domingo, 8 de junho de 2014

ELEIÇÕES EUROPEIAS: A ECONOMIA VAI DECIDIR A MUDANÇA

1 – No passado dia 25 de Maio, houve eleições para o Parlamento Europeu (PE), onde, pela primeira vez, se apresentaram e fizeram campanha, a par dos candidatos partidários nacionais, abrangendo todos os Estados membros da União Europeia (UE) candidatos trasnacionais, que representaram algumas das “famílias políticas”, à liderança do Conselho Europeu.

Estas eleições deram-se no meio de uma profunda crise do capitalismo mundial, e, em particular, do lumpen capitalismo financeiro, e, de uma descrença generalizada nas instituições enquadradas pelo parlamentarismo burguês e nos partidos que dominaram (e ainda dominam) o aparelho de Estado, quer da UE, quer dos Estados nacionais, especificamente, o que se enquadram nas “famílias” do PPE (Partido Popular Europeu), e S & D (socialistas e sociais democratas, ligados à esquelética Internacional Socialista).







O que parece ter sido um descalabro para a União Europeia pode não o ter sido.  

A Europa não está isolada da crise do capitalismo, que abala, em primeiro lugar, os EUA, a Rússia, a China, a Índia, o Brasil, entre outros BRICS.

A questão terá de ser posta na capacidade económica e politica de resistir ao impacto de uma nova crise económica mundial que está na forja.

Ir-se-á verificar a evolução da actual situação nos próximos meses, quiçá, no espaço de um ano.

Teremos de analisar estas eleições, não pelo prisma, de um conjunto de estatísticas, que claro não deve ser menosprezado, mas, principalmente, como uma luta política.

E este acto eleitoral não está isolado numa única luta política, faz parte de contínuas lutas políticas, que ocorreram na Europa, mas não só, nas Américas, África, Médio-Oriente, Extremo-Oriente.

Ora, estas lutas políticas são, essencialmente, lutas de classes – embora a burguesia dominante tende a fazer obscurecer esta realidade.

De maneira incipiente, titubeante, os numerosos conflitos políticos que se deram na Europa, nos últimos sete anos – balizemos com a crise de 2007 – tiveram, em parte, um desejo de libertação política.

Ao longo desses anos, mas de maneira evidente e continuada desde 2010, multiplicaram-se os conflitos sociais e os protestos de rua, bem como greves nacionais e mesmo supranacionais na zona euro, mas não só mesmo em Inglaterra: Irlanda, Itália, Espanha, Portugal, França, Alemanha,  Holanda, Bélgica, Polónia, Roménia, Bulgária.

Greves nacionais, marcadas para o mesmo dia, 14 de Novembro, deram-se em Portugal, Espanha, Chipre, Grécia, Itália, França e Bélgica.



Mas também questões de emancipação nacional dentro de Estados, essencialmente, porque o centro de decisão política deixou de ser a capital territorial para ser, na realidade, o centro da UE, ou seja nesta caso Bruxelas.

Toda esta movimentação popular tem e tinha um objectivo comum: contestar a política de austeridade dos diferentes executivos e da comissão europeia, ou sejam, os partidos dominantes das famílias PPE e S & D, bem como o poder real do capitalismo financeiro, que continuava a beneficiar com essa política.

Depois do acto eleitoral de 25 de Maio, começamos a descortinar, pelo meio do aumentos abstencionistas, nulos e brancos, e, pela votação em partidos e grupos novos e emergentes, que essa luta política, em parte abertamente classista, traz no bojo um desejo crescente de libertação económica de largas massas populares do domínio avassaladora do grande capital financeiro.

Ou seja, a vontade de transformação da União Europeia, como entidade estatal supranacional.

Vontade esta que se está a forjar, com todas as inconsequências, contestações, erros crassos das classes dominantes, mas só será determinada, num certo prazo, pelas próprias necessidades das suas sociedades nacionais, que são mudáveis, mais lenta ou mais rapidamente, pela relação de forças que se vão criar nos próximos meses entre as várias classes e fracções de classes, que minguaram ou despontaram com essas eleições.

E, acima de tudo, pela evolução que as próprias forças produtivas irão tomar, possivelmente, num ano ou dois, e pelo avanço, ou não, do comércio europeu face a outras potências ou grupos de países.

2 – As eleições para o Parlamento Europeu começaram em 1979.

Quando se iniciou este processo democrático de parlamentarismo burguês, já a burguesia dominante se enraizara e estabelecera a industrialização e o comércio ultrapassando as barreiras nacionais nos países mais avançados da Europa naquela altura (com excepção da Inglaterra que sempre fez de cavalo de Tróia na unidade europeia).

E, essa burguesia que fomentara uma verdadeira revolução económica na Europa, se bandeara, progressivamente, do incremento industrial e da cooperação harmoniosa inter-Estados, cujos resquícios vão até aos anos 80, para o apoio, sem qualquer pejo de vergonha, para a subserviência descarada ao grande capital financeiro (os bancos, as companhias de seguros, a especulação bolsista, o branqueamento de capitais, o fomento global do comércio de drogas).

E essa mudança dá-se de maneira evidente com a crise económica-financeira mundial de 1973, que ficou conhecida por crise do petróleo.

//O  caminho para a unidade europeia começou, justamente, pela grande indústria, centrada no carvão e no aço.

Daí  nasceu, a partir de 1950, a respectiva Comunidade, com a sigla CECA.

Seis países fundadores: Alemanha, Bélgica, França, Itália, Luxemburgo e Holanda. Um êxito.
Tal permitiu em 1957, avançar para a Comunidade Económica Europeia-CEE.

O passo seguinte assentou na institucionalização de uma pauta aduaneira harmonizada.

Depois em 1959, entra em vigor um Acordo Monetário Europeu, que vai dar cerca de 30 anos depois o euro.

Em 1962, inicia-se a Política Agrícola Comum (PAC), que permitiu a auto-suficiência alimentar e o estabelecimento de um rendimento razoável para os agricultores.

Mais tarde, distorcido pelos excedentes e pela política de supremacia dos grandes Estados produtores face aos pequenos e, principalmente, periféricos, cujos dinheiros de implantação de um novo sistema produtivo foram desviados para interesses pessoais.

Estava formado, em 1968, com a supressão dos entraves alfandegários, o maior mercado mundial.

Que se vai estender, por vários partes do globo, com acordos e parcerias.


Inicia-se, em paralelo e depois mais tarde, os alicerces de uma nova estrutura política. 

Primeiro a Assembleia Parlamentar e o Tribunal de Justiça//.

Este avanço para uma nova Europa, de paz e cooperação, atrai as burguesias ávidas de fazer parte desse grande mercado comercial.

Começam os alargamentos.

Não só na Europa, mas praticamente em todo o mundo, em especial centrado nos Estados Unidos, era a grande burguesia que passou a dominar.

E, se antes, havia uma intervenção de incremento desenvolvimentista da burguesia industrial, desde essa altura, a supremacia passou para uma facção particular da burguesia dominante, a financeira, com destaque para um conjunto em ascensão sem freio, nem modos, a lumpen grande burguesia capitalista, que assoberbou os grandes bancos, as enormes seguradoras, o controlo das bolsas de valores, as grandes vias de comunicação e meios de comunicação, e, um sector da burguesia proprietária de grandes terras, enriquecida com os subsídios governamentais.

Como uma nuvem pavorosa, através dos seus lacaios, impuseram os seus ditames nos parlamentos nacionais e europeu, distribuíam os “tachos” e sinecuras, impuseram um modelo de governação da Administração Pública.

Começava a haver uma subversão do caminho europeu, que se acentuou à medida que se alargava o espaço da UE.

