sexta-feira, 25 de março de 2011
QUEM É A RESPONSABILIDADE DE ESTARMOS À RASCA?
MERKEL ESTÁ A MAIS NUMA UE SEM LIDERANÇAS ARROGANTES

A chanceler (primeira-ministra) alemã, Angela Merkel, intromete-te descaradamente na vida politica interna de Portugal, dos seus actos políticos parlamentares, e todos os partidos nacionais calam-se, como se tratasse de um patrão ditatorial a actuar sob a sua empresa.
Com que autoridade se arroga a chefe do governo alemão para usar esta linguagem?
quarta-feira, 23 de março de 2011
CRISE PORTUGUESA: QUE PROGRAMA DE RUPTURA?
A crise política portuguesa, forçada e organizada com a demissão do primeiro-ministro do PS José Sócrates, abriu uma porta de clarificação.
Pode vir a transformar-se numa hetacombe para o capitalismo financeiro, que, apesar de ver satisfeitas as suas revindicações, exigia sempre mais, com a evolução da dívida pública, que apenas interessava directamente aos grupos políticos e económicos que gravitavam e gravitam à volta de quem governa e quem dirige a política de Estado.
Mas também se pode transformar num reforço, ainda que momentàneo é certo, mas não deixa de o ser, na realidade, da dominação do capital financeiro, que se alberga, neste momento, na tutela do actual Chefe de Estado, Cavaco Silva, e deseja um governo que lhe seja mais fiel, dirigido por esse "empregado" do BES, que é Pedro Passos Coelho.
O que se pretende instituir na Europa capitalista liberal (UE) - e Portuagl será uma lebre no processo - é a estruturação de um poder de Estado de uma República aparentemente democrática, que siga o modelo norte-americano,de constituição rotativista de uma governçaõ, orientada por dois partidos que se revezam no poder, fazendo da política uma "bolsa sacadora" para o negócio mais especulativo e marginal de ganhos sem olhar a meios, repartindo o "bolo" quer nas empresas estatais, quer nos poderes legislativos e executivos, desde o sistema bancário até ao município mais banal.
Ora, essa porta de clarificação, que se iniciou com a moção de censura do Bloco de Esquerda (BE), pode não vir a servir de nada, se debaixo de uma crise política e económica de envergadura, não se produzir uma mudança de relações de forças, que cause mossa à mediocridade criada pela burguesia rotativa desde há 25 anos.
sábado, 19 de março de 2011
O NOVO COLONIALISMO COM O CAPITAL EM DECADÊNCIA: NOVA ERA DE REVOLUÇÕES?

PÀSCOA CRISTÂ: UMA HISTÓRIA SEM CONSISTÊNCIA HISTÓRICA COEVA

A religião cristã está quase a comemorar a época da Páscoa, uma tradição mitológica, que, também, é venerada pelos judeus.
O cristianismo ligou esta interpretação à eventual morte da personalidade que lhe veio a servir de mentor, Jesus Cristo, que, segundo a tradição, que hoje prevalece nos documentos creditados pela Igreja Católica romana, teria ocorrido na semana da Páscoa judaica, semana esta que se celebra na Primavera, sem data precisa - uma variação estabelecida, grosso modo, entre 25 de Março e o 6 de Abril.
Não existe documentação coeva que prove quer a existência de Jesus Cristo, quer quaisquer dados da sua vida, ainda que indirectos, nem sequer de uma eventual crucificação colectiva efectuada em Jerusalém sob as ordens de Pôncio Pilatos.
Muitas dezenas de anos depois da sua provável existência, cerca do ano 100, aparecem livros, cartas e outros escritos muito diversificados, que falam dele, já com uma doutrina estabelecida, mas sob várias formas e conteúdos, por vezes contraditórios, com ressonâncias míticas e obscuras.
A Igreja Católica Romana Ocidental, quando se tornou religião de Estado do Império Romano, sob Constantino, (século IV DC) limitou os os textos oficiais a um punhado, que chamou Evangelhos canónicos, que ficaram conhecidos pelos nomes de Mateus, Marcos, Lucas e João.
São estes, pois, para a tradição cristã sancionada pela Igreja de Roma, que confirmam e são apresentados como documentos de chancela oficial.
