terça-feira, 24 de janeiro de 2012

EUA: A VORAGEM MILITARISTA E A SUA DESTRUIÇÃO




1 - Os Estados Unidos da América pensam e agem, como se mandassem no mundo: engendram e inventam, cada vez mais armas de destruição maciça, mas consideram que só eles podem utilizar as armas, pois, para eles, o mundo é uma coutada dos seus magnatas.





O militarismo entranhou-se na sociedade norte-americana











Podem pensá-lo, podem até sustentar, com argumentos históricos , que a humanidade - onde eles surgiram há apenas 200 anos!!! - necessita de meios e métodos animalescos para sair dos tempos da bruma barbárica, que é a actual, na cabeça distorcida do capitalismo financeiro dos lumpen judeus que o manipulam. 

O que eles manifestam hoje - o seu poder militar, que é real - já não representa o capitalismo de há 30 anos. 

Nos dias de agora, deu-se uma evolução económica internacional, e os centros de poder estão a reorganizar-se.

Os EUA estão a opor-se a esta evolução económica, com a percepção falaciosa que detêm a supremacia total no poder castrense. 

É um engano. 

Este poder é, em termos económicos, apenas puro militarismo, e este ao apoderar-se do domínio do próprio Estado, carcome as suas entranhas e é parte activa na sua destruição. A produção industrial interna passou para plano secundário, o que é sintoma de grave doença em economia.

E, a parte mais substancial deste desnorte está ligada a uma questão que foge aos interesses da oligarquia ianque: a supremacia produtiva económica, que julgavam ser da sua exclusiva preponderância, está a implantar-se em várias partes do mundo, como forma concorrencial imparável, com um sistema financeiro débil, implantado nos Estados Unidos. 

2 - O Irão, a Líbia, a Síria, ou a Coreia do Norte, porque não "vibram" pelo sistema norte-americano, não podem construir arsenais nucleares, mas os EUA podem ampliá-lo, sofisticá-lo, e, até utilizá-lo, em qualquer parte do mundo, onde, em nome da doutrina imperial nazi do "espaço vital" nacional, tal é considerado como justo e endeusado pela cáfila de vassalos europeus e outros de igual calibre.

Para memória futura, que convém não esquecer, na presente conjuntura, os EUA foram o único país, no Mundo, até agora, que lançou bombas atómicas sobre população civil de um país, neste caso, o Japão, com o cínico argumento de acabar uma guerra. 

Aconteceu, em 1945, em Nagasáqui e Hiroshima, num Japão moribundo. Mais de 400.ooo mortos e muitos mais milhares de civis feridos e estropiados. 

Somente, porque em causa estava o seu conceito de "espaço vital" face à então União Soviética.

Em 2009, com parangonas da grande imprensa norte-americana, controlada pelo capital financeiro de Wall Street, o governo de Washington (eles chamam-lhe Administração), divulgaram - com fortes títulos, e pela primeira vez -  o tamanho, do que diziam ser,  o seu arsenal nuclear: 5.113 ogivas operacionalmente mobilizadas, mantidas na reserva activa ou armazenadas de forma inactiva.

Segundo os dados divulgados pelo Pentágono, o arsenal nuclear do país chegou a 31.225 ogivas no ano de 1967, e desde então foi reduzido em 84 por cento.

Pura mentira. Apenas manobra propagandística.

Primeiro, não sabemos o que se passa, realmente, de forma independente, com a quantidade e a qualidade do arsenal norte-americano. A Administração não permite que tal seja verificado.

Segundo,  documentos oficiais norte-americanos, divulgados pelo portal Wikileaks, em 2010, referem, expressamente, a trapaça dos militaristas de Washingtion.

Retiramos do que foi divulgado:

"Documentos diplomáticos norte-americanos transmitidos pelo site WikiLeaks nesta semana revelaram que os Estados Unidos ainda mantêm um arsenal de armas nucleares tácticas da época da Guerra Fria na Europa, além de sua localização detalhada. 

A NATO (Organização do Tratado do Atlântico Norte) condenou a divulgação como "irresponsável e perigosa", mas não confirmou directamente a existência das armas.

