terça-feira, 25 de setembro de 2012

ATAQUES CONCENTRADOS MUNDIAIS À LIBERDADE DE INFORMAÇÃO






1 - Os sintomas crescentes de um ataque concentrado, mundial, à liberdade de imprensa, do interior dos regimes mais reaccionários, Arábia Saudita, Irão, Turquia ,China ou ditos democráticos, como a França, Reino Unidos ou Estados Unidos, deveriam "fazer arrepiar" todos os amantes da democracia, da liberdade política,  da liberdade de expressão e opinião, e os que defendem à própria liberdade do simples direito humano.

As críticas, manifestações de todo o tipo de cariz religioso, ou simples tentativas de evitar as fotografias de uma senhora que é uma personalidade pública inglesa, que pretende ser púdica formalmente, mas não gosta que esse falso pudismo seja exposto e desmascarado, com o argumento de ser privada a sua exposição ao ar livre (!!!), como é o caso de Kate Middleton, que se casou com um fantoche que se auto-apelida de príncipe, com direitos especiais, são fogos fátuos para actuar, na realidade, contra a liberdade de informação, para a imposição de censura, para preparar, subtilmente, o poder ditatorial nazi-fascista dos tempos modernos. O mesmo se passa com as manifestações contra as críticas aos chamados profetas das religiões, quer sejam Maomé, Javé ou Jesus Cristo.

Por detrás destes pequenos incidentes, com o lápis azul da censura da classe dominante, está uma orientação geral da mesma classe para materializar a acção repressiva geral contra as movimentações crescentes das classes laboriosas em quase todo o Mundo contra a opressão capitalista crescente e absolutamente enrodilhada nas suas contradições, que procura resolver pelas introduções de sistema políticos ditatoriais conservadores, e, em último caso, regimes de carácter militarista violento, com guerras regionais ou locais mais ou menos alargadas.




2 - Ora, o que está a suceder, na minha opinião, não se percebe sem se ter em conta a imensa convulsão social que está a germinar debaixo da capa finíssima arrogante que a classe dominante, e de maneira especial, o capitalismo financeiro desclassificado parece controlar sem alternativa.

Os movimentos revolucionários que percorreram a Europa, os Estados Unidos, e em grande parte na Ásia e na América do Sul, em especial nos anos 60 do século passado - Maio de 68, movimentos sociais e estudantis na Califórnia e na região de Nova Iorque em 1969, lutas de guerrilha incipiente anti-imperialista na América Latina (anos 60 e 70) , luta guerrilheiras nacionais na Indochina, Indonésia, África, (anos 60), embora sem conseguirem efectuar rupturas na sociedade capitalista, eram indícios de que a perspectiva de uma mudança radical se eriçava nas profundezas da casca superficial inteiramente ocupada desde então pelo capitalismo financeiro, sem qualquer oposição visível.

Embora, desde essa altura, não se tivessem produzido verdadeiras revoluções societárias, tiveram o mérito de trazer para primeiro plano as reivindicações das classes laboriosas, e, ainda que limitadas e controladas pelo sistema capitalista, fizeram inscrever, e pôr em marcha no seu sistema estatal, reformas (e apenas reformas), que deram algum bem-estar e melhoraram minimamente o nível de vida nos Estados mais avançados politica e economicamente, e fizeram despertar a consciência social noutras partes do globo, desde a China à América do Sul.

Esse período, que vai grosso modo, de meados dos anos 60 de século XX até aos primeiros anos deste século produziu um forte movimento "sísmico" com certos indícios revolucionários, mas não foi produto, essencialmente, de reivindicações políticas.

Mais do que o esforço generoso de Che Guevara, ou da tenacidade de Ho Chi Minh, da valentia dos guerrilheiros do Araguaia, no Brasil, da tenacidade de Carlos Marighela, ou das barricadas quase anárquicas de Paris semi-revolucionário de 1968, o que produziu mais convulsão no interior no sistema capitalista foi o desenvolvimento revolucionário económico, que pôs em órbita o primeiro Sputnik, levou o homem à lua, forjou a alta tecnologia da Internet, massificou a computação, lançou os GPS e a Internet, criou o micro-ondas, desenvolveu a valores nunca antes conseguidos os transportes de massa a longa distância em tempo cada vez mais curtos, entre muitos outros processos científicos e industriais.

Ora, este avanço produtivo, científico e pós-industrial clássico foi o facto mais marcante do ponto de vista revolucionário do que a própria acção dos dirigentes mais conhecidos, dezenas de anos atrás. 

E isto, torna-se contraditório, porque, aparentemente, quem estava no leme da estrutura político-económica eram os seguidores do capital mais desclassificado.

Ora, esta direcção, que desprezou o sistema produtivo, veio canalizar o declínio de todo o sistema social mundial. 

Trouxe o empobrecimento real da população, no meio da exuberância da evolução produtiva da própria sociedade. 

Neste aspecto, desenham-se perspectivas sombrias que fazem lembrar o que de que pior despontou no Mundo no estertor da Idade Média Europeia.

Todavia, por debaixo da casca germina uma contradição em larga escala: é o embate final entre o avanço da sociedade, que pressupõe uma ruptura, e as forças do retrocesso que se querem manter no poder à custa do empobrecimento humano.

O que está a movimentar-se em todo o mundo são as forças que deram o impulso revolucionário à sociedade nos últimos 50 anos, que foram espezinhadas e querem voltar à luz do dia.  

Querem emancipar-se, estiveram muitas dezenas de anos no subsolo, estão ainda cegas, mas querem ver a luz do dia.

Querem uma nova sociedade de futuro. 

Vêem ao largo, ainda no mar alto, uma vaga estilo maremoto, que irá desembocar numa revolução social, mas não sabem ainda quando chegará a terra, porque vai obrigar, nos próximos anos, os homens - os seus partidos, novos ou velhos - a formular a capacidade de forjar a sua própria emancipação.


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