segunda-feira, 27 de julho de 2015

A REFORMA NA UE SÓ TERÁ EFEITOS PRÁTICOS COM UMA REVOLUÇÃO

1 – Há cerca de dois meses, visitei cerca de 20 províncias do Irão, numa viagem de 4.500 quilómetros, que me levou por várias partes do país, passando muito perto das suas principais fronteiras, desde a Arménia, Azerbeijão, Iraque, Afeganistão e Paquistão, nomeadamente. 

Claro que, em certas regiões, as distâncias foram maiores do que outras dessas raias.

A maior aproximação de fronteira que chegamos,  foi com o Iraque.

Quando saímos de Hamadan e seguíamos para sudoeste, estando praticamente no paralelo de Bagdad, a guia indicou-nos que, para o outro lado, das montanhas que percorríamos, do nosso lado direito, logo tendo-as a  oeste,  estaríamos a cerca de 160 quilómetros da capital iraquiana.

No decorrer dessa viagem, lendo a imprensa local em língua inglesa, o regime de Teerão, abertamente, reivindicava que forças *milicianas* daquele país defendiam Bagdad e estavam a avançar para a parte sunita iraquiana, facilmente tomada por um misterioso Exército Islâmico, que era constituído, na sua maior parte, por forças *estrangeiras* e amplamente fornecidas de armamento e logística ocidental.

O curioso é que essas «forças milicianas» iranianas estavam a ser comandadas por oficiais superiores e generais do regime de Teerão, e citavam os jornais e a televisão, sem o esconder,  o nome do seu comandante supremo no terreno.


movimentação militar e diplomática iraniana no Médio-Oriente
Nada mais, nem nada menos, o general Qassem Suleimani, o chefe do Estado-Maior das Forças dos Guardiões da Revolução, a principal estrutura castrense do Irão.

Quando chegamos a Khorramabad, foi-nos referido que a cidade foi, praticamente, arrasada e esteve ocupada, durante meses, pelas tropas iraquianas pró-americanas do assassinado general Hassan Hussein, (guerra Irão-Iraque 1980-1988), que era então *o títere* de serviço do regime de Washington. 

A recuperação da cidade era evidente.

Hoje, ali funciona um complexo enorme do sistema industrial militar (oficialmente, diz-se que é um complexo de mísseis balísticos, mas as informações que obtivemos admitiram que possa também lá estar estar  instalada uma central nuclear).

Um aparte para prosseguirmos no objectivo de explicação geopolítica que pretendemos efectuar num artigo que será, necessariamente, concentrado:

***O Irão, que foi tomado pelos clérigos xiitas, em 1981, após uma revolução, que durante breves meses adquiriu um carácter laico e progressista, foi reconstruído e tornou-se uma potência regional, apesar de toda a prática de destruição, fogo, conspirações, no fundo violência, montada e organizada pelos Estados Unidos da América.

(Depois da queda do Xá Pahlevi, um presidente laico, Bani-Sadr  subiu ao poder em 1980, que cedeu à formação em coligação de um seu governo com os xiitas, tendo Mohammad Ali Rajai, como Primeiro-Ministro. 

No confronto interno, os xiitas venceram e Sadr exilou-se em Paris).

Pela leitura das movimentações actuais no terreno,  verifiquei que as forças Armadas iranianas estão a actuar, de maneira organizada, na Síria, abastecem e, certamente, dão, pelo menos, apoio logístico substancial, principalmente em mísseis balísticos, ao Líbano, fornecem «serventia» aos Huthis iemenitas que derrotaram o regime de Sana, apoiado pela Arábia Saudita, e, me maneira activa, mas mais discreta, estão em acção na Palestina, pelo menos em Gaza. Para não falar no Barhein e, talvez, em Oman.

A sua Armada movimenta-se, em exercícios, inclusive no Mar Mediterrâneo.

Manobras militares navais iranianas

E toda esta reviravolta, que não foi, essencialmente, militar, tem uma base na evolução da sua economia política, e da sua capacidade de resistir às agressões do imperialismo norte-americano.

(Verificamos a exploração da indústria mineira de cobre, da indústria automóvel. Estivemos perto de centros e refinarias petrolíferos em extensão, passamos junto de numerosas grandes empresas comerciais.

O Irão tornou-se um país capitalista, com laivos de autoritarismo teocrático medievalista, que está a retardar a transformação do Estado como formação política da burguesia interna, já dominante.

Eventualmente, a possibilidade, já concretizada, de um acordo entre os potentados ocidentais, russos e chineses, em torno do nuclear, irá adquirir influência, mais ou menos rápida, nessa evolução estatal, a qual irá influenciar, decisivamente, toda a relação geopolítica do Médio-Oriente, e, quiçá, da própria reorganização estatal local assente nas repartições coloniais.

2 – Ao meditar, ainda estando de viagem no Irão, sobre o que se estava a passar, não só no Médio-Oriente, mas igualmente na Europa, verifiquei que, por detrás de todo este incêndio violento das duas regiões, que, noutras condições, também, estão a atingir outras partes orientais do globo, reparei que toda a teoria da violência da actualidade, tendo como marco os finais da II Grande Guerra, está intimamente ligada a uma prática real e primordial assente no papel arrogante, totalitário e destruidor de poderio impregnado no sistema dominante do poder de Washington.

Na realidade, até à crise financeira de 2007/2008 (embora já houvesse indícios na crise de 2001, com os obscuros «ataques» às Torres Gêmeas), aquelas teoria e *praxis*pareciam prevalecer e sair, definitivamente, vitoriosa.

Ora, o que vemos, hoje com mais clareza, é que essa *teoria* assente numa ideologia de *conquista violenta tendo como exemplo a democracia pró-americana* está a fracassar.

Mais: o sistema social e político dominante está a soçobrar e a abrir-se, com altos e baixos, hesitações, avanços e recuos, a porta de entrada na actual comunidade mundial de uma nova era da gestão política, económica e social.

De certa maneira e em certo sentido – claro que em dimensões diferentes -, Os Estados Unidos e o Irão são as únicas potências com uma expansão de Exército territorial que extravasam, em muito, os limites dos seus territórios.

E como são antagonistas e concorrentes, tal facto torna-se um desafio efectivo à política expansionista norte-americana, neste caso, numa região potencialmente explosiva e que era considerada, há anos atrás, como área de influência única e dominante de Washington.

