segunda-feira, 7 de março de 2011

LÍBIA. A NATO A ARRANJAR PRETEXTOS PARA NOVO IRAQUE





1 - O objectivo principal da movimentação anti-Kadhafi na Líbia parecia ser o descontemento popular contra a política ditatorial do coronel, que liderou uma revolução republicana em 1969, e usurpou, posteriormente, este poder, transformando a eclosão revolucionária de então em contra-revolução com laivos cada vez mais acentuados de fascização, com o apoio declarado de uma parte do mundo ocidental, especialmente europeu, que beneficiou das benesses da exploração petrolífera, em detrimento dos seus aliados norte-americanos, que procuraram sempre penetrar e desmantelar o poder líbio.

Na realidade, os meios de comunicação ocidentais - sem estarem presentes no terreno, contra todas as normas éticas do jornalismo -
fizeram questão de noticiar a existência de enormes massacres e violações constantes dos "direitos humanos" sob uma cruzada de contra-informação montada pela CIA.

2 - Havia descontentamento, é certo; havia repressão, é certo, mas também é certo que havia (e há) uma clara manipulação pró-ocidental desse descontentamento.

Inesperadamente, a cidade de Bengazi, a leste do país, não muito longe do Egipto, é alvo de movimentações populares que, aparentemente, tomam a cidade. Certos quadros militares do regime de Kadafi e certos membros da diplomacia abandonam, à última hora, o regime, rotulando-o de cobras e lagartos, como se não o conhecessem e dele fizeram parte durante dezenas de anos.

Mas, a rebeldia legítima dos explorados líbios rapidamente caiu na orientação de agentes pró-ocidentais (e acima de tudo de agentes norte-americanos integrados nas tropas egípcias, que entraram, a propósito de ajuda humanitária em Bengazi).

3 - Inesperadamente, começa a saber-se (aparentemente, pelos seus fracassos) que forças militares europeias (e não só, mas ainda não há provas concludentes) estiveram (e estão a actuar) no interior da Líbia e tiveram contactos com alguns dos "insurrectos".

Citamos dos órgãos de informação ocidentais:

"Os três militares, tripulantes de um helicóptero holandês Lynx, foram detidos durante uma operação de retirada de dois civis de Sirte, e segundo imagens da televisão líbia os soldados estão, aparentemente, em boa condição física".

Como é que um helocóptero militar holandês actua, descaradamente, numa zona considerada "rebelde"? Que estavam os "civis" a fazer entre os rebeldes? Porque havia necessidade, urgente, de os retirar, se a cidade, na versão ocidental, estava nas mãos da rebelião? Ou não estaria?.

Outra notícia, esta dos órgãos de informação ingleses:

"Sete militares da força de elite SAS e um agente secreto britânico aterraram sexta feira no deserto a sudoeste de Bengasi, alegadamente para entrarem em contacto com os rebeldes líbios. Simplesmente, os rebeldes não sabiam de nada, ouviram o helicóptero que trazia os intrusos e detiveram-nos para interrogatório. No domingo voltaram a libertá-los, mas o estrago político já não podia ser disfarçado".

Estiveram com os "rebeldes" à sua revelia? E eles libertaram-nos? Algo está mal contado.

4 - A notícia seguinte, também, provem de fonte ocidental, precisamente, da Reuters e o relato é do seu editor de assuntos intrenacionais, que, por acaso, também se encontra numa zona considerada como libertada pela rebelião.

"Forças leais ao líder líbio Muamar Khadafi estão nesta segunda-feira avançando em território dominado por rebeldes, realizando ataques aéreos e terrestres em áreas a leste da capital, Trípoli.

"A cidade de Bin Jawad foi tomada pelas tropas do governo, o que forçou o recuo dos rebeldes para Ras Lanuf, a cerca de 50 km a leste.

Ras Lanuf, que havia sido tomada pelos rebeldes na noite de sexta-feira, sofreu bombardeios aéreos. Há relatos de que o ataque produziu vítimas, inclusive fatais.

