamente o Serviço de Investigação Criminal Naval e "confiscaram a máquina deles". 

Ele sustentou que os soldados envolvidos foram enviados à tribunal marcial.

Tudo isso estabeleceu o cenário para o que aconteceu em Haditha em 19 de novembro de 2005. 

Naquela manhã, um comboio militar de quatro veículos estava a caminho de um posto militar em Haditha quando um dos veículos foi atingido por uma bomba na beira da estrada. 

Vários fuzileiros saíram para socorrer os feridos, incluindo um que eventualmente morreu, enquanto outros procuraram insurgentes que poderiam ter montado a bomba. 

No espaço de algumas horas, 24 iraquianos, incluindo um homem cego de 76 anos de idade e crianças de 3 a 15 anos – foram mortos, muitos dentro de suas casas.

Moradores da cidade sustentam que os fuzileiros reagiram exageradamente ao ataque e atiraram em civis, dos quais só um estava armado. 

Os fuzileiros garantiram que acreditavam estar sendo atacados. 

Quando os relatórios iniciais chegaram, sublinhando  que mais de 20 civis haviam sido mortos em Haditah, os fuzileiros que os receberam disseram que não ficaram surpreendidos pelo número alto de mortes civis.

O oficial superior K.R. Norwood, que recebeu os relatórios do local, no dia dos eventos em Haditha, e os transmitiu aos comandantes, testemunhou que 20 civis mortos não era um número incomum. 

"Quer dizer, não era excepcional, baseado na área eu não diria que era excepcional, senhor", disse Norwood. 

"E esta é apenas a minha definição. Não que eu ache que uma vida não vale, é que..."

Um investigador perguntou ao oficial: "quer dizer excepcional ou notável em termos de algo que teria lhe chamado a atenção e que você teria dito imediatamente: 'preciso ter mais informações sobre isso. Há muitas mortes'." 

"Não na época, senhor", testemunhou o oficial.

Johnson, comandante das forças norte-americanas na província de Anbar, disse que não se sentiu compelido a voltar e examinar os factos porque eles faziam parte de um padrão contínuo de morte de civis. 

"Aquilo acontecia a todo o momento, não necessariamente em MNF-Oeste o tempo todo, mas por todo o país", testemunhou Johnson, usando uma sigla militar para as forças dos EUA/NATO no oeste do Iraque.

"Então, você sabe, talvez – imagino que se eu estivesse sentado aqui em Quantico e ouvisse que 15 civis haviam morrido eu teria ficado surpreendido e chocado e teria tomado mais providências para investigar", testemunhou, referindo-se à Base de Fuzileiros Navais em Quantico, Virginia. 

"Mas naquele momento, senti que aquilo era – ou costumava ser, porque qualquer motivo, parte daquela ação e senti que era apenas o custo de atuar naquela luta em particular."

Quando os fuzileiros chegaram no local para avaliar o número de corpos, pelo menos um soldado achou que seria um bom momento para tirar fotos para ele mesmo guardar. 

"Eu sei que um fuzileiro estava tirando fotos apenas para tirar fotos e eu disse a ele para destrui-las todas", testemunhou um primeiro tenente identificado como M.D. Frank. 

"Ele estava comigo, senhor, e ele estava tirando algumas fotos e eu disse: 'Sargento, destrua essas fotos porque você está simplesmente se envolvendo numa carrada de problemas.' Então ele respondeu, 'Entendido, senhor'."

Os documentos revelados pelo The Times – que incluem bilhetes escritos a mão pelos soldados, documentos de fuzileiros garantindo o seu direito contra a auto-incriminação, diagramas de onde as mulheres e crianças mortas foram encontradas, e fotos do local onde o fuzileiro foi morto pela bomba na estrada no dia do massacre – continuam confidenciais.

Num encontro com os meios de comunicação social em Outubro, antes que os militares ficassem sabendo sobre a descoberta dos documentos, o comandante dos EUA encarregado da logística da retirada disse que os arquivos das bases foram transferidos para outras partes do exército ou incinerados. 

"Nós não colocamos documentos oficiais no lixo", disse o comandante, major general Thomas Richardson, num encontro na Embaixada dos EUA em Bagdad.

Os documentos foram empilhados em contentores militares e transportados para o ferro-velho por uma empresa iraquiana que estava tentando vender o que havia sobrado das bases norte-americanas, disse o funcionário local. 

O funcionário iraquiano disse que não tinha ideia sobre o que eram os documentos. Admitiu, apenas, que que eles eram importantes para os norte-americanos.

Ele referiu que, mesmo assim, ao longo de semanas queimou dezenas e dezenas de pastas, transformando em cinzas outras histórias não contadas sobre a guerra. 

"O que podemos fazer com isso?", disse o funcionário. 

