segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

"O ÚLTIMO SEGREDO": A IGREJA CATÓLICA DEVIA ESTAR CALADA









1 -  Fui ler o livro do jornalista José Rodrigues dos Santos, um romance com o título "o último segredo", porque uma nota, profundamente crítica, da hierarquia da Igreja Católica portuguesa, através do seu Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura (uma metáfora estrambólica dos constantes enigmas desta confissão religiosa) se insurgia contra o "tom de intolerância desabrida" que os escritos contemplariam sobre a "história da formação da Bíblia, quer ainda sobre a "fiabilidade das verdades da Fé (com maiúsculas! em que os católicos acreditam".


E o que me me lançou definitivamente para a compra do livro e a sua leitura foi o tom arrogante que os doutos senhores da Igreja Católica se arrufiam na classificação do trabalho de uma pessoa que não segue os seus ditames, lançando-lhe um desprezo inquisitorial e intolerante: "É lamentável que escreva centenas de páginas sobre um assunto tão complexo sem fazer ideia do que fala".


Mas afinal o que é complexo?

a) Os textos da Bíblia não assentam em realidades históricas comprovativas por documentos coevos. É uma realidade, é um dado histórico.

São fruto da fé, de uma orientação mística, fora da realidade histórica, articulada, ao longo de tempos, mais ou menos longos, por meio da imaginação e de ritualismos religiosos.

b)  Relativamente ao Novo Testamento, e em concreto à própria figura de Jesus Cristo, não apareceu, até agora, qualquer documento factual da pretensa época em que ele viveu, que consagre, historicamente, que a pessoa tivesse existência real.

Todavia, porque existem documentos de diferentes proveniências a referenciá-lo, pode admitir-se (mas isto é uma probabilidade) que a personagem Jesus tivesse vivido, mas alguns anos antes daqueles que são assinalados pelos pouco textos posteriores que falam dele. 

c) O cristianismo e os cristãos, esses, têm referências históricas precisas, mas elaboradas e organizadas muitas décadas depois da pretensa existência - vida e morte - de Jesus Cristo.

Portanto, nada há de complexo na pesquisa histórica. Será escusado fazer considerações sobre o livro de Rodrigues dos Santos, baseado na História, pois os textos bíblicos são escritos retirados do contexto histórico e qualquer um os pode refazer, revirar ou tornar inúteis.

Invocar a questão da fé é um mero pretexto irracional, que os teólogos sabem ser assim e somente fazem finca-pé deste contexto, porque estão interessados nessa irracionalidade como forma da sua vivência própria para manter a ignorância dos povos.




 2 - Convém referir - e isto até agora é factual e histórico - os documentos canónicos que falam de Jesus Cristo são 27: os quatro Evangelhos (Mateus, Marcos, Lucas e João), os Actos dos Apóstolos, as Epístolas (21) e o Apocalipse.

Foram todos redigidos em grego e enquadrados como "cânone" - apoiados, em épocas diferentes, por hierarcas e rejeitados por outros -, mas, finalmente, formalizados e uniformizados, como tal. por alturas do século IV. 

Ora, significa isto que não foram transmitidos para as épocas posteriores, na língua falada na região onde teria nascido e vivido o personagem Jesus Cristo, nem os factos relatados e com ele relacionados, o aramaico, nem sequer no chamado hebraico bíblico, utilizado, então, pelas estruturas superiores religiosas da mesma região.

(De assinalar que o número de livros do Novo Testamento é, exactamente, igual ao numero de livros do Antigo Testamento (27), ou sejam os únicos que são reconhecidos como fazendo parte do "cânone" pelos hebreus/judeus da Palestina, nos finais do I século DC.

Claro que existem outros, mas foram colocados fora da "regra", porque foram redigidos, essencialmente, em grego.

A justificação para esta expurgação baseia-se no pressuposto de que Javé (o Deus) apenas falou em linguagem hebraica.

Todavia, quer os judeus da emigração, quer os primeiros cristãos consideraram esses livros expurgados como "deuterocanómicos".

A religião católica aceita-os nos dias de hoje, mas as diferentes religiões protestantes consideram-nos "apócrifos", ou seja "não autênticos").

3 - Porque estamos no Natal, podemos verificar com as fés católica e cristã forjaram uma estória. Como manipulação para a criação da figura de Jesus Cristo.

(Um pequeno aparte: situemos a personagem no próprio nome. Qualquer simples mortal não achará estranho que ele seja formado por duas palavras de origem linguística diferente?
Jesus é um nome, que provem de uma forma abreviada de Jehosua, que em aramaico significa "Deus Salvador". É um nome comum, mesmo muito comum na região na mesma época. 
Cristo é uma palavra grega, que literalmente se pode traduzir por Messias, ou seja o "Ungido".) 
A data do Natal, 25 de Dezembro, que a Igreja Católica impôs como dia e mês do nascimento de Jesus Cristo, é um acto arbitrário forjado no século VI, no tempo do imperador Justiniano, por um frade ou monge de nome Dionísio, baseado em cálculos da sua imaginação.
Os Evangelhos canónicos nada dizem, pura e simplesmente, sobre o mês e o dia do nascimento de Cristo.

Se se tomar em conta o que está inserido no Evangelho de Mateus, este refere que Cristo nasceu "no tempo de Herodes".

Ora, Herodes morreu em 4 AC, conforme está perfeitamente documentado.
Ou seja, Jesus Cristo, a ter nascido e vivido na Palestina, teve uma idade mais "precoce" pelo menos cinco ou mais anos antes do registo que os apologistas da doutrina cristã crismaram.
Poder-se-ia avançar por teste trilho para desmontar as inverdades, omissões e mentiras que a Igreja Católica inventou para modelar a figura de Jesus Cristo a uma imagem universal que hoje alcançou.
Não vale a pena fazer grandes considerações, porque tal como a nota pastoral faz questão de recordar. É tudo uma questão de fé.

A nota pastoral não esclarece nada.

Não pode refutar que Jesus Cristo se assume como judeu e não quer ter nada a ver com os "gentios", que repudia a família em detrimento dos "seguidores" e apaniguados, que os seus conterrâneos o consideravam um lunático.

Nem pode refutar que a uniformidade dos textos que enquadram a fé cristã e católica foi modelada séculos depois da eventual verdadeira existência de Jesus Cristo.
O resto não conta para a História.


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