Esta mudança representou;

por um lado, um desenvolvimento tal do grande capital, que face ao incremento da situação económica atingiu um patamar de inutilidade como classe, e, portanto, se verifica que começa a ser supérfluo.

O que significa, em termos de economia política, que se tornou um travão ao próprio desenvolvimento social – e acima de tudo – se afasta da produção necessária para satisfazer as classes laboriosas, que estão a ganhar espaço e consciência de que podem dirigir, elas próprias a sociedade;

Por outro,  os indícios, que dão o aparecimento de forças políticas em crescendo do lado “direito” e do lado “esquerdo” das famílias dominantes, estas a definhar – e isto iremos analisar mais à frente -, são um dado objectivo, que pode não significar mudanças imediatas, porque ninguém sai da arena política sem ser empurrado, sem que as forças sociais produtivas em movimento possam determinar  que as relações políticas avancem para formas reaccionárias ou revolucionárias.

3 – O período que vai desde o primeiro acto eleitoral directo do Parlamento Europeu, em 1979 até 2014, tem uma linha contínua de 35 anos que enquadra, ainda que de maneira visível a partir da legislatura iniciada em 2004, um decréscimo acentuado dos partidos dominantes da gestão da UE.
_________________________________
Percentagem de participação – 1979/2014(Oficial)
 1979/1984 /1989 /1994 /1999 / 2004/2007/2014
61.99/58.98/58.41/56.67/49.55/45.47/ 43  /43.09
_________________________________

Depois de serem o “eixo” fundador e impulsionador da união económica europeia; de terem lançado os alicerces da sua unidade política, e de impulsionarem um conteúdo burguês capitalista parlamentar, as duas famílias política – PPE e S & D – (e, em grande medida, darem uma contribuição para desmembrar o que restava de um proletariado avançado), assiste-se a um progressivo afastamento (em que alguns partidos entraram em desagregação ou caminham para ela).


Ou sejam, estão a deixar de ser os partidos centrais dos interesses do grande capital.

No evento eleitoral de 25 de Maio, o PPE – com os seus aliados primaciais – e os S&D – já elegeram um número de deputados inferiores a 50 por cento (331) do total do Parlamento Europeu (751), ou seja 44% dos parlamentares que receberam menos de metade dos 43 por cento de votantes em partidos.

A quebra de deputados daquelas duas “famílias” foi muito acentuada: no conjunto quase 70 deputados, ou seja cerca de 10% dos 751 da totalidade de 2014 para o PE.

(PPE passou de 274 em 2009 para 221 e o S&D de 196 pra 190, com um conjunto de parlamentares de 732).

O que representa um traço contínuo desde 1979 é a descida constante na participação no acto eleitoral: naquela data foi de 63%, em 2014 atingiu os 43,09%.

E o declínio é de tal modo sistemático nos partidos iniciais dinamizadores da CEE, e, depois da UE, com especial evidência, para os chamados socialistas/sociais democratas da raiz saída da II Internacional, que, na prática, alguns deles já sucumbiram como o PSI (em 1992, obteve apenas 2,2%, quando o seu secretário-geral Bettino Craxi era primeiro-ministro e, em 1993, acusado de corrupção, fugindo para a Tunísia, onde faleceu. Esta acusação envolveu também a Democracia Cristã e o Partido Social Democrata, idêntico ao português, com o mesmo nome, e até o PCI, nas lideranças de Alessandro Natta e de Achille Occhetto, partido este que, aliás, se desfaz em 1991).

Outros caminham para essa “cova profunda” como o PSF, de onde emana o actual chefe de Estado gaulês, eleito por maioria de 51,6%, devido à concentração de votos à esquerda, tem perdido consecutivamente, de 2004, mas com mais visibilidade desde.

Mas neste último país, um outro “afundamento” se deu com o principal partido da “família PPE”, o UMP, que desce de 27,8 % e 29 deputados, para 20,79% e 20 deputados.

A Frente Nacional (FN), partido capitalista fascista, ascende de 6,3% e 3 deputados para 24,95 e 20 deputados.  

No acto eleitoral de 2009 recebeu 16,48% dos votos expressos e 12 deputados, passando em 2014 para 13,9% e 13 parlamentares.

Mais significativo é o PS grego (PASOK) e o PSOE (a realidade que teve 36,55%, dos votos em 2009, oito deputados, e em 2014 se quedou nos 8,1% em aliança com outros pequenos partidos, quatro deputados).

Em Espanha, entre 2009 e 2014, houve uma quebra de votação expressa, acentuadíssima, entre os partidos do poder nacional (PP e PSOE), o primeiro desceu de 42,23% (23 deputados) para 26,06% (21), o segundo de 38,51% (21) para 23% (14).

Os dois partidos entraram, de imediato, em crises profundíssimas, que se alastraram,mesmo, por tabela, à questão do regime (monarquia/república).

O mesmo se pode dizer para o sucedido na Holanda e na Irlanda, em especial aos partidos da “família S&D”.

Deixamos para o fim as eleições europeias ocorridas em dois países, com posições muitos diferenciadas face à UE.

(A questão italiana é diferente, e circunstancial: o Partido vencedor, Partido Democrático (PD), não provem do socialismo da II Internacional, mas de uma amálgama de ex-PCI, ex-Democracia Cristã, ex-Partido Social-Democrata, que conjunturalmente se aliaram sob os auspícios do capital e do Vaticano.

Todavia, o que realmente conta é um crescimento de um partido fora do regime, o 5 Estrelas, abertamente contra a política oficial dos partidos corruptos do poder).

Falemos, pois, do Reino Unido e a Alemanha.

No primeiro, o partido abertamente contra a presença de parte - o UKIP, a sua parte territorial da Grã-Bretanha - do Reino Unido ( a Escócia quer a independência e a Irlanda do Norte votou no Sein Fein, que pertence à Esquerda Unitária no PE) na UE, ascende, em 2014, a ser a formação mais votada e com o maior número de votos e parlamentares – 26,27% e 24, seguido dos trabalhistas (S&D), com 24,74 % e 20, ficando os conservadores com 23,34% e 19.

Em 2009,  o UIKP recebera 16,05%, com 13 deputados (segunda força), os conservadores atingiram os 27% e 24 deputados e os Trabalhistas, 15,7% e 13 deputados também. 

(Os Liberais, parceiros do governo de Cameron, passaram de 11 para um deputado).

Finalmente, a Alemanha, a CDU/CSU desceu dos 42 deputados de 2009 para 34 e os sociais-democratas (S&D) elegeram mais quatro deputados, mas em percentagem ficaram-se pelos 27,30%, inferior aos 35,30% da coligação CDU/CSU. 

(Os liberais que eram a quarta força em 2009 desceram de 12 para 3 deputados).