3 – Com a destruição da antiga União Soviética e a a ascensão tentacular dos chamados neocons (novos conservadores) ao aparelho económico, político e militar dos Estados Unidos, o capital financeiro de Wall Street tornou-se o centro de poder único e real na cena política mundial.

(Os chamados neocons entranharam-se em todo o tecido social, em especial no financeiro e no complexo industrial militar, emitindo o propósito declarado e arrogante de colocar a supremacia total dos Estados Unidos como objectivo central da sua política externa, utilizando os meios que fossem necessários.

Começaram, lentamente, a partir da governação Eisenhover, ao debitarem apenas propaganda organizada e estimulada em pretensos centros +científicos+, que deveria ser posta em prática no país uma doutrina que servia o capitalismo, como sistema eterno social, enquadrado, ideologicamente, com um programa vago de alargamento dos direitos humanos, sob a batuta de Washington.

Foram fortemente estimulados e financiados – frisamos novamente - por institutos e fundações, onde, entre outros, pontificaram (e pontificam) os Rothschild, os Rockfeller, George Soros, Charles e David Koch, J.P. Morgan, os Goldman Sachs.

Serventuários intelectuais e políticos dos potentados económico-financeiros norte-americanos, tornaram-se nas figuras criminosas da política imperial norte-americana.

Citam-se alguns: Dick Cheney, Donald Rumsfeld, Paul Wolfowitz, Condolezza Rice, Richard Perle, John Bolton, Rahn Imamuel, Willian Kristol, Susan Rice, Leon Panetta, Robert Graves, e as chamadas «sumidades», ligadas às finanças e ao controlo sistema bancário mundial, como Lawrence Summers, Paul Volcker, Robert Rubin, Timothy Geitner.
Por exemplo, Paul Wolfowitz, que foi figura proeminente em vários governos, e, apesar da sua cumplicidade directa nas guerras criminosas do Iraque e Afeganistão, foi elevado, por pressão do lobby judaico de Wall Street, a director-geral do FMI, cargo que, aliás, já abandonou.

Donald Rumsfeld foi – e é - o representante directo dos Rothschid no complexo industrial militar norte-americano.

Ambos – criminosos encartados – continuam a influenciar a política imperial norte-americana.

4 – O plano norte-americano de impor a sua perspectiva de domínio mundial, desenvolvido desde os finais dos anos 40, mas com a *rédea solta* desde os tempos de Ronald Reagan teve uma acção catalizadora de acelerar o desenvolvimento económico planetário, mas também o seu projecto político de transformar a economia política centrada no lumpen capitalismo financeiro em modelo social imutável.

A crise de 2001 – com especial evidência em 2007 – trouxe uma evolução económica mundial, que ultrapassou o controlo político imediato norte-americano, mas que os seus mentores, pela violência, como potência dominante, pensavam edificar.

Na realidade, a grande burguesia capitalista norte-americana viu-se confrontada com a evolução do capitalismo em grandes Estados, como a Rússia, China, África do Sul, Índia, Indonésia, Japão, e, principalmente na Europa, que se tornaram entre os finais dos anos 90 do século e a primeira década do século XXI, em poderosas potências comerciais.


Com esta mudança rápida e drástica da geopolítica, os EUA, através dos neocons, consideraram que uma violência feroz e voluntarista iria fazer com que o mundo unipolar se recompusesse, rapidamente, em plena sintonia forçada com Washington.

Ora, a política de ferro e fogo não é um processo de simples acenar de dedos, colocando o centro do fogo nos países mais débeis, é preciso ponderar a realidade económica que está por detrás da violência, incluindo o desenvolvimento da sociedade no seu próprio país.

Avançaram, pensando que toda a logística económica que enquadra a hipótese de lançar a violência lhes era favorável, para todo o sempre.

O emprego da violência em larga escala e profundidade tem de se estribar na força.

Constatamos, assim, que não é o voluntarismo, mais ou menos ideológico, que enquadra essa violência, mas o incremento exponencial dos seus meios castrenses.

E estes, para serem eficazes, têm de comportar um tesouro de biliões de biliões de dólares.




Mas, no actual panorama geoestratégico, esse dinheiro teria de ser empregue, tendo em conta que nos novos centros de poder se fortaleciam e incrementavam eles próprios como uma força, que, tirando as proporções, os equiparava, quer como potências isoladas, mas principalmente, com a estrutura de parceiras estratégicas não só militares, mas principalmente económicas.

Ora, o dinheiro que os EUA lançava à tripa forra para o mercado mundial começava a ser combatido por grupos de potências que já não aceitavam (e agora ainda mais) de mão-beijada a supremacia do dólar.

Atente-se no panorama económico actual, com o surgimentos do Banco dos BRICS, da parceria geo-estratégica russa-chinesa, que abarca a economia, o desenvolvimento tecnológico e a interacção militar. 

Acima de tudo: convém reflectir, com seriedade nesta questão –o dólar já não tinha correspondência na produção económica interna dos Estados Unidos.

Quando irrompe, sem meios termos, a crise capitalista norte-americana de 2007/2008, constata-se que Washington tem o seu sistema cambial  completamente desfazado da sua produção interna.

Os gastos militares não estavam enquadrados – melhor dizendo – alicerçados na capacidade de incremento da produção própria económica norte-americana.

Há, desde 2007, uma ameaça de bancarrota na sua economia, que se manifesta abertamente pelas bancarrotas das grandes metrópoles industriais, como Detroit, mas não é somente esta cidade industrial do Michigan, mas também Benton Harbor, Ecorce,Flint, Pontiac, Allen Parks.

Atinge um centro comercial, como a cidade de Chicago, ou cidades de agro-indústria, como San Bernardino, Stockton e Vallejo, na Califórnia; Jefferosn, no Alabama; polos industriais comio Harrisburg na Pensilvânia e Central Falls em Rhode Island, entre outras cidades.


manifestante nos EUA contra a bancarrota
De referir os custos das chamadas guerras do Iraque e do Afeganistão, desde os seus começos, respectivamente, em 2003 e 2001.

É um estudo interdisciplinar de 2013 da Universidade de Brown, referente ao ano de 2011, que assinala a quantia de 3,7 biliões de dólares gasta naquelas guerras, tendo em conta os relatórios e orçamentos oficiais.

Para que conste, uma parte substancial deste dinheiro submergiu na corrupção dos generais, dos senadores, das lumpen empresas financeiras e das empresas do complexo industrial militar.

Ora, esta despesa crescente não correspondia a uma entrada produtiva de dinheiro na economia dos EUA.

Quer isto dizer que a força não trazia um retorno eficaz e real das despesas feitas.

