domingo, 5 de maio de 2013

O CAPITALISMO FINANCEIRO DOMINANTE ESTÁ EM ESTERTOR



1 – Encontrei, há uns largos meses atrás, uma pessoa bem informada das actividades de “lobby” (negócios e políticos) dentro do PSD – e não só. 


Para o caso o que interessa, para este artigo, é que estávamos a trocar impressões, precisamente, sobre a actividade desenvolvida por José Oliveira e Costa, arguido no processo BPN, mas já em plena calvagada no que diz respeito aos negócios da SLN/Galilei. 

///Do jornal Diário Económico (31/05/10): “Os accionistas da SLN, que detinha o BPN antes deste ser nacionalizado, aprovaram a mudança de nome do grupo para Galilei, com 89% dos votos favoráveis”.
 Do seu site actual, retiramos o que ele representa: O Grupo GALILEI definiu uma visão clara para o seu desenvolvimento estratégico. Seremos um dos principais Grupos multi-negócio de origem nacional, com especial enfoque no desenvolvimento sustentável e na criação de valor accionista. 

O Grupo GALILEI está organizado de acordo com um modelo baseado numa holding (centro corporativo e serviços partilhados), aglutinadora de sub-holdings dedicadas a cada Área de Negócio.

O desenvolvimento do Grupo GALILEI assenta em cinco áreas estratégicas, alavancando as suas actuais competências distintivas. Três dessas áreas, o Imobiliário, o Retalho Automóvel e a Saúde, foram identificadas como sendo o “negócio fundamental” (core business) da GALILEI e representam, hoje, mais de 65% do valor accionista do Grupo. 

Na área Internacional, o Grupo GALILEI aproveitará os activos que detém em Angola para constituir uma plataforma de desenvolvimento no exterior, em áreas como a indústria cimenteira, o imobiliário, os seguros e a exploração petrolífera, todas elas com parceiros locais de referência.

Por sua vez, na GALILEI Capital pretende-se, a breve prazo, reunir as participações que serão geridas por forma a garantir geração de valor accionista no curto e médio prazo, seja em sociedades em que o Grupo tem o controlo accionista (tecnologias de informação, hotelaria, agro-alimentar), seja em participações minoritárias em áreas estratégicas e de valor relevante, como são os seguros, aviação e industria.
Esta apresentação do Grupo GALILEI, nem sempre seguindo o organigrama formal de participações, visa disponibilizar ao utilizador o valor que o mesmo reveste para os seus stakeholders, o conhecimento dos respectivos negócios e as vantagens competitivas no panorama nacional e internacional”./// 

Ou seja, estão a movimentar e a actuar com o dinheiro sacado, fraudulentamente, aos contribuintes. 

Devem ao Estado mais de oito mil milhões de euros. 

Com o pleno assentimento do governo, Presidente da República, Tribunal de Contas, Tribunais, entre outras entidades dos actual Estado.

Ora, quem são alguns dos principais accionistas do grupo Galilei: Oliveira e Costa, Joaquim Coimbra e Fernando Lima, o seu Presidente (justamente o actual Grão Mestre do Grande Oriente Lusitano, o que é não é por acaso).

Voltemos, portanto, à conversa.

Pensas que “essa gente” = as palavras são dele – ele, também, viveu e vive entre essa mesma gente= se movimentava e actuava tão à descarada, se não tivesse “os seus homens a trabalhar, por vezes com a maior discrição e pretensa humildade” no seio dos “diferentes poderes”.

Se quiseres saber como estes estão organizados e “deslizam”, estuda o que aconteceu, pelo menos, nas escolhas dos parlamentares “durante o tempo que o Oliveira e Costa esteve à frente da distrital de Aveiro do PSD, entre 1987 a 1991". 

"E repara como se dispersaram por muitas áreas, se ligaram a personalidades de peso da nossa praça e como se mantêm impunes", as palavras são dele.

Porquê?, interroguei. 

Isso tens de investigar, mas uma *relação*, ou “um favor, paga-se e em grande”.

E num aparte: “Quem punha e dispunha nessa altura na distrital do PPD/PSD de Aveiro: Oliveira e Costa e Ângelo Correia. Depois, mais tarde, juntou-se ao grupo o Marques Mendes”.

Dá-me então “algumas pistas”?, atirei-lhe.

“Vou somente dar-te um nome de um tipo, aparentemente vulgar, que está numa Câmara” e que foi “indicado para deputado em 1991. Já foi secretário de Estado. Eis o nome, Manuel Castro Almeida, um simples administrativo camarário quando o conheci”, e, como se nada fosse, atirou: “vais ver que ele vai regressar, brevemente, ao governo”.

Quando ouvi, agora, aquele nome a ser indicado para secretário de Estado do Desenvolvimento Regional, coloquei a minha máquina investigativa a saber quem foi deputado do PSD por Aveiro entre as legislatura de 1987/91 e 1991/95”. 



O então "jovem" Castro Almeida...

2 – Ecce Homo. Na biografia oficial do Governo.

Manuel Castro Almeida nasceu em 1957. É licenciado em Direito pela Universidade de Coimbra.

Iniciou a vida profissional com 16 anos, como auxiliar administrativo da Câmara Municipal de S. João da Madeira e fez o curso de Direito como trabalhador-estudante.

Em 1982 foi Técnico Superior e, mais tarde, Administrador da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte.

Em 1991, foi eleito Deputado à Assembleia de Republica, onde coordenou os Deputados do PSD nas Comissões Parlamentares de Economia, Finanças e Plano, Educação, Ciência e Cultura e Obras Publicas, Transportes e Comunicações. 

Foi também Presidente do Grupo Parlamentar.

Entre 1993 e 1995, foi Secretário de Estado da Educação e de Desporto.

Em 2001, foi eleito Presidente da Câmara Municipal de S. João da Madeira, tendo sido reeleito em 2005 e 2009.
Foi vice-presidente da Junta Metropolitana do Porto e presidente da Associação de Municípios das Terras de Santa Maria. 

No plano partidário desempenhou diversos cargos, designadamente Secretário-Geral Adjunto e Vice-Presidente do PSD, sendo actualmente é Conselheiro Nacional do PSD.

3 – Vejamos quem foram alguns dos deputados de Aveiro do PSD nas V e VI legislaturas e onde se situaram e ramificaram.

Na V legislatura, os dois primeiros foram Oliveira e Costa e Ângelo Correia. 

Alguns outros que interessa situar, porque se movimentar em torno de negócios, que se vão entroncar em lugares-chaves *comuns* dos mesmo ou na política: Manuel Albino Casimiro de Almeida, Gilberto Madail (não vale a pena discorrer muito sobre ele, pois como Presidente da Federação Portuguesa de Futebol, certamente, muitos negócios financeiros e monetários transmudaram com a sua iniciativa. Um por exemplo. Dos jornais “A Federação Portuguesa de Futebol (FPF) emitiu ontem – 27 de Julho de 2009 - uma nota sobre o investimento feito por sugestão de um gerente do BPN, onde são omissas as consequências do não retorno das verbas na actividade da instituição”.), Jaime Milhomens (que era um simples estudante em 1987) e Adérito Campos.

Centremo-nos agora na VI Legislatura: Além dos dois (Oliveira e Costa e Ângelo Correia), agregamos o tal Castro Almeida, Elias da Costa, Jaime Milhomens (já instalado e virado para os negócios – os seus corregelionários indiciam-no como um dos “grandes das actividades sórdidas da noite”), além dos já citados Casimiro de Almeida e Adérito Campos.

