quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

EM BREVE, O MUNDO REGER-SE-Á PELO DÓLAR, O EURO E O YUAN






1 - A crise económica, que se iniciou, em 2008, a partir de uma profunda crise do sistema financeiro especulativo norte-americano, continua em 2011, e prevê-se que se prolongue por mais uns anos.


Não é mais uma crise do sistema capitalista mundial, é algo mais profundo e importante, que vai mexer e revolver, nos próximos meses, mas com mais evidência nos próximos anos, toda a estrutura económica capitalista, implicando modificações profundas na sua superestrutura política e revolucionar toda a geo-estratégia, as relações internacionais e o próprio sistema militar.



Pela primeira vez, na História da economia política, os próprios apaniguados e defensores do sistema capitalista interrogam-se sobre a sua sobrevivência, e, nas análises que fazem da própria crise, têm de reconhecer que ela foi fomentada pelo próprio sistema capitalista financeiro.


Refere, nomeadamente, o Prémio Nobel da Economia Paul Krugman, conselheiro do Estado norte-americano: “os ataques dos manifestantes a Wall Street como uma força destrutiva, em termos económicos e políticos, estão completamente correctos".


Outro Nobel norte-americano, muito próximo do actual Chefe de Estado, Barack Obama", escreveu, recentemente, um artigo intitulado: "a crise ideológica do capitalismo ocidental", onde sublinha, nomeadamente: "A fé nos mercados livres e sem restrições colocou o mundo à beira da ruína. Incluindo nos seus dias de apogeu, desde os princípios dos anos oitenta até ao ano de 2007, o capitalismo desregulamentado ao estilo norte-americano trouxe maior bem-estar somente para os mais ricos no mais rico país do mundo".

A actual crise capitalista adquire, portanto, uma nova perspectiva política para todo o Mundo, em particular para o sistema capitalista ocidental mais desenvolvido, porque está a pôr em marcha a mais completa subversão, a um nível mais global, das relações sociais em que os poderes autoritários de antanho, percursores da II Guerra Mundial, estão a emergir, novamente, e a ocupar repressiva e avassaladoramente toda as estruturas sociais - claro que noutras condições e noutro tempo - e a tornar-se senhores absolutos dos poderes de Estado.  



Os governos de "tecnocratas", a interferência exponencial directa dos banqueiros nas decisões políticas estatais, carregados de arrogância e sustentados em argumentos de que eles são o "centro" do processos produtivos nacionais, a imposição de legislação cada vez mais gravosa para as classes trabalhadores, as rapinas e o empobrecimento geral que pendem, em crescendo, sobre as mesmas, bem como a militarização descomunal que se expande como entidade única da existência do Estado, a cristalização mundial de uma política claramente securitária, onde impera a repressão, são os indícios, mais que evidentes, de que uma nova tempestade planetária se aproxima.

Se se der esta consolidação, estará aberto caminho para nova guerra de enormes proporções.
  
Ela poderá evoluir da periferia da principal potência económica do Mundo em ascensão, que é a Europa, mas atingirá igualmente os Estados Unidos, a China, a Rússia, Paquistão, Índia e Irão, porque estarão em causa os centros produtores de matérias-primas, com especial relevo para os petróleos e gases, os seus receptores ávidos dos mesmos, as suas rotas estratégicas, e, naturalmente, toda a trama concorrencial e de alianças pontuais ou estratégicas que já se definiram e estão em vias de formular.

A consolidação desta via, a dar-se, conduzirá no imediato ao aprofundamento de uma derrota do movimento revolucionário, em especial o seu elemento mais avançado anti-capitalista, derrota esta, não é de hoje,  pois já se iniciou, de maneira evidente, antes da II Grande Guerra, mas que se avolumou, apesar de toda a capacidade de resistência e de fluxos momentâneos de experiência subversivas após 1945 e nos anos 60/70 do século passado até aos dias de hoje.

E isto, porque não se entranhou, neste período, entre as classes laboriosas um projecto de partido revolucionário anti-capitalista, nem foram estudadas e analisadas, com pensamento materialista, as causas deste retrocesso, nem a razão profunda da sua derrota, praticamente, desde a cristalização dos chamados Estados de Capitalismo de Estado, que se implantaram, sob a denominação de Estados socialistas, desde a Europa de Leste até à China. 

