domingo, 16 de março de 2014

ESTAMOS NUMA ENCRUZILHADA NA RUPTURA COM O SISTEMA CAPITALISTA


1- Estão espalhados pelos meios de comunicação social do chamado ocidente uma multidão de "fuinhas" - sim fuinhas pagos pelos norte-americanos estilo, em português, Miguel Monjardino, Vasco Rato, e outros, que debitam para a "praça pública" as arengas em torno da defesa da democracia, segundo as quais tudo se pode fazer, (claro com *moderação* moralista), levando pela frente o que se se opuser a ferro e sangue.

(A História não é eurocêntrica, nem o mundo é especial, porque foi "construído" com o capitalismo a partir da sua parte ocidental!!!)

Vem isto a propósito dos acontecimentos que ocorreram nos últimos meses na Ucrânia, que conduziram a um golpe de Estado, e colocaram em lugares-chaves do novo poder partidos abertamente nazis, que ocupam postos chaves na governação de parte daquele país, na Justiças, nas Forças Militares e de Segurança.

(Exactamente como na Alemanha dos anos 30 do século passado...Para que conste!!!)

Com uma cobertura inusitada dos meios de comunicação norte-americanos, todos ligados ao capital de Wall Street, com os seus *alti-falantes* instalados na Europa, Washington, em chamas com as labaredas de uma nova crise financeira, económica e política interna a espraiar-se por todo o país, virou, outras vez, as baterias da geo-política para a União Europeia, forçando-a a um confronto concorrencial com a potência militar em recuperação, chamada Rússia.


 Vasco Rato com Pedro Passos Coelho num congresso do PSD em 2010


2 - As reuniões de Teerão, Ialta e Postdam, 

respectivamente, em Dezembro de 1943, 

Fevereiro de 1945 e Maio de 1945 (esta pouco 

dias após a rendição incondicional de nazismo 

alemão), retalharam e refizeram, de tal 

maneira e a seu, exclusivo, favor, o mapa da 

Europa (e de certa maneira de territórios 

coloniais que estavam sob a alçada dos 

europeus), com a uma orientação meramente 

imperialista, quer do lado dos EUA/Reino 

Unido, quer do lado da antiga URSS.


Embora sob um argumento legal do ponto de 


vista dos vencedores,  espezinharam, no 

entanto, as reacções internas das pessoas, 

menosprezaram aqueles que lutaram, no 

interior dos seus países, contra o imperialismo 

levado ao extremo como nazi-fascismo.


Estão, neste caso, a resistência guerrilheira em 


França, Itália, Grécia, Polónia e Jugoslávia, 

mas, esses vencedores não castigaram, com 

toda a dureza, aqueles que participaram 

activamente (com armas ou apoio logístico) no 

nazismo, como sucedeu na Alemanha (toda a 

estrutura de poder militar e securitário foi 

reformulada por oficiais generais e superiores 

hitleriano), na Espanha e em Portugal.


Os EUA e o Reino Unido aceitaram, em Teerão, 


por exemplo, com toda a naturalidade, a 

integração da Estónia, Letónia e Lituânia na 

ex-US. 


Como em Ialta, os dirigentes da URSS 


concordaram que, na "zona de influência" dos 


EUA/Reino Unido, ficasse a Itália, a Grécia e 


grande parte da Jugoslávia, embora a


resistência interna armada, que contribuiu 


grandemente para a sua libertação, quisesse 

organizar o Estado segundo a sua própria 

orientação.


Pouco valeram os sentimentos nacionais, 


pouco ou quase nenhum mérito tiveram, de um 

lado e de outro, o que pensavam os povos 

dentro das fronteiras que eram traçadas e 

retraçadas.


Apenas se impôs e colocou um obstáculo sem 

meia medidas, verdadeiramente, a 

antiga Jugoslávia, que meteu então um travão 

às ambições dos dois lados.






Conferência de Ialta...

e Conferência de Postdam: apenas Stáline permanece como dirigente mundial vencedor até final. Roosevelt (EUA) falecera e fora substituído pelo seu vice Truman e Churchill perdeu as eleições e retirou-se para dar lugar a Clement Atllee (Trabalhista).




Todavia, naquela situação e naquela altura, 

exceptuando a Alemanha, que colapsara por 

crimes cometidos, logo, ficara sem direitos, e 

que fora o centro do expansionismo e os seus 

dirigentes e personalidades principais das 

finanças, indústria e mesmo da Igreja Católica 

os criminosos promotores principais ou 

cúmplices da imensa mortandade e destruição,  

não se pode afirmar, verdadeiramente, 

que houvesse reacções e sentimentos 

nacionais ofendidos que se tivessem 

manifestado abertamente.


Mesmo os resistentes italianos e franceses - e 


noutra escala, a Grécia que lutou durante 

vários anos após 1945, verdadeiramente, e foi 

abandonada à sua sorte - cumpriram, 

fielmente, através dos seus principais 

dirigentes, Thorez em França, Togliatti em 

Itália, as directivas de "zona de influência" que 

o seu "mentor ideológico" Joseph Stáline lhe 

impos.


Foi uma situação que, no entanto, não podia 


durar muito tempo, quer de um lado, quer do 

outro dos eixos vencedores.