(Um pequeno interregno para mostrar como os casos de falsas licenciaturas são antigas, bem como o papel de execráveis serviçais. O seu nome, justamente, é Adérito Campos. A denúncia é de um jornal que já não existe e que se chamava Independente, e o seu director é, nada mais , nada menos, que um grande serviçal do capital financeiro, agora como Ministro de Estados e dos Negócios Estrangeiros, Paulo Portas).

Citam-se os trechos principais: 

“O Independente, 5-5-1995

Deputado da bancada laranja é falso doutor

“Falsificação: Deputado laranja faz-se passar por advogado.

Adérito Imperfeito

O deputado social-democrata e secretário da direcção do grupo parlamentar, Adérito de Campos, prestou falsas declarações sobre as suas habilitações literárias. Quando chegou a S. Bento, em 1980, preencheu a sua ficha declarando que era licenciado em Direito pela Universidade de Coimbra. E que tinha como profissão «advogado». 


Numa investigação desenvolvida por O Independente descobriu-se que, afinal, o deputado laranja, eleito pelo círculo de Aveiro, nunca chegou a concluir o curso de Direito e que, por via disso, nunca esteve inscrito na Ordem dos Advogados. Mais. O deputado aveirense deixou o curso quando lhe faltavam apenas duas cadeiras para o concluir e agora, por via disso, corre sérios riscos de ter de fazer não duas mas 12 cadeiras. Tudo por causa de uma reforma curricular do curso de Direito na Universidade ele Coimbra.

Adérito Manuel Soares Campos é (atenção o artigo é datado) conhecido sobretudo por ser o primeiro-secretário da direcção do grupo parlamentar social-democrata, leia-se «controleiro da presença dos deputados no hemiciclo», cargo que vem exercendo ininterruptamente desde o consulado de António Capucho, em 1985. 


O seu «padrinho» político é e sempre foi Ângelo Correia. Apanhado. O falso licenciado, que tem por difícil missão fazer circular pelo plenário a folha das presenças dos deputados laranja, confirmou tudo a O Independente, mas garantiu que jamais preencheu qualquer papel em que se declarasse como advogado. 

A versão de Adérito Campos é simples. Em 1980, militava ainda na JSD de Aveiro, via concelhia de Vale de Cambra, de onde é natural, e foi eleito deputado pela primeira vez. Tinha então 23 anos de idade, nunca chumbara um ano e era considerado um bom aluno. 

A prová-lo o «15» à sempre difícil cadeira de Direito Romano, em Coimbra. 

Segundo as suas próprias palavras, tinha planeado concluir o curso na época de Setembro/Outubro, mas as eleições de Outubro de 1980 permitiram-lhe um lugar ao sol em S. Bento. 

Adérito não hesitou um segundo, e decidiu adiar a conclusão da licenciatura em Direito. 

Apesar de lhe faltarem as cadeiras de Direitos Reais e Direito do Trabalho, preencheu o seu «curriculum vitae» como licenciado em Direito. 


«Fi-lo porque achei que passados uns meses acabaria o curso», explicou a O Independente. 

A verdade é que Adérito, vá lá saber-se porquê, nunca o fez. Ao que tudo indica, entusiasmou-se à séria pela vida parlamentar. «Eu não fui!» Explicou-nos que ainda tentou pedir a transferência de Coimbra para a Universidade Clássica de Lisboa, mas «na altura houve uns problemas aqui em Lisboa, e nada feito». 

O Independente apurou, no entanto, que na Secretaria-Geral da Universidade de Coimbra não consta qualquer pedido de transferência do finalista de Direito. 

Quanto ao facto de ter declarado ou não «advogado» como profissão, Adérito Campos garante que «nunca o faria, até porque, mesmo em Coimbra, sempre disse que quando acabasse o curso não era para ir à barra do tribunal». «Eu sempre adorei a vertente política, e por isso é que escolhi tirar o ramo de Ciências Jurídico-Políticas», acrescentou. 

Quando lhe perguntámos como é que explicava o facto de nos seus currículos oficiais constar sempre a profissão de «advogado», Adérito Campos não soube explicar, e escudou-se num provável erro dos serviços administrativos do Parlamento.

De facto, a Divisão de Apoio Estatutário aos Deputados, um dos departamentos administrativos da Assembleia da República, publica em todas as legislaturas um livrinho com as biografias dos deputados. 


No último, referente à VI Legislatura, datado de 1993, lá aparece Adérito Campos, na parte referente às habilitações literárias, com a inevitável «licenciatura em Direito». Mais abaixo, outro dado falso e comprometedor - «Profissão: Advogado». Erro dos serviços. Se se trata de um erro da Divisão de Apoio Estatutário aos Deputados, não se sabe, e Adérito Campos explica que «pode perfeitamente ter acontecido que os serviços tivessem concluído que eu era advogado por ser licenciado em Direito». 

Esta explicação do deputado aveirense poderia ter alguma consistência não fora o facto de no mesmo livro constarem colegas seus de partido e outros de Parlamento que figuram como tendo a licenciatura em Direito mas cuja profissão é tudo menos «advogado». 

A título de exemplo, refira-se o caso do líder parlamentar laranja, Silva Marques. O sucessor de Pacheco Pereira é licenciado em Direito e em Sociologia, facto este que levou os serviços, segundo a lógica de Adérito, a classificar Silva Marques como... empresário industrial. 

E se o argumento do secretário da bancada laranja cai pela base com o exemplo do seu líder, o mesmo acontece com colegas seus de hemiciclo. 

O socialista Arons de Carvalho, apesar de ser licenciado em Direito, é, do ponto de vista profissional, docente universitário. 

Ou então o exemplo do vice-presidente do grupo parlamentar comunista, João Amaral, que sendo também licenciado em Direito preencheu na respectiva ficha como profissão: «técnico superior da Administração Pública». 

Kaput. Os seus companheiros de bancada, esses, não têm dúvidas em traçar o seu destino: «Está politicamente arruinado com este episódio». 


Muitos deles desconfiavam da sua licenciatura, mas nunca se preocuparam em tirá-lo a limpo. 

«Eu sabia que ele não era licenciado, mas passados uns tempos ouvi tratarem-no por `doutor' e estranhei», comentou um deputado que com ele partilha a bancada social-democrata. 

Este gesto de Adérito, garantem-nos fontes próximas do grupo parlamentar do PSD, vai fazer mossa: «Um tipo que faz uma destas, mentindo descaradamente, sujeita-se às piores consequências, quer a nível partidário, quer a nível da Assembleia da República. 

E nem o facto de ser um bom homem o vai salvar. Logo numa altura em que a transparência está na agenda do dia!».

Quanto a Adérito Campos, limita-se a acrescentar que vai tratar de pedir a transferência para Lisboa, e pensa que só terá de fazer duas e não 12 cadeiras. 


O facto de poder estar a pagar o preço de ter alinhado por Durão Barroso no último congresso, «com esta torpe denúncia passada para a imprensa», o deputado encolhe os ombros e remata: «Se calhar vou ter de estar mais atento nos próximos tempos». 

O problema é que pode voltar a esquecer-se, como lhe aconteceu com o curso de Direito”.

4 - Façamos uma incursão maior sobre Casimiro de Almeida.

De nome completo, Manuel Albino Casimiro de Almeida. Quando se juntou ao PSD de Aveiro, como capataz de Oliveira e Costa, era um simples agricultor. Transformou-se, na actualidade em comendador pelas mãos do antigo Presidente da República Jorge Sampaio, esse político que veio do comunismo, via MES, para gerente do Capital.

Casimiro de Almeida é o homem-forte da Lactogal.