Todavia, esta crise geral do sistema financeiro capitalista trouxe vários aspectos novos, que, na minha opinião, devem ser escalpelizados na sua génese e evolução e investigados como forma de dar consistência a um novo programa anti-capitalista mundial e dar "argamassa" alargada aos novos tempos de revolta que fermentam.

Em primeiro lugar, esta crise clarificou as relações concorrenciais dentro do próprio sistema financeiro, e fez aparecer à luz do dia, em perspectivas nítidas três "blocos" monetários, em torno dos quais se estão a concentrar e reformular o próprio desenvolvimento do capitalismo no mundo. A saber, o dólar, o euro e o yuan.

Em segundo lugar, o crescimento e fortalecimento, essencialmente, do euro - a cotação da moeda única europeia subiu 50 por cento face ao dólar na última década, período durante o qual o valor do euro foi quase sempre superior ao da  divisa norte-americana - e, noutra escala do yuan, face ao dólar, tem produzido desde há cerca de 20 anos, uma feroz concorrência económica, estribada na sua expansão nos encargos castrenses, que, acima de tudo, arruinaram, de maneira evidente, os Estados Unidos, que transformou esta via - a militar - como a finalidade única e principal da sua existência como Estado imperial.


Ora, este militarismo agressivo e violento, que se estendeu desde Extremo-Oriente nos anos 60 e 70 do século passado até ao sul da Europa, nos finais do século XX, prosseguindo nos dias de hoje no Grande Médio Oriente, e, com repercussões nos dias de hoje no norte de África e mesmo na África subsariana.


O militarismo norte-americano está conduzir à sua auto-destruição, e, a forçar, devido à concorrência, à militarização de China, da Rússia, e em menor escala na União Europeia, simplesmente, porque, neste último espaço geográfico, não existe ainda um Exército único.

Em terceiro lugar, e este é o aspecto central que nos interessa: a descrença na Revolução está a começar a desaparecer do seio das classes exploradas.

Admite-se de modo crescente, ainda que com avanços e recuos,  possa haver um subversão revolucionária e que essa possibilidade pode ganhar foros de cidadania e mesmo de necessidade para mudar radicalmente o actual estado das coisas.

2 - A contínua pressão do capitalismo financeiro especulativo centrado nos EUA (Wall Street) e no Reino Unido (City), desde 2008, sobre a União Europeia deve fazer-nos reflectir sobre o que realmente está a acontecer.

Tornou-se evidente, a partir do início da década de 80 do século passado, que a Comunidade Económica Europeia, como entidade  supranacional, estava  a adquirir uma forma de cooperação internacional harmoniosa. Uma nova forma de governar o próprio mundo capitalista.

Esta facto deu-lhe uma pujança acrescida no comércio, na indústria e na agricultura de toda a Europa, por um lado, e veio a manifestar, por outro, um poder económico que, embora sob uma submissão militar e, de certo modo política, perante os norte-americanos, entrou, na realidade, em rivalidade concorrencial com os Estados Unidos.

Ao mesmo tempo os restantes países em fase de desenvolvimento acelerado capitalista, como o Brasil, Venezuela, Argentina, na América Latina, e China, Índia e outros do Extremo-Oriente, começaram a sentir-se atraídos pela forma modelar de nova organização económica da burguesia europeia comunitária. 

O avanço da CEE para União Europeia, com a aplicação de uma moeda única, o euro, que, num espaço muito curto, se tornou uma moeda forte, de referência nas trocas comerciais mundiais, fez "soar" as campainhas em Wall Street, que estava - e está -ameaçada por uma quebra acentuada do poder do dólar na cena política e económica mundial.

Esta evolução, ainda que lenta, fez surgir muitas contradições, e acima de tudo, fomentou resquícios de nacionalismo entre as próprias burguesias europeias, que entraram em conflitos de interesses em torno de eventuais supremacias, desprezando o passado recente de cooperação, mais ou menos harmonioso, dos inícios da CEE, e que, rapidamente, foram aproveitados pelo centros financeiros capitalistas norte-americanos e ingleses para criar divisões, que persistem latentes até hoje.

