terça-feira, 26 de julho de 2011

LÍBIA: O SILÊNCIO ENSURDECEDOR ANTICAPITALISTA



Que silêncio!!!






1 - Seis meses após o ataque criminoso de guerra da NATO à Líbia, em especial dos Estados Unidos da América e Itália, o silêncio cúmplice desta atrocidade por parte da chamada "esquerda anti-capitalista" no arco parlamentar português é ensurdecedor.



E mais ensurdecedor se torna, não porque o regime de Líbio, liderado pelo coronel, é uma ditadura repressiva, mas sim porque essa "esquerda" está a apoiar, no fundo, as acções neo-colonialistas do capitalismo internacional, ao não denunciar, precisamente, essas orientações e ter colocado, em marcha, todo o tipo de acção, a nível europeu, pelo menos, onde mantem vozes nas instituições parlamentares da União Europeia.



2 - Em torno do ataque à Líbia não está em jogo apenas mais uma "guerra pelo petróleo" está, em cima da mesa, um projecto de nova redistribuição geo-estratégica de salvação do capital financeiro parasita mundial.



A intervenção brutal e desumana da NATO - não se pode esquecer que esta estrutura belicista existe apenas porque os EUA a mantêem - e dos seus comparsas criminosos europeus (Cameron, Belusconi e Sarkosi) está toda ela planeada, há muito, em torno da evolução económica que se deu não só na Europa, China e Índia, mas igualmente, porque toda a África se começou a movimentar oara a criação de um "espaço comun económico", baseado no "modelo" europeu e em oposição a supremacia norte-americana.



Os movimentos recentes surgidos, quase todos ao mesmo tempo, na Síria, Egipto, Líbia, Tunísia, Argélia, Iémen e Marrocos, tendo no seu bojo uma intervenção popular de oposição aos seus regimes ditatoriais, foram quase todos realizados em concertação com as hierarquais militares internas, que controlaram, em três tempos, as quedas dos seus ditadores, excepto, justamente, na Líbia e na Síria.



Um traço comum a todos estes "rearranjos internos" nos países do Magreb e, em menor escala, no Médio-Oriente, está uma estratégia económica de relançamento do capital financeiro parasitário internacional, centrado em Washington e concertamente no lobby judeu, que se situa em Wall Street e Israel.



A realidade é que, desde a crise do petróleo de 1973, em todos os países do Magreb, Próximo e Médio-Oriente, se estabeleceram poderes que incrementaram a sua evolução económica, com um afastamento mais acentuado, de um lado, mais atenuado, de outro, de uma pata demasiada opressora do militarismo norte-americano, embora tivessem submetido os seus negócios ao arbítrio de Wall Street.



Um facto é que desde os inicios deste século se notou uma aproximação constante desses países à UE e um número significativo deles se pronunciou por uma nova moeda de troca, em especial o euro em formação em detrimento do dólar.


Ora, a operação Líbia ( e a Síria noutras condições) adquiriu uma projecção maior, porque não se deu a mudança do poder político que o capitalismo financeiro parasitário de Wall Street preconiza.


E isto é grave - para os EUA e Israel - precisamente porque a Líbia é um dos países não só do Magreb de mas todo o mundo com uma das maiores riquezas minerais actuais, o petróleo e o gás. Dizem os especialista que contem mais do dobro das reservas globais petrolíferas dos EUA.

A Líbia está entre as maiores economia petrolíferas do mundo, com aproximadamente 3,5% das reservas globais de petróleo, mais do dobro daquelas dos EUA. As suas reservas de gás estão estimadas em cerca de 2.000 mil milhões de m3.


A Líbia, além do mais estava a investir o seu dinheiro fora da alçada do sistema banqueiro controlado por Washington.


Ora, esta situação forçada obriga a NATO/Washington e os seus acólitos mais directos a apostar numa espécie de "economia de guerra" para conseguir evitar um descalabro financeiro e económico interno.


É, por cause, um incremento económico interno para insuflar um balão de oxigénio à sua economia que ameaça entrar em decadência.


Com a produção nacional em recessão, Washington opta pela manutenção em crescimento dos encargos militares, mantendo em actividade imperial o seu complexo industrial-militar.


Mas, esta opção está trazer também uma dívida pública crescente. A militarização traz um reservo da medalha: a exaustão física, económica e moral do Estado. "A guerra é um negócio" para os estrategas capitalistas internacionais, mas também pode trazer "o bicho da madeira" da sua destruição interna.



3 - Aqui é que entra a política anticapitalista. A denúncia, a luta e o apoio aos que se opõem à servidão (económica e política) e a maior arma de arremesso dos revolucionários para isolar os fautores do Império.



Escrevia, há 70 anos, o poeta andaluz Rafael Alberty, criticando os seus homólogos que se escusava a lutar contra o franquismo. "Onde estão os poetas andaluzes de hoje?".






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