O que transmito a seguir é um extracto de uma reportagem, de há alguns anos, do jornal Correio da Manhã:

“A Lactogal, a maior empresa de lacticínios da Península Ibérica, que funciona numa lógica de cooperativa e que, juntamente com a Agros, controla mais de 80 por cento do mercado da produção do leite em Portugal, paga ordenados milionários aos seus quadros superiores. 


Os administradores ganham entre 410 e 900 mil euros por ano. 

Os produtores de leite, os últimos da cadeia, vão receber, a partir de quarta-feira, menos quatro cêntimos por litro. 

A Lactogal pagava-lhes, em média, 30 cêntimos, desceu para 26, depois de invocar um decréscimo na procura e dificuldades no escoamento do leite.

Nos supermercados, o preço continua a subir. No ano passado o aumento foi de cerca de dez por cento. Mas a crise parece passar ao lado de quem gere o maior grupo produtor de lacticínios”.

ORDENADOS MILIONÁRIOS

A Lactogal tem nove administradores com salários astronómicos. Por mês recebem entre 29 a 61 mil euros (o declarado em sede de IRS, a dividir por 14 meses), que são pagos por várias empresas ligadas à cooperativa.

No topo da lista está o comendador Casimiro Almeida. O ex-agricultor, que hoje é número um da Lactogal, declara agora mais de 850 mil euros de rendimentos daquela empresa e 60 mil por ser, ao mesmo tempo, administrador da Proleite.

Segue-se Fernando Mendonça, (já faleceu entretanto, nota minha. E com o título de comendador!), o patrão da Agros.

Neste caso, a Lactogal paga-lhe quase metade, 413 mil euros por ano, mas acrescem 89 mil da PSN Norte, 60 mil da Agros SGPS e 47 mil da Agros.

Feitas as contas, são 610 mil euros por ano, ou seja, 43 mil euros por mês.

Os valores não diferem em muito dos pagos aos restantes administradores. 


Simão Daniel Alves ganha 416 mil euros/ano pela Lactogal, 60 mil pela Agros SGPS e ainda mais 64 mil por duas sociedades participadas. 

Nos 550 mil euros/ano está Alberto Cardoso. Seguem-se Manuel Gomes e Honorato Ribeiro com vencimentos por ano de 413 mil. 

Pouco menos recebem Óscar Brandão, José Passinhas e Joaquim Cardoso. O CM não conseguiu, nesses casos, confirmar os montantes exactos”.

Foi pedida uma investigação a Bruxelas, mas os contactos e lobbies servem para muita coisa. Até para colocar os ministros no respectivo lugar.

Adianta o jornal: 

A AGROS TEM ANDADO A BRINCAR COM OS PRODUTORES'



Eles são quem produz o leite, mas cada vez mais são o elo mais fraco. Depois do negócio das quotas, que os produtores tiveram de comprar (alguns gastaram 200 mil euros) e que agora não valem praticamente nada, têm visto, pelo menos desde Janeiro de 2008, o preço que a Agros e a Lactogal lhes paga a baixar 'assustadoramente'. 

Basta referir que, há um ano, o litro do leite era pago ao produtor a 38 cêntimos e, nos últimos dois meses, foi a 30. Agora, já no próximo dia 1 de Abril, baixa para 26 cêntimos (isto em média, já que os produtores não recebem todos o mesmo valor). 

Adelino Balseiro tem 250 cabeças de gado, a norte do concelho de Barcelos e diz que, nesta altura, o preço não paga os custos de produção.

'Estamos a trabalhar para aquecer e a Agros tem andado a brincar com os produtores', diz Adelino Balseiro, referindo que 'enquanto o preço pago ao produtor baixou, as rações, os adubos, as palhas e as silagens passaram para o dobro'. 

Mas a revolta dos produtores não está apenas no que recebem da Agros e da Lactogal. Está também na forma como estas uniões de cooperativas têm sido administradas e 'blindadas à participação dos produtores'. 

Manuel Vilaça, produtor de leite de Braga, dá um exemplo concreto: 'As eleições para a Agros costumavam ser em finais de Maio; este ano realizaram-nas em Abril e avisaram os associados apenas dez dias antes, para que não houvesse a possibilidade de aparecer qualquer lista concorrente'.

De resto, os produtores estão todos ansiosos pelo cumprimento do anúncio do ministro Jaime Silva, segundo o qual foi pedida a Bruxelas uma fiscalização exaustiva ao sector do leite em Portugal. Segundo declarou, o governante quer evitar o monopólio no sector. 

QUEIXAS NA CONCORRÊNCIA

A Autoridade da Concorrência tem, há mais de um ano, uma queixa sobre concertação de preços no sector do leite. 


Também a ASAE e a Secretaria de Estado da Defesa do Consumidor têm estado especialmente atentas ao funcionamento deste sector. (nota minha, claro que nunca vão actuar...)

A questão do monopólio surgiu na década de noventa, quando a Agros e a Lactogal resolveram associar-se, passando a controlar a produção e comercialização em primeira linha de mais de 80 por cento do leite produzido em Portugal. 

Há outras uniões, mais pequenas, como a Leicar, que tentam enfrentar o gigante do leite, mas sem qualquer hipótese. (NOTA MINHA: todas as instituições de Estado são cúmplices desta vigarice!!!) É por isso que os produtores não conseguem contornar a questão dos preços do leite.

A Agros e a Lactogal determinam que o preço a pagar passa de 30 para 26 cêntimos e não há nada a fazer. 

A MULTIPLICAÇÃO DE EMPRESAS 

Após a associação da Agros e da Lactogal, o grupo foi multiplicando empresas, para os diversos sectores, criando novos cargos de administração. 


É o caso da Agros SGPS, da Agros Comercial, da Ucanorte e até do laboratório interprofissional. Neste caso, até foram os produtores que exigiram que o laboratório fosse separado da Agros, só não esperavam que o administrador fosse o mesmo.” Como se vão ligar aos *resíduos*, neste caso, à indústria dita ecológica, cujo rosto empresarial, em sentido mais amplo, é Ângelo Correia!!! 

Ou seja, os seus verdadeiros patrões, os bancos: BES,BANIF, CDG e os especuladores financeiros a eles ligados como Ilídio Pinho, entre outros. 

Falamos, então, da EMOPAR. Uma citação do seu folheto de propaganda: “Constituída em 18 de Outubro de 1996 com um capital social de 241.500 Euros, a EMBOPAR - Embalagens de Portugal, SGPS, SA, é uma holding formada por empresas e associações de empresas produtoras e importadoras de produtos embalados, habitualmente denominadas de "embaladores". 

Os corpos gerentes da mesma: Presidente da Mesa da Assembleia Geral NUTRINVESTE, SGSP, representada por Manuel Alfredo da Cunha José de Mello. (Onde o braço político é Catroga!!!).

Na Presidência do Conselho de Administração está a empresa fusão da Sumol+Compal, na altura representada por António Fernandes D`Almeida e como membros, entre outros a Lactogal, cujo elementos destacado é Manuel Albino Casimiro de Almeida, juntamente com empresas, entre outras, como a Colgate-Palmolive, a Danome Portugal, L`Oreal Portugal; Nestlé Portugal, Pescanova, Unicer e Refrigee. 

Curioso: em 2002, a vereação da Câmara Municipal de Santarém, com votos do PS e PSD, deu de borla um grande terreno à Lactogal, através de Casimiro Almeida, em troca da então hipotética unidade de produção.


Doação esta feita em protocolo, que um deputado municipal social democrata, de nome Vasco Graça Moura, denunciou como prejudicial, mas que veio assinar de cruz, cinicamente, com a seguinte declaração de voto: “Abstive-me por razões de disciplina partidária, porquanto considero o documento, quer nos seus aspectos técnico-jurídico, quer nos aspectos substantivos, absolutamente inaceitável”.