Claro que a UE tem um outro "calcanhar de Aquiles", que é a sua desunião política.

Para impor a sua *acção própria* e reforçar a sua unidade já conseguida, a União para assegurar a sua própria paz transnacional no seu espaço geográfico, e mesmo no plano internacional, tem de caminhar para pôr termo às fricções nacionais e às tentativas de imposição de supremacias regionais no seu interior, mantendo as identidades de cada povo e mesmo de cada Nação numa base de igualdade e de democracia política.

Naturalmente, para cimentar esta via, somente será conseguido se estiver por detrás a sombra ameaçadora das classes trabalhadoras.

Na realidade, foram elas, em grande medida, com as suas reivindicações e as suas lutas, que conquistaram direitos e garantias transnacionais, inseridas naquilo que se convencionou chamar os Estados Sociais, que levaram a burguesia que dominou, em primeiro lugar, ao ocupar as instituições nacionais logo após o fim da II Grande Guerra, e, em segundo lugar, a abrir caminho à organização económica da própria Europa. 

Então, qual a razão principal de uma concorrência tão feroz entre os EUA, com a cumplicidade descarada e cínica do Reino Unido, que, formalmente, se diz europeu, e, na prática é um "cavalo de Tróia" na procura do seu desmembramento, e a UE?

Desde o final da II Grande Guerra, apesar da divisão política radical dos diferentes Estados europeus, acobertados pela vassalagem, do lado ocidental, aos Estados Unidos da América, e do lado oriental, à antiga União Soviética, efectuou-se, na realidade, uma nova e pujante fase de incremento industrial e agrícola.


Primeiramente, no centro europeu, depois, de maneira, não uniforme nos outros Estados da chamada periferia ocidental, mas, também, embora, noutras condições, nos principais Estados de leste, nomeadamente na antiga Alemanha democrática, Polónia e Hungria.


E, apesar da separação entre dois modelos de capitalismo, o liberal ocidental e o capitalismo de Estado, este centrado na ex-União Soviética, registou-se, particularmente nos anos 70, a partir da Alemanha de Oeste e países nórdicos, e em escala mais reduzida, de França, uma troca crescente entre os países vizinhos, no domínio do comércio, da tecnologia e até nas relações financeiras.


Registava-se, em particular com a *real politik*, começada por  Willy Brandt, uma "atracção" continua, lenta, para uma cooperação mais profícua, que permitiu em toda a Europa - dos dois blocos - uma clima de distensão e de certa harmonia na busca de uma paz duradoira, que foi real por mais de 60 anos. 


A crise económica e financeira de 1973 (a chamada crise petrolífera) foi o primeiro grande indício de que o sistema financeiro mundial estava a abrir fendas, como fase avançada do capitalismo internacional.


O período que se lhe seguiu foi para a Europa um tempo de prosperidade industrial e de incremento produtivo interno, e para os chamado países em via de desenvolvimento, como a China, a Índia, o Japão e o Brasil os começos de um incremento impulsivo no estado da sua própria produção capitalista.


De certo modo e em certo sentido, quer na Europa, quer nesses países em fase desenvolvementista deram-se verdadeiras revoluções económicas.


(Estas revoluções tinham, todavia, dinâmicas diferentes: 


enquanto na Europa estava virada para a criação e interligação de um espaço económico e social mais concertado, estribado em cooperação transnacional, fortemente influenciada pelas reivindicações de mais distribuição social e melhoria acentuada das condições de vida das classes laboriosas, que forçavam as próprias burguesias nacionais a unificar as suas políticas, que do ponto de vista económico, quer social;


Nos chamados grandes países em desenvolvimento, a sua revolução económica estava mais centrada na conquista das suas reivindicações nacionais próprias e na conquista de mais liberdade, com a excepção da China, que aderiu à chamada "economia de mercado" sob os auspícios de um mitigado capitalismo de Estado).


Em grande medida, este modelo desenvolvementista do capital liberal ocidental contribuiu para aprofundar as contradições com o modelo de capitalismo de Estado, dominado pela antiga URSS, que se viu enredada numa crescente voragem militarista, sem estar apoiada numa produção industrial pujante, pelo contrário apresentava sintomas graves desde os anos 70 de estagnação - ao contrário da ocidental.