Ou seja – terra a terra – a situação económica não acompanhava, com produção própria, o esbanjamento sem freio – e em concorrência acrescida de outras potências – do dinheiro público dos cidadãos norte-americanos.

A força sem quartel e sem sentido planeado estava e está a afundar a América do Norte, com o seu potencial industrial e agro-industrial, em retrocesso económico.

Por muito que os economistas do regime ou as empresas jornalísticas do capital financeiro queiram fazer crer o contrário, a realidade é evidente:

Repare-se o que afirma o organismo que os EUA dominam: o FMI.

Cita-se:

“O Fundo Monetário Internacional (FMI) reduziu para 2,5%, a previsão de crescimento da economia dos Estados Unidos este ano. Em Abril, o fundo estimava que a maior economia do mundo terminaria 2015 com expansão de 3,1%.

“Para 2016, a expectativa de crescimento também ficou menor, passando de 3,1% para 3%. Em 2014, o Produto Interno Bruto (PIB) do país cresceu 2,4%.
"A economia dos EUA perdeu força no primeiro trimestre (de 2015) por conta do clima desfavorável, uma contracção forte no investimento no sector de energia, a greve dos portos da costa oeste e os efeitos do dólar mais forte", avalia o Fundo.
Segundo o FMI, no entanto, isso deve "segurar", mas não impedir de forma duradoura o crescimento. "Um mercado de trabalho sólido, condições financeiras melhores e petróleo mais barato devem dar apoio a um caminho mais dinâmico para o resto do ano", diz o relatório divulgado nesta quinta-feira. (Junho de 2015)

O FMI sugere ainda que o comité de política monetária dos Estados Unidos adie a sua intenção de elevar a taxa básica de juros do país – hoje no patamar mínimo, entre 0 e 0,25% – para o primeiro semestre de 2016. O Fomc vem indicando, nas actas das suas últimas reuniões, que essa elevação pode acontecer a partir deste mês.

"O Fomc deve manter-se atento aos dados e adiar a sua primeira subida na política monetária até que haja sinais maiores de alta na inflação e nos salários que estão actualmente a serem praticados", diz o fundo.

"Isso colocaria a 'decolagem' na primeira metade de 2016".

Outra citação:

“EUA criam 280 mil empregos em Maio, mas o desemprego sobe para 5,5%.
Uma pesquisa estimou em 8,7 milhões o número de desempregados no país.
Desemprego entre negros é mais do dobro do que existe entre brancos.
A taxa de desemprego dos Estados Unidos registou leve alta em Maio, passando de 5,4% para 5,5%, segundo dados divulgados nesta sexta-feira (5) pelo Departamento do Trabalho do país.
A pesquisa estimou em 8,7 milhões o número de desempregados no país, estável em relação ao mês anterior. Já o número de desempregados "entrantes" – aqueles que nunca trabalharam – cresceu em 103 mil em maio.
No mês, foram criados 280 mil novos postos de trabalho, principalmente em profissionais de serviços, lazer e sectores de saúde. (Logo de variação muito curta). O emprego no sector de mineração continuou a recuar. A alta no desemprego, apesar da criação de temporária de emprego, deve-se à entrada momentânea,  de 397 mil novas pessoas no mercado de trabalho. Mas, o de longa duração permanece e até cresceu.
“Entre os grandes grupos de trabalhadores, a pesquisa não apontou, todavia, variações significativas nas taxas de desemprego na passagem de Abril para Maio. As taxas para homens e mulheres permaneceram, ambas, estáveis em 5%.
Entre adolescentes, ficou em 17,9%.
Entre os negros, o desemprego ficou em 10,2%, enquanto a taxa entre os brancos foi de 4,7%. A taxa entre asiáticos ficou em 4,1%, e entre hispânicos, em 6,7%”.
Fonte: Departamento do Trabalho dos EUA

Fila de desempregados em Nova Iorque

5 – Verificamos como a violência desmesurada norte-americana teve sucesso no Mundo: transformaram a América Latina numa sua coutada; humilharam a ex-URSS na fase final e a Rússia de Ieltsin; encurralaram a China no seu território; incendiaram, brutalizaram e procuraram desfazer os Estados mais ricos, que se procuraram afastar da subserviência no Médio-Oriente; ocuparam a Indonésia, quando fomentaram o golpe de Estado de Suharto. Alimentaram o alargamento europeu, uma necessidade da burguesia da Europa, que os ultrapassou em produção comercial, mas hoje estão a procurá-lo açaimá-lo, através de uma criminosa organização militar chamada NATO.

Todavia, este estado de coisas não pode permanecer imutável indefinidamente.

Ora, as crises que se sucederam desde a chamada do petróleo (1973) vieram progressivamente a colocar, no julgamento da crítica histórica, a questão do papel crescente do capitalismo financeiro, centrado em Wall Street, e o poder avassalador dos magnates do dinheiro improdutivo.

Em todo o Mundo, a evidência assumiu proporções mais consistentes a partir de 2001 (qual eram as verdadeiras razões do desmembramento da antiga Jugoslávia, dos ataques unilaterais ao Iraque e ao Afeganistão, nos aparecimentos de grupos aparentemente sem consistência, que se apelidam de Al Qaeda e mais tarde Exército Islâmico?).  

Quem dominava e actuava, em nome dos Estados Unidos, na realidade, não era o presidente X ou Y, sejam eles os democratas Kennedy, Carter ou Clinton, os republicanos Reagan, George Bush ou o filho George W.Bush, mas, desde os anos 60 um grupo restrito da grande burguesia capitalista financeira, que geria sem controlo Wall Street.

Eles nomeavam – e nomeiam - os Presidentes, senadores, congressistas, os chefes militares ou a cúpula da Justiça do seu país, e, começaram a impor, impunemente, os seus homens de mão, em Itália, Mario Monti e Mario Draghi, em França, primeiro Sarkozi, depois Hollande e o seu lacaio dos Negócios Estrangeiros, o judeu Laurent Fabius ou na Grécia Lucas Papademus.

Em síntese, desenvolveram, em conjunto, dois tipos de guerras, a económica e a militar, esta normalmente encoberta ou através de intermediários em, praticamente, em todo o planeta.

A situação a que chegamos hoje – embora com um aparente superpoderio militar norte-americano –demonstra que essa ascensão desenfreada de uma lumpen burguesia capitalista financeira não poderia continuar.

Podemos dizer que os EUA levaram a sua imposição violenta a quase todo o Mundo, mas tal facto trouxe também a reacção de uma grande parte dos povos e de Estados a esta asfixia.