"Essas coisas não valem nada para nós, mas entendemos que são importantes e que é melhor queimá-las para proteger os norte-americanos. Se eles estão indo embora, significa que seu trabalho terminou aqui."

A guerra do Iraque teve só massacres, 

destruição de praticamente toda a infra-

estrutura do país, corrupção e desvio de 

dinheiros entre os altos funcionários civis 

e os responsaveis militares. 

Teve Abu Ghraib. 

E os Presidentes George W. Bush e Barack 

Obama estavam a par.


Do Jornal de Notíciais, de 29 de Maio 

de 2009.

Cita-se: 


"As fotografias de abusos sobre prisioneiros no 

Iraque que o presidente dos Estados Unidos, Barack 

Obama, recusou divulgar incluem imagens de 

violações e abusos sexuais, noticiou, ontem, o diário 

britânico Daily Telegraph.




As imagens estão entre as fotografias incluídas num 

relatório de 2004 sobre os abusos contra prisioneiros 

da prisão iraquiana de Abu Ghraib, elaborado no final 

de uma investigação conduzida pelo general Antonio 

Taguba. O general incluiu nesse relatório relatos de 

prisioneiros que testemunharam violações e abusos 

sexuais e, anteontem, confirmou ao jornal britânico 

que também constam do relatório imagens que 

confirmam essas alegações. "Essas fotografias 

mostram tortura, abusos, violações e todo o tipo de 

indecências", disse ao Daily Telegraph o general 

Taguba, que passou à reforma em 2007. Taguba 

afirmou também ao jornal que apoia a decisão de 

Barack Obama de não divulgar as fotografias, apesar 

de o presidente norte-americano ter anteriormente 

prometido divulgar todas as imagens relacionadas 

com os abusos em Abu Ghraib e outras prisões norte-

americanas no Iraque.


Segundo o Telegraph, há pelo menos uma fotografia 

que mostra um soldado norte-americano 

aparentemente a violar uma prisioneira e outra que 

mostra um tradutor a violar um prisioneiro.


Entretanto, ontem, o Pentágono desmentiu a notícia 

do jornal britânico. O porta-voz do Pentágono, Bryan 

Whitman, disse que o jornal Daily Telegraph mostrou 

"incapacidade de obter os factos de forma correcta". 


"Essa organização de notícias descaracterizou 

completamente as imagens", disse.


PRINCIPAIS CRIMINOSOS
Estados Unidos George W. Bush
Estados Unidos Barack Obama
Estados Unidos Tommy Franks
Estados Unidos Ricardo Sanchez
Estados Unidos George Casey
Estados Unidos David Petraeus
Estados Unidos Raymond T.Odierno
Estados Unidos loyd Austin
Reino Unido Tony Blair
Reino Unido Gordon Brown
Reino Unido David Cameron
Reino Unido Brian Burridge
Espanha José María Aznar

 José Manuel Durão Barroso
Itália Silvio Berlusconi
Polónia Lech Kaczyński
Iraque Nouri al-Ma




 

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

A FRANCO-MAÇONARIA FRANCESA E O BRANQUEAMENTO DO COLABORACIONISMO


1 - As cumplicidades do Partido Socialista francês desde os tempos da ascensão à liderança de François Miterrand e da Franco-Maçonaria gaulesa da Grande Loja de França, desde a ocupação hitleriana de França, com a extrema-direita, são denunciadas - directa e indirectamente - num artigo saído na revista macónica "Franc Maçonnerie" daquele país, no seu número 24, com data de Maio/Junho de 2013.

Este artigo insere uma investigação feita pela revista, tendo como objectivo principal a denúncia do papel desempenhado por Charles Hernu, antigo Ministro da Defesa do então Chefe de Estado François Miterrand, na repressão aos resistentes em estreita colaboração com o regime de Vichy e dos ocupantes nazis.


(As denúncias sobre a "penetração" protegida da extrema-direita no PSF advem, por forma indirecta, justamente, devido ao papel que as personalidades da franco-maçonaria pró-nazis ou colaboracionistas, como Mitterrand e Hernu, entre outros desempenharam na formação do actual Partido Socialista Francês, em 1971, e na prática daquele partido).

A manchete da revista, cujo redactor em chefe se chama Jean-Marc Vésinet, intitula-se "Histórias Secretas- Hernu-Faucher -colaboracionistas na maçonaria" e aquele escreve um editorial onde se refere a "Vichy e as suas sombras".






A investigação segue Charles Hernu, e, especifica que este antigo poderoso Ministro da Defesa socialista, foi investigado e interrogado, a 13 de Julho de 1956, por um "grupo de franco-maçons, a maior parte pertencente à loja Maurice Berteaux, da Grande Loja de França, "todos antigos resistentes, sobreviventes da deportação"  por suspeita da sua participação activa com o colaboracionismo de Vichy e com a polícia do ocupante nazi de França, pelo menos desde 1943.