PE em 2014

Resultados das eleições de 2014 por grupo político
ÍconeNome próprioPercentagem
EPP logo
PPE
Grupo do Partido Popular Europeu (Democratas-Cristãos)
Resultado:221 Eurodeputados

Resultados em percentagem:29.43 %
S&D logo
S&D
Grupo da Aliança Progressista dos Socialistas e Democratas no Parlamento Europeu
Resultado:190 Eurodeputados

Resultados em percentagem:25.30 %
ALDE logo
ALDE
Aliança dos Democratas e Liberais pela Europa
Resultado:59 Eurodeputados

Resultados em percentagem:7.86 %
ECR logo
CRE
Conservadores e Reformistas Europeus
Resultado:55 Eurodeputados

Resultados em percentagem:7.32 %
GREENS/EFA logo
Verdes/ALE
Os Verdes/Aliança Livre Europeia
Resultado:52 Eurodeputados

Resultados em percentagem:6.92 %
GUE/NGL logo
GUE/NGL
Esquerda Unitária Europeia/Esquerda Verde Nórdica
Resultado:45 Eurodeputados

Resultados em percentagem:5.99 %
NA logo
NI
Não-Inscritos – deputados não filiados em qualquer grupo político
Resultado:41 Eurodeputados

Resultados em percentagem:5.46 %
EFD logo
EFD
Europa da Liberdade e da Democracia
Resultado:32 Eurodeputados

Resultados em percentagem:4.26 %
Others logo
Outros
Deputados recém-eleitos não filiados em qualquer dos grupos políticos do Parlamento cessante
Resultado:56 Eurodeputados

Resultados em percentagem:7.46 %




3 – O aparecimento, com algum alarido da grande imprensa ligada ao Capital dominante, de partidos nazis e fascistas, de vários matizes, com uma extensão nunca vista na Europa depois da II Grande Guerra, parece indiciar que o grande capital financeiro começa a “trocar” os seus representantes bicéfalos, ligados ao PPE e ao S&D, que açambarcaram, durante estas dezenas de anos, os lugares cimeiros de exercício do poder executivo, legislativo e até militar de serviço aos vampiros financeiros e os grandes industriais a eles ligados, por outras formações que imponham o poder capitalista de forma ainda mais violenta e sem a presença de outros partidos.

Esse capital enfrenta, pela propaganda, o surgimento, em crescendo, por outro lado, de formações, ainda sem um programa revolucionário coerente, sustentadas em reivindicações eleitorais anti-capitalistas, apelidando-os, furiosamente, de “aberrações radicais”, por vezes, com o desprezo bafiento da burguesia medrosa e cobarde, de “comunistas radicais”.

Ele sente que pode ser enfrentado e a sua capacidade de acção restringida.

A evolução da UE, a reviravolta que necessita; no fundo, a sua salvação depende, em primeiro lugar, da força da sua economia produtiva e do seu comércio, das suas exportações de qualidade.

Mas depende também daqueles que podendo forjar um programa revolucionário comum e o consigam fazer ampliar, em consciência política, entre as classes trabalhadoras levam a fazer encurtar o “casulo” dos exploradores e dos seus homens de mão nos Parlamentos nacionais e europeu e no aparelho de Estado.

E este ponto nuclear, certamente ténue, foi-nos dado por estas eleições europeias.

É preciso, pois, clarificá-lo, alargá-lo e enquadrá-lo em movimento constante de transformação política.

4 – A crise nos EUA que está  à porta, e são os próprios indicadores daquele país, que fazem o alerta do facto, mas os indícios evidentes de crises económicas em países emergentes como a Rússia e a China e o Brasil devem fazer-nos pensar sobre a situação económica – repito, económica – da UE, que está numa encruzilhada, mas, aparentemente, se encontra em melhores de condições de receber o embate do que em 2007/2008.




É um assunto que trataremos em breve.


sábado, 24 de maio de 2014

ELEIÇÕES EUROPEIAS: AS MUDANÇAS ESTÃO NA ORDEM DO DIA

1 - Os Estados Unidos da América, através dos partidos nazis e pró-nazis, financiados pela oligarquia financeira de Wall Street, e, com a cumplicidade militante dos representantes do mesmo sistema nos governo actuais da União Europeia (desde o Reino Unido, dos conservadores de David Camerom, até à Espanha, do Partido Popular pró-fascista, de Mariano Rajoy, passando, estranhamente, da França, do PS, formado por colaboracionistas, como Mitterrand, cujos "filhos políticos" se encontram na governação, François Hollande e Laurent Fabius) estão a exercer uma pressão enorme para a desagregação política da união europeia, e acima de tudo, da sua forte moeda, o euro.

(Convém, aqui referir que os chamados Partidos Comunistas, defensores da antiga URSS, se colocam, exactamente, no mesmo lado da barricada, desprezando e aviltando, em primeiro lugar, os ensinamento do materialismo histórico e da economia política, caso do português, de Jerónimo de Sousa, e do Grego, cuja siglas são KKE, stalinista fanático).

Os partidos dominantes nas eleições europeias de 25 de Maio procuram fazer obscurecer a importância do acto que dá indício de querer uma outra concepção de democracia e poder e o caminho errado a que conduziram a UE, deixando florescer, justamente, através da propaganda das chamadas forças políticas eurocépticas, fomentada pelos grandes meios de comunicação do lumpen capital financeiro, que, desesperadamente, se concentra em Nova Iorque.

E, procuram fazer esquecer, como lacaios que o são, o descalabro que mina, já sem remissão, o poder, interno e externo, do império norte-americano.

Somente um abanão progressista e mesmo revolucionário, poderá inverter uma tendência, que se infiltra, à revelia da realidade e do desenvolvimento real das próprias relações de produção e mesmo classistas: a UE é a maior potência económica do Mundo, nesta fase.

Poderão as eleições contribuir para um aumento da consciência política, ainda que não tragam, de imediato, mudanças revolucionárias?

2 -  Antes de nos concentrarmos nessa resposta, vamos analisar, em traços largos,  a situação evolutiva da Europa nos últimos 150 anos.

A Europa foi o centro motor das grandes Revoluções económicas e políticas que impulsionaram o desenvolvimento do capitalismo, deram a cidadania plena a burguesia como classe dominante da sociedade que derrotou o sistema feudal, e fez aparecer as classes laboriosas, colocando no centro da actividade política, pela primeira vez, em confronto as relações de classes antagónicas.

Foi, pois, nesta Europa que se elevou, de um lado, a grande burguesia e a grande indústria, do outro, o proletariado ganhou cidadania política, fomentado por essa mesma indústria no século XIX.

Foi, nesta mesma Europa, primeiro, no século XIX (Comuna de Paris), depois na segunda década do Século XX (Revolução soviética de 1917), se tentou construir um novo tipo de sociedade em que já não era a minoria revolucionária que tomava o poder a uma outra minoria, mas sim se alargava a uma maioria, sem manipulações demagógicas, em que esse proletariado encabeçava um programa de organização societária das restantes classes.

Todavia, este projecto não vingou nessa Europa, primeiro, porque o estado do desenvolvimento económico não tinha o progresso suficiente para ultrapassar a estrutura produtiva do capitalismo, segundo, essa mesma Europa degladiava-se em concorrência espartilhada pelos Estados nacionais, que lhe limitavam e limitaram - destruindo mesmo a evolução da sua produção por guerras inúteis de hipernacionalismo, conquista e supremacia - até hoje o incremento mais rápido e sofisticado das suas imensas capacidades humanas e económicas. 

Em contra-ponto, a este mosaico de uma grande indústria europeia compartimentada por milhares de entraves burocráticos, alfandegários, de nacionalismos serôdios enraizados por tradições retrógradas centenárias, do outro lado do Atlântico, os então ainda incipientes Estados Unidos, livres de todos os resquícios do feudalismo, que ainda nos finais dos século XIX/princípios do século XX, enxameavam a Europa industrializada, embrenharam-se, de alma e coração, no incremento em larga escala do capitalismo.

Precisamente, a evolução da grande burguesia nesse novo grande continente necessitava, num grande espaço disperso, que na primeira metade da segunda década do século XX, um ano do início da I Grande Guerra, a concentração das cerca de 30 mil moedas diversificadas que circulavam nuns Estados Unidos, colocados, politicamente, com cuspo.




Ora, este facto tornava-se um entrave de primeira ordem no incremento da economia, e na própria harmonização da estruturação do novo Estado.

A grande burguesia capitalista que dominava já a produção e estava a forjar um grande Estado sem fronteiras, desde leste para oeste, do sul do Canadá até ao golfo do México, lançou, em 1913, um banco central privado ( que lhe deu um conteúdo nacional, estatal, formalmente), e lhe chamou Reserva Federal, com uma moeda única, o dólar.