O primeiro grande processo, como já referido 

citado, de rebeldia, aconteceu na Grécia, 

através de uma guerra civil prolongada desde 

1941 a 1949, em que as forças imperialistas 

ocidentais EUA/Inglaterra (o próprio Winton 

Churchill, a determinada altura, esteve no 

terreno a coordenar as forças 

monárquico/socialistas coligadas) intervieram 

abertamente, tendo Moscovo deixado à sua 

sorte as forças de guerrilha, as maiores 

unidades internas do país, à sua sorte.


Revolução húngara de 1956, que iniciou a 23 


de Outubro e foi jugulada a 10 de Novembro, 

com a entrada das tropas da ex-URSS. 

Foi um movimento estudantil inicial, que se 

organiza fora das estruturas do chamado 

Partido Comunista da Hungria, que, mais tarde, 

veio a pôr em causa a política do partido no 

poder e a orientação pró-capitalista que estava 

a ser imprimida em todos os Estados sob a 

supremacia da ex-US. 


Já antes em 1953, em Berlim, iniciou-se uma 

revolta interna de operários da construção 

civil, que exigiam melhores condições de 

trabalho. 

O levantamento nacional, no entanto, começou 

a ser "infiltrado" por forças vindas do 

Ocidente, o que levou as autoridades soviéticas 

a intervir, e mereceu, tal como na Hungria, o 

assentimento tácito das outras potências 

ocupantes da Alemanha (EUA, Inglaterra e 

França).


Durante toda a década de 60 do século 


passado, registaram-se dos dois lados dos

blocos movimentos de envergadura 

descomunal que estavam orientados, embora 

com projectos de poder diferenciados,  

para contestar a supremacia imperial, quer dos 

EUA/NATO, quer da URSS/Pacto de Varsóvia.


A leste, os mais significativos e profundos 

deram-se, justamente, na Polónia e na 

Checoslováquia. 

E ocorreram, justamente, na parte final da 

década de 60, sendo que o caso polaco se 

prolongou pela década de 70, misturando uma 

movimentação operária, com uma orientação 

ideológica religiosa, neste caso, a católica, que 

financiou, a tripa forra, (mais de 300 milhões 

de euros), os sectores mais reaccionários 

pró-fascistas daquela sociedade, sectores 

esses que constituem hoje, no país, a grande 

lumpem burguesia financeira.


Os ocorridos no Ocidente - desde os 

próprios Estados Unidos, passando por 

França, Itália, Alemanha, Japão e mesmo 

o México, Brasil e Argentina - surgiram, 

todavia, com uma maior consciência 

classista, pois os sectores laborais que 

estavam, em primeiro plano, contestavam 

o poder capitalista existente, mas não 

havia um programa partidário que 

indicasse uma clara visão de uma ruptura 

social.


//De certo modo e em certo sentido, é esse desprezo pelos sentimentos e interesses dos povos espoliados, como aconteceu mesmo antes da II Grande Guerra, com a invasão fascista italiana da Líbia e também da Etiópia, mas também o espezinhamento brutal dos povos árabes pelos imperialistas britânicos (em conluio aberto com os judeus sionistas) fez rebentar a revolta árabe de 1936/39 em toda a região que constitui, actualmente, os territórios da Jordânia e da Palestina, a que pertencia o que hoje é Israel //.


Com o final da II Grande Guerra e a grande evolução tecnológica que deu nos anos subsequentes, abriu-se um período alargado que atingiu, do ponto de vista da geo-estratégia, da economia política, dos progressos militares, uma nova dinâmica na sociedade, que, progressivamente, se vai tornando global.


O incremento do progresso humano, a evolução de sistemas produtivos inter-Estados, os mais dependentes e atrasados economicamente (claro que em busca do lucro máximo por parte do grande capital financeiro), fomentaram uma "revolução" da estrutura produtiva em países pré-capitalistas, deram, pois, um impulso as relações de produções em diferentes locais que o que significou um "pontapé para a frente" na geopolítica, que já não é possível obstar, controlar ou destruir (a não ser por uma radical intervenção castrense nuclear).


De certo modo e em certo sentido, esta nova "localização geo-estratégica" teve dois pólos diferenciados. 

É essencial defini-los para se poder compreender, na minha opinião, a situação actual: 
 
a) revolução anti-imperialista de 1949 na China e 

b) constituição de uma nova Europa ocidental, baseada, primeiro, no alargamento progressivo do seu espaço económico cooperativo (fazendo desaparecer as fronteiras alfandegárias), e, segundo, na formação de 
de uma interligação cambial única dentro desse espaço, com a criação do euro.
 
3 - A revolução anti-imperialista chinesa que foi, inicialmente, um revolta com projecto socialista contra o imperialismo ocidental, e como tal influenciou, de uma maneira ou de outra, toda a política anti-capitalista e anti-colonial em todo Extremo e Médio Oriente, e, mais tarde, na Europa e mesmo nos Estados Unidos, adquiriu uma dupla concepção, ao criticar nos princípios os anos 60, o próprio capitalismo de Estado, implantado na ex-URSS com o epíteto de sociedade socialista.


Foi, no entanto, uma revolução socialista falhada. 

Tal como o fora a Revolução soviética. 

Enquadrava o mesmo modelo.

