terça-feira, 2 de julho de 2013

A HISTÓRIA NEM UMA NOTA DE RODAPÉ VAI COLOCAR NO PACIFICADOR MANDELA



1 – O “terrorista” Nelson Mandela f
oi preso, em 1962, pelo regime racista do “apartheid”, que era apoiado pelos democratas Estados Unidos da América, cujo Presidente de então se chamava John Kennedy, incensado, na altura, tal como anos, mais tarde, Barack Obama, como campeão da liberdade, dos direitos humanos, enfim, o supra-sumo da democracia formal parlamentar.

A Administração norte-americana de então apoiou a repressão do regime do “apartheid” contra os dirigentes do ANC (Congresso Nacional Africano).

Nelson Mandela foi detido no regresso o seu país, depois de frequentar um curso de guerra de guerrilha na Argélia, para implantar um braço armado militar, Umkhonto we Sizwe, sob a supervisão do ANC, para combater de armas na mão a opressão nazi do regime branco sul-africano, suportado, externamente, pelos Estados Unidos e Inglaterra.


Tal como o regime racista, a administração norte-americana tratou o movimento de libertação da África do Sul, bem como os seus dirigentes, pura e simplesmente, como repelentes terroristas.
“Observadores norte-americanos e ingleses” estiveram presentes no chamado Julgamento de Rivonia, realizado entre 1963 e 1964, na então República Sul-Africana, onde, sem contestarem, o regime de apartheid, assistiram aos pedidos dos magistrados brancos do Ministério Público, que pediam, inicialmente, condenações à morte de 10 dirigentes de topo do ANC, sob uma banal acusação de "sabotagem" contra a “segurança do Estado”, na realidade, um condenação por lutarem pela opressão dos seus povos.

E aceitaram a sentença.

A História, com pormenores, pode ser consultada, com maior ou menor profundidade em profusas resenhas, algumas norte-americanas oficiais, agora empenhadíssimas em “glorificar” o “herói da pacificação”.


Em 12 de Junho de 1964, oito dos acusados, inclusive Mandela, foram condenados a prisão perpétua.
De 1964 a 1982, foi encarcerado na prisão de Robben Island, ao largo da Cidade do Cabo.

Antes esteve em Pollsmoor Prison, próxima do continente.

Aparentemente, ele sempre se recusou a comprometer a sua posição política para obter a sua liberdade.

Mas aconteceu, realmente, assim?. 

Nelson Mandela foi libertado em 11 de Fevereiro de 1990.
Naturalmente, a sua libertação foi negociada. 

Teoricamente, ele não cedeu nas suas ideias da libertação da sua Pátria.

Em 1991, na primeira conferência nacional do ANC realizada no interior da África do Sul, desde que a organização tinha sido proibida em 1960, Mandela foi eleito presidente do ANC, enquanto o seu camarada, Oliver Tambo, se tornou o presidente d honorário da organização.

2 - A mudança política e ideológica do ANC desde os tempos da luta armada de libertação até à entrega “pacífica” do poder do apartheid às mãos desse mesmo ANC, não pode ser vista sob o prisma do humanismo de um homem, nem desenquadrado do desenvolvimento histórico da sociedade sul-africana.

O Estado político actual da África do Sul sofreu, naturalmente, uma evolução, mas a base económica em que assentava o regime do “apartheid” essa é, praticamente, a mesma. 

Houve, no entanto, um “alargamento democrático” à nova burguesia, saída do ANC, mas a sociedade civil está dependente, precisamente, do poder económico daqueles que já lá estavam antes.
A sociedade sul-africana de 1963 até 1990 sofreu uma acção interna na sua evolução económica, mas igualmente externa, de toda a nova estrutura política que surgiu à sua volta, principalmente, desde a queda do regime colonial português, particularmente, o que sucedeu em Angola e Moçambique, mas também na Rodésia do sul do “apartheid” de Ian Smith, para a independência liderada, após uma longa guerra civil entre o governo branco e duas organizações guerrilheiras africanas (ZIPRA e ZANLA, de Robert Migabe e Joshua Nkomo, respectivamente).

Em 1979 o Reino Unido concedeu, o que era um facto, as guerrilhas venceram a guerra interna, afastaram Smith e um novo Estado começou a ser construído.

Nas eleições realizadas em 1979, venceu um bispo protestante de nome Abel Muzorewa, considerado pró-ocidental. Nas eleições de 1980, foi o partido de Mugabe o vencedor. O poder económico, que estava nas mãos dos racistas brancos, foi nacionalizado.

Com as independências de Angola e Moçambique, embora fomentadas no meio de uma agitação interna num conluio EUA/África do Sul, a conflitualidade na África do Sul cresceu neste último país. 

Cada vez mais se recorria a enfrentamentos violentos, para destruir o poder do “apartheid”.
A sociedade sul-africana desde 1963 sofreu uma grande evolução.

O estado do desenvolvimento da sua estrutura produtiva incrementou um nova indústria, o que levou ao crescimento e à constituição social de novas cidades, nos arredores dos centros populacionais dos brancos, formadas por milhões de trabalhadores pretos arrancados às suas terras.

O poder do “apartheid” estava cercado. O ANC começava a modificar, no entanto, a sua linha e programas políticos.
O “eixo” da negociação entre o poder do apartheid e os dirigentes, com largos anos de prisão, como Mandela, foi a manutenção da estrutura económica e política do seu sistema produtivo, com o alargamento político parlamentares ao ANC:

Naturalmente, o ANC ganhou o poder parlamentar, deixando permanecer toda a situação das relações sociais. 

Ele, ANC, com a cobertura de um conjunto de personalidades, lutadores pela emancipação, que aos olhos de largas camadas das populações se tornaram heróis, pois sofreram, na realidade, torturas e repressões, pacificou e obscureceu uma realidade: as formas económicas do apartheid permaneceram nas mãos da mesma classe política.

Por isso, são incensados pela classe política dirigente mundial. Incluindo, o assassínio norte-americano, de origem africana, chamado Barack Obama, que pertence, na vida profissional, a um grande escritório de advogados ponde predominam os judeus que servem os interesses da Wall Street.

3 – A realidade: A África do Sul é um dos maiores produtores de ouro e diamantes.

Hoje, como em 1963. Os verdadeiros senhores dessas riquezas são simplesmente os mesmos: os Rothschild, os verdadeiros proprietários da De Beers e da Anglo-American.



A mudança governamental, com a ascensão do ANC, amorteceu uma grande tensão evitou o aprofundamento de um fosso revolucionário, mas não abateu grandes diferenças entre as classes sociais. 

A de ascendência europeia, enraizada principalmente, na média e grande burguesia, tornou-se cada vez mais rica, até porque dominou o capital financeiro e as classes laboriosas, de origem autóctone, empobreceram.
Além do ouro e diamantes, o país é rico em platina, carvão antinómio, ferro, manganês, urânio, bem como em metais menores como crómio, vanádio e titânio.

Pode ainda referir-se que industrialmente, a África do Sul é dos países mais fortes de Àfrica, contando com hidro-energia, nuclear, e mesmo hidrocarbonetos. E a agricultura e o turismo.

Mas tudo isto está enormemente distribuído em desigualdade.
E as tensões persistem e vão aumentar, quando o “mito” Mandela desaparecer. As separações vão recrudescer e períodos de intensa luta de classes vão ter lugar.

Esse é o medo das classe dominantes mundiais, que “vegetam” em elogios, como lágrimas de crocodilo, a Nelson Mandela.






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