Cada banco ou instituição mandatada localmente podia emitir a sua própria moeda

A industrialização começou a efectuar-se a par de um alargamento enorme do sistema ferroviário e rodoviário e a concentrações fabris em grandes cidades dispersas pelo país.

A migração para o país foi incentivada em larga escala, assim como aplicada uma parte do aumento da produção económica para o fortalecimento e modernização, através de novos inventos, para a criação de Forças Armadas nacionais, que rapidamente começaram a investir na cena internacional, garantindo bases de apoio para a própria exportação e comércio a longa distância.

Por detrás, deste ascenso e fortalecimento da grande burguesia industrial, surgiu, também, uma crescente burguesia financeira, mas igualmente despontou um jovem proletariado, que algumas décadas antes, nada representava, que se organizou e começou a impor reivindicações classistas.

Foi, justamente, com uma grande manifestação operária em Chicago em 1886, que começou uma luta internacional dos trabalhadores pela jornada das oito horas. 

E que dessa luta já nas duas primeiras décadas do século XX se institucionalizou na Europa e nos Estados Unidos o 1º de Maio feriado, como Dia do Trabalhador.

Contudo, a capacidade de progresso dos EUA regrediu, há muitas décadas. Hoje é um Estado imperial, pró-fascista e em decadência.

Não serve de modelo, nem de força de parceria para a União Europeia.

3 - Então, o que pode trazer de novo este acto eleitoral europeu? 

Existe um descrédito acentuado sobre a possibilidade do voto poder contribuir neste momento para uma mudança real na política europeia, e, pouco resta de uma real influência dos partidos representantes das classes trabalhadoras.

Todavia, se houver uma votação razoável que indique uma movimentação de sectores importantes das classes trabalhadoras para opções que procurem uma ruptura com a actual situação existente na União Europeia, tal facto pode ser uma "medida indicativa" de que haja um acréscimo da consciência de que é necessário uma mudança política que, certamente, irá causar receio nas forças representantes do grande capital.

E se esta "medida indicativa" produzir, depois do acto eleitoral de 25 de Maio, efeitos na superestrutura e na estrutura da UE, ainda que limitada e titubeante, ela poderá servir para nos dizer quais os meios que as massas trabalhadoras desejam para se interligarem com uma alternativa revolucionária de poder.

A UE, para avançar e servir os interesses das classes trabalhadoras, terá de se reestruturar, adquirir maior democracia, maior harmonia e cooperações económicas, mas também maior unidade política e um reforço real da sua moeda como concorrente com a moeda-padrão imperial, o dólar.

Exige um reforço das suas instituições centrais económicas e uma reformulação democrática da sua instituição política, de acordo com o que já foi conseguido na sua produção económica e na sua união monetária.

Quem não estiver no interior do euro, não pode participar, em igualdade, nas suas instituições políticas. Esse deve ser o objectivo central, neste momento.


A Inglaterra tem de ser confrontada: ou euro ou libra

Se a Inglaterra ou a Suécia, não quiserem pertencer ao euro, também não devem fazer parte das suas vantagens financeiras e económicas e da sua unidade política. 

Seguem, pois, o seu caminho, com as restrições alfandegárias, circulação de capitais e pessoas convenientes.
É um desafio que deve entrar no centro do debate político e ideológico da UE.







terça-feira, 20 de maio de 2014

COMO A CLASSE DOMINANTE NORTE-AMERICANA MANIPULA CONSCIÊNCIAS?


1 - No passado dia 15, foi inaugurado, em Nova Iorque, no local onde existiram as chamadas Torres Gémeas, um Museu chamado Nacional do 11 de Setembro. A celebração oficial terá lugar a 21 de Maio.

Este evento, que procura tornar oficial a versão da Administração norte-americana do sucedido, ocorre 13 anos após o pretenso ataque da Al-Qaeda às Torres Gémeas de Nova Iorque (WTC) e ao Pentágono, mas o julgamento dos seus aparentes mentores e promotores que (alguns) estarão enclausurados no campo de concentração de Guantánamo, ainda não foram julgados.

Tem de se perguntar: Porquê. 

E isto porque existe um relatório oficial do governo norte-americano a indicar, sem margem para dúvidas, que os eventuais sequestradores era 19, apontou os seus nomes, mantém detidos alguns dos seus "mentores".

Que o atentado teria sido obra da obscura e enigmática formação Al-Qaeda, que foi criada por um saudita riquíssimo chamado Bin Ladem, muito próximo, via família, do círculo real de Riade, que, na realidade, foi uma personagem que trabalhou para a CIA no Afeganistão, quando este estava ocupado por tropas da ex-URSS.

E, é sobre este relatório que se conta e sustenta um massacre de mais de três mil pessoas, entre os faleceram nas torres das WTC e arredores e nas quedas de quatros aviões comerciais.


Capa do relatório final da comissão de investigação do 11/9 (Foto: Reprodução)


O relatório, supervisionado por 10 senadores dos partidos do poder (cinco republicanos e cinco democratas), começou a ser elaborado em 2002 e publicado em 2004. 

Longo o período de tempo, pois, na pretensa investigação independente...

Então, qual a razão do protelamento?

Refere o citado relatório, na sua introdução, logo no início: "Em 11 de Setembro de 2001, 19 homens armados com facas, estiletes e gás de pimenta (!!!, exclamação minha) violaram os sistemas de defesa da Nação mais poderosa do mundo. Causaram traumas insuportáveis no nosso povo e viraram a ordem internacional de cabeça para baixo".


Primeiro: há factos que destruíram grande parte do que foi elaborado pela citada comissão, que escreveu o relatório, após muitas divergências, na sua concepção.

A) Dos 19 sequestradores, todos referenciados no documento, e, portanto, dados como mortos, afinal, pelo menos, oito estão vivos. Na sua maioria, cidadãos pacatos da Arábia Saudita.

B) 15 dos sequestradores desse 11 de Setembro teriam vindo para os Estados Unidos com vistos oficiais da Arábia Saudita, ou seja, foram escrutinados e tiveram o assentimento para viajarem da parte das altas instâncias do reino saudita.

E, apesar dos seus nomes merecerem reparos quanto à sua idoneidade da parte do consulado norte-americano, a delegação da CIA naquele país deu-lhes cobertura. 

Quem o afirma é Michael Springman, o antigo chefe da secção de vistos do consulado norte-americano em Jidá (Arábia Saudita), que acrescentou: desde 1987, a CIA concede, por meios ilícitos - por falsificação de documentos, nomeadamente - vistos a candidatos *não recomendáveis* do Médio-Oriente para viajarem para os Estados Unidos, para serem orquestrados e treinados para "operações encobertas" na guerra do Afeganistão, em parceria sincronizada com Bin Laden (citação da BBC, a 6 de Novembro de 2001).

A revista Newsweek, de 15 de Novembro de 2001, reportou que cinco dos indivíduos tidos com sequestradores, na década de 90, tinham recebido treino operacional em quartéis de tropas especiais dos Estados Unidos.

C) Vários jornais de língua inglesa, tidos como referências jornalísticas, noticiaram logo após o 11 de Setembro que haveria indícios de estar em preparação um atentado contra as Torres Gémeas, indícios estes menosprezados ou *esquecidos*, quer pela CIA, quer pelo FBI.

Segundo: 

1 - Que especialistas aeronáuticos de renome colocam em causa a capacidade dos sequestradores, sem qualquer prática de voo, para pilotarem aviões comerciais sofisticados e navegarem, com uma precisão milimétrica, para acertar em pontos-chaves da estruturas dos edifícios do WTC e mesmo do voo rente ao solo que teria atingido o Pentágono.