Tanto uma como outra, nasceram em territórios onde as relações sociais produtivas estavam atrasadas para dar um salto numa nova instituição social de ruptura com o sistema capitalista.


Contudo, o  movimento social rebelde chinês que lançou, num e noutro lado dos blocos imperialistas e principalmente nos países dependentes, levaram aqueles para um caminho em ascensão para um militarismo desenfreado. 


As Forças Armadas e o seu aperfeicoamento, cada vez mais sofisticado, conduziram os grandes Estados super-imperialistas a torná-las, praticamente o fim e o sentido único da sua existência.


O incremento das despesas castrenses começaram a devorar os interesses económicos, com uma intensidade crescente, à medida que regurgitavam a concorrência entre superpotências, por um lado, com o desmembramento acentuado dos domínios coloniais em África e no Oriente, e por outro, na propria concorrência no seio dos seus blocos intraimperialistas.


É neste aspecto que a URSS se desmembra, por exaustão, e a Europa se afirma como potência económica  (Mercado Comum), primeiro, e depois, cambial (euro), face ao próprios Estados Unidos.


Face às debilidades de unidade política e de defesa comum europeias, os seus dirigentes desde os anos 90 do século passado, em vez de seguirem uma política autónoma e cada vez mais cooperante e distributiva nos seus planeamentos económicos e Orçamentos de Estados e Comunitário, tornaram-se nos subservientes do grande capital financeiro sediado em Wall Street.


Os Estados Unidos tornaram-se 

arrogantes até ao extremo, adquirindo 

mesmo uma política abertamente nazi de 

"avanço em busca de espaço" vital, 

considerado como "defesa dos seus 

interesses", unilateralmente em várias 

partes do Mundo.

 

Levaram o seu militarismo aos píncaros, mas que se tornou, também, no "monstro" voraz da sua decadência.


(O Orçamento de Defesa dos EUA ascendeu a 698,3 mil milhões de dólares em 2010 e foi de 689,6 mil milhões em 2011. Representou 42,7 % do OE e 4,8 % do seu PIB - a maior percentagem mundial)


A Grande Rússia destroçada pela rapina dos oligarcas judeus que dominavam, em grande parte, o aparelho da antiga União Soviética, e ficaram com grande parte das empresas estatais foi-se recompondo, como potência económica, com as suas riquezas minerais, e pelo relançamento de um novo militarismo.


Começou, exactamente, no ano 2000, com a chamada impropriamente a era Putin.

Os encargos orçamentais militares russos no ano passado ultrapassaram em muito os 60 mil milhões de euros. Que já inha detrás: 56,6 em 2010 e 64,4 em 2011.

Entretanto, a China, desde 1972, introduziu na sua política de capitalismo de Estado, uma orientação "nacionalista" no incremento económico, que, como país de desenvolvimento incipiente capitalista - poderemos afirmar mesmo pré-capitalista- forjou uma estrutura produtiva gigantesca, onde o capital financeiro se tornou dominante no interior e concorrencial, ainda que com certas limitações de expansão no exterior.

Para entrar na concorrência internacional, principalmente aproveitando as debilidades do capitalismo norte-americano, impulsionou enormemente o seu militarismo e a sua capacidade tecnológica castrense e espacial. 
 
Aumentou em 12,2 por cento o seu Orçamento de Defesa para 2014. Passou para os 808 mil milhões de iuanes (cerca de 132 mil milhões de dólares):mais de 1,5 % do que em 2013. Superior ao próprio crescimento do PIB. Esse Orçamento representa mais ou menos 7,7 % do do mesmo, o segundo do mundo.

(O terceiro está localizado na Rússia: 3,8 % do OE).

O que já representou aumentos na China face a 2010 e 2011, respectivamente: 121,1 e 129,3 mil milhões de dólares.

Os EUA não deixaram de ser uma potência financeira, económica e militar.

Continuam a ser. 


Só que o seu incremento sem freio do seus encargos castrenses estão a aprofundar a crise financeira que a corroi desde 2001, mais abertamente desde 2008.


E o seu domínio nas trocas cambiais unívocas estão a ser, aceleradamente, postas em causa pela concorrência de novos centros económicos e geso-estratégicos de poder. 


Tudo mudou desde 2001.


Os sentimentos anti-imperiais são visíveis e alastrativos e os sintomas de revolta manifestaam-se por todo o lado.


A Ucrânia ficou presa nos ensarilhamentos desta encruzilhada de novos acontecimentos.


Os seus dirigentes políticos ligados aos Estados Unidos pensaram que poderiam canalizar a revolta interna, real, para um confronto com um polo crescente de novo poder imperial.

Só que os EUA, que utilizaram essas marionetas, não têm dinheiro, nem homens para manter uma guerra no terreno, institucional, com um desgaste logístico que ultrapassa as suas capacidades actuais.


Como ultrapassar a questão: A resposta é difícil.


Podem apostar na conquista por dentro da "fortaleza Europa", minada na sua crise, através de partidos nazi-fascistas e empurrar os Estados nacionais, desmembrados da UE e do euro, num confronto bélico com a Rússia.

Ou, subir a parada militar para forças de capacidade tecnológica de armamentro nuclear. 


Mas como ocupar o terreno?. Pela exaustão? 

