domingo, 8 de janeiro de 2012

MAÇONARIA: UM LONGO BRAÇO QUE A IGREJA TAMBÉM ABRAÇA







1 - As recentes denúncias da existência, no interior do Estado português, de estruturas organizadas, de índole secreto-conspirativa civil, sob o nome de lojas maçónicas, ou de feição religiosa católica, com o nome de Opus Dei,  Ordem de Malta, Carismáticos,  Jesuítas (Papa Negro),  entre outros, deveriam "alertaram-nos" para o que, realmente, está a ser feito, em termos práticos, na subversão do próprio Estado.


Não é um fenómeno novo, nem na História de Portugal, nem na História Mundial.


Quando sublinho subversão do próprio Estado, não estou a falar em avanço civilizacional, mas em retrocesso político, económico e social.


Os filisteus que se constituem em promotores e defensores deste tipo de estruturas, e defendem o seu secretismo a todo o custo, em nome da defesa da liberdade de organização, estão a ser, isso mesmo, filisteus, mas, acima de tudo, cínicos e apologistas do obscurantismo "político", embora erijam a sua participação nessas organizações em nome do bem, da filantropia e do progresso da humanidade.


Não é que seja crime formar tais entidades, o crime está em constituí-las para prosseguir fins mafiosos para benefício próprio, objectivo este enquadrado em teias de influências perniciosas, de conquistas capciosas de mordomias, lugares de supremacia social e económica ilegais e irregulares, em detrimento de um harmonioso estatuto de carreiras e hierarquias de progresso, formação de *núcleos* de poder fechados e reaccionários.


Na realidade, certas instituições, em determinada época histórica, tiveram um papel que serviram para incrementar um salto societário, - e como tal eram atacadas pelos poderes vigentes, daí a sua salvaguarda clandestina ou fechada, como aconteceu, justamente, com a maçonaria, nos séculos XVII, XVIII e XIX, mas a sua missão, na actualidade, é retrógrada, porque se mantêm para perpetuar o modelo de sistema económico e político, que ajudaram a desabrochar e implantar, mas, que, no presente, está contra o progresso da civilização. 


De igual modo, o cristianismo foi um perigoso partido subversivo - que actuou clandestinamente em certa época - há quase 1.900 anos, quando alastrou por todo o Império romano, pondo em causa que o poder do Imperador fosse a única vontade e inquestionável.


Cumpriu, todavia, o seu papel histórico, como fonte de progresso, ao atingir o próprio poder, e se ter tornado, ele próprio como religião de Estado e estrutura máxima de governo, um instrumento de retrocesso, em tudo o que ficou depois do desmembramento imperial.





2 - A questão é que estas instituições e estruturas no presente não desempenham um papel retrógrado apenas no domínio da ideologia, e isso não trazia mal ao mundo, mas, essencialmente, constituem formas organizativas que visam, na prática, fazer regredir o caminho da modernidade pela acção nefasta da repressão económica e política. 


Quer as entidades maçónicas, quer as instituições de "clan" religioso (católico ou de outras confissões) estruturam-se para obterem o domínio da economia, da sociedade, da política, do próprio Estado. 


Merecem ser investigadas e escrutinadas pelo Estado, que se diz democrático. 


Aquele não pode emitir apenas juízos de valor de lamento, mas devassá-las como "organismos infecciosos" que o estão a minar.


Quer as instituições de poder judicial, quer legislativo do Estado tem a obrigação de as inquirir e verificar a extensão dos prejuízos que estão a causar. 


Até porque, na realidade, quer as civis, quer os "clans" religiosos, se intercruzam nos prosseguimentos de um objectivo comum.





3 - Como atrás referi este "modelo" português de subversão reaccionária é uma importação - em termos nacionais, naturalmente, sem as implicações económicas e políticas, de outra grandeza - do que sucedeu em Itália, há 30 anos, e, em grande medida em toda a Europa, EUA, e América Latina, porque as ramificações investigadas apontaram para isso. 


No caso concreto, estou a referenciar, justamente, o que foi descoberto no início dos anos 80, com a Loja Maçónica Propaganda Due (Propaganda Dois).


A P-2 era uma ramificação da Loja P-1, ambas pertencentes ao Grande Oriente de Itália (GOI).