"Segundo os telegramas diplomáticos, a maioria das bombas nucleares tácticas dos EUA estão na Bélgica, Alemanha, Holanda e Turquia. 

"Apesar da suspeita sempre ter existido, a NATO e outros governos se recusavam a confirmar formalmente a existência das armas. 

A lista inclui ainda a Itália e o Reino Unido, países não citados nos documentos do WikiLeaks.

As armas nucleares tácticas, ou não estratégicas, são normalmente de curto-alcance e incluem mísseis terra-terra com alcance de menos de 500 km e armas lançadas do ar ou do mar com alcance de menos de 600 km. 

"As armas estratégicas compreendem bombas com potencial para destruição em massa. 

"Especialistas ressaltam que as armas tácticas podem ser mais perigosas que as estratégicas, já que são menores e mais vulneráveis a roubo".
O arsenal nuclear dos EUA é desconhecido

3 - Quem empola todos os anos o seu Orçamento castrense não está em pensar em desarmamento, mas em guerra e violência.

Quem mantém e procura alargar a sua presença militar em várias partes do Mundo, com milhares de bases e grupo de combate móveis sediados, normalmente, em unidades navais, não pretende acabar com o militarismo. Pelo contrário, fomenta-o e procura, até impô-lo a outros Estados. É, precisamente, o caso dos EUA:

Vamos, portanto, falar em economia.

O orçamento da defesa dos EUA foi estimado para o ano de 2009 como sendo de 786 mil milhões de dólares, incluindo, nestes, as despesas militares propriamente ditas, a chamada defesa anti-terrorismo, logística, recursos humanos e espionagem. 

Os gastos com as forças armadas foram estimados em 583 mil milhões.
   
No ano fiscal de 2010 , o Orçamento base do Departamento de Defesa era de  533,8 mil milhões. 

Com o acréscimo das chamadas "operações  ultramarinas", este valor subiu para 663,8 mil milhões.

Quando o orçamento foi aprovado atingia  o valor de 680 mil milhões.

Ao fazer uma apreciação mais detalhada do Orçamento, verificou-se que haviam verbas dotadas à defesa mas contabilizadas fora do Departamento de Defesa. Foram avaliadas entre os 216 e 361 mil milhões como despesas adicionais.

Elevou-se assim o total das despesas com a Defesa para valores que se situam entre os 880 mil milhões e 1,03 biliões de dólares no ano fiscal de 2010.






Orçamentos oficiais da Defesa dos EUA, sem contabilização de outros departamentos





Deste modo, temos de constatar, sem grandes resistências, que uma despesa castrense deste teor, além de colocar os EUA, como o maior fomentador da corrida armamentista, como o único país a açambarcar, em gastos castrenses, a quase totalidade dos restantes países. 


Ora, estes acréscimos não são para fabricar simples espingardas...

As Forças Armadas norte-americanas começaram a tornar-se, desde há cerca de 50 anos, como o objectivo principal do próprio Estado. 

Podem sofrer desastres tremendos, como sucedeu no Vietname e, em grau menor, na Coreia, e nos dias de hoje no Iraque e no Afeganistão. 

Mas, a voragem militarista penetrou em todos os poros da sociedade: somente existe nos tempos actuais para incrementar o poder militar. 

Ora, este militarismo está a devorar os Estados Unidos. É, quer queiramos, quer não, um sintoma da sua própria decadência.

Os seus economistas estão a tomar atenção a esta vertente.

Cito o caso do economista Robert DeGrasse Jr, que escreveu o livro a "Máquina da Guerra": “Sem que muita gente desse conta, criou-se nos Estados Unidos o que eu apelido de ‘classe guerreira’, formada por milhões de famílias economicamente dependentes dos gastos do governo com armas.

E a terminar as palavras de outro catedrático: "A máquina de guerra americana cresceu tanto que está dominando a economia, influenciando a sociedade e, certamente, moldando a maneira como a actual geração de americanos encara a vida", escreveu Joseph Nye Jr., professor da Universidade Harvard e autor do livro The Paradox of American Power (O Paradoxo do Poder Americano). 


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