O autor admite cumplicidades, mesmo entre os resistentes judeus, e remete um apontamente sarcástico, relativamente ao próprio papel da "Liga Internacional contra o Anti-semitismo, pouco depois transformada em Liga Internacional contra o Racismo e o Anti-semitismo (Licra), que teve por tesoureiro Julien Obarjanski, que utilizou o pseudónimo de Julien Aubard, membro do juri fraternal que interrogou Hernu em 1956. Compreende-se mal que este caçador de nazis, colaborador próximo de Serge Klarsfeld, se tivesse contentado com as respostas de Hernu".  

Porém, no entanto, aceites as respostas e justificações de Hernu, e não aprofundando os dados documentais que então, na opinião de outros resistentes, já se possuíam, Hernu subiu na hierarquia macónica e socialista.

Nesta altura, já Charles Hernu, com 33 anos, se integrara na loja nº 723, da Tradição Jacobina, (é esta loja que vai servir de trampolim a homens como Faucher e Berard-Quélin, colaboracionista que chefiou a Société Géneral de Presse),  era deputado pelo Partido Radical e colaborador íntimo de Pierre Mendès-France.

(Pierre Mendès-France foi uma personalidade política francesa, falecido em 1982, tendo começado como deputado radical-socialista em 1932 e participado, em 1938, no governo de frente popular.

Entre 1944 e 1945, juntou-se à facção gaullista da resistência, fazendo parte das Forças Aéreas Franceses Livres. Todavia, repudiou, mais tarde, a candidatura de Gaulle à Presidência do Governo e, mais tarde, à Chefia do Estado.

Em 1954, foi nomeado pelo Presidente René Coty, presidente do Conselho de Ministros, acumulando a função de Ministro dos Negócios Estrangeiros, por um período de cerca de oito meses.

A sua atitude política perante a questão colonial argelina contribuiu para queda do seu governo.

Com um partido com deficiência de quadros, apoiou-se em personalidades e activistas que se afirmavam "socialistas patriotas", os quais se foi verificando que não eram, nada mais, nada menos, que antigos colaboracionistas e nazis franceses, que procuravam, através de partidos anti-comunistas "à esquerda", bem como do facto da franco-maçonaria, de que Mendès-France fazia parte, ter uma orientação claramente anti-comunista, e, permitir, táctita ou convictamente, a filiação de antigos nazis ou membros do partido de Vichy.

Aliás, Mendès-France, que saiu da franco-maçonaria e pretendeu reentrar, abandonou tal propósito depois de um grupo de hierarcas daquela instituição o pretender interrogar sobre o papel que desempenhou em França durante a ocupação).
 .
O autor da reportagem, Jean-Moise Braitberg, começa o 

seu artigo, afirmando: "se a franco-maçonaria 

francesa perdeu um certo número dos seus 

durante a Segunda Guerra Mundial, caídos 

a defender os valores da sua ordem, ela, 

também, serviu para branquear um certo 

número de colaboracionistas".



O articulista centra-se nas personalidade de Charles Hernu 

e Jean-André Faucher, "duas figuras cujo percurso não 

honram, nem a maçonaria, nem a República".



2 - Porque explora o autor estas duas personagens 

políticas?

Por um lado, porque existem documentos - inclusivé 

alguns que a própria hieraquia suprema da  instituição 

maçónica conhecia desde o início e os "escondeu", por 

outro, porque eles foram dois dos principais pivôs para o 

"branqueamento" do colaboracismo François Mitterrand, e a

 sua posterior ascensão no controlo do Partido Socialista 

(cujos sucessores, como Laurent Fabius e François 

Holland, foram protegidos no seu caminho para a liderança 

actual no PSF).

Charles Hernu entrou para as juventudes vichistas, com 20 

anos em 1943 e teve cargos de responsabilidade e de 

espionagem no sistema de propaganda que controlava o 

trabalho obrigatório na França ocupada.


Faucher foi sempre um activista da extrema-direita, ligado 

ao jornalismo fascista com a ocupação supervisionada pelo 

marechal Pétain, participante na repressão aos guerrilheiros 

resistentes, colaborador da GESTAPO. 


Depois da guerra, foi condenado à pena capital, mas 

conseguiu livrar-se da execução e "apagar", em grande 

parte, o seu passado, através da sua ligação activa à franco-

maçonaria. 


Foram figuras cimeiras daquela instituição que os

protegeram e o autor cita nomes. Max Weynberg e Guy 

Penne (este foi o mais próximo colaborador de Mitterrand 

para os negócios africanos entre 1981 e 1986, senador 

socialista de 1986 a 2004, além de membro do Conselho 

Superior dos Franceses no Exterior em 1985).