Com a derrota da revolução soviética de 1917, e, posteriormente, com o desmascaramento progressivo do modelo de capitalismo de Estado, implantado em nome de um leninismo deturpador da teoria de Marx, formalizando um programa dito revolucionário em torno de uma pretensa aliança operária-camponesa – e sob os escombros, que levou décadas, da teoria stalinista da construção do «socialismo num só país», a burguesia capitalista liberal adquiriu uma nova força e poder que impulsionou uma nova estrutura económica e social de Estados.

Ou seja, a burguesia tornou-se dominante no planeta, porque, na ausência de um programa internacional revolucionário, o seu avanço nos grandes Estados – ou conjunto de Estados – torna o terreno fértil para a sua prosperidade e consolidação.

E foi este avanço nesses Estados, com o incremento do comércio, da indústria, do poder social da burguesia, que fez renascer um desejo e um sentimento de nacionalidade independente do poder único implantado nos EUA.

Criaram-se, deste modo, novas formas de cooperação geo-económica e geo-política para satisfações dos interesses dessa nova grande burguesia, fora da alçada do impropriamente apelidado Ocidente

A nova paisagem geopolítica que se desenrola, com uma rapidez desconcertante, neste última década, tem, a meu ver, no seu bojo, justamente a reacção de povos e principais nações ao seu desejo de independência e de serem eles próprios a marcarem o rumo da sua sociedade.

Todavia, essa independência e de procura de autosuficiência para enfrentarem os ataques e concorrência norte-americana levou-os por um lado a um esforço grande no seu desenvolvimento capitalista, por outro, a um incremento na sua militarização, ou seja a dedicarem uma parte substancial dos seus Orçamentos estatais na compra e na produção interna de criação de novas armas, como obsessão de Estado.

E, estão a fomentar, em crescendo, novos tipos de alianças comerciais, cambiais e castrenses em extensões nunca vistas até hoje.

Esta situação, a meu ver, está a tornar-se perigosa, porque os grandes Estados capitalistas estão a ser dominados pelo militarismo crescente.

6 -  Assim como o regime de Washington, com a crise de 2007, surgiu, na sua plenitude e desfaçatez, como um centro de poder do lumpen capital financeiro especulativo de Wall Street e procurou lançar os os seus tentáculos apodrecidos, mas musculados ainda de um certo poderio militar, no controlo e rapina das riquezas mundiais e nos dividendos espalhados pelos grandes bancos que ameaçavam bancarrota, mas que obrigaram os respectivos governos a subsidiá-los à custa dos impostos, salários e pensões das classes trabalhadoras;

Igualmente, a grande burguesia financeira que domina os outros grandes centros de poder, como a Rússia, a China, o Brasil, a África do Sul, utiliza, em grande parte, a sua capacidade produtiva e fomenta um sistema de parcerias estratégicas, que obstaculizou em parte(e planeia fazê-lo, em pleno, brevemente) os entraves cambiais, económicos, logísticos e mesmo militares que os Estados Unidos procuram (e procuraram) incrementar e impulsionar por todos os meios.

Esta concorrência desenfreada e, essencialmente, o facto de os Estados Unidos conduzirem uma «guerra» sem quartel, que leva os seus oponentes a embrenhar-se, perigosamente, numa crescente «armadura castrense», desprezando os interesses populares. 


Assim, os direitos e liberdades dos povos saltaram para as reivindicações políticas e sociais e fizeram renascer, no seguimento da devastação capitalista financeira, tentativas isoladas de fomentar partidos que, dentro do sistema capitalista, o reformasse.

O que sucedeu, recentemente, com a vitória do partido Syriza é o exemplo flagrante, como o é com o PODEMOS, em Espanha, Die Linke, na Alemanha, o Bloco de Esquerda ou PCP, em Portugal, entre outros.

Esse processo «reformista revolucionário» é inútil e utópico, somente faz reavivar falsas expectativas, deturpando o papel de um programa revolucionário.

Está a surgir, na realidade, uma corrente de pensamento e acção que aponta para o desejo de uma mudança da sociedade.

A grande burguesia capitalista tem a percepção de que uma nova luta de classes se está a forjar para fazer desaparecer o modelo societário actual, que não consegue «dar uma volta» ao seu próprio labirinto.

Mas, esta irrupção revolucionária, para ser consequente, quando vier dar a cara, somente irá adquirir os foros de cidadania se surgir sobre a forma de uma revolução, e quando assentar num programa e +praxis+ extraterritorial e fizer aumentar a mentalidade política de sectores importantes das classes trabalhadoras, através de propaganda, dentro e fora dos regimes actuais de eleições pseudo-democráticas.

E acima de tudo, com os centros de acção revolucionária nos países mais avançados e com uma tradição em larga escala de profundas lutas de classes. 

Uma acção concertada, extirpada da letargia e formalismo actuais das chamadas oposições balizadas em torno da chamada democracia.

O exemplo mais importante, para mim, seria a criação e fomento de um tal programa dentro da União Europeia.

É preciso meditar, do ponto de vista revolucionário – e não seguindo os cânones políticos actuais da UE – que a unidade europeia – e o avanço revolucionário no Mundo – não é uma questão alemã, ditada pelos seus actuais dirigentes, é uma questão que somente dará resultados para os explorados, se for conduzido por esses mesmos explorados expulsando a corja capitalista dos destinos europeus.

A revolução – e no caso em apreço – a verdadeira cooperação europeia terá de se conquistada não só contra os populares/democratas cristão/socialistas/sociais-democratas no interior da UE, mas também com a destruição do lumpen capitalismo financeiro, que emana, primeiro, dos Estados Unidos, mas também dos seus grandes Estados ou blocos de Estados concorrentes.

Esta, na minha opinião, será a verdadeira política prática, aquela que fará inverter o rumo actual que está a colocar a UE à beira da fragmentação, e, necessariamente, a caminhar para a guerra no interior do território em confronto com a Rússia.

Esta via da guerra é do interesse do capitalismo financeiro de Wall Street, que de uma cajadada dá cabo de dois coelhos: por um lado, procura enfraquecer uma grande potência concorrencial nuclear, que é a Rússia; por outro, desfazer o papel de grande potência comercial, que é a Europa unificada.  