Na realidade, verifica-se nos Evangelhos canónicos uma muito obscura descrição sobre a vida de Jesus Cristo e a sua própria família e o modo desprezivo como aquele a ela se refere, bem como à própria aceitação da sua figura e doutrina.
O pai de Jesus Cristo, José, é uma figura apagada, que cujas raizes anteriores são apresentadas contraditoriamente nos Evangelhos. A mãe de Cristo, Maria, Mariam ou Miriam, está, em grande medida, afastada dos mesmos Evangelhos ( surge no nascimento e depois apenas reaparece no momento da sua morte, e curiosamente, com uma personalidade semi-marginal chamada Maria Madalena, que um dos Evangelhos não canónicos, mas da mesma época -o de Filipe -, descoberto muito recentemente, a apresenta como "a mulher de Jesus". Este tem várias frases a desprezar a mãe. Em S. Marcos, ele afirma, dirigindo-se seus discípulos, como sendo a sua família: "Eis a minha mãe e os meus irmãos". Também em S.Marcos, assinala-se que "os seus" familiares o tentam fazer voltar para a sua terra, sustentando que "estava fora de si".
Finalmente, a crucificação. Uma leitura cuidada dos Evangelhos não refere explictamente que Jesus Cristo tinha sido pregado na cruz. Nos Actos dos Apóstolos, escreve-se que Cristo faleceu pendurado na *madeira* ou *lenho".
terça-feira, 15 de março de 2011
CAVACO SILVA ELOGIA POLÍTICA COLONIAL DE SALAZAR
Cavaco Silva, além de fazer uma interpretação errada da História, efectuou igualmente um elogio - sem o citar, claro - ao papel desempenhado pela ditadura de António de Salazar, que esfacelou uma parte da juventude portuguesa numa guerra injusta, ao mesmo tempo que atolou o País no lamaçal da depressão económica e expulsou cerca de um milhão de portugueses para a emigração.
Ao solicitar ao jovens de hoje que se empenhem "em missões e causas essenciais ao futuro do país com a mesma coragem e determinação com que fizeram os militares que participaram há 50 anos na guerra do Ultramar", Cavaco Silva estão a efectuar um apelo a novas missões coloniais, com intervenções em zonas territórios que estão sob a alçada de poderes e potências imperiais.
E ao fazer este apelo, o actual Chefe de Estado está a renegar, exactamente, todos aqueles que fizeram e participaram no 25 de Abril de 1974. justamente para acabar com um guerra que nada tinha de patriótica e nem seguida pelos que nelas estiveram envolvidos como combatentes, que, por acaso, não foi o caso dele.
O combatente portugûes foi carne para canhão ao serviço do regime ditatorial de Salazar e Caetano e desprezado mais tarde, por falta de apoio, por todos aqueles que estiveram até agora no poder no pós-25 de Abril.
segunda-feira, 14 de março de 2011
ARÁBIA SAUDITA OCUPA BAHREIN: UM PROBLEMA CALADO NA IMPRENSA DE CÁ

Mais de um milhar de soldados de élite da Arábia Saudita, que este país sustenta ser parte de uma "força comum" do Conselho de Cooperação do Golfo chegaram ao Bahrein, para dedender o poder interno do emir daquele país rico em petróleo e onde está sediado o comando norte-americano de ocupação do Médio-Oriente.
De imediato, a oposição do Bahrein considerou tal facto como "ocupação", seja qual for o estatuto inventado para a presença das forças sauditas.
Mais de um milhar de soldados sauditas que fazem parte da força comum do Conselho de Cooperação do Golfo (CCG) chegaram ao Bahrein, confrontado com uma contestação social desde meados de Fevereiro.
“A força chegou ao Bahrein no domingo à noite”, afirmou um responsável saudita, que pediu para não ser identificado.
A oposição afirmou que irá considerar ”qualquer presença militar estrangeira” como “uma ocupação”, numa reacção a notícias segundo as quais tropas sauditas chegaram ao pequeno reino do Golfo.
“O povo do Bahrein enfrenta um perigo real, o de uma guerra contra os cidadãos do Bahrein sem que haja uma declaração de guerra”, sublinharam em comunicado os sete partidos da oposição, incluindo o xiita Wefaq.