5 – Centremo-nos, com mais atenção, num figurão do sistema financeiro privado nacional. De seu nome Elias da Costa. 


Eleito sob a supervisão de Ângelo Correia e Oliveira Costa por Aveiro.

Em 1987, é nomeado Secretário de Estado do Ministro das Finanças, que é Miguel Cadilhe, sendo, também, secretário de Estado no mesmo Ministério Oliveira Costa, que tutela os Assuntos Fiscais. 


Pura e simples divisões de tarefas. Veja-se, agora, o papel desempenhado na ascensão do lumpen capital financeiro em Portugal por esse “figurão” e o seu percurso de homem de mão do mesmo. 

A direcção política central estava num homem que hoje é Presidente da República, e cujos negócios especulativos o atingem a ele e à sua família. 

ERA ENTÃO O PRIMEIRO-MINISTRO, QUE NUNCA SE ENGANAVA, NEM TINHA DÚVIDAS. 

Porque será que, pouco é discutido na comunicação social, sobre o “incremento” negocial do seu genro, Luís Montez? 

Em 1999, o banqueiro e capitalista vigarista António Champalimaud, que se intitulava o campeão, à boca cheia, do nacionalismo português, vendeu o Banco Totta & Açores, que recebeu, praticamente, de borla, por linhas tortas e saraivadas de dinheiro por baixo da mesa, do Estado, ao grupo espanhol da Opus Dei Santander. 

(O nome em Portugal ainda se apelida de Santander Totta, mas o grupo central está em Espanha). 

Champalimaud tornou-se o homem mais rico de Portugal. 

Elias da Costa esteve no protagonismo servil político de todo o processo que fez consolidar o reino dos banqueiros em Portugal, que agora está consolidado e a destruir o próprio sistema produtivo nacional. 

Façamos, em traços largos, uma resenha de toda a movimentação da grande burguesia ligada ao Capital financeiro (nacional e internacional), através do seu centro político, na altura, o governo de Cavaco Silva.


Este, em 1989, inicia a primeira fase de privatização do Banco Totta & Açores (BTA). 

Na liça, surge um banco espanhol de nome BANESTO, ligado à Igreja Católica, para abocanhar a “fatia” que poderia ser cedida a estrangeiros.

Para a operação, o Banco, através do então seu Presidente, um refinado vigarista da alta burguesia madrilista, chamado Mário Conde, que veio, mais tarde, a ser preso, monta uma operação de traficância de influências e de poder com José Roquete, que criou uma empresa denominada “Valores Ibéricos”, que enquadrava outros capitalistas especulativos, como as famílias Vaz Guedes e Moniz da Maia.

Convém frisar que Roquete foi administrador do BES, antes do 25 de Abril de 1974, e prosseguiu até 1975. 


Continuou a servir a banca Espirito Santo, depois da nacionalização em 1975, agora no Brasil, onde tinha o amparo da ditadura militar. Detinha cerca de 13% daquele banco.

Quando se pré-anunciam as privatizações, Roquete pretende seguir uma via própria de banqueiro, e, por isso, vende, em 1989, a sua participação no Espírito Santo. 


Na sua nova vida bancária, Roquete, com a Valores Ibéricos, detém 7,8 % do BTA, e o BANESTO uns 3 %.

Nesta parceria, Roquete já tinha combinado com Conde que venderia a sua parte ao BANESTO, quando o governo português o permitisse. 


Por outro lado, o BANESTO já negociava com outro especulador capitalista nascente português com o novo regime novembrista, Belmiro de Azevedo, que, por meios nada transparentes, se apossou da SONAE.


Esta tripla aliança permitiu que a parceria Roquete/Mário Conde controlasse 30% do BTA. 

Que vai subir para os 40%, quando Cavaco Silva, via Elias da Costa, dá o seu assentimento à segunda fase de privatização do BTA.

Sabe-se pela imprensa que, em 1991, Roquete tentou junto de Elias da Costa ficar a ser o parceiro principal no capital ainda a privatizar.

É, por esta altura que igualmente se torna público na imprensa o “acordo” não público estabelecido entre Mário Conde e Roquete. 


Este vai receber – o que acontece – 37 milhões de contos. 


Interessante é que com aquele dinheiro, Roquete vai montar uma empresa-chave, chamada Plêidade, que irá ser vendida, pouco tempo depois, ao BPN/SLN. 

Nesta Plêidade, entra como accionista Dias Loureiro (ex-ministro dos Assuntos Parlamentares e da Administração Interna), que fica com 15% do Capital, e que se vai tornar, com Oliveira Costa, um dos homens-fortes do BPN/SLN. 



 eles estão sempre juntos...mais afastado o homem do BES, Manuel Pinho.


A compra do BTA por António Champallimaud é uma história rocambolesca de como o grande capital financeiro veio a controlar, como fracção da grande burguesia, o domínio total do aparelho de Estado, e como agora atingiu o apogeu.

Um traço comum nesse domínio: o homem, como representante político, deu os primeiros passos nessas andanças, está agora no topo como Presidente da República. Chama-se Aníbal Cavaco Silva.

Mas regressemos à ascensão de Champallimaud e ao papel que desempenhou.

Curiosamente, é com Cavaco Silva, como representante directo e dilecto dessa fracção do capital, o financeiro, (com os seus ministros, secretários de Estados e Inspectores-Gerais de Finanças, entre outros capatazes) que Champallimaud vai retomar o controlo do seu domínio e com dinheiro dos contribuintes.

Convém recordar que aquele capitalista vígaro e famigerado apoiante da ditadura de Salazar, era acusado pelo banco Pinto e Sotto Mayor (BPSM) e pela empresa cimenteira CIMPOR de enviar ilegalmente fundos para o Brasil.

Com o regresso a Portugal, naturalmente autorizado, Champallimaud processa o Estado. 


É nomeada uma comissão arbitral, tendo em cima da mesa um valor da ordem dos 200 mil contos. 

O Ministério das Finanças, que nomeia uma comissão de acompanhamento,onde pontifica o então subinspector-geral das Finanças Assunção Dias – que ocupa um cargo de responsabilidade na empresa Mundial Confiança, ainda nacionalizada. Sobe o valor para 1,6 milhões.

Mas faz mais, propôs uma avaliação privada, sem os restantes membros da Comissão, e faz evoluir a proposta para perto de seis milhões de contos. 


Elias da Costa, de imediato, com este parecer, leva uma proposta ao Ministro das Finanças Braga de Macedo para Champallimaud ser indemnizado em 10 milhões, pagos pelo BPSM e CIMPOR (ambos nacionalizados), com uma contrapartida leonina: a CIMPOR deixava de reclamar uma dívida de sete milhões e o BPSM largava de mãos vários processos judiciais que obrigava o vigarista do pagamento de 8,6 milhões de contos. (consulte-se a imprensa em 1999). 

O gangue que girava à volta de Champallimaud – desde o governo até à imprensa, passando pela magistratura – inicia uma campanha de propaganda tendo como mote o “nacionalismo” no apoio ao capitalismo nacional.
Venceu. 

Eis o guião do negócio seguinte destes capitães da “indústria” e da intrujice. 

Na realidade, são porcos, feios e maus.

De uma penada, com o dinheiro dos portugueses, Champallimaud compra 51 % da Mundial Confiança – Cavaco Silva dixit, Elias da Costa escreve. 


Vai manter Assunção Dias no Conselho Fiscal da seguradora agora privada. 