Pode ser, mas então já não haverá humanos em quantidade suficiente para reconstruir.



Existe um outro caminho, que também está latente, em todas estas movimentações.

Caminhar no sentido da revolução. 

Aqui as classes laboriosas  para fazer valer os seus interesses teriam de se separar definitivamente das ilusões burguesas e do seu poder.

 







segunda-feira, 3 de março de 2014

EUA: OS FOMENTADORES DE MASSACRES FAZEM RELATÓRIOS SOBRE OS DIREITOS HUMANOS





1 - A Secretaria de Estados dos Unidos da América tem a veleidade de apresentar, anualmente, um relatório em que, arrogantemente, pretende dar carácter valorativo, com tiques religioso-moralistas, de critica aos que considera serem os promotores de violação dos direitos humanos nos diferentes países do mundo.

Eles ficam imunes, as lições e os "ferros" ficam cravados nos outros.

EUA, esses, que são o centro da nova monstruosidade nazi-fascista, causada pela dominação total do aparelho de Estado daquele país do lumpem grande capital financeiro.

Os Estados Unidos são os responsáveis pelos massacres mais profundos e monstruosos que se deram no Mundo, desde os anos 70 do século passado, sobre os povos e sobre todos os países que não se submetiam à sua política: Chile, Argentina, Brasil, Uruguai, Nicarágua, El Salvador, Honduras, Guatemala, México, Venezuela, Bolívia.


São os responsáveis directos pela ascensão das ditaduras fascistas na América Latina desde os anos 60 e são os autores materiais da morte de milhões de pessoas no Vietname, Laos e Cambodja, desde os princípios dos anos 60 até a meados dos anos 70.

No seu próprio país, construíram e desenvolveram o maior centro prisional mundial, a maior parte das prisões em completo desrespeito com as suas próprias leis e as leis internacionais. 

É nos EUA que existem os julgamentos com sentenças desproporcionadas face aos crimes praticados, e assim foram condenados milhares de pessoas, sem qualquer tipo de contraditório, a maior parte das quais de minorias. 

Muitos são pessoas detidas têm idades avançadas e jovens com idades inferiores a 18 anos.

A política económica norte-americana está assente na exploração desenfreada de imigrantes ilegais - e das suas famílias, sujeitos aos abusos mais indiscritíveis, sem atender aos mais elementares direitos de sobrevivência e vivência humanas.

Internamente, e com a assinatura do actual Chefe de Estado, Barack Obama, mantém-se em actividade uma politica anti-terrorista, toda ela desenvolvida em leis secretas e sem qualquer controlo judicial.

Continuam a existir campos de concentração e prisões secretas, como a concentrada na Baía de Guantánamo em território cubano.

2 - Claro que muitos países, que, anteriormente, se limitavam a protestar, com receio, sobre este absurdo relatório da Secretária de Estado actualmente elaboram detalhados documentos sobre os comportamentos reais dos Estados Unidos.

Referem, por exemplo, a política genocida de populações em vários Estados, como o Paquistão, o Iémen, e o Afeganistão com a utilização indiscriminada de pequeno aviões não tripulados, vulgos drones, ou a utilização assassina de crianças, principalmente filhas de imigrantes indocumentados, em trabalhos agrícolas.

Mas, a hipocrisia mais deslavada das autoridades norte-americanas, que curiosamente tem merecido a benevolência da Igreja Católica, enterrada até às orelhas nos negócios mais obscuros que tem como centro os Estados Unidos, é a prática indiscriminada da pena de morte.






O centro da aliança financeira e política mundial

O relatório anual do Centro de Informação da Pena de Morte sobre 2013 assinala que 39 pessoas foram executadas nesse ano.

O Centro sublinha que tem sido numerosos os casos de erros judiciais que levaram a execuções e lembra que, há anos, que se encontram "no corredor da morte" 3170 pessoas.

Os comentadores políticos mais respeitados nos Estados Unidos, e mesmo antigos governantes, como o Presidente Carter.

A 16 de Julho de 2013, aquele disse à revista alemã "Der Spiegel": A América não tem uma democracia em funcionamento".

Um balúrdio de dinheiro foi destinado, desde 2001, para aumentar as forças repressivas e o controlo anti-democrático interno do país e subverter a acção anti-imperialista norte-americana no exterior.

Sem quaisquer sinais de mudança, apesar das denúncias constantes.

Vejamos o que sublinha a própria imprensa do país, nos raros artigos que publica sobre o assunto.

A guerra dos drones ou a vigilância em larga escala pelos serviços secretos têm origem nas medidas adoptadas pelos EUA após o 11 de Setembro. Desde que, logo em seguida aos ataques, o então presidente George W. Bush declarou "guerra ao terrorismo", os órgãos de segurança cresceram consideravelmente no país.
Segundo o jornal Washington Post, desde 2001 o orçamento dos 16 serviços secretos dobrou, alcançando 52,6 mil milhões de dólares. 

A partir das revelações do ex-contratado da Agência de Segurança Nacional (NSA) Edward Snowden, tornou-se público que entre as atribuições dos departamentos estava a de interceptar, em massa, canais de comunicação em todo o mundo – inclusive em Estados aliados.