“Consideramos a entrada de qualquer soldado, qualquer veículo militar no espaço terrestre, aéreo ou marítimo do reino do Bahrein como uma ocupação flagrante, uma conspiração contra o povo do Bahrein desarmado, e uma violação dos acordos e das convenções internacionais”, adianta o texto.
A oposição apelou à comunidade internacional para “assumir rapidamente as suas responsabilidades” e para “proteger o povo do Bahrein do perigo de uma intervenção militar”.
Mas claro, a chamada comunidade internacional está com o fito na Líbia.
A Arábia Saudita pertence ao bando imperialista ocidental, embora seja, formalmente, árabe.
Ora, isto acontece, precisamente, quando a Arábia Saudita lançou uma maciça operação de segurança já iniciada no final da semana passada, como forma intimidatória e repressiva para dissuadir os manifestantes de levar adiante o plano de celebrar um "Dia de Fúria" para pressionar a adopção de reformas democráticas no reino medieval.
Manifestações ilegais estavam previstas para o meio-dia, depois das orações desta sexta-feira, dia santo para os muçulmanos, mas enquanto as mesquitas se esvaziavam não havia sinais de manifestações e as forças de segurança controlavam postos de vigilância das principais vias em localizações chave de várias cidades. Todo o armamento era (e é) de origem ocidental.
Foram presos centenas de activistas, bem como dirigentes oposicionistas.
A Arábia Saudita, com cerca de um quarto das reservas de petróleo do mundo, é chave para a segurança ocidental no Oriente Médio e sinais de instabilidade no reino são nervosamente acompanhadas pelos Estados Unidos e por outras potências europeias.
Os ativistas pedem reformas amplas, como a adoção de um governo representativo, um poder judicial independente, a abolição da polícia secreta, a libertação de todos os prisioneiros políticos e garantia de liberdade de expressão.
Na área econômica, pedem um salário mínimo de 2.667 dólares e trabalho já que a taxa onde a taxa de desemprego é de 10,5% e atinge cerca de 30% na população com idades entre 20 e 29 anos.
A origem da inquietação deve-se, em parte, à distribuição desigual da riqueza derivada do petróleo, enquanto cerca de 40% da população vive em relativa pobreza.
Entretanto a Arábia Saudita arma-se com o apoio militante dos Estados Unidos, retirando este dinheiro da distribuição da riqueza pela população.
A Arábia Saudita vai adquirir 84 novos caças-bombardeiros F-15SA, assim como modernizar aproximadamente 70 F-15S para o mesmo padrão. Essa compra, de mais de 29 mil milhões de dólares, representa praticamente metade do que o país deverá gastar nos próximos cinco a dez anos em armas fornecidas pelos Estados Unidos, conforme notificação ao congresso dos EUA feita pela DSCA (Defense Security Cooperation Agency) no final do ano passado.
São 60 mil milhões de dólares no total, representando o maior acordo já feito pelos EUA para venda de armamento a um outro país.
Segundo reportagem da Arabian Aerospace, a Força Aérea do Reino da Arábia Saudita (RSAF) tem preferido um longo e, em geral, constante relacionamento com a norte-americana Boeing.
Por seu turno, a Raytheon informou no último dia 20 de Janeiro que assinou um contrato no valor de 475 milhões de dólares com o Reino da Arábia Saudita, referente a uma encomenda de armamento do modelo Paveway – kits que transformam bombas chamgadas de “burras” em munições guiadas de precisão.
Segundo o presidente da Raytheon Missile Systems, Taylor W. Lawrence, “esta venda é o mais recente capítulo co compromisso de quatro décadas de duração da Raytheon com o Reino da Arábia Saudita e com a segurança regional do Golfo Árabe.”
Ora, no meio de todo este rápido armamento, o Presidente dos Estadios Unidos pediram ao monarca da Arábia Saudita para enviar, rapidamente, armas de vários tipos aos rebeldes líbios, que se encontram em fase de retirada.
Curioso não é: os meios de comunicação social quase não dão relevo a toda estra tramóia.
sábado, 12 de março de 2011
LÍBIA: UMA CARTA FORA DO BARALHO DA ESTRATÉGIA NEO-COLONIAL EUA/UE


1 - Os males, que presentemente, o chamado mundo ocidental está a causar no Magrebe e no Médio-Oriente diferencia-se, em parte, do que aconteceu anteriormente com a colonização forçada de toda aquela região pouco depois, e nas dezenas de anos subsequntes, à Conferência de Berlim em 1815, onde os povos locais foram invadidos e trucidados, principalmente, pelas patas despóticos dos apetites coloniais europeus.