A queda do domínio imperial da antiga União Soviética sobre uma grande parte da Europa de Leste, e o corte ideológico que o mundo sofre com o desmoronamento visível de um falso comunismo, que se acorbetava com a capa de capitalismo de Estado, colocou os Estados Unidos, com uma vassalagem política bacoca da  UE e do Japão, como a única potência dominante - económica e militar.


Foi uma vantagem que lhe subiu à cabeça. 


Aumentou a sua política de arrogância, de ferro e fogo sobre as diferentes partes do mundo, procurando imiscuir-se, violentamente, nos assuntos internos dos países que procuravam seguir a sua via independente de construção económica, política e militar.


Vejamos a prática de violência e destruição que os EUA levaram às diferentes partes do Mundo, na sua ânsia de sucesso imperial mundial, situando apenas a partir dos anos 80 do século passado.


Nesse ano, fazem uma surtida militar de grande envergadura no Irão, com o argumento de irem resgatar cidadãos norte-americanos retidos na sua embaixada em Teerão. Em 1981, assumem o controlo do Exército de El Salvador, através de centenas de "conselheiros militares" com a justificação de combate à guerrilha.


Neste mesmo ano, depois em 1986 e mais tarde em 1989, atacam unidades militares líbios na zona do golfo de Sirte. Pretexto: actuar "contra o terrorismo".


Em 1982 e 1983, fazem entrar pelo menos dois milhares de membros das suas tropas especiais no Líbano, de onde saem depois um forte ataque ao quartel-general dos EUA no país, em que morrem cerca de 300 militares norte-americanos.


Em 1983, invadem Granada para afastar o governo eleito que não lhe era favorável. Entre 1983 e 1989, enviam contingentes militares e unidades aéreas para defender o regime hondurenho, sem forças para conter um eventual conflito com a Nicarágua Sandinista.


Desde a segunda metade dos anos 80 do século XX, verifica-se uma alegada "obsessão" pelo Médio-Oriente. Quando o Iraque, aliado subserviente dos EUA, invade o Kuwait (1990), um enclave iraquiano, protectorado de Washington, devido ao petróleo, a administração ianque sente o terreno a fugir-lhe e emprega a mais alta tecnologia castrense para manter, ainda que, temporiamente, a sua política de ferro e sangue de defesa dos "interesses nacionais".


Ainda em 1988, não têm pejo em abater um avião civil iraniano com 290 pessoas a bordo. Em 2003, efectuam, com um rastro enorme de destruições e mortes, a invasão e ocupação do Iraque, que, oficialmente, abandonam este ano, embora, oficiosamente, continue ocupado por cerca de 100 mil paramilitares mercenários.


Ainda na década de 80, intervêm violentamente no que consideram ser o seu quintal na zona sul do seu "espaço vital": militarizam em crescendo desde 1988 o Panamá, até que  1989 o invadem e capturam o seu chefe de Estado, o general Noriega, seu agente secreto, que se rebelou contra o amo. 


Desde meados dessa década, começam a intervir no terreno com tropas, unilateral e directamente, na América Latina, primeiro, na Bolívia (1986), depois em 1989, em força, na mesma Bolívia, Colômbia e Perú, onde estabelecem bases castrenses operacionais: Pretexto: luta contra a droga.


Nos inícios dos anos 90, com a evolução crescente da economia europeia, os EUA intervêm directamente nos assuntos da própria Europa, minando a sua implantação. 


Concentram-se militarmente na ex-Jugoslávia, que colocam a ferro e fogo (são centenas de milhares os mortos, essencialmente civis), nas guerras da Croácia, Bósnia-Herzegovina e Kosovo, mantendo, nesses territórios estruturas militares. Envolvem os seus vassalos europeus nessas guerras, incluindo os cobardes e mercenários dirigentes portugueses.


Como podemos verificar mais à frente este sucesso imperial teve um espaço temporal momentâneo - 40 a 50 anos - ele está a acabar.


Caminha para o fracasso. E a razão principal está na economia.

3 - Em Agosto deste ano, os EUA viveram um período considerado crítico para a sua sustentação como Estado: o espectro da bancarrota imediata esteve no ar. 


