quinta-feira, 21 de junho de 2012

A PARANÓIA IMPERIAL DOS EUA ESTÁ TORNAR O MUNDO PERIGOSO













1 -  Em 2011, surgiram movimentos contestatários em vários países do Magrebe e do Médio-Oriente. 


Os grandes meios de comunicação social - e os seus analistas de serviço, que ora dizem uma coisa e a seguir o seu contrário, se o vento começar a soprar de outro sentido - lançaram foguetes, e, foram buscar as canas, sustentando, sem uma análise fundada, de que se estava perante um curso democrático, sem retrocesso, praticamente, um percurso revolucionário, que iria varrer os chamados ditadores de serviço da região. 

Falavam, mesmo, sem o mínimo pudor, em subversão geral. 

Na realidade, existia - e existe - em toda a região muçulmana do Magrebe e do Médio-Oriente um sentimento de revolta generalizada, mas, actualmente, muito superficial e dispersa, contra os seus regimes internos e contra as usurpações externas, principalmente dos Estados Unidos da América e os seus aliados mais próximos, os os quais estão sustentados nesses regime que sugam as suas riquezas nacionais.

Os arautos da democracia vulgar, tendo como impulsionadores os serviços secretos (civis e militares) dos EUA, Inglaterra, França, e, toda a teia comercial e de informação dos judeus ligados à MOSSAD israelita, calvagaram o patriotismo genuíno de uma parte das massas populares para fomentarem a estagnação e /ou a desagregação dos Estados daquelas regiões, e, em último caso, para reorganizarem o poder a seu favor apoiando as organizações religiosas (ou pseudo-religiosas) estilo Irmandades Muçulmanas ou redes que se dizem ligadas à Al Qaeda, todas de orientação sunita, e submetidas (económica e religiosamente) ao regime teocrático pró-nazi da Arábia Saudita.

Foi o caso de Marrocos (depois das movimentações, o rei nomeou o islamista sunita, Abdelilah Benkirane, líder do Partido Justiça e Desenvolvimento, primeiro-ministro do País); na Tunísia (o chefe do governo chama-se Hamadi Jebali, pertence ao partido islamista sunita Ennahda; no Egipto, os militares permitiram a queda do seu antigo líder Mubarak, mas dominam através de uma ditadura militar, encimada pelo antigo chefe dos serviços secretos do *rais*, e permitem o domínio na Chefia de Estado de um islamita sunita, da Irmandade Muçulmana, sob a tutela castrense para evitarem as movimentações dos salafistas, de confissão xita.

O caso, aparentemente, mais bicudo, que parecia ser a Líbia, foi "resolvido" pelos democratas militares da NATO, afastando, cruel e sanguentemente, o coronel Kadafhi, ao fim de quase um ano de conflito castrense, lideradas por forças para-militares estrangeiras da Al Qaeda, sob o comando real de oficiais norte-americanos e ingleses, que efectuaram massacres descomunais e uma ocupação colonial real, entregando, no entanto, depois, o poder nominativo à Al Qaeda, dita da Líbia.


Seria impossível, na divisão tribal, da Líbia, qualquer força interna de Leste (Bengazi - 800 mil habitantes) conquistar o Oeste, onde se situa Tripoli, com cerca de três milhões de habitantes hostis. 

Mas quem é actualmente o "homem-forte" governador de Tripoli, a principal região da Líbia.? 


Chama-se Abdelhakim Belhaj. Foi ele que entrou em Tripoli, aparentemente à frente de uma desconhecida tribo berbere, que, segundo as informações, seriam residentes nas regiões montanhosas a sudoeste da capital da Líbia, mas que, no terreno, mostravam uma capacidade de organização militar, que jornalistas que os então acompanharam, referenciaram que tinham estado em treino intenso, junto à Tunísia, por forças especiais dos EUA.

Os relatos de imprensa assinalam que eles somente conseguiram chegar a Tripoli, com barragens maciças da aviação da NATO, e barragens de artilharia aliada lançada de navios, especialmente norte.americana e francesa. 


De registar, mais uma vez, que a dita rebelião líbia começou junto à fronteira do Egipto e, por iniciativa desses rebeldes, nunca conseguiram avançar para outras partes do país. 


Seriam, até trucidados, por contra-ataques das forças do falecido coronel Khadafi, se a NATO, com a cumplicidade directa da Rússia, não tivesse agido militarmente no país, metralhando toda a estrutura castrense kadafhiana, tecnologicamente inferior ao arsenal bélico utilizado por Washington, Paris e Londres.

O curioso é que Belhaj, sem qualquer força militar interna, mas que é também conhecido por Abu Abdalah al-Sadek,que se apelida o líder da Al Qaeda na Líbia, esteve detido em Guatánamo e foi solto pelos Estados Unidos, tendo a liderança da Al Qaeda, o duo Osama Bin Ladem/al-Zawahiri, o reintegrado na organização.  