A não ser que estivessem a ser controlados de terra, por sistema de comandos e comunicações altamente elaborados.

2 - Que investigadores, cientistas e mesmo instituições com a Universidade de Copenhaga que sustentam que a queda das Torres foi realizada de maneira controlada, a partir de colocação de material explosivo apropriado.

Terceiro - 

a) Poucos são os especialistas, não ligados ao governo, que admitem as falhas *acidentais* ou até *descoordenação* dos responsáveis do sistema de segurança aérea existente nas áreas de Washington e Nova Iorque.

E isto porque, noutras ocasiões, sempre funcionou.

b) Actualmente, põem-se em causa os relatos de contactos telefónicos feitos de bordo, tal como foram descritos no relatório. 

São vários entendidos na matéria, que seria impossível, naquela data, falar via telemóvel de bordo, na altitude em que voam os aparelhos.




Buraco produzido no Pentágono pelo alegado avião, já na fase do rescaldo.




Imagem reproduzida da dimensão real do avião. A foto foi tirada depois do fogo ter consumido grande parte da frontaria

Então o que sucedeu, realmente? 

Somente com a eventual desclassficação dos documentos internos da Administração norte-americana se saberá.

O que se sabe são os efeitos imediatos que serviram o sistema político-militar dominante nos EUA: 

- Do ponto de vista externo, as guerras no Afeganistão e no Iraque, já em programação, antes do 11 de Setembro.

- Do ponto de vista interno, o reforço da política repressiva, com leis secretas sobre a tortura, a prisão de oposicionistas ou de contestadores, a vigilância extensiva a nacionais e a outros países. Enfim, a fascização política do país.

2 - Desde as invasões do Afeganistão e do Iraque começaram a chover nos meios de comunicação social, dos EUA e internacionais, denúncias de casos graves de torturas, massacres, destruição maciças de estruturas daqueles países.

E, acima de tudo, uma incapacidade para encontrar ou destruir a Al-Qaeda, no Afeganistão, e, encontrar as armas de destruição massiva no Iraque.

Obama, eleito com a promessa de acabar com o campo de concentração de Guantánamo, fechar as prisões secretas e moralizar os serviços de informação percorridos por contínuas denúncias de acções de terrorismo de Estado, nada fez.

Pelo contrário, assinou novas leis repressivas secretas. Deu rédea solta à vigilância ilegal, não só no seu país, mas também, a nível mundial.

Eis que surge, Boston.   

Há mais de um ano, precisamente, a 15 de Abril de 2013, ocorreram duas explosões na cidade norte-americana de Boston, num momento em que termina uma maratona concorrida. 

Foram identificados dois suspeitos. Um deles morreu. Existem confissões. Provas concretas. O sobrevivente foi, formalmente acusado, dias depois da sua captura. Isto tudo segundo as autoridades policiais e judiciais dos EUA.

Então, porque ainda não houve julgamento? 

Vamos ao guião oficial.

Atentado, dia 15 de Abril de 2013. Utilização de duas bombas artesanais, escondidas em mochilas.

Segundo as autoridades federais, em consequência de projecteis dos artefactos faleceram três pessoas e foram contabilizados mais de 280 feridos, com maior ou menor gravidade.

A 19 de Abril, ou seja, quatro dias depois, o FBI anunciava que os prováveis suspeitos eram dois irmãos, Tamerlan Tsarnaev (26 anos) e Dzhokhar Tsarnaev (19 anos), islâmicos de religião, nascidos na Tchétchénia, (os seus pais estão actualmente no Daguestão) onde residiam os seus pais, tendo emigrado, legalmente, para os Estados Unidos, em 2003. 

Ou seja, emigraram para os EUA, ambos menores, sem a presença dos pais. 

Na altura, o primeiro, teria 16 anos e o segundo 10.

O primeiro casou com uma cidadã norte-americana, de quem teve um filho.

Os dois suspeitos transportaram os artefactos em duas mochilas, que a polícia sentenciou, após as detonações, serem idênticas as que os dois irmãos usavam e teriam sido referenciadas por câmaras de vigilância no local.

No dia 19, as autoridades policiais teriam abatido o irmão Tarmelan, numa troca de tiros, e no dia 20, teriam encontrado o outro irmão Dzhokhar, escondido num barco de recreio nos arredores de Boston, com múltiplos ferimentos de bala, "na cabeça, pescoço, pernas e mãos".

As autoridades hospitalares assinalaram, na sua primeira comunicação, que o estado do capturado era muito grave, de praticamente coma, e que não poderia falar, pois um tiro ter-lhe-ia atingido a garganta.

Dzhokhar Tsarnaev levanta a mão em um barco no momento de sua captura pelas autoridades policiais em Watertown, Massachusetts pela atentado a bomba na Maratona de Boston
Imagem do jovem Tsarnaev, divulgada pela polícia, no momento da detenção. Não parece estar em estado grave.

Dias depois, foi transmitido que o seu estado já era estável, embora não pudesse falar.

A 20 de Maio, a CBS referia, citando fontes anónimas "ligadas à investigação" que Dzhokhar escrevera um bilhete no interior do barco (sic), antes de ser capturado, confessando que o atentado fora um*dano colateral* pela intervenção norte-americana no Afeganistão e no Iraque.  


O que começa a "cheirar a queimado" são notícias que vão surgindo.

Eu cito os jornais e agências, como a France Presse.

"Tamerlan Tsarnaev, um dos suspeitos do atentado de Boston, morto na quinta-feira, chamou, repetidas vezes, a atenção dos serviços de segurança do Daguestão, indicou à AFP uma fonte dos serviços secretos daquela pequena República do Cáucaso.

"Tamerlan Tsarnaev permaneceu aqui cinco meses e 13 dias" em 2012, declarou a fonte, que, segundo a agência, está ligada à luta anti-terrorista.

Neste período "esteve, pelo menos, quatro vezes, na mira do nosso serviço", acrescentou.

Mas, o alerta já era anterior e o FBI reconheceu-o, oficialmente, em declarações à imprensa do seu país.

Descrevo: "O FBI informou na sexta-feira que os seus agentes interrogaram, em 2011, um dos dois suspeitos do atentado ocorrido durante a maratona de Boston na segunda-feira, a pedido da Rússia". 

O porta-voz ou representante do FBI sublinhou que o pedido da Rússia se baseava em "possíveis ligações extremistas", porque seria um "seguidor do Islão radical".

O representante do FBI argumentou que não fora encontrada qualquer "informação depreciativa" ou ligação terrorista.

Depois, os EUA autorizaram, aparentemente, sem o "checar", que Tamerlan se deslocasse, em 2012, ao Daguestão por um período dilatado.


No regresso, igualmente, não mereceu qualquer vigilância.

A quem serviu o atentado de Boston no imediato: o desvio do que se passava com os crimes norte-americanos no exterior e interior do país e o reforço das medidas de controlo individual policial.

Afinal, temos ou não matéria para reflectir. 

Temos ou não matéria para constatar que há manipulação do que se passa com a luta anti-terrorista da classe dominante norte-americana.

ONDE ESTÃO OS PERIGOSOS TERRORISTAS ENCARCERADOS SEM CULPA FORMADA EM GUANTÁNAMO. 


Estes prisioneiros foram humilhados como seres humanos, sem culpa formada, sem julgamento

ESTA JÁ FOI ESVAZIADA DE MAIS DE DOIS TERÇOS DOS SEUS PRISIONEIROS. 

E A ADMINISTRAÇÃO NORTE-AMERICANA PROCURA, AFANOSAMENTE, QUEM RECEBA OS RESTANTES.