E porquê?


A dívida total nacional norte-americana, referente a Julho deste ano, ultrapassava o valor de 14, 4 biliões de dólares, um valor superior ao que era considerado como limite autorizado - 14,3 biliões - para cumprir os pagamentos aos credores e satisfazer os compromissos internos.


A classe dirigente norte-americana engendrou um compromisso de última hora para evitar a insolvência, que passou pela ultrapassagem do limite estabelecido para a dívida, através de emissão fictícia de papel e restrições enormes nos direitos e garantias dos seus assalariados.


Os governantes e banqueiros norte-americanos, em particular os capitalistas judeus de Wall Street, já tinham essa percepção desde há mais de 10 anos.


Efectuaram, então, a partir de 2008, uma manobra manipuladora dirigida contra o euro, procurando limitar-lhe a evolução, aproveitando para tal a incapacidade (e a submissão) dos governantes e dirigentes políticos e económicos europeus, e as fraquezas evidentes da sua desunião, e os resquícios de nacionalismo imperial que ainda subsistem em alguns dos Estados da UE.


Mas, a crise do sistema financeiro norte-americano, e por arrasto, do sistema mundial, não vem de hoje.





Como se pode verificar, a dívida pública norte-americana sofreu uma enorme incremento, a partir de 2000, que coincide, em grande medida, com dois gigantescos encargos: a entrada de capitais públicos para injectar capitais públicos nos bancos e empresas de seguros privados falidos fraudulentamente (possivelmente mais de 850 mil milhões de dólares) e as despesas descomunais de carácter militar.


(Em 2008, o total oficial (não real) dos gastos militares dos EUA ascenderam a 600 mil milhões de dólares, um valor superior a 41 % das despesas castrenses mundiais, despesa esta superior aos 14 maiores gastos militares nacionais.


O Orçamento da Secretaria de Defesa (Ministério da Defesa) em 2010 atingiu, precisamente, os 600 mil milhões de dólares, um acréscimo de 14 % face a 2009 e 80 % superior a 2001. Mas, esse Orçamento tem um adicional de 130 mil milhões de dólares só para as guerras do Iraque e Afeganistão.


De referir que os próprios responsáveis do poder, como o Nobel da Economia Joseph Stiglitz desconfiaram desses valores. Ele fez as contas e divulgou-as, através do Daily Telegraph: a guerra do Iraque já fez sair dos cofres do Estado mais de três biliões de dólares (dados de 2008) e acrescentava que, nos dois anos seguintes, iriam ainda ser gastos, pelo menos, mais 500 mil milhões de dólares.


Outras dados, baseados nas despesas reais do Orçamento federal, assinalam que, os EUA gastam, no Afeganistão, uma média de dois mil milhões de dólares por semana, cerca de 104 mil milhões por ano. A guerra já leva 10 anos).


Significa que, na realidade, a economia dos EUA está ser "afogada" pelo militarismo. E este militarismo está a ser usado pelo sistema financeiro de Wall Strert para se tentar salvar. 


(Os EUA mantém um número de 865 bases e instalações militares em 150 países).


Provocando a intervenção, quer directa, quer indirectamente, constante nas fontes essenciais de matérias-primas para controlar, a administração norte-americana está a procurar, nos últimos 10 anos, a "asfixia" das duas principais potências concorrentes a essas fontes, em particular o petróleo e o gás


A bacia mediterrânica africana e o grande Médio-Oriente, incluindo a zona do Cáspio têm sido as áreas privilegiadas da actuação militar como um fim em si da própria existência do Estado norte-americano. 


Quem pretendem atacar, essencialmente?: a UE e a China, ambas muito dependentes do petróleo dessas regiões.


Está a forjar, no entanto, o seu próprio "estrangulamento" económico. No fundo, a sua destruição. 


Os próximos anos vão mostrar se a crise norte-americana entra num espiral de decomposição imperial.


Alguns dados desse declínio: a presença do dólar nas reservas monetárias internacionais, em 1995, representava 44 %. Subiu, em 2000, para 56%. Mas desde então a queda da moeda norte-americana tem sido acentuada. Em 2010 desceu para 34%. O dólar, embora ainda tenha um peso significativo nas relações cambiais internacionais, já não é o "pilar" norte-americano. Começa a "dividir" a liderança com o euro e o yuan.