Fundado em 2002, o Departamento de Defesa de Segurança Interna, na realidade hoje uma espécie de Gestapo, mais sofisticada e aparentemente mais discreta, é o terceiro maior organismo federal dos Estados Unidos.

Contem mais de 200 mil funcionários, todos como missões de carácter confidencial ou secreto, destinados a "conter ameaças terroristas", ou seja, essencialmente, contra o sistema vigente no país.

E foi em nome da "guerra contra o terror" que se expandiu o militarismo nos EUA. Quer na segurança interna, quer na manutenção do "interesse nacional" - espaço vital nazi - no exterior.

Desde a orquestração das Torres Gémeas, - e isto até 2012, as despesas militares passaram de 312, 74 mil milhões de dólares para 682,45 mil milhões.

Camp Bondsteel, Kosovo.
Base norte-americana no Kosovo

O destino foram as invasões ilegais contra o Iraque e o Afeganistão.

Ao mesmo tempo, uma fatia desse dinheiro foi transportado para a fascização securitária interior. Leis federais que restringem os direitos civis. Formação de centros por todo o mundo de intercepção de comunicações telefónicas e internet, bem como o controlo financeiro de outros países sem qualquer ordem judicial.






quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

ELEIÇÕES EUROPEIAS: OU SE REFORMA A UE COM MAIS DEMOCRACIA, OU, O REGRESSO AOS NACIONALISMOS


1 -   Aproximam-se as eleições europeias e com elas o frenesim dos principais partidos do poder político que têm dominado os negócios sociais da União Europeia com a principal preocupação de colocar os seus figurantes, os mais fiéis ajudantes do capital financeiro, nos lugares cimeiros das listas.

Próximo do acto eleitoral, e entrecuzando-se com uma crise maior do sistema capitalista mundial, cujos reflexos na própria União Europeia ainda não se conhece a verdadeira extensão, praticamente nada se tem debatido sobre um programa consistente de progresso dessa Europa, nem uma crítica argumentada e com base na economia política e nas grandes mudanças geo-políticas e geo-estratégicas, e, inclusive, nos desafios históricos que têm saltado para a discussão política, em particular no último ano.

A União Europeia (UE) fez um percurso desde a Comunidade do Carvão e do Aço, e o seu alargamento da economia pura para a sua estruturação política, foi efectuada sob a perspectiva que tem sido apanágio constante de séculos da burguesia europeia em ascensão, com maior visão do seu real papel: a evolução do seu território de comércio livre e cooperação, sem as mesquinheses nacionais de obter mais vantagens e poderes imperiais.

Ora, esta orientação foi completamente distorcida, de modo evidente, a partir de 2000, a partir do momento que se tornou avassaladora na governação do Estados nacionais, por um lado, e nos organismos não eleitos de topo da UE (CE,BCE), por outro, o dominio do lumpen capital financeiro, que se concentrou, em grande parte, na Alemanha actual, com tiques de quer voltar a ser imperial. 

Ainda por cima, numa infamante submissão aos desígnios da judia Wall Street e da católica Santa Sé.

(Nunca se pode esquecer que a guerra na ex-Jugoslávia comecou com o beneplácito do Papado, precisamente, pela Croácia, que pertenceu, no passado, ao Sacro Império, e, durante o nazismo se colocou abertamente a favor de Hitler e os seus dirigentes as maiores barbaridades. O Vaticano nunca esteve ao lado de uma Europa Unida, laica e democrática).






É esta distorção - que, em política, se chama contra-revolução - pode estar a minar a União Europeia. 

Sim, está em marcha uma contra-revolução orquestrada pelo grande capital financeiro e gerida políticamente por conservadores e social-democratas em sintonia organizada de alternância de poder.

E tal facto torna-se motivo urgente de debate, de análise e de procura de soluções radicais e revolucionárias para refazer, reestruturar e relançar uma nova unidade política na Europa.

Desde o início do alastramento da revolução industrial na Europa, e, de maneira marcante com a Grande Revolução Francesa de 1789/99, que a burguesia europeia em ascensão buscava, para a sua consolidação, uma estrutura política que se estendesse por grandes Estados. 

E mais: que esses pudessem caminhar para formas transnacionais sem entraves alfandegários e burocráticos para conseguir a troca mais célere de mercadorias, de pessoas e de capital.

O século XIX foi para a Europa um período de combate, sem freio, contra os resquícios feudais que entravam as reivindicações da criação de grandes Estados nacionais, mas igualmente um período marcado pela tentativas, conseguida, dos povos, de imporem os designios da liberdade.

Ora, esse período que se começa a forjar, em luta contra as condições humilhantes, colocadas pelo sistema senhorial moribundo, conservador e reaccionário, que no rescaldo da queda de Napoleão (Convenção de Viena) e da sua arrogância imperial, teve como objectivo principal obstar à construção de um novo modelo político, que o incremento industrial económico desejava, centrado em novos tipos de Estados, mais livres, mais democráticos, mais extensos correspondente, então, a reivindicações nacionais.




A Europa retalhada pelos vencedores de Napoleão (Convenção de Viena)

Foi, pois, nessa Europa em  ebulição que a burguesia começa a ter o estatuto real de cidadania e controlo governamental, mas é também nessa Europa que, sob o espectro da liberdade e da reivindicação classistas das massas trabalhadoras, se forjam revoluções onde os operários e outros sectores de trabalhadores emergem e conseguem obter direitos políticos.