O autor da reportagem faz uma grande referência, em texto à parte, sobre a investigação realizada por Johannis Corneloup (que foi, entre outros cargos, membro do "Grande Colégio dos Ritos do Grande Oriente Franês", durante a II Grande Guerra) que transformou em livro, com o título "História e causa de uma derrota", com edição de 1976.

Assinala, então, a existência de um "acordo" em 1943, com Laval, então primeiro-ministro colaboracionista, da parte do Conselho da Grande Loja de França para "a reconstrução da maçonaria de Estado", justificada pela sua estrutura superior, dita humanista, para "contrariar a influência" da Igreja Católica junto do marechal Pétain.

Tal acordo e o que se seguiu. "Depois da guerra todo aquele pequeno mundo confraterniza na luta anti-comunista, em torno do antigo braço direito de Marcel Dréat, (que foi o principal dirigente colaboracionista do Conselho da Grande Loja de França.NN), Georges Albertini, e da CGT Force Ouvriére".

Ou seja, permitiu a integração e dominação, em grande medida, da franco-maçonaria, progressivamente, pelos quadros organizados do colaboracionismo e da cumplicidade com o nazis dentro daquela instituição. 

O articulista e investigador Jean-Moise Braitberg assinala, ao longo da sua reportagem, os homens pró-nazi, colaboracionistas que trabalharam com aqueles dois escroques, como Jean Baylot - que foi membro eminente do Grande Oriente de França e depois da Grande Loja Nacional Francesa, e que vai ser o chefe máximo da Polícia Francesa de Paris de 1951 a 1954.


Jean Baylot, chefe da polícia de Paris

Interliga-os ao jornalista Gilbert Pradet, aliás Guy Vinatrel, que pertenceu ao franco-maçon Clube do Século, fundado por Bérad Quelin, que mantinha ligações ao Clube dos Jacobinos, de Hernu, e que vão ser peças importantes na formação das "Convenções das Instituições Republicanas", que lançam a campanha presidencial de François Mitterrand em 1965.

(Bérad-Quélin subiu na política e nos negócios até à sua morte, tendo sido condecorado como oficial da Legião de Honra e Comendador da Ordem Nacional do Mérito. Foi um importante membro do Grande Oriente de França.


Jean-André Faucher e Mitterrand, antes da ascensão ao poder


Jean-André Faucher, que foi director do gabinete de imprensa de Miterrand, faleceu em 1999, mas viveu sempre como grande do regime republicano e importante no interior da franco-maçonaria, tendo colaboracionistas no poder.

Foi, alíás, durante muito tempo membro do Conselho Económico e Social, proposto pelo então Primeiro-Ministro mitterrandista Laurent Fabius, hoje Ministro dos Negócios Estrangeiros. Recebeu ainda a distinção de Cavaleio de Legião de Honra em 1986).

Refere o investigador ainda que são estes homens que se reunem com Jean-Marie Le Pen, filiado então no partido de extrema direita de Pierre Poujade, onde foi deputado.

3 -  O papel do branqueamento do colaboracionista através de instituições da franco-maçonaria e a acção que aquela teve em todas as esferas para desempenhar tal missão, desde o encobrimento do papel do patronato sob a ocupação até á cumplicidade em uma parte substancial dos grandes meios de comunicação social na emergência dessa figura, está bem retratado na ascensão de François Mitterrand à Chefia do Estado.

Aquele, Mitterrand, em 1942, em Vichy, é um activo membro da Legião dos Combatentes e Voluntários da Revolução Nacional e no Comissariado para a Reintegração dos Prisioneiros de Guerra. 

Em 1943, recebe a Ordem da Francisca das mãos do Marechal Pétain.



François Mitterrand recebe a Ordem Francisca


Em 1944, com o aproximar do descalabro da ocupação nazi de França, Mitterrand foge para Londres e encontra-se com o general De Gaulle. 

Depois surge, branqueado, como resistente no pós II Grande Guerra. E abandona De Gaulle.

É eleito deputado em 1946 e torna-se Ministro dos Antigos Combatentes nos governos de Ramadier e Schuman (1947/48), depois secretário de Estado da Presidência do Conselho nos executivos de Marie, Schuman e Queille. Ministro do Ultramar (1950/51), Ministro de Estado com Edgar Faure como Presidente do Conselho, ministro do Interior de Pierre Mendès-France e da Justiça, com Guy Mollet (1954/57). 

Carreirista e apoiado pela sua "entourage" de colaboracionistas bem integrados no chamado "centro-esquerda", candidata-se, em 1958, à Chefia de Estado contra De Gaulle. Perde.

Com apoios alargados, que vão da esquerda à extrema-esquerda, e tendo como apoiantes a mesma equipa que o segue desde da interajuda no interior da franco-maçonaria, Miterrand recandidata-se em 1965 à Chefia de Estado, novamente, contra De Gaulle.

