sexta-feira, 11 de março de 2011

EUA: APESAR DE TUDO OS ASSALARIADOS MOVEM-SE




Estamos a olhar para a crise europeia e não descortinamos como vai a evolução económica e social na potência imperialista dominante. Desprezamos o facto de ver a arrogância imperial de Washington na costa africana e em especial na Líbia como estando isolado do contexto interno crítico nos Estados Unidos da América.

De facto, as contradições capitalistas estão a agudizar-se no mundo e as repartições geo-estratégicas e a colonização fiorçada de países em busca de matérias-primas não estão separadas das crises económicas e sociais que percorrem as duas principais potências económicas mundiais - EUA e a UE - que, apesar de uma aliança de ocasião, estão em concorrência ferroz.

E acima de tudo, porque estão feridas por crises profundas no seu sistema financeiro e produtivo interno.

Os EUA estão em crise interna persistente e alastrativa. Os seus principais meios de comunicação social desviam, propositadamente, o debate do que se passa no país, mas, claro não podem escamoteá-lo completamente.

O jornal por execelência do Capital finaceiro especulativo de Nova Iorque, o Wall Street Journal, que, quinta-feira, em artigo assinado por Jon Hilserath e Justin Lahart, mostram as "reais feridas" do sistema. Dizem abertamente: "a inflacção acelera" e está efectuar-se uma "lenta recuperação da economia norte-americana", que pode ser retardada ou mesmo desacelarada se os preços aumentaram, tal como estão a efectuar-se, em especial, "a alta dos alimentos e do petróleo", que afecta essencialmente o consumidor - e por tabela toda a cadeia de comércio e indústria.

Admitem, baseando-se em estatísticas, que o preços dos principais alimentos possam subir este ano entre os 2 a 2,5 por cento, o que já não acontece há uma dezena de anos, bem com o vestuário que podem subir mais de 3 por cento.

O curioso é que, lendo a grande imprensa do país, parece que tudo está parado, mas os Estados do Médio Oeste, onde ainda se nota um desemprego menor do que noutros mais industrializados estão em efervescência, principalmente porque as autoridades estaduais locais querem retirar o poder reivindicativo dos sindicatos, que representam centenas de milhares de funcionários públicos.

Ora, esta movimentação com centenas de milhares de pessoas nas ruas está, justamente ,ligada à tentativa de colocar os funcionários públicos a pagar a crise.

E tudo começou pelo Wisconsin, quando o governador republicano procurou "quebrar" a força da unidade sindical. Isto já em Janeiro.

De repente, 100 mil trabalhadores manisfestavam-se nas ruas. Fizeram-no todos os dias duranete um semana.

O que é certo é que o governador ainda não conseguiu aprovar a legislação anti-sindical.

A questão agravou-se entretanto, pois passou para outros Estado, onde os seus detentores políticos procuram pôr em marcha idêntica legislação.

No principio de Março, cerca de 10 mil pessoas manifestavam-se no Parlamento do Ohio, na cidade de Columbus.

Está em causa um projeto, com apoio do governador republicano John Kasich, que colocava fim à contratação colectiva para 42.000 trabalhadores do Estado, além de outros 19.500 trabalhadores da universidade estatal e do sistema de ensino. Também reduziria o direito à greve dos trabalhadores do Estado ao permitir que os grevistas sejam substituídos permanentemente, além de proibir o aumento automático de salários, o direito de atestado médico para professores e forçar os trabalhadores a pagar pelo menos 20% do valor do plano de saúde.

Lá como na Europa, o sistema capitalista está a querer sair do atoleiro em que se meteiu à custa de corte de regalias sociais dos trabalhadores de Estado.

Mas, claro que estas notícias não tem expressão nos jornais de Wall Street, como o New York Times ou o Washington Post ou na CNN ou FOX News.

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