SEM QUALQUER JULGAMENTO, SEM UMA EXPLICAÇÃO LÓGICA E RACIONAL.




quinta-feira, 15 de maio de 2014

OS CRIMINOSOS PRESIDENTES DOS ESTADOS UNIDOS

1 - Em 1973, um antigo dirigente da CIA Victor Marchetti (exerceu os cargos de assessor principal do director-adjunto da Agência Central de Inteligência, assessor principal do director da CIA Richard Helms e ainda assessor principal do Chefe de Planeamento, Programação e Orçamento daquele instituição. Era especialista em questões da Alemanha do Leste e foi ainda especialista sénior em questões do Terceiro Mundo, nomeadamente nas relações com a antiga URSS e Cuba) escreveu um livro que chamou, em tradução portuguesa, *a CIA e o culto da espionagem* (A edição portuguesa, da Portugália Editora é de 1974).

Marchetti foi recrutado, ainda quando prestava serviço militar na Alemanha Ocidental, para os serviços secretos norte-americanos, em 1952, para ser usado contra a então Alemanha de Leste. 

Entrou, formalmente, na Agência em 1955 e abandonou-a, em 1969, depois do que viu acontecer no Vietname.


Robert Macnamara, Ministro da Defesa de Kennedy e Johnson, a justificar a patranha do ataque ao Vietname do Norte

.
Os resultados, reais, criminosos, dos ataques norte-americanos


Para escrever aquele livro, teve contra si toda a super-estrutura dirigente dos Estados Unidos, desde a própria CIA até ao Presidente dos EUA, passando pela própria justiça.

(Uma operação encoberta da CIA, de nome Butane, foi organizada contra ele, sob a supervisão do Richard Nixon). 

Foram utilizados, contra Marchetti, todos os meios, pseudo-legais, "interesses superiores de Estado", incluindo a censura.

Teve de recorrer à União dos Direitos Civis Americanos (UDCA), à pressão pública de personalidades norte-americanas, como antigos membros das Administrações norte-americanas, que, mesmo com ambiguidades, se prontificaram a testemunhar.

Finalmente, o livro foi autorizado a sair, mas com cortes substanciais em certas passagens oficiais ou consideradas "secretas".

Escreveu a propósito, em introdução desse livro, o então director jurídico da UDCA Melvin L. Wulf: "no dia 18 de Abril de 1972, Victor Marchetti passou a ser o primeiro escritor americano a receber uma ordem oficial de censura editada um tribunal dos Estados Unidos".



Victor Marchetti, dirigente de topo na CIA



Marchetti hoje

E acrescentava: "A ordem proibia-o de *revelar sob qualquer forma qualquer informação relativa às actividades dos serviços secretos, qualquer informação que diga respeito aos meios e métodos dos serviços secretos ou qualquer informação sobre os serviços secretos*".

Victor Marchetti iniciou o seu livro do seguinte modo: "Existe hoje em dia na nossa nação um culto secreto poderoso e perigoso - o culto da espionagem.

Os seus santos são os profissionais clandestinos da Central Intelligence Agency (Agência Central de Serviços Secretos). Os seus patronos e protectores são os mais altos membros governo federal. Os seus associados, que se estendem para além dos círculos governamentais, atingem centros poderosos da indústria, do comércio, das finanças e do trabalho. Os seus amigos são inúmeros nos sectores de importante influência pública - o mundo académico e os meios de comunicação social. O culto da espionagem é uma fraternidade secreta da aristocracia política americana".

E adiantava: "O objectivo desta seita é o de alargar as políticas externas do governo dos E.U. por meios dissimulados e geralmente ilegais, controlando simultaneamente o alastramento do seu inimigo declarado, o comunismo. Tradicionalmente, o desejo da seita tem sido o de fomentar um esquema mundial, no qual a América seria o chefe supremo, o líder internacional incontestado. Hoje, no entanto, esse sonho encontra-se desdourado pelo tempo e pelos consequentes fracassos. Deste modo, os objectivos da seita são agora menos grandiosos, mas não menos perturbadores. Esse sonho procura em grande escala avançat a auto-assumida posição da América como árbitro dominante das mudanças sociais, económicas e políticas  de regiões da Ásia, África, e da América Latina que estão a despertar".

Embora com a censura, ficamos a perceber do livro de Marchetti, que todas as intervenções militares ou de golpes, massacres, assassinatos políticos em países, como o Chile, tiveram a autorização expressa do Presidente dos Estados Unidos, fosse qual fosse a época.

2 - Em 2014, o jornalista e escritor italiano Eric Frattini escreveu um livro chamado "CIA - Jóias de Família", uma edição da Bertrand Editora.

O livro baseia-se, na sua quase totalidade, em documentos desclassificados da CIA e de outras instituições, guardadas, na sua maioria, em Fundações-Museus dos Presidentes dos EUA, desde os tempo do general Dwight Eisenhover até Gerald Ford, Universidades , ou escritos de personalidades como Gordon Thomas.

De certo modo, passaram mais de 40 anos entre os dois livros.

E o actual, o de Eric Frattini, confirma, com documentos oficiais, que os Presidentes dos Estados Unidos foram os verdadeiros promotores e mentores de assassinatos políticos de Chefes de Estado, de políticas nazis de torturas (mesmo no interior dos EUA), massacres indiscriminados, de ingerências ilegais e brutais na governação de países independentes, que não concordavam ou não queriam ficar submissos à política imperial norte-americana.

Refere Eric Frattini que este seu livro"é um resumo de algumas das 300 operações ilegais ou *actividades altamente voláteis* conduzidas pela CIA, tanto dentro, como fora do território dos Estados Unidos, e retiradas das 703 páginas tornadas públicas pela CIA*.

Todos os Chefes de Estado norte-americano e a suas Administrações, estruturas policiais de informação e contra-informação, Departamento de Justiça, de acordo com a documentação desclassificada consultada por Frattini, no período em apreço, são os responsáveis pelos alguns dos piores crimes cometidos contra a Humanidade, em nome da defesa do sistema financeiro e político dos Estados Unidos.

(Um programa, organizado e sancionado e iniciado pelo Presidente Eisenhover, em 1953, teve uma cobertura legal de *secreta* - assim mesmo legal e secreta, tal como agora com Barack Obama, o ídolo, de descendência africana, dos chamados democratas e capitalistas liberais de todo o Mundo -, que ficou conhecido por "projecto Mkultra, oficialmente a vigorar entre 13 de Abril de 1953 a 4 de Agosto de 1964.

Foi seu executor "cientifico" um judeu de nome Sidney Gottlieb, tristemente baptizado na própria CIA como o "senhor Morte"-  um nazi judeu, na *democracia perfeita* - que preparou venenos, torturas, utilizou como cobaias para as suas experiências criminosas milhares de norte-americanos, incluindo seus colaborares chegados.

Um sinistro nazi que considerava que "os Estados Unidos têm o direito a defender-se por todos os meios possíveis" e que o seu mentor, Allen Dulles, sustentava que Gottlieb "nascera para a CIA e a CIA era para +Gottlieb+ uma *companhia* à sua medida").

Foi Eisenhover quem autorizou e fez doutrina para os assassinatos políticos de Presidentes e chefes de Estado estrangeiros, em nome dos "superiores interesses" dos Estados Unidos.

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Frank Carllucci, funcionário da CIA, segundo a partir da direita, foi um dos operacionais dos EUA responsáveis pela morte de Patrick Lumumba. Actuou, em Portugal, em 1974/75, com o mesmo objectivo, que não foi levado a efeito, porque o poder foi substituido com a ajuda de políticos portugueses




Patrick Lumunba, pouco antes, de ser executado

Todos os Presidentes que lhe seguiram mantiveram estas orientações, alguns ampliaram-nas e sofisticaram-na. Caso desse *endeusado* John Kennedy e o seu *precioso* irmão Robert, relativamente a Fidel Castro, Trugillo, Kassem, entre outros. 