Vai à segunda volta, perde a favor de DE Gaulle, mas está no centro da oposição. 

Em 1971, afasta os velhos socialistas que vinham da II Internacional e funda o PSF em 1971, cujo centro dirigente são as "Convenções das Instituições Republicanas".

Num golpe de asa, chama para o seu lado o PCF, acenando-lhe com um "Programa Comum de Governo", que aquele assina em 1972, em nome da "unidade da esquerda". 

O PSF de Mitterrand, depois de ultrapassar, eleitoralmente, o PCF, descarta-o como parceiro do governo. 

A franco-maçonaria e o PSF, formatados no tempo de Mitterand, passam a confundir-se, na economia, na política e na sociedade. 

Envolvem-se no centrão que passa pelos antigos aliados do gaullismo, que dão o poder a Sarkosi.

4 - O actual grão-mestre do Grande Oriente de França, Daniel Keller, é um administrador do grupo Renault. 

Segundo José Gulino, antigo grão-mestre do GOF, citado pela revista "PORQUOI?", "os patrões, pequenos ou grandes, fornecerão *de um quarto a um terço* dos maçons".

O grosso provem de "servidores" daqueles, através de profissões liberais, advogados, engenheiros, médicos, entre outros, mas, principalmente, segundo a mesma revista de uma "guarda-avançada" de políticos, dos principais partidos que sucedem no poder. 

Aconteceu com os Ministérios Sarkosi, ele próprio um maçon, e acontece hoje com o Ministério Holland.

Segundo a revista "PORQUOI", que cita vários iniciados, "dois terços do governo Ayrault - PM de Holland - serão maçons".






Cita alguns dos mais importantes como o ministro do Interior Manuel Valls, o mais direitista daquele executivo, o Ministro da Defesa, Jean-Yves de Drian, o Minsitro dos Negócios Estrangeiros, Laurent Fabius (que PM de Mitterrand) e Pierre Moscovici, Ministro das Finanças.

A revista assinala que existirão cerca de 150 "irmãos" membros da Assembleia Nacional Francesa.

Uma rede, acrescenta a revista, que se estende  a cerca de 200 mil "irmãos" e "irmãs" em toda a França, com uma grossa fatia nos lugares chaves do poder político, económico e social.

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

ELEIÇÕES EUROPEIAS: PREPARAR UM COMBATE SEM TRÉGUAS AO CAPITAL FINANCEIRO





1 - As eleições para a constituição do novo Parlamento Europeu (PE) estão marcadas nos diferentes países que integram a União Europeia (UE) para um período entre 22 e 25 de Maio próximo, sendo que em Portugal o dia estabelecido será o último, um domingo.

Estas eleições surgem em pleno desenvolvimento de mais uma crise económica-financeira mundial, que desta vez atinge, não só o chamado mundo ocidental, com os EUA e a Inglaterra à cabeça, mas também com uma instabilidade sócio-económico-financeiras de grandes dimensões na União Europeia, em particular na zona euro, mas, ao mesmo tempo, com processos recessivos significativos nos chamados países emergentes, China, Rússia, Brasil, Argentina, África do Sul e Japão.




Assinatura do Tratado da Comunidade Europeia do Carvão e do Aço, em 1950

Mas, o centro do vulcão - ainda a lançar apenas fumo - está centrado nos EUA, e estes querem "exportar" os seus destroços mais gravosos para fora do seu território e minimizar, internamente, os efeitos já visíveis de um "estouro" sem precedentes no seu sistema financeiro.

Para a Europa, do ponto de vista geo-económico, a orientação política que sair desta liça eleitoral poderá (ou não) abrir perspectivas de um novo rearranjo cambial entre o euro, os chamados BRICS, em particular, e, eventuais parcerias mais sólidas entre a moeda europeia, o rublo russo e o yuan chinês.

Para tal, do ponto de vista ideológico, terá de contribuir uma entrada em força, face à austeridade que prevaleceu e entrou em colapso, como modelo económico, das reivindicações das classes trabalhadoras para a satisfação de medidas de bem-estar, de garantias de reimplantação de serviços sociais universais, de direitos laborais que foram desregulados, de uma participação mais activa no próprio processo de reconstrução europeia.

Ou seja, os povos de cada país sejam capazes de forçarem o relançamento económico industrial e agro-industrial, possivelmente sobre o impulso de explosões e convulsões sociais de envergadura, exigindo outro tipo de autoridade extra-nacional e mesmo nacional. 

Em termos práticos, pois, é na UE, que no meio da crise do sistema político dominante, mais se faz sentir o peso ameaçador das classes trabalhadoras. 