(Foi referenciado, pela imprensa que acompanhou os rebeldes sírios na sua primeira incursão na Síria, como comandante de "tropas da Al-Qaeda", mas que abandonou a região quando o Exército de Assad respondeu, com forças militares, tendo regressado a Tripoli. Hoje, o Estado líbio centralizado não existe. Tudo está nas mãos de clans e seitas desconhecidas, mas perfeitamente organizadas e com dinheiro).


A sua biografia refere que começou a luta no Afeganistão, ao lado dos EUA, contra a presença soviética, e viveu, posteriormente, no Paquistão, com liberdade total.

Como se pode reparar nesta reconfiguração política - e económica - do Magrebe, pós Revolução da Primavera, os poderes de Estados estão nas mãos de islamistas sunitas, ligados ou não à Al-Qaeda, com a plena concordância dos Estados Unidos da América e dos seus aliados da América, e claro, dos dirigentes de Israel. 


A intervenção norte-americana está a trazer ao continente africano, no geral, e ao Magrebe, e Corno de África, em particular, a modificação forçada do mapa da região, com o espírito dourado do "humanismo" capitalista, quando devem ser os povos a fazer ou tentar forjar as suas pátrias. 


Na realidade, estão a retalhar a parte saariana, fomentando rivalidades tribais, destroçando países que se estavam recriando, como a Líbia, o Mali, possivelmente o Níger, mas essencialmente, desfazendo o Sudão, por mero cálculo de se apoderar da produção de riquezas de petróleo, mas no caso anterior, provavelmente também, para usurpar (para controlo) o sistema aquífero arenito da Núbia, considerado a maior reserva de água subterrânea do Mundo, mais de 150.000 quilómetros quadrados de água) que, além da Líbia, abrange o Egipto, o Sudão e o Tchade.

Mas não havia, quando começou a invasão do Afeganistão, um inimigo mortal no terrorismo dos "fanáticos religiosos" para os estrategas de Washington, que era preciso extirpar?.


Afinal, onde está o perigo do terrorismo? 


Para a administração norte-americana - e esta administração é a oligarquia de poder democrata-republicana - os terroristas religiosos estão a ser, na realidade, os filhos dilectos na sua política imperial.







2 - Pode não parecer, mas esta caminhada imperial, que se iniciou com a palhaçada da substituição de Mubarak no Egipto, para instalar os seus fiéis chefes militares no poder, com batucada ritmada na imprensa ocidental, desde Portugal à Suécia com loas à santa democracia, está a findar, como ópera bufa nos terrenos arenosos e dormentes da Síria.


É que o avanço imperial, em passadeira vermelha, acabou. 


Porque ali, na Síria, estão interesses geo-estratégicos de grande potências militares que fizeram saber aos senhores de Washington que a "brincadeira" dos direitos humanos finalizou. 


Agora, estão em causa, essencialmente, controlo das principais riquezas estratégicas para essas potências, bem como toda a sua "zona de estabilidade e expansão" no futuro, que se situam em toda a extensão da bacia do Cáspio.


A Rússia e a China estão em profunda reorganização capitalista, que pressupõe, também, um amplo desenvolvimento económico. 


E, nas relações de forças, a poderosa supremacia do próprio poder económico-financeiro de Washington, está a confrontar-se com a sua debilidade interna na produção, que a está a levar a "adaptar-se" , até pelo aumento exponencial da sua dívida norte (reparem- ultrapassa os 30 biliões de dólares!!!), ao enquadramento económico evolutivo dos chamados países emergentes.


Ou seja, em termos práticos, os EUA, na sua economia de exportação mundial, que lhe dava um poder político enorme, está em fase de estagnação e mesmo recessão. 


Ora, do outro lado,  a economia está a avançar, em traços gigantescos para rivalizar com a supremacia norte-americana. 


E o centro real desta rivalidade, sejamos mais precisos, o centro produtivo potencialmente mais capaz e ascendente está concentrado numa Europa, que tendo uma moeda única, junta uma população de "maior poder de compra" que ultrapassa os 600 milhões de habitantes, e, apesar da crise que a abate, que além de ser financeira, económica e social, e também, uma crise de crescimento. 


Mas, acima de tudo, é uma crise de toda a reestruturação do seu poder político. 


E isto porque a evolução económica capitalista europeia, tal como foi montada em parceria com Wall Street, está ameaçada por uma nova perspectiva política de ruptura. 


Os povos da UE estão a tomar a percepão que a enorme capacidade de evolução da sua economia, já não poderá crescer e dar um salto para um estádio mais avançado de bem-estar, sem se colocar um projecto de um novo e revolucionário poder de Estado.