O tal Dias será chefe de gabinete do inefável Eduardo Catroga como Ministro das Finanças, e, depois, ascende a Inspector –Geral das Finanças. Sempre entre o público e o privado. 

Ou seja, no papel de vassalo do capital financeiro.


Depois Cavaco Silva permite, via Elias da Costa, que Champallimaud contraia um crédito público de 20 milhões de contos, com vistos legais do Banco de Portugal – Tavares Moreira dá-lhe o assentimento sem olhar para o lado, pois é ex-gestor do BPSM e no PSD vice-Presidente de Cavaco. 


Com a alcavala útil de Carlos Santos Ferreira, que eleva a Presidente da Mundial da Confiança, consolida o poder – este rapaz Carlos Santos Ferreira é íntimo de Guterres e vai acabar com chorudas indemnizações no BCP. 

Tudo bons mafiosos e bons rapazes. 

Como toda esta maningância, o capital de Champalllimaud cresce e controla o BPSM, com 37 milhões de contos (53 % do capital social). 

E num ápice, o nacionalista Champallimaud vai entrar na compra do BTA, que adquire depois de se vir a saber que o BANESTO entrou num espiral de trafulhice, cujo embuste se camufla com sua compra por parte do Santander (a Igreja manipula, sempre, no interior do dinheiro sujo).

O Totta passa para o vigarista Champallimaud e através de um "um passe de mágica" que passa pela própria família, dá a volta às prestações dos Mellos e compra então o BTA ao Santander, com a cumplicidade directa de Cavaco Silva, que altera o código dos valores mobiliários (a CMVM é contra demite-se, por é afastada da supervisão das privatizações), o que leva a dispensa de OPA, ainda que parcial.

Estava organizada toda a trama para entregar o negócio a Champallimaud. 


Este menospreza depois o BTA, favorecendo o BPSM. 

O “homem dos cimentos” de Salazar negoceia, nacionalisticamente(!!!!), com Emilio Botin, o Presidente da OPUS DEI do Santander-Central Hispano (talvez o maior banco da Europa na altura) a venda de 40 % da holding Munfinac, que detem o BPSM, a Mundal Confiança, o BTA e o Banco Chemical, em troca de 1,6 do valor accionista do Santander (qualquer coisa como 600 milhões de euros naquela época). 

O capital europeu, através do Comissário da Concorrência de então, é favorável, embora o ministro das Finanças do governo seguinte de António Guterres, Sousa Franco tenha vetado. 

Sem qualquer efeito. (Posteriormente irá haver rearranjos, mas isso é outra fase e outra etapa no avanço do capital financeiro). 


Ao lado de Champallimaud nos negócios já estão Elias da Costa, nomeado, entretanto, administrador delegado do Santander Portugal, José Miguel Júdice, um dos barões do PSD e já com um escritório de advogados, o então Secretário de Estado Carlos Tavares (hoje Presidente da CMVM)e o dirigente socialista António Vitorino, depois ministro, entre outros, como Proença de Carvalho, seu advogado de confiança e testamenteiro.

Com a preponderância de Champallimaud, foi dado alento a outros bancos que se privatizam, engordados, de uma maneira ou de outra, à sombra tutelar do poder cavaquista, como o BPI, o BCP, BANIF, e a própria Caixa Geral de Depósitos.


Nesse caminho, que em determinado período tem o Guterrismo e Socratismo, como “compagnons de route”, vão aderindo, em fases diferenciadas, governantes do PSD e CDS, como Tavares Moreira, Miguel Cadilhe, Miguel Beleza, Braga de Macedo, Eduardo Catroga, Valente de Oliveira, Carmona Rodrigues, António Mexia, Paulo Teixeira Pinto, Bagão Félix,  Nuno Fernandes Tomaz e Celeste Cardona, e, mais tarde, noutros períodos, figuras do campo socialista, como Carlos Santos Ferreira, Pina Moura, Murteira Nabo, Jorge Coelho, João Cravinho, Oliveira Martins, Luís Campos e Cunha, entre outros.

6 – Focalizemos a nossa atenção agora no núcleo central político, constituído por e à volta de Cavaco Silva, depois a sua entrada na actividade governativa, como Ministro das Finanças até à sua chegada à Chefia do Estado.

Com essa “massa intelectual política capitalista”, enraizou-se em Portugal, como estrutura de domínio burguês, a sua facção verdadeiramente senhora do poder: o lumpem grande capital financeiro. 


Foi, realmente através dessa “massa” cavaquista que o grande capital financeiro mais desclassificado ocupou os centros de poder – e ditou as decisões, quer no governo, no parlamento, nas administrações centrais do funcionalismo público, nas grandes empresas de comunicação social, como os grupos Impresa, Media Capital, Cofina, Controloinveste. 

O expoente do maior poder absolutista do capital financeiro enquistou-se com o actual governo de maioria PSD/CDS, e, não é por acaso que o Presidente da República actual tudo faz para o sustentar e dignificar, pois ele continua na liça como pivô político executivo desse mesmo poder. 

Pode parecer que ele ocupa somente um trono estilo Rainha de Inglaterra, o que, em parte, é a realidade. 

Mas ele, é, na presente crise política e financeira o esteio real, eficaz e concreto da facção do sistema financeiro especulativo que abarca todo o domínio do poder de Estado.


Se se atender nas intervenções frequentes dos banqueiros a afirmarem a sua superioridade, e defenderem que o que está acima de todo o poder económico é a banca e a política de austeridade é para fortalecer e aguentar essa banca, o leitor pode, sem grande crise de pensamento, que eles estão a fazê-lo tendo como aríete político: Cavaco Silva. 

Olhemos, pois, para os homens que vínhamos a perseguir deste o início deste artigo: a dupla Ângelo Correia e Oliveira e Costa.

Reparem que, apesar das denúncias, dos processos judiciais, das acusações graves de desvios de dinheiros públicos, verificamos que eles mantêm os seus “grupos económicos” especulativos em plena actividade. 


Sem qualquer reparo, nem do governo, nem do Chefe de Estado, e, em grande menor, mas cúmplice do próprio Partido Socialista.

Oliveira e Costa saiu do governo de Cavaco Silva como um burlão, um delapilador do erário público ao permitir as maiores rapinas fiscais aos contribuintes. 


Todavia, o então Primeiro-Ministro dotou-o de uma benesse monetária pessoal, colocando-o como administrador do BEI (Banco Europeu de Investimento). Estamos em 1992.

Para Cavaco Silva é, no entanto, um herói, ao enaltecê-lo, anos mais tarde, na sua “Autobiografia Política II (ps 47-50).

Cita-se para que conste:

“O secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, José de Oliveira Costa, pessoa com uma enorme capacidade de trabalho, muito determinado e exigente, mas também um pouco teimoso, foi o membro do Governo a quem coube o comando dos trabalhos preparatórios da reforma fiscal. Várias vezes o chamei ao meu gabinete para discutir os documentos preparados pela Comissão da Reforma Fiscal, presidida por Paulo Pitta e Cunha, professor da Faculdade de Direito de Lisboa, que tinha sido criada em Julho de 1984, antes da minha nomeação para primeiro-ministro. (…) Os membros da Comissão nunca devem ter apreciado a pressão que fazia sobre eles o secretário de Estado dos Assuntos Fiscais. Eu apercebi-me a certo momento de que havia um pequeno choque entre o espírito académico do presidente da Comissão e a visão prática e a pressa de fazer do secretário de Estado dos Assuntos Fiscais. (…) É de toda a justiça reconhecer que sem o empenho inteligente e algo teimoso de Oliveira Costa – como chegou a afirmar o Professor Pitta e Cunha – não teria ido possível cumprir as metas estabelecidas.’