Era a ameaça visível que vai ter a sua constatação prática na Comuna de Paris em 1871. 

Começou, deste modo, a por-se em marcha o espectro de uma nova construção social, onde as classes laboriosas poderiam ascender a ser dominantes.

Desde a segunda metade do século XIX, começou a delinear-se no mundo uma nova relação de forças, que vai modificar, radicalmente, a geo-estratégia e faz aumentar a concorrência e os conflitos classistas.

(A Revolução em França de 1848, que se colocou, pela primeira vez em causa "o reino dos banqueiros", Revoluções liberais e nacionais em Portugal, Espanha, Itália, Alemanha, Hungria, Áustria e Irlanda)

2 - Pois é justamente na segunda metade do século XIX que se dão dois grandes movimento sociais de envergadura fora do espaço estrito da chamada Europa.

O território que veio a constituir-se os Estados Unidos da América, que se condicionava na altura da independência à costa leste, veio, no século XIX, particularmente no último quarto desse período, a alargar-se, fomentando - com uma imigração agressiva essencialmente europeia - uma produção agrícola de proporções, rivalizando com a Europa, ao mesmo tempo que se implantava em vários e distantes locais do novo Estado fortes concentrações industriais.

São elas que revolucionam o mercado mundial de então, fazendo mossas de envergadura duradoura na Inglaterra imperial e claro nos restantes Estados europeus.

E, é também nessa segunda metade do século XIX que um "colosso" monstruoso de conservadorismo, que era a Grande Rússia czarista - elevada aos píncaros como a tábua salvadora da própria burguesia, fustigada pelas revoluções de 1848 - se sente quase estrangulado por um movimento revolucionário que se inicia na fase final desse século, e que vai ganhar proporções de cidadania em 1905 e um desfecho mesmo de ruptura societária em 1917.

Desfecho este, no entanto, que somente teria um final prolongado favorável à revolução russa, se ela eclodisse com força e projecção na parte ocidental europeia.

Ora, o século XX foi um período de incremento das classes laboriosas, exploradas e oprimidas, que começaram a entrar numa fase em crescendo em que colocaram nas suas mãos a missão de libertar a sociedade da exploração capitalista, mas esse progresso social, que revolucionou vários Estados durante períodos curtos, trouxeram, todavia, as derrotas de revoluções.

E o centro revolucionário inicial foi, precisamente, a Europa.

(Rússia de 1917, Alemanha - de 1918-19 e Hungria - 1918-19 e Espanha - anos de 1930).



Revolução na Alemanha 1918/19

O incremento revolucionário da Revolução Soviética de 1917 abriu caminho, na sua fase embrionária, até com a criação da III Internacional, a um programa, primeiro europeu, depois universal, mínimo revolucionário.

O que teve um impulso enorme revolucionário, entre 1919 e 1921/22, e abriu caminho a novos partidos classistas, de orientação sobre o pensamento de Marx e Engels.

Continha, todavia, no seu seio territorial um resposta forte, violenta, contra-revolucionária, pois acicatou uma poderosa aliança internacional do capitalismo, que cresceu, primeiro, na Europa, depois, na América Latina, e, finalmente no Extremo-Oriente, cuja cabeça emergente foi o Japão, contra a qual o programa revolucionário, cuja cabeça era a URSS, entidade esta que se foi, progressivamente, transformando em esteio de retrocesso, de abandono dos princípios gerais, insertos no Manifesto Comunista.

Em lugar de amadurecer, como figura de proa do desenvolvimento político e ideológico mundial, a III Internacional enquistou-se em mera "argamassa" de defesa duma URSS, que se elameava, continuadamente, ela própria, em Estado de contra-revolução.

Com esta hetacombe, desde meados dos anos 20 do século passado, os partidos comunistas europeus foram progressivamente, até 1939, travestindo o modelo de Marx e Engels, numa amálgama interclassista em torno de uma pretensa "aliança operária-camponesa".

Que levaram ao abandono das consignas revolucionárias, soçobraram perante as pressões dos partidos republicanos e social-democratas para "compromissos de unidade sem quaisquer princípios".


Baralharam-se ideais, colocaram de lado os seus próprios programas independentes, enquanto a contra-revolucão capitalista retomava a ofensiva, fazendo emergir e engordar partidos de "cariz socialista nacional", que ascendiam ao poder, (com programas muito semelhantes, naturalmente demagógicos, aos revolucionários), eleitoralmente ou não, e impunham depois a sua vontade pela força das armas, pela prática, sem olhar a meios, da violência e dos assassinatos dos principais dirigentes e deputados adeptos da revolução. 




"A unidade de todas as pessoas honradas"


Sem resposta eficaz e concertada por aqueles, e, com um afastamento político e prático das novas cliques dirigentes da URSS.  

//Numa fase inicial existiu mesmo uma divergência acentuada entre os dois principais partidos comunistas ocidentais (o alemão, criado em 1918, a parir da ala esquerda do Partido Social-Democrata, que se intitulou Liga Spartaquista, com a proeminência de dois importantes dirigentes daquela, Karl Liebknecht e Rosa Luxemburgo, e o francês, fundado em 1920, também de um cisão da sua ala de esquerda, onde pontificavam Boris Souvarine e Marchel Cachin, entre outros) e o próprio Partido Comunista Russo.

