terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

SÓ UMA GRANDE CRISE NA EUROPA E EUA PODE DAR RUPTURAS NO ACTUAL SISTEMA








1 - Com o eclodir da crise financeira e económica de 2008, o que ficou visível, em termos de economia política, é que os poderes económicos que dominaram e formaram a sociedade capitalista que criou a chamada "Grande Depressão" e a enquadrou, políticamente, nos anos 20 e 30 do século passado, através de regime ditatoriais, com ou sem formas parlamentares (mas no fundo todos mantiveram parlamentos, ainda que formais, incluindo os dos EUA), são, novamente, os mesmos poderes que estiveram na origem da actual crise e estão a reorganizar essa mesma vida societária, sob a sua batuta.

Esses poderes, para se equilibrar no seu centro de poder que é, em primeiro lugar, os Estados Unidos e a União Europeia, estão a "distrair", neste momento, o centro da turbulência, procurando afastar todo o séquito de presidentes, reis, ministros, generais, magistrados, dos seus "territórios de interesses nacionais" para que se reformem governos, sistemas bancários, sinecuras militares, de modo a reaparecer como verdadeiros poderosos, que até ajudaram a fazer implantar a democracia no mundo!!!


Mas, perante uma crise desta envergadura, justamente, no centro dos poderes económicos e produtivos mundiais de primeiro plano, o que temos de analisar é a razão porque se está, nessas regiões, a desenrolar uma resistência menos tenaz e demolidora das classes assalariadas.


(Este interregno deve levar-nos a meditar e analisar, com espírito crítico, precisamente o que de complexo se interligou, nestas décadas todas, que, apesar de fases profundas de movimentações revolucionárias, de agitação social em larga escala, porque veio ao de cima o carácter mais retrógrado da burguesia capitalista, cujo pico saliente é o desenvolvimento da crise actual, inciada em 2008, que está a levar ao maior rectrocesso económico e político entre os sectores mais explorados da sociedade).


Temos de reconhecer que estamos, na realidade, a sentir - com tal crise, que não está ater uma resposta à altura - de forma aguda o que significa um retrocesso revolucionário de grandes dimensões em todo o Continente Europeu e nos Estados Unidos, desde os anos 60, e que esta derrota está intimamente ligada ao desaparecimento do espírito revolucionário, o que, em termos práticos, teremos de associar à não existência de um partido com um programa revolucionário mundial desde há 80 anos, mas essencialmente europeu.


E isto porque foi, pois, no continente europeu que, apesar de tudo, se deram as maiores movimentações e convulsões progressistas e, em certos casos, mesmos de cariz revolucionário, como sucedeu em Portugal em 1974/75, em França em 1968, e, em grande medida toda a agitação efervescente de Itália dos anos 60/70. E, noutras circunstâncias, todo o período de distúrbios que percorreram o leste europeu desde os anos 50 até aos anos 90.


2- Ora, este retrocesso revolucionário - melhor dizendo, esta derrota - dos partidos revolucionários que estiveram na frente das batalhas dezenas de anos antes da segunda grande guerra, não se pode explicar pela má liderança de um homem, nem pela má gestão partidária de uns outros quantos, nem da parónia pessoal de um outro qualquer em quem acreditávamos, acriticamente, como se fosse o lider do proletariado revolucionário internacional.


Apesar de toda a fase de inexistência de um partido revolucionário, nacional, europeu ou mundial, durante toda a época que vai desde o surgimento do fascismo e do nazismo na Europa e na América, o que é certo é que, em certas épocas históricas, como na Alemanha dos anos 20/30, ou na Europa após a II Grande Guerra, e em anos posteriores em França, por exemplo, o triunfo do movimento revolucionário esteve mais perto de acontecer, mesmo quando se pensava que as épocas ditatoriais estavam mais cimentadas do que nunca.


Foram períodos históricos terríveis, porque se pensava que as subversões eram impensáveis. Que se instituia a ideia - ou se procurava lançar pela massacragem sistemática da propaganda nazi-fascista ou democrata ditatorial norte-americana do mckartismo - que toda e qualquer Revolução era um acção de fanatismo, de seres abjectos e sem qualificação.


Pessoas essas que, na opinião do poder dominante, procurava instilar no povo que a Revolução não era um direito histórico que ele conquistou ao longo das suas convulsões subversivas e mudanças de sistema político.


3- Desde chamada crise do petróleo dos inícios dos anos 70, que surgiu, precisamente, num refluxo dos surtos subversivos e revolucionários que percorreram, essencialmente, a Europa Ocidental e os Estados Unidos, teve lugar a partir dos meados dos anos 70 do século passado uma fase de ascenso económico, que foi incensado com a criação da União Económica Europeia.


Ora, deste então, o traço marcante político foi o incremento constante do sistema reaccionário em toda a Europa e na América do Norte, e o traço económico o desenvolvimento acelerado do modelo económico capitalista assente na maior especulação sem freio do capital financeiro.


Para resolver esta evolução negativa para os interesses das classes assalariadas, um novo ciclo revolucionário somente poderá criar raizes se houver uma nova crise multilateral, que ponha em marcha milhões de explorados em torno de um programa que preconize uma transformação radical económica, lance uma substancial revolucionamento da organização social.


Mas, para que isto tenha os pés assentes na terra e se movimente para um objectivo que seja transformador é necessário que sejam as massas trabalhadoras que estejam na cabeça desse movimento e ajam com preserverança e ideias precisas do que é necessário mudar, fazer rupturas.


Acreditar que o movimento espontâneo será suficiente para criar a ruptura, é cair nos velhos slogans do voluntarismo que nada de real trouxe para o avanço da humanidade.


È preciso preparação, persistência, muito trabalho de agitação, mas formado em torno de um programa de Revolução.


4 - Ora o centro desta ruptura, desta verdadeira ruptura, está na União Europeia, ela é hoje o centro produtivo mais compacto e avançado do mundo capitalista; é o espaço onde se movimentam os sectores mais conscientes das classes laboriosas; é o espaço onde se deram as experiências mais marcantes de surtos e movimentos revolucionários mais profundos e mais vigorosos.


É aqui que se deve formar, criar a base de um partido com um programa revolucionário avançado.















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