E que que fez esse como Secretário de Estado?

Juntamos uma reportagem sobre o tema, integramo-la na íntegra, para se verificar, igualmente, como funcionava a “corte” capitalista de Cavaco Silva:

“O professor Cavaco Silva alguma vez falhou? Alguma vez falhou?”.

A frase era lançada pelo então secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, Oliveira e Costa, para a multidão que, em êxtase, gritava: “Não! Não!”.

Corria a Primavera de 1991 e o PSD preparava-se para enfrentar mais uma batalha eleitoral. 


Oliveira e Costa, que dominava a distrital de Aveiro com mão de ferro, desmultiplicava-se em comícios e sessões de esclarecimento na propagação da palavra de apoio ao líder e primeiro-ministro Cavaco Silva mas, também, em defesa da sua própria pessoa.

Por essa altura, o já famoso “Zeca Diabo”, como era chamado pelos funcionários do Fisco, enfrentava um dos maiores desafios da sua vida política: o perdão fiscal de 500 mil contos à Cerâmica Campos.
Uma investigação do “Expresso”, feita pelo então jornalista e actual bastonário da Ordem dos Advogados, António Marinho Pinto, denunciou o caso que envolveu Oliveira e Costa num dos mais fortes escândalos do Cavaquismo, acabando numa comissão parlamentar de inquérito. 

A maioria social-democrata jogou no seu próprio interesse e ilibou o secretário de Estado mas não conseguiu esconder as fragilidades de todo o processo. 

O relatório final fala de um despacho “pouco claro” e de fraca sustentação jurídica e deixa claro que a esmagadora maioria dos factos imputados a Oliveira e Costa se confirmou, desde logo a reunião com os administradores da Campos e da Caima, que ia comprar esta desde que a situação fiscal ficasse limpa.

Para trás ficava o longo percurso de um caso que mostrou todas as fragilidades do político e futuro banqueiro. 


Tudo começou a 4 de Outubro de 1988, quando o Tribunal de Instrução Criminal de Aveiro e a Polícia Judiciária enviaram um documento, extraído do processo “Aveiro-Conecttion” (convém não esquecer que Ângelo Correia igualmente foi citado, mas, estranhamente, escapou), para as Finanças. 

Era aí pedida a *urgente averiguação* de um eventual delito fiscal na distribuição de dividendos da Campos. 

Os investigadores da PJ de Aveiro, então liderada por Teófilo Santiago, chegaram à Campos através de um dos principais arguidos no caso de contrabando, o capitão Vasco Silva, que era também administrador da empresa. No interrogatório, quando perguntado sobre as somas avultadas encontradas nas suas contas e da mulher, invocou o que teria recebido da Cerâmica.

Os homens da inspecção tributária rapidamente apuraram que a empresa não só não distribuía dividendos como estava envolvida numa fraude.

Mais de 40 por cento da sua produção era vendida à margem da contabilidade oficial e mais de meio milhão de contos foram distribuídos pelos administradores e por um grupo restrito de accionistas.

Dois dos administradores foram presos mas libertados mediante o pagamento de cauções alguns dias depois.

Um deles, anos mais tarde, apresentou uma versão dos factos e das circunstâncias do perdão à Campos na comissão parlamentar de inquérito arrasadora para Oliveira e Costa.

A polémica criada com esta empresa desencadeou a denúncia de dezenas de casos de perdões fiscais evidenciando a existência de uma rede clientelar na Administração Fiscal com ligações ao financiamento partidário.

Na zona Centro foram apontados indícios da existência de um grupo de advogados, ligados ao PSD, que recebia uma soma mais ou menos “tabelada” para arranjar reuniões com quem tinha o poder de negociar os perdões mediante o pagamento de uma contrapartida. 


Na altura, algumas destas situações, que poderiam configurar o crime de tráfico de influências, não foram investigadas por "falta de previsão deste tipo de crime na legislação nacional”.

A “comédia” do percurso de Oliveira Costa é digna de um romance de um mafioso respeitável pela política.

Ascendeu na política quando se inscreveu na década de 1980 na seccão de Aveiro do PSD.

Antes fora um vulgar funcionário do sector privado no distrito de Aveiro, ingressando, em 1962, no Banco de Portugal como quadro administrativo. 


Todavia, no pós 25 de Abril garimpou no BdeP, e entre 1977-80, foi director da Inspecção de Crédito Público, conhecendo naquele banco um vulgar quadro chamado Cavaco Silva, que já era militante “de base” do PPD, e dirigia o Gabinete de Estudos. 

Foi, depois da subida daquele à Presidência do PSD, o seu homem de mão no distrito de Aveiro. 

Sendo Cavaco Silva ministro das Finanças e do Plano no VI Governo Constitucional, liderado por Sá Carneiro, (1980-1981), Oliveira e Costa foi indigitado para vice-presidente do Conselho de Gestão do Banco Nacional Ultramarino (BNU), onde esteve entre Julho de 1980 e Agosto de 1982. 

Esteve depois como vice presidente no Banco Pinto & Sotto Mayor (BPSM). 

Devido a este cargo, em Outubro de 1982, acumulou com funções administrativas na Imoleasing-Sociedade de Locação Financeira Imobiliária. 

Vitorioso Cavaco, nas eleições de 1985, foi para o governo como já sabemos. Na sequência da vitória do PSD nas eleições legislativas de Junho de 1985.

Em 1986, no 13.º Congresso Nacional do PSD, Cavaco coloca-o em vogal da Comissão Política Nacional do partido e, em Outubro de 1987, presidente da Comissão Política Distrital de Aveiro do PSD.

Depois do “exilio” no BEI, estabelece a sua marcha na banca e na trafulhice deliberada, primeiro na presidência do Finibanco, a seguir na presidência do BPN, no período de 1998-2008. 


Claro recompensou, com galhardia, Cavaco Silva e a família, em especial o seu genro Luis Montez. 

Arguido, no caso BPN/SLN, tendo estado mesmo preso e agora com pulseira electrónica, ei-lo em plena actividade especulativa, com os dinheiros dos contribuintes e o beneplácito de Cavaco Silva como um dos principais accionista da Galilei, a holding sucessora da SLN/BPN.

Para que conste: É o 2.º maior acionista da Galilei, SGPS,SA, com uma participação de cerca de 19 milhões de euros, que corresponde a 3,78 % do capital . 


Na SLN Valor, SGPS, SA, está em oitavo lugar como accionista, com cerca de cinco milhões de euros, correspondente a 3,05% do capital. 

[A SLN Valor, SGPS, SA, é a principal acionista da Galilei, SGPS, SA, com uma participação de 149 089 202 euros, correspondente a 31,65% do capital da holding].

Joaquim Coimbra, um figurão do PSD e da “corte” cavaquista financeira, ascendeu a 4.° maior accionista da actual SLN Valor, SGPS, SA, com €18 373 740, e 10,67% do capital.

Na Galilei, SGPS, SA, desce para 8.º lugar, no respetivo elenco, com uma participação de 8 853 390 euros, correspondente a 1,88% do capital – ainda assim, uma posição superior à que detinha na antiga SLN, SGPS, SA.

Outro diligente servidor de Oliveira Costa é António Cavaco. Detém uma participação de 2 514 120 euros, representativa de 1,46% do capital da SLN Valor, SGPS, SA, de que é vogal do Conselho de Administração. 