A imagem inicial da P-2 (que os seus promotores pretendiam divulgar como tal) era a de uma pacata estrutura, que se dedicava a promover obras de caridade e de filantropia. 


Medrou, alastrou e imiscuiu-se em todas as esferas da vida social de Itália, até 1981, dentro desta obscena retórica de honestidade. 


E, continuou, noutras condições, até aos dias de hoje. (Alguns dos maçons da P-2 estão no centro do poder económico e político, como Silvio Berlusconi).


Embora já houvessem certos indícios de que a P-2 actuava fora do âmbito estritamente filantrópico e cultural desde os anos 60, o certo é que as pequenas notícias - nos anos 70 escreveu-se que encobria o tráfico de armas, por exemplo - eram dissipadas pela força do poder da própria Loja sobre os meios de comunicação social. 


Somente, em 1981, se tornou foco de notícias, imparável, pela evidência, quando se deu a incriminação do banqueiro ítalo-norte-americano Michele Síndona nas negociatas ilegais e corruptas do Banco Ambrosiano, a principal instituição bancária comercial de Itália, pertença exclusiva da Igreja Católica Romana, sediada no Vaticano.


(Sindona era, então, um dos dirigentes principais da P-2. 


Foi preso dos Estados Unidos da América, quando fez falir fraudulentamente a instituição bancária que liderava, o Franklim Bank, e se descobriu que o mesmo era um "entreposto" para fazer branqueamento de dinheiro da Máfia, a que ele, também, pertencia).


O que se soube depois sobre o papel dessa Loja proveio de investigações judiciais e jornalísticas e da comissão de investigação parlamentar italiana, que foi liderada pela deputada Tina Anselmi, da Democracia Cristã.


A principal conclusão desta ultima comissão é que a Loja P-2 actuava "secretamente" para actual sobre os negócios e a política do país para destruir a ordem constitucional existente e impor um regime musculado de poder, em que a segurança e a militarização teriam supremacia. 


Este programa constava de um documento da Loja, na posse de Lício Gelli, o seu venerável e impulsionador, intitulado "Piano di Rinascita Democrática" (Plano de Renascimento Democrático), cujas intenções precisas eram: criação de uma nova elite política e económica para levar a Itália na direcção de uma nova forma de democracia, mais autoritária e anti-comunista.


Ora, Sindona era conselheiro económico do Papa Paulo VI e outro dos mais influentes banqueiros do Vaticano, o conde Umberto Ortolani, que foi Grão-Mestre da Ordem de Malta, era o número dois da P-2. 


O Grão-Mestre desta Loja chamava-se Licio Gelli e tinha íntimas ligações de negócios  com Roberto Calvi, Presidente do Conselho de Administração do Banco Ambrosiano, que era, igualmente um dos quatro líderes da mesma  instituição maçónica.


A loja, que seria diminuta no início dos anos 60, veio a atingir uma dimensão, que as investigações consideraram "foram do comum" pela composição e papel desempenhado pelos membros: 


Em Março de 1981, na magnífico palacete de Gelli, em Arezzo, foi descoberto, pela polícia, um dossiê com cerca de mil nomes - mais precisamente, 953 nomes, divididos por 17 "irmandades", cada qual com um líder.


(Segundo a investigação, outros mil membros não foram decifrados).


Da lista divulgada - a outra nunca foi conhecida publicamente -  estavam inscritos três membros do executivo então no poder (primeiro-ministro Arnaldo Forlani, que se demitiu), incluindo o da Justiça Adolfo Sarti.


Foram referenciados, no relatório parlamentar, vários ex-primeiro-ministros, o mais conhecido Giullio Andreotti, ainda vivo e condenado a 24 anos de prisão, que não cumpre, por ter sido, inesperadamente, nomeado, em 1992, senador vitalício, 43 parlamentares, 54 altos funcionários da Administração Central do Estado, 183 oficiais - 38 generais e almirantes - das Forças Armadas (Marinha, Exército e Força Aérea, incluindo o Chefe do Estado-Maoir General almirante Giovanni Torrisi), 19 juízes, dezenas de advogados, magistrados do Ministério Público, oficiais dos "carabiniere", comandantes da Polícia, os mais importantes banqueiros, proprietários de jornais e responsáveis da televisão, bem como editores e jornalistas, incluindo o director do jornal Il Corriere Della Sera, 58 professores universitários, líderes dos principais partidos do poder (Democracia Cristã, Socialista, Social Democrata e os directores-gerais das três principais estruturas de serviços secretos do país. 