É, pois, na Europa - na sua unificação, na junção de um novo Estado pan-europeu em novos moldes - que se pode fazer a reestruturação real de um novo modelo social de bem-estar para as classes laboriosas. 


E são, elas que, lenta, mas paulatinamnente, estão a intervir nessa nova vida política. 

3 - O retrocesso enorme do poder económico dos Estados Unidos nos últimos 50 anos, cujos primeiros indícios surgiram, precisamente, com a crise do petróleo de 1973, levaram, também, uma parte dos dirigentes europeus a perceber que teriam de imprimir uma via própria económica unificada, ascendente e embutida na própria produção interna europeia, para puderem suportarar as crises seguintes, que iriam atingir, de suma maneira, a própria actividade económica interna dos Estados Unidos. 

Esta percepção e a concepção que trouxe a argamassa para criar, primeiro, a Comunidade Europeia Europeia está cimentada, justamente, numa época:  as derrotas militares sucessivas dos Estados Unidos - nas várias guerras da Indochina - Laos, Cambodja e Vietname. 

Foi, na realidade, na parte final da década de 70 que se efectuam os alargamentos às regiões periféricas da própria CEE. 

O sector mais avançado da burguesia europeia estava consciente que precisava de se fortalecer, primeiro economicamente, depois na diplomacia e na formação militar, para se afastar de um Império, que lhe deu cobertura, mas que se estava a afundar, cada vez mais, para se salvar, na militarização crescente da sua actividade como potência, que multiplicou a sua acção com a desagregação da União Soviética.

Foi esse militarismo, que está entrelaçado ao capital especulativo de Wall Street, pois fez subir drasticamente os encargos com a máquina castrense, em crescimento em homens e tecnologia, que está a devorar, perigosamente, os Estados Unidos. 


E como o complexo financeiro e militar industrial do país tem a percepção que, actualmente, a concorrência, por um lado, económica, por outro lado, geo-estratégica de outras potências, incluindo a UE (convem referir isso, existe concorrência latente, embora muito disfarçada no interior dos sistemas militares europeus...), leva-os, praticamente, em desespero, em aumentar os gastos e as forças armadas por diversos pontos do globo, em busca de uma "solução paranóica" para a sua supremacia.


Interna, mas também externamente, estão a avançar a passos largos para uma catástrofe financeira, mas, o que é mais perigoso, é que tentam forçar guerras, mesmo de cariz nuclear em diferentes zonas do Mundo.  


(No chamado Médio Oriente, estão concentrados mais de 300 mil soldados norte-americanos, desda Turquia, ao Afeganistão, Iraque, Arábia Saudita, Qatar, Kuwait ou Barhein. Além disso estabeleceram no Barhein a sede da Quinta Esquadra da Armada norte-americana, onde zarpam pelo menos dois porta-aviões, com armas nucleares e respectivas escoltas, incluindo navios de superfície e submarinos, também equipados com idênticas armas, até um sofisticado emaranhado de aviões de reconhecimento e de combate das últimas gerações. Para não ser exaustivo, não esquecer que têm, em permanência, Esquadras no Mediterrâneo e bases aéreas com capacidade de aviação de longo raio, a partir de Itália ou de Diego Garcia no Índico ).

Toda esta vertente, de maneira exponencialmente crescente, está a ser, nos dias de hoje, o fim principal de toda a actividade política prática do regime financeiro especulativo dominante do aparelho de Estado dos Estados Unidos: a sobrevivência num expansionismo militar capaz de conduzir à guerra em larga escala.

(Dizia há dia, o judeu Andrew Shapiro, subsecretário de Estado para as questões político-militares que o lucros dos EUA obtido nas exportações de armas no presente ano financeiro já superou os 50 mil milhões de dólares, o que, para ele, é um recorde. Entre os compradores mais influentes, segundo aquele governante, estão a Arábia Saudita e o Japão. Digo eu - significativo Médio Oriente e sul da China!!!)

Mas o regime centrado em Wall Street, igualmente, estava consciente que não podia "deixar" a UE seguir um rumo próprio geo-estratégico e militar, e, fomentou a sujeição total do sistema financeiro europeu aos ditames de Washington. Daí a crise actual.

E, por tabela, contou, principalmente, nos últimos vinte anos, com a cumplicidade consciente dos governos e classes dominantes, principalmente, da Europa, desde a submissa Grá-Bretanha até à civilizada Suécia.

É um facto que não deixaremos esquecer. 
Nem perderemos de memória esta realidade. 

A História, certamente, não deixará de analisar, friamente, o papel nefasto realizado nesse campo por esses dirigentes europeus. 

Embora, uma parte dessa gentalha queira agora afastar-se dos crimes que cometeram e caminhar para uma nova via nas relações geo-estratégicas económicas, buscando alianças e parcerias da Europa, mesmo monetárias, com os chamados BRICS.


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