quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

O COMÉRCIO DE ESCRAVOS MUÇULMANOS E A HIPOCRISIA DO CHAMADO MUNDO OCIDENTAL

1 – Assistimos, nos últimos anos, a um sistémico movimento *clandestino* de navios e embarcações, que zarpando de países muçulmanos da orla mediterrânica, procurando fazer chegar, em condições infra-humanas, milhares, centenas de milhares ou, talvez já milhões de pessoas – homens, mulheres, crianças, das regiões subsarianas a uma vida melhor na Europa.

Claro que este lucrativo *mercado de escravos*, (igualmente utiliza a rota de Marrocos e as praças coloniais espanholas de Ceuta e Mellilla), somente pode existir, com a conivência, cumplicidade e aceitação das autoridades estatais dos países envolvidos.

E estes envolvidos – atinge, acima de tudo, os europeus, como nos EUA, os hispânicos, na *passagem clandestina* da fronteira fortificada e controlada por Washington - que, de maneira criminosa, “fecham” os olhos, permitindo entradas condicionadas – podem facilmente saber-se quantos migrantes regressaram aos seus territórios de origem – para organizar o mercado de trabalho, com salários abaixo dos valores estipulados e legalmente contratados na União Europeia.

Tal como os portugueses, espanhóis, gregos e jugoslavos, nos anos 50/60 do século passado, estes escravos subsarianos africanos e árabes actuais, são, na realidade, o último exército industrial de reserva – o mais vil e repugnante – dos tempos modernos, tal como o definiu há 150 anos o pensador, filósofo e economista alemão Karl Marx.

Nesta fase da evolução do Capital, na sua forma mais rapace de lúmpen capital financeiro, necessita de um desemprego estrutural permanente, pensando que tal modelo desagregará qualquer possibilidade da força de trabalho se unificar para destroçar o falido modo de produção capitalista, que inicia, paulatinamente, o caminho – que pode ser até longo – para ser substituído por um novo tipo de sociedade mais igualitária e fraterna.

2 – Com o Mediterrâneo enxameado de navios de guerra – Os EUA mantêm, em permanência, a 6ª Esquadra, sedeada em Nápoles, pelo menos, com 40 navios, com porta-aviões (incluindo reabastecedores), 175 aviões; a Rússia terá, segundo informações do Estado-Maior Naval, doze navios de guerra, dos quais dois porta-aviões, a China enviou, pelo menos, o ano passado três navios, dois com lança-mísseis cruzeiro, durante um certo período, àquele mar, onde em 2014, efectuou exercícios conjuntos – como será possível a circulação de navios *clandestinos* sem qualquer controlo?

O Mar Mediterrâneo deve ser, neste momento, uma das zonas marítimas mais monitorizadas e «passadas a pente» por navios de guerra ultra-modernos, por aviões sofisticados, por satélites de tecnologia de ponta, por uma chusma de sistemas de serviços secretos em terra.




Ilha de Lampedusa: campo de refugiados

Todos estes controlos fazem-se justamente, na sua maioria, junto das costas dos países islâmicos.

Além do mais, os países donde partem esses navios carregados de gente não sabem o que está a suceder?

A estória está, realmente, mal contada, ou melhor dizendo está distorcida propositadamente, porque quer os países com navios de guerra em larga escala, quer os Estados muçulmanos sabem, perfeitamente, o que se está a fazer.

Os *escravos* subsarianos seguem rotas, com muitos *trilhos*, desde o Mali, Tchade ou Níger, alastrando desde o Iémen à Eritreia, e, vão dar a portos ou regiões costeiras precisas, onde embarcam em navios ou embarcações às centenas, e, isto normalmente de portos ou embarcadouros de certos de determinados países, numa deslocação de muitos dezenas de milhares de quilómetros, sob a supervisão de *passadores* que tem, necessariamente, de atravessar fronteiras, com a conivências das suas autoridades (militares, paramilitares ou civis).


Rotas de *clandestinos* subsarianos

Não há, portanto, *clandestinos*, há seres humanos que são atraídos pela miragem de uma nova vida por gente bem colocada em África e na Europa.

Os jornais estrangeiros de há dias atrás noticiavam que *as viagens podem render mais de um milhão de euros aos traficantes, que começaram a recorrer a embarcações de maior porte*.

Quem lhes permite tal *orientação*, quem os dirige?

Dos jornais dos últimos dias, que relatam o caso do navio *Ezadeen*, encontrado à deriva ao largo da Grécia.

Vamos verificar a rota: o navio de 73 metros estava registado na Serra Leoa. 