2- Todas as repartições arbitrárias de territórios, as rapinas desenfreadas das matérias-primas, as guerras civis fomentadas, tiveram um traço distintivo das dominações coloniais inglesas e francesas, principalmente, e em menor escala na Líbia, com a colonização italiana.
3 - Todavia, todas estas acções pretendiam, melhor dizendo, fazia-se propagandear na altura, que se actuava para conseguir uma transformação societária, tirando os povos árabes e muçulmanos da barbárie. Claro que essa piedosa pretensão trouxe, em parte uma desarticulação dos regimes medievais que existiam, então, desde Marrocos até ao Irão.
4 - Embora as intervenções consideradas subversivas para os regimes despóticos de barbárie dos clãs e tribos tivessem produzido um safanão e, em muitos territórios, vieram a mudar, realmente, os regimes de monárquicos para republicanos, o que em si se pode considerar que houve neles revoluções, o certo é que o papel interventor das antigas potências coloniais se transferiu para o controlo total - ou em parceria - com os novos regimes nascentes, que não evoluiram, regrediram, sempre servindo os apetites coloniais das velas potências europeias, e, de maneira particular após a II Grande Guerra tornando-se aliados, mais ou menos permanentes das verdadeiras potências ganhadoras dessa guerra, a antiga União Soviética e os EUA.
Toda a agitação nacionalista dos anos 50 que percorreu o chamado mundo árabe tinha no bojo um desejo profundo de mudança que os povos da região queriam empreender para afastar o jugo do peso colonialista anterior. Quer os EUA, quer a ex-URSS, impulsionaram essa mudança, é certo, mas faziam-no tendo em mente a conquista de interesses próprios, mesquinhos, para os seus objectivos estratégicos.
Em parte conseguiram-no. Em particular, os EUA, depois do colapso da URSS, que manietaram, praticamente, os principais países produtores de petróleo, encimando-os de regimes o mais retrógrados possíveis, como o caso do Irão, da Arábia Saudita, do Egipto pós Nasser, da Jordânia, do Iraque, da Tunísia, da Argélia e de Marrocos, entre outros.
5 - Pelo contrário, fomentaram guerras de uma crueldade terrível, como foi o caso do conflito sangrento que causou mais de um milhão de mortos, nos anos 80, entre o Iraque e o Irão, e ainda nos anos 80 e 90, provocando um cerco crescente - e armado - à Líbia, que procurava diversificar o seu comércio de petróleo, vendendo a várias potências, evitando o controlo asfixiante dos magnates petrolíferos norte-americanos.
6 - Defenderam, ao mesmo tempo, os regime tirânicos em toda a região desde a medieval Arábia Saudita à chamada liberal egipcia, sob o domínio brutal do clã Mubarak. Fizeram tudo por criar forte Exércitos nesses países sob a sua batuta, controlados por assessores do Exército ou da CIA, como esteios de retaguarda para eventuais descalabros dos regimes que mantiveram até à última.
7 - No entanto face ao incremento de um nacionalismo pan-árabe, agrupado sob a bandeira de um certo fanatismo religioso, que começava a impor-se em camadas crescentes de jovens, e não só, que surgia, todavia, como forma de política externa de anti-americanismo e anti-imperialismo, os estrategas de Washington - em especial os lobbies do capital financeiro especulativo onde predominam os judeus - com a cumplicidade dos dirigentes da União Europeia, foram apoiando certos sectores, organizados em partidos e em organizações não governamentais, sem programas definidos, mas alicerçados num movimento de "afastamento" dos "velhos déspostas" para fazer com que algo mudasse para que tudo pudesse continuar na mesma.
8 - O mesmo sucedeu no Egipto. Corre-se com Mubarak, mas entrega-se, em golpe de Estado, o poder aos seus corifeus, todos eles obdientes a Washington.
