quarta-feira, 7 de março de 2012

HÁ CRISE NA EUROPA E NÃO NOS EUA? ENTÃO COMO É PAUL KRUGMAN




1- Nos finais de Fevereiro passado, esteve em Portugal o norte-americano Paul Krugman, sendo honrado e lisonjeado pela saloiice política e económica portuguesa, desde o antigo Presidente da República Jorge Sampaio até ao destravado antigo ministro da Economia de Cavaco Silva, Braga de Macedo de seu nome. Três universidades (três) -  Clássica de Lisboa, Técnica de Lisboa e Nova de Lisboa - fizeram-lhe, em conjunto, uma homenagem solene, dando-lhe o título "honoris causa".


O senhor Krugman é economista de profissão, foi-lhe atribuído um Prémio Nobel pela sua investigação da economia capitalista (é preciso referir isto!) em 2008. 


Escreve livros livros, e é actualmente professor de Economia e Assuntos Internacionais na Universidade Princeton (considerada famosa porque forma os quadros de topo do regime norte-americano).


É, também, colunista do jornal The New York Times.


Para que fique tudo muito claro, o jornal em questão é um dos mais influentes (pela escrita e pela propriedade do influente lobby judaico norte-americano.

Krugman é apresentado pelos liberais portugueses, estilo PS e PSD, como "homem de esquerda", porque criticou, durante uns tempos, a política externa de Georege W. Bush, mas esquecem-se de referir que ele foi um dos chamados "Neo-cons" que fomentou a "nova política económica" de Ronal Reagan, de quem foi consultor muito próximo (entre 1982 e 1983), fazendo parte do seu restrito conselho de economistas.

De referir desde já que este economista pertence ao corpo económico internacional, grupo dos 30. É licenciado pelo Instituto de Tecnologia de Massachusetts (enquadrado na Universidade de Yale), instituto este que tem como promotor e patrocinador, entre outros, a Agência Central de Informações, CIA.



2 - Curiosamente, como economista norte-americano e 

mentor da sua actual orientação económico-financeira, 

este académico "esqueceu-se", na sua visita a Portugal, 

de analisar e dissertar sobre a evolução sócio-

económico-política do seu país, iniciador da maior crise 

financeira mundial, que começou a ser engendrada 

quando ele, precisamente, fazia parte da administração 

de Washington.


Foi justamente com administração Reagan, que foi o 

organizado o "cadinho" da desindustrialização

produtiva acelerada dos Estados Unidos (com a 

consequente queda dos lucros das empresas industriais 

e o aumento desenfreado dos lucros especulativos 

financeiros) e o "fermento" da maior especulação 

financeira, cujos resultados hoje assistimos.








O que ele preconiza para a Europa? Precisamente, 


o que as administrações chamadas neo-liberais 


dos Estados Unidos puseram em prática no país, 


conduzindo-o à situação que, aliás, ele, meses 


atrás fazia ressaltar, como política errada, em 


artigo que publicou.




Mas vejamos a receita de Krugman para a Europa:




Para sair da crise é preciso que os 


salários desçam, nos próximos cinco 


anos, 20% face à Alemanha, 


defende.
Paul Krugman fez esta afirmação, em entrevista ao 

jornal francês 'Le Monde', sustentando que esta 

pode ser uma forma de ajudar a Europa a sair da 

crise. "Para restaurar a competitividade na Europa 

ter-se-ia que, em cinco anos, baixar salários nos 

países menos competitivos em 20% em relação à 

Alemanha", defendeu o economista norte-

americano.


Esta não é a primeira vez que o Nobel da Economia 

defende cortes de salários. Há pouco mais de um 

ano Krugman disse que nos países periféricos da 

Europa, tais como Portugal e Espanha, precisam de 

baixar salários entre 20 a 30% face aos da 

Alemanha.


Em entrevista ao Le Monde, o economista afirmou 

ainda que "com um alguma inflação, o ajuste será 

mais fácil. O Nobel da Economia defendeu assim 

"um aumento de 4% nos preços pode trazer alguma 

da flexibilidade necessária à economia europeia".


O economista sabe que, estando o poder político, 

na dependência, como está da grande burguesia 

financeira, não pode, nem está interessado em 

fomentar o incremento económico, porque, 




acima de tudo, não o pode fazer, com uma 


crescente penúria financeira.


Não há caminho de recuperação económica, com 


um aumento do desequilíbrio constante salarial. 




Quer isto dizer, em termos práticos, que a 


administração estatal, por muito que o 


propagandeie, não está virada para recuperar o seu 


Orçamento, porque, em primeiro lugar, coloca, não  


a evolução da produção nacional, mas a satisfação 


dos pagamentos especulativos dos empréstimos 


bancários.




Ora, estes empréstimos a preços de quase zero 


foram feitos de antemão pelo governo e Banco 


Central Europeu, que, mais tarde, os retoma a 


juros incomportáveis, incluindo ao próprio 


governo. 




Tudo o que consegue, como receita, vai para pagar 


a dívida aos bancos, que eles transformaram em 


dívida pública. 




Ora, a dança do restabelecimento do défice, nesta 


condições, é uma fonte de enriquecimento para a 


especulação financeira. E de empobrecimento das 


classes trabalhadoras, através de cortes de 


impostos e de aumento de impostos.




Para quebrar esta "pescadinha de rabo na boca" 


somente há uma receita: ir buscar uma 


importante fatia das despesas públicas 


aos lucros legais e "clandestinos" da 


burguesia financeira especulativa.