De onde partiu? Da Turquia, aportou ao porto cipriota de Famagusta (logo, território da UE!!!), depois de ter metido mais gente em Tartus, Síria, onde existe uma base naval russa.

Ora dias atrás, foi posto à deriva um outro cargueiro, o “Blue Sky”.

De onde partiu? Da Turquia.

Os tripulantes abandonam um navio no alto mar e desaparecem de um momento para o outro?

Estão perto de países da UE: Grécia ou Itália, e ninguém repara?



O movimento de navios faz-se em espaço de mar limitado

De certeza que não fugiram, em barcos a remos, para a Turquia…

Os *clandestinos*, mais cedo ou mais tarde, mais mês, menos mês, vão ser *encarreirados* subtilmente para o mercado de trabalho europeu dos dois euros à hora!!!.

3 – Esta sacanagem organizada dos capitalistas europeus, através de intermediários (para onde recai o ónus do ódio, depois) não é de agora.

Aconteceu nos anos 60, com portugueses.

(Como foram humilhados, esses homens...pelos civilizados franceses do poder político, quando as movimentações quase revolucionárias, como o Maio de 1968, obrigaram o patronato e o governo a forjar o que se chamou o Estado Social.

Então quando se igualizaram os salários e se legalizaram os emigrantes, estes passaram a ser párias!!!)

O patronato francês queria *mão de obra* indiferenciada a baixo custo para as grandes obras, mas, havia uma forte estrutura sindical interna.

Então, virou-se para os países da periferia europeia (Portugal, Espanha, Itália, Jugoslávia), turcos e magrebinos.
Começou o fluxo migratório.

Fixemo-nos no caso português, porque o conhecemos melhor (da História e por razões pessoais – eu sou o único dos irmãos que não emigrou, vários tios também o fizeram, assim como a maioria dos primos directos. Alguns faleceram em França a trabalhar nas obras de construção civil).

Claro que o regime português de então não podia afirmar, abertamente, que os seus cidadãos deveriam fazer o caminho da emigração, pois não admitia sequer a miséria em que se vivia.

Tinha de permitir tal, mas com *cautelas* dos regimes ditatoriais.

Não o transmitiu para o exterior, mas discutiu tal orientação internamente.

No Congresso do Mundo Português, 1940, o tema foi debatido e teorizado pelos altos responsáveis – políticos e capitalistas - da altura, incluindo o Presidente do Conselho de Ministro António Salazar.

Este afirmou taxativamente: *Mesmo que supuséssemos o aproveitamento integral das terras irrigáveis e baixássemos para um hectare o lote a distribuir por família (colonização interna.NM), teríamos conseguido estabelecer 150 mil famílias, e , a 4 ou 5 pessoas por família, 600 a 700 mil indivíduos. Ficamos longe da absorção total*.

Ora, para Salazar só havia um caminho para evitar *caos social* a emigração, seja ela qual for.

Mas, esta saída, além da planeada com os países acolhedores, essencialmente França e Alemanha, deveria ser *permitida* pela via ilegal.

Ora, nas fronteiras quem controlava este movimento eram três forças policiais: PIDE/DGS, GNR e Guarda Fiscal.

Que tinham as suas correspondentes - da «corrente» do que se chamava «passadores» - na Espanha, (no caso que conheço a Galiza, a Guardia Civil) e a *gendarmerie* na entrada em França.

Toda em sintonia, sacando os respectivos dinheiros desembolsados pelos *clandestinos*.

Na época actual, as autoridades portuguesas já não têm pejo de lançar, publicamente, apelos para a fuga maciça dos portugueses desempregados, naturalmente, para *evitar o caos social*.

“Jovens, desempregados e professores. Todos foram alvo de declarações de membros do Governo incentivando-os a procurarem emprego onde existe: lá fora”. Ver a reportagem completa no *Jornal de Negócios* de 17 Janeiro 2013

A terminar, deixo à consideração uma reportagem de um cidadão francês (de origem haitiana) que acompanhou a emigração portuguesa nos anos 60.
Para que conste.


PS. Aconteceu hoje o atentado vil e 
barbárico de Paris contra o jornal 
satírico de esquerda «Charlie Hebdo», 
detestado pelo poder político e 
económico francês - e claro odiado 
pelos fanáticos religiosos, sejam 
islâmicos, judeus ou católicos.

Aponta-se o dedo imediato para *jiadista*. 

Pode ser que sejam eles. 

Mas também pode haver o *dedo* de 
quem esteja interessado em fomentar 
guerra *inter-étnica*.

A luta de classes na Europa e 
especialmente em França pode 
esquecer e ter em mente objectivos 
muito escondidos...

Vão ser precisas provas muitos 
circunstâncias do sucedido.



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