Este reconhecimento e mudança de rumo está nas mãos dos povos da Europa. Espero que haja discernimento para transformar este caminho de desastre real actual, que também é histórico.




segunda-feira, 22 de junho de 2015

EXÉRCITO NAS ESCOLAS: COMO SE VAI FORJANDO A MILITARIZAÇÃO DA SOCIEDADE

1 – O Conselho de Ministros de Portugal aprovou, recentemente, um documento, que permite o recrutamento de elementos das forças armadas, na reserva, para fazer tarefas policiais de *vigilância escolar*.

"Esta alteração visa facilitar a contratação de elementos para o desempenho das funções de chefes de equipa de zona e de vigilantes para integrarem as equipas de vigilância, bem como permitir a renovação das comissões de serviço, de modo a assegurar a continuidade da actividade de vigilância das escolas", lê-se no comunicado emitido no final da reunião do Governo.


Aparentemente, pode parecer um atitude bem pensada de segurança, mas a iniciativa nasce, justamente, numa ocasião em que se verifica uma divórcio crescente entre as forças guardiãs do actual regime e os seus mentores e promotores – políticos e económicos.

Tal como sucede em quase todos os países do Mundo, os representantes do capital financeiro no poder estão a forjar «exércitos mercenários», que disfarçam sob a pacata  supercialidade de «seguranças privadas«, (a ESEGUR era ou é dos BES) que, paulatinamente, procuram enquadrá-las, militarmente, e armá-las com material letal.

Uns já o fazem abertamente, como os Estados Unidos da América, outros, como Portugal usam artimanhas para chegar a esse objectivo.

Vão buscar, desta vez, militares reservistas, com o o argumento de *bom samaritano* de segurança para preparar o futuro.

2 – Mas, qual a razão desta procura da «militarização» e controlo castrense da sociedade?

O actual regime assente no domínio absoluto do lumpen-grande capital internacional está numa encruzilhada - são forças que já eram, sentem que surgem outras forças do progresso, da ruptura política, estão a emergir, e podem varrê-lo do panorama político num espaço, mais ou menos longo, dando origem, possivelmente, as novas formas de poder – que não consegue desfazer o *nó de pescador*.

Claro que esse poder antigo, ainda que apodrecido, não desaparecerá por si próprio.

As principais potências capitalistas modelam formas de actuação, que plasmaram em documentos internos, confidenciais, ou até já os estão a aplicar no terreno, quer a nível interno, quer em território exterior, sempre em nome da «defesa dos interesses nacionais».

Um documento emitido do Estado-Maior do Exército norte-americano, divulgado, em 2014, pelos meios de comunicação e intitulado *Megacities and the United States Army*, sublinha, sem qualquer rebuço, que as forças militares teriam de entrar e ocupar grandes cidades, para obstar que se formem levantamentos civis e revoltas politico-sociais.

No fundo, segundo o documento do Chefe do Estado-Maior, a actuação poderá dar-se sempre que estiver em perigo o poder político existente.

Foi, justamente, com esse receio que o governador do Estado de Missouri decidiu enviar unidades, fortemente armadas, da Guarda Nacional para conter o levantamento da população de Fergusson, que protestava contra a morte, obtida a sangue frio, de um negro da cidade por um polícia branco.

Que foi absolvido do crime...


Embora as autoridades norte-americanas tentem fazer crer que a Guarda Nacional é uma mera agremiação de voluntários com carácter quase caritativo, na realidade, é uma instituição armada dependente do Pentágono.

As unidades (Exército e Força Aérea) são treinadas e enquadradas como fazendo parte das Forças Armadas, e, em último caso, podem ficar mesmo na dependência do Presidente dos Estados Unidos. 

Comportam mais de 400 mil homens.

3 – Em Janeiro de 2015, vários indivíduos, que mais tarde o poder instituído associou ao chamado Exército Islâmico, atacou, em Paris, França, a sede do jornal satírico *Charlie Hebdo*, matando 12 dos principais e jornalistas do periódico e outras pessoas.

De imediato, o poder político +militarizou+ o país.

Tropas de elite da polícia e das Forças Armadas ocuparam várias cidades francesas e cercaram as fronteiras do país.

Aparentemente, os autores do atentado à sede do jornal “Charlie Hebdo” eram, somente duas pessoas – dois irmãos de apelido Kouiach – que actuaram, com plena naturalidade e com enquadramento militar.

Tiveram até oportunidade de parar o automóvel numa rua de um só sentido e mesmo assim conseguiram escapar.

Dias depois, segundo a imprensa oficial, dois homens teriam assaltado uma bomba de gasolina, com armas ak-47.

Uma movimentação militar e policial desenrolou-se por todo o norte, pois segundo as autoridades o assalto teria sido praticado a 70 Km a norte de Paris.


Surgiram detenções de vários +suspeitos+ de ligação aos fugitivos, que acabaram por ser abatidos.

Entretanto, um novo incidente surge quando um franco-argelino de nome Amedy Coulibaly, tido como antigo cadastrado e referenciado como militante activo do chamado *terrorismo* islâmico entra num talho judaico, onde faz vários reféns, alguns dos quais abateu, bem como um agente policial.

Após um cerco de centenas de polícias e exército foi, ele próprio, abatido.

Segundos os relatos das autoridades, e o sucedido tem sempre a chancela oficial, Amedy agiu em cumplicidade e sintonia com os irmãos Kouiach.

O curioso é que a mulher de Amedy de nome Hayat Boumeddiene, considerada, de imediato, como cúmplice daquele e *mais radical* do que ele próprio – tida como «a mulher mais procurado de França» conseguiu sair do país legalmente e foi referenciada, dias depois, como fazendo parte dos quadro do Estado Islâmico do Iraque e de Levante e já actuar na Síria.

(Uma pequena notícia da altura, que não foi explorada pela grande imprensa, é que a namorada de um dos suspeitos pertencia ao próprio corpo policial).

Tudo isto sucedeu em Janeiro, mas até hoje não houve um relato circunstanciado das *falhas dos serviços secretos* de que denuncioiu então o primeiro-ministro Manuel Valls.

4 – Não podemos considerar esta *militarização* da sociedade, como actos pontuais.

São planos preparados face à evolução descontrolada da lumpen burguesia no poder, que por um lado puxa o cobertor para cobrir a cabeça, por outro deixes os pés ao labéu, porque já não consegue dirimir suavemente a situação.

A luta de classes no mundo caminha para um terreno enxameado de descontentamento, que cresce e evolui, ainda sem um rumo programático definido.

As classes laboriosas querem mudança, mas a sua percepção de ruptura com o poder instalado ainda é difusa, e, por vezes, descrente de que possa irromper uma nova sociedade.