E, é nesta perspectiva que o acto eleitoral tem um interesse renovado, já que é o capital financeiro internacional que mais está interessado em fomentar o nacionalismo, através de partidos e grupos nazi-fascistas, ou de igual conteúdo ideológico, desarticulando as reivindicações classistas no seio da União.  

Mas, também, é - e ainda dos sectores trabalhadores - na UE - em particular na zona euro - que que se impulsionam as reivindicações de mais democracia em política (o que significa uma reivindicação de uma integração democrática), uma reformulação total das instituições existentes, desde as executivas como a Comissão Europeia às financeiras, como o Banco Central Europeu. 

Mas, é nesta fase da turbulência europeia, que se questiona igualmente a sua capacidade defensiva e como a montar e como se pode fazer, na prática revolucionária, a defesa de uma Europa unida.

Sendo, na minha opinião, estes pressupostos os temas centrais políticos de debate, considero, no entanto, que uma questão mais relevante de carácter ideológico deve ser colocado na ordem do dia.

Não haja dúvida que a vida em sociedade é, essencialmente, prática, a resolução dos seus problemas entronca na prática dos mesmos, mas a orientação da evolução humana no sentido do seu salto qualitativo como nova sociedade está na sua transformação. 

E essa transformação tem de contar e muito com a ideologia, um programa teórico que baliza a prática.


Neste aspecto, no centro do debate deve estar - assim o penso - um combate sem tréguas, e sem papas na língua, contra o modelo capitalista dominante na União Europeia, em particular nas suas tácticas de preservação através do fomento da desunião europeia, utilizando os partidos e forças conservadoras e pró-fascistas, alguns dos quais já estão no poder como em Portugal, Espanha, Holanda, Dinamarca, Noruega.

Esse combate passa, não pela intriga de formações de "frentes de esquerda" taticistas, mas pelo estabelecimento de um programa político mínimo de ruptura com o poder estabelecido e com a cumplicidade daquele na ascensão de grupos nazi-fascistas que contemple as principais reivindicações de unidade mínima das classes laboriosas.

Assim sendo, em primeiro lugar, está o combate ao poder do grande capital financeiro e aos seus centros de poder. 

Tem de se retirar todo e qualquer controlo económico e operacional desse capital da mãos dos seus representantes.

Em segundo lugar, a cooperação efectiva económica dos diferentes Estados da UE com uma distribuição equitativa de um Orçamento Comunitário que retira a supremacia de qualquer entidade estatal sobre outra. 

Tal cooperação implica transferências de dinheiro e de produção económica, e, inclusive, renegociação total da dívida.

Debater seriamente e com agudeza política a constituição de uma Europa federal ou confederal, com todas as implicações que produz esse passo, incluindo nas reconversões da sua democracia, nos controlos democráticos das instituições financeiras centrais, bem como das instituições políticas. E, também, nos conceitos de soberania.



Ora, essa Europa terá de forjar, desde já, a sua força única de defesa em detrimento da NATO e de outras estruturas castrenses que se estendam para lá do território da União.

É sob este programa, na minha opinião, que se tem de verificar se existem partidos políticos de esquerda e progressistas capazes de levantar estas reivindicações e de as apresentar como real projecto de governação da UE.

2 - A ideia da criação da Europa unida politicamente não é um construção abstracta de meia dúzia de intelectuais e pensadores do século XX.

É um processo histórico, cuja roda dentada da engrenagem, se pôs em marcha com o o início do Renascimento, e, a burguesia, surgida no interior dos condados e ducados feudais, se começou a impor como formação social de um novo modo de produção que estava a emergir: o capitalismo.

Ora, o passo essencial para o alargamento do seu poder e da sua instalação como formação social dominante, a burguesia necessitava da criação de grandes espaços territoriais, que permitissem o desenvolvimento do comércio e da distribuição de mercadorias a maiores distâncias, sem os obstáculos contínuos de barreiras alfandegárias e de impostos atrás de impostos do poder feudal, ultrapassado como inútil.

(Curiosamente, foi Portugal um dos primeiros territórios europeus a formar um Estado alargado e unificado, ultrapassando os particularismo feudais, cristãos e muçulmanos, e, deste modo preparou terreno para a sua expansão comercial extra-europeia).

Foi, exactamente, o avanço para os grandes Estados nacionais - que, apesar de todo o desejo, o facto é que demorou e está a demorar séculos - que permitiu uma nova estrutura de formação política que favoreceu o desenvolvimento económico da Europa.

E, é isso que conta para o avanço da consciência política das classes trabalhadoras, foi também esse salto na armação política europeia que permitiu uma maior articulação supranacional dessa consciência.

O exemplo mais flagrante - justamente nessa nova Europa que nasceu - foi a formação da I Internacional, com um programa comum de reivindicações de ruptura com o sistema capitalista que, então, - século XIX - tinha ganho o pleno estatuto de cidadania e de dominância.

