sexta-feira, 18 de maio de 2012

A DITADURA DO CAPITAL ESPECULATIVO ESTÁ A TORNAR-SE INSUPORTÁVEL


1 - Quando se olha para a actual realidade política e económica mundial, a primeira percepção ditada pela manipulação ideológica da classe dominante é que de existe uma crise, e que ela somente se resolve com a produção de austeridade sobre as classes laboriosas, como condição "sine qua non" da "salvação"  da vida desses desfavorecidos.


Esta visão das coisas é simplesmente enganadora, humilhante e vigarizante, fomentada pelos detentores reais do poder político: a grande burguesia financeira especuladora. 


Não é uma situação e uma manipulação de agora. Foi paulatinamente montada, planeada. Criminosamente executada. Terá de ser julgada.


Desde a primeira crise petrolífera de 1973, quem forjou o actual sistema político mundial foi a ascensão, sem partilha, dessa fracção burguesa ao domínio dos centros vitais de poder: primeiro nos Estados Unidos e Reino Unido, depois por arrasto e cumplicidade, da sua congénere europeia. E no estrebuchar da antiga União Soviética, em 1992, os actuais oligarcas financeiros russos (que se interligaram rapidamente com os magnates especuladores de Wall Street e da City londrina), e, seguindo um caminho próprio - sem mexer no poder político - na aristocracia financeira chinesa, forjada e embalada no capitalismo de Estado, sob a orientação de um Partido que se apelida de Comunista.


A crise de 2008, iniciada nos EUA, representa o clímax do que se transformou o poder político mundial, chamado democrático e de livre mercado pelos representantes ocidentais dessa grande burguesia financeira, vigarista e traficante, entronizada como uma imensa sociedade anónima de grandes accionistas especuladores, que dividem e repartem entre si os "despojos" das rapinas sangrentas feitas aos desfavorecidos de todo o Mundo.


O que se verificou - e veio, justamente, ao de cima, de maneira evidente com a crise de 2008, é que a indústria, o comércio, os transportes, ou seja tudo o que era ou representava os interesses da chamada burguesia industrial foram trucidados e colocados em plano secundário.


Ou seja a produção industrial evolutiva foi secundarizada - em todos os países - face ao interesse meramente especulativo e de dinheiro "fácil" dos banqueiros, dos especuladores mais desclassificados, dos exploradores monetários e grandes branqueadores de capitais (utilizando até o dinheiro do narcotráfico, que passou a ser controlado, directamente, pelas instituições de Wall Street e da City londrina, e, em cada Estado pelos seus representantes directos, como nos EUA (os congressistas e deputados nacionais e estaduais), ou no México, ou Colômbia, a própria Presidência da República).


2 - O aparecimento de forte resistência - desde os EUA, com greves massivas nos Estados mais interiores, com movimentos chamados de "Ocupas Wall Street", à Europa, com conflitos e movimentos grevistas de grande proporção, desde a Grécia à Espanha, mas igualmente no Reino Unido, à própria China, endeusada, no próprio Ocidente, como modelo desenvolvimentista - é o aparecimento real desse trucidamento da indústria, do comércio e da agricultura fazendo com que seja intolerável a ditadura terrorista desse desclassificada grande burguesia financeira.


O que os movimentos sociais, de orientação política ainda indefinida, mas que procuram uma via radical de impor uma nova ordem económica, podem ser o embrião prático - e vão obrigar a elaborar um projecto político e ideológico de ruptura - estão a criar um fermento para uma nova via política.


O ataque feroz que se está a montar no seio das estruturas dirigentes do capitalismo internacional - G-8, NATO, G-20 - para desfazer um caminho próprio na Grécia para essa nova ordem, é o sintoma de que algo de novo pode surgir nos seios dos países das próprias potências.


Se o eleitorado grego mantiver o caminho já percorrido será o indício de que as classes laboriosas no seio da União Europeia podem estar dispostas, inclusive nas próprias ruas, a impor um novo sistema de governação política. Vamos estar atentos.







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