Mas, a mudança está em movimento, vai surgir. Poderá, muito em breve, a sociedade ser percorrido pela violência. 

O mundo está prenhe de algo novo. Está a forjar o parto.

sábado, 13 de junho de 2015

A FIFA; A CORRUPÇÃO E A GEOPOLÍTICA

1 – Aplaude-se sempre quando uma estrutura, um país, um juiz ou um jornal coloca a nu um esquema monumental e internacional de corrupção.

O que foi denunciado, agora, na FIFA, partindo dos EUA, pode merecer o aplauso generalizado das grandes instituições jornalísticas internacionais.

É real e verdadeiro.

Mas, tal facto é só um aspecto da questão.
Um jornalista tem de remexer no entulho. 

Tem de questionar razões...

Mas, ninguém questionou até agora, onde se centra, realmente, o *vespeiro* da corrupção da FIFA.


Iremos argumentar e ditar dados.

É a maneira mais justa de verificar a razão da denúncia dos EUA, e, essencialmente, porque esse país se excluiu do processo, melhor dizendo tenta fazer obscurecer os verdadeiros propósitos.

2 - Dois dias antes de começar um Congresso da FIFA (Federação Internacional de Futebol) – 29 de Maio - num imenso espectáculo mediático, a actual Procuradora-Geral da Justiça dos Estados Unidos da América, Loretta Lynch, que apenas tomou posse do cargo a 27 de Abril findo, lançou uma acusação, em larga escala, sobre a existência de corrupção nas estruturas dirigentes e associadas daquela instituição do futebol.

(Curiosamente, a senhora Lynch, que pertenceu a um dos maiores escritórios de advogados de negócios norte-americanos, que defende, essencialmente, o capital financeiro, a Cahill Gordon & Reindel, não acusou judicialmente nenhum dos grandes bancos e companhias de seguros que estão envolvidos nos processos fraudulentos e criminosos que os dirigentes da FIFA utilizaram, abertamente e com seu perfeito conhecimento.



Também, por curiosidade e coincidência, o único dirigente da FIFA norte-americano (estou a falar de dirigente de topo!!!), enquadrado pela Procuradora-Geral de Justiça, Loretta Lynch, como acusado é o *informador* milionário do FBI Chuck Blazer. Significativo, não é?).

Ora, o FBI, extravasando a sua jurisdição nacional, mandou prender 14 responsáveis e assessores da FIFA, todos eles não cidadãos norte-americanos, excepto o magnate senhor Blazer, que estava infiltrado na estrutura policial dos EUA, pelo menos, oficialmente (FBI dixit)desde 2011.

Na realidade, já era o homem forte nos EUA da FIFA, pois desde Abril de 1990 até Dezembro de 2001, foi o  secretário-geral da CONCACAF, uma estrutura poderosa que controlava o futebol profissional na América do Norte, Centro e Caraíbas, sabendo, já nesta altura, a justiça norte-americana que Blazer era um agiota que vivia da corrupção na FIFA.

Foi, aliás, então acusado de fraude.

(Convém recordar que, em 1994, os EUA organizaram o Campeonato de Mundo de Futebol, situação que foi considerada como *obscura*, e, eventualmente fraudulenta, já que os Estados Unidos nem um campeonato nacional interno conseguiam organizar, nem enquadramento futebolistico profissional transparente existia, em extensão, no país.

Por curiosidade, a Procuradora-Geral e o FBI não mencionaram este campeonato, nem como surgiu o assentimento à candidatura).

3 – Temos então a senhora Loretta Lynch, no cargo de Procuradora há meia dúzia de dias, natural e perfeitamente (não é ironia, é verdade, os crânios americanos são assim!!!) a par do que se passava no interior da FIFA, há dezenas  de anos, centrado nos negócios fraudulentos e criminosos dos grandes bancos norte-americanos, que acrescentavam mais-valias à custa da corrupção em torno da grande malandragem que *escondia* os subornos, com o conhecimento do FBI, no interior dos Estados Unidos da América.

Façam a análise e contraponham os factos e deixem de lado a estória de carochinha...do FBI campeão anti-corrupção.

Procuradora e FBI culparam, de uma assentada, 14 responsáveis e assessores ligados ao *marketing* desportivo da FIFA.

A justiça norte-americana conhecia esta teia criminosa, há vários anos, mas esqueceu-se de revelar os nomes e prender os administradores das principais instituições bancárias dos EUA, como o JP Morgan, Chase Manhattan e Citigroup, que, selectamente, receberam os depósitos dos subornos e os utilizaram na sua política económica.


Lançaram Lynch e o FBI que os subornos se *circunscreviam* nos bancos norte-americanos a 150 milhões de dólares.

Curiosidade: um dos visados – e só ele - prontificou-se a devolver a módica quantia de 151 milhões de dólares. Porquê?.

Não bate a bota com a perdigota.

No relatório de acusação, fala-se, segundo a imprensa norte-americana, em 26 bancos envolvidos...

Ora, são muitos bancos para uns míseros 150 milhões!!!

3 – O circo mediático da Administração Obama, via Lynch e FBI, na ante-véspera do Congresso da FIFA, virou-se, politicamente, para onde?

Em política, o que surge em determinada altura tem objectivos precisos que a servem.

Assim sucedeu com a denúncia da corrupção no topo da FIFA.

Para os actos fraudulentos e criminosos das suas *impolutas* instituições de crédito ?.

Não: viraram-se, como já fizeram com a crise financeira de 2007/2008, para o que pensavam ser o ele fraco na luta contra os efeitos da mesma, a UE, que estava de mãos e pés atados, porque, por um lado, tinha o seu sistema bancário controlado pelas multinacionais do sector, sediadas nos EUA;

por outro, a UE não tinha capacidade militar e diplomática unificada para fazer frente à artimanha do lobby judaico de Wall Street, que está na prática a destroçar, progressivamente a UE.

Agora, surge este caso de corrupção na FIFA, que é real, num emaranhado multinacional, que atinge proporções assustadoras, mas atingem apenas corruptos intermediários.  

Os beneficiários principais são os bancos norte-americanos –então, *cospem para o lado* e concentram-se fora dos EUA;

Claro que, em parte na Suíça, mas igualmente na América do Sul e na Europa.

Ora, este Congresso da FIFA, além das suas eleições, tinha um ponto central e *delicado* para a geoestratégia norte-americana, a confirmação da efectivação do Campeonato do Mundo de Futebol de 2018, que está programado para a Rússia.

