sábado, 11 de junho de 2011

A CONFISSÃO DE GATES: A NATO CHEGOU AO FIM




O militarismo está a devorar a NATO, e, isto, acima de tudo, porque a capacidade militar está a ser, para os principais mentores daquela, em especial os Estados Unidos, o fim principal de toda a actividade política, económica e diplomática dos Estados e, de maneira evidente, dos seus principais decisores.


Isto vem a propósito de quê? De uma confissão e de uma crítica desabrida e sem sentido do Secretário da Defesa dos Estados Unidos, Robert Gates, feita na semana passada, na Bégica, sede ficticia do comando da organização (o real é Washington), numa reunião de altos responsáveis da NATO a propósito das participações "aliadas" nos últimos conflitos onde se enlamearam. Afeganistão, Iraque e Líbia.


O senhor Gates confesssa mesmo - dirigindo-se aos aliados europeus - que o "fracasso" da intervenção imperial na Líbia se devia à falta de empenho dos mesmos, que já vinha do Afeganistão. (Ele sabe que a Europa está desprezar cada vez mais a NATO, e, por tabela, o poder de Washington)


E acrescentou a verdadeira razão: investimentos insuficientes em novos recursos militares e na própria organização.


No discurso perante ministros dos 28 países-membros da organização, onde estava o português de saida Santos Silva, (que militou no MES em 1975, quando pensava que o poder pessoal poderia vir daí), o secretário de Defesa americano, Robert Gates, advertiu para o risco de "irrelevância" e de "triste futuro" para a NATO.


O senhor Gates fez outra confissão, esta de ter a orelha desperta: os EUA não poderão continuar a sustentar financeira e militarmente a NATO.


Ora aqui está a raiz da crítica e da verdadeira situação do governante norte-americano: Nós somos a NATO, queremos que os vassalos paguem impostos acrescidos.


Mas aqui é que está o cerne de toda a política imperial: o militarismo dos EUA não é produto da democracia, mas sim da sua premência em manter a supremacia económica. Ora, tal custa dinheiro, e o impulso constante para colocar a questão militar no centro de toda a atenção do seu Estado, os senhores de Washington criaram um "monstro", que é o corrupio da sua própria destruição.


A concorrência imperial que os EUA desencadearam depois da segunda grande guerra tendo como lema aceitável, então, um programa de destruição de entraves feudais e pré-capitalistas para fazer penetrar o modo de produção capitalista pró-ocidental em todo o mundo desapareceu, porque nestes 60 a 50 anos esse capitalismo tornou-se dominante em todo o Mundo, mesmo em países como a Chima e a Rússia.


Ora, essa concorrência, nos últimos vinte anos, adquiriu mais a expressão de luta entre Estados com o mesmo sistema (claro que em fases diferentes de desenvolvimento) que, por sua vez, viam (e vêem) na opção militar de Washington o desejo, único, de ocupação e supremacia. Ora, isto, obriga, por um lado, os EUA a gastar de maneira crescente cada vez mais dinheiro nas instituições castrenses, em detrimento da produção industrial interna própria, por outro leva os Estados concorrentes a armarem-se e a refinar a sua orientação castrense.


Isto justifica em grande parte o actual descalabro financeiro do Mundo.


Os EUA estão com uma dívida pública (oficial, a real é muito maior) de 14 biliões de dólares.


No próximo Outono, quando se discutir o Orçamento Federal dos EUA estes valores vão surgir à luz do dia. Na realidade, os EUA está, tecnicamente, na bancarrota.


Deverá ser altura para se contabilizar a hipótese de uma nova grande crise mundial. Só que desta vez, o centro está em Washington.


A crise financeira dos Estados Unidos de 2008 - que se estendeu depois a outras partes do Mundo - abriu um novo período de reeorientação na economia, na economia e na geo-estratégia global.


A União Europeia continua a ser a "alternativa" económica crescente para a decadência dos EUA. Naturalmente, poderá ser "palco de cenas imaginárias e talvez reais de guerras". A defesa do euro por parte da UE será um dos aspectos mais importantes para construir um baluarte para os tempos que se avizinham.


Mas, também, essa Europa terá de pensar em formas superiores de unidade política e militar.


E é nessa mesma Europa que se encontram os sectores mais avançados da consciência de uma nova construção societária.


Daí a critica do senhor Gates, o presentante político do sector financeiro e do complexo industrial militar de Wall Street.



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