“A escala dos confrontos em Ras Lanuf pode ser pequena, mas têm grande importância para o futuro da Líbia e, possivelmente, para o restante do Oriente Médio”, disse o editor de assuntos internacional da BBC, John Simpson, que está em Ras Lanuf.

Aqui, está o busilis da questão: houve, a par de um protesto popular, fomentado ou não, mas enquadrado pelos ocidentais, uma intervenção directa na Líbia, e agora que parece que o movimento popular perdeu força e há, pelo menos, alguma inversão da relação de forças, começam a surgir as notícias verdadeiras:

A NATO JÁ TEM UM PLANO PARA INTERVIR NA LíBIA. JÁ ORGANIZADO HÁ MUITO TEMPO.




PORQUE JÁ ESTÁ PREPARADO E AGORA QUER LEGALIZA-LO ATRAVÉS DE UMA INTERVENÇÃO ARMADA, SOB A ÉGIDE DA ONU.




TUDO ISTO CHEIRA A IRAQUE EM FORMATO MAIS SOFISTICADO.

Reparemos na notícia de origem ocidental.

"Dois navios de guerra norte-americanos aproximam-se da costa líbia, um novo indício da pressão exercida pelos EUA para afastar o coronel Khadafi, apesar de Washington afastar de momento uma intervenção militar.

"O USS Kearsarge e o USS Ponce já entraram no Canal do Suez, provenientes do Mar Vermelho, segundo avança a Reuters.

«Estamos a deslocar elementos para os aproximar da Líbia», disse uma fonte da defesa norte-americana à AFP.

Entretanto, o Senado norte-americano aprovou na terça-feira uma resolução simbólica em que condena a repressão na Líbia e pede à comunidade internacional para considerar a instauração de uma zona de exclusão aérea sobre este país. .

Notícias mais frescas das centrais de contra-informação ocidentais:

"A NATO aumentou a pressão internacional sobre o ditador líbio, Muammar Kadhafi. O secretário-geral da Aliança, Anders Fogh Rasmussen, exigiu uma transição rumo à democracia e advertiu que pode haver reacção militar se Kadhafi continuar a usar a força para conter a revolta popular.
«Se Kadhafi e as suas forças militares continuarem a atacar sistematicamente a população, não posso imaginar que a comunidade internacional fique a olhar», disse Rasmussen, acrescentando: «Muita gente pelo mundo se verá tentada a dizer: façamos algo para deter este massacre».

Rasmussen ressaltou, contudo, que a aliança não tem prevista nenhuma acção militar e só agirá se for solicitada e contar com um mandato apropriado da ONU (Organização das Nações Unidas).

«A NATO não tem intenção de intervir, mas como organização de segurança a nossa obrigação é fazer um planeamento prudente para qualquer eventualidade», explicou Rasmussen numa conferência de imprensa.

Outra opção é aplicar uma zona de exclusão aérea sobre a Líbia, ideia que alguns países tentam levar adiante para impedir que a Força Aérea leal a Kadhafi bombardeie a população.

Rasmussen afirmou que essa acção requer um «amplo leque de recursos militares» e lembrou que a resolução sobre a Líbia aprovada por enquanto pelo Conselho de Segurança da ONU não prevê o uso da força.

Mais cedo, o Ministério de Relações Exteriores francês afirmou que a Liga Árabe é favorável à criação da zona de exclusão aérea na Líbia. O apoio da Liga, sempre muito resistente a qualquer tipo de intervenção, pode acabar com as reservas de alguns dos países membros do Conselho na hora de adoptar a medida.

5 - Com que direito se arroga a NATO, uma estrutura que nunca foi refrenrendada em qualquer país, incluindo Portugal, onde surgiu sob a batuta da ditadura salazarista, de se imiscuir nos assuntos de outros países, situação esta que já provocou, EM PASSADO RECENTE, verdadeiras carnificinas e crimes de guerra.

Teremos nós, cidadãos, o direito de considerar a NATO uma organização terrorista e criminosa? Eu penso que sim. Se outros houver, então, também teremos o dever de intervir contra ela.

Porque estão caladas as forças políticas anti-NATO?

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