E, na minha opinião, a denúncia visa essencialmente a questão geopolítica;

por um lado, evitar que o Campeonato tenha lugar na Rússia,minando a perspectiva de uma possibilidade de maior participação política da Rússia de Putin na arena internacional;


por outro congregar os seus aliados europeus – e especialmente estes – em torno das pretensões de hegemonia norte-americana, que necessitava de fazer valer a sua política anti-russa na cimeira dos G-7, que teve lugar dias depois na Alemanha, com todo o serventualismo dos partidos capitalistas actualmente no poder (Populares e Socialistas).

Na realidade, depois das sanções anti-russas, ditadas de Washington, os países da UE estão a ser os mais prejudicados da retaliação de Moscovo, e, fissuras começavam a surgir na chamada coligação EUA/NATO, e, a administração Obama actuou, humilhando a Alemanha e a própria França, amarrando-os ao redil do capital financeiro de Wall Street.

Claro, que nem tudo correu bem, porque nesse período, o Papa católico, interessado nos negócios com a Rússia,recebeu com gala e circunstância o Chefe de Estado da Grande Rússia.

Com esta pressão constante, os EUA procuram comprometer, directamente, os Estados europeus numa guerra contra a Rússia, (ficando eles de fora), através do acirramento nas contradições étnicas e linguísticas da Ucrânia, que voltam a recrudescer em força, depois dos EUA rearmarem fortemente Kiew.

4 – Claro que as denúncias do FBI, acobertadas pela senhora Lynch, igualmente tem um objectivo, embora secundário, de mexer com a relação de forças no interior da FIFA – mudança esta que se relaciona essencialmente com os valores monetários e financeiros que movimenta a estrutura futebolística.

(Alguns dados reveladores: o Mundial de Futebol de 2014 – Brasil – deu de receita à FIFA mais de 4,7 mil milhões de euros. Para onde foi uma parte significativa deste dinheiro?)

Temos de nos focar na chamada candidatura alternativa ao suíço Joseph Blatter.

(Blatter veio a subir na FIFA pela mão do agente da ditadura brasileira João Havelange, que tinha a cobertura dos EUA, para o desenvolvimento dos seus negócios, que se iniciou por volta de 1975.

Com o afastamento de Havelange, Blatter vai ter um papel destacado nas negociações da Taça do Mundo da FIFA e na reestruturação do formato comercial do evento até o ano de 2006).

Claro que os dirigentes e assessores de Blatter, incluindo os membros proeminentes da UEFA, como Michel Platini, que eram necessários para que os processos de corrupção se efectuassem dentro do *núcleo duro*, despejavam os dinheiros nos bancos norte-americanos, mas os principais centros de negócios e poder estavam localizados na Europa.

O Congresso da FIFA de 2015 parecia pender para reforçar a estrutura de Blatter, perante uma candidatura, aparentemente, surgida do nada, de um príncipe jordano de Ali bin Hussein, irmão (aliás meio-irmão) do actual rei da Jordânia Abdullá II.

O curioso é que o *capo-mor* da UEFA o apoiava – o velhaco Platini estava a apostar num cavalo errado ou a orientação era outra?.

Qual é o verdadeiro curricullum deste príncipe Ali?

Esteve na Academia Militar inglesa de Sandhurst, saindo oficial em 1994.




Como responsável dos serviços secretos em vista à NATO

Foi fazer estudos nos EUA e no regresso entrou nas forças especiais jordanas.

Foi escolhido para chefe da segurança especial do irmão rei, que lhe permitiu formar e ser presidente do Centro Nacional de Segurança e Gestão de Crises (vulgo serviços secretos).

Ora, estes serviços secretos são dependentes, como a realeza jordana do controlo e financiamento dos Estados Unidos.

Blatter que venceu no Congresso, verificou que forças poderosas, que conheciam o seu passado – e essas forças estão nos EUA – iriam trucidá-lo.

Demitiu-se e convocou um Congresso extraordinário, sublinhando que iria tentar redimir-se e controlar as investidas que, certamente, virão do outro lado do Atlântico e dos bancos de Wall Street.

Pode ser uma piedosa missão, certamente levada ao fracasso.

Uma coisa é certo o príncipe jordano, dos serviços secretos, sustenta que se vai recandidatar.

Naturalmente, encoberto, em nome dos Estados Unidos da América.

Veremos o que vai acontecer nos próximos meses.



quarta-feira, 27 de maio de 2015

AS PATRANHAS SUCESSIVAS NORTE-AMERICANAS NO MÉDIO-ORIENTE

1 – O meu blogue esteve, parado, praticamente, um mês, pois fiz uma viagem turística de mais de duas semanas ao Irão.

Foi uma viagem longa, mais de 4.500 quilómetros.
Passei por algumas das 30 províncias daquele país.
Deambulei, com um grupo de portugueses, por Teerão.
Tentamos entrar em Qoom, mas a imensidão de pessoas, presentes numa sexta-feira, impediram-nos de lá permanecer.
Percorremos, pelo que me recordo, as províncias, ou parte delas, de Hamadan, Kermanshah, Cuzistão, Luristão, Yazd, Isfahan, Kashan e Fars.
Visitamos outros locais, como Abynaeh, um das aldeias mais antigas do Irão, tendo passado junto à central nuclear de Natanz, sem problemas de maior.
imagem da central atómica de natanz, vista da auto-estrada que passa perto.

Sobre esta viagem farei, proximamente, uma apreciação turístico-política, que tem muito a ver com a visão distorcida que a grande comunicação social ocidental tem sobre as sociedades que não seguem as suas orientações.
Por isso, salto para o que, de imediato, me chamou a atenção, agora, na geopolítica mundial.

2 - As patranhas montadas pelas diferentes administrações norte-americanas, desde que começaram a imiscur-se, abertamente, no Médio-Oriente, começam a fazer vir ao de cima o papel de criminosos, mafiosos, déspotas, cóbois de meia-tigela, que, realmente, são.

Só que utilizam o poder – económico e militar – que ainda mantêm para destabilizar e, quiçá, destruir o próprio mundo, em nome da usura, da ganância do lucro, da irracionalidade de uma sua suposta messiânica supremacia, suportada numa mal-cheirosa política dos direitos humanos.

São os seus próprios antigos governantes, como o caso que abaixo transcrevo que denunciam a vileza do poder imperial norte-americano.

Neste caso, que vou citar, trata-se da mistificação que tem sido feita em torno da figura e da morte do saudita Osama Bin Laden.

