quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

GOVERNO PSD/CDS: AS NOMEAÇÕES REFORÇAM O PODER DO CAPITAL FINANCEIRO

                                

1 - Estamos a chegar ao fim do ano, praticamente sete meses depois do actual governo português PSD/CDS, liderado por Passos Coelho, e podemos afirmar que o primeiro acto de mudança da maneira de ser que era declamada por aquele político, antes de ser governante, a nomeação dos cargos políticos para a Administração Pública, se transformou em hipocrisia.


Na realidade, Passos Coelho, tal como o seu antecessor José Sócrates, como os antecessores Durão Barroso, Pedro Santana Lopes, António Guterres e Cavaco Silva - ficamos por aqui para não recuar mais - seguiu, exactamente, a mesma senda.


Os nomeados para "reestruturar" a Administração Pública são os mesmos meros vassalos políticos do actual governo, como o eram dos anteriores. As prebendas, as sinecuras identificam-se, tal como dantes; os dinheiros dos contribuintes, gastos inutilmente, são embolsados por uma nova cáfila de medíocres, sabujos, carreiristas dos aparelhos partidários do PSD e CDS.


De acordo com dados oficiais - repiso oficiais - referentes a Setembro, o governo tinha feito 769 nomeações para cargos da função pública e governamental, 283 dos quais não foram publicados em Diário da República.


A emissora Rádio Renascença referia, há dias, que o governo desde que tomou posse fez, em média, três nomeações em por dia.


Ao todo, segundo a Rádio Renascença, foram 610 os novos funcionários que entraram nos gabinetes ministeriais desde 5 de Junho.


O salário médio é de, aproximadamente, 2.300 euros, representando um encargo anual de quase 20 milhões de euros para o Estado.


O Ministério da Agricultura foi o que mais funcionários nomeou - 91 novos colaboradores -, seguindo-se o Ministério da Economia, com 86.


São os dois «superministérios» que agregam, no primeiro caso, os anteriores ministérios da Agricultura com o do Ambiente e, no segundo, os antigos Ministérios da Economia, das Obras Públicas e do Trabalho.


Conforme, assinala a RR, os dados são oficiais e são aqueles que estão referenciados no "site". E, é o governo que faz comparações com o executivo anterior.


Na realidade, desconhece-se as nomeações encobertas, sob a forma de "consultadoria" e outras manigâncias.


Não se pode deixar de denunciar a trafulhice em torno do emagrecimento real do aparelho de Estado, que os arautos Passos Coelho e Paulo Portas preconizavam e sustentavam ser dos primeiros actos do seu governo.


2 - O que atrás se afirma é um aspecto da questão.


O outro mais grave e perigoso para a governação do país são as nomeações que estão a ser feitas para servir o verdadeiro poder, o económico capitalista, que o poder governamental serve na realidade.


Cito a imprensa do regime. Foi nomeado um novo conselho de Administração para o AICEP - um instituto dito de promoção económica do país no estrangeiro .


Pois, o seu Presidente Pedro Reis, além de ser um homem do PSD, é uma personalidade intermédia da finança, ou seja um representante do capital financeiro especulativo.


Além do presidente, Pedro Reis, foram hoje indicados os outros quatro elementos.


Pedro Gonçalves, actual quadro do Banco Espírito Santo (sublinhado meu), onde era director coordenador do gabinete de monitorização e crédito de empresas; o embaixador António Almeida Lima que foi nos últimos cinco anos o cônsul-geral de Portugal no Rio de Janeiro e é apontado como um dos diplomatas com perfil empresarial e económico mais apurado (sublinhado meu); Manuel Mendes Brandão que é advogado na sociedade Albuquerque e Associados e chefiou o gabinete de Paulo Portas quando o actual MNE passou pela Defesa; e, por fim, José Vital Morgado que transita do anterior conselho de administração, é licenciado em engenharia e trabalha na agência que promove a internacionalização das empresas portuguesas e a captação de investimento externo desde 1987 - na altura, ainda se tratava do ICEP.

Como se pode verificar, nestas nomeações estão representados justamente os representantes do capitalismo, tal como se verifica no governo: Passos Coelho veio da gestão de empresas cujos accionistas principais são bancos (CGD, BES, BANIF); Vitor Gaspar é um quadro superior do sistema bancário, quer português, quer europeu; Paulo Macedo (Saúde) era administrador do BCP, Miguel Relvas (cujo enriquecimento deveria ser investigado), igualmente foi administrador de empresas, onde o capital bancário era dominante, e além do mais já confessou que é "um facilitador" de negócios (e esta facilitação certamente é paga e bem paga); Aguiar Branco, Paula Teixeira Pinto, Miguel Macedo e Assunção Cristas provem de grandes escritórios de advogados, que servem essencialmente as grandes firmas bancárias e ligadas aos interesses de bancos.




3 - Para terminar, vamos concentrar-nos num caso paradigmático do papel político como servidor do capital e dos seus interesses específicos na própria instituição bancária.

Reportamo-nos a um caso que já tem meses. Lembram-se da nomeação da nova administração da Caixa Geral de Depósitos, que o governo PSD/CDS anunciou que iria privatizar (total ou parcialmente), e em cujo universo de empresas que representam está o sector de Saúde? 
Falemos então de António Nogueira Leite  que foi escolhido ser vice-presidente executivo da Caixa Geral de Depósitos e ganhar mais de 20 mil euros por mês.

Esta marioneta político-financeira, que foi conselheiro de Pedro Passos Coelho, é um homem do grupo CUF, de que éadministrador executivo. Mas também é administrador executivo da SEC,  administrador executivo da José de Mello Saúde,  administrador executivo da EFACEC Capital,  administrador executivo da Comitur Imobiliária, administrador (não executivo) da Reditus, administrador (não executivo) da Quimigal - presidente do Conselho Geral da OPEX,  membro do Conselho Nacional da CMVM,  vice-presidente do Conselho Consultivo do Banif Investment Bank, membro do Conselho Consultivo da Associação Portuguesa para o Desenvolvimento das Comunicações, vogal da Direcção do IPRI.

É membro do Conselho Nacional do PSD desde 2010.

Ou seja, o domínio do capital financeiro é total. Quem está no poder (económico, social e político) não é a burguesia portuguesa.

É, directa ou através de seus representantes, um sector específico dela, a grande burguesia da finança.

Ela atingiu, finalmente, todas alavancas do poder de Estado.

Nunca poderá reestruturar a economia a favor da produção nacional. Ela vai continuar a aprofundar a manutenção do sistema financeiro especulativo em grau cada vez mais sofisticado e elevado.

Para o fazer terá de endurecer o regime, caminhar para formas autoritárias de poder repressivo, possivelmente até fascistas, se não houver compreensão da gravidade que se está a desenrolar.


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