9 - A fase seguinte era a Líbia. Também aqui havia descontamento entre a juventude, também, aqui havia um velho désposta. Foi delineada uma estratégia que teria o começo na região mais longínquia da capital, a cidade de Bengazi, (dois mil quilómetros) pouco favorável a Kadafi, e situada muito perto do Egipto, de onde seriam enviadas "missões humanitárias" egipcias formadas pelao novo regime imposto pelos militares pró-americanos, que certamente transportaram armas para os rebeldes.
O regime líbio pareceu tremer. Mas aqui os jovens não puderam contar com o Exército, cuja formação provinha das estruturas montadas pela antiga União Soviética, que, apesar dos esforços de americanos, franceses, ingleses, russos e até chineses, não se colocaram em massa contra o actual lider Kadafi. Este tem conseguido resistir.
10 - A táctica ocidental engendra agora um pretexto, procurando a ajuda de uma entidade sem legitimidade nenhuma, a Liga Árabe, que tem à frente, precisamente, um antigo ministro dos Negócios Estrangeiros de MubaraK, Amr Mussa, e é manipualda essencialmente pelas monarquias do golfo.
Procuram-se pretextos para uma invasão. Que até será fácil.
Um dilema.
11 - Finalmente, porque não se fala na imprensa ocidental nas repressões terriveis que estão a acontecer na Arábia Saudita às manifestações contra a decrépita e corrupta monarquia, que só se mantem no poder, porque é sustentada pelos Estados Unidos?
sexta-feira, 11 de março de 2011
EUA: APESAR DE TUDO OS ASSALARIADOS MOVEM-SE

Estamos a olhar para a crise europeia e não descortinamos como vai a evolução económica e social na potência imperialista dominante. Desprezamos o facto de ver a arrogância imperial de Washington na costa africana e em especial na Líbia como estando isolado do contexto interno crítico nos Estados Unidos da América.
De facto, as contradições capitalistas estão a agudizar-se no mundo e as repartições geo-estratégicas e a colonização fiorçada de países em busca de matérias-primas não estão separadas das crises económicas e sociais que percorrem as duas principais potências económicas mundiais - EUA e a UE - que, apesar de uma aliança de ocasião, estão em concorrência ferroz.
E acima de tudo, porque estão feridas por crises profundas no seu sistema financeiro e produtivo interno.
Os EUA estão em crise interna persistente e alastrativa. Os seus principais meios de comunicação social desviam, propositadamente, o debate do que se passa no país, mas, claro não podem escamoteá-lo completamente.
O jornal por execelência do Capital finaceiro especulativo de Nova Iorque, o Wall Street Journal, que, quinta-feira, em artigo assinado por Jon Hilserath e Justin Lahart, mostram as "reais feridas" do sistema. Dizem abertamente: "a inflacção acelera" e está efectuar-se uma "lenta recuperação da economia norte-americana", que pode ser retardada ou mesmo desacelarada se os preços aumentaram, tal como estão a efectuar-se, em especial, "a alta dos alimentos e do petróleo", que afecta essencialmente o consumidor - e por tabela toda a cadeia de comércio e indústria.
Admitem, baseando-se em estatísticas, que o preços dos principais alimentos possam subir este ano entre os 2 a 2,5 por cento, o que já não acontece há uma dezena de anos, bem com o vestuário que podem subir mais de 3 por cento.
O curioso é que, lendo a grande imprensa do país, parece que tudo está parado, mas os Estados do Médio Oeste, onde ainda se nota um desemprego menor do que noutros mais industrializados estão em efervescência, principalmente porque as autoridades estaduais locais querem retirar o poder reivindicativo dos sindicatos, que representam centenas de milhares de funcionários públicos.
Ora, esta movimentação com centenas de milhares de pessoas nas ruas está, justamente ,ligada à tentativa de colocar os funcionários públicos a pagar a crise.
E tudo começou pelo Wisconsin, quando o governador republicano procurou "quebrar" a força da unidade sindical. Isto já em Janeiro.
De repente, 100 mil trabalhadores manisfestavam-se nas ruas. Fizeram-no todos os dias duranete um semana.
O que é certo é que o governador ainda não conseguiu aprovar a legislação anti-sindical.
A questão agravou-se entretanto, pois passou para outros Estado, onde os seus detentores políticos procuram pôr em marcha idêntica legislação.
No principio de Março, cerca de 10 mil pessoas manifestavam-se no Parlamento do Ohio, na cidade de Columbus.