E o crítico é um homem do regime, o antigo secretário adjunto do Tesouro da Administração Reagan, Paul Craig Roberts.

Reproduzo uma tradução espanhola, modificada em alguns pontos que acho que podem ser melhorados depois de confrontar o original, do seu blogue www.paulcraigrobertz.org, com data de 25 de Maio.

O título do artigo é : Washington protege as suas mentiras com mais mentiras -

Eis o conteúdo:

“A minha desconfiança se aprofundou depois de ler um texto de Seymour Hersh sobre o assassinato extrajudicial do regime (norte-americano) de Obama de Osama bin Laden, feito, ilegalmente, no interior de um país soberano.http://www.paulcraigroberts.org/2015/05/11/seymour-hersh-succumbs-disinformation-paul-craig-roberts/.

A História de Hersh, que é de muito pouco interesse inerente, recebeu uma tal elevada atenção, e, é, na realidade, uma prova da orquestração cuja finalidade visa a de corroborar a afirmação do regime de Obama de ter morto uma pessoa que já tinha sido falecido há uma década.

Os norte-americanos são crédulos, e o pensar é um assunto rebuscado para eles, pois se meditassem o suficiente deveriam inquirir-se qual a razão pela qual o governo teve de inventar uma estória totalmente falsa sobre em torno de uma escrita já que Washington teria morto o seu presumível autor, ele próprio um presumível terrorista.

Porque não apresentar a verdadeira história?

Qual a razão porque a história real é divulgada anos depois, através do filtro de fontes anónimas, que as transmitiram a Hersh?

Posso garantir que seria um facto que se os SEALS (tropa de élite) tivessem encontrado Bin Laden em Abbottaba (Paquistão), teriam utilizado granadas de atordoamento e gases lacrimogéneos para o capturar com vida.

Bin Laden seria passeado perante os meios de comunicação e uma Casa Branca, em êxtase, faria uma celebração aparatosa, com muitas fotografias, dando as medalhas aos guerreiros que o detiveram.

Pelo contrário, estamos em presença de um assassinato sem corpo, que de acordo com a lei determina que não existiu qualquer assassinato.

E, além do mais, essa história já mudou de versões várias vezes pela própria Casa Branca, no decorrer das 48 horas após a pretensa incursão, e, agora, se reescreve de novo através de uma desinformação transmitida a Hersh.
fotografia da Reuters: imagem do helicóptero norte-americano destruído em Abbottaba 

Talvez o lançamento de títulos de livros supostamente encontrados na suposta residência de Bin Laden em Abbottabad seja parte da explicação: “Quem pode imaginar o *autor intelectual do terror*, sentado em torno da leitura do que o *presstitute* (um neologismo inglês para ligar a imprensa comprada com a prostituição) London Telegraph apelida de biblioteca de Bin Laden sobre as teorias da conspiração sobre o 9/11 e as políticas diplomáticas e económicas de Washington?

Tendo em conta que a afirmação do governo de que estes livros estavam na biblioteca de Abbottabad de
Bin Laden provem do mesmo governo que afirmou que Saddam Hussein estava na posse de armas de destruição maciça, que Assad utilizou armas químicas, que o Irão tem em marcha um programa de armas nucleares, e que a Rússia invadiu a Ucrânia.

Não existe evidência de que Bin Laden estivesse na posse daqueles livros, da mesma maneira que não há evidência de qualquer reclamação feita por Washington (sobre o seu contrário).

Perante a falta de provas, a posição de Washington resume-se ao seguinte: *É verdade, porque o afirmamos*.

Eu apostaria que a história de Hersh foi transmitida como uma espécie de fim de festa *meio alcoolizada* para implantar um renovado interesse na saga de Bin Laden, que, em breve, poderá ser utilizado para desacreditar os críticos de Washington.

Observe-se que os autores que colocam reservas à descrição da suposta biblioteca de Bin Laden são aquelas pessoas cuidadosas e bem informadas que arrasaram, severamente, Washington com a verdade.

Os jogadoress com chicote de cabedal do regime são Noam Chomsky, David Ray Griffin, Michel Chossudovsky, Greg Palast, Michael Scheuer, William Blum. 

Você imagina o embuste.

Não temos que acreditar que eles dizem a verdade, porque a presença de Bin Laden foi provada perante  eles, e havia mesmo um conjunto de livros na sua posse na sua biblioteca.

Logo, por extensão, teriam de considerar se aqueles contradisserem a verdade poderiam ser acusados de cumplicidade com o terrorismo?

Obama sustenta o seu argumento numa determinação do assim sucedeu ao velho estilo do estereotipo mafioso para a mesma actuação de bin Laden no 9/11.

Mas o facto é que não há corpo e nem sequer uma história coerente sobre o que se passou com o próprio corpo.

O pessoal da Marinha a bordo do navio que a Casa Branca estipulou que foi ali que Bin Laden teve um funeral, naturalmente no relatório estará referenciado que o enterro se efectuou.

A unidade dos SEAL que, supostamente, constituiu a equipa que matou a um Bin Laden desarmado e indefeso, desapareceu, misteriosamente, num acidente de helicóptero.

Temos então que os SEAL foram levados para o local do combate contra os talibãs num aparelho de museu, uma aeronave dos anos 1960, com meio século de idade, um helicóptero a cair aos bocados. 

Os pais dos SEALS mortos apresentam perguntas que não tem respostas contestadas, uma história que os meios de comunicação *presstitute*,transmitiram perfeitamente com a conivência de Washington.

Pondo de lado o 9/11 em si, não há um evento de tal importância como a morte de Bin Laden que não tenha um tal elevado número de posições oficiais contraditórias e explicações quase oficiais, perguntas sem respostas e evasivas de bradar aos céus.

E um tão grande número de evasivas e contradições não despertam interesse nenhum por parte dos meios de comunicação ocidentais ou da opinião pública norte-americana sonolenta e despreocupada.

Temos então que Washington lança a história dos *arquivos da morte*, de um *desaparecido* Bin Laden, protegendo, deste modo, a perpetuidade da história inventada do assassinato de Bin Laden
Temos ainda a entrevista de Tom Hartman com David Ray Griffin: Está Bin Ladem  vivo morto: 

Está ainda a vossa disposição o artigo de Philip Kraske na entrevista de Steve Kroft OpEdNews, orquestrada para os “60 minutos”, com Obama sobre a morte de Osama bin Laden:Http://www.opednews.com/populum/printer_friendly.php?content=a&id=143300