quarta-feira, 18 de abril de 2012

TIMOR-LESTE: RAMOS HORTA SUSTENTA QUE ELEIÇÕES NÃO FORAM JUSTAS










Xanana Gusmão, com a sua mulher australiana Kyrsty Sword, que tinha acesso à prisão de Cipinang na Indonésia, quando aquele estava preso




1 – No passado domingo,  teve lugar a segunda volta das eleições presidenciais em Timor-Leste, que vieram a ser ganhas, nas urnas, pelo antigo comandante-em chefe das Forças Armadas do pais Taur Matan Ruak, com uns significativos 61,23 por cento.

Na liça, estava também o candidato do partido FRETILIN,  antigo grupo político e militar da resistência timorense ao ocupante indonésia, que “professou” em tempos idos uma via revolucionária para aquela antiga colónia portuguesa no Extremo-Oriente.

Aparentemente, tratou-se de uma vitória expressiva de Ruak num país governado sob a tutela militar da Austrália, e, por tabela, das principais potências ocidentais.

Timor-Leste é território cobiçado, pois é rico em petróleo e gás natural.

2 – Tirando o formalismo da vitória eleitoral, que os observadores dos países ocidentais se apressaram a considerar como justas e pacíficas, verificamos pelas palavras proferidas pelo ainda Chefe de Estado do país, Ramos Horta, que, na realidade, existiram fraudes, praticadas pela própria instituição estatal dominante, em especial o governo liderado por Xanana Gusmão, que já foi Presidente da República do país.

Referiu, explicitamente, Ramos Horta – e cito as declarações transmitidas pela imprensa internacional - que o actual primeiro-primeiro do país, Xanana Gusmão, que apoiou a candidatura de Taur Matan Ruak, através do Conselho Nacional da Reconstrução Timorense (CNRT), partido que lidera, mobilizou todos os recursos do Estado, do governo e do partido para apoiar o ex-chefe das Forças Armadas.

“Portanto fou uma luta desigual, porque a FRETILIN é um partido e não teve o endosso direito de nenhum outro partido, enquanto o lado do Taur teve toda a máquina do governo e do CNRT por detrás dele”, sublinhou Horta.

Com esta confissão, o próprio Chefe de Estado reconhece que as eleições não foram justas e que a eleição de Ruak esteve viciada.

3 – Como o próprio Horta assinala, nas próximas legislativas, a FRETILIN deve ser o partido vencedor. E, ele sustenta que o que “conta” para a governação efectiva de Timor-Leste são essas eleições.

Ou seja, o poder real eleitoral legislativo irá recair sobre a FRETILIN, que já foi  afastada, anteriormente, da chefia do governo, por uma coligação em que Xanana Gusmão e o próprio Horta montaram para evitar o acesso ao poder daquele partido.

E tal manobra teve o apoio da chamada comunidade internacional, com particular a Austrália.

Iremos ter, a breve prazo, uma situação idêntica à da Guiné-Bissau, com as potências externas, vias intermediários internos, a fomentaram a divisão do povo de Timor?




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