Constavam igualmente altos hierarcas da Igreja, como os cardeais Jean Villot, Agostino Casarolli e o arcebispo Paul Markincus.


A P-2, aparentemente, foi desmantelada, digo aparentemente, porque muitos dos seus inscritos continuam, nos dias de hoje, a ter papel preponderante nos negócios e na vida política de Itália. 


Bem como os negócios do Vaticano correm de plena feição no interior do Estado italiano e no mundo.


O filho do proprietário do Banco Sicula Antonio D`Ali Jr (Antonio D`Ali, pai, destacado membro da P-2), que constava da lista é hoje senador, eleito pelas lista da Forza Italia, 


O general Vito Micelli, director dos SIOS, serviços secretos militares em 1069, e depois director do SID, entre 1970 e 1974 - que foi preso em 1975, acusado de "conspiração contra o Estado" - tornou-se depois dirigente do MSI (partido fascista italiano).


Angelo Rizzoli é hoje produtor de cinema.


Franco Colombo, que era correspondente da RAI em Paris, é agora - ou foi até há pouco tempo - vice-presente do Conselho de Administração da sociedade que gere o túnel do Monte Branco.


Giancarlo Elio Valori é agora Presidente da Associação Industrial de Roma.


Fabrizio Cicchitto, que pertenceu ao PSI, está agora na Forza Italia.


Antonio Martino foi ministro de um dos governos de Silvio Berlusconi.


Muitos poderiam ser citados, como o príncipe Victor Emmanuel, o primogénito do falecido rei Humberto,  ou Massimo de Carolis, que sendo dirigente da  Democracia Cristã, se tornou membro da Forza Italia e foi até, há pouco tempo atrás, por indicação de Berlusconi, Presidente da Câmara de Milão.


Mas, o que tenho de relevar - e baseio-me no mesmo relatório - é que a P-2 tinha ramificações profundas internacionais, nomeadamente nos governos da América do Sul, e ligações profundas à CIA.


Cito alguns dos antigos responsáveis políticos sul-americanos e homens de negócios da América e Austrália:


Raúl Alberto Lastiri, Presidente da Argentina de 13 de Julho de 1973 ate 12 de Outubro de 1973;


Emilio Massera, com Orlando Ramón Agosti, de 1976 ate 1978 foi parte Junta Militar em Buenos Aires, liderada por Jorge Rafael Videla;


José López Rega, Ministro das Obras Sociais no governo de Péron e fundador da Aliança Anticomunista da Argentina. ("Triple A");


Alberto Vignes, ministro argentino;


Almirante Argentino Carlos Alberto Corti;


Randolph K. Stone, Los Angeles, USA;


Dott. Hatz Olah, Melbourne, Austrália;


Roberto(Bob)Patino.


Nos documentos estavam apensos os juramentos de obediência destes homens ao grão-mestre Gelli, com o repto de estarem prontos para responder ao apelo para as missões que estivessem indicadas.






4 - Mas, o que sobressaia dos bastidores da Loja era a eminência parda da Igreja Católica de Roma, no domínio dos negócios financeiros, económicos e políticos, em primeiro lugar, de Itália, e, em grau menos evidente, mas fundamental, de outros Estados, incluindo os próprios Estados Unidos da América.


Na realidade, todos os principais membros da Loja, incluindo os seus dirigentes, eram homens directamente ligados ao Vaticano. 


E o Vaticano dominava, conforme se verificou, o poder de Estado em Itália, praticamente, desde o fim da guerra, com a ascensão do católico Alcide De Gasperi às chefias do Estado e do governo, de 1945 a 1953. A Santa Sé apelidou-o de "Servo de Deus", e quer torná-lo "santo". 


(Um dos seus braços direitos, de que foi secretário de Estado, que veio a ser o seu verdadeiro substituto na ligação ao Papado, chamava-se (e chama-se) Giullio Andreotti).


