quinta-feira, 15 de setembro de 2011

AMÉRICO AMORIM, UM RETRATO PERFEITO DE CAPITALISTA




O empresário Américo Amorim tem uma fortuna pessoal avaliada em €2,6 mil milhões.

Amorim, a personalidade capitalista portuguesa, que, segundo a revista do também capitalista Pinto Balsemão de nome Exame, é o cabeça dos 25 homens - em nome individual - mais ricos de Portugal, não se deixa impressionar pela pressão para o taxar mesmo em valores minórquicos, para inglês ver, para justificar, perante a chamada opinião pública, que os donos do Capital também lutam contra a crise.

"Não me considero rico. Sou trabalhador", declarou o líder da Corticeira Amorim ao "Jornal de Negócios".

O património do empresário inclui, entre outras, participações na Corticeira Amorim, Amorim Investimentos e Participações, Galp Energia, Nova Cimangola, Banco BIC Portugal e BIC Angola, Banco Carregosa e Banco Popular.

Claro que as vozes do dono da comunicação social fazem logo comparações com o especulador e vigarista norte-americano Warren Buffet, que, banhado em lágrimas de crocodilo, apelou aos políticos para deixarem de "mimar" os milionários com isenções fiscais.

Como se a gênese do capitalismo não estivesse no mecanismo do crescimento constante do Capital.

Claro que a resposta de Amorim é um acto de arrogância, pois ele tem perfeita noção que são os seus representantes directos que dominam as instituições de Estado e não agiriam para impor um imposto real, progressivo e actuante sobre os verdadeiros rendimentos encobertos dos capitalistas, de modo que eles contribuissem, sem subterfugios, para estabilizar, em pouco tempo e sem recorrer a impostos constantes sobre as classe assalariados, as despesas públicas.

Do mesmo modo que essa aplicação deveria ocorrer em toda a Europa. Ou seja fiscalizar, sem dó nem piedade, as contabilidades das explorações capitalistas.

Ora, tais medidas, somente terão eficácia se as forças anti-capitalistas colocarem tais pretensões num programa de cariz acentuadamente anti-capitalista e ganharem força de massas e de ganhos eleitorais no interior das sociedades europeias.

Ao responder, como o fez, Amorim pensa que é o senhor do Mundo e não tem a noção que, como capitalista, por muito dinheiro que ganhe, é um ser transitório, que hoje existe, porque o sistema o mantem, mas amanhã passa a mero personalidade sem qualquer valor, se houver uma mudança de regime.

Se o jornal, no seu imediatismo, lhe permite discorrer sobre a sua pretensa condição de trabalhador, e, como tal, na evolução societária, que necessariamente vai acontecer, mais década, menos década, ele não tem qualquer valor, nem simbólico para ficar no rodapé de qualquer livro que remeta o seu passado.

Os Amorins agem, como capitalistas que são, com a sua determinação, vontade e consciência. Não mudam, porque alguém lhe sopra para mudar. Eles vivem para fazer crescer sempre o capital, porque essa é a essência da evolução da produção que eles gerem. Se deixarem de actuar desse modo deixam de ser capitalistas.


E eles não saem da cena histórica com pretensões caridosas, mas sim com mudança e rupturas do seu sistema.


Não fiquemos com ilusões de que se podem tornar bonzinhos. Isso são contos de fadas.



































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