quinta-feira, 17 de abril de 2014

VATICANO: A USURA COMANDA OS NEGÓCIOS DE DEUS

1 - Recentemente, a sala de imprensa do Vaticano anunciou que o Instituto para as Obras da Religião (IOR), o banco central da Santa Sé, iria continuar a prestar "os serviços financeiros especializados da Igreja Católica em todo o Mundo".

Esta decisão, segundo a mesma fonte, foi apresentada como proposta, que intitulou de "reforma" do IOR, que mereceu a aprovação do Chefe de Estado do Vaticano e Sumo Pontífice da Igreja Católica Apostólica Romana.

Ou seja, tirando a linguagem de retórica, que o Vaticano pretende seguir as "normativas internacionais", o certo é que a principal função do IOR, a especulação financeira, vai continuar.

Quer isto dizer, que a Santa Sé prosseguirá os seus objectivos, já enraizados, de usura e de busca de riqueza para sustentar a imensa "Sociedade Anónima" capitalista que é o Vaticano.


Aqui funciona a sede do IOR, o banco central mais secreto e corrupto do Mundo.

Pode a grande comunicação social afecta ao Vaticano - e de certa maneira, a que está sob o controlo do grande capital financeiro - montar uma monumental campanha manipuladora de que o actual Sumo Pontífice, o italo-argentino Jorge Mario Bergoglio será o Papa reformador da decadente Igreja Católica, *idolatrando" frases piedosas e manobras superficiais de berloques do cardeal argentino afecto à ditatura militar que governou aquele país, a questão central com que faz que a Santa Sé tenha poder real na cena internacional, está na actividade que produz esse poderio - o dinheiro e a sua acumulação e reprodução.

A única reforma real de uma instituição decadente está sublinhada na frase, retirada do livro de Giuseppe Tomasi di Lampedusa, no seu livro "O leopardo": "tudo deve mudar para que tudo fique como está".



A mudança está no modo de calçar: o Papa abandonou os sapatos vermelhos pelos pretos

O escritor colocou a frase, justamente, no personagem príncipe de Falconeri, o típico exemplar de uma aristocracia, neste caso, italiana, no seu ocaso.

E não há reforma justa, reforma da essência de solidariedade, sem destruir os papéis de usureiro e de explorador egoísta, que serve os interesses da classe dominante mundial, e que, nos dias de hoje, irmanam o judeu capitalista e o Papado capitalista. 

E não podia ser de outra maneira, porque os mentores, promotores e seguidores do grande capital financeiro não se auto-regeneram, nem abrem mão das suas prerrogativas e do seu poder terreno, por muito que batam no peito, vociferando contra a pobreza, a corrupção, a ostentação e o luxo.

2 - Qual foi a razão porque o Presidente dos Estados Unidos da América, Barack Obama, foi o primeiro Chefe de Estado de uma grande potência internacional, se prontificou a visitar, há dias, o Papado romano, situação, que, curiosamente, não sucedia desde que aquele ascendeu àquele cargo norte-americano? 



Vejamos primeiro uma lista dos países e territórios que adoptaram o euro, sendo ou não membros da União Europeia: Alemanha, Andorra, Áustria, Bélgica, Chipre, Eslováquia, Eslovénia, Estónia, Espanha, Finlândia, França, Grécia, Holanda, Irlanda, Itália, Letónia, Lituânia, Luxemburgo, Kosovo, Malta, Mayotte, Monaco, Montenegro, Portugal,  Saint-Piere e Miquelon, San Marino, São Bartolomeu, São Martinho,Vaticano. 

Roménia e Hungria farão do euro este ano e a República Checa em 2015. 

São mais de 350 milhões de pessoas que, diariamente, usam esta moeda dentro desses Estados ou territórios.

Tacitamente, as antigas colónias de países europeus membros da Zona Euro aceitam, perfeitamente e na maioria, a circulação corrente daquele moeda.

Ora, como se pode verificar o Vaticano está dentro da circulação corrente dessa moeda, alvo dos maiores ataques organizados do capital centrado em Wall Street.

Ela, a Santa Sé é, através dos seus bancos mais importantes, a principal base accionista do Banco Central Europeu (BCE).


O euro é, nos dias de hoje, uma moeda "atractiva" concorrencial em parcerias já elaboradas ou em preparação, com os chamados países emergentes, os BRICS, que estudam maneira de contornar os câmbios da moeda dominante, o dólar, e até, há poucos anos, incontornável nas transacções comerciais internacionais.

Ora, o Vaticano é, na actualidade, um accionista de peso em empresas e companhias de relevo nos Estados Unidos da América, como por exemplo o sistema bancário (Bank of América, JPMorgan Chase, City Group, entre outros), do sector energético, como a General Motors, a General Electric, do aço, como a Bethlem Steel, da aviação, Boeing, Lockheed, Douglas. Poderia referir-se muitas outras.

Logo, para Wall Street pode tornar-se um perigoso concorrente, quando a crise financeira mundial actual recrudescer.

Barack Obama, certamente, foi "apalpar" o significado da "reforma" do sistema financeiro vaticanista.

Referem os especialistas do sistema financeiro que o Vaticano controla para cima de 5 % dos valores das maiores bolsas mundiais.

3 - A realidade: o IOR está a reformular-se, a reformar-se, é certo, mas para se adaptar a nova fase, mais dura, mais agressiva, e talvez mais trituradora e auto-destruidora do grande capital financeiro que aí vem. 

Alguns dos mais importantes bancos, ligados a ordens e confrarias católicas pelo mundo fora, estão centradas em zonas geográficas fora dos EUA, e, de certo modo, são centros dominantes do capital financeiro, como o Banco Bilbao y Viscaya (BBVA), Santander, espanhóis de sede, cujos tentáculos se estendem pela América Latina e grande parte da Europa.

Também na América Latina, se encontra o brasileiro ITAÚ, um dos maiores bancos católicos daquela região, se não o maior. 

Mas a sua estrutura financeira passa ainda pelo grupo Barclays, pelo grupo AXA, pelo grupo Allianz, pelo BNP Paribas, entre muitas outras. 

Não há qualquer indício de supressão do papel nefasto da especulação financeira nos negócios do IOR, e, pour cause, na sua hierraquia superior, o Papado Romano. 

Nada indica que a actividade daquele potentado económico venha a ficar alheio ao papel do dinheiro no actual sistema capitalista.

E não pondo em causa esta realidade, não haverá qualquer reforma do objectivo de acabar com a desigualdade no Mundo.

Não destruindo o conteúdo central do poder especulativo financeiro, não se porá em causa a usura. 

Logo, as palavras do Papa Francisco são palavras vãs.

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