Está em causa um projeto, com apoio do governador republicano John Kasich, que colocava fim à contratação colectiva para 42.000 trabalhadores do Estado, além de outros 19.500 trabalhadores da universidade estatal e do sistema de ensino. Também reduziria o direito à greve dos trabalhadores do Estado ao permitir que os grevistas sejam substituídos permanentemente, além de proibir o aumento automático de salários, o direito de atestado médico para professores e forçar os trabalhadores a pagar pelo menos 20% do valor do plano de saúde.
Lá como na Europa, o sistema capitalista está a querer sair do atoleiro em que se meteiu à custa de corte de regalias sociais dos trabalhadores de Estado.
Mas, claro que estas notícias não tem expressão nos jornais de Wall Street, como o New York Times ou o Washington Post ou na CNN ou FOX News.
terça-feira, 8 de março de 2011
A PROPÓSITO DA MANIFESTAÇÃO DO DIA 12

Quando em Portugal se forja o golpe de Estado do 25 de Novembro de 1975, e, especialmente, quando se aprova cerca de meio ano depois, a 2 de Abril de 1976, a primeira Constituição do novo regime, o que fica no centro da actividade política são os interesses dos assalariados, em especial toda uma estrutura política-legislativa, que alicerçava na evolução de um novo poder, o poder socialista, que, todavia, já não tinha um interlocutor de representação estatal que lhe correspondesse.
"A 25 de abril de 1974, o Movimento das Forças Armadas, coroando a longa resistência do povo português e interpretando os seus sentimentos profundos, derrubou o regime fascista.
Libertar Portugal da ditadura, da opressão e do colonialismo representou uma transformação revolucionária e o início de uma viragem histórica da sociedade portuguesa.
A Revolução restituiu aos Portugueses os direitos e liberdades fundamentais. No exercício destes direitos e liberdades, os legítimos representantes do povo reúnem-se para elaborar uma Constituição que corresponde às aspirações do país.
A Assembleia Constituinte afirma a decisão do povo português de defender a independência nacional, de garantir os direitos fundamentais dos cidadãos, de estabelecer os princípios basilares da democracia, de assegurar o primado do Estado de Direito democrático e de abrir caminho para uma sociedade socialista, no respeito da vontade do povo português, tendo em vista a construção de um país mais livre, mais justo e mais fraterno" (o sublinhado é meu).
segunda-feira, 7 de março de 2011
LÍBIA. A NATO A ARRANJAR PRETEXTOS PARA NOVO IRAQUE


1 - O objectivo principal da movimentação anti-Kadhafi na Líbia parecia ser o descontemento popular contra a política ditatorial do coronel, que liderou uma revolução republicana em 1969, e usurpou, posteriormente, este poder, transformando a eclosão revolucionária de então em contra-revolução com laivos cada vez mais acentuados de fascização, com o apoio declarado de uma parte do mundo ocidental, especialmente europeu, que beneficiou das benesses da exploração petrolífera, em detrimento dos seus aliados norte-americanos, que procuraram sempre penetrar e desmantelar o poder líbio.
Na realidade, os meios de comunicação ocidentais - sem estarem presentes no terreno, contra todas as normas éticas do jornalismo - fizeram questão de noticiar a existência de enormes massacres e violações constantes dos "direitos humanos" sob uma cruzada de contra-informação montada pela CIA.
2 - Havia descontentamento, é certo; havia repressão, é certo, mas também é certo que havia (e há) uma clara manipulação pró-ocidental desse descontentamento.
Inesperadamente, a cidade de Bengazi, a leste do país, não muito longe do Egipto, é alvo de movimentações populares que, aparentemente, tomam a cidade. Certos quadros militares do regime de Kadafi e certos membros da diplomacia abandonam, à última hora, o regime, rotulando-o de cobras e lagartos, como se não o conhecessem e dele fizeram parte durante dezenas de anos.
Mas, a rebeldia legítima dos explorados líbios rapidamente caiu na orientação de agentes pró-ocidentais (e acima de tudo de agentes norte-americanos integrados nas tropas egípcias, que entraram, a propósito de ajuda humanitária em Bengazi).