3 - Paul Krugman veio à Europa, preconizar ideias para 


a União Europeia, justamente, quando esta ultrapassou 


a crise em torno do euro. No fundo deu-se um reforço 


da moeda europeia, embora a sua estabilização e 


incremento esteja ligada, num futuro próximo, a 


institucionalização de métodos de governação unitária


democrática e de incremento real da produção.




No fundo, veio atacar a unidade monetária 


europeia, aparentemente, tentando isolar a 


Alemanha do resto dos países europeus. 


Mas, esquece-se de referir que o seu país caminha 


para a bancarrota, e pode inclusive pôr em causa a 


sua unidade política, com a orientação económica 


que domina a governação norte-americana.




É o próprio Krugman, como se pode ver pelo 


gráfico abaixo citado, da sua autoria sobre a 


evolução do PIB norte-americano




Krugman tem perfeita noção que o défice do Estado norte-americano - com o incremento da dívida pública - está a ser utilizado para a especulação - e não para a produção - e é, e continua a ser, a fonte central de enriquecimento da alta burguesia financeira. 


A dívida pública dos Estados Unidos está em um excesso de de 13,5 biliões de dólares e continua a crescer a uma taxa de cerca de 3,93 mil milhões de dólares por dia.


Não existe recuperação real nos Estados Unidos - e é o próprio Krugman que o admite em artigo recente, 26 de Agosto de 2011, com o título "Reconhecendo a ausência de recuperação ", cujo trecho passo a seguir: 


"Um aspecto positivo do discurso de Bernake (presidente do FED) - estou tentando ser optimista – é o facto de, pela primeira vez, ele ter mais ou menos reconhecido que não estamos de maneira nenhuma testemunhando uma recuperação:


“Mas, independentemente destes desenvolvimentos mais positivos, tornou-se claro que a recuperação após a crise tem sido muito menos robusta do que o esperado. Com as mais recentes revisões abrangentes à contabilidade nacional e também com as mais recentes estimativas de crescimento para a primeira metade  deste ano, aprendemos que a recessão foi ainda mais profunda – e a recuperação, ainda mais fraca – do que tínhamos pensado; de facto, a produção agregada nos Estados Unidos ainda não regressou ao nível alcançado antes da crise. É importante o dado de que o crescimento económico tem apresentado em geral um ritmo insuficiente para produzir reduções sustentáveis no desemprego, que tem ultimamente pairado um pouco acima dos 9%.”.


Pois é. Costumo ilustrar a ausência da recuperação através da proporção entre população e postos de trabalho, mas há uma representação alternativa: a proporção entre o PIB real e a estimativa de potencial elaborada pela Comissão Orçamental do Congresso (que representa um nível de actividade consistente com a inflação estável, e não o máximo absoluto que a economia seria capaz de produzir)".. 


A escrita é, naturalmente de Krugman, que cita o seu confrade capitalista financeiro judeu Ben Bernake.


Quer isto dizer que a situação económica dos Estados Unidos é grave, talvez, esteja num curso evolutivo muito mais negativo que a europeia.


Já perceberam porque o judeu Krugman se esquece de falar do seus país? 


Porque é necessário continuar a atacar e tentar destruir a União Europeia.


Mas há mais:  Novas estatística dos EUA, entretanto tornadas públicas nos últimos meses sobre o mercado de trabalho no país mostra a total estagnação da maior economia do mundo. 


O nível de desemprego oficial é de mais de 9%, sendo que 40% dos desempregados estão em estado desesperado, mais de seis meses sem trabalho. 


São mais de 14 milhões de desempregados. 


Desde de 2008, mais de oito milhões de trabalhadores ficaram sem emprego nos Estados Unidos.


Muitos analistas económicos norte-americanos, mas não só, têm referido, em comparação, que "o incremento" económico dos EUA nos últimos anos - eles assinalam cinco anos - equivale ao crescimento minórico da economia japonesa quando a "bolha financeira" saltou nos final da década de 80 do século passado.


Os EUA estão em campanha eleitoral e a administração Obama tem feito espalhafato em torno de uma pretensa estagnação do avanço do desemprego.


Não é o que sustentam os dados.


Nas últimas décadas, o desemprego aumentou sempre.


Situemos nos tempo do general Eisenhover, ano de 1958: 


85% dos homens activos estavam empregados. 


Actualmente, esta percentagem desceu para 64%. 


Juntamente com o desemprego, a produção também está em um nível bastante baixo. 


(A produção nacional dos Estados Unidos caiu em 10 anos - 2001 a 2009 - 5,1%. 


Apesar deste dados, que Krugman conhece, e que ele reconhece que não existe recuperação, o seu centro de preocupação é a Europa. É, mesmo, de economista honesto!).


Apesar do crack financeiro do seu país e da produção estagnada, os dinheiro públicos estão a ser transferidos para o capital financeiro especulativo. O Lehman Brothers ja anuncia com trombetas que não está na bancarrota. Claro recebeu fundos estatais a custo zero.


Mas qual é a realidade da economia concreta dos EUA?


Segundo um estudo da agência Lombard Street Research, o custo do trabalho na indústria norte-americana desceu 2% em 2009 e 2,8% em 2010, resultado dos cortes  nos direitos das classes trabalhadoras e despedimentos em massa.


Mas os grandes bancos continuam de vento em popa. Recebem injecção de dinheiro público quase de borla.


Desemprego a ultrapassar os 14 milhões, produção estagnada, recessão na prática, a situação real dos EUA é de caminho directo para a recessão.


Todavia, a realidade para os poderosos é outra: existe mais dinheiro nos cofres de empresários e especuladores.


Na última década, o rendimento médio de uma família norte-americana média caiu 3,6% entre 2001 e 2009.


No mesmo período os salários não subiram e a inflação cresceu.


Então como é Paul Krugman?



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