O desemprego no país cresceu e estará hoje na ordem dos 10 por cento da população activa. Um em cada seis dos seus habitantes já recorre às senhas de alimentação.


A actividade produtiva está em recessão, continuamente, desde 2006.


E, aqui, surge o chamado *nó górdio* da actual situação política é que os EUA, colocando perante uma perspectiva de falência, ou seja um prenúncio, de dentro de alguns anos, poder ficar sem controlo governamental central (existem Estados e cidades completamente insolventes, como a Califórnia) e acossados por potências que lhe "batem o pé", poderá querer avançar para a guerra, para evitar a implosão financeira. 


Se os Estados, que lhes são vassalos, os seguirem, haverá conflitos económicos, financeiros, sociais, que poderão atingir violência inaudita.


3 - Esta escalada actual de tensão militar, fomentada pelos EUA, com a presença cada vez maiores de outras potências em zonas críticas (a China tem 25 navios de guerra nas regiões do Mar Arábico, Golfo de Aden e Somália, bem como tem unidades da Marinha de Guerra a fazer missões no Pacífico Sul, o que acontece pela primeira vez; a Rússia deslocou uma frota naval numerosa, com dois porta-aviões nucleares para as costa da Síria e reforçou com armas sofisticadas a área fronteiriça com o Irão do lado do mar Cáspio e, eventualmente, forneceu aos iranianos misseis e defesas electrónicas mais potentes. e, o Irão, possivelmente já com armas atómicas e misseis intercontinentais em serviço), não serve a unidade europeia.


Para analisarmos esse aspecto, temos de reflectir sobre o que está a acontecer no seio da UE e, particularmente, na consolidação da moeda única.


Apesar da pressão intensa de Wall Street e da City, que provocou desorientação, contra-formação e muita descrença, e, essencialmente, porque despertou as classes trabalhadoras europeias para o problema do papel nefasto do capital financeiro internacional, a burguesia europeia, através dos seus dirigentes tiveram de se "desenvencilhar" e seguir uma via própria.





No mês de Dezembro, que agora está a findar, os principais dirigentes da UE, entalados pela mais que provável convulsão social generalizada no seu território, com a perspectiva de uma ruptura no euro, avançaram para uma fase de integração orçamental e financeira mais acentuada, e colocam mesmo em marcha um projecto de integração fiscal, para "blindar" o euro e o espaço monetário único. 


Quem perdeu, neste intervalo, foram, precisamente, o Reino Unido, que ficou completamente marginalizado e engalfinhado numa crise de grandes proporções (não sei se não se colocará, a breve prazo, uma fragmentação da monarquia inglesa), e os EUA.


Os europeus ao optarem por este caminho, abriram a via para a  criação dos títulos de dívida pública centralizada, que se apelidam de eurobonds.


O que pressupõe que terá de ser aberto um debate democrático, e se não for estimulado de forma democrática, haverá tentativas retrógradas, nacionalistas, que destruirão o sistema criado.


Para avançar nesse caminho longo e contraditório, a burguesia europeia terá de relançar a indústria em termos de progresso social e incrementar o comércio que lhe é inerente. Ou seja, impor melhorias económicas e sociais, fazer crescer a exportação, como um bloco, e conseguir uma voz única de poder na arena internacional.


(Convém recordar com a crise em cima, em traços largos, que recorrendo a uma análise comparativa dos activos financeiros em 2009 e 2010, o Banco (BEI) Europeu de Investimentos é a principal instituição financeira mundial. Por seu lado, o Banco Europeu para a Reconstrução e Desenvolvimento (BERC) evlouiu significamente na sua carteira de projectos, com um aumento de valor da ordem dos 40 %).

O que traz ao de cima, a capacidade de efectuar esta transformação. 


A unidade política europeia, para ser real e eficaz, terá de ser realizada contra o sistema capitalista internacional. 


Ou seja, terá de ser efectuada contra os inimigos internos e externos.


Poderá ser, na verdade, uma tarefa para as classes trabalhadoras.






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