Foi com Eisenhover, que a CIA desenvolveu as mais refinadas práticas de torturas e de controlos violentos de pessoas e personalidades, dentro e fora dos EUA.

O seu seguidor mais sinistro e cínico foi, justamente, conforme já assinalamos, o seu sucessor, o democrata incensado por toda a cáfila de socialistas, sociais-democratas liberais da Europa John F. Kennedy, em cumplicidade directa e chegada com o seu irmão Robert, que deitaram mão de todo o tipo de foras da lei, incluindo as estruturas de topo da Máfia para executar as acções mais nojentas do poder imperial norte-americano.


Eisenhover com Allen Dulles, o pró-nazi director da CIA. O seu irmão John Foster Dulles foi o secretário de Estado do general.



John Kennedy condecora Allen Dulles

Os Estados Unidos da América, que dominam os grandes meios de comunicação mundial, procuram fazer obscurecer o seu papel. 

Armam-se em defensores mundiais da democracia, dos direitos humanos, da "civilização ocidental". Nada de mais falso.

São o centro multinacional da mais feroz actividade criminosa e terrorista, em nome da teoria capitalista nazi-fascista de "defesa dos seus (assim mesmo, seus) interesses nacionais", quando, por exemplo, fomentam golpes de Estado, como o que sucedeu, há poucos meses, na Ucrânia.

Só que agora os tempos são outros. Por isso, estão mais refinados, mais perigosos.

3 - Para que conste aqui ficam registados algumas das malfeitorias e crimes contra a humanidade praticados pelos Presidentes dos EUA, através dos seus órgãos de repressão - serviços secretos (CIA, NSA e quejandos), serviços policiais internos (FBI) e estruturas castrenses, quer externa, quer internamente, baseadas em documentos oficiais tornados públicos.

Irão, 1953 - golpe de Estado naquele país, contra o governo do Primeiro-Ministro Mohmammed Mossadegh. 

Em causa estava o facto daquele político se opor à autoridade da monarquia e ter nacionalizado à indústria petrolífera, controlada por multinacionais anglo-norte-americanas. 

Guatemala, 1954 - golpe de Estado com o governo do Presidente Jacobo Árbenz, por defender uma reforma agrária, que iria retirar o controlo da produção de frutos à multinacional norte-americana United Fruit Company.

Congo, 1960 - assassinato do Primeiro-Ministro do Congo (Patrice Lumumba), depois de um golpe de Estado, fomentado pela CIA, que colocou no poder Desiré Mobutu.

República Dominicana, 1961 - Assassinato brutal do ditador general Rafael Trujillo, que não se aceitou a ordem dos EUA, seu protector, para se afastar do poder, após a ascensão ao cargo pela mão da Administração norte-americana.

Iraque, 1962/63 - Afastamento e posterior golpe de Estado contra o general Addul Karim Kassem, primeiro-ministro do Iraque, depois de ter começado a exigir que a Empresa de Petróleo Iraquiana (IPC), então propriedade total da firma Anglo-American, detivesse 20% das suas acções e 55% dos seus lucros.

Depois da recusa da multinacional, Kassem tornou a IPC uma empresa pública, detendo 99,5% das suas acções.

De imediato as *sete irmãs* actuaram junto do Presidente Kennedy para actuar, e este, através da CIA começou a comprar os oficiais capazes de virem a dominar o país, como Saddam Hussein.Iniciaram um processo de dominar, internamente, a cúpula do partido nacionalista Baath e, em 1963, derrubaram o general, que foi depois abatido a tiro.


A notícia do assassinato de Kassem e o seu corpo, após ter sido executado

Vietname do Sul, 1963 - Os EUA intervieram, abertamente, no processo político vietnamita, após a derrota dos franceses na Indochina.

Em 1963, colocaram as suas tropas de ocupação no Vietname do Sul e apoiaram a ascensão ao poder de uma clique, liderada por Ngo Dinh Diem, um carniceiro, que, pouco depois, tentaram afastar do poder, mas que o fantoche não aceitou.

Contactaram então os generais do regime e 

planearam um golpe de Estado, que veio a 

ocorrer a 1 de Novembro de 1963, com a 

execução de Diem e do seu irmão, que chefiava 

polícia secreta.



Segundo os chamados "Documentos do Pentágono", (ver Pentagon Papershtpp://media.nara.gov/research/pentagon-papers/Pentagon-Papers-Part-IV-B-5.pdf) 


*Para o golpe militar contra Ngo Dihn Dien, os EUA devem aceitar a sua quota-parte de responsabilidade*.

E especificaram: *No início de Agosto de 1963, autorizámos, sancionamos e encorajámos os esforços para o golpe dos generais vietnamitas e oferecemos o apoio total para o governo que fosse implantado...Mantivemos contactos clandestinos com eles durante o planeamento e execução do golpe e solicitamos mesmo a revisão dos seus planos operacionais, além de sugerir a constituição do novo governo*.

Brasil, 1964 - Os militares brasileiros, liderados pelo general Humberto Castelo Branco, então Chefe do Estado-Maior do Exército, efectuaram um golpe de Estado sangrento contra o governo do falecido Presidente João Goulart, que assumira uma orientação nacionalista e independente face aos EUA.

De imediato, a administração norte-americana conspirou contra esse governo, impulsionando todo o tipo de manifestações de rua e inclusive entregando "armas de origem não-norte-americanas" a bandos bandos anti-governo.

Ao mesmo tempo, contactaram os oficiais-generais de topo, formados no modelo nazi castrense, encorajando-os a derrubar Goulart.

Estas palavras estão em documentos do National Security Archive, proferidas por Lyndon Johnson em conserva com os seus mais destacados conselheiros (militares e civis) quando planeavam o derrube de *Jango* - assim era conhecido o Chefe de Estado brasileiro: "Eu acho que devemos tomar todas as medidas necessárias, e estarmos preparados para qualquer coisa que precisemos de fazer".

A ditadura militar permaneceu no Brasil até 1985. Milhares de pessoas foram mortas ou torturadas por actividades contra a mesma, incluindo a actual Presidente do Brasil, Dilma Roussef.

Bolívia, 1967 - Desde a tomada do poder pelos revolucionários cubanos em 1959 que a Administração norte-americana, primeiro com Eisenhover, depois Kennedy, procuraram eliminar os principais dirigentes daquele país da América Central, em especial Fidel Castro.

Quando Che Guevara, argentino de nascimento, mas um dos comandantes da Revolução, se afastou de Cuba depois de criticar a política externa soviética e de não acreditar na construção do socialismo "num só país", preconizando a extensão da revolução a todo o continente, embora sob um objectivo político pouco consistente, " a teoria do foquismo", ou seja a intervenção de um punhado de militantes que arrastariam a restante população, os norte-americanos perderam-lhe o rasto e ficaram preocupados.

Como surgimento de um foco de guerrilha na Bolívia, as "antenas" da CIA tentaram sacar informações sobre um misterioso "Ramón", que não era boliviano, e comandava um agrupamento guerrilheiro.

Com a prisão de um pseudo-revolucionário europeu, chamado Régis Debray, que delatou a presença de Che Guevara, a CIA intrometeu-se, directamente, na organização do fraco Exército de La Paz, através de agentes de oriegem cubana, que pertenceram às organizações para-militares de Miami, e, fizeram parte da fracassada invasão da Baía dos Porcos.

Foi um desse agentes da CIA, de nome Felix Rodriguez Lopez, a orientar e a acompanhar a operação de desmantelamento da guerrilha, e que assistiu ao assassinato de Guevara, a 9 de Outubro de 1967, em Las Higueras.