3 - Inesperadamente, começa a saber-se (aparentemente, pelos seus fracassos) que forças militares europeias (e não só, mas ainda não há provas concludentes) estiveram (e estão a actuar) no interior da Líbia e tiveram contactos com alguns dos "insurrectos".
Citamos dos órgãos de informação ocidentais:
"Os três militares, tripulantes de um helicóptero holandês Lynx, foram detidos durante uma operação de retirada de dois civis de Sirte, e segundo imagens da televisão líbia os soldados estão, aparentemente, em boa condição física".
Como é que um helocóptero militar holandês actua, descaradamente, numa zona considerada "rebelde"? Que estavam os "civis" a fazer entre os rebeldes? Porque havia necessidade, urgente, de os retirar, se a cidade, na versão ocidental, estava nas mãos da rebelião? Ou não estaria?.
Outra notícia, esta dos órgãos de informação ingleses:
"Sete militares da força de elite SAS e um agente secreto britânico aterraram sexta feira no deserto a sudoeste de Bengasi, alegadamente para entrarem em contacto com os rebeldes líbios. Simplesmente, os rebeldes não sabiam de nada, ouviram o helicóptero que trazia os intrusos e detiveram-nos para interrogatório. No domingo voltaram a libertá-los, mas o estrago político já não podia ser disfarçado".
Estiveram com os "rebeldes" à sua revelia? E eles libertaram-nos? Algo está mal contado.
4 - A notícia seguinte, também, provem de fonte ocidental, precisamente, da Reuters e o relato é do seu editor de assuntos intrenacionais, que, por acaso, também se encontra numa zona considerada como libertada pela rebelião.
"Forças leais ao líder líbio Muamar Khadafi estão nesta segunda-feira avançando em território dominado por rebeldes, realizando ataques aéreos e terrestres em áreas a leste da capital, Trípoli.
"A cidade de Bin Jawad foi tomada pelas tropas do governo, o que forçou o recuo dos rebeldes para Ras Lanuf, a cerca de 50 km a leste.
Ras Lanuf, que havia sido tomada pelos rebeldes na noite de sexta-feira, sofreu bombardeios aéreos. Há relatos de que o ataque produziu vítimas, inclusive fatais.
“A escala dos confrontos em Ras Lanuf pode ser pequena, mas têm grande importância para o futuro da Líbia e, possivelmente, para o restante do Oriente Médio”, disse o editor de assuntos internacional da BBC, John Simpson, que está em Ras Lanuf.
Aqui, está o busilis da questão: houve, a par de um protesto popular, fomentado ou não, mas enquadrado pelos ocidentais, uma intervenção directa na Líbia, e agora que parece que o movimento popular perdeu força e há, pelo menos, alguma inversão da relação de forças, começam a surgir as notícias verdadeiras:
A NATO JÁ TEM UM PLANO PARA INTERVIR NA LíBIA. JÁ ORGANIZADO HÁ MUITO TEMPO.
Reparemos na notícia de origem ocidental.
"Dois navios de guerra norte-americanos aproximam-se da costa líbia, um novo indício da pressão exercida pelos EUA para afastar o coronel Khadafi, apesar de Washington afastar de momento uma intervenção militar.
"O USS Kearsarge e o USS Ponce já entraram no Canal do Suez, provenientes do Mar Vermelho, segundo avança a Reuters.
«Estamos a deslocar elementos para os aproximar da Líbia», disse uma fonte da defesa norte-americana à AFP.
Entretanto, o Senado norte-americano aprovou na terça-feira uma resolução simbólica em que condena a repressão na Líbia e pede à comunidade internacional para considerar a instauração de uma zona de exclusão aérea sobre este país. .
Notícias mais frescas das centrais de contra-informação ocidentais:
"A NATO aumentou a pressão internacional sobre o ditador líbio, Muammar Kadhafi. O secretário-geral da Aliança, Anders Fogh Rasmussen, exigiu uma transição rumo à democracia e advertiu que pode haver reacção militar se Kadhafi continuar a usar a força para conter a revolta popular.
«Se Kadhafi e as suas forças militares continuarem a atacar sistematicamente a população, não posso imaginar que a comunidade internacional fique a olhar», disse Rasmussen, acrescentando: «Muita gente pelo mundo se verá tentada a dizer: façamos algo para deter este massacre».