Em causa, nestas divergências estavam os desenvolvimentos societários na Europa industrializada, e, em grande medida, já proletarizada nos grandes centros industriais, e uma sociedade russa, com um novo poder, mas onde a comunidade agrária, maioritária, mantinha, em grande medida, um forte peso, por um lado quase feudal, por outro, burguês e pequeno burguês. 

Ora, estas divergências vão acentuar-se à medida que a União Soviética se virava para si própria - "construção do socialismo num só país" - e a III Internacional (Komintern), já dominada pelo grupo de Josep Stáline, afastava - ou fazia por afastar - os dirigentes dos Partidos Comunistas ocidentais, discordantes da política de Moscovo. 

Em 1925, Stáline fez ascender Ernst Thalmann à liderança do KDP, e, em 1930, deu o seu assentimento à colocação de Maurice Thorez como secretário-geral do PCF.

Na estrutura dirigente do III Internacional colocou Georgi Dimitrov, um dirigente, na altura, de um pouco influente PC búlgaro (onde o operariado é ultraminoritário) que fez, praticamente, toda a sua carreira política partidária ao serviço do Komintern, entre 1934 e 1943//.

Mas, como se pode verificar do lado da História e da Economia Política, na prática, todo o século XX, na Europa, esteve centrado nos conflitos bélicos, nos grandes antagonismos classistas, das políticas de guerra geral, de violência inaudita, nos projectos de alargamento em larga escala de uma grande espaço extraterritorial, forçados ou interligados, na sequência dos monstruosos crimes praticados pela tentativa de conquista desumana e aterradora, nas próprias derrotas dos maiores partidos revolucionários e nas derrotas dos movimentos de evolução do progresso social, surgidos dos finais da sua I década e a década seguinte.

Em suma, a Europa esteve, nessa época, como agora, no olho do furação e dos grandes acontecimentos geo-económicos e geo-políticos.


Massacres nazis na Europa



Início da revolta de Maio de 1968

Foi, pois, nessa Europa que se deram tentativas de forjar um único território governado imperialmente, sob o nazi-fascismo, que era o objectivo político e económico da grande burguesia financeira e industrial financeira que suportava esses países, e que tinha de fracassar, porque se espezinhou, revoltantemente, os sentimentos nacionais, os direitos e liberdades dos povos de diferentes concepções culturais e políticas.

Mas, também, foi nessa Europa, que os principais vencedores, EUA/Inglaterra, de um lado, e URSS, do outro, tentaram moldá-la, também, agora noutras circunstâncias, em dois largos espaços de livre comércio (OCDE/COMECON), e estruturas militares únicas (NATO/PACTO DE VARSÓVIA). 

O primeiro sob o caminho do capitalismo liberal, que começa, nos dias de hoje, já de maneira mais visível, a entrar em estertor, o segundo debaixo de um conservador capitalismo de Estado, mascarado de comunista, que os partidos seguidores da antiga URSS (e presentemente da China capitalista) pretendem manter como chama de um pseudo-revolucionarismo.

É preciso criticar, justamente, os programas desses partidos que nada tem a ver com o socialismo e, muito menos, com o comunismo. 

Bater no peito que são, não significa absolutamente nada, em termos da teoria e da prática revolucionárias.

E é justamente, na segunda metade do século XX, a Europa da grande indústria, da grande agro-indústria, que, discreta e passo a passo, que se vai constituido (claro sob a dependência inicial única do capital de Wall Street) como nova potência em formação, que procura construir uma nova unidade europeia. 

Que aos poucos, embora fossem precisos dezenas de anos e muitas contradições, se vai autonomizando das potências concorrentes. Assente numa orientação de cooperação económica e política. 

Que criou uma moeda, que, apesar do vendaval que sobre ela caiu em 2008, muito por culpa dos seus dirigentes de então, conseguiu ganhar um peso real alternativo ao dólar.

Por enquanto, a única, a par do dólar, que mantém esse peso constante desse o início da crise nas relações comerciais internacionais. 

Ele, euro, em fase de estabilização, se a União Europeia se reformar e democratizar, o dólar, abrindo fissuras, face à debilidade financeirra e económica dos Estados Unidos e à ameaça de outras concorrências cambiais em período de gestação em parcerias com outros Estados, como o yuan. 

Mas, acima de tudo, apesar da desorganização e desorientação que submergiu todo o movimento e os programas partidários de ruptura revolucionária, é nesta União Europeia que se mantêm os sectores mais avançados e conscientes de que se pode caminhar para uma Revolução.

Tem sido nos Estados que constituem a Europa Unida que se tem produzidos movimentos das classes trabalhadores de envergadura, por vezes interligados, pugnando por uma modificação total nas relações económicas, políticas e sociais.

É nela, aliás, que se recordam e analisam as experiências históricas subversivas, e se tenta impulsionar esses movimentos para sublevações que possam dar um novo conteúdo democrático a essa Europa. 