Rodriguez Lopez frisou, muito especificamente, como moldou o Exército do ditador René Barrientos. Eis as suas palavras: "O Exército boliviano estava totalmente incapaz de enfrentar uma guerrilha. A maior parte dos soldados trabalhava na construção de estradas e, provavelmente, jamais dera um tiro de espingarda-metralhadora. Nos primeiros combates, os guerrilheiros aprisionavam os soldados, tiravam-lhe as fardas e mandavam-nos em paz"

Ele inverteu essa situação e isolou Che Guevara, tendo para isso contribuído a traição declarada da direcção do Partido Comunista Boliviano, pró-soviético, que nunca o apoiou, logística e politicamente.

Claro que os executores foram oficiais do Exército boliviano, mas o supervisor real era o homem da CIA.

Guevara foi morto, friamente, depois de ter sido capturado.

 
Os oficiais superiores do regime ditatorial da Bolívia e alguns civis, provavelmente, dos serviços secretos, indicam onde foi atingido Che Guevara.


Chile, 1973 - Perspectivando-se nas eleições presidenciais chilenas de 1970, que um militante socialista, que defendia o marxismo, Salvador Allende, viesse a ganhar o pleito, o que realmente sucedeu, o governo dos EUA, com a supervisão do seu Presidente, na altura Richard Nixon, monta uma operação secreta para, primeiramente, o impedir, e, posteriormente, o derrubar.

Utiliza, além das agências de informação, especialmente, a CIA, mas também as grandes multinacionais (ITT, Ford, Pepsi) da altura a actuar no país: o plano inicia-se pela elimininação, por um lado, dos chefes militares legalistas, e, por outro o aliciamento dos pró-nazis. 

Assim, é liquidado René Schneider, Chefe do Estado-Maior do Exército ("enquanto houver regime legal, as Forças Armadas não são alternativa de poder") e Carlos Pratts - este depois do golpe -("enquanto existir o Estado de Direito, a força pública deve respeitar a Constituição").

Os boicotes financeiros da oligarquia de Wall Street entram em acção e as manifestações de rua são alimentadas, quando começam a faltar alimentos. 

Allende, com o apoio do PS e do PCChileno, adeptos da "via pacífica", não actuam contra os conspiradores e, em especial, a ingerência externa. 

A 11 de Setembro de 1973, é posto em marcha o golpe de Estado sangrento e de uma ferocidade atroz. Ataque o palácio presidencial, o La Moneda, onde morre Allende (uns sustentam que se suicidou, outros que foi baleado).



ESTADO DE SÃO PAULO

EUA tentaram impedir posse de Allende, diz documento

10 de setembro de 2008 

Altos funcionários norte-americanos discutiram o desejo de impedir a posse do então recém-eleito presidente chileno, o esquerdista Salvador Allende, em 1970. A revelação está em documentos tornados públicos hoje. Em um trecho, William Rogers, ex-secretário de Estado do presidente Richard Nixon, advertiu sobre as ações secretas dos Estados Unidos para impedir a posse de Allende. O governo americano antes havia ressaltado a importância da realização de eleições democráticas.
A Agência Central de Inteligência dos EUA (CIA, sigla em inglês) por fim apoiou o seqüestro do principal general do Chile, René Schneider, para impedir que Allende chegasse ao poder. "Após tudo que dissemos sobre eleições, se na primeira vez que um comunista ganha os EUA tentam evitar o processo constitucional de ocorrer nos ficaremos muito malvistos", disse Rogers, que morreu em janeiro de 2001.
O Arquivo de Segurança Nacional publicou as transcrições na véspera do 35º aniversário do golpe que resultou na morte de Allende. O registro ocorreu porque Henry Kissinger gravou secretamente todas suas ligações após tornar-se conselheiro de segurança nacional, em 1969. Seus auxiliares transcreveram as chamadas e depois destruíram as fitas. A CIA admitiu posteriormente que apoiou o seqüestro de Schneider, pois o general se recusou a usar o Exército para evitar que o Congresso confirmasse a eleição de Allende.
A tentativa de seqüestro falhou - o militar foi morto na operação - e o nome de Allende foi confirmado. Três anos depois e nove semanas antes do golpe, Nixon culpou o então diretor da CIA Richard Helms e o ex-embaixador dos EUA Edward Korry pelo fracasso na tentativa de impedir a posse de Allende. "Eles estragaram tudo", disse o presidente a Kissinger, em outras das conversas agora liberadas. Na mesma ligação, Nixon diz a Kissinger: "Eu acho que aquele chileno pode ter alguns problemas". Kissinger retrucou: "Sim, ele tem grandes problemas. Ele definitivamente tem grandes problemas."
Allende foi derrubado por um golpe em 11 de setembro de 1973, liderado pelo general Augusto Pinochet. Pelo menos três mil pessoas foram mortas por razões políticas durante os 17 anos de regime de Pinochet e outras milhares desapareceram, segundo o próprio governo chileno.
Polêmica
O médico legista Luis Ravanal contestou nesta semana na revista El Periodista que Allende tenha se suicidado. Segundo ele, os ferimentos do ex-presidente não são compatíveis com um suicídio.
Para a deputada Isabel Allende, filha do ex-líder, a versão oficial de que ele se suicidou é a correta. "Nós temos absoluta e total confiança da versão dos nove médicos que ficaram até o fim com o presidente Allende", disse ela à rádio Cooperativa.
extracto do jornal brasileiro Estado de São Paulo





general Schneider, chefe do Estado-Maior do Exército do Chile

4 - Eric Frattini, estranhamente, escolhe, para ser o autor do prólogo do seu livro, o espanhol Jorge Dezcallar de Mazarredo, um aparente diplomata de carreira, mas que ficou, essencialmente, conhecido, porque, em 2001, o então chefe do governo de Espanha José Maria Aznar o nomeou director do Centro Nacional de Inteligência (CNI), os facínoras serviços secretos espanhóis, na altura a actuarem em parceria com a CIA no Afeganistão.

Jorge Dezcallar, da nobreza espanhola, que inicia a sua carreira diplomática, como embaixador em Marrocos e a termina, entre 2008 e 2012, na embaixada em Washington, tendo antes em 2004 e 2006, estado no mesmo cargo na Santa Sé, é exactamente o exemplo do apologista, cinicamente dado loas à democracia, de que "os serviços secretos têm um papel primordial na luta diária para conseguir melhor protecção" para os seus patrões. 

E, não é por acaso que ele, no intervalo do seu papel de "protector" do Estado trabalhou para a multinacional REPSOL, como conselheiro internacional.

El mallorquín Jorge Dezcallar junto al presidente de Estados Unidos, George W. Bush.
Dezcallar: a intimidade com um assassino

E ainda, mais estranho, se torna, quando convida para fazer o prólogo à edição portuguesa o antigo director-geral do Serviço de Informações Estratégicas de Defesa (SIED), entre 2008 e 2010, Jorge Silva Carvalho. 

Carvalho, um burocrata, ligado aos serviços secretos, que ascendeu nos meandros das ligações "secretas" das maçonarias e troca de informações, tornou-se conhecido, justamente, pela verdadeira utilização da "rede" para benefício pessoal...e, acima de tudo, o grande capital, onde se procurou imiscuir, ainda sem estaleca para tal.

No prólogo, qual vestal romana, coloca-se num pedestal de honestidade: "os serviços de informações representam a primeira linha de defesa e segurança dos seus países e são organismos essenciais à segurança nacional e um instrumento ideal, em particular, para os países de menor dimensão e menos dotados em termos de recursos".

Bem prega Frei Tomás.