terça-feira, 22 de novembro de 2011

HOSPITAIS PÚBLICOS PASSAM, COM ARMAS E BAGAGENS, PARA AS MÃOS DA IGREJA CATÓLICA



















1 - O governo português decidiu entregar vários hospitais públicos às Misericórdias portuguesas, acrescentando que, essa benesse, será acompanhada com o dinheiro dos contribuintes, embrulhado no argumento de indemnização, a uma instituição privada, chamada Igreja Católica.


Na realidade, as Misericórdias Portuguesas são, nada mais, nada menos, órgãos de gestão, sob o manto da pseudo-caridade da Igreja Católica portuguesa.


Naturalmente, para muito gente, essas Misericórdias são vistas apenas como prestadores de serviços e cuidados primários. O que é real.


Mas, nas profundidades, do serviço prestimoso está dinheiro público, que reverte para interesses privados, e, neste caso concreto para uma estrutura que somente se deveria preocupar com a "esfera espiritual" que é, teoricamente, o seu campo de actuação.

(A gestão, certamente, não vai ser gratuita, e os provedores e conselhos de administração das "empresas fabriqueiras" da Igreja Católica receberão o correspondente "bodo dos pobres". Tudo boa gente!!!)

Ora, esta passagem dos hospitais públicos para as Misericórdias "cheira", não a espiritual, mas a material, a muitas centenas de milhões de euros.


Centenas de milhões de euros, que o erário público ja desembolsou para os hospitais de cuidados primários e continuados das Misericórdias, ao longo destes anos, mas não colocou dinheiro para implantar um verdadeiro serviço de saúde no IPO.


Naturalmente, cá estaremos, em devido tempo, para enquadrar todo este desperdício de dinheiro...para a Igreja Católica.

Reparem que, logo que souberam que havia "dinheiro fresco" os hierarcas católicos trataram de acautelar a divisão de despojos entre "leigos" e "religiosos", pois, como se pode recordar, criaram-se fissuras nas "heranças" em torno das Misericórdias tempos atrás, quando o bispado católica queria abocanhar tudo.


Eis, parte do texto da Conferência Episcopal Portuguesa, transcrito na sua agência noticiosa Ecclesia.


"O Conselho Permanente da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) reafirmou a autonomia das Misericórdias e a vontade de dialogar em ordem à regulamentação do decreto da Santa Sé que as enquadra, à luz do Código de Direito Canónico, como “associações públicas de fiéis”.

Na conferência de imprensa que se seguiu à reunião do Conselho Permanente da CEP, o porta-voz do episcopado referiu que esse estatuto não retira autonomia às Misericórdias, cujo governo depende dos seus provedores.

“As Misericórdias auto-governam-se com a presidência dos seus provedores” e a Igreja quer continuar a promover este sistema, afirmou o padre Manuel Morujão.

O sacerdote sublinhou que “a Igreja tem a tutela das Misericórdias” mas só a utilizará para “casos especialíssimos”, como a venda de património de “altíssimo valor”.

“Em alguns casos extremos, que não são os do governo ordinário”, a Igreja exerce a sua tutela, referiu o padre Manuel Morujão, admitindo que o "encadeamento" jurídico do decreto “pode levar a crer” que a hierarquia eclesiástica quer apoderar-se dos bens das Misericórdias, suposição que segundo o porta-voz não corresponde à verdade.

O porta-voz da CEP afirmou que “está em curso o diálogo” entre ambas as partes, não havendo “nenhuma urgência” na regulamentação do estatuto jurídico das Misericórdias, que à luz do Código de Direito Canónico – lei interna da Igreja – são associações públicas de fiéis.

“Está a trabalhar-se numa regulamentação que não deixe dúvidas sobre a intenção da Igreja” em relação às Misericórdias, afirmou.

O Conselho Permanente da CEP esteve reunido durante a manhã e início da tarde do dia 12 de Outubro, em Fátima.".


A Igreja Católica já recebe do Estado, através do seu Orçamento, e os valores, referem-se a 2011, 2,1 mil milhões de euros que são transferidos para as Instituições de Solidariedade Social (lares, creches, etc), entidades estas geridas, essencialmente, por aquela confissão religiosa.

2 - Centremo-nos, agora, na hipocrisia justificativa. Ou seja, como se pretende argumentar com valores humanos um favor financeiro à Igreja Católica.

O líder parlamentar do CDS-PP, Nuno Magalhães, louvou na passada segunda-feira o anúncio da regularização das dívidas e a devolução dos hospitais às misericórdias, defendendo que decisão pode «combater as listas de espera» e «melhorar a resposta aos doentes», noticia a Lusa.

Convém recordar que, pelo menos, dois dos mais importantes ministérios deste governo estão nas mãos de serventuários da Igreja Católica: o da Saúde, com Paulo Macedo e da Solidariedade e Segurança Social, Pedro Mota Soares.





















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