3 - Todavia, na fase actual de relações de forças, não se pode vislumbrar uma eclosão, e, essencialmente, não se pode perspectivar, de imediato, uma ruptura, porque não existem partidos revolucionários nos Estados da UE, nem um programa mínimo comum que faça inverter a situação para dar impulso a uma consciência de mudança radical social às novas classes laboriosas.  

Ora, no entanto, há questões mínimas que podem ser reivindicadas por um conjunto de partidos e formações políticas de quadrantes diversos na UE, que desejam a sua reforma e a sua reestruturação, pelo menos para os "carris" que estiveram na sua primeira fase original: alargamento territorial, cooperação económica harmoniosa e interdependente.

O primeiro, para mim, é um ponto sensível, mas somente ele pode dar um novo impulso à UE: a estruturação política. 

Tem de ser atacado de frente e discutido. 

Principalmente, porque ele é importante para incrementar uma consciência de classe mais avançada. 

É a constituição, eleita, de uma República federal ou confederal, com as suas organizações políticas de democracia, cujos únicas cedências, nesta fase, às soberanias nacionais, são as políticas comuns de defesa e de diplomacia centralizada.

Os Estados nacionais teriam a sua vida política própria, as suas formas de governo democrático, e instituições que controlassem, de maneira eficaz, incluivé de participar na elaboração e controlo da fiscalidade e dos Orçamentos centrais.

Claro que esta nova República teria de ser feita na base da cooperação e da harmonia e na distribuição equilibrada dos grandes centros de nova industrialização e de alta tecnologia.

Discuta-se e referende-se em toda a Europa este projecto de novo Estado. É urgente.

Mas, esta reivindicação somente terá carácter de verdadeira subversão, se estiver assente numa reivindicação central que consiga derrotar a actual política destrutiva da economia e de um certo bem-estar dos povos europeus:

O controlo total e rigoroso do grande capital financeiro.

Por um lado, nacionalizando o Banco Central Europeu e retirando a sua actual orientação e acção prática que somente serve o capital financeiro privado e não o incremento da produção harmónica nacional e europeia.

Ou seja, é necessário um controlo real das riquezas de cada Estado e da UE, fora do domínio do capital financeiro.

O que pressupõe os controlos estatais dos bancos privados de cada Estado.


Tem de ser retirar da bolsa especulativa o poder de gerir e oriental a seu bel-prazer as riquezas produtivas nacionais, bem como de afastar a interferência dos bancos privados em toda a Administração de Estado e das novas instituições comunitárias democráticas.

Que em termos práticos, significa que se tem de cortar, radicalmente, a submissão da Comissões ou Conselhos Europeus, dos Parlamento Europeus e nacionais, dos governos de cada país com a grande burguesia financeira.

E pugnar por um planeamento cooperativo, e sem favorecimentos, de todo um programa de produção europeia, que faça renascer a industrialização moderna e os novos avancos na tecnologia e na ciência.

Regularizar, o mais prementemente, possivel os endividamentos estatais, com leis estatais, mas essencialmente, europeias, que façam uma distribuição igualitária dos impostos, o que terá de conduzir a que a grande burguesia sinta na pele - indo buscá-los aos off-shores e outras estruturas de fuga - o peso de uma carga fiscal efectiva.

Estes são reivindicações mínimas que podem ser apoiadas por todos aqueles que desejam uma verdadeira Europa dos cidadãos.

4 - A luta por esta Europa Unida Republicana pressupõe um combate sem tréguas às demagogias nacionalistas, e aos entraves de circulação de homens, capital e mercadorias.

O retrocesso para "fortalezas nacionais" na Europa trará o gérmen de apetites de supremacia imperial, que continuam latentes em sectores dessa grande burguesia e levarão atrás sectores das classes trabalhadoras, mas essencialmente, milhares de desclassificados. 

Completamente, afastados de decrépita democracia burguesa tradicional. 

O que significará violência e guerra em torno de novas formas de conquista de "espaço vital". 

Que a grande burguesia financeira quer impulsionar para continuar a sobreviver sobre a forma de poder ditatoriais.

É ela, tal como no tempo da República de Weimar na Alemanha, fomenta e paga, sem qualqter entrave, a formação de grupos e partidos pró-nazis, que procuram, precisamente, assumir, lentamente, o poder. 

Neste momento, afirmando-se, com todo o descaradamento, como partidos respeitadores da ordem democrática, que apenas pretendem "endurecer" relativamente aos estrangeiros e às movimentações sociais e populares.

Esse é o trajecto de partidos que já estão no poder, em parcerias com conservadores e social-democratas, na Itália, na Dinamarca, na Holanda, na Finlândia e na Noruega, parcerias essas que lhe dão a "respeitabilidade" para depois "abocanharem" o poder total.  
  
Por isso, são incompreensíveis as candidaturas "tidas de esquerda" como a "pessoal" do advogado Marinho e Pinto, antigo bastonário da respectica ordem, que é cabeça de lista de uma formação MPT, que concorreu, pela direita, recentemente, a apoiar a coligação PSD/CDS em várias autarquias.

Como é incompreensível a candidatura do antigo deputado do Bloco de Esquerda Rui Tavares, que se afirma de "esquerda", mas na ruptura com aquele partido, se coligou aos Verdes alemães, que foram o sustentáculo, juntamente com os sociais-democratas, do regime capitalista na Alemanha, antes da ascensão de Ângela Merkel.