Mas, a inquirição, ao esmiuçar o papel do Banco Ambrosiano na trama que se urdia para refazer o poder de Estado, segundo métodos pró-fascistas, verificou que, na realidade, que a Santa Sé dominava, como domina,  a actividade económica de Itália, desde o sistema financeiro - três dos cinco administradores do Banco Central, eram "acólitos" do Papado.


 E a "rede" dos principais bancos, ou pertenciam inteiramente ou mantinham "interesses consideráveis" da Santa Madre Igreja Católica Romana (Banca de San Paolo, Banca Provinciale Lombardo, Credito Bergamasco, Banca de San Geminiano e San Prospero, Nazionale dell`Agricultura, Credito e Risparmino di Roma, Popolare de Bergamo, Piemonte di Torino, Fucino di Roma, Romana, Toriness Balbis e Guglielnome, Communi Vesunian, Trento e Bolzano, del Sul, Instituto Bancario Romano, Credito Mobiliare Fiorentino, Credito Comerciale di Cremona, entre outros, alguns dos quais, na actualidade, mudaram de nome e reestruturam-se.


Assim, como controlava - e controla - a  distribuição de gás as grandes cidades italianas, as grandes empresas de construção civil, os mercados de têxteis, a metalurgia, as indústrias farmacêuticas e a energia eléctrica, entre outros ramos produtivos industriais.


Vamos voltemos ao Ambrosiano, hoje rebaptizado como Banco Ambrosiano Venneto  após a fusão com o Banco Católico do Veneto. 


De acordo com a investigação parlamentar era dirigido, directamente, pelo Instituto per la Opere di Religione (IOR), o Banco Central da Santa Sé, cuja presidência estava nas mãos do arcebispo Paulo Marcinkus, que, por seu turno, representava o Papa, na administração do Ambrosiano. Este arcebispo controlava já, sem controlo da administração, apenas reportava ao seu Chefe, uma subsidiária, forjada unicamente, para off-shores e branqueamento, o Ambrosiano Overseas, baseado em Nassau, Bahamas.


Quando o Ambrosiano entrou em turbulência, a Santa Sé deu directivas a um empresário Carlos De Benedetti, para intervir na instituição, de que se tornou vice-Presidente, quando Roberto Calvi começou a ser julgado. Benedetti, ligado à indústria automóvel, foi preso e condenado a 26 anos.


Além de Calvi, Ortolani e Marcinkus, pontificava na administração, como representante da sua filial na Argentina o almirante Carlos Guido Natal Coda, que fora o antecessor de Eduardo Massera na Junta Militar, como Chefe do Estado-Maior da Armada daquele país.


Aparentemente, o Ambrosiano actuava, em autonomia, face aos outros interesses do Vaticano. 


Só aparentemente, porque tudo estava ligado: branqueamento de capitais, financiamento ilícitos, intervenção nos assuntos internos de outros Estados.


"O ponto nevrálgico das operações bancárias no estrangeiro" do Ambrosiano, referiram os investigadores italianos, era o Banco Ambrosiano Holding, sediado no Luxemburgo, que contava, nestas operações, com o Banco Ambrosiano Overseas, o Banco Ambrosiano do Peru e o Banco Bellatrix, todos a operar na América do Sul.


A investigação determinou ainda que o camareiro do Papa Umberto Ortolani recebera a incumbência do Ambrosiano, para agir, autonomamente, através do Banco Financeiro Sudamericano (BASUFUD), como entidade "importantíssima" nos negócios do Vaticano em toda a região.


Determinou-se ainda que o Ambrosiano controlava, directamente, a Banca de Gotardo di Lugano (Suíça), o Kredietkank Sa Luxembourgoise e o Iteritalia (Luxemburgo).


Desta investigação, veio a saber-se que o Vaticano "tem investimentos nas bolsas de todo o mundo", com referência especial à intervenção muito "profunda" das finanças papais nos negócios de Wall Street, Chicago. 


Intervêm, de maneira evidente, na NYSE e NASDAQ, mas também em Los Angeles, San Francisco, Dallas, Houston, Filadéfia e Boston, em parceria estratégia com o lobby judeu.

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