Já na Galilei, SGPS, SA, possui duas participações: uma individual, de 5 038 897.50 euros, correspondente a 1,07% do capital, e outra através da António Cavaco Investimentos, SA, de 495 068 euros(0,10%). Outra subida de posição, face ao que detinha na ex-SLN, SGPS, SA.

Outros do homens do antigo homem forte do BPN é Almiro Silva.Vogal do Conselho de Administração da Galilei, SGPS, SA, é o 3.º maior accionista da holding, com 15 870
172,50 euros, ou seja, 3,37% do capital. 

Na SLN Valor, SGPS, SA, é o 5.º maior titular, com uma participação de 15 739 080 euros, correspondente a 9,14% do capital. 

Um outro parceiro.Manuel Eugénio Neves dos Santos. 


É o principal accionista da SLN Valor, SGPS, SA – a cujo Conselho de Administração, aliás, pertence –, detendo, ali, uma participação de 26 243 280 euros, representativa de 15,24% do capital. 

Todos estes dados foram retirados da revista "Visão".

Tudo isto é suportado pela banca. 


A CGD é credora de mais de dois mil milhões. O BES afirma que lhe deve, oficialmente, mais de 180 milhões de dólares. 

O valor real da fraude do BPN/SLN aproxima-se dos 10 mil milhões de euros.

O presidente da Galilei, Fernando Lima, afirmou no Parlamento que o grupo, já reconstituído, conta com 70 off-shores, que ele afirma serem legais e identificáveis, mas não refere que são “processos especulativos escondidos de fuga aos impostos e à fiscalidade”.

Claro que para existirem e terem “valor de mercado” têm de ter suporte financeiro, o que significa que estão bancos por detrás e a sustentá-los. 


Ou seja, os financiadores estão a insuflar dinheiro, e a enquadrar os negócios. E naturalmente, a indicarem os políticos nos jogos de poder.

Viremos, agora, os focos da notícia para o figurão Ângelo Correia, o Paramécia. 


O EMPREGADO, O CAPTAZ E...OS PATRÕES






O antigo Ministro da Administração Interna continua a debitar comentários como se nada passasse. 


E a gerir em nome do capital especulativo e bancário (grupo Ilidio Pinho, BES, BANIF e CGD) um formigueiro de empresas onde está e por onde passou e deixou rasto, que se estende por tudo o que é negócio financeiro, de traficância com as autarquias, de incidência empresarial de movimentação de dinheiro.

Cita-se, para que não se esqueça, não referencio os cargos políticos ou parapolítcos, mas não se devem menosprezar (dois exemplos - Câmara de Comércio e Industria Árabe Portuguesa, presidente; Consul Honorário da Jordânia): 


“1983-1985 - Colep Trading CA

1985-1988 Solidal Condutores, presidente

1987-2001 Imovalor CA

1988-1991 IP Financeira, presidente

1988 Vidago, Melgaço e Pedras Salgadas CF presidente

1989-1991 IP Colepinova, presidente

1991-1993 Tertir terminais, vice-presidente

1991-1998 Liscont contentores CA

1991-1993 Transinsular CA

1991-1995 Philips Portuguesa CA

1992-1995 Presidente Associação das Empresas Operadoras Portuárias presidente

1992-1994 Nacionalgás, presidente

1992-1997 Refrige refrigerantes CF

1994-1995 Fundos Europólis CA

1994-1998 Burgo Fundiários CA

1994-1999 BTA Totta Urbe vice-presidente; Cipol petróleos e Benim imobiliária, CA

1995-1996 Turistrela, presidente

1995-1998 Petrogás CF presidente, Hotel Altis CF presidente,

Somotel CF presidente

1996 Vidago, Melgaço e Pedras Salgadas CA, Prosegur AG presidente

1997-1998 Conferência dos Presidentes das Câmaras de Comércio e Industria Euro-Árabes

1998-2002 Pavilis CA

2000-2002 Drink-In CA, Portgás CA, Pavi do Brasil CA

2001-2002 Lisboagás CA Setgás CA, Figueira Paraindústria, presidente

2002-2005 ALL2IT CA

2010 – Associação de Empresas de Segurança Privada, presidente

Presidente: Lusitaniagás, Tejo-Ambiente, Fomentinvest

Fundação IP Ilidio Pinho, BPI Global seguros, Ecoambiente,

EcoProgresso, Pharma, GDP

Distribuição

Consultor: Philips Portuguesa; Holtman; Thiess Petrosea International Holdings

AG: Ferpinta presidente, Geoger presidente, Solikap-Acessórios Eléctricos

Conselho consultivo: DVH-FBO, Roland, Berger & Partner.

Tudo como dantes, quartel general em Abrantes.

7 – Todo o processo político, que foi percorrido, principalmente, desde a ascensão de Sá Carneiro ao poder em 1980, esteve orientado por uma visão ideológica de fortalecimento do capital financeiro em detrimento da produção industrial e agrícola.

Esse processo foi apurado, com toda a velocidade, durante o consulado de Cavaco Silva.

Como, em todos os processos históricos, existem avanços e recuos, e em fases de governações do PS, houve tentativas de conciliar a predominância desse poder financeiro, com contra-pesos de representantes do capital industrial, principalmente.

O estertor da governação Sócrates, com a suas inúteis medidas de restrição orçamental, dando de bandeja benesses e vantagens ao capital financeiro, injectando dinheiro para “salvar a banca”, com os casos gritantes do BPN, do BPI, do BANIF, da CGD e do próprio BES, nada mais vieram a clarificar o que, realmente, estava em marcha.

O lumpen capital financeiro queria o poder ser reservas, nem restrições.

Os banqueiros traíram a sua condição de “urbanidade” e “não interferência” ao escolherem e prepararem a subida ao poder de Passos Coelho e Portas, começando, a falar grosso, na comunicação e ser reservas, de que o principal era o restabelecimento do capital financeiro, impondo austeridade (aí aguentam, aguentam) em troca da transformação das suas dívidas privadas em dívida pública, aumentando, exponencialmente, o défice do Estado, que está a ser pago pelos contribuintes e pensionistas. (Foram transferidos para a banca, desde a parte final de Sócrates até agora mais de 12 mil milhões de euros e o negócio das Parcerias, Públicas, Privadas (PPD) esbugalho o erário público num valor que se aproxima dos 50 mil milhões de euros).

Foram homens e mulheres como Cavaco Silva, Ângelo Correia, Oliveira Costa, Dias Loureiro, Arlindo de Carvalho, Miguel Beleza, Manuel Ferreira Leite, Leonor Beleza, Henrique Granadeiro, general Ramalho Eanes, Zeinal Bava, Faria de Oliveira, Paulo Teixeira Pinto, Fernando Ulrich, Arlindo Cunha, Fernando Nogueira, Celeste Cardona, Paulo Rangel, Teresa Caeiro, António Lobo Xavier, José Miguel Júdice, Proença de Carvalho e os bispos católicos portugueses, entre muitos outros, que serviram de “barreira avançada” à ascensão a todo o poder da facção mais desclassificada do grande capital financeiro, essencialmente estrangeiro, porque é este que domina as sociedades banqueiras em Portugal.

E são, justamente, esses representantes desse Capital multinacional, essencialmente judeu e do Vaticano, que estão colocados em lugares chaves de decisão: 


Como o secretário de Estado Carlos Moedas, que vindo do banco norte-americano Goldman Sachs, está incumbido pela ESAME (Estrutura de Acompanhamento do Memorando) da tróica, ou seja do FMI, cujo capital é controlado pelas grandes firmas financeiras dos Estados Unidos e que, conjuntamente com António Borges, que foi vice-Presidente do Goldman, dirige os processos de privatização.