Foi uma época de grande convulsões e conflitos. De estruturação de Estados à nova supremacia dessa burguesia.

Mas, as revoluções, que tiveram lugar na Europa, entre os anos 40 e os anos 90 do século XIX, que impulsionaram e espevitaram a burguesia para acabar com o feudalismo, especialmente no sector económico e lançaram os alicerces reais da liberdade política, estavam quase todas elas com o espectro fantasmagórico e a força real das classes trabalhadoras, que inclusive ascenderam e deram os contornos de um novo poder revolucionário, então ainda efémero, com a Comuna de Paris.

Foi também na Europa, já nos primórdios do século XX que se realizaram Revoluções abertamente socialistas (Alemanha, Hungria e Rússia), umas juguladas de maneira atroz, pela via militar, outras com a russa, progressivamente derrotada pela contra-revolução interna.

//As análises destes retrocesso merecem ser aprofundados, mas, em textos anteriores, já esbocei alguns dos pontos de vistas para iniciar o debate sobre essas derrotas//.

Mas, foi, igualmente, em resultados dos efeitos das duas grandes guerras, e, justamente, pelos efeitos mesquinhos dos nacionalismos e das rivalidades concorrenciais interburguesias, que um sector daquela teve a noção que o processo destrutivo da capacidade dos países europeus. 

//Embora, formalmente, os promotores da primeira estrutura europeia, a Comunidade do Carvão e do Aço, utilizassem como argumento criação a necessidade de contenção do chamado "bloco soviético" que se formara na parte da Europa, sob o domínio da antiga URSS, na realidade, esse dirigentes, mas principalmente os seus primeiros sucessores tivessem usado de uma arma diplomática chamada "real politique" para uma aproximação lenta, com afastamento tacitamente estudado de separação dos Estados Unidos. 

Aliás, foi um dos seus mais eminentes chefes políticos, Charles de Gaulle, que afirmou que o objectivo principal era a criação de "uma Europa" desde Portugal até aos Urais, em oposição à supremacia que então exerciam os Estados Unidos em território europeu ocidental//.




Pugnar por um novo modelo institucional e económico europeu

O que era certo e real é que as guerras na Europa produziram retrocesso e tal implicava, a prazo, atrasos na sua industrialização e no avanço tecnológico e o seu próprio avanço político face às potências que a rodeavam.

Propuseram, assim, uma nova fase de construção europeia, que passou, em primeiro lugar, pela economia produtiva, depois pela política cambial.

Necessita, agora, em novos moldes de prática democrática e de cooperação económica-financeira, de um avanço para uma unidade política, tendo em conta as especificidades nacionais e culturais, para as limar e fazer diminuir desconfianças dentro de novas instituições eleitas, fomentando ao mesmo tempo uma real unidade diplomática e defesa mútua.

O que exige que este caminho tenha como modelo o trajecto inicial de unidade económica, o que pressupõe uma reformulação total e radical da política seguida nos últimos 20 anos.

E, essencialmente, para as classes trabalhadoras colocar na ordem do dia um plano de forjar um partido europeu revolucionário.





























domingo, 2 de fevereiro de 2014

GUERRA COLONIAL: OPERAÇÔES ENCOBERTAS (12)





PIDE/DGS: OS SUBMISSOS DAS FORÇAS ARMADAS


Terminamos esta série de artigos sobre operações que apelidamos encobertas na guerra colonial portuguesa, com um artigo em que, verdadeiramente, não se pode intitular de "clandestina" a actividade no seu sentido formal, mas que consideramos exemplar pela submissão que demonstra uma parte significativa da oficialagem - principalmente os de mais alta patente - aos ditames da polícia política PIDE/DGS.

Pelo que retiramos do único documento dessa operação - que conseguimos consultar -, que, curiosamente, foi dirigida e orientada pela PIDE/DGS, que elaborou o relatório e se atreve a louvar a acção subserviente dos chefes militares nela empenhados, ela teve lugar junto ao rio Cuando, e, os factos referidos das acções operacionais não são claros para se determinar, pelo menos, se parte teve lugar em território da República Democrática do Congo, ou já em território colonial angolano, pois se efectuou na área fronteiriça do rio Cuango.

(O rio Cuango nasce nas terras altas do Alto Chicapa, na província angolana da Lunda-Sul, e, movimenta-se na direcção sul-nor-noroeste, fazendo de raia com a RDC. 


Entra depois naquele país e junta-se ao rio Cassai, próximo de Bandunu. Desagua no rio Congo. 

A via fluvial cerca cerca de 1.100 quilómetros de extensão, dos quais 855 em Angola). 




A operação chamou-se "Carnaval" e efectuou-se nos princípios de Fevereiro de 1970. 


Era comandante-em chefe militar em Angola o general Costa Gomes.