Rasmussen ressaltou, contudo, que a aliança não tem prevista nenhuma acção militar e só agirá se for solicitada e contar com um mandato apropriado da ONU (Organização das Nações Unidas).
«A NATO não tem intenção de intervir, mas como organização de segurança a nossa obrigação é fazer um planeamento prudente para qualquer eventualidade», explicou Rasmussen numa conferência de imprensa.
Outra opção é aplicar uma zona de exclusão aérea sobre a Líbia, ideia que alguns países tentam levar adiante para impedir que a Força Aérea leal a Kadhafi bombardeie a população.
Rasmussen afirmou que essa acção requer um «amplo leque de recursos militares» e lembrou que a resolução sobre a Líbia aprovada por enquanto pelo Conselho de Segurança da ONU não prevê o uso da força.
Mais cedo, o Ministério de Relações Exteriores francês afirmou que a Liga Árabe é favorável à criação da zona de exclusão aérea na Líbia. O apoio da Liga, sempre muito resistente a qualquer tipo de intervenção, pode acabar com as reservas de alguns dos países membros do Conselho na hora de adoptar a medida.
5 - Com que direito se arroga a NATO, uma estrutura que nunca foi refrenrendada em qualquer país, incluindo Portugal, onde surgiu sob a batuta da ditadura salazarista, de se imiscuir nos assuntos de outros países, situação esta que já provocou, EM PASSADO RECENTE, verdadeiras carnificinas e crimes de guerra.
Teremos nós, cidadãos, o direito de considerar a NATO uma organização terrorista e criminosa? Eu penso que sim. Se outros houver, então, também teremos o dever de intervir contra ela.
Porque estão caladas as forças políticas anti-NATO?
terça-feira, 1 de março de 2011
LÍBIA: O IMPERIALISMO PREPARA UM NOVO IRAQUE

1 - Existe um envolvimento crescente dos Estados Unidos da América e de Israel - e por cumplicidades, cobardias e fraquezas evidentes das eleites diorigentes dos países europeus - nas recentes movimentações ocorridas em alguns países do Magrebe.
Além da movimentação popular, o que está a ocorrer na Líbia traz a mão evidente dos serviços secretos norte-americanos na evolução dos acontecimentos.
Os actos de rebelião realizados pelos jovens desempregados em todos os países, onde se deram mudanças de governos - Tunísia e Egipto, aqueles ficaram sempre refens do Exército, que é uma instituição criada pelas ditaduras militares então existentes, montada e corrompida pelos norte-americanos.
2 - Ora, na Líbia, as revoltas que se deram não tiveram a repercussão esperada, porque a estrutura policial-militar não estava estribada na ossatura do aparelho imperial de Washigton. Os rebeldes estão a lutar sem um programa, e não conseguiram um interlocutor momentâneo para lhe entregar o poder.
O curioso é que o centro da contestação na Líbia se radica, até agora, principalmente, em Bengazi, uma cidade distante dois mil quilómetros da capital, sem a pujança económica daquela, e situada muito próximo do Egipto, cuja liderança militar, a propósito de auxílio à população, tem entrado na região, estabelecendo um comité militar, praticamente desconhecido.
3 - Para completar a mistificação, os Estados Unidos da América, que não têm um domínio da produção petrolífera no país - Khadafi jogou até agora com a diversificação dos centros de produção por vários países - ameaça com a intervenção militar, levando vários navios para junto da costa libia, tal como o fez há cerca de 15 anos, o então Presidente norte-americano Bill Clinton.
Está em jogo mais uma intervenção brutal do imperialismo norte-americano e dos lacaios europeus, com a subserviente Rússia, nos assuntos internos de um país.
4 - É mais um crime contra a humanidade e os povos que os EUA estão a montar, usando com o pretexto estafado da defesa dos direitos humanos (o que não fez no Egipto, nem em Israel).
5 - O curioso é que aqueles que se reclamam de esquerda estão calados, por cobardia, por não denunciarem uma situação - intervenção nos assuntos internos de um país - porque esse país é governado por um ditador. Uma questão é a governação interna do país; outra é a intervenção externa. Tem de se decidir.
Deixemo-nos de hipocrisias. Quem tem de derrubar esse ditador são os revoltosos internos da Líbia e não os imperialistas que somente pretendem controlar as riquezas do país.