Para o lugar importante de Presidente do Instituto de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública nomeou um “puto” chamado João Moreira Rato 
que era funcionário da Morgan Stanley (um banco cujos sócios principais são o Vaticano e o lobby judeu norte-americano) e esteve ou ainda está ligado à Goldman Sachs e ao Lehman Brothers, oficialmente falido. 







Pois este senhor que devia controlar as especulações financeiras das empresas públicas, é o homem que permitiu a mais completa derrapagem dos dinheiros públicos nessas empresas.

E quem nomeou Passos Coelho para dirimir toda a trafulhice com a especulação, que se saberia vir a existir quando descoberta ou alvo de auditoria? 


A senhora secretária de Estado do Tesouro, Maria Luís Albuquerque, que foi directora financeira da REFER, precisamente, uma das empresas onde a derrapagem da especulação mais se faz sentir.

São mais de três mil milhões de contos que estes ladrões encartados vão sacar aos contribuintes para pagar aos especuladores financeiros seus patrões, que naturalmente lhes retribuem como excelentes servidores.

E nem sequer são constituídos em simples arguidos.

8 – Dos jornais: Em 2010, a soma dos resultados do BCP, do BES e do BPI subiram oito por cento.

Os mesmos jornais, citando as fontes dos próprio sistema bancário, referiam, em Agosto de 2012, que os lucros dos cinco maiores bancos portugueses caíram 417 milhões de euros no primeiro semestre face ao período homólogo de 2010.

Somados os lucros dos bancos privados BES, BPI, BCP e Santander Totta com os do banco público Caixa Geral de Depósitos (CGD), no primeiro semestre de 2011, o resultado líquido das principais instituições bancárias a operar em Portugal foi de 479,6 milhões de euros.

Este valor representa uma queda de 417,8 milhões de euros face ao primeiro semestre de 2010, quando os mesmos bancos lucraram 897,4 milhões de euros, ou seja, uma redução de 46 por cento.


Num semestre em que todos os bancos viram o seu lucro diminuir, a maior queda aconteceu no banco Santander Totta, com o resultado líquido a cair 70 por cento em 2011 face ao mesmo período de 2010. 


A CGD apresentou a menor queda, com os lucros do banco público a cederem 16,6 por cento. Apesar da tendência negativa face ao ano anterior, a média combinada do resultado líquido dos maiores bancos fixou-se em quase 95 milhões de euros por instituição nos primeiros seis meses do ano, contra os quase 180 milhões de euros do mesmo período de 2010. 

O banco mais lucrativo foi o BES, ao apresentar lucros de 156 milhões de euros, apesar da queda de 44,7 por cento face ao primeiro semestre de 2011, ou seja, menos 126 milhões de euros. 

Já no primeiro semestre de 2010, o BES tinha sido a instituição bancária mais lucrativa.

O segundo lugar vai para o BCP, com lucros de 88,4 milhões de euros (menos 45,8 por cento do que em período homólogo). 


Santos Ferreira, o presidente da instituição, surpreendeu o "mercado" (os especuladores) na apresentação de resultados ao adiantar que as operações do banco na Europa (com excepção de Portugal) passam a ser não 'core', o que significa que pode vender pelo menos parte da operação na Polónia, para reforçar a apostar em África, mas também no Brasil e na China.

Já a CGD fechou o primeiro semestre com lucros de 83,5 milhões de euros, no momento em que a presidência executiva passa de Faria de Oliveira para José de Matos, e o BPI com 79,1 milhões de euros. 


No caso do banco liderado por Fernando Ulrich, este valor significou uma queda de 20,4 por cento face ao primeiro semestre de 2010. O Santander Totta registou nos primeiros seis meses do ano o menor lucro entre as cinco principais instituições bancárias, de 72,6 milhões de euros, menos 70 por cento do que no mesmo período de 2010. 


Este valor contrasta com o registado do primeiro semestre do ano anterior, quando os 247,2 milhões de euros de lucro do banco liderado por Nuno Amado o posicionaram como o segundo mais lucrativo, apenas atrás do BES. 

Segundo o presidente do banco, o resultado do primeiro semestre de 2011 foi afectado pela alienação de uma carteira de crédito de 2,5 mil milhões de euros que gerou uma menos valia de 56,7 milhões de euros.

"Não há almoços grátis e a venda do ativo fez com que este resultado se tivesse que contabilizar", disse Nuno Amado, na apresentarão de resultados.

Em termos diários, os cinco principais bancos em Portugal obtiveram lucros de 2,6 milhões de euros ao longo do primeiro semestre de 2011.

O que sucedeu, assim tão de repente, com uma banca que respirava “saúde por todos os poros”?


A grande burguesia portuguesa financeira estava no rescaldo da crise iniciada, em 2008, nos Estados Unidos. 


Tinha metido o dinheiro dos depositantes nos produtos especulativos, sem qualquer base de sustentação, e começaram, de imediato, a enviar, em quantidades astronómicos os seus activos mais atraentes para paraísos fiscais e of-shores.

Lançaram todo o tipo de expedientes para sacar do Estado o dinheiro que diziam lhe tinham emprestado. 


Exigiam, em primeiro lugar, que esse Estado, agora ocupado pelo seus governantes, no caso em apreço, os Teixeira dos Santos, mas igualmente por lacaios tipo Daniel Bessa (ministro de um governo PS), Pina Moura (igualmente ministro em governo PS), mas agora ligados ao grande capital financeiro, que era necessário uma Política de Reajustamento. 

Nasceram os PEC`s, que serviram para “recapitalizar a banca”.

Agora, em perfeita harmonia com o PSD, que tinha como interlocutor junto de Sócrates e Teixeira dos Santos, justamente, Eduardo Catroga e Carlos Moedas.

Organizaram um assalto ao erário público, e o Estado, através dos seus agentes Passos/Coelho/Cavaco Silva, transformou-se num “refém” dependente da grande burguesia capitalista financeira mais desclassificada.

Exigem sempre mais, mais capital, mais sangria financeira e económica na Administração do Estado.
Afirmam que é necessário obter o equilibro entre as despesas e receitas para conseguir um sanear o defice orçamental para ter capacidade para relançar a economia. 

Manipuladoramente,  lançam uma campanha desenvergonhada
, segundo a qual as classes assalariadas e os pensionistas que fizeram os seus descontos contratuais de 40 anos com o Estado viviam acima das suas possibilidades. 

Logo, atacar tudo o que era despesa pública que pertencia aos interesses das classes laboriosos e dos pensionistas. 

Esta política produz sempre mais endividamento. 

E continuará a produzir, pois o restabelecimento do equilíbrio orçamental – e isto é o ABC da economia política – só será alcançados quando se atingirem os bastiões do sistema político-financeiro dominante, ao mesmo tempo que se terá de colocar em actividade um enquadramento legislativo, que não permita fugas de capitais, que faça trazer o dinheiro para o interior do país e taxar, com todo o rigor, as fortunas que escapam aos impostos. 

Com a presente situação, só irá piorar a situação económica,social e educacional das classes laboriosos, dos pensionistas sem outras fontes de rendimento.

Logo, o primeiro objectivo de uma política de equilíbrio orçamental tem de se forjar a partir de um governo que entre em ruptura com a actual poder capitalista financeiro. Mesmo com a dureza necessária. 


(Utilizar argumentos que não há alternativa é "choro" de capitalista. Na política, há sempre uma outra via. Naturalmente, terá de haver uma escolha).

E a primeira medida desse governo será o de retirar o poder de decisão do sistema financeiro das mãos da actual fracção burguesa.

Esta é a política alternativa que está na ordem do dia. 


O resto são balelas ou paliativos.

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