No seu relatório, o inspector da PIDE/DGS, que apenas assina com nome irreconhecível, sem uma identificação precisa, que dirige a subdelegação daquela polícia em Malange, coloca-se, logo  no início, como "motor" de toda a operação por terem sido os seus agentes que souberam da existência de "um grupo IN, estimado entre 40 a 50 elementos" que se encontravam "na área de Xassengue, Lunda, e que pretendia atravessar o rio Cuango, e através do Distrito de Malange, deslocar-se para Norte".

E após as sua investigações no terreno.

E é ele que fomenta - relatório descreve - a realização de uma "reunião do Conselho Distrital de Contra Subversão", em que, enfaticamente, o autor enaltece que o "chefe desta subdelegação" tem papel preponderante, pois é ele faz saber qual é a rota e a movimentação do "referido grupo".

Estranho. Toda esta supremacia numa reunião, onde o "comandante do sector militar de Malange" parece ser um brigadeiro (hoje um posto que se intitula major-general), que certamente contaria com os serviços de informação militar, que, pelo descrito, nem sequer estavam presentes.

Depois, e continuamos a seguir o relatório, é ele - inspector - que coordena toda a operação, tendo, na prática, como *assessor* "o excelentíssimo comandante militar".

Na descrição da "ACÇÃO", o agente policial discrimina minuciosamente o seu papel: 

"desloquei-me com o excelentíssimo comandante militar, a fim de contactar com o comandante da companhia daquela localidade e estudarmos, conjuntamente e localmente, a forma de ser travado o avanço do possível grupo IN".

"Ficou acordado", assinala o agente policial que as tropas do Exército estacionavam em zonas mais ou menos fixas, e a movimentação operacional ficaria a cargo dos chamados G.ES (os chamados Flechas, tropas negras mercenárias ao serviço da PIDE/DGS) supervisionados pelos elementos brancos, quer na entrada nos aldeamentos, na recolha de informações (feitas por *interrogatórios*) e, essencialmente nos `contactos`com as populações.

E é desta actividade operacional que o subdelegado da PIDE em Malange recorre ao pedido de apoios de helicópteros da Força Aérea.


Isto depois de terem capturado prisioneiros, que após *interrogatório* vieram a divulgar onde se encontravam "os depósitos de material", que estariam dispersos em várias áreas do território norte e leste de Angola.

"Em face de tal situação - propõe o inspector policial - foi posto o problema ao major Almada, comandante dos helys e ao senhor comandante do sector de Malanje, para se apurar da possibilidade de se arranjar transporte rápido para o Luso (hoje Luena), a fim de se contactar com o comandante da ZML (Zona Militar Leste) e expor-lhe a situação para que o material existente nos depósitos fosse capturado".

Pressuroso - o relato é do citado polícia - o major Almada colocou-se ao dispor da PIDE/DGS para o levar ao Luso por helicóptero.

No Luso, contactou o seu colega local, discutiu com ele a operação e só depois foi ao "senhor comandante da ZML".

Este, de imediato, colocou um pelotão de tropas comandos para ir, sob a sua supervisão, ao local onde se encontrava o armamento.

Em anexo, o responsável subalterno policial assinala o "material capturado" nos diversos locais várias "metralhadoras ligeiras", "espingardas", várias PPSH, Simonov "pistolas individuais", minas anti-pessoal, granadas de mão, incendiárias, morteiro e de bazuca, "2 morteiros completos", entre outros explosivos.




E dá um louvor sobre a forma de "Esclarecimento":

"Cumpre-me informar V.Exª (o director-geral Silva Pais) que o êxito desta fase, a partir da altura em que o CUMPRE (um dos prisioneiros interrogados que falou) refere depósitos no Luso, deve-se à compreensão e espírito de equipa do senhor major Almada da Força Aérea, que se prontificou a deslocar-se ao Luso, estando dado à operação de Quitapa e ao comandante do sector de Malanje, que por sua vez apoioi a ideia de ida ao Luso e nãp pôs entraves à saída do Hely, assim como o senhor brigadeiro comandante da ZML que colocou à nossa disposição uma companhia de comandos para a realização do assalto aos depósitos".

Nas forças que, na prática, supervisionou, o inspector descreve-as do seguinte modo:

Companhia de Nova Gaia; Companhia de Quela, Companhia de Luquembo; grupo de G.ES de Nova Gaia, grupo de G.ES de Quela e três brigadas da PIDE/DGS.

Pelos serviços prestados à PIDE/DGS, aquela polícia condecorou o general Costa Gomes - crachá de ouro -, que ascendeu em 1972 a Chefe do Estado-Maior-General das Forças Armadas, e se meteu no golpe de Estado do 25 de Abril de 1974, sendo mais tarde Chefe de Estado.